FERROVIÁRIO SAIA COMO VICE EM TORNEIO NO CARIBE HÁ 10 ANOS

Jogadores do Ferroviário perfilados para o hino nacional antes da final contra o Utrecht

Parece que foi ontem, mas já faz 10 anos. Com um elenco formado em sua maioria por atletas oriundos da base e comandados pelo falecido treinador Artur do Carmo, ex-zagueiro histórico do futebol cearense e do próprio Ferroviário, o Tubarão da Barra viajou para o Caribe e participou da Polar UTS Cup. Os jogos foram disputados na primeira semana de junho de 2007 na cidade de Willemstad, na ilha de Curaçau, no Caribe. Na primeira rodada, o Ferrão eliminou o Barber (2×0) e o Utrecht derrotou o Dordrecht por 2×1 no confronto de holandeses. Na grande final, mesmo jogando bem, o time coral tomou um gol de Leroy George aos 30 minutos do segundo tempo e ficou com o vice-campeonato. O Utrecht, que na época disputava a Liga Europa, se aproveitou da maior compleição física de seus atletas e ficou com a taça de campeão com 1×0 no placar.

Nas águas do Caribe: zagueiros Júlio e Carlinhos, lateral Lionn, meia Valmir e volante Dedé

A competição caiu como uma luva para o jovem lateral direito Lionn, que se apresentou muito bem nos dois jogos e foi visto por empresários do mundo todo. Em seguida, teve as portas abertas para atuar na segunda divisão do futebol português e há várias temporadas atua profissionalmente na Europa, já tendo jogado inclusive a famosa Champions League. Dentre os mais conhecidos, o Ferrão tinha no elenco os gêmeos Dedé e Danúbio, o zagueiro Nemézio e o meia Diego, que estavam na boa campanha coral na Série C nacional do ano anterior. Na final contra o Utrecht, o Ferrão formou com Cássio, Lionn, Júlio (Marcelão), Nemézio e Leonardo; Dedé, Robson (Junior Mineiro), Paulo Victor (Diego) e Valmir (Jarbson); Danúbio e Eli (Amoroso). A equipe holandesa venceu com Krul, Van Buuren (Valentijn), Shew Atjon e Keller; Cornelisse, Calume (Maachi), De Jong, Leroy George e Nelisse (Rossini); Boussaboun e Van Dijk (Bolland).

Diretor de Futebol Francisco Neto entre alguns jogadores do Ferrão que atuaram no Caribe

A viagem ao Caribe foi a primeira e única experiência do Ferroviário Atlético Clube atuando em outro país. Na ocasião, o então diretor de futebol Francisco Neto, que assumiu a presidência coral logo em seguida, chefiou a delegação. Aqueles dias de junho nas belas águas das Antilhas Holandesas ficaram para sempre na memória dos jovens atletas que representaram o Tubarão da Barra em terras estrangeiras. Os DVD´s com a gravação na íntegra dos dois jogos do Ferrão na competição viraram item raro de colecionador. Qualquer dia desses, eles pintam por aqui. Quem sabe? Por enquanto, fiquem com apenas uma pequena amostra das centenas de fotos produzidas pelos jogadores do Ferrão naquela ocasião tão especial para cada um deles.

QUE VENHAM A COPA DO NORDESTE, A COPA DO BRASIL E O BRASILEIRO

Garantia de competições importantes em 2018

Aparentemente a temporada de 2017 acabou em pleno mês de maio para o Ferroviário. Exatamente como no ano passado. E como em vários outros anos também. A participação coral na Taça Fares Lopes desse ano é incerta e até desnecessária sob a ótica da busca por resultados esportivos que valham realmente a pena. A diferença é que antes o torcedor olhava pro futuro e não via perspectivas de um calendário diferente no ano seguinte. Agora, sabemos que além do campeonato cearense da 1ª divisão, em 2018, teremos Copa do Brasil, Série D do campeonato brasileiro e até a Copa do Nordeste, que o Ferrão não disputa desde 1999. É bom não esquecer que o Ferrão foi um dos articulares para o surgimento desta competição nos anos 90. Depois, em meio à perda de prestígio político e enfraquecimento esportivo ano após ano, nunca mais dela participou, nem quando eram distribuídos convites para as principais equipes da região.

Jogadores atuaram de forma heroica em 2017

O que mudou? É importante saber exatamente como tudo isso foi conquistado, principalmente quando não se pode afirmar que tudo isso foi fruto de um planejamento construído em bases sólidas. Não foi. Sabe-se que o Ferroviário sequer sabia que disputaria a 1ª divisão cearense em 2017. Cerca de 3 semanas antes do início dos jogos, entre os feriados do fim de ano, surgiu a boa nova e começou a correria para colocar um time em campo. A exiguidade de tempo nos deu um time que mais empatava do que ganhava, que marcava poucos gols, que a articulação ofensiva do meio campo era quase inexistente em vários jogos, etc. Tudo compreensível. Certamente foi a garra e a disposição dos jogadores dentro de campo, unidos de forma familiar até fora dele, além de uma arregimentação heroica de dirigentes e conselheiros que também fizeram a diferença. Nada como a união nos bastidores corais. Sabemos muito bem o que pode acontecer de catastrófico quando ela não existe. O fato é que o Ferroviário agora pode ter um futuro promissor se souber realmente conceber o tão sonhado planejamento construído em bases sólidas, desde a formatação do elenco, da manutenção dos principais jogadores da atual temporada, do uso correto e honesto dos recursos financeiros garantidos para o ano que vem, entre várias outras coisas. O futuro a Deus pertence. Mas como dizia o antigo slogan do primeiro projeto Sócio Torcedor do Ferrão há quase dez anos, o futuro não é mais como costumava ser. Agora parece que sim.

PROGRAMA MATINAL DO SPORTV PRESTA HOMENAGEM AO FERRÃO

O Ferrão tem sido destaque em várias mídias pelo Brasil afora. A boa campanha coral e o resgate da gigante tradição do clube no cenário futebolístico rendeu ontem um capítulo à parte. O Tubarão da Barra foi homenageado no Redação SporTV, famoso programa matinal do canal por assinatura vinculado ao grupo Globosat, que tem a apresentação do jornalista paulista André Rizek. O belo hino do clube, composto na década de 60 pelo torcedor ilustre Zezé do Vale, serviu de pano de fundo para imagens históricas e lances decisivos do triunfo coral na semifinal estadual desse ano contra o Fortaleza. Direto dos estúdios na capital cearense, o jornalista Fábio Pizzato participou da homenagem com importantes informações sobre a trajetória do Ferrão na atual temporada. Assista no vídeo acima veiculado nas mídias sociais oficiais do próprio Ferroviário Atlético Clube.

CEARÁ X FERROVIÁRIO É NA PRÁTICA O GRANDE CLÁSSICO DOS CLÁSSICOS

1939: Ceará x Ferroviário no Campo do Prado

A novidade surgiu num simples debate de rede social. Intitulado há menos de duas décadas de ´Clássico da Paz`, o confronto histórico entre Ceará x Ferroviário pode e deve mudar de nomenclatura. Por que não chamá-lo de ´Clássico dos Clássicos´? Na prática, o raciocínio é simples: o confronto entre ambos, justamente os dois finalistas do campeonato cearense de 2017, completará 80 anos daqui a dois anos. Na época, no final da década de 30, eram Ceará e Ferroviário os times que levavam o maior público aos estádios cearenses, razão pela qual até o início da década de 70 o confronto entre ambos era adequadamente intitulado de ´Clássico das Multidões`. Até o final da década de 60, o famoso ´Clássico Rei`, confronto lendário entre Ceará e Fortaleza, ficava atrás em prestígio quando comparado ao ´Clássico das Multidões`, fato este somente suplantado em termos de importância a partir dos anos 70 com o crescimento vertiginoso do Fortaleza em termos de torcida e uma perigosa lentidão do Ferroviário na renovação de seu público, fruto de períodos sem títulos, aliás um dos principais traços dos times de origem ferroviária. Muitos já fecharam as portas, mas o Ferrão provou ser imortal.

1975: Ceará x Ferrão no Castelão em construção

No início da atual temporada, havia quem falasse que Ceará x Ferroviário não era mais clássico, um grande absurdo e ignorância histórica até pelo significado técnico da palavra ´clássico´, utilizado para designar aquilo que resiste ao tempo e perdura ao longo dos anos. Os dois voltam a se enfrentar numa grande final e todo processo histórico de quase 80 anos de confrontos volta inevitavelmente à baila. Grandes jogos são rememorados, eternos jogadores são lembrados, ricas épocas voltam às pautas dos jornais e programas esportivos. Isso é ou não uma prova cabal do que é um clássico? Só que o dito ´Clássico das Multidões` minguou a partir dos anos 70. Ceará e Fortaleza passaram a levar suas multidões, estes sim com suas torcidas de massa. A torcida coral sempre foi numerosa sem nunca ser de massa, sempre foi formada a partir de um público seleto, com suas características próprias e uma vocação de paixão que se passa de pai pra filho. É só olhar nas arquibancadas. Nos anos 80, enquanto Ferroviário x Fortaleza era o ´Clássico das Cores´ ou o ultrapassado `Ferro-Fort´, o clássico Ceará x Ferroviário não recebia mais nenhuma denominação elogiosa. Era apenas mais um clássico. Até que a violência chegou aos estádios e, no final da década de 90, os dois times resolveram entrar em campo com seus representantes segurando um a bandeira do outro para homenagear e simbolizar uma pretensa paz em comparação a outros jogos pelo Brasil, prato feito para que rapidamente surgisse a nomenclatura ´Clássico da Paz` para ambos.

1981: Ferroviário x Ceará no Castelão lotado

A lógica para o título `Clássico dos Clássicos´ é muito óbvia: se temos quase 80 anos de confrontos, se um dia foram Ceará e Ferroviário os preliantes que arrebatavam multidões por quase quatro décadas muito antes do ´Clássico Rei´ ter sua importância, se o confronto até já mudou de nome se adaptando a uma nova realidade e dando origem ao ensosso título de `Clássico da Paz`, algo questionável em se tratando de uma rivalidade histórica que, até os anos 90, figurava com o torcedor do Ferroviário “odiando” mais o Ceará do que o próprio Fortaleza, razão pela qual as duas torcidas protagonizaram, num passado não muito distante, confrontos e brigas até hoje lembradas, e considerando ainda que Ceará e Ferrão voltam a fazer uma final estadual depois de 19 anos, por que não aproveitar o momento de ressurreição e retomada do grande clássico para lançar uma nova denominação para ele? O título ´Clássico dos Clássicos` é mais que pertinente. Está dada a dica. Uma boa campanha publicitária com marca, slogan e ativações envolvendo os dois times é plenamente capaz de segurar a onda e emplacar a novidade, que seria de interesse estratégico até para o próprio futebol cearense como um todo. Do contrário, será apenas motivo de chacota ou acusação de devaneio. Em síntese, Ceará x Ferroviário foi, na prática, o clássico mais badalado do futebol cearense muito antes dele conhecer outros clássicos, sobreviveu ao tempo depois que o Maguari sucumbiu, continuou com grande importância depois que o Fortaleza com todos os méritos ascendeu, perdeu sua nomenclatura original que deixou de fazer sentido, ganhou outra alcunha apenas simpática de uma maneira não muito original e está ainda ai posto à prova do tempo. E já que estamos em num novo tempo, que seja chamado de ´Clássico dos Clássicos´ por motivos mais que óbvios.

IMAGENS DA CONCENTRAÇÃO DO FERRÃO ANTES DE DECISÃO EM 1994

O vídeo acima é uma raridade. Trata-se de uma matéria da TV Verdes Mares em abril de 1994. Nela, a repórter Carla Soraya fazia a cobertura da concentração do Ferroviário na Vila Olímpica Elzir Cabral, antes de uma partida decisiva contra o Itapipoca que valia o título do 1º turno do campeonato cearense. Confira as imagens e recorde o lateral direito Caetano e o meia Eron em entrevista descontraída com o atacante Reginaldo, um dos destaques do título estadual naquela temporada, dando uma de repórter. É possível ver também imagens do lateral esquerdo Branco, do meia Basílio, do goleiro Dênis e do massagista Mudo durante a cobertura da televisão. São mais de duas décadas desde a veiculação da matéria, mas o Almanaque do Ferrão reprisa pra você. Aproveite.

SHOPPING FAZ ANIVERSÁRIO E SURGEM AS COINCIDÊNCIAS DA VIDA

Shopping Center Iguatemi de Fortaleza em 1982

O Shopping Center Iguatemi comemora hoje seu 35º aniversário. À tarde, no Castelão, Ferroviário e Fortaleza fazem o primeiro jogo decisivo válido pelas semifinais do campeonato cearense.  Mas o que um evento tem a ver com o outro? Existe uma grande coincidência reservada para esse dia 2 de abril. Na noite de sua inauguração, naquela já longínqua sexta-feira, dia 2 de abril de 1982, o shopping mais tradicional de Fortaleza dividiu as atenções também com um Clássico das Cores. Tratava-se de um amistoso preparatório para o campeonato cearense, que estava prestes a começar. Um público de 2.630 pessoas pagou para ver a vitória do Fortaleza por 3×1, gols de Beto (2) e Geraldinho para o Tricolor do Pici, enquanto o ponta esquerda Babá descontou para o Ferrão. Eduardo Florentino foi o árbitro da partida realizada no PV.

Roberto Cearense, Meinha e Babá no Ferroviário

Treinado por Paulo Murilo Pardal, o Ferroviário perdeu o jogo no dia da inauguração do Iguatemi atuando com Giordano, Laércio, Goes, Júlio e Jorge Henrique; Augusto, Meinha e Ednardo (Jorge Bonga); Carlos Brasília, Roberto Cearense e Babá (Almir) (Ferreti). O Fortaleza, do técnico Célio de Sousa, venceu com Sérgio Monte, Alexandre, Lineu, Celso Gavião e Clésio (Sabiá); Pedro Basílio (Nélson), Viegas e Zé Eduardo (Totô); Geraldinho, Beto e Edmar (Evilásio). Oito meses depois daquele amistoso, Ferroviário e Fortaleza fizeram a grande final do campeonato cearense de 1982. O Ferrão ficou com o vice-campeonato. Tantos anos depois, temos um novo Clássico das Cores decisivo e isso por si só já merece uma comemoração. Que os rumos de 2017 possam ser diferentes, apesar das coincidências.

O CARNAVAL DAVA A DICA DE O QUE SERIA CAPAZ DE PARAR JOMBREGA

Bloco ´Cordão das Coca Colas` no carnaval de Fortaleza fazia alusão à jogador do Ferroviário

O carnaval desse ano passou, mas deixou resgatado essa foto histórica de meados dos anos 40. O aviso foi do pesquisador Ciro Câmara, jornalista cearense apaixonado por futebol e, em particular, pela pesquisa esportiva. Era o ´Cordão das Coca-Colas`, antigo bloco carnavalesco de Fortaleza onde os homens se vestiam de mulher. Um dos rapazes ou das moças, como queiram, segura um placa com a frase: “Detefon para Jombrega“. Estaria ele se referindo ao grande artilheiro cearense Jombrega? Ciro Câmara aposta que sim e é muito provável que esteja certo. Jombrega chamava-se Francisco José Róseo de Oliveira e jogou no Fortaleza, Maguary, Ferroviário e até no Corinthians/SP, segundo dados do Almanaque do Timão, de autoria de Celso Unzelte. No Ferrão, Jombrega acumulou passagens entre 1940 e 1946, disputando 38 jogos e marcando 26 gols. Conquistou 2 títulos pelo Ferroviário: o Torneio Início e a Taça General Mascarenhas, ambos na temporada de 1940. Segundo interpretações, a placa indica o que poderia parar Jombrega, um verdadeiro fenômeno dentro dos campos de Fortaleza. Talvez só mesmo o Detefon, um dos principais e mais famosos inseticidas da época, muito comum na boca do povo até a década de 80. Lembrou do Detefon? Dá uma olhada na publicidade abaixo.