QUINTA PARTICIPAÇÃO DO FERRÃO EM COMPETIÇÃO NORDESTINA

Velho adversário nordestino

Hoje o Ferrão pega o ABC de Natal em sua estreia na Copa do Nordeste, uma das competições mais valorizadas atualmente no calendário nacional. Embora sejam certames distintos e alternados ao longo do tempo, a primeira edição de uma competição regional em nível Nordeste aconteceu na temporada de 1968 e levava simplesmente o nome de Nordestão. O Ferroviário esteve presente e enfrentou Sport/PE, Botafogo/PB, Alecrim/RN, Calouros do Ar, Campinense/PB e o próprio ABC/RN. Em jogos de ida e volta, o time coral foi eliminado ainda na primeira fase. Em 1970, na terceira edição da competição, o Ferrão voltou a participar e enfrentou o Campinense/PB, Treze/PB, América/PE e novamente o ABC/RN em jogos só de ida. Mais uma vez, o Tubarão da Barra foi eliminado na fase inicial. Foi o ano do famoso duelo entre Coca Cola e Marinho Chagas, no PV, já reportado aqui no blog. No ano seguinte, o torneio foi engavetado já que foi posto em prática uma nova metodologia de integração nacional com a implementação do primeiro campeonato brasileiro.

Nova edição da Copa do Nordeste é sucesso

Depois de 27 anos de espera e com participação efetiva do Ferroviário nas articulações políticas para o retorno da competição, o principal certame da região Nordeste voltou a ser disputado em 1997. A fórmula previa confrontos de mata-mata e o Ferrão teve novamente o ABC de Natal como seu adversário. Uma derrota no Machadão e um empate no PV eliminaram o time coral mais uma vez na primeira fase. Dois anos depois, em 1999, aconteceu a quarta e última participação coral na Copa do Nordeste. O Tubarão da Barra caiu no grupo composto por Ceará, América/RN e – de novo – o ABC de Natal. Em jogos de ida e volta, o Ferrão acabou mais uma vez eliminado na primeira fase. Agora em 2018, novamente o ABC/RN está no grupo do Ferroviário, ao lado do Vitória/BA e do Globo/RN. No geral, será a quinta participação coral na principal competição nordestina e, coincidentemente, o ABC/RN foi adversário do Ferrão em todas elas. Esperamos que o Ferroviário agora possa quebrar o tabu de não passar da primeira fase e conseguir sua inédita classificação para a segunda fase. Vai ser histórico!

O ESTÁDIO ELZIR CABRAL: O QUE É HOJE E O QUE ERA PRA TER SIDO

Projeto arquitetônico do Estádio Elzir Cabral apresentado pela diretoria coral no ano de 1967

Esse era o planejamento inicial do Estádio Elzir Cabral no projeto produzido em 1967, uma época onde o futuro de qualquer clube passava obrigatoriamente pela construção do próprio patrimônio. Mais de 50 anos depois, o local nunca chegou nem perto de apresentar uma estrutura próxima da que foi inicialmente idealizada. As arquibancadas de concreto, por exemplo, só tornaram a ser realidade em meados dos anos 1980, com o apoio de dinheiro público autorizado pelo Governador Gonzaga Mota, o que finalmente proporcionou a inauguração oficial do primeiro estádio particular no Ceará em março de 1989, portanto mais de 20 anos depois do grande sonho da época.

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Registro fotográfico do Estádio Elzir Cabral para produção de cartão postal no ano de 1987

Já a imagem acima data de 1987, portanto há mais de 30 anos. Nota-se uma clara diferença em relação ao projeto inicial concebido duas décadas antes. Tanto tempo depois, esta continua a ser a atual estrutura física do Ferroviário, com algumas mudanças pontuais: a pista de atletismo não existe mais e o campo oficial foi transferido de lugar para dar espaços a outros gramados menores visando escolinhas e treinos específicos. Pensar o Ferroviário para mais 30 anos é abrir mão do sonho de 1967 e adaptar o atual espaço para a lógica de um Centro de Treinamentos e de Formação de Atletas. Não é possível retroceder no tempo e imaginar o Elzir Cabral como um estádio propriamente dito, por mais que os custos de uma partida de futebol tenham sido elevados em níveis estratosféricos. O futuro começa a cada decisão do presente e a comparação entre as fotos mostram que praticamente o clube não saiu do lugar na construção de seu estádio em meio século. Que se pense em CT para o local.

CAMISA COM LISTRAS NA DIAGONAL VOLTAM A SER USADAS APÓS 37 ANOS

Zagueiro Afonso e a camisa de 2018

Depois de apresentar um modelo dourado e outro laranja na época da segunda divisão cearense, o Ferrão voltou a inovar em relação a seu uniforme de jogo. Dessa vez, a novidade não está relacionada com a terceira camisa, mas sim com a primeira. Depois de 37 anos, o Tubarão da Barra volta a utilizar o padrão branco com listras corais na diagonal. Diferente do modelo utilizado pela última vez na temporada de 1981, a camisa atual simplifica, moderniza e apresenta apenas uma listra vermelha e outra preta na diagonal. Pra variar, houve quem gostou, mas também quem odiou, porém ninguém pode negar a óbvia referência histórica da nova camisa coral.

Ponta Paulinho em 1981

A camisa com listras diagonais foi utilizada muitas vezes no Campeonato Cearense de 1978, conforme já mostrado aqui no Almanaque do Ferrão através do resgate inédito do vídeo de um gol do ex-lateral Ricardo Fogueira, contra o Fortaleza, além da postagem sobre o deputados estaduais eleitos naquele ano. Depois, esse modelo passou a ser utilizado algumas vezes nas temporadas seguintes, revezando com o padrão  branco de listras horizontais e com o uniforme coral de listras verticais. Em 1981, o Ferroviário disputou suas últimas partidas com a camisa de listras diagonais, numa época em que o clube contava com nomes como o goleiro Procópio, o zagueiro Darci Munique, o craque piauiense Sima, o centroavante Roberto Cearense e o ponta esquerda Paulinho, ex-Cruzeiro/MG, cedido ao Ferrão como parte da negociação da compra do cearense Jacinto por parte do time mineiro. Portanto, ao inovar em 2018 com uma adaptação nova para aquele modelo antigo, o Ferroviário faz uma conexão histórica com seu próprio passado.

PRIMEIRO GOL DO FERROVIÁRIO NO CAMPEONATO CEARENSE DE 2018

Eis o primeiro gol do Ferroviário em 2018. Ele surgiu ontem na largada do Campeonato Cearense desse ano e foi de pênalti. O meia Janeudo, ex-jogador do Botafogo/PB e do Campinense/PB, assinalou o único gol coral na partida, que terminou empatada em 1×1 com o Iguatu. O jogo aconteceu no Estádio Morenão e foi o de número 3.585 na história do Tubarão da Barra. Entre amistosos e jogos oficiais, foi apenas a 11ª vez que o Ferrão atuou em Iguatu desde 1957. A última vez havia sido em 30/04/2016 em confronto válido pela segunda divisão do Estadual. Até hoje, a única equipe iguatuense a ganhar do Ferroviário foi o Coiguatu, campeão da liga local em 1982, que derrotou duas vezes o time coral em amistosos comemorativos naquela temporada.

FOTO RARA DO FERROVIÁRIO EM 1982 DURANTE AMISTOSO EM ITAPIPOCA

Ferroviário em 10/01/1982 – Em pé: Paulo Maurício, Giordano, Darci Munique, Nilo, Jorge Henrique e Augusto; Agachados: Doca, Ednardo, Paulo César Cascavel, Roberto Cearense e Babá

Confira o retrato acima. Ela pertence ao acervo particular do ex-volante Doca e terminou desgastada com o tempo. Se algum nobre torcedor gostar de Photoshop, está aí um prato cheio para restauração! A imagem foi produzida por ocasião de um amistoso de pré-temporada do Ferroviário no estádio municipal de Itapipoca, muito antes do time da casa disputar alguma divisão profissional do futebol cearense. Trata-se de uma fotografia de 1982, mais precisamente do dia 10 de janeiro, quando o Tubarão da Barra bateu a Seleção de Itapipoca por 3×1, gols de Paulo César Cascavel, Ednardo e um gol contra de Dedé. Treinado por Assis Furtado, que anos depois militou na crônica esportiva de Fortaleza, o Ferrão formou Giordano (Edmundo), Paulo Maurício, Darci Munique, Nilo e Jorge Henrique (Laércio); Augusto, Doca (Carlos Brasília) e Ednardo; Paulo César Cascavel, Roberto Cearense e Babá. A escalação do adversário você pode conferir na ficha do jogo 1.869 disponível na versão impressa do Almanaque do Ferrão. Na época, o time coral faturou 200 mil cruzeiros de cota. A vitória foi de virada já que o selecionado de Itapipoca venceu o 1º tempo por 1×0. Meses depois, o atacante Roberto Cearense seria negociado com o Sport/PE.

A HISTÓRICA GOLEADA NO LEÃO NA LARGADA DA TEMPORADA DE 1994

Ídolo Batistinha

Início de temporada é sempre um período de implementação de trabalho e realização de partidas amistosas, onde a maioria delas acaba caindo no esquecimento do público em geral. Porém, existe um amistoso de começo de temporada, realizado no vitorioso ano de 1994, que até hoje a torcida coral não esquece. Foi a goleada de 4×0 em cima do Fortaleza, dentro do Elzir Cabral, quando o Tricolor do Pici levou um autêntico vareio de bola e foi humilhado por jogadores ainda desconhecidos do futebol cearense, mas que ao longo da temporada escreveram definitivamente seus nomes na história do Ferrão. Ao final do certame, somente o famoso ABC coral, formado pelos artilheiros Acássio, Batistinha e Cícero Ramalho, havia marcado juntos mais gols que o elenco inteiro do Ceará, vice-campeão estadual e vice-campeão da Copa do Brasil em 1994. Era ou não uma verdadeira máquina coral?

Acássio: dois gols no amistoso

Engana-se quem pensa que esse famoso amistoso contra o Fortaleza foi realizado na pré-temporada propriamente dita. Na verdade, os dois clubes já haviam realizado seus jogos de estreia pelo Campeonato Cearense de 1994, mas aproveitavam uma folga na tabela para continuar a preparação de suas equipes. Seis dias antes, o Tubarão da Barra havia ido a Sobral e empatado em 1×1 com o Guarany em seu primeiro jogo oficial pelo Estadual. Antes, na verdadeira pré-temporada, havia batido o Tiradentes, o Calouros e o Itapipoca. As torcidas estiveram presentes em bom número nas arquibancadas do estádio coral, até porque o primeiro Clássico Rei daquele ano estava marcado na tabela apenas para o mês de maio.

Cícero Ramalho: um dos artilheiros

Repare na escalação do Ferrão na goleada em cima do Leão e veja se consegue perceber algumas diferenças em relação ao time que foi campeão cearense dez meses depois: Miguel, Nasa, Santos, Batista e Branco; Edgar (Ricardo Lima), Acássio (Eron) e Basílio (Caetano); Batistinha (Pepe), Cícero Ramalho (Edinho) e Wanks. O técnico era José Dultra. O Fortaleza, do técnico Rui Guimarães, foi humilhado com o futebol de Júlio César, Adriano (Alex), Luís Cláudio, Oliveira e César Soares; Luis Fernando, Adenilton e Calvex (Maradona); Quirino (Edvan), Cláudio José (César) e Cosme. Pelo Ferrão, os ídolos Acássio e Batistinha, cada um, duas vezes, marcaram os gols do amistoso. Mais de duas décadas depois, o Almanaque do Ferrão resgata as imagens daquele jogo contra o Fortaleza, com direito a entrevistas com Cícero Ramalho, Lima e José Dultra.

FAMÍLIA FINALMENTE CONSEGUE FALAR COM EX-ATLETA NO EQUADOR

Ex-artilheiro Paulo César e seu genro em foto tirada recentemente em Guayaquil no Equador

Trinta dias depois da nossa matéria sobre as três décadas que separaram um dos maiores artilheiros corais de sua família, uma excelente notícia chegou no apagar das luzes de 2017. No último dia 30 de dezembro, por intermédio do aplicativo Whatsapp, os familiares do ex-atacante Paulo César, diretamente de Recife, finalmente conseguiram contato com ele em Guayaquil, no Equador. Paulo César conversou através de vídeo com suas irmãs que, até antes da matéria produzida aqui no blog, achavam que ele já havia falecido. A família do ex-jogador do Ferroviário relatou que foi impossível conter as lágrimas e o encontro virtual foi regado de muita emoção e grandes recordações. Desde o dia em que teve sua carteira extraviada com todos os seus documentos, contendo inclusive o número do telefone da vizinha de sua mãe em Recife, Paulo César nunca mais havia conseguido conversar com seus irmãos. Na semana passada, ele agradeceu a Deus o excelente presente de fim de ano.

Paulo César com um de seus netos

Através do bate-papo virtual, os familiares de Paulo César tomaram conhecimento que ele casou novamente no Equador nos anos 1980, quando deixou o Brasil para jogar no futebol equatoriano. Hoje, Paulo César tem três filhos, sendo uma brasileira fruto de seu primeiro casamento e um casal de equatorianos, além de doze netos. Ele mora com uma das filhas e seu passatempo favorito é brincar com seus netos. Nas horas vagas, ainda gosta de jogar futebol. O jornalista equatoriano Diego Arcos foi fundamental para esse reencontro de Paulo César com sua família no Brasil. Foi ele quem localizou uma das filhas do ex-jogador e passou o contato dos parentes brasileiros que buscavam notícias do ente querido. Na conversa, Paulo César mostrou-se bastante lúcido e lembrava de detalhes da sua infância em Recife, de todos os irmãos e até do nome da rua em quem moravam. Seus filhos equatorianos também se emocionaram bastante com a satisfação do pai.

Com a camisa do Barcelona de Guayaquil

Perguntado sobre o Ferroviário Atlético Clube, Paulo César comentou com bastante carinho sobre seu ex-clube para a família. O Tubarão da Barra foi o time em que o ex-atleta obteve mais destaque atuando no futebol brasileiro, onde vestiu também as camisas do Moto Clube/MA e do Santa Cruz/PE. Na Barra do Ceará, foram 137 partidas e 88 gols marcados com o uniforme do Ferroviário, o que o coloca como o quarto maior goleador da história do clube, atrás apenas de Macaco, Fernando e Zé de Melo. Quando se despediu do Ferrão em 1981, passou a defender a Liga de Quito no Equador, foi vice-campeão nacional, marcou 25 gols e conduziu sua equipe à Copa Libertadores. Diante do sucesso de sua primeira temporada em terras equatorianas, foi contratado pelo famoso Barcelona de Guayaquil, onde se tornou astro nas três temporadas seguintes e se transformou numa verdadeira lenda na história da equipe, marcando 6 gols em jogos da Libertadores e 55 gols no campeonato nacional entre 1982 a 1984. O Almanaque do Ferrão encerra sua primeira matéria em 2018 com um vídeo mostrando um golaço de Paulo César vestindo a camisa do Barcelona de Guayaquil em jogo da Libertadores de 1982. E que agora Paulo César e sua família celebrem o dom do grande reencontro!