ÓTIMO DOCUMENTÁRIO SOBRE O ÍDOLO LUIZINHO DAS ARÁBIAS

Luizinho das Arábias conseguiu o feito de ser ídolo em duas equipes rivais no futebol cearense. Primeiro, jogando pelo Fortaleza, em 1983, quando foi peça-chave para o título estadual conquistado em cima do próprio Ferroviário. Dois anos depois, foi o camisa 9 de um dos maiores times formados pelo Tubarão da Barra na história e marcou gols em cima do ex-clube. Foi o artilheiro máximo do Campeonato Cearense com 24 gols. Na temporada de 1986, foi vice-artilheiro do certame com 18 gols, mesmo saindo e voltando de um empréstimo para o XV de Jaú no meio da competição. Após o Estadual, voltou a defender pela última vez a camisa do Fortaleza no Campeonato Brasileiro de 1986. Se despediu do Ferrão em definitivo com uma nova passagem em 1988, quando disputou somente o 1º turno e eternizou seu nome na galeria dos jogadores campeões pelo Ferrão. O documentário acima é uma jóia rara, pois apresenta imagens praticamente inéditas do ex-jogador, inclusive registros dramáticos da cobertura jornalística de sua morte em Belém, em maio de 1989. O canal Tricolistas está de parabéns pela produção do material e, rivalidades à parte, faz por merecer a postagem aqui no blog, afinal, Luizinho das Arábias não foi ídolo somente do Fortaleza ou do Ferroviário, e sim, do futebol cearense como um todo.

FALECEU O EX-GOLEIRO WENDELL QUE JOGOU NO FERRÃO EM 1986

Matéria do Jornal O Povo anunciando a contratação do famoso goleiro Wendell na temporada de 1986

O futebol brasileiro se despediu do ex-goleiro Wendell Lucena Ramalho. Aos 74 anos de idade, ele deixou o plano terrestre no dia de ontem. Depois de excelentes passagens por equipes como Fluminense/RJ. Botafogo/RJ, Santa Cruz/PE, Guarani de Campinas e Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1974, o já experiente arqueiro foi anunciado como reforço do Ferroviário para a temporada de 1986. Wendell fez sua estreia na equipe coral no dia 11 de maio daquele ano, numa vitória por 2×1 em cima do Quixadá pelo Campeonato Cearense. Em sua breve passagem pela Barra do Ceará, ele permaneceu a maior parte do tempo na reserva do ágil Serginho, que vivia grande fase. Quando o presidente Caetano Bayma resolveu demitir o treinador Moésio Gomes na reta final da competição, recorreu ao experiente Wendell para assumir interinamente a condição de técnico do Ferrão por duas partidas, o que resultou em um empate contra o Guarani de Juazeiro e uma improvável vitória contra o Ceará, que seria o campeão estadual. Descanse em paz, Wendell.

O JOGO CONTRA O LONDRINA/PR NA LEMBRANÇA DE ROBERTO FONSECA

Sábado passado, o Ferroviário enfrentou o Botafogo de Ribeirão Preto pela primeira vez na história. Após a vitória coral por 1×0, o treinador Roberto Fonseca concedeu uma entrevista coletiva e recordou um fato do passado que nunca saiu de sua lembrança. Veja no vídeo acima. No início de sua carreira como zagueiro, defendendo o Londrina/PR, ele jogou contra o Ferroviário no PV. A gente buscou essa partida nos arquivos do Almanaque do Ferrão. Ela ocorreu no dia 13 de março de 1983, portando há quase 40 anos. O jogo foi válido pelo Campeonato Brasileiro daquele ano e o Ferrão venceu a equipe paranaense por 1×0, gol de Paulo César Cascavel. Treinado por Wilson Couto, o Tubarão da Barra venceu com Hélio Show, Luisinho, Israel, Nilo e Ferreti; Augusto (Edson), Doca e Paulinho Lamparina; Ivan (Bosco), Paulo César Cascavel e Jorge Veras. Por sua vez, o Tubarão paranaense, comandado pelo técnico Itamar Belasalmas, perdeu com Neneca, Zé Carlos, Zequinha, Roberto Fonseca e Alcir; Richard, Osmarzinho (Jordan) e Osmar Volpato; Zé Dias, Mauro (Netinho) e Nivaldo. O jogo foi arbitrado por João Leopoldo Ayeta e teve 1.686 pagantes. No jogo seguinte da competição, o Londrina recebeu o Ferrão no Estádio do Café, e venceu por 3×1, eliminando o time coral do certame pelo saldo de gols. Agora, a lembrança do nosso atual treinador está ainda mais reforçada.

FOTO DO PRIMEIRO TIME TREINADO NA BASE POR EDMUNDO SILVEIRA

Sub-20 do Ferroviário em 1989 – Em pé: Edmundo Silveira, Castilho, Ernandes, Biriba, Zé Carlos, Ednardo, Claudemésio e Piauí. Agachados: Indio, Alonso, Cícero Júnior, Borges e Lêca.

O registro fotográfico acima mostra a primeira equipe Sub-20 do Ferroviário treinada pelo professor Edmundo Silveira, que revelou muitos atletas para o futebol cearense. Corria a temporada de 1989 e nomes como o lateral direito Biriba e o meio campista Borges figuravam na base coral. Após passagens por outros times, os dois foram bicampeões estaduais pela equipe profissional do Ferrão, seis anos depois. O goleiro Castilho chegou a sentar no banco de reservas em alguns jogos do Tubarão da Barra no início dos anos 1990, bem como o lateral Zé Carlos e o volante Ednardo, que chegaram a ser utilizados no decorrer das partidas. Claudemésio foi vice-campeão da Copa do Brasil pelo Ceará, seu maior feito. Por sua vez, o atacante Cícero Júnior era um dos nomes mais promissores da base coral, figurando entre os profissionais desde a temporada anterior. Ele era filho do ex-zagueiro Cícero, que defendeu o Usina Ceará e o próprio Ferroviário no início da década de 1960. O último agachado é Lêca, que teve poucas oportunidades na equipe de cima do Ferrão.

POR ONDE ANDA A CRIA CORAL NEGOCIADA COM O FC PORTO?

Ex-cria coral Josivan em foto recente no trabalho na cidade portuguesa de Mangualde em Portugal

No dia 5 de maio de 1999, o baixinho Josivan fez sua primeira partida pelo time profissional do Ferrão. Lançado pelo treinador Newton Albuquerque, ele atuou muito bem no empate de 3×3 contra o América/RN, em jogo válido pela Copa do Nordeste daquele ano. Dois dias depois, o atleta já era destaque nas páginas do jornal Diário do Nordeste. Foram apenas 15 jogos e 2 gols marcados nos três meses seguintes para Josivan ganhar a chance de atuar em Portugal. Observado pelo ex-zagueiro Celso Gavião, que trabalhava como olheiro da empresa “International Foot“, a jovem revelação coral foi emprestada ao famoso FC Porto, para jogar inicialmente na equipe B. Seu passe foi estipulado em 50 mil Reais em caso de opção de compra pelo time português, o que rapidamente aconteceu. Depois de duas boas temporadas na equipe aspirante do Porto, Josivan chegou a figurar na pré-temporada do elenco principal sob o comando do famoso treinador Fernando Santos. Mais de duas décadas depois, a cria coral continua morando no Velho Continente, mais precisamente na cidade de Mangualde, que fica situada na província de Beira Alta, no Distrito de Vizeu.

Matéria do Diário do Nordeste sobre Josivan apenas 2 dias depois de sua estreia no profissional

Josivan nunca se firmou no time principal do Porto, mas fez toda sua carreira em equipes menores do futebol lusitano, atuando nas mais diversas divisões nacionais. Entre 2006 e 2007, o atleta chegou a jogar no futebol do Vietnã. Em 2017, Josivan pendurou as chuteiras na equipe portuguesa do Aguiar da Beira, depois de sete temporadas consecutivas. Longe do futebol, ele se mudou para Vizeu e começou a trabalhar com pintura de veículos no centro de produção da Peugeot-Citroen, majoritariamente durante o período noturno, onde se orgulha de nunca ter faltado um dia de trabalho em mais de três anos de atividade laboral. No período da tarde, Josivan treina a equipe Sub-13 do Grupo Desportivo de Mangualde e observa novos talentos para empresários portugueses. Ele tem dois filhos que desejam seguir carreira no futebol e uma filha que está na faculdade. A família não deseja retornar nunca mais para Fortaleza em razão dos perigos relacionados à segurança pública. Ficarão sempre as memórias do início da carreira de Josivan, que ao deixar o Ferrão e chegar no Porto era visto como o “novo Rui Barros” e chegou a ganhar a alcunha de “Rato Atômico das Antas“, em alusão ao seu estilo driblador e envolvente.

JOGO DA QUEBRA DO TABU CONTRA O FORTALEZA NO ESTADUAL DE 2007

Depois da última postagem sobre o lateral direito Lionn, chegaram alguns pedidos para destacar a quebra do tabu contra o Fortaleza, ocorrida no Campeonato Cearense de 2007. O Tubarão da Barra não vencia o Tricolor do Pici desde o dia 27 de Junho de 1999 e ainda não havia derrotado o velho rival no Século XXI. Com um time cheio de garotos da base, formados na geração de atletas preparada pelo treinador Jorge Veras, o Ferrão quebrou o tabu no dia 1º de abril de 2007, jogando no Castelão. Naquele domingo, o Ferroviário venceu a partida com o futebol de Cássio, Lionn, Jaílson, Nemézio e Leonardo; Dedé, Guto, Róbson e Everton (Jarbson); Danúbio (Carlinhos) e Valmir (Léo Jaime). O técnico era Daniel Frasson. Treinado por Paulo Bonamigo, o Fortaleza perdeu o jogo com Tiago Cardoso, Bileu (Léo Gago), César, Santiago e Guto; Válter, Cocito (Cleverson), Jean (Igor) e Rogerinho; Rinaldo e Adriano Chuva. Confira os gols acima, principalmente o golaço do jovem Leonardo, que era originariamente meia esquerda, mas atuou improvisado na lateral. Danúbio e Valmir marcaram os outros gols, enquanto Cleverson descontou para o Fortaleza. A gurizada coral só entrou em campo contra o Fortaleza porque, na véspera, a diretoria dispensou 13 jogadores do elenco profissional. Foram quase 8 anos sem derrotar o Fortaleza, mais precisamente 2.830 dias, mas a vitória veio nos pés de um time que era praticamente todo Sub-20 e em cima da equipe que, pouco tempo depois, sagrou-se campeã cearense de 2007. Daquela formação que quebrou o tabu, os jogadores que tiveram maior destaque no futebol foram Lionn, Léo Jaime e Everton, que posteriormente foi campeão brasileiro vestindo as camisas do Fluminense/RJ e do Cruzeiro/MG.

LIONN VOLTA A JOGAR PELO FERROVIÁRIO DEPOIS DE 15 ANOS

Lionn, aos 18 anos, no jogo da quebra do tabu contra o Fortaleza em Abril de 2007 no Castelão

Depois de 15 anos atuando no futebol europeu, o lateral direito Lionn voltou a jogar oficialmente com a camisa coral. Cria da base na geração de atletas surgida em meados dos anos 2000, o jogador entrou ontem, no segundo tempo, na vitória de 1×0 em cima do Botafogo/PB, pela Série C do Campeonato Brasileiro. O primeiro jogo de Lionn com a camisa do Ferrão aconteceu no dia 4 de fevereiro de 2007, no PV, contra o Ceará, entrando em substituição ao lateral direito Michel. Na ocasião, foi ele quem marcou o gol do Ferroviário na derrota por 2×1 para o alvinegro. O atleta foi lançado naquela oportunidade pelo treinador José Dultra e depois teve boas participações em partidas contra Itapipoca e Quixadá. O ápice daquele início de carreira para Lionn aconteceu no clássico contra o Fortaleza, numa partida histórica vencida pelo Ferrão por 3×1, que sacramentou a quebra de um tabu de quase oito anos sem a equipe coral bater o tricolor do Pici. Lionn atuou os 90 minutos do Clássico das Cores e se apresentou muito bem no antigo Estádio Castelão.

Dois meses depois da quebra do tabu, o Ferroviário viajou para o Caribe e participou da Polar UTS Cup. Acima, podemos ver um vídeo com a meninada coral atuando contra o Barber, de Curaçau. O Ferrão venceu por 2×0 e Lionn marcou o primeiro gol da partida, que pode ser visto por volta dos 2 minutos da gravação. Na final da competição, o Tubarão da Barra perdeu por 1×0 para o famoso Utrecht, da Holanda. Depois de se destacar na Polar UTS Cup, Lionn foi negociado para o Toreense de Portugal, país onde fez toda sua carreira atuando também pelo Vitória de Guimarães, Rio Ave, Famalicão, Olhanense e Trofense. No Vitória de Guimarães, o lateral direito chegou a disputar a Champions League. Ainda na Europa, Lionn foi campeão romeno pela equipe do Cluj. De volta ao futebol brasileiro e à casa que o gerou para o futebol profissional, Lionn é mais uma cria coral que reencontra o Ferroviário na fase final de sua vitoriosa carreira. Boa sorte pra ele!

DANILO E VÁLBER: DOIS IRMÃOS QUE JOGARAM JUNTOS NO FERRÃO

Recorte da seção “Museu da Chuteira” enviada para publicação por um torcedor do Ferroviário

Vários irmãos chegaram ao time profissional do Ferroviário. Na lembrança do torcedor mais jovem, os gêmeos Dedé e Danúbio foram o caso mais recente. Na década de 1970, os irmãos Danilo e Válber vestiram a camisa coral. Nascido em 1956, o meio campista Válber fez sua primeira partida pelo time profissional em 1975. Seu irmão Danilo, nascido em 1953, chegou à equipe principal dois anos antes e teve uma carreira mais duradoura no futebol e no próprio Ferroviário. Fez 124 jogos com a camisa do Tubarão da Barra entre 1973 e 1977. Por sua vez, Válber figurou em apenas 6 partidas do profissional entre 1975 e 1976. Danilo virou “Danilo Baratinha” e chegou a jogar em vários outros clubes no decorrer de sua carreira, como Ceará, Fortaleza e Guarani de Campinas. Certa vez, mais precisamente no dia 1 de Novembro de 1975, Válber chegou a substituir Danilo no decorrer de um amistoso do Ferroviário contra a Seleção Sindical, no Elzir Cabral. Mais de duas décadas depois desse fato, já como treinador de futebol, Danilo por muito pouco não foi tricampeão estadual pelo Ferrão, em 1996. Acima, confira uma resenha sobre os dois irmãos, publicada num jornal cearense do passado. Em pleno 2022, Danilo é um colaborador efetivo das categorias de base do clube na região da Barra do Ceará.

REGISTRO DO CARRO DE BOMBEIROS NA CARREATA DO TÍTULO DE 1988

Imagem dos Arquivos Ferroviários Camocim Ribeiro com jogadores corais no carro dos bombeiros

O registro fotográfico acima foi tirado na manhã do dia 18 de setembro de 1988. Naquele domingo pela manhã, o Ferroviário Atlético Clube comemorou o título de campeão cearense daquele ano numa carreata pelas ruas da cidade. Boa parte do elenco coral subiu no carro do Corpo de Bombeiros e desfilou com o troféu pela capital cearense. Na imagem acima, é possível identificar o terceiro goleiro Júnior Lemos, segurando a taça e o polivalente Edson, sentado. Atrás, o goleiro reserva Osvaldo aparece de perfil. Posteriormente, outros jogadores subiram no carro, entre eles os ídolos Arnaldo, Mazinho Loyola e Marcelo Veiga. A comemoração coral durou o domingo inteiro, com direito a festa no Clube de Regatas da Barra do Ceará, ao meio-dia, e terminou com um amistoso de entrega de faixas, contra o Ceará, à tarde, no Estádio Presidente Vargas. O Tubarão da Barra bateu o alvinegro por 2×1, com gols de Wiltinho e Beto Andrade para o time coral, descontando Basílio para o Ceará. Dos atletas titulares no jogo decisivo contra o Fortaleza, os zagueiros Arimateia e Juarez, o goleiro Robinson e os meias Alves e Jacinto não atuaram no jogo festivo.

ÁUDIO RARO COM 4 GOLS DO FERRÃO NO CAMPEONATO CEARENSE DE 1974

O áudio acima resgata os 4 gols do Ferrão em jogo do Campeonato Cearense de 1974. Corria o 1º turno e o time coral fazia a estreia do treinador Gilvan Dias, ex-goleiro do próprio Ferroviário no final dos anos 1950. Mesmo em grave crise financeira, o Ferrão conseguiu contratar três jogadores experientes que se destacaram no Ceará: Jorge Costa, Samuel e Gaspar. Samuel era o que se podia chamar verdadeiramente de craque no futebol. A passagem dos três foi rápida pelo Ferroviário. No áudio recuperado acima, o narrador Gomes Farias relata, pela Rádio Verdes Mares de Fortaleza, gols de Samuel e Jorge Costa com a camisa coral. Além deles, Perivaldo e Jeová também marcaram. O primeiro chegara emprestado pelo Bahia/BA e vestiu a camisa da seleção brasileira na continuidade de sua carreira. O segundo era egresso das categorias de base, assim como os jovens Cândido, Lúcio Sabiá, Grilo, Vicente e Edilson Lopes, todos formados na geração revelada pelo ex-jogador Coca Cola. Aproveite e escute com atenção a raridade agora resgatada pelo blog.

Matéria de jornal destacando a contratação dos experientes Jorge Costa e Samuel pelo Ferroviário