ENCONTRO DE TIMES FERROVIÁRIOS NO BRASILEIRÃO COMPLETA 40 ANOS

No campeonato brasileiro de 1980, portanto há exatos 40 anos, o Ferroviário enfrentou uma equipe de origem ferroviária na segunda fase da competição. Foi a Desportiva do Espírito Santo, que venceu o primeiro jogo disputado na cidade de Vitória por 3×1 e, dentro do Castelão, também venceu pelo placar de 1×0, gol de Botelho. Acima, você confere o único gol do jogo em Fortaleza com imagens do programa dominical “Gols do Fantástico” da Rede Globo. Nunca mais as duas equipes voltaram a se enfrentar. Naquele domingo, o técnico interino José Oliveira mandou à campo a seguinte formação: Salvino, Antunes, Lúcio Sabiá, Nilo e Ricardo Fogueira; Celso Gavião, Jacinto (Serginho) e Bibi; Paulo Henrique, Almir e Geraldino Saravá (Hélio Sururu). Destaque para a presença de um grande artilheiro da história do Fortaleza no ataque coral: Geraldino Saravá, que fez apenas 5 jogos com a camisa do Ferrão. No Tubarão da Barra, os jogadores Antunes, Paulo Henrique e Serginho pertenciam ao Flamengo/RJ e estava emprestados. A Desportiva, do técnico Beto Pretti, jogou com Samuel, Toninho, Edson, Edmar e Vicente Paixão (Paulo Lampa); Evandro, Dario e Vicente Cruz; Botelho, Luís Cláudio e Zuza (Adauto). Além de Botelho, o destaque da equipe capixaba era o craque Vicente Cruz, camisa 10, que foi contratado pelo próprio Ferroviário para o campeonato brasileiro de 1982. O árbitro foi o carioca José Marçal Filho. O público foi de 2.597 pagantes naquele jogo realizado exatamente no mês de abril, quatro décadas atrás. E que beleza o corte do gramado do Castelão!

UM CLÁSSICO MEMORÁVEL CONTRA O CEARÁ NO CAMPEONATO DE 1980

O vídeo acima é uma autêntica raridade. São os gols, sem áudio, da vitória do Ferroviário contra o Ceará por 3×2 no campeonato cearense de 1980. O time coral abriu o marcador com o experiente ponta esquerda Marco Antônio, sofreu o empate com Gilson, passou novamente à frente no marcador com um gol contra da zaga alvinegra e, depois, o lateral direito João Carlos empatou para o Ceará. Tudo isso no primeiro tempo. Quando o jogo parecia que ia ficar no 2×2, o craque Jacinto, em grande fase, estufou as redes amarelas do Castelão e desempatou para o Ferrão na etapa final numa vitória muito comemorada naquele domingo, dia 26 de outubro. Treinado pelo experiente Lanzoninho, o Ferrão venceu com Salvino, Ramirez, Lúcio Sabiá, Celso Gavião e Jorge Henrique; Zé Maria (Jeová), Jacinto e Bibi; Osni (Sousa), Paulo César e Marco Antônio. O Ceará, do treinador Caiçara, perdeu com Dalmir, João Carlos, Pedro Basílio, Antônio Carlos e Bezerra; Nicássio (Nei), Ademir e Sidney; Getúlio, Gilson e Jorge Luís Cocota. A partida válida pela 1ª volta do 3º turno foi apitada por Joaquim Gregório e teve 4.843 pagantes. Até o final do ano, as duas equipes se enfrentaram outras vezes, sempre com grande emoção. Em novembro, o Ferrão derrotou novamente o alvinegro na partida que ficou conhecida como o ´jogo do terremoto` e, em dezembro, após um empate no tempo normal, o Ceará bateu o Ferrão com um gol na prorrogação e sagrou-se campeão. O Tubarão da Barra foi o vice.

FERROVIÁRIO JOGOU PELA PRIMEIRA VEZ NO MARACANÃ HÁ 40 ANOS

Treinador Aristóbulo Mesquita prepara o elenco para o jogo no Rio de Janeiro contra o Flamengo

Aconteceu numa quarta à noite, exatamente num 12 de março como hoje. Só que no ano de 1980, portanto há exatos 40 anos. O Ferroviário já tinha enfrentado o Flamengo/RJ três vezes anteriormente, mas nunca tinha jogado na cidade do Rio de Janeiro. O adversário carioca ainda não era campeão mundial, mas já havia montado o melhor elenco de sua história sob o comando do falecido Cláudio Coutinho. O Ferrão fazia boa campanha no campeonato brasileiro. Foi um jogo histórico apesar da derrota coral, televisionado para todo o estado do Ceará através da TV Verdes Mares. O goleador Almir foi o terceiro jogador de um time cearense a marcar um gol no lendário Maracanã. Antes dele, apenas Gildo e Geraldino Saravá haviam alcançado essa façanha. O Flamengo venceu por 2×1, com dois gols do ídolo Zico. No lance mais polêmico, o árbitro Hélio Corso marcou pênalti uma bola que bateu na mão do zagueiro Nilo. Treinado pelo cearense Aristóbulo Mesquita, o Ferroviário formou com SalvinoJorge Luís, Nilo, Celso Gavião e Ricardo Fogueira; Doca, Bibi e Nilsinho (Hélio Sururu); Ari (Haroldo), Almir e Babá. Já o time carioca venceu com Raul, Toninho, Rondinelli, Marinho e Júnior; Carpegiani, Adílio e Zico; Reinaldo, Tita (Andrade) e Carlos Henrique. Há alguns anos, essa memorável partida do Ferroviário virou até crônica intitulada ‘Dias de Glória no Maraca´, publicada numa das dez edições da Expresso Coral, revista oficial do Ferrão distribuída nas bancas de revistas entre janeiro de 2008 e abril de 2010. Depois desse jogo histórico contra o Flamengo de Zico, cujo os três gols do jogo você confere no vídeo abaixo, o Ferrão chegou a jogar apenas mais duas vezes no Maracanã, uma contra o próprio Flamengo em 1982 e a outra contra o Botafogo/RJ, em 1983. Curiosamente, coube ao próprio Almir marcar o gol do Tubarão da Barra na partida de 1983, se tornando até hoje o único jogador do clube a assinalar gols naquele que era o maior estádio do mundo. No jogo de 1982, sem Almir em campo, nenhum gol foi marcado pelo Tubarão da Barra.

RETROSPECTIVA DE TODOS OS JOGOS CONTRA O NÁUTICO/PE NA HISTÓRIA

Ferroviário em campo para enfrentar o Náutico/PE em jogo do campeonato brasileiro de 1980

Ferrão e Náutico não se enfrentam desde o campeonato brasileiro de 1983. Ao todo, foram 12 jogos entre ambos. O primeiro foi um amistoso em 1948 no PV, a primeira das duas únicas vitórias corais em cima do time pernambucano na história, que apresenta  inicialmente uma série de cinco amistosos, porém que reserva uma sequência maravilhosa de, nada mais, nada menos, sete jogos oficiais pela Série A do campeonato brasileiro entre 1980 e 1983. No próximo domingo, as duas equipes voltam a se enfrentar depois de 36 anos em jogo válido pela Série C nacional. Quem sabe o Ferrão não consegue reeditar o feito do time de 1982 que, num sábado à noite, bateu o Náutico dentro do estádio dos Aflitos? Vale citar também como curiosidade que, em 1983, quando se enfrentaram pela última vez, o centroavante da equipe pernambucana era ninguém menos que Mirandinha, cria coral da segunda metade dos anos 1970. Confira abaixo a sequência de jogos históricos entre Ferrão e Náutico/PE.

Jogo 01: 14/03/1948 – Ferroviário 3×1 Náutico/PE – Amistoso – PV
Jogo 02: 15/04/1951 – Ferroviário 0x0 Náutico/PE – Amistoso – PV
Jogo 03: 17/11/1957 – Ferroviário 1×2 Náutico/PE – Amistoso – PV
Jogo 04: 12/11/1960 – Ferroviário 0x2 Náutico/PE – Amistoso – PV
Jogo 05: 15/02/1962 – Ferroviário 0x4 Náutico/PE – Amistoso – PV
Jogo 06: 24/02/1980 – Náutico/PE 0x0 Ferroviário 0x0 – Brasileiro Série A – Arruda
Jogo 07: 15/03/1981 – Ferroviário 0x0 Náutico/PE – Brasileiro Série A – Castelão
Jogo 08: 04/04/1981 – Náutico/PE 0x3 Ferroviário – Brasileiro Série A – Arruda
Jogo 09: 17/01/1982 – Ferroviário 1×2 Náutico/PE – Brasileiro Série A – Castelão
Jogo 10: 04/02/1982 – Náutico/PE 2×3 Ferroviário – Brasileiro Série A – Aflitos
Jogo 11: 26/01/1983 – Náutico/PE 3×0 Ferroviário – Brasileiro Série A – Aflitos
Jogo 12: 06/03/1983 – Ferroviário 1×2 Náutico/PE – Brasileiro Série A – Castelão

EX-GOLEIRO SALVINO FALECEU NESSE FIM DE SEMANA EM FORTALEZA

Goleiro Salvino no Castelão em 1980

O ex-goleiro Salvino, um dos nomes mais conhecidos do futebol cearense, faleceu na noite do último sábado em Fortaleza. Há alguns anos, ele lutava contra problemas de saúde e sua situação complicou após uma parada cardíaca no início da semana. Depois de atuar por Sport/PE e Botafogo/PB, o Ferrão foi sua porta de entrada no futebol cearense. Contratado para a Série A do campeonato brasileiro de 1980, o goleiro coral manteve-se como titular praticamente durante toda a temporada, perdendo apenas a titularidade na reta final do Estadual de 1980 para o famoso tricampeão mundial Ado. No ano seguinte, reassumiu a condição de titular em outra edição da Série A nacional e no campeonato cearense. Em dois anos de clube, Salvino Damião Neto foi duas vezes vice-campeão estadual com a camisa do Ferrão, atuando 111 vezes pelo Tubarão da Barra. Sua primeira partida ocorreu no dia 26/01/1980 num amistoso contra a equipe suburbana do Santa Cruz de Fortaleza. Seu último jogo ocorreu exatamente na finalíssima do campeonato cearense de 1981, em 26 de novembro daquele ano, quando o Ceará marcou 1×0 na prorrogação e ficou com a taça de campeão. Depois, Salvino foi negociado com o Fortaleza, onde entrou para a história com títulos, à exemplo de sua vitoriosa passagem pelo Ceará em 1986. Em 1988, foi campeão do 2º turno do Estadual com a camisa do Tiradentes em cima do próprio Ferroviário. Na Barra do Ceará, Salvino será sempre lembrado como o goleiro que defendeu o clube nos confrontos mais memoráveis do Ferrão pela Série A nacional entre 1980 e 1981,  titular da meta coral contra times como Santos/SP, Ponte Preta/SP, Internacional/RS, Flamengo/RJ, Atlético/MG, Fluminense/RJ, São Paulo/SP, Cruzeiro/MG, entre outros. Que Deus acolha Salvino agora no reino dos céus porque na terra definitivamente ele  escreveu seu nome na história.

TUBARÃO DA BARRA VOLTA A JOGAR EM PORTO ALEGRE DEPOIS DE 38 ANOS

Estádio Beira Rio do Inter/RS em foto de 1980

Depois de vencer brilhantemente o São José/RS em Fortaleza pelo placar de 3×1, o Ferroviário volta a enfrentar o time gaúcho no próximo domingo, dessa vez no estádio Passo d´Areia, de propriedade do adversário, que fica na cidade de Porto Alegre. O jogo pode carimbar o passaporte coral para algo inédito em sua caminhada: uma final de campeonato brasileiro. Depois de quase quatro décadas, o Tubarão da Barra volta a atuar na capital do Rio Grande do Sul, o que ocorreu apenas uma única vez na história. Foi no dia 5/03/1980, no estádio Beira Rio, contra o Internacional/RS. O jogo foi válido pela Série A do campeonato nacional e terminou com a vitória apertada do time colorado pelo placar de 3×2, gols de Bira (2x) e Pompéia para o Inter, enquanto Nilsinho anotou os dois gols para o Ferroviário Atlético Clube.

Ronald Golias viu o jogo do Ferrão

Treinado por Aristóbulo Mesquita, o time coral perdeu com o futebol de Salvino, Jorge Henrique, Nilo, Celso Gavião e Ricardo Fogueira; Artur (Doca), Nilsinho e Bibi; Haroldo, Almir e Hélio Sururu. O Inter, do vitorioso técnico Ênio Andrade, formou com Gasperim, João Carlos, Mauro Pastor, Mauro Galvão e Cláudio Mineiro; Toninho, Jair e Tonho; Pompéia, Bira e Silvinho. O detalhe principal desse jogo histórico é que o Ferrão chegou a estabelecer 2×1 no placar no primeiro tempo e tomou a virada na etapa final graças à colaboração desastrosa do árbitro Renato Oliveira Braga, diante de um público de 11.077 pagantes naquele que foi o jogo de número 1.741 da trajetória coral. Vários jogadores foram às lágrimas diante da forma como o resultado aconteceu com os erros da arbitragem, que teve como testemunha ocular no Beira Rio o famoso artista brasileiro Ronald Golias, que resolveu prestigiar a partida em sua passagem pela capital gaúcha. Pra quem será que ele torceu naquela noite que marcou a primeira passagem do Ferrão em Porto Alegre?

FERRÃO ENFRENTOU ATÉ HOJE APENAS QUATRO TIMES GAÚCHOS

Matéria do Jornal O Povo destacando o importante amistoso do Ferroviário contra o Renner/RS

O São José/RS é o novo adversário do Ferroviário na semifinal do campeonato brasileiro da Série D de 2018. Você sabia que a centenária equipe de Porto Alegre é apenas o quinto adversário oriundo do Rio Grande do Sul a cruzar a vida do Tubarão da Barra? Antes dele, o Ferrão apenas enfrentou o Renner/RS, o Internacional/RS, o São Paulo/RS e o Brasil de Pelotas. O confronto com o já extinto Renner, um dos times mais poderosos da história do futebol gaúcho, se deu num amistoso em 27/11/1953 e teve a vitória da equipe do então atacante Ênio Andrade, que depois se consagrou como um grande treinador do futebol brasileiro. O placar foi de 2×1 e Nirtô marcou o único gol do Ferrão, que ainda colocou várias bolas na trave e merecia melhor sorte no jogo realizado no Presidente Vargas, em Fortaleza. Depois disso, o time coral levou décadas para viajar pela primeira vez até os Pampas e enfrentar mais uma equipe gaúcha, dessa vez no dia 05/03/1980, contra o forte Internacional de Porto Alegre, que era justamente o campeão brasileiro da temporada anterior. Na ocasião, o Ferroviário vendeu caro a derrota por 3×2 em pleno estádio Beira Rio, em jogo válido pela Série A do campeonato brasileiro de 1980.

Matéria do O Povo criticando o ataque coral na partida contra o São Paulo do Rio Grande do Sul

Na semana seguinte, em 16/03/1980, o Ferrão recebeu no PV a equipe do São Paulo da cidade de Rio Grande. Foi a primeira vitória coral diante de um adversário gaúcho. O placar apontou 1×0 com gol do meio campista Nilsinho, jogador oriundo do Tiradentes/CE e justamente o mesmo que havia marcado os dois gols corais na semana anterior contra o Internacional/RS, em Porto Alegre. Depois dessa partida, um novo embate com uma equipe gaúcha só veio a acontecer na Série C de 2006 em dois confrontos contra o Brasil de Pelotas, sendo uma vitória para cada time: 3×0 para os gaúchos no estádio Bento Freitas e o troco, também por 3×0, no PV, nos dias 28/10/2006 e 08/11/2006 respectivamente. Cristiano, Glaydstone e Everton marcaram os gols do Ferrão no jogo disputado em Fortaleza. Doze anos depois, que venha então o São José/RS, que tem por coincidência exatamente o nome do padroeiro do Ferroviário e que entra para a história como o quinto adversário gaúcho na vida coral.