DE UM PALPITE PARA A COPA DE 1974 ATÉ O ARCO DO FERROVIÁRIO EM 1977

Renato em foto no Ferrão

Ele foi um dos goleiros do Ferroviário no campeonato cearense de 1977. Talvez nem o torcedor coral de melhor memória na ocasião consiga recordar. Estamos falando do paraibano Renato Acácio de Morais, nascido em 1º de maio de 1947 e que, prestes a completar 30 anos de idade, foi contratado pelo time coral junto ao Treze/PB, onde teve status de ídolo. No Tubarão da Barra foram apenas 11 partidas do arqueiro Renato, a primeira em 27/02/1977, no Junco, na vitória fora de casa por 3×2 em cima do Guarany de Sobral. A última foi contra o Fortaleza, no Castelão, derrota por 2×0, num jogo polêmico acontecido em 08/05/1977 em que o árbitro Lourálber Monteiro expulsou cinco jogadores corais aos 17 minutos do 2º tempo, inviabilizando o confronto. Renato começou a carreira no Cotinguiba/SE, mas foi no Bahia que teve maior destaque com o  bicampeonato estadual de 70/71 depois de uma passagem inclusive pelo Flamengo/RJ. Foi no futebol baiano que surgiu o apelido que marcou o goleiro no futebol: “Renato 74” quando o empolgado cronista baiano França Teixeira apostava publicamente em Renato como futuro goleiro da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1974.  Ledo engano. A carreira de Renato não decolou e ele foi parar no ABC/RN e no Treze/PB entre 1974 e 1976. Jogou ainda no Sampaio Corrêa/MA, Moto Clube/MA, Volta Redonda/RJ e Campinense/PB. Em 1982, teve seu nome envolvido como um dos delatores do escândalo da Máfia da Loteria Esportiva, um dos temas nacionais mais comentados na época. O mercado se fechou para Renato daí em diante. Foram vários anos mergulhado no álcool e com sintomas de senilidade precoce até falecer de cirrose hepática, em Campina Grande, no dia 15/06/1986 como mostra a matéria do jornal Diário da Borborema relatando a morte do ex-goleiro do Ferrão na temporada de 1977.

Matéria do jornal Diário da Borborema, de Campina Grande, sobre a morte do ex-goleiro Renato

GOL DE BETINHO QUEBRAVA A INVENCIBILIDADE DO FORTALEZA

Quem conhece a história do futebol cearense já ouviu falar do timaço que o Fortaleza montou para o campeonato cearense de 1983. Aquele elenco é considerado até hoje um dos mais fortes em toda a história do futebol alencarino e a equipe tricolor teve poucas derrotas no certame, que começou no mês de abril. Há exatos 35 anos, somente no mês de novembro, o Fortaleza perdia seu primeiro clássico no Estadual justamente para o Ferroviário, que um mês depois acabou ficando com o vice-campeonato. Depois de revirar nossos arquivos, achamos em vídeo o gol do craque Betinho que garantiu a vitória para o Ferrão por 1×0, que naquela tarde formou com o futebol de Dário, Laércio, Israel, Nilo e Fraga (Luisinho); Doca, Edson e Betinho; Foguinho, Jorge Veras e Paulinho Lamparina (Paulo César Cascavel). O treinador coral era Newton Albuquerque. O Fortaleza, do técnico Paulo Emílio, perdeu com Salvino, Caetano, Pedro Basílio, Tadeu e Clésio; Serginho, Wescley e Marquinho; Edson (Geraldinho), Luizinho das Arábias e Edmar (Hamilton). Desses, Caetano, Clésio e Luizinho das Arábias jogaram depois no Ferroviário. Era o jogo 1.985 da história coral, realizado no Castelão e que contou com um público de 9.971 pagantes. Joaquim Gregório foi o árbitro naquela tarde. Além da vitória, de quebra, o Ferroviário ganhou uma bela taça em homenagem ao aniversário de 10 anos do estádio Castelão.

AQUILO QUE VOCÊ SEMPRE QUIS SABER: POR ONDE ANDA CACAU?

José Carlos de Souza nasceu no dia 5/12/1963 em Sergipe. Somente em janeiro de 1989, aos 25 anos de idade, ele foi apresentado como novo reforço do Ferroviário para a temporada que se iniciava. Seu apelido: Cacau. Oriundo do Guarany de Sobral e com breve passagem pelo Ceará no ano anterior, ele chegou para ser meio campista, mas terminou se destacando na Barra do Ceará como atacante. Foram 62 jogos com a camisa coral e 35 gols marcados até 1991. Foi campeão do Torneio Ciro Gomes pelo Ferrão logo de cara, marcou 4 gols no jogo de inauguração do estádio Elzir Cabral para jogos oficias e sagrou-se artilheiro do campeonato cearense, logo em sua primeira temporada no Tubarão da Barra, com 21 gols no total. Antes de você saber por onde anda o inesquecível ex-goleador coral, vale a pena recordar o vídeo abaixo com a matéria de apresentação do então novo reforço naquele início de 1989, quando o Ferrão era treinado por Erandy Montenegro e tinha Vicente Monteiro como dirigente.

Essa semana, antes de viajar para Porto Alegre, o elenco do Ferroviário fez um treino no campo de grama sintética localizado no bairro Conjunto Esperança. Um senhor de 55 anos apareceu por lá e ficou conversando com os diretores do clube. Era Cacau, o eterno goleador coral, um dos nomes mais requisitados pelos internautas que procuram o nosso blog em busca de informações sobre craques do passado. Pois hoje ele é merecedor dessa homenagem. Cacau apareceu no treino coral pois ele atua no conselho gestor da chamada ´Areninha` situada no Conjunto Esperança, local onde o Ferroviário se adaptou ao tipo de solo sintético que enfrentará no Rio Grande do Sul. Reconhecido por dirigentes corais, Cacau recordou os bons momentos em que vestiu a camisa do Ferrão, posou para fotos e conheceu os atuais jogadores do elenco. Ele é pai de um casal de filhos e já é avô. Sua netinha Paola chegou ao mundo não faz muito tempo. Confira abaixo a foto atual do ex-goleador ao lado de sua bela família.

Ex-atacante Cacau em foto recente ao lado de sua família estabelecida na cidade de Fortaleza

Cacau em 1989

Cacau parou de jogar em 1995 quando atuava no Maranhão/MA em razão de uma grave lesão no joelho. Em sua época de Ferroviário, chegou a ser emprestado para o futebol paulista e teve algumas idas e vindas, sempre comemoradas pela torcida coral, que o tinha como um jogador que sabia deixar sua marca de artilheiro. Desde que parou de jogar profissionalmente, Cacau trabalhou na Unimed e depois foi aprovado em concurso público como técnico em imagem e radiologia, função que atua hoje em dia. Seu primeiro jogo com a camisa coral foi contra o Tiradentes/CE em janeiro de 1989 e fez sua última partida com o glorioso uniforme do Ferrão contra o Ceará, no dia 31/03/1991, um domingo de páscoa com gosto de despedida. Curiosamente, o primeiro e o último jogo pelo Ferrão tiveram o mesmo placar: 0x0. Quase três décadas depois de ser contratado para jogar no Ferroviário, Cacau lembra sempre de seus dias pela Barra do Ceará. Em breve áudio enviado ao blog, o ex-artilheiro coral agradece o carinho dos atuais diretores do clube, a lembrança da matéria e a certeza de que seu nome está gravado na história coral, além de comentar outras curiosidades sobre sua trajetória profissional que fazem valer a pena escutar a mensagem de Cacau durante a semana.

ESTREIA CORAL NO ESTADUAL DE 1966 NO FERIADO DO DIA DO TRABALHO

Ferroviário no Campeonato Cearense de 1966 – Em pé: Roberto Barra-Limpa, Zé do Mário, Carlinhos, Nilton, Albano e Vadinho; Agachados: Jarbas, Mozart, Marcos, Peu e Sabará

O Ferroviário já jogou 33 vezes na data festiva do dia 1º de maio, porém isso aconteceu pela última vez na distante temporada de 2003. Já são 15 anos sem jogos no feriado do Dia do Trabalho. Porém, vamos acionar o túnel do tempo do blog e ir até a temporada de 1966, quando o Ferrão amargava 14 anos de jejum sem o título de campeão cearense. Naquele 1º de maio, o time coral fazia sua estreia no Estadual justamente enfrentando o Fortaleza, que era treinado por um César Moraes ainda em início de carreira. O Ferroviário, do treinador carioca Jair Santana, apresentava uma série de novidades, entre elas o goleiro Carlinhos, ex-Vasco/RJ, o craque cearense Mozart e um pacote de reforços oriundo do Sampaio Corrêa: os zagueiros Vadinho e Valfredo, o volante Peu e os atacantes Jarbas e Sabará. Desses, Valfredo foi o único que não participou do primeiro jogo do campeonato de 1966. Além desses nomes, o time coral ainda tinha o meia Nilton, que chegou precedido de grande cartaz vindo do Botafogo/RJ. A foto acima foi tirada exatamente no jogo do dia 1º de maio e mostra bem a base da equipe na disputa em que o Ferroviário amargou apenas um quinto lugar, a frente apenas do Nacional. Sim, a competição tinha apenas seis participantes.

Jair Santana: técnico em 1966

O jogo de estreia do Ferroviário no campeonato cearense de 1966 teve Adélson Julião como árbitro e foi realizado no Estádio Presidente Vargas diante de um público de 12.000 expectadores. Foi o jogo de número 968 da história coral que já acumula mais de 3.600 partidas em 85 anos de trajetória. O jogo contra o Fortaleza terminou 0x0 graças às defesas dos dois goleiros, que brilharam naquele feriado. Ressalte-se que o Ferrão ficou com um jogador a menos no segundo tempo porque o lateral Roberto Barra-Limpa foi expulso por jogo violento. O Tubarão da Barra alinhou com Carlinhos, Zé do Mário, Vadinho, Albano e Roberto Barra-Limpa; Peu e Nilton; Jarbas, Marcos, Mozart e Sabará. Já o Fortaleza empatou com o futebol de Pedrinho, Português, Zé Paulo, Renato e Carneiro; Luis Martins e Joãozinho; Birungueta, Facó, Croinha e Zé Augusto. O técnico Jair Santana, um ex-jogador consagrado do Fluminense/RJ, permaneceu 23 jogos à frente do comando coral naquela temporada. O campeão de 1966 também não foi o Fortaleza. Foi o América, aliás o último título estadual daquela gloriosa equipe que há décadas anda sumida do cenário esportivo cearense.

JOGO MARCADO PARA UMA QUARTA-FEIRA À TARDE LEMBRA O QUE?

Luizinho: 3 gols em 1986

Ferroviário e Uniclinic jogam nessa quarta-feira, às 16 horas, no Estádio Presidente Vargas. Sem dúvida, um horário inadequado para um dia de semana útil e, por isso, o público promete ser dos menores. Porém, engana-se quem afirma que isso é algo inédito na vida do Ferroviário. Na temporada de 1986, o Ferrão enfrentou o Icasa exatamente numa quarta-feira à tarde. O jogo foi marcado para o Castelão, que estava reformando suas torres de iluminação e não dispunha de luz artificial para a partida. Apenas 207 pagantes desafiaram o horário em dia útil e a concorrência de Uruguai x Alemanha ao vivo na TV pela Copa do Mundo do México. Era o dia 4 de Junho de 1986 e o Tubarão da Barra enfiou 7×0 na sacola do time juazeirense com três gols de Denô, três de Luizinho das Arábias e um de Mardoni. Treinado por Erandy Pereira Montenegro, o time coral formou com Serginho, Alexandre, Arimatéia, Léo (Joãozinho) e Vassil; Zé Alberto, Denô e Mardoni; Edinho, Luizinho das Arábias e Lupercínio (Rogério). O Icasa, do técnico Catolé, jogou com Humberto Vara, Val, Pimenta, Paudácio e Tonho; Bilonga, Agenor e Ocilon; Reginaldo Piauí, Washington e Reginaldo Barbalha. Francisco Pereira foi o árbitro do jogo, que foi encerrado aos 35 minutos do segundo tempo por conta de um cai-cai do time do Icasa. Mais de trinta anos depois, a situação é semelhante.

PRIMEIRO GOL DO FERROVIÁRIO NO CAMPEONATO CEARENSE DE 2018

Eis o primeiro gol do Ferroviário em 2018. Ele surgiu ontem na largada do Campeonato Cearense desse ano e foi de pênalti. O meia Janeudo, ex-jogador do Botafogo/PB e do Campinense/PB, assinalou o único gol coral na partida, que terminou empatada em 1×1 com o Iguatu. O jogo aconteceu no Estádio Morenão e foi o de número 3.585 na história do Tubarão da Barra. Entre amistosos e jogos oficiais, foi apenas a 11ª vez que o Ferrão atuou em Iguatu desde 1957. A última vez havia sido em 30/04/2016 em confronto válido pela segunda divisão do Estadual. Até hoje, a única equipe iguatuense a ganhar do Ferroviário foi o Coiguatu, campeão da liga local em 1982, que derrotou duas vezes o time coral em amistosos comemorativos naquela temporada.

VÍDEO RESGATA OS MELHORES MOMENTOS DA TEMPORADA DE 2017

A temporada futebolística para o Ferroviário em 2017 durou apenas de janeiro ao começo de maio, porém garantiu um incremento para o calendário da próxima temporada em termos de meses de atividade da equipe profissional e de diversidade de competições a serem disputadas. O vídeo acima foi produzido pela direção de marketing coral e faz um ótimo balanço da trajetória do clube no campeonato cearense, única competição disputada pelo Tubarão da Barra nesse ano prestes a terminar. Recorde 2017 e prepare-se para um 2018 recheado de competições espalhadas ao longo da temporada: Campeonato Cearense, Copa do Nordeste, Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro Série D e Taça Fares Lopes. Feliz 2018 para todos os corais!