ENTRE MAKES E FAKES: O AVISO DADO AO CONSELHO DELIBERATIVO

É sabido que os bastidores do Ferroviário fervilharam com opiniões das mais diversas sobre o processo de venda do clube para a empresa Makes, de propriedade do português Pedro Roxo, conforme adiantado aqui no blog ainda em setembro do ano passado. É também praticamente um consenso que a SAF é uma boa alternativa para o clube, mas a questão principal sempre foi outra: se o Ferroviário tivesse que ter um dono, que fosse alguém com capacidade financeira e gerencial comprovadas! Não nos esqueçamos que a análise da Tricorp alertou quatro grandes riscos na transação Ferroviário x Makes, as chamadas Red Flags no jargão do mundo empresarial. Atuando como principal interessada na venda do clube, a diretoria executiva fez pouco caso do alerta técnico de quem entende do mercado, estranhamente se apressou e assinou uma proposta vinculante, amarrando a promessa de venda de 90% da SAF coral para a Makes. A partir daí, não por coincidência, uma série de Fake News começou a varrer o submundo dos Whatsapps corais, maculando o nome de quem quer que se manifestasse contra uma gama de vícios jurídicos explícitos e comprovados verificados em todo o processo. Nessa atmosfera insalubre, uma entidade de 92 anos foi à venda numa noite eternizada pela coação e desfaçatez em níveis poucas vezes vistos na história do clube. Quase cinco meses depois, várias pessoas começam a enxergar o óbvio e a lista dos arrependidos só aumenta. A conivência da cúpula do Conselho Deliberativo e o silêncio dos conselheiros em geral é algo que vergonhosamente já entrou para os anais da história! Como o principal colegiado do clube pôde ter acesso à informações tão explícitas sobre os riscos envolvidos e, mesmo assim, embarcar na onda do falso otimismo artificialmente espalhado para os torcedores? Para atiçar o espanto ainda mais, o blog teve acesso ao conteúdo de uma reunião ocorrida em 20 de fevereiro, cinco dias antes da data da pretensa venda do clube, quando todos os sócios foram muito bem alertados dos detalhes técnicos que evidenciavam vários riscos para a própria entidade. Disponibilizamos abaixo cinco das telas apresentadas em PDF aos conselheiros naquela reunião para que a informação seja de conhecimento de todo o futebol cearense. Como um Conselho Deliberativo conseguiu ser tão irresponsável diante de tantas evidências técnicas? Confira os slides e tire suas próprias conclusões.

Os Riscos/Consequências alertavam aos sócios ameaças envolvendo o patrimônio do Elzir Cabral
Conselheiros do clube foram alertados sobre os riscos em caso de Recuperação Judicial
Uma das Fake News dizia que se nada desse certo, o Ferroviário tomaria a SAF de volta. Quem criou?
Análise da Tricorp foi explanada em detalhes aos conselheiros, mas não foi levada em consideração
A pressa de vender o clube foi explicitamente destacada para os conselheiros na parte final da reunião

RECORDE UMA VITÓRIA NO TEMPO NORMAL E DERROTA NOS PÊNALTIS

Ceará e Ferroviário foram protagonistas durante todo o Campeonato Cearense de 1998. Inicialmente, as duas equipes chegaram à final do 1º turno da competição. No primeiro jogo, o alvinegro levou a melhor e fez 1×0. No jogo da volta, o Ferrão precisava vencer. Mesmo ganhando por 2×0, a disputa foi para os pênaltis já que o regulamento da época não previa saldo de gols. Acima, conferimos o vídeo da TV Manchete, narração de Jácome Pastore, com os melhores momentos desse jogo que contou com dois gols do Tubarão da Barra nos primeiros 16 minutos do 1º tempo. Os gols foram de Marquinhos Pernambuco e do artilheiro Rômulo. Treinado por Argeu dos Santos, o time coral jogou com Jorge Luiz, Chiquinho, Aldemir, Santos e Bertoldo; Paulo Adriano, Solimar, Cantareli (Saulo) e Marcelo; Rômulo (Marquinhos) e Marquinhos Pernambuco. O treinador Dimas Filgueiras escalou o Ceará com Ivan, Canjerê (Stênio), Airton, Augusto e Luciano Mineiro; Mário César, Gilmar Serafim, Bechara e Dema; Ciro (Róbson) e Edson Vieira. Infelizmente, o vídeo acima não apresentou as cobranças de pênaltis, vencida pelo Ceará por 7×6 após um empate sem gols na prorrogação. A arbitragem foi do experiente Luís Vieira Vilanova.

Lula Pereira recebe abraço do presidente do Rio Branco de São Paulo e do dirigente Antônio Góis

Depois de conquistar o 2º turno em cima do Icasa, o Ferrão foi fazer a grande final do certame justamente contra o Ceará, e o que se viu foi praticamente o time inteiro do alvinegro sendo formado por jogadores do Rio Branco de Americana, contratados para os três últimos jogos do clube após o término do Campeonato Estadual de São Paulo. O primeiro jogo entre ambos ocorreu menos de 48 horas depois da decisão do turno contra o Icasa. O ´descansado´ Ceará aplicou 4×0 no time coral e praticamente garantiu o título. O ´esgotado´ Ferroviário ainda conseguiu se superar e venceu heroicamente o segundo jogo, mas perdeu na prorrogação. Até o presidente Rafael Vita, da equipe paulista, esteve no Castelão para celebrar o título de seus atletas e de seu treinador, o cearense Lula Pereira. Podemos dizer então que o Tubarão da Barra foi vice-campeão paulista?

O QUADRADO QUE MOÉSIO GOMES IMPLANTOU NO FERROVIÁRIO EM 1986

Ferroviário Atlético Clube em julho de 1986 - Em pé: Denô, Serginho, Zé Alberto, Arimatéia, Léo e Alexandre; Agachados: Laércio, Carlos Antônio, Alex, Luizinho das Arábias e Jaiminho

Moésio Gomes foi um dos maiores treinadores do futebol cearense e é até hoje lembrado pelo vitorioso Quadrado de Ouro que implantou no Fortaleza nos anos 1970, quando a imensa maioria dos times jogava na frente com dois pontas e um centroavante. No retrato acima, vemos uma formação do Ferroviário escalada justamente por Moésio Gomes, onde ele tentava emular sua antiga fórmula de quatro jogadores no meio-campo para potencializar a performance do Tubarão da Barra em 1986. Quando chegou ao clube, o experiente técnico manteve o time coral com um 4-3-3 básico em alguns jogos, mas mudou para um 4-4-2, com Zé Alberto, Alex, Denô e Jaiminho no meio campo, justamente no jogo dessa fotografia. Era o dia 13 de Julho de 1986 e o Ferrão perdeu de 3×0 para o Fortaleza em embate válido pelo 2º turno do Campeonato Cearense. O fracasso da última passagem de Moésio Gomes pelo Ferroviário veio logo depois e ele foi substituído pelo experiente goleiro Wendell, que assumiu a condição de treinador no restante daquela competição e chegou a conquistar uma grande vitória em cima do Ceará por 4×3. Na imagem acima, vemos dois laterais direitos: Laércio, que atuou no lado esquerdo, e o experiente Alexandre, jogador campeão brasileiro em 1978 pelo Guarani de Campinas. Essa equipe tinha oito nomes que estavam no excelente time de 1985, mas o Ferrão não reeditou a boa performance em 1986 apesar da chegada de vários reforços experientes como o atacante Lupercínio, os meias Mardoni e Jaiminho, e o próprio goleiro Wendell.

MÊS DE JUNHO LEVOU CINCO NOMES DA HISTÓRIA DO FERROVIÁRIO

O mês de junho não foi nada camarada para a história coral. Quatro nomes envolvidos na caminhada de 92 anos do clube deixaram o plano terrestre. No início do mês, perdemos José Haroldo Rocha, ex-diretor da RFFSA e ex-diretor de patrimônio do próprio Ferroviário nos anos 1970. Ele era pai do ex-presidente William Braga. Poucos dias depois, perdemos também Marcos Miranda Cabral, um dos filhos de nosso grande benemérito Elzir Cabral. Marcos Cabral era engenheiro da RFFSA e presidia a Associação dos Engenheiros da Rede de Viação Cearense. Conhecedor das coisas corais desde pequeno e componente de algumas diretorias, ele foi um dos pilares do Museu Ferroviário e um entusiasta da realização de rodas de conversa com profissionais do setor ferroviário no Complexo Cultural Estação das Artes. Posteriormente, faleceu também um ex-atacante do clube que compôs o elenco de jogadores em 1980 e que veio do Fluminense/RJ na ocasião. Trata-se do ponta direita Osni, que chegou a fazer 33 jogos e a marcar 9 gols naquela temporada. Ele era aposentado da Polícia Civil em Goiás e foi vítima de um acidente de carro. No sábado, dia 28, o futebol cearense se despediu do ex-lateral esquerdo e árbitro Luís Vieira Vilanova. Ele foi atleta do próprio Ferroviário Atlético Clube nas temporadas de 1971 e 1972, quando atuou 28 vezes com a camisa coral. No apagar das luzes do mês chegou a notícia do falecimento do meia Luiz Henrique, que disputou o Campeonato Cearense de 2010 pelo Ferroviário com apenas 17 anos de idade. Posteriomente, o atleta seguiu carreira no Ceará e em outras equipes do futebol brasileiro.

O TIME DE 1949 QUE CANTOU DE GALO CONTRA O TREZE DA PARAÍBA

Clube das Temporadas: o Ferroviário de 1949 que ganhou duas vezes do Treze/PB na mesma semana

Nesse final de semana, Ferroviário e Treze/PB se enfrentam pela terceira vez em 2025. As duas equipes já fizeram até final de campeonato brasileiro, como esquecer? Mas você sabia que os primeiros embates entre ambos ocorreu na longínqua temporada de 1949? Corria o mês de setembro daquele ano e o então campeão paraibano decidiu excursionar pela capital cearense. Logo em seu primeiro jogo, venceu o Fortaleza por 3×2. Eis que chegou a hora do Galo da Borborema enfrentar o famoso Clube das Temporadas, que sempre batia de frente com os adversários de outras regiões do país. No dia 7 de setembro, com arbitragem do cearense Rolinha, o Ferrão ganhou do Treze por 3×2. Os paraibanos não gostaram do resultado e pediram revanche. Uma nova partida foi marcada para o dia 11. Sim, a direção coral resolveu dar mais uma chance para o representante de Campina Grande e até permitiu que o adversário sugerisse um árbitro paraibano. Os dirigentes do Treze mandaram buscar Arnaldo Von Sohsten. Mesmo com ele no apito, o Ferroviário cantou de galo, dessa vez vencendo por 4×3. Dois jogos no PV e duas vitórias corais nos dois primeiros embates da história contra os paraibanos, época em que nomes como Zé Dias, Vicente Trajano, Manoelzinho, Pipi, Manuel de Ferro e Decolher davam as cartas dentro de campo. Não tinha Treze que desse jeito, quem cantava de galo em seu terreiro era o Ferrão.

QUANDO JOÃO SALDANHA E MANÉ GARRINCHA VENCERAM O FERRÃO

João Saldanha e Mané Garrincha enfrentaram o Ferroviário Atlético Clube na temporada de 1957

João Saldanha e Mané Garrincha foram dois grandes nomes do Botafogo/RJ e do futebol brasileiro em geral. Ambos estiveram em Fortaleza no dia 23 de Junho de 1957 e enfrentaram o Ferroviário. Garrincha chegou a marcar o segundo gol na vitória do time carioca por 2×0 no PV. O primeiro gol do Botafogo foi marcado por Nozinho, que chutou contra sua própria meta. O prestígio do time da estrela solitária era tão grande que Flávio Marcílio, Governador do Estado do Ceará, foi quem deu o pontapé inicial do amistoso. O treinador João Saldanha tinha ainda grandes nomes em sua onzena: Quarentinha, Didi e Nílton Santos também participaram da partida que foi arbitrada por José Nogueira Filho. Treinado por Deoclécio Lopes, o Ferroviário perdeu com Jairo, Manoelzinho e Nozinho; Renato (Coité), Macaúba e Eudócio; Zé de Melo, Pacoti, Macaco, Aldo e Fernando. Destaque para essa histórica grande linha de ataque coral que era conhecida de cor por todo desportista cearense. O Botafogo venceu com Amauri, Beto, Tomé e Nílton Santos; Pampolini e Nílson Santos (Matias); Garrincha, Didi, Paulinho, Edson e Quarentinha. Destaque para os irmãos Nílton Santos e Nílson Santos na mesma formação. O craque Didi era pai de Bibi, que veio a ser um importante jogador do Ferrão no início dos anos 1980. Essa foi a única vez na história que todos esses grandes nomes enfrentaram o Ferroviário Atlético Clube.

O DIA QUE O FERROVIÁRIO ENFRENTOU UM TIME ANGOLANO

Foto realizada antes do amistoso: congraçamento entre os corais e os jogadores do Asa de Angola

Eis mais uma fotografia raríssima na história coral. É o momento do congraçamento entre os jogadores do Ferroviário com os atletas do ASA de Angola, antes de um amistoso internacional no Elzir Cabral, realizado em 22 de Janeiro de 2009. A equipe angolana era treinada pelo ex-jogador brasileiro Marinho Peres, falecido em 2023, e realizava uma excursão de pré-temporada em Fortaleza. O clube foi fundado em 1953 na cidade de Luanda e antes da independência do país era chamado de Atlético Sport Aviação, quando passou a adotar o acrônimo ASA. Nesse amistoso que terminou 0x0, o Ferrão utilizou jogadores reservas e jovens da base. Treinado por Arnaldo Lira, o time formou com o futebol de Dionantan (Rafael Muralha), Alberto (Raul), Tiago Gasparetto (Marcão), Carlinhos (Dylson) e Ranieri; Diones (Dynapolly), Dino (Robert), Clebson (Café) e Dione (Wellington)(Edson); Tiaguinho (Caion) e Ricardo (Bruno)(Flabson). O ASA formou com Laminho (Kiko), Jamba e Julião; Mathias, Róger (Gil Martins), Martim (Toninho Osório), Anastácio, Joãozinho (Zinho) e Vado; Ari (Amarildo) e Reginaldo (Massinga). O principal destaque da equipe dos aviadores era o zagueiro Jamba, que inclusive jogou a Copa do Mundo de 2006. Na imagem acima, é possível identificar alguns jogadores com a camisa coral, entre eles o lateral Alberto, o goleiro Dionantan, o zagueiro Tiago Gasparetto e os meias Dione e Clebson. Naquele ano, o Asa ficou em 7º lugar no Girabola, como é chamado o campeonato nacional de Angola. Essa foto foi publicada originalmente somente na edição de março de 2009 da Expresso Coral.

EX-CENTROAVANTE CORAL DISPUTA O MUNDIAL DE CLUBES DA FIFA

Centroavante Rodrigo Rodrigues defendeu o Ferroviário Atlético Clube na temporada de 2018

O torcedor coral que acompanha o primeiro Mundial de Clubes nos Estados Unidos percebeu um centroavante bastante familiar defendendo a camisa do Espérance da Tunísia. Trata-se de Rodrigo Rodrigues, que há duas temporadas atua no futebol africano. Ele defendeu o Ferroviário em apenas 12 partidas na temporada de 2018, marcando 3 gols no total. Apesar de nascido em Fortaleza, Rodrigo Rodrigues fez sua base no Bahia/BA, onde teve poucas oportunidades na equipe profissional. Depois de um período de empréstimo no Juazeirense/BA, ele chegou à Barra do Ceará no mês de fevereiro e logo em sua estreia marcou o gol da vitória em cima do Confiança/SE em jogo válido pela primeira fase da Copa do Brasil. Nessa mesma competição, o atleta teve importante atuação na partida épica contra o Sport/PE e foi um dos cobradores que participaram da decisão por pênaltis que selou a classificação coral para a terceira fase daquele certame. Curiosamente, Rodrigo Rodrigues teve passagem meteórica pelo Tubarão da Barra, de onde seguiu para o ABC de Natal e teve que ceder a camisa 9 para o também cearense Edson Cariús, que por sua vez chegou e escreveu uma vitoriosa trajetória no clube a ponto de se transformar em ídolo eterno. Coisas da vida.

FACÓ RECORDA O EPISÓDIO DE PANE NO AVIÃO OCORRIDO EM 1967

O episódio do “Só na Resenha” com o ex-atacante Facó está simplesmente imperdível. No bate-papo com o host Daniel Sílvio, o ex-jogador do Ferrão relembra fatos importantes de sua carreira. As memórias de Facó, por si só, valem muito a pena pois rememoram o futebol cearense a partir da segunda metade dos anos 1960. Entretanto, um relato marcante e raro de se ouvir resgata o episódio de uma viagem do Ferroviário em que o avião que transportava os jogadores sofreu um problema no motor e por muito pouco não aconteceu uma tragédia envolvendo os corais. O episódio foi destacado em forma de crônica intitulada “Medo de Avião“, publicada originalmente na oitava edição da revista Expresso Coral, em outubro de 2009, e definitivamente eternizada no livro “Crônicas Corais“, lançado em 2020. Agora, com o importante relato de Facó acima, detalhes do famoso acontecimento ocorrido em agosto de 1967 ganham contornos oficiais de história oral que documenta uma situação cujo impacto teve consequências no prolongamento das disputas do campeonato cearense daquele ano. Não deixe de assistir o vídeo, pois se trata dos relatos e memórias de uma das figuras mais probas que o futebol cearense já produziu.

UM FUSQUINHA E DOIS LATERAIS ESQUERDOS DA DÉCADA DE 1960

A fotografia acima representa a amizade de dois laterais esquerdos que disputaram a posição de titular no Ferroviário durante a segunda metade dos anos 1960. Trata-se do cearense Barbosa e do pernambucano Roberto Barra Limpa, ambos ao lado de um Fusca. Barbosa fez 55 jogos pelo time profissional entre 1967 e 1969. Por sua vez, Roberto atuou 147 vezes e chegou a marcar um gol com a camisa coral, entre 1966 e 1969. Seu único gol pelo Ferrão ocorreu num clássico contra o Fortaleza, contribuindo para uma grande vitória do Tubarão da Barra pelo placar de 3×1 em 1967. Os dois laterais foram campeões invictos em 1968. Barbosa chegou a participar de um reencontro inesperado de invictos no ano de 2014, fato que inspirou um dos textos que compõem o livro Crônicas Corais. Ele ainda é vivo e acompanha o clube sempre que possível. Roberto Barra Lima foi assassinado muitos anos atrás.