EX-GOLEIRO SALVINO FALECEU NESSE FIM DE SEMANA EM FORTALEZA

Goleiro Salvino no Castelão em 1980

O ex-goleiro Salvino, um dos nomes mais conhecidos do futebol cearense, faleceu na noite do último sábado em Fortaleza. Há alguns anos, ele lutava contra problemas de saúde e sua situação complicou após uma parada cardíaca no início da semana. Depois de atuar por Sport/PE e Botafogo/PB, o Ferrão foi sua porta de entrada no futebol cearense. Contratado para a Série A do campeonato brasileiro de 1980, o goleiro coral manteve-se como titular praticamente durante toda a temporada, perdendo apenas a titularidade na reta final do Estadual de 1980 para o famoso tricampeão mundial Ado. No ano seguinte, reassumiu a condição de titular em outra edição da Série A nacional e no campeonato cearense. Em dois anos de clube, Salvino Damião Neto foi duas vezes vice-campeão estadual com a camisa do Ferrão, atuando 111 vezes pelo Tubarão da Barra. Sua primeira partida ocorreu no dia 26/01/1980 num amistoso contra a equipe suburbana do Santa Cruz de Fortaleza. Seu último jogo ocorreu exatamente na finalíssima do campeonato cearense de 1981, em 26 de novembro daquele ano, quando o Ceará marcou 1×0 na prorrogação e ficou com a taça de campeão. Depois, Salvino foi negociado com o Fortaleza, onde entrou para a história com títulos, à exemplo de sua vitoriosa passagem pelo Ceará em 1986. Em 1988, foi campeão do 2º turno do Estadual com a camisa do Tiradentes em cima do próprio Ferroviário. Na Barra do Ceará, Salvino será sempre lembrado como o goleiro que defendeu o clube nos confrontos mais memoráveis do Ferrão pela Série A nacional entre 1980 e 1981,  titular da meta coral contra times como Santos/SP, Ponte Preta/SP, Internacional/RS, Flamengo/RJ, Atlético/MG, Fluminense/RJ, São Paulo/SP, Cruzeiro/MG, entre outros. Que Deus acolha Salvino agora no reino dos céus porque na terra definitivamente ele  escreveu seu nome na história.

FERRÃO E TREZE/PB: TRADIÇÃO NA FINAL NA SÉRIE D DO BRASILEIRÃO

Anúncio no Diário do Nordeste convocando a torcida para o jogo da Série A do Brasileirão em 82

O adversário do Ferroviário na grande final da Série D do campeonato brasileiro de 2018 é o Treze/PB. Os dois são velhos conhecidos do futebol nordestino e já se enfrentaram 24 vezes até o momento. O Ferrão leva uma ligeira vantagem no número de vitórias em cima do time paraibano: 10 vitórias, 5 empates e 9 derrotas desde que se enfrentaram pela primeira vez num amistoso na cidade de Fortaleza em 1949. Os finalistas da Série D de 2018 gozam ainda de um grande retrospecto em suas trajetórias históricas: já se enfrentaram 14 vezes em todas as quatro divisões do futebol brasileiro, o que reforça ainda mais a rivalidade entre ambos na grande decisão desse ano. Além da tradicional competição nacional, também já se enfrentaram uma vez pelo Nordestão em 1970, seis vezes em amistosos e três vezes por torneios comemorativos nas décadas de 1950 e 1960. Sem dúvida, temos uma final de Série D de grande representatividade, que se junta a nomes históricos de atletas conhecidos que vestiram os dois tradicionais uniformes como Zé Luiz, Gilson Baiano, Eron, Hélio Show, Manuel de Ferro, Rocha, Ruivo, Ronaldinho, Getúlio, Jangada, Olímpio, Wilson, Gilmar, Hermes, Fernando Canguru, entre outros.

Jorge Veras: 4 gols em 92

Em termos de campeonato brasileiro, como não lembrar do jogo entre ambos pela Série A de 1983 quando o atacante Almir marcou duas vezes na vitória coral por 2×1 no PV em Fortaleza? Dias depois, o Treze devolveu o mesmo placar no jogo de volta realizado em Campina Grande. Um ano antes, o jornal Diário do Nordeste chegou a publicar um anúncio convocando o público para torcer ´Ferrim` no jogo entre ambos no Castelão, em campanha que envolveu também um breve comercial veiculado na TV Verdes Mares narrado por Gomes Farias exatamente a partir do texto do anúncio impresso. O Treze/PB estragou a festa e marcou 2×0 com gols de Wilson e João Paulo. Ao todo, foram 4 jogos pela Série A. Em termos de Série B, houve apenas um jogo, em 1986, na estreia de ambos no campeonato nacional, vencido pelo time paraibano em Campina Grande, que tinha como goleiro o já experiente Jorge Hipólito, velho conhecido do público cearense. Pela Série C foram 7 jogos, talvez o mais inesquecível para a torcida coral tenha sido a partida realizada em 01/04/1992, vitória coral por 5×3 com quatro gols do ídolo Jorge Veras, ele que coincidentemente também esteve presente em campo no jogo pela Série A em 1983. Diga-se de passagem, o Ferrão nunca perdeu para o Treze/PB num jogo de Série C e só na edição de 2006 foram quatro confrontos entre ambos. Na Série D, foram apenas duas partidas até hoje, sendo uma vitória para cada lado. Agora na finalíssima de 2018, teremos mais dois empolgantes jogos. Em 2019, promovidos com justiça à Série C, certeza de mais compromissos entre esses dois importantíssimos times do futebol nordestino, que acabaram de provar para todo o Brasil o gigantismo do nosso futebol. Por fim, que tal rever os gols do jogo de 1983 pela Série A em Fortaleza? É só conferir o vídeo abaixo.

TUBARÃO DA BARRA VOLTA A JOGAR EM PORTO ALEGRE DEPOIS DE 38 ANOS

Estádio Beira Rio do Inter/RS em foto de 1980

Depois de vencer brilhantemente o São José/RS em Fortaleza pelo placar de 3×1, o Ferroviário volta a enfrentar o time gaúcho no próximo domingo, dessa vez no estádio Passo d´Areia, de propriedade do adversário, que fica na cidade de Porto Alegre. O jogo pode carimbar o passaporte coral para algo inédito em sua caminhada: uma final de campeonato brasileiro. Depois de quase quatro décadas, o Tubarão da Barra volta a atuar na capital do Rio Grande do Sul, o que ocorreu apenas uma única vez na história. Foi no dia 5/03/1980, no estádio Beira Rio, contra o Internacional/RS. O jogo foi válido pela Série A do campeonato nacional e terminou com a vitória apertada do time colorado pelo placar de 3×2, gols de Bira (2x) e Pompéia para o Inter, enquanto Nilsinho anotou os dois gols para o Ferroviário Atlético Clube.

Ronald Golias viu o jogo do Ferrão

Treinado por Aristóbulo Mesquita, o time coral perdeu com o futebol de Salvino, Jorge Henrique, Nilo, Celso Gavião e Ricardo Fogueira; Artur (Doca), Nilsinho e Bibi; Haroldo, Almir e Hélio Sururu. O Inter, do vitorioso técnico Ênio Andrade, formou com Gasperim, João Carlos, Mauro Pastor, Mauro Galvão e Cláudio Mineiro; Toninho, Jair e Tonho; Pompéia, Bira e Silvinho. O detalhe principal desse jogo histórico é que o Ferrão chegou a estabelecer 2×1 no placar no primeiro tempo e tomou a virada na etapa final graças à colaboração desastrosa do árbitro Renato Oliveira Braga, diante de um público de 11.077 pagantes naquele que foi o jogo de número 1.741 da trajetória coral. Vários jogadores foram às lágrimas diante da forma como o resultado aconteceu com os erros da arbitragem, que teve como testemunha ocular no Beira Rio o famoso artista brasileiro Ronald Golias, que resolveu prestigiar a partida em sua passagem pela capital gaúcha. Pra quem será que ele torceu naquela noite que marcou a primeira passagem do Ferrão em Porto Alegre?

A PRIMEIRA E ÚNICA VEZ DO FLAMENGO/RJ NO CASTELÃO

Hoje tem Flamengo/RJ jogando no Estádio Castelão. Infelizmente, seu adversário não será o Ferroviário, como em 1982. Os dois times se enfrentaram duas vezes no campeonato brasileiro daquele ano. O primeiro jogo, realizado no Maracanã, já até mereceu postagem especial aqui no blog em dezembro de 2014, inclusive com a exibição histórica dos dos 90 minutos na íntegra. Agora é a vez de recordar a segunda partida naquela temporada, em Fortaleza, com a vitória do rubro-negro carioca por 2×1. Assista o vídeo acima e recorde os gols de um dos confrontos mais emblemáticos da história coral. Foi a primeira e única vez que as duas equipes se enfrentaram no Castelão até hoje.

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Zé Limeira e Júnior no gramado

Diante de um público de 47.936 pagantes que foram ao Castelão na noite daquela quarta-feira, dia 10 de fevereiro de 1982, Ferrão e Flamengo/RJ fizeram um grande jogo. Dessa vez, o craque Zico passou em branco, mas Tita e Nunes marcaram para o time carioca. O lateral direito Paulo Maurício, de falta, marcou um belíssimo gol em cima do lendário goleiro Raul. A vitória não veio, mas o Tubarão da Barra vendeu caro a derrota. Sob o comando de José Oliveira, ex-atacante coral na década de 70, o Ferrão jogou com Barbiroto, Paulo Maurício, Goes, Zé Carlos e Jorge Henrique; Augusto (Almir), Meinha e Vicente Cruz; Paulo César Cascavel (Peres), Roberto Cearense e Alberto. O Flamengo, do treinador campeão mundial Paulo César Carpegiani, atuou com Rau, Leandro, Marinho, Mozer e Júnior; Andrade, Vítor e Zico; Tita, Nunes e Adílio. O jogo marcou a estreia oficial do veterano meia Peres, ex-São Paulo/SP, e do ponta esquerda Alberto, oriundo do Moto Clube/MA. Marcou também uma foto histórica de Zé Limeira, torcedor símbolo do Ferrão, com o lateral esquerdo Júnior do Flamengo. Obviamente não poderíamos deixar esse registro passar em branco no Almanaque do Ferrão, exatamente quando temos novamente o time de maior torcida do país na cidade.

LENDÁRIO EMBATE CONTRA A PONTE PRETA E CONSAGRAÇÃO DE SALVINO

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Foi num 2 de março como hoje. Em 1980. Treinado pelo cearense Aristóbulo Mesquita, ex-jogador do Flamengo/RJ, o Ferroviário enfrentou a Ponte Preta/SP dentro do seu estádio em Campinas e arrancou um empate com gosto de vitória, numa tarde que consagrou o goleiro Salvino, com pelo menos 6 defesas de pagar o ingresso dos 8.336 expectadores. O 0x0 no placar foi heróico diante de um adversário que naquela época tinha grandes jogadores, costumava figurar entre os finalistas do campeonato paulista e que fazia boa campanha naquela edição na elite do campeonato brasileiro. Foi apenas o jogo 1.740 da história coral e olhe que hoje já se vão quase 3.550 embates, razão pela qual o Almanaque do Ferrão resgata detalhes daquela partida que faz aniversário.

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Nilo: grande partida

Foi a primeira partida oficial do zagueiro Nilo, contratado junto ao Tiradentes/CE. Ele, que ficou vários anos no clube e chegou a 244 jogos com a camisa do Ferrão, atuou de forma primorosa. Teve também o zagueiro paid´égua Artur, ex-Ceará, improvisado de volante, e um centroavante chamado Hélio Sururu, que brilhou no futebol paraibano, mas que na Barra não foi lá essas coisas todas. No time de Campinas, treinado por Zé Duarte, o goleiro era Carlos, titular da seleção brasileira na Copa de 86, além dos craques Osvaldo e Marco Aurélio na meia cancha e do lateral Edson, que também chegou a vestir a camisa da seleção canarinha. Foi um jogo difícil, no qual o lateral Jorge Henrique foi um dos maiores nomes em campo, ao lado do arqueiro coral que definitivamente roubou a cena naquela tarde.

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Salvino com a camisa do Ferrão

A atuação espetacular de Salvino lhe valeu um bicho extra de 2 mil cruzeiros por parte do diretor Moacir Pereira Lima, além dos outros 3 mil cruzeiros pagos para cada jogador que participou daquele jogo inesquecível. O goleiro coral foi parabenizado até pela diretoria da Ponte Preta. Repare na formação do Ferroviário: Salvino, Jorge Henrique, Nilo, Celso Gavião e Ricardo Fogueira (Doca); Artur, Bibi e Jacinto (Hélio Sururu); Ari, Almir e Nilsinho. O adversário atuou com Carlos, Toninho Oliveira, Orlando Fumaça, Eugênio e Odirlei; Humberto, Marco Aurélio e Osvaldo; Parraga (Edson), Ademir e João Paulo. Giose do Couto apitou a partida no estádio Moisés Lucarelli, naquela que deve ter sido a maior apresentação de Salvino Damião Neto defendendo o futebol cearense, ele que vestiu ainda as camisas do Fortaleza, Ceará e Tiradentes. O ex-goleiro ficou no clube até o final de 1981 e conquistou dois vice-campeonatos estaduais pelo Ferrão, totalizando 111 jogos com a camisa  coral. Salvino trabalhou até ano passado como treinador de goleiros do Fortaleza. Atualmente, aos 60 anos de idade, ele passa por sérios problemas de saúde e conta com a torcida de todos os desportistas cearenses.

O DIA QUE O FERRÃO CALOU A TORCIDA DO CRUZEIRO NO MINEIRÃO

Uma das partidas mais emblemáticas da história do Ferroviário completou recentemente aniversário. Há 33 anos, o Tubarão da Barra enfrentou o Cruzeiro/MG dentro do Estádio Mineirão e por muito pouco não saiu com a vitória. Aconteceu no dia 30 de janeiro de 1983, naquela que foi a partida de número 1.935 da caminhada coral. O jogo foi válido pelo campeonato brasileiro e coube ao centroavante Almir a honra de marcar um belo gol em cima de Vitor, um dos goleiros mais importantes da história cruzeirense, exatamente aos 34 minutos do primeiro tempo. O adversário conseguiu o empate através do atacante Edmar, que também marcou época no futebol nacional defendendo a camisa de vários times importantes. As duas equipes estavam no grupo H da competição, que tinha ainda Treze/PB, Vasco/RJ e Náutico/PE. Confira os gols no vídeo recuperado pelo nosso blog.

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Foto do Ferroviário em 1983. Em pé: Giordano, Doca, Israel, Zé Carlos, Maurício e Luisinho; Agachados: Paulo César Cascavel, Paulinho Lamparina, Almir, Betinho e Jorge Veras.

Veja também a foto acima. Apesar de não ter sido tirada no Mineirão, é um registro do time base que jogou contra o Cruzeiro/MG, no qual 8 jogadores entraram em campo naquele histórico domingo, além do goleiro Giordano que estava no banco. O Ferrão formou com Hélio Show, Laércio, Zé Carlos, Nilo e Luisinho; Doca (Paulinho Lamparina), Edson e Betinho; Ednardo (Paulo César Cascavel), Almir e Jorge Veras, time comandado pelo professor Wilson Couto. Já o adversário, treinado por Orlando Fantoni, jogou com Vitor, Eugênio, Ozires, Ailton e Luís Cosme; Orlando (Eduardo), Douglas e Tostão; Paulo Borges, Edmar e Joãozinho (Edu). Naquela tarde, o Mineirão recebeu um público de 40.356 pagantes, que viram uma modesta equipe cearense complicar a vida de um dos gigantes do futebol brasileiro, o que definitivamente entrou pra história do Ferroviário.

FLAMENGO X FERROVIÁRIO NA ÍNTEGRA DIRETAMENTE DE 1982

A última postagem do ano é um presente especial do Almanaque do Ferrão para quem acompanhou o time coral no início dos anos 80, período em que o Tubarão da Barra figurava na divisão principal do campeonato brasileiro e enfrentava os maiores times do país. Acompanhe agora na íntegra a gravação de um daqueles grandes jogos, quando o Ferrão jogou no lendário Maracanã contra um dos principais times que o futebol mundial já viu, o Flamengo de Zico, Andrade e companhia, que há apenas 45 dias havia conquistado o título interclubes derrotando o Liverpool da Inglaterra. Os mais de 30 mil presentes no estádio viram um ótimo jogo com o Ferroviário apresentando um belo toque de bola no primeiro tempo, porém implacavelmente derrotado diante da supremacia em campo do rubro-negro carioca principalmente na etapa final.

Com uma dupla de zaga reserva formada pelo jovem Júlio, que trata-se hoje do treinador cearense Júlio Araújo, e pelo improvisado lateral Rôner, o Ferrão não foi páreo para o Flamengo, apesar dos vários volantes em campo e da excelente forma do jovem goleiro Barbiroto, emprestado na época pelo São Paulo. Ao final da partida, o placar apontou 3×0 para o time carioca com um show de Zico, autor de todos os gols. Era o jogo de número 1873 da história do Ferroviário Atlético Clube, disputado em 31/1/1982, justamente contra o principal time do mundo naquele momento, o que por si só já torna quase que obrigatório acompanhar na íntegra o tape daquele memorável embate.

Treinado por Assis Furtado, ex-jogador, ex-árbitro e comentarista esportivo, o Ferroviário foi a campo com o futebol de Barbiroto, Paulo Maurício, Júlio, Rôner e Jorge Henrique; Augusto, Meinha, Doca e Jorge Bonga (Zé Carlos); Vicente Cruz e Roberto Cearense (Paulo César Cascavel). O Flamengo do técnico Paulo César Carpegiani jogou com Raul, Leandro, Marinho, Mozer e Júnior; Andrade, Adílio e Zico; Popéia, Nunes e Edson (Vitor). Aproveite o espetáculo e recupere a memória nos gramados de nomes famosos que vestiram a camisa do Ferroviário. Você não vai se arrepender.