HOMENAGEM CORAL AO MAIOR CRAQUE DO FERRÃO NOS ANOS 1990

Terceiro copo da coleção Legendários será vendido no jogo contra o Treze/PB na Arena Castelão

Que o ex-jogador Acássio teve uma passagem magistral pelo Ferroviário Atlético Clube na década de 1990, todo o futebol cearense sabe. O que ninguém sabia é motivo, agora, de reconhecimento por parte do clube e coloca o ex-craque na condição de ´Legendário` na série de copos colecionáveis lançados pela direção de marketing durante a atual temporada. O baiano bom de bola é simplesmente o ex-atleta coral que mais gols marcou na dupla Ceará e Fortaleza, contabilizados todos os clássicos estaduais da história. Foram 26 gols anotados na rede dos dois tradicionais rivais, superando a marca de grandes artilheiros e nomes históricos do Ferrão como Amilton Melo (7 gols), Pacoti (9 gols), Luizinho das Arábias (10 gols), Batistinha (9 gols), Macaco (21 gols), Fernando (22 gols), Zé de Melo (19 gols), Paulo César (12 gols), Jorge Veras (14 gols), Betinho (14 gols), Pipi (20 gols), entre outros. Ninguém fez mais gols que Acássio em clássicos estaduais vestindo a camisa coral, numa passagem que durou de 1993 a 1998, sendo 132 jogos e 74 gols marcados no total. Estamos falando simplesmente do maior craque do futebol cearense na década de 1990.

Imagem de divulgação do novo copo do Ferrão

Para fins de comparação, peguemos os dois maiores jogadores dos rivais, mais ou menos, no mesmo período: Sérgio Alves e Clodoaldo. Sérgio Alves foi cantado em prosa e verso como o “carrasco” do Fortaleza vestindo a camisa do Ceará. Ele marcou 30 gols em clássicos estaduais, sendo 22 contra o Leão e 8 contra o Ferrão. Já Clodoaldo, ídolo do Fortaleza, marcou 32 gols em clássicos, sendo 14 contra o Ferrão e 18 contra o Ceará. Dos 26 gols de Acássio em clássicos, 6 foram contra o Ceará e, simplesmente, 20 foram contra o Fortaleza. Acássio é igualmente carrasco do Fortaleza, segundo os números. Leve-se ainda em consideração que Acássio, entre os três, é o que tem menos jogos pelo seu clube, pois no período de cinco anos que esteve no Ferrão, sempre despertou o interesse de equipes de outros estados, acumulando saídas por empréstimo para o Sport de Recife, Vasco da Gama e até para o futebol da Tunísia. Sérgio Alves também teve destaque em outros times do futebol brasileiro onde foi ídolo, jogou na Europa e também no Ferrão, numa memorável equipe na temporada de 2006. Já o Fortaleza foi o único time brasileiro onde Clodoaldo obteve destaque, onde será tratado eternamente como ídolo. Vale lembrar que ele jogou no Ferrão no final da carreira.

Acássio dando entrevista no PV

Por fim, os números descobertos sobre a excelente performance do craque Acássio contra Ceará e Fortaleza o qualificam para a coleção ´Legendários` da primeira edição de copos colecionáveis do Ferrão na história. Todo mundo sabia que o meia atacante baiano teve uma passagem simplesmente genial, ele já até mereceu postagem aqui no blog, só não se sabia o peso dos números incontestáveis que o qualificam para estampar o terceiro número dos copos do Ferrão à venda, no próximo dia 10, contra o Treze/PB, em jogo válido pela Série C do campeonato brasileiro desse ano. Quer matar a saudade de Acássio e seus gols? Vale a pena reprisar o vídeo abaixo. É cada golaço que raramente se vê hoje no futebol brasileiro. Acássio foi craque e é legendário! Quem duvidar disso não entende nada de futebol.

MAIS UM ESTADUAL E O FERROVIÁRIO DE 1968 SEGUE O ÚLTIMO INVICTO

Expresso Coral sobre o título de 1968

Hoje, o Fortaleza fez 2×0 no Ceará no primeiro jogo da final do campeonato cearense de 2019. O alvinegro seguia invicto na competição e havia sério risco de finalmente vermos quebrada a hegemonia do Ferroviário campeão cearense de 1968, reconhecido há 51 anos no futebol alencarino como o ´último invicto`. Nesse quesito, as chances do Ceará nesse ano aumentaram ainda mais porque ele, e o Fortaleza, só entraram na disputa do Estadual após os jogos de oito clubes pelo primeiro turno, fruto de um calendário nacional mais desorganizado do que nunca e que acaba desnivelando o princípio da equidade entre as equipes que disputam a mesma competição, algo tão básico e extremamente necessário para a justiça nos resultados esportivos. Onze anos atrás, a então revista oficial do clube, a Expresso Coral, trazia em suas páginas uma ampla revisão sobre o último título invicto do futebol cearense. Pelo visto, a já rara edição da publicação continua mais atual do que nunca. Além disso, Ruy do Ceará e José Rego Filho, lendários dirigentes corais naquela memorável façanha, vão poder continuar tomando banho de piscina tranquilamente. Merecidamente.

Ruy e José Rego: a tranquilidade de quem só observa os adversários tentarem, tentarem, tentarem

REGISTRO FOTOGRÁFICO DO GOLEIRO BARBIROTO NA TEMPORADA DE 1989

Goleiro Barbiroto do Ferrão e Marquinhos Capivara, atacante do Ceará, em registro de 1989

Registro fotográfico de 30 anos atrás, época em que o Ferroviário disputou a Copa do Brasil pela primeira vez na história. Seu adversário foi o Goiás/GO e o arqueiro coral naquela competição foi o paulista Barbiroto, que enfrentou justamente a equipe a qual havia defendido na temporada de 1978. Na imagem de 1989, o já veterano goleiro do Ferrão aparece com o atacante Marquinhos Capivara do Ceará, um velho conhecido do futebol paulista. Era a terceira passagem de Barbiroto pelo Ferroviário. A primeira foi rápida, no início de 1981, quando somente treinou e rapidamente deixou o grupo. Novamente emprestado pelo São Paulo/SP, a segunda foi em 1982 e marcou a titularidade com grandes atuações no arco coral nas disputas da Taça de Ouro, competição equivalente à atual Série A do campeonato brasileiro, quando enfrentamos os principais times do país, como o Flamengo/RJ em jogo que já mostramos o vídeo na íntegra aqui no blog. Barbiroto faz 60 anos de idade em setembro desse ano.

DEPOIS DE 24 ANOS, FERRÃO VOLTA A LEVANTAR UMA TAÇA NO CASTELÃO

Depois de um início complicado em 2019, o Ferroviário engatou duas vitórias no campeonato cearense e levantou a moral na temporada. Domingo passado, o time coral enfrentou o Ceará pela Taça dos Campeões e, mesmo com a folha salarial milionária do adversário, o Ferrão fez 1×0 e voltou a levantar uma taça no Castelão depois de 24 anos. A última vez havia sido em dezembro de 1994. O vídeo acima com as imagens da TV Verdes Mares eterniza mais uma conquista do Tubarão da Barra. Aos 41 minutos do primeiro tempo, o zagueiro Da Silva, de cabeça, marcou o gol que garantiu mais um troféu para o memorial que está sendo construído na Barra do Ceará. Depois de conquistar um campeonato brasileiro em agosto e uma copa estadual em novembro, esse foi o terceiro título coral em apenas cinco meses. Nada mal para quem vivia um jejum de mais de duas décadas. O momento é coral! E que esse momento seja bem aproveitado para uma consolidação do novo patamar no cenário nacional.

O DOMINGO QUE O CRAQUE BETINHO ELIMINOU O CEARÁ DO CAMPEONATO

De um dezembro do presente para um domingo de dezembro do passado, mais precisamente o de 4 de dezembro de 1983, quando o Ferrão despachou o Ceará do campeonato cearense daquele ano com dois gols do craque eterno Betinho. Recuperamos acima o vídeo da TV Globo com os gols do jogo e por ele é possível perceber como o time coral era azeitado na reta final do certame de trinta e cinco anos atrás. Repare na escalação do jogo: Dário, Laércio, Israel, Nilo e Fraga (Luisinho); Doca, Edson, Paulinho Lamparina e Betinho; Chicão (Paulo César Cascavel) e Jorge Veras. O treinador coral era o já falecido Newton Albuquerque. Preste atenção agora na escala alvinegra, repleta de jogadores rodados em grandes times do futebol brasileiro: Paulo Goulart, João Carlos, Djalma, Eraldo e Everaldo; Alves, Vicente Cruz (Jacinto) e Aloísio Guerreiro; Katinha, Marciano e Zezé (Paulinho). O treinador era o pernambucano Lula, famoso ex-atacante do Internacional/RS e do Fluminense/RJ, que curiosamente era técnico do Ferroviário até três meses antes dessa partida histórica.

Betinho: craque

Também é curioso notar a presença de ex-corais na escalação do Ceará como os meias Vicente Cruz e o craque Jacinto, negociado com o Cruzeiro/MG dois anos antes. Djalma, Everaldo e Alves jogariam ainda no Ferroviário em temporadas seguintes. O goleiro Paulo Goulart e ponta esquerda Zezé tinha sido campeões pelo Fluminense/RJ no campeonato carioca de 1980, Katinha vinha do Vasco/RJ e Marciano era um veterano atacante perigosíssimo com passagem pelo Flamengo/RJ. O Ceará tinha ainda Aloísio Guerreiro, ex-Santos/SP, presente em um dos jogos corais mais memoráveis da história quatro anos antes. O placar desse jogo de 1983 só não foi mais dilatado porque o goleiro alvinegro estava num dia inspirado. Foi a partida 1.991 da história coral e contou com a presença de 13.207 pagantes. Luís Vieira Vila Nova apitou o jogo. Apenas nove dias depois, esse time do Ferroviário acabou ficando com o vice-campeonato estadual ao perder a final para o Fortaleza, que tinha um time considerado o melhor de todos em sua história já centenária. Tempo bom de um futebol cearense cheio de histórias gigantes e maravilhosas.

ARGEU DOS SANTOS SE FOI MAS DEIXOU UMA MARCA HISTÓRICA

Treinador Argeu dos Santos em foto comandando o Ferroviário no campeonato cearense de 1998

Não poderíamos deixar de registrar as condolências pelo falecimento do ex-treinador Argeu dos Santos. Na imagem acima é possível ver o então técnico coral no comando da equipe vice-campeã cearense de 1998. Argeu faleceu nesse mês de outubro depois de lutar muito tempo contra um câncer de próstata. Depois de passagens gloriosas como zagueiro de Ceará e Fortaleza, Argeu chegou pela primeira vez no Ferroviário como jogador para disputar o campeonato cearense de 1993. Já veterano, fez parte de um elenco fraco e esteve na zaga coral, ao lado de Evilásio, na vexatória derrota por 9×1 para o Ceará em fevereiro daquele ano. Foram apenas 11 jogos com a camisa coral em três meses de clube. Cinco anos depois, retornou como técnico do Ferrão e levou sua equipe ao vice campeonato estadual de 1998, tendo ainda uma polêmica passagem na temporada de 2002 durante apenas dois jogos no campeonato brasileiro da Série C. Após vencer River/PI e Maranhão/MA, ambos fora de casa, foi demitido da equipe por problemas na viagem de retorno de São Luis para Fortaleza. Comandou o Ferrão em 49 partidas, sendo 31 vitórias, 9 empates e 9 derrotas, o que lhe valeu a expressiva performance histórica de 63% de resultados vitoriosos enquanto esteve à beira do gramado no comando coral. Sem dúvida, um percentual bastante positivo, poucas vezes visto no esporte, que só evidencia as qualidades que Argeu dos Santos teve enquanto treinador de futebol. Que sua alma possa descansar eternamente.

FERRÃO JÁ GANHOU TORNEIO EM HOMENAGEM AO CANDIDATO CIRO

As eleições presidenciais desse ano têm novamente um velho conhecido do cidadão cearense. Depois de concorrer à presidência do Brasil em duas oportunidades no passado, o candidato Ciro Gomes é um dos três principais nomes na corrida eleitoral de 2018. Você sabia que o Ferroviário já foi campeão de uma competição organizada para homenageá-lo? Foi em janeiro de 1989 e Ciro Gomes havia assumido recentemente a prefeitura de Fortaleza. Posteriormente, o atual candidato seguiu sua carreira política, vindo a ser ainda Governador do Ceará, Ministro da Fazenda e Ministro da Integração Nacional, dentre outras contribuições ao estado e ao país. No vídeo acima, você vê ele comentando a impressionante reviravolta coral quando o título estava praticamente perdido na finalíssima entre Ferroviário e Ceará. O alvinegro vencia por 1×0 até os 43 minutos do segundo tempo e sua torcida já comemorava a conquista. O Ferrão empatou num golaço do zagueiro Arimateia, após um passe do meia Zé Carlos Paranaense e um toquinho de cabeça do atacante Mardônio, levando a decisão para os pênaltis. Uma bola na trave e uma defesa do goleiro Albertino selaram a conquista coral por 4×2.  No vídeo abaixo, confira o gol de empate, a decisão nos penais, a lamentável invasão e a violência provocada pela torcida derrotada.