MOMENTO DE CRISE QUE ORIGINOU A CONQUISTA DE UM TÍTULO ESTADUAL

Jornal O Povo destacava saída de Célio Pamplona da presidência do Ferroviário em 1979

O Jornal O Povo recordou na semana passada uma matéria de 1979 destacando uma crise interna no Ferroviário que culminou com a saída do presidente Célio Pamplona. O clube vinha de uma boa campanha na temporada anterior, quando quase chegou a vencer um turno, perdendo-o apenas numa memorável disputa de pênaltis com o Fortaleza. Ressalta-se ainda que 1978 é até hoje a temporada que registra a maior média de público nos 85 anos de história do Ferrão. A média foi de 3.974 pagantes por jogo. Por motivos diversos, o presidente Célio Pamplona não permaneceu para 1979 e José Rego Filho assumiu a presidência numa diretoria formada por Ruy do Ceará, Chateaubriand Arrais, entre outros. O resto da história todo mundo sabe. Em setembro daquele ano, o Ferroviário sagrou-se campeão estadual depois de nove anos.

DEPOIS DE 24 ANOS, FERRÃO VOLTA A LEVANTAR UMA TAÇA NO CASTELÃO

Depois de um início complicado em 2019, o Ferroviário engatou duas vitórias no campeonato cearense e levantou a moral na temporada. Domingo passado, o time coral enfrentou o Ceará pela Taça dos Campeões e, mesmo com a folha salarial milionária do adversário, o Ferrão fez 1×0 e voltou a levantar uma taça no Castelão depois de 24 anos. A última vez havia sido em dezembro de 1994. O vídeo acima com as imagens da TV Verdes Mares eterniza mais uma conquista do Tubarão da Barra. Aos 41 minutos do primeiro tempo, o zagueiro Da Silva, de cabeça, marcou o gol que garantiu mais um troféu para o memorial que está sendo construído na Barra do Ceará. Depois de conquistar um campeonato brasileiro em agosto e uma copa estadual em novembro, esse foi o terceiro título coral em apenas cinco meses. Nada mal para quem vivia um jejum de mais de duas décadas. O momento é coral! E que esse momento seja bem aproveitado para uma consolidação do novo patamar no cenário nacional.

APÓS MAIS DE TRÊS DÉCADAS, FERRÃO PODE VOLTAR A JOGAR EM LONDRINA

Ferroviário Atlético Clube só atuou uma única vez até hoje no Estádio do Café em Londrina

Pela disputa do Campeonato Brasileiro de 1983, o Ferroviário foi até a cidade de Londrina, no interior do Paraná, para enfrentar o time homônimo no famoso Estádio do Café. O jogo terminou com a vitória dos paranaenses por 3×1, resultado que eliminou o Tubarão da Barra da competição naquela tarde de domingo. Agora, quase quatro décadas depois, o Ferrão pode voltar a atuar no mesmo local e estádio. A direção coral negocia a mudança de mando de campo do jogo contra o Corinthians/SP pela Copa do Brasil para aquela localidade. O argumento é a entrada de recursos financeiros em proporções muito superiores a se o jogo fosse realizado em Fortaleza. Parece algo condenável sob o ponto de vista do futebol romântico, porém algo perfeitamente compreensível para um time que necessita de recursos visando talvez uma das competições mais importantes nas últimas décadas, a Série C do Campeonato Brasileiro a partir de abril, quando o time coral não pode nem pensar em descenso. O fato é que o clube deseja transferir o mando de campo para Londrina, um verdadeiro reduto de torcedores de times paulistas no norte do Paraná. Polêmicas à parte, vamos aguardar o desfecho e conferir se o Ferrão voltará a Londrina tanto tempo depois.

FERROVIÁRIO TEM O PIOR INÍCIO DE CAMPEONATO CEARENSE DESDE 1999

2019 começou parecido com 1999 para o Ferrão

Atuando nos dois primeiros jogos do campeonato cearense de 2019, o Ferroviário repete um feito nada agradável verificado pela última vez no certame de 1999. Vinte anos depois, foram novamente duas derrotas na largada da competição. Pouca gente lembra, mas o Estadual de 1999 começou antecipadamente no dia 22 de novembro de 1998. Na ocasião, o Ferrão foi ao estádio Perilo Teixeira e perdeu pela primeira vez em toda a história para o Itapipoca. Na segunda rodada, derrota para o Limoeiro no estádio Bandeirão. Dois jogos fora de casa, duas derrotas. O início de 2019 também teve duas derrotas, a primeira em casa para o Atlético/CE, antigo Uniclinic, e a segunda em Sobral para o Guarany. Vinte anos antes, treinado pelo argentino Pablo Enrique, o time coral usou nos dois primeiros jogos a seguinte base: Roberval, Chiquinho, Dino, Aldemir e Bertoldo; Paulo Adriano, Rutênio, Reginaldo e Silvério; Sílvio e Cantareli. Jogadores como Zé Filho, Fabinho, Richelmy, Erivan, Daniel e Bebeto, quase todos já esquecidos, participaram também de pelo menos um dos dois primeiros jogos do campeonato cearense de 1999. Vamos esperar que o clube reaja em 2019 e possa se recuperar desse péssimo início que não acontecia há vinte anos. Em 1999, o Ferroviário ficou apenas no 7º lugar na competição, um prenúncio dos anos de dificuldade verificados nas décadas seguintes, quando lutar contra o rebaixamento estadual passou a ser uma rotina na vida coral.

DOCUMENTÁRIO DA TV ASSEMBLEIA EM TRECHOS SOBRE O FERROVIÁRIO

Que tal iniciar a temporada de 2019 com um pouco mais de história sobre o Ferroviário Atlético Clube? Há alguns anos atrás, a TV Assembléia do Estado do Ceará produziu um excelente documentário sobre a história do futebol cearense. Acima, você pode conferir uma compilação das partes do material que tratam exclusivamente sobre o Ferrão, trazendo inclusive uma das últimas gravações em vídeo com Valdemar Caracas, registrada pouco tempo antes de seu falecimento em janeiro de 2013. Além do fundador coral, o material conta a participação de historiadores e nomes importantes que contribuíram para o progresso do futebol cearense e principalmente para a evolução do Ferroviário ao longo do tempo, como o supervisor Chicão, falecido em fevereiro de 2014, os ex-atacantes Pacoti e Mazinho Loyola, o ex-zagueiro Celso Gavião e o ex-dirigente Hamilton Pereira. Conteúdo de grande qualidade! Deleite-se!