FERRÃO ENFRENTOU ATÉ HOJE APENAS QUATRO TIMES GAÚCHOS

Matéria do Jornal O Povo destacando o importante amistoso do Ferroviário contra o Renner/RS

O São José/RS é o novo adversário do Ferroviário na semifinal do campeonato brasileiro da Série D de 2018. Você sabia que a centenária equipe de Porto Alegre é apenas o quinto adversário oriundo do Rio Grande do Sul a cruzar a vida do Tubarão da Barra? Antes dele, o Ferrão apenas enfrentou o Renner/RS, o Internacional/RS, o São Paulo/RS e o Brasil de Pelotas. O confronto com o já extinto Renner, um dos times mais poderosos da história do futebol gaúcho, se deu num amistoso em 27/11/1953 e teve a vitória da equipe do então atacante Ênio Andrade, que depois se consagrou como um grande treinador do futebol brasileiro. O placar foi de 2×1 e Nirtô marcou o único gol do Ferrão, que ainda colocou várias bolas na trave e merecia melhor sorte no jogo realizado no Presidente Vargas, em Fortaleza. Depois disso, o time coral levou décadas para viajar pela primeira vez até os Pampas e enfrentar mais uma equipe gaúcha, dessa vez no dia 05/03/1980, contra o forte Internacional de Porto Alegre, que era justamente o campeão brasileiro da temporada anterior. Na ocasião, o Ferroviário vendeu caro a derrota por 3×2 em pleno estádio Beira Rio, em jogo válido pela Série A do campeonato brasileiro de 1980.

Matéria do O Povo criticando o ataque coral na partida contra o São Paulo do Rio Grande do Sul

Na semana seguinte, em 16/03/1980, o Ferrão recebeu no PV a equipe do São Paulo da cidade de Rio Grande. Foi a primeira vitória coral diante de um adversário gaúcho. O placar apontou 1×0 com gol do meio campista Nilsinho, jogador oriundo do Tiradentes/CE e justamente o mesmo que havia marcado os dois gols corais na semana anterior contra o Internacional/RS, em Porto Alegre. Depois dessa partida, um novo embate com uma equipe gaúcha só veio a acontecer na Série C de 2006 em dois confrontos contra o Brasil de Pelotas, sendo uma vitória para cada time: 3×0 para os gaúchos no estádio Bento Freitas e o troco, também por 3×0, no PV, nos dias 28/10/2006 e 08/11/2006 respectivamente. Cristiano, Glaydstone e Everton marcaram os gols do Ferrão no jogo disputado em Fortaleza. Doze anos depois, que venha então o São José/RS, que tem por coincidência exatamente o nome do padroeiro do Ferroviário e que entra para a história como o quinto adversário gaúcho na vida coral.

FOTO HISTÓRICA DO TIME QUE CONQUISTOU O ACESSO NACIONAL

A foto do time que conquistou dentro da Paraíba o Acesso para a Série C do Brasileiro em 2019

Essa é uma fotografia histórica dos jogadores do Ferroviário Atlético Clube relacionados para o jogo do acesso nacional contra o Campinense/PB na última segunda-feira. Que nunca saiam da memória coral, em pé, da esquerda para a direita: goleiro Léo, Rafael Guedes, Róbson Simplício, Afonso, Marcelo Bispo, Erandir, Gleidson, Edson Cariús, André Lima, Luis Fernando e Gleibson. Agachados: Lucas Mendes, Valdeci, Jean, Esquerdinha, Liniker, Janeudo, Gustavo, Leanderson, Mazinho, Sávio, Luis Soares e Vitinho. Aparecem ainda na foto alguns importantes membros da comissão técnica coral como o preparador físico Janderson Bessa, os preparadores de goleiros Válter Bahia e William Mardoch, além do massagista Alcides Neto.

UM ACESSO QUE EQUIVALE A UM TÍTULO DEPOIS DE 23 ANOS

Paixão de pai pra filho

Quando a Máquina Coral conquistou com sobras o bicampeonato cearense naquele domingo, 10 de Dezembro de 1995, ninguém em meio aquele período auspicioso poderia imaginar que o Ferroviário levasse tantos anos para voltar a comemorar um título. Na segunda-feira, 09 de Julho de 2018, o clube voltou a sorrir como naquele domingo de 1995. Não que o Ferrão tenha vencido outro campeonato, longe disso, porém, ao mesmo tempo, mais que isso. Vinte e três anos depois, o acesso coral para a Série C do Campeonato Brasileiro equivale exatamente à alegria de um título estadual, até então a maior façanha do Tubarão da Barra, repetida nove vezes em 85 anos de história. Pouco? Talvez. Entretanto, tanto para um clube humilde de origens operárias, que nunca foi o queridinho do mainstream esportivo, que nunca gozou de regalias e cuja paixão, apesar de todas as dificuldades,  se perpetua de pai pra filho como um bem de família que vale mais que qualquer patrimônio físico, pois se alicerça em memórias afetivas e lembranças de amor em nome de muita gente que já não se encontra mais no plano físico para acompanhar o curso da história. Qual o torcedor coral que nunca ouviu carinhosamente de um ente querido que o Ferroviário é a sua cara? É por essas e outras que esse time é eterno. Funciona exatamente assim.

Decisão por pênaltis em Campina Grande

Não, o Ferroviário não foi campeão novamente. Ainda não. Ou talvez nem precise ser em 2018. Não é de títulos que se alimenta um clube como o Ferrão. É de memórias afetivas, lembra? Ontem, veio o acesso, o primeiro da história de um time que já perambulou pelas quatro divisões do futebol brasileiro em meio a sucessos e insucessos naturais a qualquer time de futebol. A sorte e a competência sorriram para o Ferroviário numa noite inesquecível em Campina Grande, assistida em todo país por curiosos, torcedores, ex-jogadores, ex-treinadores e aficionados em geral que insistem em não desistir e manter esse time dentro do coração. Ontem, não foi um campeonato conquistado, foi um acesso que vale mais que um troféu de campeão, um acesso que equivale praticamente a um título depois de 23 anos, principalmente em se tratando do contexto injusto do futebol brasileiro que sufoca centenas de times tradicionais e afeta milhares de atletas e profissionais, os quais a imensa maioria sequer tem de onde tirar o sustento durante oito ou nove meses por ano. O acesso do Ferroviário para a Série C em 2019 é a conquista de um calendário mais duradouro dentro do contexto cruel e perigoso definido pela CBF. Vale por um título. Vale por dezenas de troféus. Ontem foi como se o Ferroviário fosse campeão de novo. E foi, pois no panorama atual, acesso é praticamente título.

Um grupo de atletas que já entrou na história

O sucesso premia um grupo de jogadores que já marcaram época na história do Ferroviário, notadamente pela brilhante campanha na Copa do Brasil em 2018 e agora por colocarem o Ferrão na Série C de 2019. Reforçado por bons jogadores, esse grupo cresceu e foi em busca de um sonho quase impossível, principalmente se levarmos em consideração que, até dezembro de 2016, o clube amargava a humilhante realidade da segunda divisão cearense. Que 2017 não seja nunca esquecido, afinal foi a participação coral no vice-campeonato estadual que nos garantiu a Série D desse ano, conquistada numa emocionante disputa de pênaltis contra o Horizonte. Que aquele gol do Mimi contra o Fortaleza, aos 48 minutos do segundo tempo, também nunca saia de nossas memórias. A Série C de 2018 também veio, por coincidência, numa disputa de pênaltis sofrida e é melhor não discutir com o destino. É assim o nosso livro dos tempos, marcado por contos de dor, angústia e sofrimento, que no final fazem valer a pena torcer por um time totalmente diferente dos que têm a preferência dos noticiários esportivos. É de pai pra filho, lembra? Por fim, é hora de tirar o chapéu para uma diretoria incansável, que acertou em profissionalizar recentemente o departamento de futebol e já colheu o primeiro fruto. A semente plantada por esta diretoria, em meio às críticas pesadas e habituais do ambiente do futebol, vitalizou o clube, o livrou de todas as pendências trabalhistas e judiciais, estruturou fisicamente seu ambiente interno e rejuvenesceu um gigante do futebol nordestino. O trabalho da direção coral lava a alma de todos os dirigentes passados que por lá estiveram nos últimos 23 anos e deram sua parcela de contribuição, um tijolo aqui, outro ali, em meio a erros e acertos, mas que sobretudo mantiveram esse time vivo para hoje poder gozar do primeiro acesso da nossa história. Que esta história eternize os grandes nomes do clube, como os da atual direção, e que o Ferrão possa aproveitar essa oportunidade única em 85 anos de existência porque não é todo time que conquista um acesso nacional. Que a decisão por pênaltis em Campina Grande seja eternamente lembrada em nossa memória afetiva e passada de pai pra filho como uma das coisas mais importantes nessa breve experiência de vida.

VÍDEO RESGATA OS MELHORES MOMENTOS DA TEMPORADA DE 2017

A temporada futebolística para o Ferroviário em 2017 durou apenas de janeiro ao começo de maio, porém garantiu um incremento para o calendário da próxima temporada em termos de meses de atividade da equipe profissional e de diversidade de competições a serem disputadas. O vídeo acima foi produzido pela direção de marketing coral e faz um ótimo balanço da trajetória do clube no campeonato cearense, única competição disputada pelo Tubarão da Barra nesse ano prestes a terminar. Recorde 2017 e prepare-se para um 2018 recheado de competições espalhadas ao longo da temporada: Campeonato Cearense, Copa do Nordeste, Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro Série D e Taça Fares Lopes. Feliz 2018 para todos os corais!

CANAL NO YOUTUBE PRODUZ VÍDEO SOBRE O RESSURGIMENTO DO FERRÃO

Todos na expectativa para o ano que vem? Em 2018, o Ferroviário disputa o Campeonato Cearense, a Copa do Brasil, a Copa do Nordeste e a Série D do Campeonato Brasileiro! São todas competições que o Ferrão já disputou em sua trajetória de quase 85 anos, mas há muito tempo não estava inserido entre os participantes. Além disso, será a primeira vez na história que o clube tem as quatro competições disputadas concomitantemente na mesma temporada. Sem falar da Taça Fares Lopes, competição estadual a ser disputada no segundo semestre e que o clube, pela sua tradição e importância, tem obrigação de se articular para estar presente. Esse “ressurgimento” coral rendeu até um vídeo de quase 15 minutos no canal do YouTube chamado Mais Cinco Minutos. Se você ainda não viu o material acima, aproveite porque ele resgata como tudo isso aconteceu e, afinal, 2018 já está batendo na porta e todo mundo vai poder ver o Ferrão nos estádios e na TV novamente!

EX-MEIA DO FERROVIÁRIO JOGOU NO CAMPEÃO BRASILEIRO DA SÉRIE D

Dione posou para foto oficial no Ferroviário

Pouca gente lembra da passagem desse jogador pela Barra do Ceará. Seu nome é Dione Bonato Pires de Almeida, ou simplesmente Dione. Favor não confundir com o volante Diones, ex-Bahia, e que recentemente esteve no Ceará. Estamos falando de um meia, atualmente com 32 anos de idade, que jogou até ano passado no campeão brasileiro da Série D desse ano, o Operário Ferroviário do Paraná. A passagem dele pelo Ferrão foi pífia. Fez apenas 4 jogos e deixou a desejar em todos eles. Estreou no dia 7 de janeiro de 2009 num jogo treino contra o Uniclinic, no PV. Depois, entrou de saída na estreia coral no campeonato cearense daquele ano, uma acachapante derrota por 3×0 para o Horizonte, em pleno Elzir Cabral. Jogou mais uma vez contra o Boa Viagem e entrou no 2º tempo de um amistoso internacional contra o ASA de Angola. 4 jogos, sendo 2 oficiais e 2 amistosos. Esse é o retrospecto do ex-jogador dos dois times ferroviários.

QUE VENHAM A COPA DO NORDESTE, A COPA DO BRASIL E O BRASILEIRO

Garantia de competições importantes em 2018

Aparentemente a temporada de 2017 acabou em pleno mês de maio para o Ferroviário. Exatamente como no ano passado. E como em vários outros anos também. A participação coral na Taça Fares Lopes desse ano é incerta e até desnecessária sob a ótica da busca por resultados esportivos que valham realmente a pena. A diferença é que antes o torcedor olhava pro futuro e não via perspectivas de um calendário diferente no ano seguinte. Agora, sabemos que além do campeonato cearense da 1ª divisão, em 2018, teremos Copa do Brasil, Série D do campeonato brasileiro e até a Copa do Nordeste, que o Ferrão não disputa desde 1999. É bom não esquecer que o Ferrão foi um dos articulares para o surgimento desta competição nos anos 90. Depois, em meio à perda de prestígio político e enfraquecimento esportivo ano após ano, nunca mais dela participou, nem quando eram distribuídos convites para as principais equipes da região.

Jogadores atuaram de forma heroica em 2017

O que mudou? É importante saber exatamente como tudo isso foi conquistado, principalmente quando não se pode afirmar que tudo isso foi fruto de um planejamento construído em bases sólidas. Não foi. Sabe-se que o Ferroviário sequer sabia que disputaria a 1ª divisão cearense em 2017. Cerca de 3 semanas antes do início dos jogos, entre os feriados do fim de ano, surgiu a boa nova e começou a correria para colocar um time em campo. A exiguidade de tempo nos deu um time que mais empatava do que ganhava, que marcava poucos gols, que a articulação ofensiva do meio campo era quase inexistente em vários jogos, etc. Tudo compreensível. Certamente foi a garra e a disposição dos jogadores dentro de campo, unidos de forma familiar até fora dele, além de uma arregimentação heroica de dirigentes e conselheiros que também fizeram a diferença. Nada como a união nos bastidores corais. Sabemos muito bem o que pode acontecer de catastrófico quando ela não existe. O fato é que o Ferroviário agora pode ter um futuro promissor se souber realmente conceber o tão sonhado planejamento construído em bases sólidas, desde a formatação do elenco, da manutenção dos principais jogadores da atual temporada, do uso correto e honesto dos recursos financeiros garantidos para o ano que vem, entre várias outras coisas. O futuro a Deus pertence. Mas como dizia o antigo slogan do primeiro projeto Sócio Torcedor do Ferrão há quase dez anos, o futuro não é mais como costumava ser. Agora parece que sim.