FERRÃO VOLTA AO VELHO ESTÁDIO DA COLINA 50 ANOS DEPOIS

Ferrão jogou no velho Estádio da Colina em seis oportunidades entre os anos de 1967 e 1971

Quando o Ferroviário entrar em campo no Estádio da Colina no próximo domingo, em Manaus, voltará a pisar no velho palco do futebol amazonense depois de 50 anos! Entre 1967 e 1971, o time coral realizou seis jogos contra equipes como o Rio Negro/AM, São Raimundo/AM, Nacional/AM e a extinta Rodoviária/AM exatamente naquela praça esportiva. Antes desse período, os ocasionais jogos do Ferrão em Manaus aconteceram no bucólico Parque Amazonense e, a partir de 1979, passaram a ocorrer no demolido Vivaldo Lima, que deu lugar à moderna Arena da Amazônia para a Copa do Mundo de 2014, no Brasil. Quando o Tubarão da Barra atuou no Estádio da Colina pela última vez, em janeiro de 1971, contra o tradicional Naça Machão, em partida válida pelo Torneio Amazonense, a denominação oficial do estádio chamava-se Gilberto Mestrinho, passando a ser conhecido com seu nome atual, Estádio Ismael Benigno, somente a partir de 1977, em homenagem ao ex-presidente do São Raimundo/AM, falecido três anos antes. No gramado do velho Estádio da Colina já pisaram nomes como Garricha e Pelé. Os corais Coca Cola, Simplício, Facó, Zé Maria Paiva, entre outros, também desfilaram sua categoria por lá. Agora, cinco décadas depois, chegou a vez de Edson Cariús, Vitão, Wesley Dias, Diego Viana e companhia mostrarem serviço num dos estádios mais tradicionais do futebol brasileiro, dessa vez contra o Manaus/AM em mais um jogo da Série C nacional.

MANAUS É A SÉTIMA VÍTIMA NO CARLOS DE ALENCAR PINTO

Carlos de Alencar Pinto: estádio do Ceará onde o Ferroviário mandou vários jogos ao longo da história

Responda rápido: o que o Nacional/CE, Gentilândia, Ceará, Fortaleza, América/CE, Usina Ceará e Manaus/AM têm em comum? A resposta é interessante: essas sete equipes perderam para o Ferroviário em jogos oficiais realizados no Estádio Carlos de Alencar Pinto, cujo a propriedade pertence ao rival Ceará Sporting Clube. Domingo passado, o Tubarão da Barra ganhou de 1×0 do Manaus e selou a primeira vitória naquela praça esportiva em um jogo de Campeonato Brasileiro. Entretanto, notadamente na década de 1950, alguns jogos do Ferrão, válidos pelo Campeonato Cearense, foram realizados no próprio estádio alvinegro em razão de diferentes circunstâncias. Antes da vitória contra a equipe manauara no último dia 18, o time coral já havia se apresentado no velho estádio de Porangabussu em 35 oportunidades, desde o primeiro confronto, contra o próprio Ceará, um amistoso realizado no dia 4/6/1950, que terminou empatado em 2×2. Com o PV interditado e com o gramado do Castelão em péssimas condições, aliado ao fato do Estádio Elzir Cabral não poder receber jogos noturnos atualmente, sobrou para o calendário futebolístico exatamente o tradicional espaço que um dia foi chamado de Ilha das Cobras. O primeiro jogo por lá trouxe sorte e resgatou a lembrança de tradicionais adversários locais que um dia sucumbiram para o Ferrão no Carlos de Alencar Pinto.

FERRÃO TEM CAMISA VERMELHA PELA PRIMEIRA VEZ NA HISTÓRIA

A novidade chegou com os dois primeiros jogos do Ferroviário no Campeonato Brasileiro desse ano. Acostumado nos últimos anos a lançar seu terceiro uniforme às vésperas da competição nacional, a direção coral optou por utilizar um uniforme completamente vermelho. O fato era inédito na história do clube. E o vermelho conseguiu bons resultados nas duas primeiras rodadas: um empate, fora de casa, contra o Botafogo/PB e uma vitória em cima do Altos/PI, em jogo que marcou o retorno do Elzir Cabral para jogos de Brasileiro depois de quase 12 anos. Nas últimas temporadas, o Tubarão da Barra tem ousado bastante em seus uniformes. Além do retorno da camisa branca com listras diagonais depois de quase quatro décadas, o clube investiu no redesign da camisa preta, anteriormente utilizada entre 2008 e 2013, e também na volta do vistoso modelo coral, muito utilizado no final dos anos 1960. Some-se às recentes iniciativas citadas, a utilização de modelos nas cores dourada e laranja, quando a equipe amargava jogos pela segunda divisão do Campeonato Cearense em 2015 e 2016. Qual a sua camisa favorita? Em tempo: na fotografia acima de Lenílson Santos, vemos o atacante Gabriel Silva comemorando o seu primeiro gol pelo Ferrão, que é também o primeiro com a camisa vermelha!

A PRIMEIRA VEZ DO FERROVIÁRIO JOGANDO EM SÃO JANUÁRIO

Finalmente o jogo do Ferroviário contra o Porto Velho/RO pela Copa do Brasil 2021 foi remarcado para um campo neutro. Ele acontecerá no Estádio São Januário, de propriedade do Vasco da Gama. Será a terceira partida do time coral na famosa praça esportiva do futebol carioca. O vídeo acima resgata os gols da primeira atuação do Ferrão em São Januário, justamente contra o Vasco/RJ, em partida vencida pelos cariocas pelo placar de 3×0 no dia 27/02/1983. Válido pelo Brasileiro daquele ano, o Tubarão da Barra, sob o comando de Wilson Couto, formou com Hélio Show, Laércio, Nilo, Zé Carlos e Luisinho; Doca, Edson e Betinho; Flávio (Ivan), Almir e Jorge Veras. Treinado por Antônio Lopes, o Vasco venceu com Acácio, Galvão, Chagas, Celso Gavião e Pedrinho; Serginho, Dudu (Paulo César) e Elói; Jussiê, Roberto Dinamite e Almir (Marquinho). O craque Elói marcou dois gols e Pedrinho assinalou o terceiro tento do time cruzmaltino. Esse jogo marcou a reabertura do Estádio São Januário, que vinha de reforma. No ano seguinte, em 29/02/1984, também pelo Brasileirão, o Ferrão voltou ao velho estádio carioca, dessa vez para enfrentar o Fluminense/RJ, que derrotou o time coral por 2×0. Aquela foi a última vez que o Ferroviário atuou no Rio de Janeiro. Agora, de forma inédita devido à pandemia de Covid-19, contra o Porto Velho de Rondônia, o time coral volta à cidade maravilhosa depois de 37 anos. 

Atualização: Poucas horas depois de marcar o jogo para São Januário, a CBF transferiu a realização da partida para o município de Duque de Caxias/RJ. 

ESTREIA CORAL NO CAMPEONATO BRASILEIRO DE 1991 CONTRA O ABC

Há trinta anos, o Ferroviário Atlético Clube fazia sua estreia, fora de casa, na Série B do Campeonato Brasileiro. O adversário foi o ABC/RN, em jogo realizado no Estádio Machadão, em Natal. Acima, confira os gols daquela partida realizada no dia 27 de janeiro de 1991. O artilheiro Jorge Veras marcou para o Ferrão, enquanto que Silvinho empatou para o alvinegro potiguar. Treinado por Humberto Maia, o Tubarão da Barra formou naquele jogo com o futebol de Osvaldo, Ednardo, Valdecy, Aldo e Nílton; Júnior Piripiri, Basílio, Marcelo e Ademir Patrício; Magno e Jorge Veras. O ABC, do técnico Givanildo Oliveira, jogou com Washington, Kléber, Edson, Tote e Lotti; Lito, João Carlos e Silvinho; Zinho, Valdo (Odilon) e Rildon. O árbitro dessa partida foi Elias C. da Silva e 2.540 pessoas pagaram ingresso no Machadão. Apesar da boa performance na estreia, o Ferroviário não passou da primeira fase da competição, que tinha na chave coral, além do ABC de Natal, confrontos contra Ceará, Fortaleza, América/RN, Moto Clube/MA, Auto Esporte/PI e Parnaíba/PI, em jogos de ida e volta.

MAIS UM ANIVERSÁRIO DO POLÊMICO JOGO CONTRA O VASCO

Ferroviário Atlético Clube naquele 23/01/1983 – Em pé: Augusto, Laércio, Luisinho, Zé Carlos e Hélio Show; Agachados: Paulo César Cascavel, Betinho, Ednardo, Edson e Jorge Veras

Um jogo bastante polêmico na história coral completa mais um aniversário nesse 23 de janeiro. Naquele domingo de 1983, o Ferroviário fazia sua estreia na Taça de Ouro, a versão equivalente à atual Série A do campeonato brasileiro. O adversário era o tradicional Vasco da Gama, campeão carioca da temporada anterior. Pouco mais de quatorze mil pagantes foram ao Castelão e presenciaram cenas exóticas do árbitro Roberto Nunes Morgado. Completamente transtornado dentro de campo, ele distribuiu vários cartões amarelos em jogadas normais, expulsando ainda Betinho e Doca, e deixando os corais inferiorizados numericamente. Não bastasse enervar os jogadores do Ferrão com atitudes transloucadas nas quatro linhas, o juiz ainda apitou boa parte do jogo correndo apenas na linha lateral, sendo estrepitosamente vaiado pelos torcedores. Num dos momentos mais cômicos daquele domingo, para não dizer trágico ao mesmo tempo, o árbitro deu cartão vermelho até para o policiais que foram obrigados a entrar em campo para acalmar os ânimos. Pouco tempo antes, o árbitro havia sido diagnosticado com transtornos psicológicos. Em 1989, Roberto Nunes Morgado morreu de Aids. Os acontecimentos no Castelão são até hoje lembrados.

Acima, você confere o vídeo raro com os dois gols do jogo. O primeiro foi marcado pelo volante Dudu, que nove anos depois vestiu a camisa do próprio Ferroviário já em final de carreira. O lateral esquerdo Pedrinho fechou o placar com um belo tento. Treinado por Wilson Couto, o Tubarão da Barra formou naquela tarde/noite com o futebol de Hélio Show, Laércio, Nilo, Zé Carlos e Luisinho; Augusto, Edson e Betinho; Ednardo (Doca), Paulo César Cascavel e Jorge Veras. O Vasco da Gama jogou com Acácio, Galvão, Orlando Fumaça, Celso Gavião e Pedrinho; Dudu, Serginho e Roberto Dinamite; Pedrinho Gaúcho (Elói), Ernani e Almir (Marco Antônio). O técnico era Antônio Lopes. Como se vê na escalação, o quarto zagueiro Celso Gavião, campeão cearense pelo Ferrão em 1979, atuava na equipe carioca. Na transmissão do polêmico jogo pela Rádio Verdes Mares de Fortaleza, o lendário narrador Gomes Farias, cunhou uma frase memorável para relatar, aos ouvintes, os rompantes tresloucados do árbitro: “o torcedor cearense que veio ao Gigante da Boa Vista para ver o Roberto Dinamite está vendo outro Roberto, está vendo o árbitro Roberto Nunes Morgado“. 

PELA QUARTA VEZ NA HISTÓRIA, FERRÃO FAZ 7 GOLS NA SÉRIE C

Bela foto de Camila Lima, do Sistema Verdes Mares: Willian Lira no centro da comemoração

Responda rápido: o que Corisabbá/PI, Tocantins/MA, Bahia/BA e Imperatriz/MA têm em comum? Além do fato de serem equipes nordestinas, os quatro times levaram goleadas de 7 gols em jogos da Série C do campeonato Brasileiro contra o Ferrão! O Imperatriz é o mais recente frequentador dessa seleta lista, já que na noite de hoje, a equipe maranhense perdeu de 7×0 para o Tubarão da Barra, no Castelão, com quatro gols de Willian Lira e os outros gols de Lucas Hulk, Caíque e Vitor Xavier. Recordando fatos do passado, a primeira vez que o time coral marcou 7 gols num mesmo jogo da Série C foi em 28/09/1998, contra o Corisabbá, no Elzir Cabral, gols Bertoldo (2), Junior Pipoca (2), Fabinho Vassalo, Rutênio e Acássio. Em 2002, no dia 09 de outubro, no PV, outra vitória por 7×0, dessa vez contra o Tocantins do Maranhão, com gols de Danilo (2), Reginaldo França (2), Ricardo Baiano, Arildo e Guedinho. Já em 2006, no feriado de 15 de novembro, quem não lembra da famosa goleada de 7×2 em cima do Bahia? Sérgio Alves marcou 3 gols e Junior Cearense, Everton, Fernandinho e Marcos Pimentel completaram o placar. Quem será o próximo a entrar na lista?

NICOLAS SE CONSOLIDA COMO O MELHOR GOLEIRO DESDE JÉFFERSON

Com 1,92m de altura e 34 anos de idade, Nicolas tem se firmado como importante goleiro coral

Titular absoluto nas traves do Ferroviário Atlético Clube desde o Campeonato Brasileiro de 2019, o gaúcho Nicolas tem se consolidado como o melhor goleiro que vestiu a camisa coral desde a última passagem do arqueiro cearense Jéfferson, na já distante temporada de 2009. Portanto, dez anos depois, finalmente o clube conseguiu um titular que pudesse se firmar, disputando jogos importantes e apresentando boa performance. Em média, durante essa década de intervalo, foram praticamente dois goleiros por temporada que se revezaram na meta coral, alguns até de difícil lembrança por parte da torcida do Ferrão, a saber: Dionantan, Witalo, Tarciano, Célio, Ari, Handerson, Nilson, Caíque, Fernando Júnior, Rafael Muralha, Camilo, Alisson, Alex, Adson, Roger, Mauro, Oliveira, Léo, Bruno Colaço, Mailson, Gleibson e Remerson. Depois de defender equipes gaúchas como São Paulo/RS e Novo Hamburgo/RS, Nicolas veio para o futebol cearense em abril de 2019 e já conta com mais de 60 partidas, entre jogos oficiais e amistosos, com a camisa do Ferrão. No último sábado, contra o Manaus, na Arena da Amazônia, Nicolas foi decisivo para o Ferrão com, pelo menos, duas defesas muito difíceis, que garantiram o empate em 1×1 no placar. Mesmo com as bruscas mudanças no elenco coral de 2019 para 2020, o goleiro Nicolas foi um dos poucos jogadores que renovaram contrato e permaneceram na Barra do Ceará.

GOLAÇO DE REGINALDO FRANÇA CONTRA O RIVER AOS 49 MINUTOS

Matéria de jornal sobre a grande vitória do Ferroviário no Campeonato Brasileiro de 2002

Lembra do golaço do Reginaldo França contra o River/PI aos 49 minutos do segundo tempo? Apelidado pelo treinador Danilo Augusto como “Gol de Deus“, o lance, acontecido há exatos 18 anos, foi de uma beleza plástica indescritível. O jogo valia pelas oitavas de final da Série C do Campeonato Brasileiro de 2002. Depois de perder o primeiro confronto por 3×2 em Teresina, o Ferroviário precisava vencer por dois gols de diferença para obter a classificação. O time coral vencia por 1×0, gol de Danilo, e a decisão da vaga ia para os pênaltis, quando o árbitro Alberto Batista Carvalho anunciou cinco minutos de acréscimos. Praticamente no último lance da partida, realizada no PV diante de 2.624 pagantes, o Tubarão da Barra teve um escanteio a seu favor, cobrado por Arildo. Na sequência do lance, o ex-coral Jorge Luiz rebateu a bola pra fora da área e ela caiu nos pés de Reginaldo França, que marcou o tento da classificação. Após o golaço, os torcedores corais foram ao delírio e o jogo logo acabou. Naquele domingo, o time coral formou com Ivanoé, Aírton (Arildo), Marcos Aurélio (Cícero César), Puma e Helinho; Édio, Ricardo Baiano, Danilo e Reginaldo França; Serrinha (Gil Bala) e Guedinho. O time piauiense jogou com Jorge Luiz, Niel, Rauli, Venício e Buiú (Matoso); Jó, Garrinchinha, Esquerdinha (Rondineli) e Lira; Wágner e Mairan (Joniel). Na continuidade da competição, o Ferroviário enfrentou o Nacional de Manaus e foi eliminado nas quartas de final. Abaixo, o próprio Reginaldo França recorda aquele golaço sensacional em áudio especialmente gravado para o Almanaque do Ferrão, falando do lance propriamente dito e das curiosas orientações que recebeu do treinador e do diretor Emanuel Brasileiro na borda do campo antes do lance decisivo.

FERROVIÁRIO: O PATINHO FEIO DO POBRE E VELHO FUTEBOL CEARENSE

O papo hoje é sobre treta! O Canal do Nicola no YouTube disse, nacionalmente, o que muita gente em terras alencarinas já tinha certeza. Gostem ou não, o Ferroviário é tratado como “Patinho Feio” do pobre e velho futebol cearense, em seus mais de cem anos de disputas. “É mania de perseguição“, dirão os simplistas em seus argumentos, invariavelmente, simplórios. Ocorre que contra fatos não há argumentos e inúmeros acontecimentos, por vezes deixados de lado, enfileiram uma alta dosagem de artimanhas e histórias mal contadas através do tempo. No mais recente episódio, o Ferrão acabou punido e perdeu o direito de mando de campo em sua própria cidade, simplesmente porque o Castelão, estádio público onde o Ferrão manda jogos desde 1974, está reservado apenas para jogos da dupla Ceará e Fortaleza. Tudo isso em plena disputa de um campeonato brasileiro de futebol, quando todas as instituições envolvidas, inclusive o Governo, deveriam trabalhar a favor da garantia dos interesses corais, como legítimo representante do Estado na competição. Assim, o importante choque de líderes contra o Santa Cruz/PE será no Domingão, no município de Horizonte. Entre omissões, mentiras e atos sórdidos verificados longe da grande mídia, mas relatados à boca miúda nas últimas semanas, o vídeo acima do jornalista Jorge Nicola dá o tom da mais nova treta em que o Ferrão acabou metido gratuitamente.

Chicão: testemunha ocular da história

É fácil recordar inúmeros absurdos afins ocorridos no passado, até porque alguns são impossíveis de esquecer, como o fato – até pitoresco – de um time inteiro ser preso na final do campeonato cearense de 1947, depois de estar sendo vergonhosamente roubado pela arbitragem. Talvez, o cúmulo dos cúmulos. Zé Limeira, eterno torcedor-símbolo do Ferrão, morreu contando detalhes de várias finais de campeonato em que o time coral acabou prejudicado contra Ceará e Fortaleza, terminando como vice-campeão. Estelita Aguirre, outro ferrenho torcedor já falecido, foi para o céu bradando nas arquibancadas, e no rádio, que a sigla da Federação Cearense de Futebol, conhecida como FCF, na verdade, deveria significar “Federação do Ceará e do Fortaleza“. Lembram? O saudoso Chicão, supervisor coral por quase três décadas, morreu relatando histórias dos bastidores que tramaram contra o tricampeonato estadual coral em 1996. “Se o Ferroviário for Tri, o futebol cearense se acaba“, dizia ter ouvido tal pérola nos corredores da FCF, saído da boca de um dirigente do alto escalão da mentora. Histórias e depoimentos que ficam para trás, caem no esquecimento ou simplesmente viram lendas urbanas do futebol alencarino.

Luizinho e o gol anulado

É muito comum pessoas nas arquibancadas com suas histórias e tretas testemunhadas. Mais de trinta anos depois, até hoje se fala do gol mal anulado de Luizinho das Arábias contra o Fortaleza, que garantiu o adversário no triangular final do campeonato de 1985. O melhor entre os três, o Ferrão, com um verdadeiro timaço, foi o prejudicado. O presidente Caetano Bayma está vivo até hoje pra contar, com riqueza de detalhes, essa história, num dos campeonatos mais escandalosamente surrupiados em todos os tempos. Já repararam que torcedores de Ceará e Fortaleza dificilmente recordam ou relatam terem perdido uma final de campeonato cearense por causa de um erro de arbitragem? Falam pontualmente de um jogo ou outro, principalmente em partidas de campeonato brasileiro, quando são tratados como “time pequeno”, mas quase nunca falam de uma final de Estadual. É fácil ser torcedor do Ceará e do Fortaleza em âmbito local quando reina a hipocrisia. Todos os esforços convergem em favor dos dois. Alguém duvida? Quando disputam uma final entre si, a primeira providência é anunciar logo um árbitro de outra região, fato quase nunca providenciado quando o adversário da final é o Ferroviário ou outra equipe qualquer. A história está aí para provar. Referidas práticas e acontecimentos fazem parte do futebol cearense e, o pior, nos acostumamos com isso.

Panfleto da torcida coral em 2006

E o que dizer do episódio quase esquecido de 1973, quando o futebol cearense ganhou definitivamente uma segunda vaga para o campeonato brasileiro, dominado pelos interesses da ditadura militar? Quem foi o indicado pela Federação? Apesar da retrospectiva coral em campo ser superior por conta do título estadual em 1970 e das campanhas de 1971 e 1972, e não obstante o Ferroviário ter ficado com a segunda vaga provisória criada na primeira edição da disputa nacional, em 1971, depois de vencer uma seletiva local, o agraciado político com a vaga definitiva, em 1973, foi o Fortaleza, para ira dos dirigentes corais da RFFSA que só faltaram esmurrar o presidente da Federação na ocasião. O lendário Ruy do Ceará está aí para contar e os arquivos dos jornais não o deixam mentir na hora de recordar os fatos. Decisões e favorecimentos que mudam o curso da história e engradecem ou enfraquecem seus atores diretamente envolvidos. O que falar da Copa João Havelange, em 2000, que catapultou gratuitamente o Fortaleza dos vexatórios caminhos da Série C para uma nova e charmosa segunda divisão, reunindo vários times que estavam na Série B? Acesso bom é o acesso fácil. E o episódio da Copa São Paulo de Futebol Júnior em 2006? Mesmo como campeão da categoria Sub-20, o Ferrão foi alijado da vaga prevista em regulamento após uma série de “mal-entendidos” envolvendo a FCF, a Secretaria Estadual da Juventude e, claro, o beneficiado Fortaleza, que viajou pra capital paulista como representante do futebol cearense. Nariz de palhaço foi pouco. Mais recentemente, em 2008, o quase nunca lembrado Caso Piva, que evitaria o “rebaixamento” do Ferrão para a Série D do Brasileiro, devidamente arquivado e sepultado. Em 2016, o episódio nefasto de um campeonato cheio de WO´s, a maioria a favor da mesma equipe. Como esses fatos, existem dezenas de outros. O problema é que as pessoas se acostumaram a esquecer.

Clóvis Dias: bicampeão e deposto

Quando o Ferroviário engrossou o pescoço na metade dos anos 1990, articulando inclusive a criação da Copa do Nordeste, negociando jogadores para times importantes do país, fazendo caixa e disputando, pau a pau, os títulos estaduais com os preferidos da audiência, deixando muitas vezes o próprio Fortaleza comendo poeira em situações pra lá de vexaminosas, partiu de dentro da cúpula maior do futebol cearense, um movimento para derrubar politicamente a presidência coral, que preparava e idealizava o clube para as mudanças que a Lei Pelé, posteriormente, acabou exigindo de todos. Até hoje, o Ferroviário paga muito caro pela forma como o presidente quase tricampeão Clóvis Dias foi deposto. Foram mais de duas décadas perdidas a partir daquela sequência de episódios que vergonhosamente envolveu até registros policiais. Ninguém pode afirmar o que seria do futuro do clube se aquele trabalho tivesse tido continuidade, mas todo mundo sabe bem o que aconteceu depois daquela sequência de fatos tramada entre o alto escalão do futebol cearense e pessoas ligadas aos intestinos corais.

Presidente Vargas em missão de salvar vidas

Na prática, todo mundo diz que gosta do Ferrão. É muito fácil dizer. É o texto preferido dos políticos e dos politiqueiros. Não se trata de pessoas em particular, muito menos de instituições, sejam elas públicas ou privadas, mas quando alguém cala diante do extravio do lícito direito do clube em mandar seus jogos  no Castelão – e a omissão é um pecado que jamais merece ser esquecido -, pactua-se sordidamente com o ´mainstream` que alicerça e faz com que as coisas sejam como sempre foram, mantendo aquele velho modelo viciado, onde todos os interesses convergem para apenas dois clubes, que se retroalimentam, inclusive financeiramente, a partir de uma respeitável rivalidade, mas que estão pouco se lixando para a realidade de que a festa recebe outros convidados e estes têm também o direito de compartilhar o mesmo espaço, principalmente quando este é público e foi construído, também, com dinheiro do contribuinte coral. Com a ausência do PV, outra casa querida e histórica, reservado para a nobre missão de salvar vidas na pandemia de Covid-19, as instituições e as pessoas que fazem o futebol cearense jamais poderiam ter dado as costas para o Ferroviário e agir como, infelizmente, procederam, sobretudo diante do simples fato do clube precisar usar o  Castelão por – apenas e meros – 180 minutos mensais. É muito? Tamanha mesquinhez deveria encher de vergonha os responsáveis, inclusive no âmbito político do Estado, pois a omissão é a pior forma de covardia. Chega a ser engraçado saber que a referida treta ficará nos arquivos e na memória apenas como mais um item perdido na galeria de relatos afins que se avolumaram com o tempo. Mais um pra conta, pode registrar. E como tantos outros, jamais será esquecido.