NUM 2 DE MARÇO COMO HOJE, FERRÃO APRESENTAVA CAVALHEIRO

Cavalheiro com Joseoly Moreira

Foi no dia 2 de março de 1968. Há 52 anos, o Ferroviário Atlético Clube apresentava no Elzir Cabral, ainda em estágio de construção, o seu novo goleiro para a temporada estadual. Tratava-se de Cavalheiro, ex-arqueiro do Internacional/RS e do Vasco da Gama/RJ, que vinha de uma passagem internacional pelo tradicional Deportivo Lara da Venezuela. Indicado pelo diretor Joseoly Moreira, que o trouxe do Rio de Janeiro, e chancelado pelo ídolo Pacoti, que o conhecia das categorias de base da equipe carioca, o novo guarda-valas do clube estreou num amistoso contra a equipe do Sonda, campeã da segunda divisão cearense. Treinado por Ivonísio Mosca de Carvalho, o Ferrão atuou naquela tarde com o futebol de Edilson José (Cavalheiro), Capturas, Jurandir, Gomes e Barbosa; Coca Cola (João Carlos) e Edmar; Paraíba (Lucinho), Mano, Ademir e Raimundinho. O Sonda jogou com Martini, Cabeleira, Dedé, Azul e Pedro; Luizinho (Zé Maria) e Zé Nilton; Edilson, Eliézer, Adão e Louro. O jogo foi 1×1. O pernambucano Ademir marcou o gol coral. Louro empatou para o Sonda. Aquele grupo coral sagrou-se, ao final da competição, o grande campeão cearense invicto. Cavalheiro reside atualmente no Rio Grande do Sul. Há seis anos, esteve em Fortaleza depois de muitas décadas e reencontrou alguns de seus ex-companheiros numa noite de muita emoção.

O INESQUECÍVEL FERROVIÁRIO QUE DESBANCOU CEARÁ E FORTALEZA

A ´Máquina Coral` dos anos 1990 já foi motivo de algumas postagens aqui no blog. Como dizia o saudoso Antônio Estelita Aguirre, diretor de comunicação do Ferroviário naquele período: “Antes quando o jogo era contra o Ceará ou Fortaleza, a gente ia pro estádio com medo, hoje a gente vai com pena“. A frase emblemática reproduz bem a supremacia coral absoluta no futebol cearense entre 1994 e 1995. O vídeo acima é do canal Última Divisão e faz um ótimo apanhado estatístico daquela época. Aplausos para a pesquisa, riqueza de detalhes e de informações passadas por profissionais que observam um feito ocorrido já há quase um quarto de século e, mesmo à distância, são capazes de valorizar com detalhes algo que, na maioria das vezes, passa  diariamente despercebido para a própria imprensa cearense, tão afeita apenas aos “feitos” de Ceará e Fortaleza. O bicampeonato coral representou a última vez que um “intruso” resolveu quebrar a hegemonia da dupla local na galeria dos campeões estaduais. Vale, portanto, eternizar ainda mais aquele feito em cada um dos 13 minutos do vídeo acima.

CONTEXTO DO ÚLTIMO JOGO CORAL NO ELZIR CABRAL PELO ESTADUAL

Confira o vídeo acima da TV Jangadeiro. Ele mostra o contexto da última vez que o Ferroviário Atlético Clube havia atuado em seu próprio estádio em jogo oficial válido pelo Campeonato Cearense. Foi no dia 16 de abril de 2011, contra o Limoeiro. Ontem, quase nove anos depois, o Tubarão da Barra voltou a utilizar sua praça esportiva forçado pelas indisponibilidades do Presidente Vargas e do Castelão para o início do certame estadual. Naquela partida de 2011, o Ferrão vencia por 1×0, com um gol estranhíssimo do atacante França, e se livrava matematicamente do rebaixamento apesar de ainda ter que cumprir dois jogos fora pelo certame contra Guarani de Juazeiro e Horizonte. Na ocasião, o jogo foi de portões fechados por conta de uma exigência do Ministério Público que não havia sido providenciada pela direção coral. O jogo foi transmitido pela TV Diário. Além do técnico gaúcho Joel Cornelli, que fazia a sua estreia no comando coral e que aparece na reportagem acima, o Ferroviário teve em sua onzena nomes como o goleiro Ari, o meia Piva, os volantes Glaydstone e Marcelo Mendes, o atacante Juranílson e o consagrado zagueiro Ediglê, que poucos anos antes, tinha sido campeão mundial com o Internacional de Porto Alegre.

EDSON CARIÚS ULTRAPASSOU MARCA DE LUIZINHO DAS ARÁBIAS

Edson Cariús comemorando um de seus 47 gols pelo Ferrão no click do fotógrafo Pedro Chaves

Depois de 63 jogos com a camisa do Ferroviário, o atacante Edson Cariús deixou o clube e foi jogar pelo CRB de Alagoas na Série B do campeonato brasileiro. No entanto, antes de arrumar as malas, pouca gente percebeu que o goleador coral havia conquistado mais uma marca histórica em sua passagem pela Barra do Ceará. Não bastasse ter sido campeão brasileiro e, ao mesmo tempo, artilheiro de uma divisão nacional com a camisa coral, algo absolutamente inédito na história do clube, Edson Cariús ultrapassou a histórica média de gols do também ídolo Luizinho das Arábias, alcançada nas três passagens do grande artilheiro do passado nas temporadas de 1985, 1986 e 1988, até então a maior da história coral com 0,72 gols por jogo. Cariús assinalou 47 gols em  uma única passagem que durou pouco mais de um ano, o que lhe garante uma média de 0,75 gols por partida. Sem dúvida, trata-se da quebra de um recorde histórico que durava mais de trinta anos e que consolida definitivamente Edson Cariús no rol dos maiores goleadores que já vestiram a camisa do Ferrão.

BLOG DO ALMANAQUE DO FERRÃO COMPLETA SEU QUINTO ANIVERSÁRIO

Além da versão impressa histórica de 2013, o Almanaque do Ferrão ganhou um blog em 2014

Há cinco anos, esse blog entrava no ar pela primeira vez. Desde então, o Almanaque do Ferrão na web recebeu mais de 75 mil visitantes espalhados por todos os continentes, obtendo acessos numerosos em países como os Estados Unidos, Equador, Canadá, Portugal e Alemanha, pra ficarmos apenas nos cinco que originam o maior número de visitas, além do Brasil, obviamente. Foram publicadas 470 postagens nesse período, o que garante um média de 94 posts por ano, praticamente uma postagem a cada quatro dias. Nas matérias, muitas curiosidades, resgate de áudios, vídeos e fotos raras, lembrança de nomes históricos e algumas críticas. O tempo passou e já se foi metade de uma década. Que possa seguir mantendo sua missão.

JOGAR NA BARRA PRA QUE? PRA QUE MESMO JOGAR NA BARRA DO CEARÁ?

Jogo do Ferroviário na temporada de 2003

Depois de sete anos sem jogos oficiais no seu estádio particular, o Ferroviário voltou a utilizar a velha praça esportiva da Barra do Ceará como mandante na Taça Fares Lopes de 2019. E o resultado foi rigorosamente o mesmo de sempre: um baixíssimo índice de aproveitamento dos pontos disputados, reclamações contra o vento – que é fortíssimo nessa época do ano – gramado duro e um desconforto sem igual em relação ao torcedor que é, antes de qualquer coisa, um consumidor. De positivo, a economia financeira. E só. Quase sempre um barato que sai caro no final das contas, dadas as frustrações quase certas dos resultados. Muita gente comemorou a volta do clube para o Elzir Cabral. Será que há mesmo o que se comemorar? E a velha ideia de transformar aquele espaço em campos para treinamento iniciando uma visão moderna de Centro de Treinamento? Não seria pedir muito para um time que está na Série C nacional. Seria o mais lógico.

Estádio Elzir Cabral pouco antes de sua inauguração para jogos oficiais no final da década de 1980

Que a atual estrutura do Elzir Cabral fique apenas na memória de quem um dia idealizou um estádio próprio para o clube. Ideia sábia, porém que não se aplica para os dias atuais. Como dizem Simon Kuper e Stefan Szymanski na conceituada obra ´Soccernomics`, não conhecemos nenhum supermercado que funcione montado em uma estrutura arcaica e velha do século passado. Todos se modernizam e evoluem para atender bem seus clientes. É o que obriga a competição do mercado. No futebol, essa realidade parece passar longe. Desde que conseguiu inaugurar seu estádio para jogos oficiais há longínquos 30 anos, a Barra do Ceará só passou pelo chamado ´banho de loja`. Na época, o gramado da Barra era equivalente ao gramado do Castelão em termos de qualidade. Hoje, apesar de todas as melhoras, tem muito campo de subúrbio que é superior. Argumentos de que o estádio coral é um ´caldeirão` simplesmente não se sustentam. Que caldeirão é esse que proporciona apenas 58% de vitórias quando o Ferrão atua lá em jogos oficiais? O percentual de empates é de 23% e 19% são de derrotas. Números para se pensar. Jogar na Barra pra que mesmo?

RETROSPECTIVA DE TODOS OS JOGOS CONTRA O CONFIANÇA NA HISTÓRIA

Jorge Veras: gol na vitória

O adversário coral desse final de semana na Série C do Campeonato Brasileiro é o Confiança de Aracaju. Fazendo um balanço das vezes que se enfrentaram, o time coral leva um certa vantagem em cima do número de vitórias desde aquele primeiro confronto entre ambos, válido pela Série A nacional na temporada de 1984. Naquela oportunidade, o Ferrão venceu por 1×0 com um gol de Jorge Veras, assinalado no minuto final da partida. Depois, confrontos importantes e marcantes, além de inesquecíveis para a torcida coral, como o de 1997, que terminou na disputa de pênaltis, no Elzir Cabral, em pleno domingo pela manhã. Ano passado, vitória coral por 2×1 em jogo eliminatório pela Copa do Brasil, quando o time sergipano jogava pelo empate, a única vez que ambos se enfrentaram fora do campeonato brasileiro de futebol. Em retrospectiva, abaixo você confere a sequência de jogos dois dois times na história:

Jogo 01: 05/02/1984 – Ferroviário 1×0 Confiança – Castelão – Brasileiro Série A
Jogo 02: 15/02/1984 – Confiança 4×1 Ferroviário – Lourival Batista – Brasileiro Série A
Jogo 03: 12/10/1997 – Confiança 3×2 Ferroviário – Lourival Batista – Brasileiro Série C
Jogo 04: 19/10/1997 – Ferroviário 2×1 Confiança – Elzir Cabral – Brasileiro Série C
Jogo 05: 13/08/2006 – Confiança 2×2 Ferroviário – Lourival Batista – Brasileiro Série C
Jogo 06: 03/09/2006 – Ferroviário 2×1 Confiança – PV – Brasileiro Série C
Jogo 07: 07/02/2018 – Ferroviário 2×1 Confiança – PV – Copa do Brasil