Sobre Evandro Ferreira Gomes

Evandro Ferreira Gomes é fanático por futebol e torcedor do Ferroviário Atlético Clube desde os 8 anos de idade, tendo dedicado mais de 20 anos de sua vida aos trabalhos de pesquisas e entrevistas que levaram ao lançamento da 1ª edição do Almanaque do Ferrão, publicado em junho de 2013. Economista com especialização em marketing e mestrado em administração de empresas, o autor trabalha como consultor empresarial e professor universitário nos cursos de marketing, publicidade e jornalismo, além de atuar em gestão de projetos de comunicação, marketing e relacionamento em ambientes esportivos com experiência no Brasil e na Inglaterra. Foi diretor de marketing, diretor de futebol e vice-presidente do Ferroviário Atlético Clube entre 2008 e 2014, tendo atuado diretamente na edição da revista ´Expresso Coral`, criação do programa sócio-torcedor, formação e contratação de atletas, captação de patrocínios e investidores, dentre outras atividades profissionais.

OS 20 HERÓIS DO FERROVIÁRIO NO TÍTULO INVICTO DE 1968

Matéria do Correio do Ceará fazendo um balanço dos atletas e número de partidas no título de 1968

Ontem completou mais um aniversário do título invicto de 1968, conquistado após um empate em 1×1 contra o Fortaleza, no PV, com o atacante João Carlos assinalando o tento que ficou marcado na história como o ´gol do título`. Abrimos o nosso baú e você pode conferir acima um recorte do Jornal Correio do Ceará, trazendo um balanço dos vinte jogadores que participaram daquela memorável campanha. Alguns nomes precisam de pequenos esclarecimentos: O Luís no texto é o zagueiro Luiz Paes, o goleiro Cavalheiro foi identificado como ´Cavaleiro` e o Aberlado em questão é o nome do craque Coca Cola. Cada jogador ganhou uma premiação de 150 Cruzeiros Novos pelo empate com o Fortaleza, além de uma outra premiação pelo título estadual. Naquele ano, o Ferrão jogou 14 partidas para conquistar o título e todos os jogos tiveram o sagaz Ivonísio Mosca de Carvalho como comandante técnico. Além de tradicionais adversários domésticos como Ceará, Fortaleza, Calouros do Ar, Quixadá, Guarany de Sobral e América, o Tubarão da Barra enfrentou o extinto Messejana na competição, em dois jogos realizados no PV. Cada equipe fez 14 jogos no certame em jogos de ida e volta. Após o empate com o Fortaleza, a torcida coral ainda teve que esperar o resultado final de Quixadá x Guarany para comemorar, pois o Cacique do Vale nutria chances de ficar com o título. Após o anúncio de um eletrizante 4×4 no placar, o campo do PV virou um mar de torcedores corais eufóricos na comemoração da brilhante conquista invicta e vinte jogadores foram eternizados como heróis.

FALECEU O GOLEIRO DO PRIMEIRO JOGO OFICIAL À NOITE NA BARRA

Registro do Globo Esporte no período em que Carlinhos era treinador de goleiros do Sergipe

Carlinhos faleceu no final do mês passado e foi mais uma vítima de Covid no Brasil. Ele aumentou a absurda marca de mais de 500 mil mortos verificados em território nacional e figura na lista de nomes como Marcelo Veiga e Dário, entre outros ex-jogadores corais vitimados pela doença. Foram apenas 4 jogos com a camisa do Ferrão no início dos anos 1990, quando chegou precedido de grande cartaz pelo fato de ser um arqueiro histórico do Central de Caruaru e por ter participado do elenco do Guarani de Campinas durante um período auspicioso da equipe paulista. Na Barra do Ceará, Carlinhos foi o titular da meta coral no primeiro jogo oficial realizado à noite no Estádio Elzir Cabral, contra o Tiradentes, na estreia do Campeonato Cearense de 1990. Depois, ele acabou amargando a reserva do paraibano Pedrinho na competição e deixou a equipe. Nascido em Caruaru, Antônio Carlos de Oliveira trabalhou em várias comissões técnicas como preparador de equipes nordestinas quando pendurou as luvas. Abaixo, cabe recordar uma matéria da TV Verdes Mares onde Carlinhos aparece como uma das opções para a meta coral. Descanse em paz.

MANAUS É A SÉTIMA VÍTIMA NO CARLOS DE ALENCAR PINTO

Carlos de Alencar Pinto: estádio do Ceará onde o Ferroviário mandou vários jogos ao longo da história

Responda rápido: o que o Nacional/CE, Gentilândia, Ceará, Fortaleza, América/CE, Usina Ceará e Manaus/AM têm em comum? A resposta é interessante: essas sete equipes perderam para o Ferroviário em jogos oficiais realizados no Estádio Carlos de Alencar Pinto, cujo a propriedade pertence ao rival Ceará Sporting Clube. Domingo passado, o Tubarão da Barra ganhou de 1×0 do Manaus e selou a primeira vitória naquela praça esportiva em um jogo de Campeonato Brasileiro. Entretanto, notadamente na década de 1950, alguns jogos do Ferrão, válidos pelo Campeonato Cearense, foram realizados no próprio estádio alvinegro em razão de diferentes circunstâncias. Antes da vitória contra a equipe manauara no último dia 18, o time coral já havia se apresentado no velho estádio de Porangabussu em 35 oportunidades, desde o primeiro confronto, contra o próprio Ceará, um amistoso realizado no dia 4/6/1950, que terminou empatado em 2×2. Com o PV interditado e com o gramado do Castelão em péssimas condições, aliado ao fato do Estádio Elzir Cabral não poder receber jogos noturnos atualmente, sobrou para o calendário futebolístico exatamente o tradicional espaço que um dia foi chamado de Ilha das Cobras. O primeiro jogo por lá trouxe sorte e resgatou a lembrança de tradicionais adversários locais que um dia sucumbiram para o Ferrão no Carlos de Alencar Pinto.

AS CONTRATAÇÕES CORAIS NO INTERVALO DO ESTADUAL DE 1992

Resgatamos acima imagens da TV Jangadeiro e TV Verdes Mares em julho de 1992. Pouca gente lembra, mas nesse período, o então dirigente da base coral Clóvis Dias acabara de assumir a direção de futebol e contratou vários jogadores para o restante do Campeonato Cearense. Crias do Corinthians/SP, chegaram Wágner, Agnaldo e Marcelo, que acabou não ficando no elenco. Clóvis investiu ainda em quatro nomes rodados do futebol brasileiro: o volante Dudu, ex-Vasco/RJ, o lateral esquerdo João Luís, ex-Fluminense/RJ, o atacante Rodinaldo, ex-Palmeiras/SP e o goleiro Jorge Carioca, ex-Campo Grande/RJ. O experiente zagueiro Edson Oliveira, vindo do São Caetano/SP, também chegou. Dois meses depois, o famoso atacante Helinho, ponta-direita com belíssima passagem pelo Botafogo/RJ, também se apresentou na Barra do Ceará, anunciado após a desistência do Fortaleza pela sua contratação. Mesmo tendo desembarcado no Pici, Helinho acabou não ficando em razão de um problema detectado no joelho durante o exame médico. Por um desses caprichos do futebol, o jogador estreou com a camisa coral justamente contra o Fortaleza, no PV, e marcou um gol. Sob o comando do treinador Celso Gavião, estes foram os primeiros nomes trazidos pelo dirigente Clóvis Dias para o Ferroviário Atlético Clube, durante sua curta passagem pela direção de futebol no Estadual de 1992. No final de fevereiro do ano seguinte, ele saiu novamente da base coral, dessa vez para a assumir a presidência do clube, transformando-se num dos dirigentes mais vitoriosos da nossa história. Clóvis Dias mereceu um capítulo em sua homenagem no livro ´Crônicas Corais`, lançado no final do ano passado.

AQUILO QUE VOCÊ NÃO SABIA SOBRE O EX-GOLEIRO MARQUINHOS

Bela homenagem recente do Rio Branco de Americana ao ídolo e ex-goleiro Marquinhos Sartori

O goleiro Marquinhos fez apenas um jogo com a camisa do Ferroviário. Chegou ao clube num momento financeiro muito difícil e tinha o Ceará como adversário em sua estreia. O ano era 1993 e a direção do Ferroviário havia montado um elenco com jogadores de qualidade duvidosa, alguns até experientes, mas em péssimo momento técnico. Marquinhos chegou com a fama de arqueiro rodado, que havia feito história no Rio Branco de Americana e recordista na posição em número de jogos. Em duas passagens, entre 1983 e 1985, e de 1990 a 1992, foram 127 jogos com a camisa do Rio Branco/SP. Na Barra do Ceará, Marquinhos deu azar. Sua única partida se deu exatamente no dia que o Ferroviário foi humilhado por 9×1 pelo Ceará, resultado desastroso que gerou a renúncia do presidente Edilson Sampaio, do diretor de futebol Walmir Araújo e do restante da diretoria ainda nos vestiários do Castelão. Marquinhos acabou não permanecendo no Tubarão da Barra em razão daquela debacle histórica, aliado ao fato de não ter feito uma atuação convincente que determinasse sua manutenção no elenco. Além dele, vários atletas foram dispensados pelo novo comando coral, capitaneado por Clóvis Dias. Marquinhos voltou para Americana e decidiu encerrar sua carreira. Posteriormente, virou treinador de goleiros do Rio Branco/SP e chegou a ser técnico da tradicional equipe paulista.

Familiares do ex-goleiro Marquinhos na cerimônia de inauguração do campo que leva seu nome

No dia 29 de novembro de 2012, aos 48 anos de idade, Marquinhos dirigia seu carro, à noite, pelo quilômetro 129 da Rodovia SP-304, em Americana, quando perdeu o controle do veículo e capotou. Foi socorrido ao Hospital Municipal Dr. Waldemar Tebaldi, mas não resistiu aos ferimentos. Querido na cidade e bastante representativo na história do Rio Branco de Americana, o ex-goleiro Marcos Augusto Sartori foi homenageado, em julho de 2018, pela Secretaria de Esportes da cidade. O campo de futebol do Centro Cívico passou a levar o nome do goleiro que sempre honrou as cores do Rio Branco/SP. A viúva do ex-goleiro, sua mãe e uma irmã prestigiaram o evento. Há cerca de sete anos, o vídeo abaixo foi postado aqui no blog e recorda exatamente a véspera do jogo contra o Ceará em 1993. É possível ver o goleiro Marquinhos nas imagens do apronto para o Clássico. Após a derrota humilhante para o alvinegro, o Ferrão se recompôs, chegando a disputar uma final de turno ainda naquela competição. A base daquele trabalho de recomposição serviu para montar justamente a equipe que sagrou-se bicampeã estadual nos dois anos seguintes.

FERRÃO TEM CAMISA VERMELHA PELA PRIMEIRA VEZ NA HISTÓRIA

A novidade chegou com os dois primeiros jogos do Ferroviário no Campeonato Brasileiro desse ano. Acostumado nos últimos anos a lançar seu terceiro uniforme às vésperas da competição nacional, a direção coral optou por utilizar um uniforme completamente vermelho. O fato era inédito na história do clube. E o vermelho conseguiu bons resultados nas duas primeiras rodadas: um empate, fora de casa, contra o Botafogo/PB e uma vitória em cima do Altos/PI, em jogo que marcou o retorno do Elzir Cabral para jogos de Brasileiro depois de quase 12 anos. Nas últimas temporadas, o Tubarão da Barra tem ousado bastante em seus uniformes. Além do retorno da camisa branca com listras diagonais depois de quase quatro décadas, o clube investiu no redesign da camisa preta, anteriormente utilizada entre 2008 e 2013, e também na volta do vistoso modelo coral, muito utilizado no final dos anos 1960. Some-se às recentes iniciativas citadas, a utilização de modelos nas cores dourada e laranja, quando a equipe amargava jogos pela segunda divisão do Campeonato Cearense em 2015 e 2016. Qual a sua camisa favorita? Em tempo: na fotografia acima de Lenílson Santos, vemos o atacante Gabriel Silva comemorando o seu primeiro gol pelo Ferrão, que é também o primeiro com a camisa vermelha!

REGISTRO DE UMA FORMAÇÃO DO FERRÃO NO ESTADUAL DE 1985

Ferroviário Atlético Clube no Estádio Romeirão em 1985 – Em pé: Laércio, Arimatéia, Walter, Nélson, Joãozinho e Léo; Agachados: Arnaldo, Nildo, Alex, Luizinho das Arábias e Adílton

O registro fotográfico acima foi feito no Estádio Romeirão, em Juazeiro do Norte, antes de um jogo válido pelo Campeonato Cearense de 1985, contra o Guarani. O Tubarão da Barra apresentava algumas caras recentemente contratadas para a competição, como o zagueiro Léo e o atacante Nildo, ambos oriundos do Remo/PA. Na defesa daquele jogo, o zagueiro manauara Joãozinho acabou jogando improvisado na lateral esquerda, já que o titular Clésio estava contundido. Ele tinha boa reputação em suas passagens pelo Fast/AM e pelo Nacional/AM em temporadas anteriores. O meio campista Alex, ex-Náutico/PE, era o pulmão da equipe. Infelizmente, terminou se contundido seriamente no joelho e precisou ser operado. O craque Adílton, já em final de carreira, era o toque de classe daquela onzena, que tinha na frente o artilheiro do campeonato, o implacável e ídolo histórico Luizinho das Arábias. No meio campo, o Ferrão contava ainda com o talento de Arnaldo, que fazia apenas a sua segunda apresentação oficial com a camisa coral. No banco desse time, os pontas Cardosinho e Foguinho. Ambos acabaram entrando no segundo tempo. O jovem Nildo, centroavante de origem, anos depois jogou muito bem com a camisa do Grêmio/RN e, na temporada de 1994, atuou pelo Ceará, ano em que o Ferroviário foi campeão cearense. Após o Estadual de 1985, o serelepe Arnaldo deixou o clube, mas voltou para ser campeão em 1988. O time do Ferroviário de 1985 era excelente e competitivo. Esse time terminou não sendo campeão, graças a erros decisivos da arbitragem cearense em jogos cruciais da competição contra Ceará e Fortaleza. Alguma novidade?

IMAGENS DA FESTA NA BARRA NO BICAMPEONATO EM 1995

Hoje é o aniversário de 88 anos do Ferroviário Atlético Clube. E para comemorar, o Almanaque do Ferrão publica acima as raras imagens, da extinta TV Manchete, filmadas na comemoração do Bicampeonato Cearense ocorrida no Estádio Elzir Cabral, exatamente uma semana depois da grande conquista no PV contra o Icasa. O material inédito esteve guardado durante um quarto de século no acervo pessoal do torcedor Davi Mapurunga, que gentilmente cedeu-as ao blog após digitalizar as imagens antigas gravadas originalmente em fita VHS. Além de trazer os gols do jogo de entrega de faixas contra o Guarany de Sobral, na Barra, o vídeo traz imagens e depoimentos de nomes importantes da nossa história como Zezé do Vale, Zé Limeira, Valdemar Caracas, o atacante Reginaldo e o presidente Clóvis Dias. Vale a pena recordar esse belo registro relativo à maior conquista coral em nível Estadual, que agora fica disponível para todos os torcedores e desportistas em geral. E como não poderia deixar de ser no dia de hoje: Feliz Aniversário, Ferrão!

EMPATE COM O GUARANY EM SOBRAL NA TEMPORADA DE 1996

O vídeo acima é o resgate dos melhores momentos de um jogo do Ferroviário pelo Campeonato Cearense de 1996. Corria o 3º Turno da competição, no dia 9 de Junho, e o Guarany, jogando em seus domínios, abriu o placar com o centroavante Mano. O artilheiro Robério empatou para o Tubarão da Barra no segundo tempo. No final do vídeo, podemos conferir entrevistas com o volante Rutênio, cria do próprio Ferroviário, porém emprestado ao Cacique do Vale, e de Luiz Torquato, presidente do Guarany, que declarou ter sido o Ferrão muito superior dentro de campo. A partida teve César Augusto na arbitragem e o Ferroviário formou com Jorge Luiz, Biriba (Borges), Batista, Santos e João Marcelo; Paulo Adriano (Gibi), Silvio César, Marquinhos e Clayton; Robério e Esquerdinha. Danilo Augusto era o técnico coral. Por sua vez, treinado por Teco Teco, o Guarany jogou com Batista, Jadilson (Eraldo), Joãozinho, César e Erandy; Toninho Barrote, Rutênio e Márcio Silva; Lalá, Mano e Léo (Cristiano). Na sequência do campeonato, o Ferroviário Atlético Clube sagrou-se campeão do 3º turno, fazendo a final em dois jogos contra o Quixadá. A conquista qualificou o time coral para a final da competição contra o Ceará.

EX-GOLEIRO MARCELINO CONTA SUAS LEMBRANÇAS NO RÁDIO

Vale a pena conferir o material acima. Ele foi gravado originalmente durante uma entrevista no programa “Futebolistas“, que vai ao ar pela Rádio Assunção AM 620, aos domingos, de 10h às 12h. O registro traz depoimentos importantes do ex-goleiro Marcelino, intercalados por fotos e imagens do acervo do ex-atleta coral. Durante 27 minutos, o detentor de um recorde histórico no futebol cearense – 1.295 minutos sem sofrer gols no Estadual de 1973 – recorda nomes e momentos importantes de sua carreira, relatando com riqueza de detalhes fatos importantes sobre sua proeza alcançada há quase cinco décadas. Marcelino abre a conversa falando com carinho do ex-dirigente Ruy do Ceará e, em seguida, discorre sobre detalhes que vão desde sua vinda para o Ferroviário, no final da temporada de 1969, o título cearense no ano seguinte, passando por momentos auspiciosos em sua carreira como o dia em que enfrentou o Real Madrid em pleno Santiago Bernabéu, além de sua vitoriosa passagem pelo futebol maranhense no final da década de 1970. Quase dez anos depois de figurar no Time dos Sonhos do Ferrão e gravar um vídeo produzido pelo próprio clube, Marcelino abre suas memórias nessa conversa de rádio e, como não poderia deixar de ser, o Almanaque do Ferrão agora eterniza esse momento. Aproveite!