FOTO DA BASE CORAL EM 1977 COM DOIS GRANDES NOMES DA HISTÓRIA

Ferroviário campeão juvenil em 1977 – Em pé: Raimundinho, Samuel, Eriverton, Wellington, Pinto, Ayala, Assis e Nojosa. Agachados: Haroldo, Jacinto, Mirandinha, Garrincha e Carlos

O feito do time juvenil do Ferroviário em 1977 já mereceu postagem especial aqui no blog. Eis mais um registro de uma fotografia histórica de uma das formações daquela equipe que sagrou-se campeã cearense. Dos nomes acima, entre os jogadores em pé, o volante Pinto e o lateral Ayala foram os que mais atuaram pelo time profissional do Tubarão da Barra. Ayala atuou em 42 jogos entre 1977 e 1979. Pinto jogou 14 vezes entre 1976 e 1977, depois seguiu carreira por vários anos atuando pelo América/CE. O lateral Raimundinho, o goleiro Eriverton e o zagueiro Wellington foram também utilizados em alguns amistosos corais. Dos agachados, o ponta direita Haroldo, uma grande promessa da época, jogou 22 partidas entre 1977 e 1980. Os meio campistas Carlos e Garrincha também foram aproveitados no time principal na segunda metade da década de 1970, porém Mirandinha e Jacinto foram os dois principais nomes dessa equipe. Mirandinha ganhou o mundo e já mereceu algumas postagens por aqui. Fez apenas 18 jogos, mas obteve a boa marca de 13 gols com a camisa coral. Por sua vez, Jacinto atuou em 283 jogos e marcou 57 tentos pelo time principal do Ferrão. O meio campista Jacinto, de habilidade técnica refinada, conquistou cinco títulos na Barra do Ceará, entre eles os Estaduais de 1979 e 1988. Nomes lendários da nossa história.

CONTEXTO DO ÚLTIMO JOGO CORAL NO ELZIR CABRAL PELO ESTADUAL

Confira o vídeo acima da TV Jangadeiro. Ele mostra o contexto da última vez que o Ferroviário Atlético Clube havia atuado em seu próprio estádio em jogo oficial válido pelo Campeonato Cearense. Foi no dia 16 de abril de 2011, contra o Limoeiro. Ontem, quase nove anos depois, o Tubarão da Barra voltou a utilizar sua praça esportiva forçado pelas indisponibilidades do Presidente Vargas e do Castelão para o início do certame estadual. Naquela partida de 2011, o Ferrão vencia por 1×0, com um gol estranhíssimo do atacante França, e se livrava matematicamente do rebaixamento apesar de ainda ter que cumprir dois jogos fora pelo certame contra Guarani de Juazeiro e Horizonte. Na ocasião, o jogo foi de portões fechados por conta de uma exigência do Ministério Público que não havia sido providenciada pela direção coral. O jogo foi transmitido pela TV Diário. Além do técnico gaúcho Joel Cornelli, que fazia a sua estreia no comando coral e que aparece na reportagem acima, o Ferroviário teve em sua onzena nomes como o goleiro Ari, o meia Piva, os volantes Glaydstone e Marcelo Mendes, o atacante Juranílson e o consagrado zagueiro Ediglê, que poucos anos antes, tinha sido campeão mundial com o Internacional de Porto Alegre.

PRESENTE DE NATAL: O GOL DE CELSO GAVIÃO CONTRA O CEARÁ EM 1979

Talvez esse seja o gol mais celebrado da história do Ferroviário. Certamente é um dos mais comentados até hoje nas arquibancadas por todos que têm na memória aquela noite de quarta-feira, dia 12 de setembro de 1979. Por 40 anos, o gol antológico de Celso Gavião pôde apenas ser imaginado por quem nunca o vira e, quando muito, recordado vagamente por cerca de 30 mil pessoas que estavam no Castelão ou por quem conseguiu conferir as imagens, no dia seguinte, no programa Globo Esporte na televisão. Depois daqueles dias em 1979, nunca mais esse lance foi destacado. Um incêndio nos arquivos da TV Verdes Mares, no início dos anos 1980, aniquilou grande parte do acervo da década anterior e a fita de vídeo com o gol de Celso Gavião virou pó. O jogo que até hoje é também lembrado pelas defesas milagrosas do goleiro Cícero, nunca saiu da memória dos torcedores que acompanharam aquela vitória improvável, tamanha a superioridade técnica do Ceará. Acima, a raridade da imagem do gol antológico de Celso Gavião vem ainda recheada com a briga, logo nos primeiros minutos da contenda, que tirou o ponta direita Jangada e o lateral esquerdo Ricardo Fogueira do resto da partida, expulsos pelo árbitro Leandro Serpa, além da imagem sempre simpática do saudoso locutor Luciano do Valle, apresentador do Globo Esporte naquele período. Quer saber como esse vídeo foi resgatado pelo blog? Trata-se de uma longa história para ocupar agora esse espaço, fruto também de um longo tempo de investidas interestaduais, a maioria sempre fracassada, porém uma delas culminou com a sorte de encontrarmos ocasionalmente um jornalista, funcionário da Globo e – a maior das coincidências – filho de uma ex-goleador do Ferroviário, que gentilmente se propôs a pesquisar os arquivos do Globo Esporte em busca dessa raridade. Agora, no dia de Natal, eis o nosso presente para um geração apaixonada de corais que pode finalmente relembrar aquele gol memorável de Celso Gavião. Feliz Natal!

ÁUDIO RARO PARA LEMBRAR DOIS DOS DESTAQUES DO FERRÃO EM 1974

Anúncio na imprensa da chegada dos ex-alvinegros Jorge Costa e Samuel para o Ferrão em 1974

Na temporada de 1974, o Ferroviário tinha um político na presidência. O deputado estadual Aquiles Peres Mota era ligado à Aliança Renovadora Nacional (ARENA), partido político que dava sustentação à ditadura militar no Brasil. Apesar de grave crise financeira, o time coral acertou a contratação de dois jogadores consagrados no Ceará em temporadas anteriores: o meia Samuel e o atacante Jorge Costa. Mesmo diante das muitas dificuldades econômicas e estruturais, os dois fizeram relativo sucesso no Tubarão da Barra. Resgatamos abaixo o áudio com o gol da vitória do Ferrão contra o Maguari pelo campeonato cearense daquele ano. A narração é de Gomes Farias e o repórter volante é o ex-árbitro José Tosta, que trabalhavam na Rádio Verdes Mares de Fortaleza. Treinado pelo ex-goleiro Gilvan Dias, o Ferrão venceu com Marcelino, Perivaldo, Joel Copacabana, Cândido e Grilo; Luciano Oliveira (Edilson Lopes) e Oliveira; Marcos (Lula), Jeová, Jorge Costa e Gaspar. Samuel estava contundido nesse jogo e não enfrentou o Maguari, comandado pelo técnico Zé Gerardo, e que formou com Jorge Hipólito, Reizinho, Hamilton Ayres, Alvy e Valdecir; Zezinho e Nilsinho; Chico Alves (Adão), Dedé (Simplício), Facó e Zequinha. Perceba nomes corais históricos como Hamilton Ayres, Facó e Simplício atuando pelo adversário. O jogo foi no Castelão e teve um público de 2095 pagantes. Jorge Costa fez 29 jogos e marcou 15 gols pelo Ferrão. Samuel, por sua vez, atuou em 18 jogos e marcou 7 tentos. Jorge voltou para o Ceará na temporada seguinte e depois ainda atuou no Fortaleza. Samuel foi para o ABC/RN na temporada seguinte e teve sucesso, até que um belo dia deixou uma carta e se mandou de Natal para nunca mais jogar futebol, mas isso ai é uma outra história que um dia contaremos por aqui. Abaixo, o gol de Jorge Costa, de pênalti, contra o Maguari em 1974, com a camisa do Ferrão. Certamente, uma raridade.

FORMAÇÃO RARA COM DOIS LATERAIS ESQUERDOS E FACÓ NO ANO DE 1968

Ferroviário Atlético Clube em fevereiro de 1968 – Em pé: Jurandir, Douglas, Gomes, Roberto Barra Limpa, Coca Cola e Barbosa; Agachados: Lucinho, João Carlos, Facó, Edmar e Paraíba

Mais um retrato histórico pouco comum do Ferrão. Foto tirada no dia 10 de fevereiro de 1968, no Estádio Elzir Cabral, antes de um amistoso preparatório contra o time amador da Tuna Luso de Fortaleza. O árbitro do jogo foi Daniel Barbosa, figura simpática que até hoje circula nos estádios cearenses em dias de futebol como membro de quadros móveis. Onde está a raridade da imagem? Ela mostra o time escalado com dois laterais esquerdos: Roberto Barra Limpa e Barbosa. Nesse jogo, Roberto atuou improvisado na lateral direita. O goleador Facó com a camisa do Ferrão em 1968 também é coisa rara, pois alguns dias depois ele foi marcar seus gols no Santa Cruz/PE, onde brilhou por duas temporadas. Na partida em questão, o time coral fez 7×1 no adversário, já esboçando praticamente a base da equipe que conquistou brilhantemente, cinco meses depois, o título estadual invicto daquela temporada. Até hoje no futebol cearense, nenhuma outra equipe repetiu tal feito. O goleiro Douglas Albuquerque virou depois dono de uma construtora e no bicampeonato estadual 1994/1995 foi uma figura importantíssima na função de diretor de futebol. Facó foi prefeito da cidade de Beberibe algumas vezes e sempre se destacou como grande desportista. Roberto Barra Limpa foi assassinado. Alguns dessa imagem já foram morar no andar de cima. Detalhe também para a bela camisa coral, utilizada com frequência no final da década de 1960 e início dos anos 1970.

RECORDAÇÕES DE MAIS UM GRANDE CONFRONTO CONTRA O FORTALEZA

O vídeo acima é mais um resgate do Almanaque do Ferrão e corresponde ao registro de um empate em 3×3 entre Ferroviário x Fortaleza no dia 23 de outubro de 1983. Há exatos 36 anos, os dois clubes protagonizavam mais um jogo eletrizante numa tarde de domingo no antigo Castelão, algo comum em se tratando do chamado ´Clássico das Cores` naquele período. O Ferrão sofreu um gol logo no início do jogo, mas chegou a fazer 3×1 no placar ainda no primeiro tempo, porém sofreu o empate nos cinco minutos finais em dois lances infelizes do goleiro Dário. Naquela temporada, o Fortaleza contratou um grupo de jogadores que é apontado pela sua própria torcida como o maior time da história do clube até hoje. O Ferrão tinha a dupla infernal Betinho e Jorge Veras, além de uma série de jogadores eficientes que rendiam bem em suas posições. Treinado por Newton Albuquerque, que era o irmão mais velho do próprio goleiro Dário e do então iniciante árbitro Dacildo Mourão, o Ferrão empatou com o futebol de Dário, Laércio, Israel, Nilo e Fraga; Doca, Edson e Betinho (Barga); Foguinho, Jorge Veras e Paulinho Lamparina (Zé Luís). O Fortaleza, do técnico Paulo Emílio, formou com Salvino, Caetano, Pedro Basílio, Gilmar Furtado (Tadeu) e Clésio; Serginho, Wescley e Marquinho; Edson (Geraldinho), Luizinho das Arábias e Edmar. Jorge Veras marcou dois gols para o Ferrão, com Foguinho completando o placar. Pelo Fortaleza, Marquinho fez também dois gols e o outro foi do meia Wescley. Leandro Serpa foi o árbitro do jogo, que teve um público de 9.562 pagantes. Jogo que o tempo não apaga!

ÁUDIO RARO COM OS GOLS DO TÍTULO DO FERRÃO NO ESTADUAL DE 1979

Uma das formações do Ferroviário em 1979 – Em pé: Paulo Maurício, Edmundo, Lúcio Sabiá, Celso Gavião, Jeová e Ricardo Fogueira; Agachados: Terto, Jacinto, Paulo César, Doca e Babá

Exatamente na temporada que completa 40 anos da grande conquista do campeonato cearense de 1979 por parte do Ferroviário, dois materiais importantes surgiram para a alegria dos torcedores mais curiosos e para deleite dos que viveram aquele momento e  que podem agora recordá-lo de forma mais íntima. Em fevereiro desse ano, o vídeo raro dos gols do jogo final contra o Fortaleza apareceu no YouTube e registramos rapidamente em postagem aqui no blog. Agora, pouco mais de um mês do aniversário daquela conquista, o Almanaque do Ferrão eterniza o áudio dos três gols do jogo na narração de Peter Soares e comentários de pista do repórter Océlio Pereira, durante a cobertura da Rádio Verdes Mares naquela longínqua tarde de domingo. Foram dois gols do artilheiro Paulo César e um do ponta esquerda Babá. O áudio, parte de uma coletânea de outras gravações, foi um presente do jovem torcedor Francisco Victor, que é estudante de jornalismo e acompanha com atenção as postagem do blog. Obrigado pela contribuição! Escute o áudio abaixo e volte no tempo até o ano de 1979.