COISAS ESTRANHAS QUE MANCHAM PARA SEMPRE A SEGUNDA DIVISÃO

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Há muitos anos se fala nos bastidores do futebol cearense que a segunda divisão é um jogo de cartas marcadas. Que se escolhem os times que vão subir e a partir daí as coisas mais esquisitas começam a acontecer. Nunca duvide dessa história. Precisou o Ferroviário descer para a segunda divisão para vivenciar, na prática, as tradicionais esquisitices. Se há algo de positivo nisso, conta a favor o fato do clube, tradicional como é, atrair para o campeonato os holofotes da imprensa e da opinião pública em geral. Agora não há mais como esconder as famosas falcatruas que invariavelmente fazem essa competição terminar na justiça. Estão todos testemunhando os mais diversos tipos de aberrações que colocam o atual campeonato sob a mais alta contaminação e suspeita. Jogos decisivos decididos por WO em favor do Alto Santo, pontos igualmente concedidos por WO ao Ferroviário subtraídos sem razão plausível, dentre outras artimanhas que remontam ao século passado. É só o que se vê na Série B. O futebol cearense está de luto e com ele vem inexoravelmente o sentimento de vergonha e dor.

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Atletas corais: 40 pontos dentro de campo

A dor dos jogadores do Ferroviário, traduzidas em lágrimas que mais pareciam rios, após um empate em 2×2 com o líder Horizonte, que complicou a classificação coral para a primeira divisão, simbolizam o sentimento de frustração. Dentro de campo, a equipe coral conquistou 40 pontos em 19 jogos, frutos de 12 vitórias conseguidas à ferro e fogo. Nenhum ponto oriundo de artimanhas extracampo, todos conseguidos com lisura a partir de do ataque mais positivo com 57 gols marcados até a 19ª rodada. Disso o Ferroviário pode se orgulhar. O Alto Santo, o principal concorrente, que sofreu um revés de 5×0 para o Ferrão há cerca de um mês, chegou aos 41 pontos, sendo 6 deles conquistados nas últimas três rodadas a partir de canetadas da Federação Cearense de Futebol, oriundos de situações de WO em plena era do futebol profissional, no Século 21. Barbalha e Nova Russas foram os adversários que facilitaram a missão do Alto Santo. O primeiro, ao não pagar uma mísera taxa de arbitragem, teve sua derrota decretada por WO. Estranhíssimo o fato da equipe do Cariri não dispor de dinheiro para tal, mas conseguiu se deslocar sem problema algum em rodadas prévias e posteriores, com custos bem mais onerosos, para cumprir viagens fora de seus domínios. O segundo ficou barrado como mandante na porta do estádio com o Alto Santo, proibidos de entrarem porque não havia sido feito em tempo hábil a reserva da praça esportiva. Por que? Mais um WO gratuito para o concorrente à vaga para a Série A. Convenhamos, no futebol cearense o torcedor é o palhaço desse circo inteiro.

Torcida coral levou quase 3 mil torcedores ao PV

O circo de horrores não está apenas na atribuição de 6 pontos decisivos e gratuitos ao Alto Santo. Há relatos escritos de jogadores do Horizonte, que atrapalhou a vida coral na rodada passada com uma galhardia poucas vezes vista no futebol, do recebimento de uma gratificação estratosférica, a famosa mala branca, num valor nada comum inclusive entre os times da primeira divisão, com direito à representante do Alto Santo presente dentro do vestiário do Horizonte, no intervalo, dobrando a oferta inicial ao verificar que o clube perdia por 2×1 diante de quase 3 mil corais. Parece mesmo que fazer futebol com o apoio de prefeituras é tarefa fácil e interessante. Mais que isso, houve até ligação de um político famoso no estado do Ceará, com reduto na região onde se localiza a cidade de Alto Santo, para o alto escalão da Federação Cearense de Futebol. Sabe-se lá para que, mas não é difícil de imaginar. Como acreditar numa competição onde uma equipe fatura 6 valiosos pontos na reta final sem entrar em campo, enquanto pelo mesmo motivo o Ferroviário teve os 3 pontos de um WO, ainda nas rodadas iniciais, excluídos sem razão alguma pelo Tribunal de Justiça Desportiva?  Dois pesos e duas medidas? Só não vê quem não quer.

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Horizonte e Alto Santo programam a final

Os nobres leitores que acompanham esse blog, espalhados pelo mundo afora, dirão que nem tudo está perdido. Que ainda falta uma rodada e o Ferroviário pode contar com a sorte e reverter a situação. Basta ele vencer seu adversário, o indefectível Nova Russas, e o Alto Santo não vencer o Campo Grande. Futebol é uma caixinha de surpresas. Tudo pode acontecer, claro. Pois então o que estavam fazendo o presidente do Horizonte e o representante do Alto Santo trancados na sala da diretoria de competições da Federação Cearense de Futebol na tarde de ontem? Foram flagrados furtivamente discutindo detalhes para a finalíssima entre as duas equipes, que deverá ser realizada após a 20ª rodada, prevista para o feriado nacional, dia 26. Pouca vergonha é pouco para definir o encontro. Muitas outras coisas estranhas aconteceram durante o campeonato. Uma abertura de inquérito na esfera criminal seria um bom ponto de partida para mostrar ao público a verdadeira cara do futebol cearense. Ao que parece, o caminho da justiça é algo insofismável diante da artimanha de quem se acha acima do bem e do mal. Ao lado do Ferroviário Atlético Clube, como poucas vezes se viu em 83 anos de história, está a imprensa esportiva cearense, para evidenciar todos os fatos. A segunda divisão sofreu mais um viés de artimanhas extracampo, está completamente contaminada, e vai dar muito ainda o que falar nas barras dos tribunais pelo Brasil afora. O futebol cearense morreu mais um pouco no domingo passado. Conte isso para todos.

125 GOLS ASSINALADOS NUMA MESMA FOTOGRAFIA ANTIGA

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Nasa, Batistinha e Acássio antes de mais uma partida do Ferroviário no Estádio Elzir Cabral

O retrato de hoje equivale a 125 gols do Ferroviário marcados nos anos 90. Em foto histórica no Elzir Cabral, reveja três jogadores corais que marcaram época: o lateral direito/volante Nasa (76 jogos e 7 gols), o atacante Batistinha (80 jogos e 44 gols) e o meio campista Acássio (132 jogos e 74 gols). Um pernambucano, um piauiense e um bom baiano respectivamente. Depois de passarem pelo Ferrão, Acássio e Nasa atuaram pelo Vasco/RJ. Batistinha, cria do Flamengo/PI, jogou ainda em times tradicionais do futebol brasileiro como Vitória/BA, ABC/RN, Remo/PA e Santa Cruz/PE. Nomes eternos!

O PÊNALTI COBRADO POR MARCELO VEIGA QUE CALOU O CEARÁ

Sabe aquele jogo que a torcida adversária estava certa da vitória? O Almanaque do Ferrão volta até maio de 1988 e recorda uma situação dessa natureza. Ceará e Ferroviário se enfrentavam pelo 2º turno do campeonato cearense. Foi um domingo chuvoso em Fortaleza e o gramado do Castelão estava em péssimas condições. Duas semanas antes, o Tubarão da Barra havia massacrado o Fortaleza, mas o Ceará sempre endurecia as partidas. Foi mais uma vez um adversário complicado. O ponta direita Katinha marcou aos 38 minutos do 2º tempo para o alvinegro. Os sete minutos seguintes foram de uma certeza apenas: o Ferroviário não teria forças para reagir. Até que houve um escanteio, aos 45 minutos finais, e o zagueiro Arimatéia cabeceou no travessão. A bola voltou e o centroavante Jones, que estava na área para ajudar, tocou a bola com o braço. O árbitro Joacy Melo, incontinenti, marcou pênalti. Coube ao jovem Marcelo Veiga fazer a cobrança, o primeiro pênalti por ele batido naquele campeonato, que terminou justamente com um gol dele, também de pênalti, no jogo final contra o Fortaleza. Repare na alegria dos jogadores corais. Arimatéia se joga no chão após a confirmação da penalidade máxima. Marcelo Veiga comemora de forma inusitada. E o Ceará ficou só na vontade de vencer aquele time maravilhoso do Ferrão, um dos melhores da história.

CAMISA LARANJA GANHOU AS FAIXAS DO UNIFORME TRADICIONAL

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Ferroviário ontem em Itapajé: camisa laranja ganhou as listras do uniforme tradicional

A temporada de 2016 certamente será lembrada como o período que o Ferroviário utilizou uma nada usual camisa laranja em seu uniforme oficial. Pouca gente percebeu, mas ontem ela mudou um pouco de padrão. Diferente o modelo adotado no início da Série B do campeonato cearense, a inovação coral ganhou as tradicionais faixas vermelha e preta herdadas do uniforme padrão do clube. Mudança apropriada, certamente. Dentro de campo, a Laranja Coral ficou no 1×1 com o Itapajé, no Estádio Vieirão. As combinações dos resultados da rodada complicaram um pouco a vida coral na competição, mas o Tubarão da Barra continua dependendo só de si para voltar à elite estadual no ano que vem. Faltam 3 jogos, todos em casa, diante de sua torcida. É hora de apoio e incentivo.

AQUELAS MANHÃS DE DOMINGO NO CAMPEONATO BRASILEIRO DE 1997

Quem não lembra dos jogos disputados nas manhãs de domingo na Série C de 1997? O Ferrão fazia ótima campanha naquela edição do Brasileiro, caindo apenas para o Sampaio Correa/MA, que terminou como campeão da competição. Todo mundo tem na lembrança a classificação, nos pênaltis, contra o Confiança/SE, no Elzir Cabral, porém antes o Ferroviário precisou passar por um time do agreste de Pernambuco. O Almanaque do Ferrão volta no tempo e resgata o vídeo com o primeiro mata-mata daquele campeonato, contra o Porto de Caruaru, uma autêntica festa coral em seu próprio estádio, na manhã de 28 de setembro de 1997. Cantareli e Marcelo, que ficou conhecido como o ´Romarinho da Barra`, marcaram para o Ferrão. Marcelo Fumaça descontou para o time pernambucano num difícil placar de 2×1, diante de mais de 2000 torcedores presentes.

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Goleiro Fábio se destacou no Brasileiro da Série C de 1997 como goleiro titular do Ferroviário

Treinado por José Oliveira, o Ferroviário formou na partida com o futebol de Fábio, Chiquinho, Júnior Umirim, Carlos Silva e Naílton; Paulo Adriano, Marquinhos (Maírton), Cantareli e Garrinchinha (Zé Roberto); Somar (Betinho) e Marcelo. O Porto/PE jogou com Wanderley, Edson, Sandro, Mazinho e Arlindo; Democ, Sérgio, Maxwell (Serginho) e Ceará (Saulo); Marcelo Fumaça (Zé Carlos) e Galego. Um semana depois, em Caruaru, o Tubarão da Barra venceu o adversário novamente, por 1×0, com um gol de Paulinho Paiakan, e classificou-se para a fase do mata-mata contra o Confiança/SE. Por ironia dos caprichos do futebol, o jovem goleiro Fábio escreveu posteriormente seu nome como ídolo da tradicional equipe sergipana, atuando durante vários anos como titular. Há dois anos, ele pendurou suas luvas e chuteiras. Por hoje, ficamos com vídeo do jogo contra o Porto/PE. Quem sabe, em breve, postamos aqui os momentos contra o Confiança/SE.

REGISTRO DO DR. KITT RECEBENDO O LAUREADO TROFÉU BELFORT DUARTE

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Kitt recebendo o prêmio Belfort Duarte das mãos do árbitro Raimundo da Cunha Rôla

Em mais uma publicação da categoria ´Retratos`, o Almanaque do Ferrão presta uma justa homenagem ao famoso Dr. Kitt, ex-atacante do Ferroviário Atlético Clube entre 1956 e 1965, que abraçou uma belíssima carreira na medicina após pendurar as chuteiras. Na foto, ele recebe o Troféu Belfort Duarte das mãos do famoso árbitro Rolinha. A premiação era concedida no futebol brasileiro para jogadores que tivessem em suas carreiras uma longa sequência de jogos oficiais sem sofrer expulsões. Click mais que histórico.

A PRIMEIRA E ÚNICA VEZ DO FLAMENGO/RJ NO CASTELÃO

Hoje tem Flamengo/RJ jogando no Estádio Castelão. Infelizmente, seu adversário não será o Ferroviário, como em 1982. Os dois times se enfrentaram duas vezes no campeonato brasileiro daquele ano. O primeiro jogo, realizado no Maracanã, já até mereceu postagem especial aqui no blog em dezembro de 2014, inclusive com a exibição histórica dos dos 90 minutos na íntegra. Agora é a vez de recordar a segunda partida naquela temporada, em Fortaleza, com a vitória do rubro-negro carioca por 2×1. Assista o vídeo acima e recorde os gols de um dos confrontos mais emblemáticos da história coral. Foi a primeira e única vez que as duas equipes se enfrentaram no Castelão até hoje.

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Zé Limeira e Júnior no gramado

Diante de um público de 47.936 pagantes que foram ao Castelão na noite daquela quarta-feira, dia 10 de fevereiro de 1982, Ferrão e Flamengo/RJ fizeram um grande jogo. Dessa vez, o craque Zico passou em branco, mas Tita e Nunes marcaram para o time carioca. O lateral direito Paulo Maurício, de falta, marcou um belíssimo gol em cima do lendário goleiro Raul. A vitória não veio, mas o Tubarão da Barra vendeu caro a derrota. Sob o comando de José Oliveira, ex-atacante coral na década de 70, o Ferrão jogou com Barbiroto, Paulo Maurício, Goes, Zé Carlos e Jorge Henrique; Augusto (Almir), Meinha e Vicente Cruz; Paulo César Cascavel (Peres), Roberto Cearense e Alberto. O Flamengo, do treinador campeão mundial Paulo César Carpegiani, atuou com Rau, Leandro, Marinho, Mozer e Júnior; Andrade, Vítor e Zico; Tita, Nunes e Adílio. O jogo marcou a estreia oficial do veterano meia Peres, ex-São Paulo/SP, e do ponta esquerda Alberto, oriundo do Moto Clube/MA. Marcou também uma foto histórica de Zé Limeira, torcedor símbolo do Ferrão, com o lateral esquerdo Júnior do Flamengo. Obviamente não poderíamos deixar esse registro passar em branco no Almanaque do Ferrão, exatamente quando temos novamente o time de maior torcida do país na cidade.

VOCÊ SABIA QUE TÉCNICO FAHEL JÚNIOR FOI GOLEIRO DO FERRÃO?

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Treinador Fahel Júnior deixou recentemente o comando técnico do Confiança de Sergipe

Você conhece esse treinador? Ele foi demitido recentemente do Confiança/SE. Trata-se de José Herbert de Jesus Fahel Júnior, que nasceu em São Paulo, no dia 25 de novembro de 1963. A trajetória do técnico começou do outro lado do mundo. No Japão, foram 12 títulos em 11 anos. No Brasil, impediu que o Santo André/SP fosse rebaixado para a série C do Brasileiro e, em seguida, conquistou o Campeonato Paulista da Série A-2, em 2008, o que deu ao time o acesso à Série A-1. No futebol sergipano, Fahel  Júnior comandou também o River Plate entre 2011 e 2012. Ele foi goleiro do Ferrão. Você sabia?

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Vila Olímpica Elzir Cabral nos anos 80: palco do único jogo de Fahel Júnior no arco coral

Corria o ano de 1989 e o Ferroviário buscava um goleiro para rivalizar com o titular Albertino. A direção coral foi buscar Fahel no São Luiz/RS e ele foi apresentado à torcida coral, no PV, exatamente no dia que o Ferroviário foi campeão do Torneio Ciro Gomes, com direito a uma histórica entrevista do então prefeito de Fortaleza registrada aqui no blog há cerca dois anos. Duas semanas depois, Fahel estreou pelo time coral na primeira partida oficial do Ferrão em seu próprio estádio, no dia de São José, numa goleada de 6×0 em cima do Guarani de Juazeiro. Fahel entrou no segundo tempo quando o placar já estava definido. Foram os seus únicos momentos em campo com a camisa coral. Depois disso, nunca mais jogou. Ficou no banco em alguns jogos e depois rescindiu o contrato. Foi definitivamente uma passagem meteórica na Barra do Ceará, mas o Almanaque do Ferrão não deixa o registro passar em branco. Fique por dentro!

A ÚLTIMA VEZ QUE FERROVIÁRIO E MAGUARI LOTARAM O ESTÁDIO

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Ferroviário x Maguari: clássico nos anos 70

Hoje é o Dia do Trabalho e o Almanaque do Ferrão faz uma viagem no tempo até o dia 1º de maio de 1972. Há 44 anos, no PV, Ferroviário e Maguari, tradicionais adversários no futebol cearense, levaram pela última vez na história um grande público ao estádio. A disputa pela Taça 1º de Maio foi uma promoção gratuita para o trabalhador e 35.000 pessoas prestigiaram a vitória coral por 2×0 naquele feriado, gols de Zé Maria Paiva e Simplício. Nas cadeiras do estádio, a presença do Governador César Cals e do Prefeito Vicente Fialho. Foi o jogo 1.298 da trajetória coral, que teve Aldo Batista como árbitro. Treinado por Lucídio Pontes, o Ferrão atuou com Jurandir (Marcelino), Daniel, Hamilton Ayres, Gomes (Assis) e Vila Nova; Coca Cola e Zé Maria Paiva (Lucélio); Ilídio, Simplício (Luciano Amorim), Luizinho (Edilson Lopes) e Oliveira. O Maguari perdeu com Holanda, Wellington, Ivan Limeira, Gilson e Alexandre; Iris (Nilsinho) e Rubens Salim (Didi); Tony (Nei), Lucinho, Carlinhos (Chicletes) e Lalá (Miruca). Será que um dia voltaremos a ter esse antigo clássico revivido na primeira divisão? Atualmente, o Maguary encontra-se na terceira divisão cearense e o Ferroviário segue com boas chances de retornar à primeira divisão em 2017. Façam suas apostas.