UM NOVATO E DOIS VELHOS CONHECIDOS NA COPA DO NORDESTE

O Globo/RN é o novato entre os tradicionais

O Ferrão conheceu ontem seus adversários de chave na fase inicial da Copa do Nordeste. O time coral está no Grupo B e enfrentará ABC/RN, Vitória/BA e Globo/RN. Deles, apenas a emergente equipe potiguar do Globo nunca enfrentou o Tubarão da Barra em anos anteriores. ABC e Vitória, por outro lado, são velhos conhecidos. O Ferrão enfrentou a equipe baiana pela primeira vez em 1953 e, na temporada de 2006, foram quatro memoráveis confrontos pela Série C do campeonato brasileiro, sendo duas vitórias para cada time naquela ocasião. Por sua vez, o ABC de Natal tem sido um recorrente adversário na história coral, seja em jogos amistosos, torneios comemorativos, campeonatos nacionais e até mesmo em quatro edições da Copa do Nordeste, em 1968, 1970, 1997 e 1999. Por coincidência, ABC e Vitória também foram adversários do Ferroviário na mesma chave da Copa Ecohouse, competição promovida pelo Alecrim/RN durante o segundo semestre de 2013. A próxima edição da Copa do Nordeste começa em fevereiro de 2018 e terá a cobertura televisiva do Esporte Interativo.

125 GOLS ASSINALADOS NUMA MESMA FOTOGRAFIA ANTIGA

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Nasa, Batistinha e Acássio antes de mais uma partida do Ferroviário no Estádio Elzir Cabral

O retrato de hoje equivale a 125 gols do Ferroviário marcados nos anos 90. Em foto histórica no Elzir Cabral, reveja três jogadores corais que marcaram época: o lateral direito/volante Nasa (76 jogos e 7 gols), o atacante Batistinha (80 jogos e 44 gols) e o meio campista Acássio (132 jogos e 74 gols). Um pernambucano, um piauiense e um bom baiano respectivamente. Depois de passarem pelo Ferrão, Acássio e Nasa atuaram pelo Vasco/RJ. Batistinha, cria do Flamengo/PI, jogou ainda em times tradicionais do futebol brasileiro como Vitória/BA, ABC/RN, Remo/PA e Santa Cruz/PE. Nomes eternos!

IRMÃO DO GOLEIRO CAMPEÃO BRASILEIRO JOGOU NO FERRÃO

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Goleiro Eduardo foi titular no jogo do Ferroviário contra o ABC/RN em julho de 2013

Eduardo é irmão de Cássio, goleiro do Corinthians/SP e da Seleção Brasileira. Também é goleiro e defendeu o Ferroviário Atlético Clube em 2013, aos 19 anos de idade. Sete anos mais novo que o irmão famoso, o ex-atleta coral segue sua trajetória no futebol desde que deixou a Barra do Ceará. Defendeu posteriormente o São José/RS e o Itumbiara/GO. Mas, você recorda a passagem dele pelo Ferrão?

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Cássio e Eduardo no Ferroviário

Eduardo chegou em janeiro de 2013 para o Ferroviário e de início atraiu a atenção da imprensa em razão do irmão. Treinava com afinco e logo conquistou a titularidade da equipe Sub-20, sendo relacionado algumas vezes para compor o banco nos jogos dos profissionais na reserva de Fernando Júnior. A chance como titular veio na estreia do Ferrão na Copa Ecohouse, uma espécie de Taça Nordeste organizada pela Federação do Rio Grande do Norte. Em seu primeiro jogo no time principal, no mês de julho, Eduardo fechou o gol e o Tubarão da Barra venceu o ABC de Natal por 1×0, naquele que foi o jogo 3.451 da história coral. No mês seguinte, substituiu o goleiro Rafael Muralha num amistoso contra o time do Sindicato dos Atletas, completando assim sua segunda e última partida pelo Ferroviário. No final da temporada, Eduardo recebeu a visita do irmão nas instalações na Barra do Ceará.

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Rumo à festa corintiana no Itaquerão

A fatídica temporada de 2014 selou o destino de Eduardo no Ferroviário. Sem o mesmo ambiente de trabalho do ano anterior e não vislumbrando perspectivas de resgate do projeto que o convenceu a seguir carreira no clube, Eduardo pediu rescisão ainda no mês de fevereiro, mesmo com tempo de contrato ainda a cumprir. Preferiu ir embora pra casa a conviver num ambiente político deteriorado e tendências de dificuldades futuras como atraso de salários, entre outras questões que acabaram se confirmando posteriormente. Ontem, ele postou a foto acima em suas redes sociais, com o irmão Cássio e o amigo Kleyton, seu companheiro nos tempos de Ferroviário. Foram prestigiar o goleiro corintiano na festa de campeão brasileiro do time paulista no Itaquerão. E a vida segue para todos.

QUANDO A BRUXA TEVE QUE ENGOLIR UMA COCA COLA NO PV

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Coca Cola

O baixinho Coca Cola é lembrado até hoje como um dos maiores jogadores da história do Ferroviário. Seu nome era Abelardo Cesário da Silva. O apelido – como ele mesmo declarou ao jornal Folha de São Paulo em fevereiro de 1994 – era uma alusão ao famoso refrigerante: “Como eu era pequeno e magro, me chamavam de ‘miniatura de Coca-Cola’. Reclamei e o apelido pegou. Quase ninguém sabe meu nome. Até minha mulher me chama de Coca“. Falecido em junho de 1999, é impossível não lembrar da sua importância para o Ferrão no auto de seus 324 jogos com a camisa coral entre 1965 e 1973. Foram apresentações sensacionais nos gramados cearenses, o que lhe valeu a chance de jogar no Gil Vicente, de Portugal, onde o apelido não foi permitido. “Lá voltei a ser Abelardo para não fazer propaganda de graça para a Coca-Cola“, disse. Entre tantas partidas inesquecíveis, uma delas precisa ser sempre lembrada. E ela está completando 45 anos exatamente no dia de hoje.

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Marinho Chagas

Corria a disputa do Nordestão em outubro de 1970 e o Ferroviário recebia o ABC/RN no Presidente Vargas, exatamente no dia 29, como hoje. Precisando vencer com diferença de 3 gols, o time coral fez apenas 1×0 no placar e foi eliminado ainda na primeira fase da competição. A tristeza da eliminação só foi esquecida graças à pintura do gol marcado por Coca Cola, uma autêntica ´folha seca`, imortalizada anos antes pelo lendário Didi em seus tempos de Seleção Brasileira. Um dos gols mais belos da história do Ferroviário e, em particular, do inesquecível Coca Cola. Sob o comando de Alexandre Nepomuceno, o time coral venceu com Aloísio Linhares, Louro (Luiz Paes), Hamilton Ayres, Gomes e Eldo; Coca Cola, Edmar e Amilton Melo; Mano, Facó (Ibsen) e Wilson. Já o representante potiguar perdeu com Erivan, Preta, Edson, Josemar e Marinho Chagas (Cid); Correia (Zezé) e Gonzaga; Edvaldo, Albery, Petinho e Burunga. Mençao honrosa para o lateral esquerdo do ABC, um jovem chamado Marinho Chagas atuando bravamente contra o Ferroviário, um dos melhores laterais que o futebol brasileiro produziu em todos os tempos e que, três anos mais tarde, envergava a camisa de titular da Seleção Brasileira na Copa da Alemanha. Foi o jogo 1.207 da história coral, o dia que Marinho Chagas – A Bruxa – teve que engolir a genial folha seca de Coca Cola como se fosse Didi.