UM NOVATO E DOIS VELHOS CONHECIDOS NA COPA DO NORDESTE

O Globo/RN é o novato entre os tradicionais

O Ferrão conheceu ontem seus adversários de chave na fase inicial da Copa do Nordeste. O time coral está no Grupo B e enfrentará ABC/RN, Vitória/BA e Globo/RN. Deles, apenas a emergente equipe potiguar do Globo nunca enfrentou o Tubarão da Barra em anos anteriores. ABC e Vitória, por outro lado, são velhos conhecidos. O Ferrão enfrentou a equipe baiana pela primeira vez em 1953 e, na temporada de 2006, foram quatro memoráveis confrontos pela Série C do campeonato brasileiro, sendo duas vitórias para cada time naquela ocasião. Por sua vez, o ABC de Natal tem sido um recorrente adversário na história coral, seja em jogos amistosos, torneios comemorativos, campeonatos nacionais e até mesmo em quatro edições da Copa do Nordeste, em 1968, 1970, 1997 e 1999. Por coincidência, ABC e Vitória também foram adversários do Ferroviário na mesma chave da Copa Ecohouse, competição promovida pelo Alecrim/RN durante o segundo semestre de 2013. A próxima edição da Copa do Nordeste começa em fevereiro de 2018 e terá a cobertura televisiva do Esporte Interativo.

QUANDO A BRUXA TEVE QUE ENGOLIR UMA COCA COLA NO PV

coca cola

Coca Cola

O baixinho Coca Cola é lembrado até hoje como um dos maiores jogadores da história do Ferroviário. Seu nome era Abelardo Cesário da Silva. O apelido – como ele mesmo declarou ao jornal Folha de São Paulo em fevereiro de 1994 – era uma alusão ao famoso refrigerante: “Como eu era pequeno e magro, me chamavam de ‘miniatura de Coca-Cola’. Reclamei e o apelido pegou. Quase ninguém sabe meu nome. Até minha mulher me chama de Coca“. Falecido em junho de 1999, é impossível não lembrar da sua importância para o Ferrão no auto de seus 324 jogos com a camisa coral entre 1965 e 1973. Foram apresentações sensacionais nos gramados cearenses, o que lhe valeu a chance de jogar no Gil Vicente, de Portugal, onde o apelido não foi permitido. “Lá voltei a ser Abelardo para não fazer propaganda de graça para a Coca-Cola“, disse. Entre tantas partidas inesquecíveis, uma delas precisa ser sempre lembrada. E ela está completando 45 anos exatamente no dia de hoje.

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Marinho Chagas

Corria a disputa do Nordestão em outubro de 1970 e o Ferroviário recebia o ABC/RN no Presidente Vargas, exatamente no dia 29, como hoje. Precisando vencer com diferença de 3 gols, o time coral fez apenas 1×0 no placar e foi eliminado ainda na primeira fase da competição. A tristeza da eliminação só foi esquecida graças à pintura do gol marcado por Coca Cola, uma autêntica ´folha seca`, imortalizada anos antes pelo lendário Didi em seus tempos de Seleção Brasileira. Um dos gols mais belos da história do Ferroviário e, em particular, do inesquecível Coca Cola. Sob o comando de Alexandre Nepomuceno, o time coral venceu com Aloísio Linhares, Louro (Luiz Paes), Hamilton Ayres, Gomes e Eldo; Coca Cola, Edmar e Amilton Melo; Mano, Facó (Ibsen) e Wilson. Já o representante potiguar perdeu com Erivan, Preta, Edson, Josemar e Marinho Chagas (Cid); Correia (Zezé) e Gonzaga; Edvaldo, Albery, Petinho e Burunga. Mençao honrosa para o lateral esquerdo do ABC, um jovem chamado Marinho Chagas atuando bravamente contra o Ferroviário, um dos melhores laterais que o futebol brasileiro produziu em todos os tempos e que, três anos mais tarde, envergava a camisa de titular da Seleção Brasileira na Copa da Alemanha. Foi o jogo 1.207 da história coral, o dia que Marinho Chagas – A Bruxa – teve que engolir a genial folha seca de Coca Cola como se fosse Didi.

O CARTÃO DE NATAL QUE O SUPER CAMPEÃO PREPAROU EM 1970

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O Almanaque do Ferrão entra em clima de Natal. Que tal o cartão natalino que a diretoria coral distribuiu no final de 1970? Como não poderia deixar de ser, ele faz alusão ao “super-campeonato” conquistado naquela temporada, denominação muito utilizada na época para designar um triangular final envolvendo diferentes vencedores de turno. Na oportunidade, Ceará, Ferroviário e Guarany de Sobral decidiram o Estadual e o Tubarão da Barra eternizou na história uma super conquista recheada de super jogadores.

amilton melo

craque

A modernidade do mundo e a agilidade das comunicações praticamente acabaram com o envio de cartões natalinos. Esse de 1970 ficou na memória e muitos torcedores ainda o tem guardado em suas relíquias que o tempo teima em conservar. A foto do cartão com as faixas de campeão foi tirada no dia 18 de outubro, antes de um jogo contra o Treze/PB pelo Nordestão, que reuniu 3425 corais na partida de número 1205 da trajetória coral. Desnecessário lembrar o placar quando não nos interessa. Fica combinado assim.

Não há como recordar o título daquele ano sem lembrar de Amilton Melo. Em 1987, o ex-craque coral contou suas memórias num livro de sua autoria chamado “O Craque e o Futebol Cearense“, onde o cartão de Natal acima estampava uma das páginas. Dez anos mais tarde, Amilton Melo foi jogar bola no céu e deixou saudades na lembrança de todos que acompanharam aquela super conquista, para sempre eternizada num super cartão de Natal.