ARRANCADA PARA O BICAMPEONATO COMEÇAVA HÁ EXATOS 20 ANOS

Essa semana completa exatamente 20 anos que o Ferroviário venceu uma partida importantíssima pelo Campeonato Cearense de 1994, iniciando ali a trajetória vitoriosa que culminou com o título máximo daquela temporada e conquista do inédito bicampeonato no ano seguinte. Engana-se quem pensa que o ano vinha sendo fácil para o Tubarão da Barra. O time alternava boas e más apresentações, tendo num curto período de tempo José Maria Paiva, Humberto Maia e Edmundo Silveira no comando técnico à beira do campo, após a complicada saída do carioca José Dultra. Foi quando o Guri chegou em meados de setembro. Sim, ele, César Moraes, o melhor treinador da história do Ferrão, escolhido pelos torcedores na campanha ´Time dos Sonhos` realizada no ano passado.

Depois de bater o Guarany e empatar com o Fortaleza, a partida em questão contra o Ceará representou a primeira de duas vitórias do Guri em cima do alvinegro, no total de quatro partidas realizadas entre eles até a final do campeonato. O Ferrão não perdeu nenhuma. A vitória naquele jogo noturno foi crucial para dar moral ao grupo, numa partida que o Tubarão não contou com Nasa, Acássio, Basílio e Batistinha, todos em grande fase. Pra compensar, César Moraes lançou a juventude do lateral direito Alex, de 17 anos, e do endiabrado ponta Reginaldo, que só não fez chover e garantia ali a condição de titular no time do Guri até o fim do Estadual. O gol da vitória foi do folclórico Cícero Ramalho, um dos três artilheiros corais na temporada, em belo chute do meio da rua, desbancando o Ceará que era simplesmente o vice-campeão da Copa do Brasil de 94.

O Almanaque do Ferrão recupera abaixo as imagens do jogo da arrancada do título. Sem dúvida, uma grande oportunidade para rever bons momentos em campo do time que é apontado como um dos melhores da história coral e que naquele 26 de outubro formou com Roberval, Alex, Batista, Careca e Branco; Lima, Ricardo Lima e Eron (Esquerdinha); Cantareli, Cícero Ramalho (Edinho) e Reginaldo. A escalação do alvinegro e demais detalhes do embate, você pode conferir no jogo 2546 da história do Ferroviário disponibilizado na versão impressa do almanaque.

O PARQUE ZOOLÓGICO DO FERROVIÁRIO ATLÉTICO CLUBE

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O elenco do Ferroviário que perdeu ontem na semifinal da Taça Fares Lopes tem três jogadores com nomes, no mínimo, inusitados para os dias de hoje: Esquilo, Falcão e Moisés Rato. Tudo bem que o primeiro adota a grafia Squilo, mas não deixa de ser um evolução para quem já teve um lateral chamado Grilo (1972 a 1978). Os mais apaixonados rebaterão dizendo que o São Paulo tem Pato e Ganso. É justo. Porém, dando uma olhada no Almanaque do São Paulo, do amigo José Renato Sátiro, não consigo encontrar tantos apelidos futebolísticos com nome de aves e animais como os que estão no Almanaque do Ferrão.

Uma rápida pincelada e podemos encontrar no Zoo coral nomes com Girafa (1950), Nilson Leão (1986), Alexandre Pavão (2004), Arara (1958), Galo Duro (1938), Marcos do Boi (1967), Marquinhos Capivara (1993), Caranguejo (1943 a 1951), Danilo Baratinha (1974 a 1977), Lúcio Sabiá (1973 a 1981), Coelho (1969), Maurício Pantera (2004 a 2005), Pinto (1976 a 1977), Puma (2002 a 2003), Celso Gavião (1979 a 1980), Cláudio Rã (2001 a 2002), Dadá Jacaré (1978), Vicente Jabuti (1963 a 1966), Fernando Canguru (1976), Macaco (1952 a 1959), simplesmente o maior artilheiro da história do Ferroviário, e até um famoso treinador, ex-jogador do Flamengo/RJ, que atendia sob a alcunha de Murilo Pardal (1982), bem como um zagueiro representante de uma perigosa matilha, o famoso Lobinho (1959 a 1962).

RARIDADE NO YOUTUBE REMETE AO ANO DO RECORDE DE PÚBLICO

O vídeo mais antigo do Ferroviário disponível no YouTube remete ao ano de 1978, época em que o Tubarão da Barra alcançou até hoje a maior média de público de sua história: 3794 torcedores por jogo. A derrota para o Ceará por 1×0 naquele 26 de novembro, no jogo 1646 da história coral, deu o título do 3° turno ao alvinegro, que assim carimbou o passaporte para o triangular final com o Fortaleza e o próprio Ferrão.

Muitos fatores contribuíram para o recorde de público naquele ano. A volta dos engenheiros da RFFSA à linha de frente do comando coral foi um dos principais motivos. Campeões cearenses em 1968 e 1970, eles optaram por ficar mais nos bastidores do clube a partir de 1973 e o Ferroviário sofreu bastante nos anos seguintes, chegando inclusive a quase fechar as portas em 1974. Portanto, 1978 significou o retorno da confiança da torcida e a contratação de jogadores para reforçar o elenco, entre eles Paulo César, o papagaio, artilheiro do Estadual do ano seguinte, que veio do Moto Clube do Maranhão, além de nomes como o goleiro Gilberto, o lateral Ricardo Fogueira, o meia Jorge Bonga e o atacante Marcos, ex-ponta direita do São Paulo.

Célio Pamplona era o presidente coral no ano do recorde de público. Lucídio Pontes, já falecido, que conseguiu ser campeão pelo Ferrão dez anos depois, era o treinador coral naquela inesquecível temporada. Um detalhe interessante no único vídeo coral de 1978 é o uniforme com listras diagonais, utilizado com frequência até 1981 quando foi aposentado. Vale a pena conferir na raridade abaixo.

CIRO GOMES COMENTA CONQUISTA CORAL EM 1989

O Torneio Ciro Gomes foi uma competição organizada por 4 dissidentes da Federação Cearense de Futebol, que vivia situação política complicada em 1989. Ceará, Fortaleza, Ferroviário e Tiradentes decidiram realizar um quadrangular entre o final de janeiro e início de março. O curioso é que mesmo apenas empatando as três partidas, o Ferrão ficou com o título, pois cada jogo empatado era decidido nos pênaltis e o time coral levou a melhor nas três decisões.

No dia 5 de março, quando o Ceará já comemorava o título vencendo o Ferroviário por 1×0, o zagueiro Arimatéia igualou o placar aos 43 minutos finais, forçando a decisão por pênaltis. Evilásio, Barrote, Mardônio e Zé Carlos Paranaense converteram suas cobranças garantindo o 4×2. Não precisou nem da quinta batida, que estava reservada para Marcelo Veiga.

Vale a pena recordar abaixo o vídeo com o comentário esportivo de Ciro Gomes, então prefeito de Fortaleza, que entregou pessoalmente a taça ao Ferrão em meio a muita confusão no PV já que a torcida do Ceará, inconformada com a derrota, promoveu uma perigosa invasão de gramado que por muito pouco não provocou vítimas. Houve até desmaios no centro do campo.

Comandados por Erandy Pereira Montenegro, o time campeão formou na tarde/noite daquele domingo com o futebol de Albertino, Caetano (Silmar), Arimatéia, Juarez e Marcelo Veiga; Barrote, Evilásio e Zé Carlos Paranaense; Mardônio, Roberto Cearense e Olavo (Paulinho). Vale a pena também lembrar o excelente time que o Ceará tinha na época: Washington, Mário, Belterra, Edson Barros e Paulo César; Beto Cruz, Carlos Alberto Borges e Gerson Sodré; Márcio (Basílio), Celso Mendes e Santos (Oliveira Canindé). O técnico era Lula Pereira, que depois brilhou no Ferroviário e alavancou uma carreira de sucesso. Paulo César e Basílio também passaram depois pela Barra do Ceará. Brevemente o Almanaque do Ferrão trará o vídeo daquela emocionante conquista para a torcida coral recordar o gol de Arimatéia, os penais e a festa coral em meio à invasão alvinegra.

LIVRO NARRA A TRAJETÓRIA DE EX-TREINADOR DO FERRÃO

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Não dá pra reclamar da produção literária sobre futebol nos últimos anos. Muita coisa boa tem sido lançada em âmbito nacional a exemplo do que ocorre há décadas na Europa. E o futebol cearense não poderia ficar de fora. Foi lançado no mês passado, pela Premius Editora, o livro “Pintado – escalada de um campeão”, do querido amigo Adhemar Nunes Freire Filho, ninguém menos que o próprio filho do biografado.

Pintado foi um dos goleiros mais famosos no futebol cearense em todos os tempos, conquistando seu primeiro titulo em 1931 como arqueiro do Ceará. Depois de jogar muito tempo no futebol carioca, retornou para o estado sem no entanto vestir a camisa do Ferroviário enquanto jogador. Seu vínculo com o time coral só veio quando Pintado pendurou as luvas e trabalhou como treinador em 1959 e 1961.

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Agradecimento especial ao autor do livro pelo exemplar autografado

Foram apenas 13 partidas ao todo nas duas vezes que passou pelo Ferroviário, mas o suficiente para Pintado fazer parte da história coral, contratado que foi por Gontram Pinho e Porfírio Sampaio, respectivos presidentes em cada uma das passagens do ex-técnico no Ferrão. Época de vacas magras como muitas vezes aconteceu na gloriosa história do time coral, porém época de boas histórias como as memórias narradas pelo autor na biografia de seu pai. Vale a pena conferir.

MARCOU E GANHOU DESTAQUE ESPECIAL NO FANTÁSTICO DA GLOBO

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Ilo Bonfante treina com o Coronel Othon Borges na Vila Olímpica Elzir Cabral

Um velho amigo me relatou ontem que o jogador da foto acima foi o autor do gol da vitória na primeira vez que ele viu o Ferroviário ganhar do Fortaleza. Essa lembrança de sua juventude data do jogo 2182 da história coral, mais precisamente de 14/6/87. O Tubarão bateu o Leão por 1×0 e, de quebra, aquele tento foi escolhido o mais bonito do Fantástico, tradicional programa da TV Globo que até hoje vai ao ar aos domingos.

Poucos recordam do ex-atacante coral que mereceu os elogios do apresentador Léo Batista naquela noite. Trata-se de Ilo Bonfante, experiente jogador gaúcho contratado pelo presidente Caetano Bayma junto ao extinto Colorado/PR. Aquele gol foi o principal feito de Ilo no Ferroviário. Fica a promessa: brevemente o Almanaque do Ferrão vai mostrar o vídeo daquele destaque especial na televisão brasileira. É só aguardar.

RECORDE A CHEGADA DO FILHO DE LUCIANA GENRO PARA O FERRÃO

Uma rápida olhada na página 539 do Almanaque do Ferrão e podemos encontrar a ficha do ex-atleta Fernando Marcel Genro Robaina, que fez 11 jogos e marcou 4 gols nos dois meses que vestiu a camisa do Ferroviário em 2010. Fernando Genro seria mais um jogador comum não fosse ele filho de Luciana Genro, à época deputada federal pelo Rio Grande do Sul e que concorreu recentemente às eleições presidenciais do Brasil pelo PSOL, obtendo cerca de 1.600.000 votos. Seu avô, Tarso Genro, também é bastante famoso na política nacional.

Tive a chance de conhecê-lo em sua curta passagem pela Barra do Ceará e posso dizer que deixou a melhor das impressões, educado e politizado, bem diferente da maioria dos atletas de futebol. A excelente matéria de Diego Morais, da TV O Povo, na época da chegada de Fernando Genro fala por si. Vale a pena assistir e conhecer um pouco mais do ex-atleta do Ferrão, que recentemente pendurou as chuteiras e entrou no curso de Direito. Certamente nos próximos anos deverá aparecer no cenário político seguindo o DNA da família.

WIKIPÉDIA CREDITA TÍTULO QUE SIMPLESMENTE NUNCA OCORREU

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Print da tela do Wikipedia que erroneamente fala de uma pseudo Taça Nordeste em 1971

A inteligência coletiva tem seus riscos. É só procurar dados sobre os mais diversos temas na Wikipédia e encontraremos algumas inconsistências que acabam passando como verdade. É o caso do pseudo vice-campeonato do Nordeste, em 1971, creditado ao Ferrão. Na realidade, essa competição sequer existiu. Curioso é que o “campeão” Itabaiana/SE pleiteia junto à CBF a oficialização do título. Coisa pra inglês ver.

1971 foi o ano do primeiro campeonato nacional integrado organizado pela antiga CBD, que tinha em suas hostes gente ligada a Arena, partido político que dava sustentação à ditadura militar. Dono da maior torcida, o Ceará foi o indicado pela Federação como o único representante cearense na nova competição. Uma espécie de segunda divisão regionalizada, a Série B, foi criada com times separados basicamente em três grandes regiões: nordeste, norte e sul/sudeste, obedecendo o contexto de nacionalização que o governo militar exigia do futebol.

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Lucídio Pontes e Borba Filho recebem o grupo de jogadores do Ferroviário na temporada de 1971

Após enfrentar Calouros, Fortaleza e Guarany de Sobral numa seletiva, o Ferrão ganhou o direito de disputar a Série B do campeonato nacional. Pelo regulamento da competição, somente o primeiro lugar pegaria o representante da região norte num mata-mata. O Itabaiana/SE conseguiu esse direito. O Ferrão ficou em 2° lugar. Por muito pouco o time coral não passou para o confronto eliminatório com o Remo/PA, classificado na região norte. Num jogo em Aracaju que o Ferrão teve um gol lícito anulado e Coca-Cola ainda perdeu um pênalti, o Itabaiana segurou o empate em 1×1 e seguiu adiante.

Depois de passar pelo Itabaiana/SE, o Remo/PA enfrentou o vencedor da chave do sul/sudeste, o Villa Nova/MG, sendo o clube mineiro o primeiro campeão da Série B do campeonato brasileiro. Sob o comando do treinador Borba Filho e do então fisicultor Lucídio Pontes (ambos em pé na foto acima), o Ferrão terminou em 6° lugar no cômputo geral, em meio a 23 equipes, o que não deixa de ser uma boa colocação em se tratando da estreia coral na competição que até hoje é a mais importante do calendário brasileiro.

PRIMEIRA ENTREVISTA DE MARCELO VEIGA NO FERROVIÁRIO


O ex-lateral esquerdo Marcelo Veiga completou 50 anos de idade no último dia 7. Além de ter marcado o gol do título de 1988, o aniversariante do mês é um dos maiores ídolos da história do Ferroviário, não apenas pelo gol importante na final, mas pela garra, liderança e habilidade demonstradas em 79 partidas com a camisa coral, que o fizeram uma espécie de xodó da torcida naquele período.

O que pouca gente sabe é que por muito pouco Marcelo Veiga quase vestia a camisa do Ceará, antes de vir para o Ferroviário. O diretor de futebol alvinegro na época, Sérgio Fonteles, queria o jogador que pertencia ao Santo André/SP. O titular da posição, Agnaldo, já tinha acertado tudo com o Ferroviário, mas sofreu um acidente de moto às vésperas da viagem. A direção do clube paulista entrou em acordo com o Ferrão e enviou Marcelo Veiga para o lugar de Agnaldo. O Ceará teve que se contentar em ficar chupando o dedo.

O futebol é engraçado, pois quem não vinha acabou vindo e escreveu seu nome na história definitiva do Ferroviário. Ao dar sua primeira entrevista na televisão, logo após um amistoso contra o Barcelona da Liga do Quintino Cunha, em janeiro de 1988, quem poderia imaginar que aquele paulistano de 22 anos se tornaria tão essencial naquela memorável conquista? O Almanaque do Ferrão vai no fundo do baú e resgata esse momento da TV cearense, aproveitando para mandar os parabéns para o aniversariante Marcelo Veiga.

CAMPEÕES INVICTOS DE 68 TÊM REENCONTRO INESPERADO

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Quando o interfone tocou no apartamento do ex-zagueiro Luiz Paes, ele jamais esperava a visita do passado naquela tarde de quinta-feira. Era agosto desse ano, dia 21. Pelo interfone, o porteiro anunciou o visitante: “É o Cavalheiro que está aqui embaixo”. Depois de 45 anos, dois ex-companheiros corais se reencontravam de forma emocionante e totalmente inesperada. Em meio ao forte abraço, Cavalheiro exclamava repetidas vezes: “meu zagueiro, meu zagueiro”.

Depois que foi embora do Ferroviário em 69, o gaúcho Cavalheiro nunca mais havia visto os campeões invictos do ano anterior. Em 2014, resolveu passear e reencontrar um pouco do seu passado. A passagem por Fortaleza foi breve, mas o suficiente para reencontrar 5 ex-atletas da sua época, graças ao ex-lateral Barbosa, que cuidou de ligar pra um e pra outro em caráter de urgência. No dia seguinte, o reencontro numa churrascaria de Fortaleza envolveu até familiares. Em meio a troca de presentes, mais abraços e fortes emoções.

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Mano, Luiz Paes, Edmar, Barbosa, Cavalheiro e Raimundinho juntos depois de tanto tempo

Todos receberam o Almanaque do Ferrão com o registro da história que cada um escreveu no clube. Na foto acima, da esquerda para direita: Mano, Luiz Paes, Edmar, Barbosa, Cavalheiro e Raimundinho. O tempo foi curto demais para reunir mais ex-companheiros. No dia seguinte, Cavalheiro foi embora, levando novamente a saudade. Ficou de não demorar mais tanto tempo pra voltar e reunir um número maior de amigos da próxima vez, aqueles que escreveram uma das mais belas páginas da história do Ferroviário, o título de campeão invicto de 1968, os colegas heróis, como bem registrou Barbosa por escrito na dedicatória que Cavalheiro jamais vai esquecer.