UM LATERAL E UM ATACANTE EM FOTO QUE A HISTÓRIA NÃO APAGA

Atacante Mazinho Loyola e lateral esquerdo Marcelo Veiga: juntos no Ferrão em 1988 e 2004

Os dois foram campeões pelo Ferroviário em 1988. O da esquerda fez 11 gols e o da direita balançou a rede adversária 7 vezes no campeonato cearense daquele ano, sendo o último simplesmente o gol do título. Mazinho Loyola e Marcelo Veiga em retrato na época da pochete, como se vê. O primeiro saiu do Ferrão para o São Paulo/SP. O segundo foi para o Santos/SP. Mazinho jogou 55 partidas pelo time coral. Marcelo Veiga atuou em 79 jogos. Em 2004, estiveram novamente juntos na Barra do Ceará. Marcelo Veiga foi técnico de Mazinho Loyola que logo depois pendurou as chuteiras. Aquela Série C do Brasileiro de 2004 reuniu os dois novamente no Ferrão depois de longos 16 anos. Além da imagem acima, vale a pena ver as entrevistas no final do vídeo abaixo. Mazinho e Marcelo, então jovens. Hoje com histórias pra contar.

EDSON CARIÚS: ENFIM UM ÍDOLO DEPOIS DE DIFÍCEIS LONGOS ANOS

Artilheiro da Série D do Brasileiro em 2018

O centroavante Edson Cariús conseguiu entrar para a história do Ferroviário no mesmo patamar de nomes como Jorge Veras, Luizinho das Arábias, Paulo César, Pacoti, Batistinha, Roberto Cearense e Robério, para não mencionar também grandes jogadores de outras posições e ressaltar apenas ex-atacantes eternos na memória do clube. A lista é seleta e eterna. Nas últimas duas décadas, parecia que nela nenhum novato fosse mais entrar. Agora, não há dúvidas entre a torcida coral que Cariús está nesse rol. Aos 30 anos de idade e há menos de um ano na Barra do Ceará, ele foi importantíssimo na inédita conquista da Série D do Brasileiro, marcou gols decisivos em jogos complicados, foi artilheiro de competição nacional, levantou três taças com o Ferrão, chamou a atenção do país deixando sua marca duas vezes contra o Corinthians/SP, além de uma série de outros aspectos que definem um ídolo na verdadeira acepção da palavra relacionados a carisma, liderança e, acima de tudo, respeito e carinho sempre que se refere publicamente ao Ferrão e sua torcida. Em tempos onde o vínculo entre atletas e clubes é quase sempre frágil e efêmero, Edson Cariús ensina a todos a real importância de se respeitar contratos e valorizar a palavra empenhada mesmo com o assédio de clubes pelo Brasil afora. Coisa que só os verdadeiros ídolos conseguem cumprir.

Edson Cariús e a medalha de campeão brasileiro

Em apenas 10 meses no clube, Edson Cariús entrou em campo 39 vezes com a camisa coral entre jogos oficiais e amistosos. Foram 36 gols nas partidas, o que dá até a data de hoje uma espetacular média de 0,92 gol por jogo, ultrapassando na história a média de nomes lendários como Luizinho das Arábias, Pepê, Mirandinha, Jombrega, Macaco, Zé de Melo, Robério, Cacau e Acássio, para citar apenas alguns de excelentes índices quando o assunto era enfiar a bola na rede adversária. Jogando contra o Ferrão, Edson Cariús marcou três gols vestindo as camisas do Uniclinic e do Floresta, mas esses a gente faz questão de não lembrar. O que pouca gente sabe é que Edson Cariús poderia ter vestido a camisa coral bem antes. Em dezembro de 2013, ao chegar para treinar o Ferroviário, o técnico cearense Washington Luiz fez a solicitação de três nomes para contratação: o zagueiro Regineldo, o atacante Leilson e o centroavante Edson Cariús, então destaque do Iguatu na segunda divisão cearense. Os dois primeiros foram contratados. Cariús, não. Na ocasião, a presidência do clube preferiu bancar na lista de reforços o nome de dois centroavantes que acabaram não deixando nenhuma memória agradável: o carioca Cláudio Maradona e o maranhense Elson Obina. Cariús perdeu a vaga. Sorte dele que pulou uma fogueira numa das temporadas mais nefastas para o clube e que culminou com um rebaixamento estadual. Anos depois, Cariús chegou na plenitude de um bom momento, mostrando a que veio e caindo nas graças da torcida que o tem como ídolo. E ídolos são eternos pelo que fazem dentro e fora do campo.

A NOITE QUE O FERRÃO COLOCOU O TODO PODEROSO TIMÃO NA RODA

Goleiro Cássio do Corinthians/SP amargou duas bolas na rede dos pés de Edson Cariús

Quem assistiu ontem Ferroviário x Corinthians/SP pela Copa do Brasil testemunhou uma apresentação histórica e memorável sob todos os aspectos do Tubarão da Barra. Pelo regulamento da competição, o time paulista passou para a segunda fase com o empate em 2×2 e eliminou o Ferrão, porém o que ficará na lembrança será sempre a extraordinária apresentação coral dentro de campo, sem dúvida uma das mais gigantescas da história de um time que completará 86 anos de existência no próximo mês de maio. Foi bonito ver o Ferroviário colocar um dos maiores clubes do mundo na roda em vários momentos do jogo, construir e perder oportunidades, marcar dois gols através do ídolo Edson Cariús e mostrar ao país inteiro, através da transmissão do SporTV, as credenciais de um time que levantou três taças em apenas cinco meses, entre elas a do inédito título de campeão brasileiro na temporada passada.

Volante Mazinho do Ferroviário atento à marcação do atacante Vagner Love do Estádio do Café

Envolto à polêmicas por conta da venda do mando de campo por 450 mil Reais para a cidade de Londrina, reduto corintiano no Paraná, o Ferrão recebeu muitas críticas sobretudo daqueles incapazes de compreender a situação financeira cruel pela qual passa a imensa maioria das equipes menores do futebol brasileiro. É sempre fácil criticar em nome do que parece óbvio e condenável. Difícil é compreender os custos de um time de futebol que tem a árdua missão de pelo menos se manter na Série C nacional para que não volte tão cedo a comer o pão que o diabo amassou no calendário brasileiro. Quem critica a venda do mando de campo deveria também levantar a voz para a excrecência da disparidade e do protecionismo das cotas de TV no futebol brasileiro que acarretam todo tipo de desnível esportivo e econômico entre as equipes. E o Ferroviário é vítima desse absurdo ao receber infinitamente menos que Ceará e Fortaleza, por exemplo, em se tratando apenas ao âmbito do campeonato estadual. Enfim, o fato é que os jogadores corais deixaram de lado a polêmica do local do jogo e mostraram que o time invariavelmente cresce em grandes jogos.

Edson Cariús: artilheiro e ídolo do Ferrão

Em alguns momentos da partida, os jogadores do Corinthians chegaram a fazer cera pra deixar o tempo passar. Torcedores de vários times do Brasil começaram a elogiar  e desejar vários atletas corais nas redes sociais. Edson Cariús virou trending topic no Twitter para a inveja de Messi, Cristiano Ronaldo e Mauro Shampoo. Na noite que o treinador Marcelo Vilar reencontrou seu ex-atleta e atual técnico corintiano Fábio Carille, o Ferrão foi escalado com o futebol de Gleibson, Gustavo, Luis Fernando, Da Silva e Fernandes (Jean); Mazinho, Leanderson (Emerson Catarina), Janeudo e Enercino (Isaac); Klenisson e Edson Cariús. O Corinthians empatou com Cássio, Fágner, Manoel, Henrique e Danilo Avelar; Ralf, Ramiro (Mateus Vital), Sornoza e Jadson; Vagner Love (Pedrinho) e Gustavo (Mauro Boselli). Esse empate foi apenas o segundo jogo entre Ferroviário e Corinthians na história do futebol brasileiro. Com uma diferença de quinze anos entre os dois jogos, uma coisa se pode ter total certeza: se o jogo de 2004 ficou lembrado pela fragilidade da equipe coral diante de um time muito mais qualificado, o de 2019 será sempre lembrado como o dia que o Ferrão botou o todo poderoso timão na roda . Sim, porque simplesmente há jogos que você acaba vencendo mesmo quando perde ou empata.