LUISINHO E BETINHO DECISIVOS NUM CLÁSSICO DAS CORES EM 1982

Luisinho e Betinho foram duas ótimas contratações para o campeonato cearense de 1982. Os dois vieram do futebol pernambucano, mais precisamente do América e do Sport, respectivamente. O primeiro era um eficiente lateral esquerdo, já o segundo foi um meio campista de mão cheia, craque na verdadeira acepção da palavra. Experientes, ambos contribuíram bastante dentro de campo naquele ano e também na temporada seguinte. No vídeo acima, vemos os gols desses dois jogadores  contra o Fortaleza, num 19 de setembro como hoje, que terminou com a vitória coral por 2×1 no Castelão. No gol da vitória, Betinho acertou uma cabeçada certeira e decretou o resultado. Treinado pelo experiente Jálber Carvalho, o Tubarão da Barra formou com Hélio Show, Jorge Henrique, Artur, Goes e Luisinho; Doca, Meinha, Cacau e Betinho; Getúlio (Paulo César Cascavel) e Evaldo (Nilo). O adversário, treinado por Moésio Gomes, perdeu com Sérgio Monte, Roner, Lineu, Chagas e Clésio; Assis Paraíba, Romário (Miltão) e Zé Eduardo; Geraldinho, Adilton e Edmar (Viegas). Hoje em dia, o inesquecível ídolo Betinho mora em Recife e enfrenta problemas de saúde. Por sua vez, Luisinho trabalhou nas categorias de base do Ferrão há pouco mais de dez anos. São dois nomes pernambucanos para sempre na história do Ferroviário Atlético Clube.

DIA DE COMEMORAR MAIS UM ANIVERSÁRIO DO TÍTULO DE 1979

Capa do Correio do Ceará em 1979

Em 1979, num inesquecível domingo, dia 16 de setembro, o Ferroviário bateu o Fortaleza por 3×0 e conquistou o seu sexto título estadual na história. Os gols da peleja já mereceram postagens anteriores aqui no blog, tanto na rara recuperação do vídeo, como no resgaste do áudio histórico durante a transmissão da Rádio Verdes Mares de Fortaleza. Em mais um aniversário daquela conquista, quarenta e um anos depois, destacamos hoje a capa do extinto Correio do Ceará, um dos jornais mais tradicionais do estado até aquela década. Com o título “Campeão Merecidamente“, o famoso periódico estampou a foto da formação que entrou em campo naquela decisão, com o goleiro Edmundo substituindo Cícero Capacete, suspenso, e Jorge Henrique no posto do lateral esquerdo Ricardo Fogueira, expulso no jogo anterior. Em 1979, o Ceará tentava o propalado e inédito pentacampeonato, mas acabou encontrando o Ferrão no caminho e o teve como verdadeiro algoz, sobretudo no histórico confronto realizado quatro dias antes da partida decisiva contra o Fortaleza, confronto este que até hoje é lembrado nos estádios do futebol cearense. Vale lembrar que o Ferrão teve quatro treinadores naquela campanha: Pedrinho Rodrigues, 15 jogos, José Oliveira, 6 partidas, Urubatão Nunes, 23 jogos e César Moraes nos 8 últimos jogos da competição, terminando como o grande campeão. Dos 52 jogos no campeonato cearense, os atacantes Paulo César e Dedé, ambos com 46 apresentações, foram os que mais entraram em campo com a camisa coral. Os jovens Edson e Haroldo foram os que jogaram menos. Cada um entrou em campo uma única vez naquela competição. O legendário Paulo César foi o grande artilheiro do certame com 29 gols.

CLICK NO TIME QUE DEU UM VAREIO DE BOLA NO FORTALEZA EM 1988

Ferrão em 1988: Em pé: Laércio, Djalma, Serginho, Arimatéia, Toninho Barrote e Marcelo Veiga; Agachados: Mazinho Loyola, Denô, Guina, Arnaldo e Beto Andrade

O registro fotográfico acima mostra o momento em que o Ferroviário perfilou em campo para jogar contra o Fortaleza em mais um clássico do campeonato cearense de 1988. Quando a bola rolou, essa onzena deu um autêntico vareio de bola no adversário, enfiando 3×0 ainda no primeiro tempo. Na etapa final, o Fortaleza esboçou uma reação, mas o Ferrão deu novamente as cartas e marcou o quarto gol, de bela feitura, fechando o placar em 4×2. Era a estreia do centroavante Guina, campeão sul matogrossense pelo Operário nas duas temporadas anteriores, e cedido ao Tubarão da Barra, por empréstimo, pelo Palmeiras/SP. Em seu primeiro jogo, o atacante paulista deixou sua marca na meta tricolor. O meio campista Denô esbanjou futebol nessa partida, comandando com Arnaldo a distribuição das jogadas para o ataque coral. O ponta esquerda Beto Andrade foi outro destaque no jogo. Mazinho Loyola fez um belo gol, de peixinho. Mais de três décadas depois, o velho retrato disponibilizado eterniza uma das maiores apresentações corais no Castelão. Justamente por isso, vale a pena postar abaixo, mais uma vez, o vídeo com os melhores momentos daquele jogo.

LUIZINHO DAS ARÁBIAS E UM GOL DA VITÓRIA CONTRA O FORTALEZA

A temporada de 1985 foi de ouro para o centroavante Luizinho das Arábias. Ele foi o artilheiro do campeonato cearense com 24 gols e um dos maiores goleadores dos Estaduais pelo Brasil, empatado com o atacante Bill, do Atlético/GO, que marcou o mesmo número de tentos. Em julho daquele ano, o nosso ídolo enfrentou seu ex-clube, o Fortaleza, e decidiu a parada em favor do Tubarão da Barra por 1×0. Acima, você confere esse gol em vídeo resgatado pelo pesquisador Zidney Marinho. Foi o primeiro gol de Luizinho em cima do tradicional adversário, fato este que se repetiu outras quatro vezes naquele certame. Treinado por Caiçara, o Ferrão bateu o Leão com o futebol de Wálter, Laércio, Arimatéia, Léo e Clésio; Nélson, Alex e Adilton; Cardosinho (Foguinho), Luizinho das Arábias e Carlos Antônio. Já o Fortaleza, comandado pelo ex-lateral direito Louro, jogou com Salvino, João Carlos, Pedro Basílio, Perivaldo e Marcelo; Wilson, Jacinto e Buíque; Amilton Rocha (Ernílson), Celso e Ribamar (Batista). Naquele domingo de vitória coral, o jogo foi arbitrado por Leandro Serpa e marcou a estreia do zagueiro Léo, contratado pelo Ferrão junto ao Remo/PA. Sob a presidência do empresário Caetano Bayma, aquela formação coral foi um dos maiores elencos já montados em toda história do Ferroviário Atlético Clube, só não sendo campeã ao final da temporada em razão de uma sequência de erros de arbitragem.

GOL DE OLIVEIRA CEARÁ E MORTE DE TORCEDOR CORAL NO CASTELÃO

Oliveira Piauí vai pra cima do Fortaleza sob o olhar do zagueiro Arimatéia e do goleiro Giordano

Naquele domingo de 24 de julho de 1977, enquanto o Brasil inteiro tomava conhecimento do famoso caso de assassinato da jovem carioca Cláudia Lessin Rodrigues, Ferroviário e Fortaleza faziam um Clássico das Cores também com clima de tragicidade. Com gols de Oliveira e Alzir, o time coral bateu o Leão por 2×1 no Castelão. Geraldinho marcou o único gol do adversário. O acontecimento trágico da partida aconteceu no momento do gol do meia atacante Oliveira, logo aos 11 minutos de partida. Possivelmente emocionado com o tento coral, o torcedor Lauro Oliveira Martins passou mal e faleceu nas arquibancadas do estádio. De nada adiantaram os primeiros socorros promovidos por torcedores que estavam ao seu redor. Foi uma vitória conseguida com um jogador a menos, já que Kalu foi expulso pelo árbitro Leandro Serpa. O meio campista Joel Maneca, jogador de uma capacidade técnica reconhecida, foi considerado o melhor em campo. Treinado por Pedrinho Rodrigues, o Ferrão venceu com Giordano, Bassi, Lúcio Sabiá, Arimatéia e Grilo; Joel Maneca  e Danilo Baratinha; Kalu, Oliveira, Oliveira Piauí (Alzir) e Babá (Paulo César Feio). O Fortaleza, treinado por Moésio Gomes, formou com Lulinha, Alexandre, Ivan Limeira, Adalberto e Paulo Maurício; Ubiranir (Lucinho) e Bibi; Geraldinho, Amilton Melo, Geraldino Saravá (Gildásio) e Dudé. O público do jogo foi de 8.489 pagantes. O zagueiro Ivan Limeira, do Fortaleza, havia jogado no Ferroviário na temporada de 1971 e era irmão do folclórico Zé Limeira, famoso torcedor coral falecido em 2004. No Ferrão, o goleador Oliveira, também conhecido como Oliveira Ceará por causa da presença de outro jogador com o mesmo nome, Oliveira Piauí, trabalhou por décadas no clube como supervisor e treinador, passando a adotar o nome José Oliveira.

LEMBRANÇA DA PRIMEIRA VITÓRIA CONTRA O FORTALEZA NO CASTELÃO

Goleador Lula

Hoje são 2 de julho. Nesse mesmo dia, na temporada de 1975, o Ferroviário batia o Fortaleza pela primeira vez atuando no Castelão, com um gol solitário do atacante Lula. O jogo foi válido pelo 2º turno do campeonato cearense e teve o pernambucano Sebastião Rufino como árbitro, perante um público de 11.337 pagantes. O time tricolor era o bicampeão cearense daquele momento, mas não foi páreo para o Tubarão da Barra, treinado por William Pontes. A derrota alijou o Fortaleza de qualquer pretensão de conquistar aquele turno. A vitória coral foi construída com a seguinte formação: Pedrinho, Paulo Tavares, Lúcio Sabiá, Cândido e César; Aucélio e Oliveira; Vanderley, Erandy, Lula e Jeová (Vicente). O adversário, treinado por Moésio Gomes, jogou com Lulinha, Alexandre, Ozires, Nena e Roner; Jeová (Zé Raimundo), Lucinho e Zé Carlos; Luizinho, Amilton Melo e Geraldino Saravá (Dario). O goleador Lula entrou pra história naquele jogo com o gol da vitória. Contratado junto ao Potiguar/RN, ele vestiu a camisa coral em 89 jogos entre 1974 e 1977. Marcou 44 gols no total pelo Ferrão. Naquele mesmo ano de 1975, o jovem Lula terminou o ano como o principal artilheiro do campeonato estadual com 8 gols assinalados.

REGISTRO DO FERROVIÁRIO NO CAMPEONATO CEARENSE DE 2001

Ferroviário Atlético Clube em 2001 – Em pé: Aderson, Hilton, Rogério Carioca, Alencar, Paulo Adriano e Adão; Agachados: Maradona, Zé Carlos Vampeta, Buiú, Dino e Roberto Juazeiro

Mais uma registro do Ferroviário perfilado, dessa vez o time de 2001, antes de um confronto contra o Fortaleza, no PV, em maio daquele ano. Foto diretamente do acervo do preparador físico Fábio Monte, que aparece ao lado do centroavante Adão na imagem. Outros integrantes do clube aparecem também, como o preparador de goleiros Pepe, o roupeiro Aldir, o massagista Fran, agachado, e o diretor de futebol Oliveira, todos situados à esquerda na fotografia. Do lado direito, é possível ver ainda o preparador físico Clovandi Costa. Trata-se de um registro de uma época bastante complicada para estes profissionais, que conviviam com atrasos de salários constantes, greves e falta de uma melhor estrutura para disputar as competições. A prova disso é que o Tubarão da Barra terminou o campeonato cearense de 2001 apenas na sexta colocação, com 23 pontos conquistados. Na temporada anterior, o Ferrão havia lutado contra o rebaixamento no Estadual pela primeira vez em sua história, fato este que se repetiu algumas vezes pelos próximos treze anos.

GOLAÇO DE BRANCO NA FINAL DE TURNO CONTRA O FORTALEZA

Assista o vídeo acima com atenção. Há um quarto de século, ele estava guardado no baú do Almanaque do Ferrão e agora chega ao blog após insistentes pedidos. Trata-se da matéria da TV Verdes Mares do jogo final do 3º turno do campeonato cearense de 1995. Ferroviário e Fortaleza faziam a decisão. Aos 32 minutos da etapa final, o lateral  esquerdo Branco chutou de fora da área e fez o gol do título. Branco foi titular nos Estaduais de 1993 e 1994, mas perdeu a posição para João Marcelo em 1995. Na partida decisiva contra o Fortaleza, Branco havia acabado de entrar em campo, substituindo justamente o lateral titular. O gol de Branco eliminou o Tricolor do Pici do campeonato e garantiu ao Ferrão a chance de jogar por um simples empate contra o Icasa na final do certame, que valeu ao Tubarão da Barra o inédito bicampeonato. Naquela quinta-feira à noite, véspera de feriado, 12.166 pagantes foram ao PV. As duas torcidas dividiram o estádio meio a meio. O treinador Ramon Ramos lançou o Ferrão com Jorge Luiz, Biriba, Santos, Batista e João Marcelo (Branco); Paulo Adriano, Hílton (Piti), Acássio e Esquerdinha; Robério (Nasa) e Reginaldo. O Fortaleza, do técnico Danilo Augusto, perdeu com Souza, Gaúcho (Luciano Melado), Rau, Eduardo e Adriano; Odair, Marquinhos e Darley; Vivinho, Mirandinha (Zé Raimundo) e Serrinha. Dacildo Mourão foi o árbitro da partida. Ao final do jogo, Paulo Adriano levantou o troféu, já que o capitão Ricardo Lima estava suspenso. Na matéria acima, vemos também o atacante Piti, que foi bastante útil naquela campanha. Sem dúvida alguma, um jogo marcante na gloriosa história coral, agora eternizado no Almanaque do Ferrão.

CRÔNICA SOBRE O FERROVIÁRIO NA ESPORTE ILUSTRADO EM 1946

A revista Esporte Ilustrado foi uma importante publicação no Brasil entre 1920 e 1956. Dez anos antes de ser extinta, uma crônica escrita por Índio do Jaguaribe figurou nas páginas da revista versando sobre dois títulos recentes da equipe que representava a Rede de Viação Cearense, a saudosa RVC. Em meio ao texto, o registro fotográfico das formações campeãs do campeonato cearense de 1945 e do Torneio Início de 1946, quando o Ferroviário recebeu a taça que levava o nome do médico, ex-deputado estadual e constituinte Honório Correia Pinto. Na final do Estadual de 1945, a vítima foi o Maguari, que acabou desativando sua equipe de futebol depois da derrota inesperada. Por sua vez, o Fortaleza foi o adversário na final do Torneio Início de 1946. As decisões aconteceram no gramado do PV. Vale a pena conferir a matéria acima e recordar nomes grandiosos dos primórdios da história coral. Muito embora a revista falasse em bicampeonato estadual para o Ferroviário, ele só veio meio século depois.

VITÓRIA DE VIRADA COM GOL DECISIVO DO PELÉ DO NORDESTE

Confira o vídeo acima. É um Clássico das Cores em agosto de 1981. O Fortaleza fez 2×0 logo aos 16 minutos do primeiro tempo. O Ferrão voltou na etapa final disposto a mudar o rumo do jogo e conseguiu uma vitória histórica com gols de Meinha, Jangada e Sima, o Pelé do Nordeste. Assim era a alcunha do craque piauiense Sima, que o Ferroviário foi buscar por empréstimo junto ao River/PI no momento em que negociou em definitivo o ídolo Jacinto para o Cruzeiro/MG. Sima não chegou a brilhar na Barra do Ceará, mas foi um grande nome do futebol nordestino a vestir a gloriosa camisa coral em 38 partidas em 1981. Naquela tarde no Castelão, o habilidoso Sima resolveu a parada a favor do Tubarão da Barra, marcando um belo gol no clássico, que marcou a estreia do zagueiro gaúcho Darci Munique. Repare que na etapa inicial foram utilizadas as camisas com listras na diagonal. No segundo tempo, os jogadores vestiram a camisa tradicional da época que trazia exatamente três listras na horizontal.

Registro da emoção dos jogadores corais após Jangada marcar o gol de empate no Castelão

Depois da saída do treinador uruguaio Juan Alvarez um mês antes, o Ferrão era treinado por Moésio Gomes. Naquele domingo, ele mandou à campo a seguinte formação: Salvino, Laércio (Jorge Bonga), Darci Munique, Nilo e Jorge Henrique; Doca, Meinha e Sima; Jangada, Paulo César Cascavel e Paulinho (Babá). O Fortaleza do técnico Jálber Carvalho jogou com Sérgio Monte, Alexandre, Artur, Lineu e Clésio; Chinesinho (Pinheirense), Odilon e Jadir (Dedé); Mazolinha, Evilásio e Dudé. Os gols do tricolor foram marcados por Evilásio e Mazolinha. O jogo aconteceu no Castelão e teve um público de 10.101 pagantes. A partida foi dirigida por Luis Vieira Vila Nova.

Sima no Ferroviário

Na equipe coral, além do zagueiro estreante Darci Munique, destaque para o jovem lateral direito Laércio, que disputava apenas seu segundo Clássico das Cores na categoria profissional, bem como a presença do ponta esquerda Paulinho, ele que havia sido cedido pelo Cruzeiro na negociação que envolveu a compra do passe do craque Jacinto. Porém, os holofotes do jogo ficaram mesmo em cima do piauiense Sima, que decidiu o jogo. Simão Teles Bacelar é seu nome completo. Ele reside hoje em Teresina, onde foi dez vezes campeão estadual e onze vezes artilheiro do campeonato piauiense. A foto ao lado é um dos raros registros do jogador com a gloriosa camisa do Ferroviário de listras diagonais utilizada em 1981. No mês passado, Sima completou 72 anos de idade. Sua carreira no futebol teve início em 1966 no Piauí Esporte Clube e durou até a temporada de 1987, quando pendurou as chuteiras defendendo mais uma vez o River. Em 2014, Sima ganhou uma grande homenagem: a versão regional do Prêmio Arthur Friedenreich, dado anualmente ao artilheiro do Nordeste na temporada, recebeu o nome de Prêmio Sima exatamente em reconhecimento ao seu talento como craque e goleador.