REGISTRO DE UM FERROVIÁRIO QUE LUTOU CONTRA O REBAIXAMENTO

Ferroviário Atlético Clube em Abril do ano 2000 – Em pé: Gilberto, Santos, Cláudio, Erivan, Júnior e Borges; Agachados: Chiquinho, Rogério, João Paulo, Assis e Marcelo Rocha

O ano 2000 foi extremamente difícil para o Ferroviário. O registro fotográfico acima mostra uma das formações da equipe coral naquela temporada, quando o Tubarão da Barra fez uma péssima campanha e lutou, pela primeira vez na história, contra o rebaixamento estadual. O clube só se salvou na última partida do campeonato ao vencer o Crato por 1×0, gol de Borges, e contar com o empate em 2×2 entre Quixadá e Guarany de Sobral. A temporada do ano 2000 foi repleta de insucessos, crises, troca de presidentes e uma autêntica devastação na boa reputação construída nos áureos anos 1990. Na foto acima, vê-se que o treinador Newton Albuquerque teve que contar nas últimas rodadas com a participação de jovens da base coral, como o zagueiro Erivan, o lateral esquerdo Júnior e o atacante João Paulo. Ainda na imagem, é possível ver o volante Rogério, ex-Sport/PE, e o experiente goleiro Gilberto, que pela última vez vestia a camisa do Ferrão. Quem terminou jogando a competição no arco coral foram os jovens Wágner e Zenga, que foi titular no jogo contra o Crato no final de abril daquele ano. O elenco tinha ainda o zagueiro Cláudio, Marcelo Rocha, atacante que vestiu a camisa do Santa Cruz/PE, e os cearenses Chiquinho, Santos e Assis.

RECORDE O BORDÃO: “SOBROU PRO JOÃO É BOLA NO CORDÃO”

Caiu mais um vídeo raro do Ferroviário no YouTube. Ele foi gravado originalmente em 1989 e mostra uma vitória do Ferrão em cima do Ceará por 2×1. O artilheiro Cacau marcou o primeiro gol do time coral e o tento da vitória saiu dos pés do centroavante Joãozinho Paulista, famoso ex-jogador de grandes times do futebol brasileiro, contratado naquela temporada como um grande reforço para o Tubarão da Barra. Aquela era apenas a segunda partida de Joãozinho Paulista no Ferrão e ele comemorou seu gol de forma inusitada. Após a vitória, ele falou às emissoras de rádio: “Sobrou pro João é bola no cordão”, que acabou virando bordão para o narrador Ivan Bezerra, da TV Verdes Mares, na narração dos outros gols que o centroavante marcou na competição. Treinador por Erandy Montenegro, o Tubarão venceu com Albertino, Caetano, Arimatéia, Juarez e Marcelo Veiga; Evilásio, Alves e Jacinto (Luís Carlos Gaúcho); Cacau, Joãozinho Paulista (Silmar) e Paulinho. Comandado por Lula Pereira, o alvinegro perdeu com Washington, Mário, Belterra, Edson Barros e Paulo César; Beto Cruz (Magno), Gerson Sodré e Carlos Alberto Borges; Márcio, Celso Mendes e Santos. O jogo aconteceu no dia 9 de Abril de 1989 no Castelão.

ÍDOLO DO BOTAFOGO/RJ JOGOU NO FERROVIÁRIO EM 1992

Ponta direita Helinho em entrevista para o Globo Esporte de Fortaleza na temporada de 1992

Ele foi um dos ídolos do Botafogo/RJ nos anos 1980. Há 30 anos, o ponta direita Helinho fazia sua estreia com a camisa do Ferroviário Atlético Clube. Foi no dia 24 de setembro de 1992, no PV, contra o Fortaleza. O atleta foi contratado apenas para os últimos dois meses do Campeonato Cearense daquele ano. Inicialmente, Helinho chegou para defender justamente o Fortaleza, mas acabou não aprovado nos exames médicos. Do Pici, o rumo do jogador foi a Barra do Ceará, levado pelo dirigente Clóvis Dias, que exercia o cargo de diretor de futebol na ocasião. Curiosamente, ao fazer sua estreia no Clássico das Cores, o jogador deixou a sua marca em cima do time que o rejeitou. Foi dele o gol coral no empate de 1×1 com o Fortaleza. Três dias depois, mais um clássico, dessa vez contra o Ceará, no Castelão, e Helinho marcou outro gol com a camisa do Ferrão. No decorrer da competição, assinalou seu terceiro e último gol contra o Icasa, no Elzir Cabral. Ao todo foram apenas 7 jogos pelo Ferroviário na carreira do carioca Hélio Ricardo Dias da Conceição, o Helinho. Dois anos depois de sua passagem pelo futebol cearense, ele pendurou as chuteiras atuando no estado do Espírito Santo. Grêmio/RS e Bangu/RJ foram outras equipes em seu currículo.

VITÓRIA EM QUIXADÁ QUE GARANTIU O 3º TURNO EM 1996

Vale a pena conferir o vídeo acima. O material resgata imagens raras da TVC com os gols e a comemoração coral após uma vitória no Estádio Abilhão em Quixadá. A narração é de Luiz Carlos Amaral. O time da casa tinha uma boa onzena e chegou à final do 3º turno do Campeonato Cearense contra o Ferrão. No primeiro jogo, vitória coral por 2×1 no PV. Na segunda partida, fora de casa, o Tubarão da Barra fez 3×1 no placar e carimbou o passaporte para disputar a final da competição contra o Ceará, equipe vencedora dos dois primeiros turnos. Treinado por Danilo Augusto, o Ferrão venceu com Jorge Luiz, Biriba, Batista, Santos e João Marcelo; Alencar, Paulo Adriano, Sílvio César e Clayton (Gibi); Robério (Borges) e Cantareli (Esquerdinha). A equipe da terra da galinha choca perdeu com Ivan, Aírton, André, Eudes (Neto) e Astênio; Robertinho, Cabal, Toninho (Igor) e Maurim; Chico Pita e Somar (Régis). O técnico adversário era Argeu dos Santos. Luis Vieira Vilanova apitou a partida diante de 2.904 pessoas no Abilhão. Robério, André (contra) e Borges fizeram para o Ferrão, enquanto Cabal descontou para o Quixadá. No jogo seguinte, o time coral batia o Ceará por 1×0 e alimentava o sonho do tricampeonato estadual, forçando a realização de dois jogos extras contra o alvinegro. Por muito pouco, o tri não chegou para a Barra do Ceará. Os acontecimentos extra-campo nas duas semanas seguintes selaram a ida da taça para Porangabuçu, mas isso é assunto para outra postagem qualquer dia desses.

FOTO DO GOL DE JORGE VERAS CONTRA O FORTALEZA EM 1982

ídolo Jorge Veras chuta e vence o goleiro Salvino em jogo decisivo do Campeonato Cearense de 1982

O gol do registro fotográfico acima já mereceu postagem aqui no blog com a recuperação histórica da imagem em vídeo do referido lance. Corria o dia 5 de dezembro de 1982 e o Fortaleza precisava só de um empate para ser campeão estadual naquele domingo. Na etapa final, o atacante Jorge Veras aproveitou um vacilo do atacante Edmar e roubou-lhe a bola, avançando para marcar o gol da grande vitória coral no Castelão. O adversário ainda perdeu um pênalti na partida. O resultado forçou a realização de uma “melhor de quatro pontos” para apontar o grande campeão da temporada. A bela imagem acima foi devidamente publicada no dia seguinte nos jornais da capital cearense que estamparam o triunfo coral.

EMPATE NA ESTREIA DO TÉCNICO CAIÇARA NO ESTADUAL DE 1985

O vídeo acima resgata os gols de um grande clássico do Campeonato Cearense de 1985. Ferroviário e Ceará se enfrentaram num sábado, dia 22 de junho. O jogo marcou a estreia do experiente treinador Caiçara no comando técnico coral. O presidente Caetano Bayma investiu pesado e montou uma das melhores equipes do Ferrão na história. Naquela fase inicial da competição, as apostas recaíam em cima do talento do craque Adílton, que marcou o gol do Tubarão da Barra, de cabeça, após cruzamento de Carlos Antônio. O zagueiro Argeu marcou primeiro para o alvinegro. Os goleiros Wálter e Osvaldo foram considerados os melhores em campo com grandes defesas. O Ferrão formou com Wálter, Laércio, Arimatéia, Zé Luís e Joãozinho; Nélson (Marquinhos), Alex e Adílton; Cardosinho, Luizinho das Arábias e Carlos Antônio (Foguinho). Treinado por Zé Mário, o Ceará jogou com Osvaldo, Antunes, Djalma, Argeu e Bezerra; Alves, Lira e Assis Paraíba (Josué); Katinha, Neném (Flávio) e Amauri. Dessa equipe, Osvaldo, Djalma, Argeu, Alves e Lira jogariam no Ferrão em temporadas posteriores. Por sua vez, o volante Flávio Araújo foi técnico do Ferroviário em 2002. Nessa partida em junho de 1985, apenas 3.543 pessoas pagaram ingresso para assistir ao clássico, que foi arbitrado por Joaquim Gregório. No decorrer da competição, o Tubarão da Barra se reforçou ainda mais com contratações como o zagueiro Léo, o lateral Vassil, os meias Arnaldo, Denô e Wander, além do centroavante Nildo, que depois se destacou no cenário nacional jogando pelo Grêmio/RS. O treinador Caiçara comandou o Ferrão em 26 partidas e terminou a competição dirigindo o Ceará.

Treinador Francisco Barbosa Gomes, conhecido como Caiçara, foi treinador do Ferroviário em 1985

JOGO DA QUEBRA DO TABU CONTRA O FORTALEZA NO ESTADUAL DE 2007

Depois da última postagem sobre o lateral direito Lionn, chegaram alguns pedidos para destacar a quebra do tabu contra o Fortaleza, ocorrida no Campeonato Cearense de 2007. O Tubarão da Barra não vencia o Tricolor do Pici desde o dia 27 de Junho de 1999 e ainda não havia derrotado o velho rival no Século XXI. Com um time cheio de garotos da base, formados na geração de atletas preparada pelo treinador Jorge Veras, o Ferrão quebrou o tabu no dia 1º de abril de 2007, jogando no Castelão. Naquele domingo, o Ferroviário venceu a partida com o futebol de Cássio, Lionn, Jaílson, Nemézio e Leonardo; Dedé, Guto, Róbson e Everton (Jarbson); Danúbio (Carlinhos) e Valmir (Léo Jaime). O técnico era Daniel Frasson. Treinado por Paulo Bonamigo, o Fortaleza perdeu o jogo com Tiago Cardoso, Bileu (Léo Gago), César, Santiago e Guto; Válter, Cocito (Cleverson), Jean (Igor) e Rogerinho; Rinaldo e Adriano Chuva. Confira os gols acima, principalmente o golaço do jovem Leonardo, que era originariamente meia esquerda, mas atuou improvisado na lateral. Danúbio e Valmir marcaram os outros gols, enquanto Cleverson descontou para o Fortaleza. A gurizada coral só entrou em campo contra o Fortaleza porque, na véspera, a diretoria dispensou 13 jogadores do elenco profissional. Foram quase 8 anos sem derrotar o Fortaleza, mais precisamente 2.830 dias, mas a vitória veio nos pés de um time que era praticamente todo Sub-20 e em cima da equipe que, pouco tempo depois, sagrou-se campeã cearense de 2007. Daquela formação que quebrou o tabu, os jogadores que tiveram maior destaque no futebol foram Lionn, Léo Jaime e Everton, que posteriormente foi campeão brasileiro vestindo as camisas do Fluminense/RJ e do Cruzeiro/MG.

ÁUDIO RARO COM 4 GOLS DO FERRÃO NO CAMPEONATO CEARENSE DE 1974

O áudio acima resgata os 4 gols do Ferrão em jogo do Campeonato Cearense de 1974. Corria o 1º turno e o time coral fazia a estreia do treinador Gilvan Dias, ex-goleiro do próprio Ferroviário no final dos anos 1950. Mesmo em grave crise financeira, o Ferrão conseguiu contratar três jogadores experientes que se destacaram no Ceará: Jorge Costa, Samuel e Gaspar. Samuel era o que se podia chamar verdadeiramente de craque no futebol. A passagem dos três foi rápida pelo Ferroviário. No áudio recuperado acima, o narrador Gomes Farias relata, pela Rádio Verdes Mares de Fortaleza, gols de Samuel e Jorge Costa com a camisa coral. Além deles, Perivaldo e Jeová também marcaram. O primeiro chegara emprestado pelo Bahia/BA e vestiu a camisa da seleção brasileira na continuidade de sua carreira. O segundo era egresso das categorias de base, assim como os jovens Cândido, Lúcio Sabiá, Grilo, Vicente e Edilson Lopes, todos formados na geração revelada pelo ex-jogador Coca Cola. Aproveite e escute com atenção a raridade agora resgatada pelo blog.

Matéria de jornal destacando a contratação dos experientes Jorge Costa e Samuel pelo Ferroviário

RELEMBRE UMA GOLEADA EM CIMA DO CEARÁ POR 4X0 EM 2006

O jogo acima ocorreu há mais de uma década. Ferroviário e Ceará se enfrentavam pelo Campeonato Cearense de 2006, no dia 5 de fevereiro daquele ano. Depois de fazer 4×1 no Itapipoca na rodada anterior, o Tubarão da Barra humilhou o Ceará, no PV, vencendo o clássico por 4×0. Acima, você pode conferir os gols das partida marcados por Reginaldo França, no primeiro tempo, e Danúbio, Cristiano e Raul na etapa final. O jogo foi apitado por Manoel Moita e teve um público de 12.863 pagantes. Treinado por Jorge Veras, o Ferrão goleou com o futebol de Jéfferson, Arildo (Marcos Pimentel), Nemézio, Reidner e Rone; Glaydstone, Ernandes, Raul e Reginaldo França; Cristiano (Wanderson) e Danúbio. O adversário, treinado pelo experiente Ferdinando Teixeira, perdeu com Adilson, Sidney, Valdo (Gian) e Clécio (Edson Santos); Arlindo Maracanã, Pansera (Barata), Tiago Matos, Diogo Oliveira e Cássio; Vinícius e Márcio. Os atacantes Cristiano e Danúbio foram os grandes nomes do clássico no PV. Ainda em início de carreira, o time coral contou também nesse jogo com o atacante Wanderson, que depois atuou em equipes importantes da Suécia, Turquia e da Rússia, como o Krasnodar e o Dínamo Moscou.

ÍDOLO EDSON CARIÚS CRAVA MAIS UM MARCO NA HISTÓRIA

Foto de Samuel Andrade registra o carinho da torcida do Ferroviário pelo ídolo Edson Cariús

Todo mundo sabe que Edson Cariús foi brilhante na conquista do inédito título de Campeão Brasileiro em 2018. Além de artilheiro da Série D nacional com 11 gols naquele ano, o centroavante foi artilheiro do Campeonato Cearense, na temporada seguinte, com 10 gols. Naquele momento, ele entrava para a ilustre galeria de jogadores corais que conquistaram o feito de maiores goleadores na primeira divisão da referida competição, ao lado de Mário Negrin (8 gols em 1943), Manuel de Ferro (12 gols em 1947), Pacoti (24 gols em 1957), Zé de Melo (21 gols em 1958), Lula (8 gols em 1975), Paulo César (29 gols em 1979), Luizinho das Arábias (24 gols em 1985), Cacau (21 gols em 1989), Batistinha (20 gols em 1994), Robério (26 gols em 1995), Rômulo (15 gols em 1998), Maurício Pantera (12 gols em 2004) e Giancarlo (19 gols em 2013). No Campeonato Cearense de 2022, Edson Cariús sacramentou novamente o título de artilheiro máximo da competição, dessa vez com 9 gols. O feito o coloca como o primeiro jogador na história do Ferroviário a repetir tal façanha! Lembrando ainda que no título da Taça Fares Lopes, em 2018, Cariús também foi decisivo e artilheiro da competição com 5 tentos. A foto acima, registrada no Castelão no último sábado, após a derrota coral num Clássico das Cores, evidencia bem o respeito e carinho que a torcida coral tem por seu ídolo, que em termos de números está prestes a alcançar a marca de 100 jogos pelo Ferroviário e ainda pode buscar a hegemonia de maior média de gols da história de uma equipe de quase 90 anos de existência. O tempo dirá o que Edson Cariús ainda será capaz de fazer pelo clube e pela sua própria biografia no futebol. A torcida coral agradecerá e aplaudirá de pé.