FERROVIÁRIO SE DESPEDIU DO EX-PRESIDENTE CAETANO BAYMA

O Ferroviário Atlético Clube se despediu do ex-presidente Caetano de Paula Bayma na semana passada. Vítima de infarto, o mandatário coral entre as temporadas de 1984 e 1987 partiu para o plano superior. No exato momento em que o Ferroviário vencia o Icasa por 2×0, na Barra do Ceará, seu corpo era sepultado no Cemitério São João Batista em Fortaleza. Abaixo, o blog recorda uma matéria de jornal do ano de 1999 falando sobre o afastamento de Caetano Bayma do futebol, mais de dez anos depois de ter deixado a presidência coral. Como se pode perceber no texto, os problemas no coração que o vitimaram já se faziam presentes na ocasião. Caetano Bayma foi um ótimo dirigente na história coral. Apaixonado pelo Ferrão, montou um time excelente na temporada de 1985, um dos melhores da nossa história, mas acabou não sendo campeão cearense graças às arbitragens calamitosas que desviaram o desfecho do Estadual daquele ano. Em postagem de 2015, o blog chegou a recordar um áudio raro onde é possível escutar uma entrevista de Caetano Bayma falando sobre a intenção de compra do passe do goleiro Serginho, que acabou se concretizando na ocasião. Descanse em paz, Caetano Bayma. A torcida coral é grata por tudo.

Matéria de jornal no ano de 1999 sobre a aposentadoria de Caetano Bayma no futebol cearense

VALDEMAR CARACAS E SUA ETERNA RELAÇÃO COM O FERROVIÁRIO

Recorte de jornal cearense na temporada de 1977 anunciando a visita de Valdemar Caracas ao Ferrão

Essa semana completou nove anos do falecimento de Valdemar Cabral Caracas, o grande articulador da fundação do Ferroviário Atlético Clube. Ele já foi motivo de várias postagens aqui no blog, inclusive quando o assunto foi um documentário produzido especialmente em sua homenagem por uma torcedora do Ferroviário. Hoje, recordamos acima um recorte de jornal do ano de 1977, quando a visita de Caracas ao clube rendeu até matéria especial. Historicamente, o registro é relevante pois marcou o regresso do velho Caracol às hostes corais depois de um período de afastamento. Ele havia se mantido à distância do cotidiano do clube depois que os famosos “Engenheiros da RFFSA” deixaram temporariamente a gestão de futebol da agremiação, sendo ela entregue à personagens da política cearense e a nomes pouco identificados com o Ferroviário, fato este que quase provocou a falência do clube em meados dos anos 1970. A matéria cita o tradicional processo de autodestruição provocado pela existência de alas políticas nos clubes de futebol. E o Ferroviário conhece bem o efeito danoso desse tipo de acontecimento. Felizmente na ocasião, o clube reencontrou o seu caminho a partir daquele período e passou a fazer boas campanhas a partir do revezamento de uma turma boa de dirigentes, que contou inclusive com o retorno do pessoal da RFFSA. O presidente Chateaubriand Arrais, citado na matéria, integrou várias diretorias até a vitoriosa gestão do bicampeonato estadual 1994/1995, se afastando definitivamente do futebol depois do golpe político que culminou com a saída do então presidente Clóvis Dias. Por sua vez, Valdemar Caracas também acabou se afastando com o tempo, mas acompanhou as notícias do clube que fundou até o último dia de sua vida.

FERROVIÁRIO PARA 2022 ATUOU AMISTOSAMENTE EM REDENÇÃO

Ferrão na cidade de Redenção – Em pé: Jonathan, Madson, André Baumer, Diney, Emerson Souza e Edson Cariús. Agachados: Mauri, Valderrama, Gabriel Silva, Marquinho Carioca e Clisman

Eis o Ferroviário Atlético Clube que se prepara para a Temporada 2022. Essa onzena coral entrou em campo durante a semana para inaugurar o novo estádio de Redenção, que estranhamente mudou de nome para Vereador Juvenal do Vale. O adversário foi a equipe Sub-20 do Fortaleza. Redenção é conhecida na história como a primeira cidade que libertou os escravos no Brasil, quatro anos anos da assinatura da Lei Áurea por parte da Princesa Isabel. Essa foi apenas a segunda vez que o Tubarão da Barra se apresentou na histórica cidade. A primeira, em junho de 2000, quando aquela mesma praça esportiva levava o nome de Estádio Otacílio de Azevedo, o Ferrão empatou em 0x0 com o selecionado local, exatamente o mesmo placar do amistoso dessa semana. Esperamos e desejamos uma grande temporada em 2022. De preferência, com um número de gols muito superior ao retrospecto histórico já apresentado em Redenção, onde definitivamente o time coral infelizmente nunca marcou gols.

FOTO RARA COM ALEXANDRE PAVÃO E EDINHO NA FORMAÇÃO CORAL

Foto do Ferroviário antes de uma partida contra o Limoeiro pelo Campeonato Cearense de 2004

A fotografia acima traz dois jogadores que só atuaram uma única vez com a camisa do Ferroviário. Nesse dia, em 28 de fevereiro de 2004, o time coral fazia a estreia do goleiro Alexandre Pavão e do zagueiro Edinho. Ambos tiveram atuação desastrosa e só realizaram esse jogo pelo Ferrão, que foi goleado pelo Limoeiro por 4×1 no PV. Acima, perfilados em pé, da esquerda para a direita temos os seguintes jogadores: Anderson, Edinho, Alexandre Pavão, Junior Cearense e Damião. Por sua vez, agachados, vemos Marcelo, Édio, Andrezinho, Glaydstone, Stênio e Maurício Pantera. O treinador dessa equipe era o ex-goleiro Jorge Pinheiro, que vestiu a camisa do próprio Ferroviário nos anos 1990. O pernambucano Maurício Pantera acabou sendo o artilheiro do Campeonato Cearense daquele ano com 12 gols, apesar de ter ficado fora dos jogos por um mês, em razão de uma atrapalhada e mal sucedida transferência para o futebol russo. Atualmente, Maurício Pantera reside em Recife, atua como porteiro em condomínios residenciais e é torcedor do Santa Cruz/PE.

ARTILHEIRO PAULO CÉSAR DEFINIU CLÁSSICO CONTRA O CEARÁ EM 1980

Confira as raras imagens acima. Elas mostram um belo gol do artilheiro Paulo César contra o Ceará, após boa jogada do craque Jacinto. O vídeo acima faz parte do acervo do pesquisador Zidney Marinho e merece uma postagem aqui no blog. Nele, no programa “Gols do Fantástico“, o apresentador Fernando Vannucci mostra o principal jogo da rodada no futebol cearense. O jogo aconteceu no PV e foi válido pelo 1º turno do Campeonato Estadual de 1980. Esse lance foi o primeiro gol marcado pelo ídolo Paulo César, após uma breve passagem de oito meses pelo Santa Cruz/PE. Treinado pelo experiente Lanzoninho, o Ferrão venceu a partida com o futebol de Salvino, Jorge Luís (Doca), Celso Gavião, Lúcio Sabiá e Jorge Henrique; Jeová, Bibi e Jacinto; Serginho, Paulo César (Almir) e Marco Antônio. Por sua vez, o alvinegro do treinador gaúcho Carlos Froner perdeu com Luís Antônio, Bezerra, Antônio Carlos, Lula e Valdemir; Pedro Basílio, Jorge Luís Cocota (Ademir Pereira) e Sidnei; Ivanir (Gilson), Nei e Jorge Veras. Como se vê, o jovem Jorge Veras, que se tornaria ídolo coral a partir de 1982, dois anos antes jogava pelo Ceará. O gol da vitória saiu aos 30 minutos do 2º tempo. Ao todo, 16.375 pessoas pagaram ingresso para ver o clássico no PV, que foi comandado pelo árbitro Luís Vieira Vila Nova. O jogo foi disputado no dia 22/06/1980. Após mais alguns jogos, já em julho, o Ferrão sagrou-se campeão do 1º turno e carimbou seu passaporte para as finais da competição no final do ano.

DANIEL MARCOU O GOL MAIS RÁPIDO DA HISTÓRIA CORAL

Atacante cearense Daniel ao lado do Tutuba: ele marcou o gol mais rápido da história do Ferroviário

Alguma vez você já se perguntou quem marcou o gol mais rápido da história coral? A resposta está na foto acima. Foi o atacante Daniel, um jogador formado nas categorias de base do Ceará e que defendeu o Tubarão da Barra na temporada de 2016, quando o Ferrão amargava a segunda divisão cearense. Ele marcou aos 8 segundos de jogo contra o Maracanã/CE no Estádio Antônio Cruz, localizado no bairro da Lagoa Redonda, em Fortaleza. Antes dele, as melhores marcas apontavam os gols de Ednardo (56 segundos em 1981), Jacinto (50 segundos em 1979), Macaco (40 segundos em 1954) e Paulista (14 segundos em 2016), este último marcado exatamente cinco rodadas antes do feito de Daniel. O autor do gol mais rápido da história coral permaneceu apenas uma temporada na Barra do Ceará, totalizando 20 jogos e 7 gols marcados. No ano seguinte, ele atuou no Tiradentes/CE e encerrou precocemente a carreira de jogador profissional. Abaixo, você confere o vídeo com os dois gols do jogo em que aconteceu o recorde histórico do gol mais rápido na trajetória de quase 90 anos do Ferrão. Curiosamente, o gol histórico de Daniel foi marcado com a indefectível camisa laranja, utilizada somente naquela temporada. Por quanto tempo esse recorde durará? Quem se habilita a quebrar o recorde de Daniel?

PUBLICAÇÃO RARA DE 1962 HOMENAGEANDO O ÍDOLO PACOTI

A raridade acima foi enviada pelo internauta Leandro Paulo, diretamente de Pernambuco. Leandro é um dos maiores entusiastas do Almanaque do Ferrão e contribuiu com uma peça de grande valia histórica. Trata-se de uma página retirada de alguma revista esportiva, destacando o atacante Pacoti em 1962, quando ele defendia o Sporting de Lisboa. Na semana que o ídolo coral Pacoti nos deixou e foi morar no céu, a publicação dessa raridade vem em boa hora. Nela, mesmo atuando em terras lusitanas e vivendo o auge de sua carreira, Pacoti destacava toda a sua simpatia e gratidão ao Ferroviário Atlético Clube, sentimentos que ele levou até o fim da vida.

PACOTI SAI DA VIDA TERRENA E ENTRA NA ATMOSFERA DOS DEUSES

Eterno ídolo coral Pacoti deixa a vida terrena e agora faz parte da atmosfera dos deuses da bola

Francisco Nunes Rodrigues nasceu em Quixadá no ano que o Ferroviário foi fundado. Ganhou o apelido de Pacoti numa brincadeira entre amigos da infância e dele nunca mais se separou. Atravessou toda uma carreira vitoriosa ostentando o nome de uma cidade do Ceará em sua alcunha futebolística, seja no Brasil ou em Portugal. Ontem, pouco antes da meia-noite, o coração de Pacoti parou e o ex-jogador do Ferrão deixou definitivamente a vida terrena para ocupar espiritualmente um espaço do qual sempre pertenceu mesmo em vida: a atmosfera dos deuses da bola. Oriundo do extinto Nacional, Pacoti chegou para o Ferroviário em 1955 e escreveu seu nome entre os gigantes da história coral, mesmo sem ter conquistado títulos. Três anos depois, foi negociado ao Sport/PE e, de lá, seguiu para o Vasco/RJ, negociado por 1 milhão de Cruzeiros, apesar do assédio de Palmeiras/SP e Fluminense/RJ interessados em seu concurso. No Rio de Janeiro, foi chamado de “Pelé Branco” do futebol, fama que lhe valeu uma transferência para o Sporting de Lisboa, onde conquistou a Taça de Portugal e o título de campeão português na temporada de 1962.

Publicidade do Governo com Pacoti divulgada nos outdoors de Fortaleza no início dos anos 2000

Pacoti jogou ainda no Olaria/RJ e no Valência de Caracas, onde foi campeão venezuelano. Na temporada de 1966, já em final de carreira, Pacoti estava de volta ao futebol cearense e apesar do assédio de Ceará e Fortaleza, quis retomar sua carreira no Ferrão, que estava de mudança para o bairro da Barra do Ceará. Teve o privilégio de jogar algumas partidas ao lado de Mozart, um dos maiores craques da história do futebol alencarino. Em abril de 1967, sofreu talvez a sua maior decepção no futebol. Pacoti teve seu nome vetado pelo treinador Ivonísio Mosca de Carvalho para permanecer no elenco coral que disputaria o Campeonato Cearense daquele ano. Decepcionado, pendurou as chuteiras. Em todos os anos de vitoriosa carreira, Pacoti gabava-se de nunca ter sido expulso de campo pelos árbitros e dos inúmeros amigos que fez no futebol. Mesmo distante dos gramados, ele nunca se afastou do futebol, seja dirigindo um bar dentro do Estádio Presidente Vargas, participando de programas de televisão, visitando instalações corais ou sendo convidado para inúmeros encontros e homenagens, como a que estampou uma campanha publicitária do Governo do Estado do Ceará em meio à cearenses ilustres no início dos anos 2000.

Pacoti foi homenageado na campanha Legendários do Ferroviário durante a temporada de 2019

Pacoti era figura sempre presente nos jogos do Ferroviário. Em vida, foi homenageado diversas vezes pelas várias diretorias que passaram pelo clube. Sentia-se querido, disso ele nunca teve dúvidas. Em 2019, a imagem do jovem Pacoti com a camisa coral estampou o segundo exemplar de uma coleção de nove copos homenageando alguns jogadores legendários da história coral. Apaixonado pela esposa e pela vida entre amigos, Pacoti sentiu bastante os efeitos da reclusão que a pandemia de coronavírus causou a partir de março de 2020. Sua saúde foi ficando debilitada durante o período pandêmico, até que seu coração parou na noite de ontem. Pacoti vai fazer falta nos jogos do Ferrão e nos inúmeros eventos e homenagens que o futebol ainda vai proporcionar. Ficará uma grande lacuna, sem sombra de dúvidas. Porém, a certeza da gratidão eterna da torcida coral é algo que Pacoti certamente levou para a atmosfera dos deuses da bola. Zé de Melo, Mozart, Valdemar Caracas e Zé Limeira, entre vários outros amigos da vida terrena, estão em festa no céu porque Pacoti finalmente chegou para continuar a velha resenha. Descanse em paz.

ROBERTO CEARENSE MARCAVA EM CIMA DE MARCELINO HÁ 40 ANOS

Atacante Roberto Cearense cabeceia e marca mais um gol do Ferroviário em jogo do Estadual de 1981

O registro fotográfico acima completou quarenta anos. Foi o primeiro gol do centroavante Roberto Cearense contra o América/CE, no PV, num domingo de manhã. O tento foi assinalado em cima do histórico goleiro Marcelino, que estava em final de carreira. O Ferrão venceu o jogo por 3×1 e Roberto Cearense teve a oportunidade ainda de marcar o gol mais bonito do “Fantástico”, fato este já destacado aqui no blog em 2016. Treinado por Moésio Gomes, o Tubarão da Barra jogou com o futebol de Salvino, Paulo Maurício, Paulo César Piauí, Nilo (Darci Munique) e Roner; Augusto, Meinha e Sima; Jangada (Paulo César Cascavel), Roberto Cearense e Babá. Comandado por Alberto Damasceno, sentado no banco como treinador da equipe, o antigo Diabo Rubro da Dom Manuel perdeu com um time cheio de veteranos: Marcelino, Cafifa, Artur, Júlio e Rebelde; Chiquinho (Maurício), Pinto e Mano; Brito, Jorge Costa e Vento (Artur II). Menção honrosa para o meio campo piauiense do Ferrão: Augusto, Meinha e Sima, este último autor do outro gol coral na partida. Abaixo, aos 35 segundos do vídeo, você confere o gol do Ferrão que resultou no retrato acima.

LUIZINHO DAS ARÁBIAS VOLTA A TER A MELHOR MÉDIA DE GOLS

O ídolo coral Luizinho das Arábias continua brilhando na trajetória do Ferrão. Dois anos atrás, a sua marca de melhor média de gols na história coral havia sido derrubada pelo artilheiro Edson Cariús, destaque nas temporadas de 2018 e 2019. De regresso ao clube em meados de 2021, o artilheiro no título brasileiro de 2018 marcou menos gols que o esperado e sua média acabou diminuindo no parâmetro histórico, apontando atualmente um total de 78 jogos com a camisa coral e 51 gols, o que define uma média de 0,65 gols por jogo, inferior ao patamar de 0,75 alcançado em 2019. Falecido em 1989, Luizinho das Arábias fez 75 jogos e assinalou 54 gols, o que garantiu ao artilheiro carioca a marca de 0,72 gols por partida. Sim, a melhor da história. De volta ao topo. O futuro é incerto e obviamente Edson Cariús tem condições de reverter novamente o quadro caso continue no clube ou retorne em algum outro período. Até lá Luizinho das Arábias continuará reinando na história.