BICAMPEÕES ESTADUAIS NA FESTA DOS CAMPEÕES BRASILEIROS

Duas gerações corais na foto – Em pé: Johnny, Túlio, André Lima, Edson Cariús, Alex, Janeudo, Mazinho, Paulo Adriano, Afonso, Miguel, Gleibson e Acássio; Agachados: Marcelo Bispo, Robério, Esquerdinha, Esquerdinha, Ricardo Lima, Lucas Mendes, Reginaldo, Valdeci, Nasa e Leanderson

Ontem o Ferroviário Atlético Clube viveu um domingo mágico: duas gerações vitoriosas se encontraram no Estádio Elzir Cabral para comemorar o título de campeão brasileiro do Tubarão da Barra. A geração bicampeã cearense em 1994 e 1995 foi convidada para o jogo de entrega de faixa dos campeões nacionais. Grandes nomes como Ricardo Lima, Paulo Adriano, Nasa, Batistinha, Alex, Esquerdinha, Robério, Borges, Jorge Luiz, Miguel, Cícero Ramalho, Reginaldo e Acássio, representantes do vitorioso grupo dos anos 1990, entraram novamente em campo para atuarem contra a geração vitoriosa de Edson Cariús, Janeudo e companhia. Nos discursos dos próprios ex-atletas, a palavra ´gratidão` era a mais pronunciada. Curiosamente, inclusive lado a lado na foto, dois Esquerdinhas, o de 2018 e o de 1995. Abaixo, você confere um vídeo produzido pelo torcedor Wladimir Lenine, que desenvolve um ótimo trabalho como documentarista dos fatos corais em seu canal no YouTube. Nele, o internauta bate um papo na festa com alguns dos principais nomes da história do Ferroviário. Aproveite!

IMAGENS DO TÍTULO BRASILEIRO EM CAMPINA GRANDE E EM FORTALEZA

Vale a pena conferir no vídeo acima o ótimo trabalho da TV Artilheiro com imagens gravadas antes e depois do jogo que deu ao Ferroviário o inédito título de campeão brasileiro da Série D. O material começa com a chegada de torcedores corais ao estádio Amigão em Campina Grande. Estima-se que cerca de 1200 corais saíram de Fortaleza para conferir a final nacional na Paraíba, seja de avião, ônibus de linha interestadual, carros particulares e mais de quinze ônibus alugados por torcedores. No placar agregado, o Ferroviário bateu o Treze/PB por 3×1 nos dois jogos decisivos e conquistou um campeonato inédito para a capital cearense. Nem Fortaleza, nem Ceará, possuem um título de envergadura nacional. Na sequência, no vídeo abaixo, não deixe de conferir também a homenagem montada pela torcedora Isabel Muniz. Ela registra a carreata que levou o vitorioso elenco coral em carro do corpo de bombeiros do Castelão à Vila Olímpica Elzir Cabral no dia seguinte, num trajeto festivo que durou pouco mais de uma hora e que cativou a atenção de vários fortalezenses pelo caminho num inesquecível domingo ensolarado na capital cearense. Ai é Ferrão, meu filho!

AQUILO QUE VOCÊ SEMPRE QUIS SABER: POR ONDE ANDA CACAU?

José Carlos de Souza nasceu no dia 5/12/1963 em Sergipe. Somente em janeiro de 1989, aos 25 anos de idade, ele foi apresentado como novo reforço do Ferroviário para a temporada que se iniciava. Seu apelido: Cacau. Oriundo do Guarany de Sobral e com breve passagem pelo Ceará no ano anterior, ele chegou para ser meio campista, mas terminou se destacando na Barra do Ceará como atacante. Foram 62 jogos com a camisa coral e 35 gols marcados até 1991. Foi campeão do Torneio Ciro Gomes pelo Ferrão logo de cara, marcou 4 gols no jogo de inauguração do estádio Elzir Cabral para jogos oficias e sagrou-se artilheiro do campeonato cearense, logo em sua primeira temporada no Tubarão da Barra, com 21 gols no total. Antes de você saber por onde anda o inesquecível ex-goleador coral, vale a pena recordar o vídeo abaixo com a matéria de apresentação do então novo reforço naquele início de 1989, quando o Ferrão era treinado por Erandy Montenegro e tinha Vicente Monteiro como dirigente.

Essa semana, antes de viajar para Porto Alegre, o elenco do Ferroviário fez um treino no campo de grama sintética localizado no bairro Conjunto Esperança. Um senhor de 55 anos apareceu por lá e ficou conversando com os diretores do clube. Era Cacau, o eterno goleador coral, um dos nomes mais requisitados pelos internautas que procuram o nosso blog em busca de informações sobre craques do passado. Pois hoje ele é merecedor dessa homenagem. Cacau apareceu no treino coral pois ele atua no conselho gestor da chamada ´Areninha` situada no Conjunto Esperança, local onde o Ferroviário se adaptou ao tipo de solo sintético que enfrentará no Rio Grande do Sul. Reconhecido por dirigentes corais, Cacau recordou os bons momentos em que vestiu a camisa do Ferrão, posou para fotos e conheceu os atuais jogadores do elenco. Ele é pai de um casal de filhos e já é avô. Sua netinha Paola chegou ao mundo não faz muito tempo. Confira abaixo a foto atual do ex-goleador ao lado de sua bela família.

Ex-atacante Cacau em foto recente ao lado de sua família estabelecida na cidade de Fortaleza

Cacau em 1989

Cacau parou de jogar em 1995 quando atuava no Maranhão/MA em razão de uma grave lesão no joelho. Em sua época de Ferroviário, chegou a ser emprestado para o futebol paulista e teve algumas idas e vindas, sempre comemoradas pela torcida coral, que o tinha como um jogador que sabia deixar sua marca de artilheiro. Desde que parou de jogar profissionalmente, Cacau trabalhou na Unimed e depois foi aprovado em concurso público como técnico em imagem e radiologia, função que atua hoje em dia. Seu primeiro jogo com a camisa coral foi contra o Tiradentes/CE em janeiro de 1989 e fez sua última partida com o glorioso uniforme do Ferrão contra o Ceará, no dia 31/03/1991, um domingo de páscoa com gosto de despedida. Curiosamente, o primeiro e o último jogo pelo Ferrão tiveram o mesmo placar: 0x0. Quase três décadas depois de ser contratado para jogar no Ferroviário, Cacau lembra sempre de seus dias pela Barra do Ceará. Em breve áudio enviado ao blog, o ex-artilheiro coral agradece o carinho dos atuais diretores do clube, a lembrança da matéria e a certeza de que seu nome está gravado na história coral, além de comentar outras curiosidades sobre sua trajetória profissional que fazem valer a pena escutar a mensagem de Cacau durante a semana.

PELA TERCEIRA VEZ NA HISTÓRIA, UMA ÁRBITRA NA VIDA DO FERRÃO

Léa Campos: primazia no futebol

Na noite de ontem, o Ferroviário fez sua segunda partida pela Copa do Nordeste de 2018 e um fato não passou desapercebido aqui no Almanaque do Ferrão. Pela terceira vez na história, uma mulher apitou um jogo do Ferroviário Atlético Clube. A pernambucana Déborah Cecília comandou a partida contra o Vitória/BA, em Salvador, de forma segura e mostrou as credenciais que justificam sua presença no quadro da Fifa. Porém, mais de quatro décadas antes, uma árbitra apitou um jogo do Ferrão pela primeira vez na vida do clube. Foi em 03/11/1971, quando Ferroviário e Fortaleza decidiram fazer um amistoso e convidaram uma mulher para o apito como a grande novidade do jogo. Numa época de extremo preconceito contra o sexo feminino, que vergonhosamente perdura até os dias de hoje em algumas áreas do futebol e da vida, a mineira Léa Campos era conhecida como a primeira árbitra na história do futebol brasileiro. No Clássico das Cores em questão, ela foi acusada como a principal responsável pela pancadaria em campo durante o amistoso, que terminou 0x0 no PV. Era o jogo 1.270 da história coral. Somente em 2009, no jogo de número 3.272, no dia 11 de março, uma outra mulher voltou a apitar um jogo do Ferrão. Foi a cearense Eveliny Almeida, irmã do também árbitro Almeida Filho, que arbitrou a vitória do Ferrão por 2×0 em cima do Quixadá no Elzir Cabral, no confronto que ficou marcado por ser a reestreia em campo do atacante Jardel em sua volta a Barra do Ceará, que inclusive marcou um golaço. Em resumo, são mais de oito décadas de vida e apenas três mulheres apitaram jogos do Tubarão da Barra até a data de hoje. Vale ressaltar também como curiosidade, que um amistoso do Ferrão, em janeiro de 2011, contra a Seleção de Beberibe, teve no apito o transexual Valério Gama.

O ESTÁDIO ELZIR CABRAL: O QUE É HOJE E O QUE ERA PRA TER SIDO

Projeto arquitetônico do Estádio Elzir Cabral apresentado pela diretoria coral no ano de 1967

Esse era o planejamento inicial do Estádio Elzir Cabral no projeto produzido em 1967, uma época onde o futuro de qualquer clube passava obrigatoriamente pela construção do próprio patrimônio. Mais de 50 anos depois, o local nunca chegou nem perto de apresentar uma estrutura próxima da que foi inicialmente idealizada. As arquibancadas de concreto, por exemplo, só tornaram a ser realidade em meados dos anos 1980, com o apoio de dinheiro público autorizado pelo Governador Gonzaga Mota, o que finalmente proporcionou a inauguração oficial do primeiro estádio particular no Ceará em março de 1989, portanto mais de 20 anos depois do grande sonho da época.

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Registro fotográfico do Estádio Elzir Cabral para produção de cartão postal no ano de 1987

Já a imagem acima data de 1987, portanto há mais de 30 anos. Nota-se uma clara diferença em relação ao projeto inicial concebido duas décadas antes. Tanto tempo depois, esta continua a ser a atual estrutura física do Ferroviário, com algumas mudanças pontuais: a pista de atletismo não existe mais e o campo oficial foi transferido de lugar para dar espaços a outros gramados menores visando escolinhas e treinos específicos. Pensar o Ferroviário para mais 30 anos é abrir mão do sonho de 1967 e adaptar o atual espaço para a lógica de um Centro de Treinamentos e de Formação de Atletas. Não é possível retroceder no tempo e imaginar o Elzir Cabral como um estádio propriamente dito, por mais que os custos de uma partida de futebol tenham sido elevados em níveis estratosféricos. O futuro começa a cada decisão do presente e a comparação entre as fotos mostram que praticamente o clube não saiu do lugar na construção de seu estádio em meio século. Que se pense em CT para o local.

A HISTÓRICA GOLEADA NO LEÃO NA LARGADA DA TEMPORADA DE 1994

Ídolo Batistinha

Início de temporada é sempre um período de implementação de trabalho e realização de partidas amistosas, onde a maioria delas acaba caindo no esquecimento do público em geral. Porém, existe um amistoso de começo de temporada, realizado no vitorioso ano de 1994, que até hoje a torcida coral não esquece. Foi a goleada de 4×0 em cima do Fortaleza, dentro do Elzir Cabral, quando o Tricolor do Pici levou um autêntico vareio de bola e foi humilhado por jogadores ainda desconhecidos do futebol cearense, mas que ao longo da temporada escreveram definitivamente seus nomes na história do Ferrão. Ao final do certame, somente o famoso ABC coral, formado pelos artilheiros Acássio, Batistinha e Cícero Ramalho, havia marcado juntos mais gols que o elenco inteiro do Ceará, vice-campeão estadual e vice-campeão da Copa do Brasil em 1994. Era ou não uma verdadeira máquina coral?

Acássio: dois gols no amistoso

Engana-se quem pensa que esse famoso amistoso contra o Fortaleza foi realizado na pré-temporada propriamente dita. Na verdade, os dois clubes já haviam realizado seus jogos de estreia pelo Campeonato Cearense de 1994, mas aproveitavam uma folga na tabela para continuar a preparação de suas equipes. Seis dias antes, o Tubarão da Barra havia ido a Sobral e empatado em 1×1 com o Guarany em seu primeiro jogo oficial pelo Estadual. Antes, na verdadeira pré-temporada, havia batido o Tiradentes, o Calouros e o Itapipoca. As torcidas estiveram presentes em bom número nas arquibancadas do estádio coral, até porque o primeiro Clássico Rei daquele ano estava marcado na tabela apenas para o mês de maio.

Cícero Ramalho: um dos artilheiros

Repare na escalação do Ferrão na goleada em cima do Leão e veja se consegue perceber algumas diferenças em relação ao time que foi campeão cearense dez meses depois: Miguel, Nasa, Santos, Batista e Branco; Edgar (Ricardo Lima), Acássio (Eron) e Basílio (Caetano); Batistinha (Pepe), Cícero Ramalho (Edinho) e Wanks. O técnico era José Dultra. O Fortaleza, do técnico Rui Guimarães, foi humilhado com o futebol de Júlio César, Adriano (Alex), Luís Cláudio, Oliveira e César Soares; Luis Fernando, Adenilton e Calvex (Maradona); Quirino (Edvan), Cláudio José (César) e Cosme. Pelo Ferrão, os ídolos Acássio e Batistinha, cada um, duas vezes, marcaram os gols do amistoso. Mais de duas décadas depois, o Almanaque do Ferrão resgata as imagens daquele jogo contra o Fortaleza, com direito a entrevistas com Cícero Ramalho, Lima e José Dultra.

EX-MEIA DO FERROVIÁRIO JOGOU NO CAMPEÃO BRASILEIRO DA SÉRIE D

Dione posou para foto oficial no Ferroviário

Pouca gente lembra da passagem desse jogador pela Barra do Ceará. Seu nome é Dione Bonato Pires de Almeida, ou simplesmente Dione. Favor não confundir com o volante Diones, ex-Bahia, e que recentemente esteve no Ceará. Estamos falando de um meia, atualmente com 32 anos de idade, que jogou até ano passado no campeão brasileiro da Série D desse ano, o Operário Ferroviário do Paraná. A passagem dele pelo Ferrão foi pífia. Fez apenas 4 jogos e deixou a desejar em todos eles. Estreou no dia 7 de janeiro de 2009 num jogo treino contra o Uniclinic, no PV. Depois, entrou de saída na estreia coral no campeonato cearense daquele ano, uma acachapante derrota por 3×0 para o Horizonte, em pleno Elzir Cabral. Jogou mais uma vez contra o Boa Viagem e entrou no 2º tempo de um amistoso internacional contra o ASA de Angola. 4 jogos, sendo 2 oficiais e 2 amistosos. Esse é o retrospecto do ex-jogador dos dois times ferroviários.