ANIVERSÁRIO DO FERRÃO MERECE MATÉRIA DA RÁDIO BANDEIRANTES

Rádio Bandeirantes de São Paulo abriu espaço em 2008 para uma conversa sobre a história coral

Hoje, o Ferroviário Atlético Clube completa 85 anos de existência e o aniversário coral já rendeu algumas homenagens aqui no blog em anos anteriores, entre eles um documentário sobre o nosso fundador Valdemar Caracas. Agora, o Almanaque do Ferrão resgata uma entrevista em áudio, de dez anos atrás, envolvendo a história do Ferrão. Ela aconteceu em 2008 e manteve-se desconhecida da imensa maioria dos torcedores corais por ter sido veiculada apenas na Rádio Bandeirantes de São Paulo. Na época, a tradicional emissora paulista mantinha um programa diário noturno, denominado “Fanáticos por Futebol“, no qual o apresentador Marcelo Duarte conversava com pessoas relacionadas ao futebol espalhadas por todo o território brasileiro. Há dez anos, foi a vez na programação do autor do Almanaque do Ferrão, que estava ainda em fase de pesquisa. Somente cinco anos depois da matéria na rádio é que a mais importante publicação da história coral foi lançada em evento realizado em Fortaleza. Escute a entrevista abaixo e deleite-se com a narrativa de alguns momentos importantes da gloriosa história do Ferroviário. Feliz aniversário, Ferrão!

FOTO HISTÓRICA DE UM TIME QUE HUMILHOU O CAMPEÃO DE 1957

Ferroviário Atlético Clube em 1957 – Em pé: Manoelzinho, Macaúba, Eudócio, Ferreira, Nozinho e Gilvan; Agachados: Zé de Melo, Macaco, Pacoti, Kitt, Fernando e o treinador Durval Cunha

O retrato de hoje é bem antigo e foi tirado antes do início de uma partida amistosa entre Ferroviário e Ceará, marcada como entrega de faixas de campeão cearense de 1957 para a equipe alvinegra. O time coral não entrou pra brincadeira e fez 4×0 no placar, com gols dos eternos ídolos Pacoti, Zé de Melo e Macaco. O atacante Pacoti, que depois jogaria no Vasco/RJ e no Sporting de Portugal, marcou duas vezes. O jogo teve o maranhense Sandoval Ramos no apito e foi realizado no PV. Apesar de mostrar nomes consagrados na história coral como Manoelzinho, Macaúba, Nozinho, Kitt, Fernando e os autores dos gols, essa foto traz uma raridade: na meta coral, o goleiro Gilvan, ex-Gentilândia e Ceará. Isso aconteceu em apenas quatro oportunidades na carreira do ex-goleiro, que depois foi técnico do próprio Ferroviário em 1974. José Gilvan Lemos Dias também foi cronista esportivo e, na década de 1980, comentava jogos do futebol cearense, sempre exibidos na TVE, aos domingos à noite. Em 10 de julho de 2007, Gilvan faleceu em Fortaleza vítima de problemas cardíacos.

EX-ZAGUEIRO CORAL NOS ANOS 1970 FALECEU DURANTE A SEMANA

Mesmo aposentado dos gramados, Félix nunca deixou de ser zagueiro jogando entre os amigos

Faleceu Félix, ex-zagueiro do Ferroviário entre 1975 e 1978. Cria das categorias de base do próprio clube, Francisco de Assis Félix da Silva participou de 27 partidas pelo time profissional do Ferrão em toda a história. Sua primeira partida pelo time principal aconteceu em 31/08/1975, justamente na estreia coral no Torneio Bayma Kerth, competição idealizada pela Federação Cearense para ocupar o calendário dos times que não participavam do campeonato nacional naquela temporada. O Ferrão foi o campeão da competição e Félix participou de 3 partidas na campanha. O ex-zagueiro coral fez apenas um jogo oficial pelo campeonato cearense com a camisa coral. Foi no dia 25/09/1977, no Castelão, na derrota por 2×0 para o Guarani de Juazeiro, quando fez dupla de zaga com Júlio Araújo. Na ocasião, o Ferrão entrou com um time misto já que os titulares estavam em excursão para amistosos no Maranhão. Aquela derrota coral derrubou milhares de apostadores do teste 388 da Loteria Esportiva. Félix ainda conquistou, com a camisa coral, a Taça Waldemar Alcântara em 1978. Jogou também no Tiradentes e no Icasa, além de ser conhecido no futebol suburbano, onde atuou no Valença, Noturno e no Milan. Ultimamente, o ex-zagueiro lutava contra a depressão.

ESTREIA CORAL NO ESTADUAL DE 1966 NO FERIADO DO DIA DO TRABALHO

Ferroviário no Campeonato Cearense de 1966 – Em pé: Roberto Barra-Limpa, Zé do Mário, Carlinhos, Nilton, Albano e Vadinho; Agachados: Jarbas, Mozart, Marcos, Peu e Sabará

O Ferroviário já jogou 33 vezes na data festiva do dia 1º de maio, porém isso aconteceu pela última vez na distante temporada de 2003. Já são 15 anos sem jogos no feriado do Dia do Trabalho. Porém, vamos acionar o túnel do tempo do blog e ir até a temporada de 1966, quando o Ferrão amargava 14 anos de jejum sem o título de campeão cearense. Naquele 1º de maio, o time coral fazia sua estreia no Estadual justamente enfrentando o Fortaleza, que era treinado por um César Moraes ainda em início de carreira. O Ferroviário, do treinador carioca Jair Santana, apresentava uma série de novidades, entre elas o goleiro Carlinhos, ex-Vasco/RJ, o craque cearense Mozart e um pacote de reforços oriundo do Sampaio Corrêa: os zagueiros Vadinho e Valfredo, o volante Peu e os atacantes Jarbas e Sabará. Desses, Valfredo foi o único que não participou do primeiro jogo do campeonato de 1966. Além desses nomes, o time coral ainda tinha o meia Nilton, que chegou precedido de grande cartaz vindo do Botafogo/RJ. A foto acima foi tirada exatamente no jogo do dia 1º de maio e mostra bem a base da equipe na disputa em que o Ferroviário amargou apenas um quinto lugar, a frente apenas do Nacional. Sim, a competição tinha apenas seis participantes.

Jair Santana: técnico em 1966

O jogo de estreia do Ferroviário no campeonato cearense de 1966 teve Adélson Julião como árbitro e foi realizado no Estádio Presidente Vargas diante de um público de 12.000 expectadores. Foi o jogo de número 968 da história coral que já acumula mais de 3.600 partidas em 85 anos de trajetória. O jogo contra o Fortaleza terminou 0x0 graças às defesas dos dois goleiros, que brilharam naquele feriado. Ressalte-se que o Ferrão ficou com um jogador a menos no segundo tempo porque o lateral Roberto Barra-Limpa foi expulso por jogo violento. O Tubarão da Barra alinhou com Carlinhos, Zé do Mário, Vadinho, Albano e Roberto Barra-Limpa; Peu e Nilton; Jarbas, Marcos, Mozart e Sabará. Já o Fortaleza empatou com o futebol de Pedrinho, Português, Zé Paulo, Renato e Carneiro; Luis Martins e Joãozinho; Birungueta, Facó, Croinha e Zé Augusto. O técnico Jair Santana, um ex-jogador consagrado do Fluminense/RJ, permaneceu 23 jogos à frente do comando coral naquela temporada. O campeão de 1966 também não foi o Fortaleza. Foi o América, aliás o último título estadual daquela gloriosa equipe que há décadas anda sumida do cenário esportivo cearense.

IMAGEM DE UMA ANIMADA SESSÃO DE CRIOTERAPIA APÓS PARTIDA

Jogadores do elenco coral de 2009 participam de sessão de crioterapia após jogo do Estadual

A imagem acima é de 2009 e foi produzida no dia seguinte a uma partida do Ferroviário pelo campeonato cearense daquele ano. Vê-se alguns jogadores do elenco coral participando de uma animada sessão de crioterapia, uma das modalidades da fisioterapia que utiliza o frio nas suas diversas formas para retirar o calor dos tecidos e auxiliar no recondicionamento dos atletas. Da esquerda para direita temos o volante Robson Simplício, que voltou a fazer parte do elenco do Ferrão na temporada de 2018, ladeado pelo também volante Válter, o zagueiro Paulo Paraíba, o atacante Wescley e o lateral direito Rodrigo. Um balde de gelo pro time não entrar numa fria! Na época a preparação física estava sob a responsabilidade do competente Hamilton Tavares e os uniformes oficiais do Ferroviário Atlético Clube eram fornecidos pela renomada Finta.

O CRAQUE QUE O FERROVIÁRIO MANDOU PARA O ATLÉTICO MINEIRO

Amilton Melo no Galo

Amilton Melo foi um dos maiores craques que o futebol cearense já produziu. Entre alguns poucos jogadores em comum que tiveram a honra de vestir as camisas do Ferroviário e do Atlético/MG em suas carreiras, talvez seja ele a maior conexão entre as duas equipes que se enfrentam hoje pela quarta fase da Copa do Brasil. Foram 126 partidas com a camisa coral e 47 gols marcados entre 1970 e 1973. Sua história no futebol começou em 1968 quando o saudoso Telê Santana o viu atuar numa preliminar com a camisa do América/CE e levou Amilton Melo para jogar no Fluminense/RJ. Depois de dois anos na base do tricolor carioca, voltou ao futebol cearense e conseguiu o status de ídolo coral, com grandes apresentações e principalmente por conta do título estadual de 1970. Dois anos depois, novamente Telê Santana o chamou para o Atlético/MG, onde atuou em seis partidas no segundo semestre de 1972. Certa vez, voltou à cidade de Fortaleza para enfrentar o Ceará com a camisa do galo mineiro. Depois da partida, saiu pra se divertir com Romeu e Cláudio, companheiros de equipe, e sofreu um acidente de carro, quebrando a mão direita e sendo obrigado a submeter-se a uma operação plástica no rosto. Devolvido ao Ferroviário no final do empréstimo, ainda disputou a temporada de 1973 pelo Tubarão da Barra até ser negociado com o Fortaleza, onde também brilhou.

O livro escrito por Amilton Melo

Cria do futebol de salão, Amilton Melo tinha dribles curtos e rápidos. Era o antigo ponta de lança que sabia fazer gols. Foi igualmente ídolo no Ceará na segunda metade da década de 70, onde também conquistou títulos. Poucos foram os jogadores que conseguiram a idolatria nos três maiores times do futebol cearense em todos os tempos. O craque Amilton Melo foi um deles. Em 1987, lançou um livro contando suas memórias no futebol e relatou detalhes sobre sua passagem no Atlético Mineiro. Intitulado como “Amilton Melo: o craque e o futebol cearense“, seu livro era vendido nas principais bancas de revistas da famosa Praça do Ferreira, no centro da capital cearense. Hoje, trata-se de item raro em sua versão física, apesar de poder ser achado em versão digital no Mercado Livre ao preço de 50 Reais. Depois que pendurou as chuteiras, Amilton Melo militou na radiofonia cearense como comentarista, formando ao lado de Júlio Sales, Chico Rocha e Vilar Marques um quarteto que deixou muitas saudades na Rádio Uirapuru AM de Fortaleza. Depois, aos 41 anos de idade, ainda tentou uma volta aos gramados com a camisa do Calouros do Ar em 1990. Amilton Melo queria se divertir jogando mais um campeonato cearense e chegou a enfrentar o Ferrão no dia 30 de setembro, um domingo com cheiro de saudade para um já quarentão barrigudo. Na noite de 6 de julho de 1997, Amilton Melo foi assassinado com vários tiros de revólver na Rua Padre Antônio Vieira, no bairro do Couto Fernandes em Fortaleza.

FERRÃO X ATLÉTICO/MG VOLTAM A SE ENFRENTAR DEPOIS DE 37 ANOS

Com um gol contra do lateral Jorge Luís, o Atlético Mineiro chegou ao empate no jogo de 1981

Saiu o novo adversário do Ferroviário na quarta fase da Copa do Brasil e ele é uma das equipes mais tradicionais do futebol brasileiro! Através de sorteio na manhã de hoje na sede da CBF, ficou definido o Atlético/MG como próximo embate coral. Depois de Confiança/SE, Sport/PE e Vila Nova/GO, chegou a hora do Ferrão enfrentar um dos considerados gigantes do futebol brasileiro! O novo confronto não é inédito, porém é raro já que Atlético Mineiro e Ferroviário só se enfrentaram uma única vez até hoje em toda a história. Foi no dia 25 de Janeiro de 1981 em jogo válido pela primeira fase do campeonato brasileiro daquela temporada. Naquela oportunidade, por muito pouco o Ferrão não saiu vencedor diante da forte equipe mineira, que contava com um grande elenco. O jogo ficou no 1×1, mas o time coral ainda perdeu um pênalti por intermédio do ponta direita Jangada, desferido no travessão. A perda da penalidade máxima cometida por Orlando em cima do experiente Marco Antônio deu muito o que falar depois da partida porque o cobrador oficial era o volante Baltazar e Jangada pegou a bola pra bater, o que gerou muita insatisfação por parte do técnico Lucídio Pontes.

Jangada carimba o travessão do goleiro do Atlético Mineiro e o jogo fica no 1×1 no Castelão

Foi o jogo 1.805 da trajetória do Ferrão, que formou naquele domingo com o futebol de Salvino, Ramirez (Zé Carlos), Lúcio Sabiá, Jorge Luís e Jorge Henrique; Baltazar, Jacinto (Doca) e Jeová; Jangada, Roberto Cearense e Marco Antônio. Treinado por Procópio Cardoso, o Atlético/MG jogou com Celso, Orlando, Osmar Guarnelli, Silvestre e Jorge Valença; Heleno, Renato e Palhinha; Pedrinho, Fernando Roberto e Chico Spina. O time mineiro jogou desfalcado de quatro importantes jogadores na ocasião: o goleiro João Leite, o zagueiro Luizinho, o meio campista Toninho Cerezo e o atacante Reinaldo, todos eles serviam a seleção brasileira que disputava o Mundialito no Uruguai. O árbitro desse jogo foi o famoso José Roberto Wright, que chegou a apitar  quatro jogos na Copa do Mundo da Itália nove anos depois. Os gols foram de Jacinto no primeiro tempo e Jorge Luís (contra) na etapa final para o Atlético. Um público de 3.479 pagantes foi ao Castelão naquela tarde de 1981. Agora, trinta e sete anos depois, as duas equipes voltam a se enfrentar em mais duas partidas, uma em Fortaleza e outra em Belo Horizonte. Será que o Ferrão segue adiante?