A LEMBRANÇA DE GIORDANO DO GOLEIRO DA SELEÇÃO BRASILEIRA

Goleiro Valdir Peres, do São Paulo, foi titular da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1982

No final do mês passado, o Brasil perdeu o ex-goleiro Valdir Peres, titular do São Paulo/SP e da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1982. Como arqueiro do tricolor paulista naquela temporada, Valdir Peres enfrentou o Ferroviário em duas oportunidades no intervalo de dez dias. A primeira em 28/01/1982, no Morumbi, e a segunda em 07/02/1982, no Castelão. Quatro meses depois, o falecido goleiro estreava na Copa da Espanha com a camisa da Canarinho contra a União Soviética. Por outro lado, os confrontos contra o São Paulo parecem ainda vivos na memória do goleiro reserva do Ferrão na ocasião. O cearense Giordano, que chegou ao clube em 1976, amargava a reserva do titular Barbiroto, emprestado pelo próprio São Paulo ao Ferroviário para as disputas daquele campeonato brasileiro. Em meio aos jogos contra o tricolor paulista, Giordano conheceu Valdir Peres e um fato o marcou por toda vida.

Giordano no Ferrão

Semana passada, Giordano encontrou ocasionalmente Charles Garrido, um dos torcedores corais que mais prestigia este blog com mensagens e comentários na página do Almanaque do Ferrão no Facebook. Conversando sobre o falecimento do ex-goleiro do São Paulo, Giordano confidenciou no referido encontro: “até hoje tenho guardado um uniforme completo de goleiro que o Valdir Peres gentilmente me presenteou naquela oportunidade“. Ao enfrentar um time financeiramente inferior, onde naturalmente as condições de trabalho são muito mais difíceis, Valdir Peres teve a delicadeza de ajudar um companheiro de profissão e, mais que isso, de posição. O fato nunca saiu da cabeça de Giordano, que permaneceu no clube até a temporada seguinte. Ao todo, foram 135 partidas com a camisa do Ferrão. Em 1984, sagrou-se campeão maranhense pelo Sampaio Corrêa/MA. Em 1988, já aposentado dos gramados, foi o treinador de goleiros do próprio Tubarão da Barra no título cearense daquele ano. Tantos anos depois, o Ferrão continua nas melhores lembranças de Giordano em conversa com amigos corais.

RAMON É O ÚNICO TREINADOR CAMPEÃO NO FERRÃO AINDA VIVO

Ramon Ramos atuou em grandes clubes e marcou 18 gols em 27 partidas como atacante do Ferrão

O Ferroviário foi campeão estadual em nove oportunidades: 1945, 1950, 1952, 1968, 1970, 1979, 1988, 1994 e 1995. Disso, todos sabem. O que pouca gente percebeu é que seis dos sete treinadores até hoje campeões estaduais pelo Ferrão já partiram dessa vida. Com o falecimento, em maio passado, do ex-técnico Alexandre Nepomuceno, comandante no título de 1970, o pernambucano Ramon Ramos é o único sobrevivente coral entre os treinadores que venceram o campeonato cearense pelo clube. Além de Alexandre Nepomuceno, já foram pro andar de cima os seguintes nomes: Valdemar Caracas (1945), Babá (1950 e 1952), Ivonísio Mosca de Carvalho (1968), César Moraes (1979 e 1994) e Lucídio Pontes (1988). Ramon Ramos mora em Recife e já mereceu postagem especial aqui no blog. Ex-jogador em grandes clubes do futebol brasileiro e do próprio Ferroviário em 1984, Ramon começou a carreira de técnico no próprio Tubarão da Barra, comandando a equipe coral em 87 partidas no total dentro das temporadas de 1988, 1995 e 1996. Ano que vem, o Ferroviário estará na vitrine da Copa do Nordeste, uma das competições mais respeitadas do futebol brasileiro hoje em dia e ocasião melhor não há para homenagear o único treinador campeão cearense pelo Ferrão ainda vivo. Nada mais adequado e justo para um nordestino que foi artilheiro e simplesmente um vitorioso treinador no tão decantado bicampeonato do Ferrão para sempre lembrado. Fica a dica!

TREINADOR CORAL NO ESTADUAL DE 1970 FALECEU ONTEM EM FORTALEZA

Alexandre Nepomuceno faleceu em Fortaleza

Morreu ontem o ex-treinador coral Alexandre Nepomuceno. Natural da cidade de Aracati, ele tinha 82 anos de idade e foi enterrado em Fortaleza no dia de hoje. Profundamente identificado com o Ceará, clube em que atuou como jogador durante toda a carreira, Alexandre recebeu várias homenagens do futebol cearense como um todo. Como não poderia deixar de ser, o Almanaque do Ferrão presta uma justa lembrança aquele que foi o comandante técnico no inesquecível título estadual de 1970. Ex-técnico do Calouros do Ar, Alexandre Nepomuceno chegou para comandar o time coral em maio de 1970, durante o 2º turno do campeonato cearense. Levou o Ferrão ao título estadual em outubro daquela temporada. Permaneceu até maio do ano seguinte e retornou para a Barra do Ceará no campeonato cearense de 1972 numa passagem que durou aproximadamente dois meses. Ao todo foram 65 partidas como treinador do Ferroviário, sendo 35 vitórias, 20 empates e apenas 10 derrotas. Descanse em paz.

TEM ÍDOLO ETERNO NA ÁREA SÓ PARA PRESTIGIAR A GRANDE FINAL

Ex-lateral esquerdo Marcelo Veiga segura a camisa coral em meio aos jogadores do Ferroviário

Marcelo Veiga já foi tema de várias postagens aqui no blog. O maior lateral esquerdo que vestiu a camisa do Ferroviário segundo a campanha ´Time dos Sonhos`, autor do gol do título na conquista do campeonato cearense de 1988, está novamente em Fortaleza e por um motivo muito especial: veio prestigiar o Tubarão da Barra na finalíssima do campeonato estadual contra o Ceará. Na noite de ontem, ele esteve na concentração do Ferroviário dando uma palavra de apoio para os jogadores corais. Depois, participou de um jantar aberto à conselheiros e torcedores. Tirou muitas fotos, conversou sobre fatos de sua época no clube e mostrou-se simpático e atencioso com todos aqueles que o tem como ídolo eterno do Ferrão. Em conversa com o blog durante a semifinal contra o Fortaleza, Marcelo Veiga pregou aviso: ´Se o Ferrão for pra final, eu pego um avião e vou pro estádio torcer´. Cumpriu o prometido. Independente do resultado, a presença especial de um ídolo do passado nesse momento reforça o elo coral com a grandeza histórica do clube no contexto do próprio futebol cearense. E, convenhamos, ter ídolos vitoriosos que continuam ligados à instituição tantos anos depois, não é pra qualquer torcida. Marcelo Veiga defendeu o Ferrão entre 1988 e 1989, atuando em 79 jogos e marcando 13 gols. Além do Estadual de 88, foi campeão do Torneio Ciro Gomes no ano seguinte. Em homenagem à chegada do eterno ídolo coral, o Almanaque do Ferrão revirou o baú e buscou uma raridade em vídeo: um gol, de falta, do ex-lateral, marcado na decisão do 2º turno contra o Tiradentes, no Castelão, em 1988. E lá se vão quase 30 anos no tempo.

POR ONDE ANDA O XERIFÃO ARIMATÉIA CAMPEÃO EM 1988 ?

Ex-zagueiro Arimatéia esteve ontem em Fortaleza com a delegação do Guarani de Juazeiro

Foram 214 partidas com a camisa do Ferroviário. O zagueiro Arimatéia marcou época no time coral entre 1985 e 1989. Oriundo do Icasa/CE, favor não confundir com o seu homônimo, cria da base coral e já falecido, que atuou na década de 70. Estamos falando de José de Arimatéia da Silva, zagueiro titular que participou de 35 jogos no memorável título estadual de 1988. Você sabe por onde ele anda? Arimatéia mora em Juazeiro do Norte e vem atuando na função de preparador físico desde que pendurou as chuteiras. Trabalhou por um bom tempo no Icasa e depois de um 2016 parado para tratamento de saúde, ingressou no Guarani de Juazeiro, que faz boa campanha no Estadual desse ano. Há alguns anos, quando do falecimento de seu homônimo dos anos 70, Arimatéia disse que muita gente ficou assustada: “pensaram que tivesse sido eu e todo mundo me ligou preocupado, mas graças da Deus não era a minha vez“, disse em tom de brincadeira.

Uma das formações do Ferroviário no ano de 1988 – Em pé: Silmar, Serginho, Marcelo Veiga, Djalma, Alves e Arimatéia; Agachados: Arnaldo, Mazinho Loyola, Guina, Denô e Carlos Antônio

O Ferroviário está nas mais bonitas lembranças do ´xerifão` Arimatéia e de sua família. Foi certamente o time que ele mais se identificou durante sua trajetória no futebol, que envolveu ainda passagens pelo Fortaleza  e ABC de Natal. Em contato com o Almanaque do Ferrão, o ex-zagueiro coral recordou as boas campanhas principalmente das temporadas de 1985 e 1988, quando atuou ao lado de nomes como Arnaldo, Luizinho das Arábias, Vander, Denô, Vassil, Carlos Antônio, Marcelo Veiga e Cardosinho. Em mais de 200 partidas pelo Ferrão, engana-se quem pensa que Djalma e Juarez, companheiros inseparáveis no título de 88, estão na formação de zaga ideal para Arimatéia. “Foram dois excepcionais jogadores, mas o meu parceiro na zaga que me identifiquei bastante e joguei por mais tempo junto foi o paraense Léo, que veio do Remo/PA. A gente se entendia muito bem e formamos a dupla titular entre 85 e 87“, lembrou ele.

Além de ex-companheiros, Arimatéia puxou pela lembrança nomes de diretores e colaboradores do Ferroviário em seu período. Ficou surpreso quando soube do falecimento do ex-presidente Carlos Alberto Mota e falou com especial atenção sobre Caetano Bayma e Vicente Monteiro. O ex-defensor coral traz vivo na memória a lembrança de um gol muito importante que marcou em março de 89, no jogo decisivo do Torneio Ciro Gomes, contra o Ceará, exatamente no último minuto do jogo, forçando uma decisão por pênaltis que garantiu o título daquela competição para o Tubarão da Barra. De presente pra ele, o nosso blog reprisa acima aquele belo gol em mais um momento festivo para o Ferroviário vivido pelo zagueirão que marcou época no time coral.

RUY DO CEARÁ COMPLETOU 80 ANOS DE IDADE NA SEMANA PASSADA

Dr. Ruy: um dos maiores do futebol cearense

Ele é certamente um dos três maiores dirigentes da história do futebol cearense. Na semana passada, Ruy do Ceará, ex-diretor de futebol do Ferroviário Atlético Clube, completou 80 anos de vida. Infelizmente, poucos veículos de comunicação renderam-lhe homenagens. Lúcido e de uma memória invejável, Dr. Ruy participou ao vivo no último domingo de um programa esportivo da Rádio Assunção de Fortaleza, apresentado pelo radialista Paulo Santiago e que antecede à transmissão do jogo de futebol principal da rodada. Como não poderia deixar de ser, Ruy do Ceará recordou os bons momentos de sua trajetória no Ferroviário como os títulos estaduais de 1968, 1970 e 1979, bem como do seu trabalho de construção do patrimônio coral até hoje existente, além de evidenciar nomes de sua geração como Elzir Cabral, José Rego Filho e Chateaubriand Arrais. Foram cerca de 40 minutos de boas narrativas sobre o cotidiano coral de sua época. Disse ainda que costuma ir aos jogos mais importantes com os filhos e citou o clássico Ferroviário x Fortaleza como o tipo de jogo que ele gosta de estar presente. Poucas horas depois, o Ferrão fez 2×0 em cima do Fortaleza para alegria do aniversariante. Dr. Ruy é um dos nomes eternos do Ferrão.

O CARNAVAL DAVA A DICA DE O QUE SERIA CAPAZ DE PARAR JOMBREGA

Bloco ´Cordão das Coca Colas` no carnaval de Fortaleza fazia alusão à jogador do Ferroviário

O carnaval desse ano passou, mas deixou resgatado essa foto histórica de meados dos anos 40. O aviso foi do pesquisador Ciro Câmara, jornalista cearense apaixonado por futebol e, em particular, pela pesquisa esportiva. Era o ´Cordão das Coca-Colas`, antigo bloco carnavalesco de Fortaleza onde os homens se vestiam de mulher. Um dos rapazes ou das moças, como queiram, segura um placa com a frase: “Detefon para Jombrega“. Estaria ele se referindo ao grande artilheiro cearense Jombrega? Ciro Câmara aposta que sim e é muito provável que esteja certo. Jombrega chamava-se Francisco José Róseo de Oliveira e jogou no Fortaleza, Maguary, Ferroviário e até no Corinthians/SP, segundo dados do Almanaque do Timão, de autoria de Celso Unzelte. No Ferrão, Jombrega acumulou passagens entre 1940 e 1946, disputando 38 jogos e marcando 26 gols. Conquistou 2 títulos pelo Ferroviário: o Torneio Início e a Taça General Mascarenhas, ambos na temporada de 1940. Segundo interpretações, a placa indica o que poderia parar Jombrega, um verdadeiro fenômeno dentro dos campos de Fortaleza. Talvez só mesmo o Detefon, um dos principais e mais famosos inseticidas da época, muito comum na boca do povo até a década de 80. Lembrou do Detefon? Dá uma olhada na publicidade abaixo.