Apresentação

almanaque2

Se há uma coisa que me orgulho na vida de ter feito, ela chega agora as suas mãos em forma de almanaque, fruto de um trabalho que começou sem muitas pretensões, mas que depois virou minha vida de cabeça pra baixo e deixou de ser algo particular, só meu, para vir a ser o registro inédito da história de uma existência e da trajetória completa de um time de futebol que, de tão grande, se confunde com as mais belas lembranças do próprio futebol cearense nas últimas oito décadas. O acaso foi sempre o meu grande parceiro e nada foi programado. Por mais de vinte anos, comecei, parei, desisti, continuei e retomei, em vários períodos distintos, uma busca por informações, fotos e tudo aquilo que saciava minha curiosidade a respeito do Ferroviário Atlético Clube, pelo qual aprendi a torcer ainda aos 8 anos de idade e cujo passado parecia ter fi cado eternamente esquecido nas páginas dos jornais, que registravam a cada dia, por anos a fi o, as vitórias e derrotas do meu time de coração.

Tudo começou em setembro de 1990 com um pequeno banco de dados criado para registrar as fichas técnicas dos embates de um Ferroviário que tinha Robinson, Cantareli, Ademir Patrício, Jardel, entre outros. Um ano depois, o desejo de resgatar os jogos que marcaram minha infância me fez mergulhar, durante seis longos meses, no arquivo do Diário do Nordeste disponível na Universidade de Fortaleza. Entre outubro de 1991 e abril de 1992, recuperei os dados de um Ferroviário que enfrentava os melhores times do país nos anos 80, em jogos memoráveis pela divisão principal do Campeonato Brasileiro e que até hoje não saem da minha memória, pois estava no estádio na maioria deles. À época, dei-me por satisfeito em ter a fi cha técnica de todos os jogos entre 1982-1992 e continuar catalogando as novas partidas à medida que a história coral seguia em frente. Fiz isso por quatro anos. Até que em 1996, tudo ruiu. A vida tomou outros rumos e minha base de dados correu o risco de se perder como muita coisa que a gente começa e nunca termina.

Até fevereiro de 2004 as atualizações permaneceram paradas. Foi quando renasceu o desejo de recuperar os oito anos de atraso e varrer os arquivos de jornais de Fortaleza em busca das informações que completassem a base original de dados. Antes do fi nal daquele ano, a missão estava cumprida. Ai veio 2005, um verdadeiro divisor de águas. Foi quando tive realmente a certeza que todo aquele esforço, entre idas e vindas, merecia um desfecho mais digno e uma publicação nos moldes daquelas que, há alguns anos recentes, começavam a pipocar nas livrarias, trazendo, partida por partida, a trajetória dos poucos times nacionais que tiveram a sorte de contar com guardiões de suas memórias. Ainda que de forma involuntária, os dados oficiais entre 1982 e 2005, catalogados por pura curiosidade e paixão, serviram como um excelente ponto de partida para um projeto ousado de lançar, quem sabe algum dia, o Almanaque do Ferrão. A empolgação da nova idéia gerou, em tempo recorde, a caça aos mais de 500 jogos disputados entre 1970 e 1981, publicados no O Povo, Tribuna do Ceará e outros periódicos da época. De outubro a dezembro de 2005, me dispus apenas a respirar a poeira dos velhos jornais disponibilizados na Biblioteca Pública de Fortaleza. Não recordo de ter feito outra coisa na vida nesse período. Valeu a pena.

Alguns meses depois de complementar minha velha base de dados com a década de 70 inteira, iniciei a parte mais complicada do projeto, que foi buscar todos os jogos existentes entre 1933 e 1969. Entre março de 2006 e abril de 2008, trabalhei arduamente em busca de um sonho. Esse é o termo. Enfim, depois de muito esforço e persistência, todos os jogos ofi ciais e amistosos da história do Ferroviário estavam ao meu dispor. Os anos seguintes foram de muita paciência, análises, identifi cação de jogadores, consulta a amigos e pesquisadores, ligações malucas para outros estados em busca de dados aparentemente impossíveis, editoração, revisões e muitas outras coisas que tiraram o meu sono. Como tudo na vida tem um sentido, mesmo que a gente não saiba exatamente qual é, essa publicação acabou sendo construída entre as várias direções que minha vida seguiu ao longo de todo esse tempo. Cresci, vivi, me formei, mudei de país, sai por ai, pensei em não voltar, mas voltei, troquei tantas vezes de emprego, mudei de casa duas ou três vezes, casei, fui pai duas vezes – o melhor de todos os feitos – e ainda fi z mais um milhão de coisas sempre convivendo com a missão de, um dia, chegar nessa hora e perpetuar em livro a trajetória, jogo a jogo, do time de futebol que intimamente fez parte da minha vida em todos os momentos. Em seus 80 anos de história, eis o meu presente. Para sempre.

Evandro Ferreira Gomes
Maio de 2013

5 respostas em “Apresentação

  1. Caro Evandro, parabéns pelo excelente trabalho. Pouquíssimos clubes no Brasil, tenho um material tão vasto, como esse! Hoje muitos clubes reestilizam seus escudos de futebol e trazem a tona os escudos antigos. Queria saber antes desse escudo atual do Ferrão, qual(ais) era(m) e como era o(s) antigo(s) escudo(s) coral(is).

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