FERROVIÁRIO E CAMPINENSE: UMA RIVALIDADE HISTÓRICA PELO ACESSO

O Ferroviário partiu ontem na frente no mata-mata contra o Campinense/PB pela Série D do Campeonato Brasileiro de 2018. O vídeo acima com os melhores momentos do jogo reflete bem o clima vivido pelos torcedores corais que foram ao Castelão numa noite atípica de domingo, com direito a gol do artilheiro Edson Cariús e a dois golaços de Juninho Quixadá e Janeudo. A vitória apertada por 3×2 reflete fielmente o equilíbrio histórico entre dois velhos e tradicionais rivais do futebol nordestino, dois gigantes da região pra quem sabe reconhecer que torcida, títulos e tradição é algo para poucos no atual futebol brasileiro como um todo. Uma pena só um dos dois poder passar para a Série C do ano que vem. Ferrão e Campinense fizeram mais uma vez um grande jogo.

Coca Cola

O jogo de ontem foi o de número 3.624 da história coral, sendo o 15º confronto contra a tradicional equipe paraibana, que na década de 1960 mandou para o Ferrão simplesmente um dos nomes mais importantes do Tubarão da Barra em todos os tempos, o ídolo eterno Coca Cola, falecido em 1999. Ao todo, foram 7 vitórias corais, 2 empates e 6 derrotas para o Campinense. O primeiro confronto ocorreu em 1952, vitória coral por 5×0 num amistoso em Campina Grande. Depois, partidas importantes pelo Nordestão e pelo Campeonato Brasileiro nas décadas de 70 e 80, inclusive pela primeira divisão nacional, em 1981, numa partida que mostrou para a torcida coral a genialidade de um jovem chamado Roberto Cearense. Aliás, esta aí um confronto que já aconteceu pelas quatro divisões do campeonato brasileiro e isso é simplesmente emblemático. Como também não lembrar das duas vitórias do Ferrão por 2×0 em cima do Campinense pelo torneio regional Otávio Pinto Guimarães em 1986? Anos depois, a história coloca os dois gigantes nordestinos em combate novamente, agora pela primeira vez na Série D nacional. Só um pode e vai subir para a Série C. Que a felicidade sorria para o Ferrão porque os Deuses do futebol não podem falhar.

CAMISA COM LISTRAS NA DIAGONAL VOLTAM A SER USADAS APÓS 37 ANOS

Zagueiro Afonso e a camisa de 2018

Depois de apresentar um modelo dourado e outro laranja na época da segunda divisão cearense, o Ferrão voltou a inovar em relação a seu uniforme de jogo. Dessa vez, a novidade não está relacionada com a terceira camisa, mas sim com a primeira. Depois de 37 anos, o Tubarão da Barra volta a utilizar o padrão branco com listras corais na diagonal. Diferente do modelo utilizado pela última vez na temporada de 1981, a camisa atual simplifica, moderniza e apresenta apenas uma listra vermelha e outra preta na diagonal. Pra variar, houve quem gostou, mas também quem odiou, porém ninguém pode negar a óbvia referência histórica da nova camisa coral.

Ponta Paulinho em 1981

A camisa com listras diagonais foi utilizada muitas vezes no Campeonato Cearense de 1978, conforme já mostrado aqui no Almanaque do Ferrão através do resgate inédito do vídeo de um gol do ex-lateral Ricardo Fogueira, contra o Fortaleza, além da postagem sobre o deputados estaduais eleitos naquele ano. Depois, esse modelo passou a ser utilizado algumas vezes nas temporadas seguintes, revezando com o padrão  branco de listras horizontais e com o uniforme coral de listras verticais. Em 1981, o Ferroviário disputou suas últimas partidas com a camisa de listras diagonais, numa época em que o clube contava com nomes como o goleiro Procópio, o zagueiro Darci Munique, o craque piauiense Sima, o centroavante Roberto Cearense e o ponta esquerda Paulinho, ex-Cruzeiro/MG, cedido ao Ferrão como parte da negociação da compra do cearense Jacinto por parte do time mineiro. Portanto, ao inovar em 2018 com uma adaptação nova para aquele modelo antigo, o Ferroviário faz uma conexão histórica com seu próprio passado.

FOTO RARA DO FERROVIÁRIO EM 1982 DURANTE AMISTOSO EM ITAPIPOCA

Ferroviário em 10/01/1982 – Em pé: Paulo Maurício, Giordano, Darci Munique, Nilo, Jorge Henrique e Augusto; Agachados: Doca, Ednardo, Paulo César Cascavel, Roberto Cearense e Babá

Confira o retrato acima. Ela pertence ao acervo particular do ex-volante Doca e terminou desgastada com o tempo. Se algum nobre torcedor gostar de Photoshop, está aí um prato cheio para restauração! A imagem foi produzida por ocasião de um amistoso de pré-temporada do Ferroviário no estádio municipal de Itapipoca, muito antes do time da casa disputar alguma divisão profissional do futebol cearense. Trata-se de uma fotografia de 1982, mais precisamente do dia 10 de janeiro, quando o Tubarão da Barra bateu a Seleção de Itapipoca por 3×1, gols de Paulo César Cascavel, Ednardo e um gol contra de Dedé. Treinado por Assis Furtado, que anos depois militou na crônica esportiva de Fortaleza, o Ferrão formou Giordano (Edmundo), Paulo Maurício, Darci Munique, Nilo e Jorge Henrique (Laércio); Augusto, Doca (Carlos Brasília) e Ednardo; Paulo César Cascavel, Roberto Cearense e Babá. A escalação do adversário você pode conferir na ficha do jogo 1.869 disponível na versão impressa do Almanaque do Ferrão. Na época, o time coral faturou 200 mil cruzeiros de cota. A vitória foi de virada já que o selecionado de Itapipoca venceu o 1º tempo por 1×0. Meses depois, o atacante Roberto Cearense seria negociado com o Sport/PE.

SHOPPING FAZ ANIVERSÁRIO E SURGEM AS COINCIDÊNCIAS DA VIDA

Shopping Center Iguatemi de Fortaleza em 1982

O Shopping Center Iguatemi comemora hoje seu 35º aniversário. À tarde, no Castelão, Ferroviário e Fortaleza fazem o primeiro jogo decisivo válido pelas semifinais do campeonato cearense.  Mas o que um evento tem a ver com o outro? Existe uma grande coincidência reservada para esse dia 2 de abril. Na noite de sua inauguração, naquela já longínqua sexta-feira, dia 2 de abril de 1982, o shopping mais tradicional de Fortaleza dividiu as atenções também com um Clássico das Cores. Tratava-se de um amistoso preparatório para o campeonato cearense, que estava prestes a começar. Um público de 2.630 pessoas pagou para ver a vitória do Fortaleza por 3×1, gols de Beto (2) e Geraldinho para o Tricolor do Pici, enquanto o ponta esquerda Babá descontou para o Ferrão. Eduardo Florentino foi o árbitro da partida realizada no PV.

Roberto Cearense, Meinha e Babá no Ferroviário

Treinado por Paulo Murilo Pardal, o Ferroviário perdeu o jogo no dia da inauguração do Iguatemi atuando com Giordano, Laércio, Goes, Júlio e Jorge Henrique; Augusto, Meinha e Ednardo (Jorge Bonga); Carlos Brasília, Roberto Cearense e Babá (Almir) (Ferreti). O Fortaleza, do técnico Célio de Sousa, venceu com Sérgio Monte, Alexandre, Lineu, Celso Gavião e Clésio (Sabiá); Pedro Basílio (Nélson), Viegas e Zé Eduardo (Totô); Geraldinho, Beto e Edmar (Evilásio). Oito meses depois daquele amistoso, Ferroviário e Fortaleza fizeram a grande final do campeonato cearense de 1982. O Ferrão ficou com o vice-campeonato. Tantos anos depois, temos um novo Clássico das Cores decisivo e isso por si só já merece uma comemoração. Que os rumos de 2017 possam ser diferentes, apesar das coincidências.

O DOMINGO QUE ROBERTO CEARENSE BRILHOU COM O GOL DO FANTÁSTICO

Há pelo menos 35 anos, o futebol cearense conhece Roberto Cearense, mais uma cria do Ferroviário que rodou o mundo. Quando atendia apenas por ´Roberto`, marcou o famoso ´Gol do Fantástico` e foi destaque no programa nacional mais conhecido da Rede Globo de Televisão. O apelido ´Cearense` foi acrescentado ao nome quando foi negociado com o Sport/PE, justamente para não ser confundido com outro atacante de nome Roberto, que acabara de ser vendido pelo clube pernambucano para o Internacional/RS. Anos atrás, a TV Verdes Mares revirou seu baú e homenageou Roberto Cearense mostrando aquele lindo gol contra o América/CE, marcado na manhã de um domingo, no já distante 27/9/1981, no PV, diante de 2.882 pagantes, e em cima justamente do lendário Marcelino, ex-arqueiro do próprio Ferroviário. É sempre bom rever aquele colírio, agora eternizado no Almanaque do Ferrão, e recordar um jovem Roberto Cearense em ação, no auge de seus 90 jogos e 40 gols com a camisa coral. Aproveite!

IMAGENS RARAS DO JOGO QUE O FERRÃO FEZ 4X1 NO FLUMINENSE/RJ

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Artilheiro do Ferroviário no início dos anos 80

Em 30/11/1980, o Fluminense derrotou o Vasco por 1×0 e sagrou-se campeão carioca daquele ano. Dois meses depois, em 28/01/1981, mantendo os mesmos jogadores eternizados na história do clube, enfrentou o Ferroviário pelo campeonato brasileiro e tomou 4×1 no Castelão. Foi uma noite mágica para o Tubarão da Barra e, em especial, para um jovem chamado Roberto, que começava a se firmar no time profissional. Era apenas o início de uma grande temporada para mais uma revelação da base coral, que no ano seguinte seria negociado pela diretoria com o Sport/PE, passando a ser chamado nacionalmente de Roberto Cearense.

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Matéria Jornal O Povo

Hoje completa exatos 34 anos daquela noite memorável, não apenas para Roberto, mas principalmente para o Ferrão, que marcou uma das vitórias mais consagradoras de toda sua existência. Treinado por Lucídio Pontes, o time coral jogou com Salvino, Jorge Luís, Lúcio Sabiá, Zé Carlos e Jorge Henrique; Baltazar, Jeová e Jacinto; Jangada (Doca), Roberto e Marco Antônio (Djalma). O Fluminense foi massacrado com Paulo Goulart, Marinho, Adilço (Válter), Tadeu e Rubens Galaxe; Delei, Gilberto e Mário; Robertinho, Cláudio Adão e Zezé. O técnico do pó de arroz era Nelsinho Rosa. Além de 2 gols de Roberto, o experiente ponta direita Jangada também assinalou 2 tentos. Zezé descontou para o tricolor carioca diante de um público pagante de 7.889 pessoas.

Em 2009, o programa ´Na boca do túnel`, na TV Diário de Fortaleza, reprisou os gols da goleada histórica. O torcedor Jayckson Amorim teve a precaução de gravar e disponibilizá-los imediatamente na Internet, o que certamente contribuiu para que muitos torcedores pudessem visualizar até hoje o grande feito. Confira no vídeo abaixo.