VÍDEO COM LENDAS DA HISTÓRIA CORAL: ZÉ DIAS E MACAÚBA

O vídeo acima é de um valor histórico inestimável. Ele foi gravado décadas atrás e pertence ao acervo do pesquisador Aderbal Nogueira, que encontrou e filmou depoimentos de ex-jogadores do Ferroviário ligados à história do desenvolvimento da ´Estrada de Ferro` no estado do Ceará. Depois de editar um conteúdo especial sobre o ex-defensor Manoelzinho, recordista coral em número de jogos, o pesquisador divulgou no YouTube um novo material em vídeo, trazendo o depoimento do ex-goleiro Zé Dias e do ex-defensor Macaúba, dois grandiosos nomes da história coral que atuaram entre as décadas de 1940 e 1960, ambos já falecidos. Zé Dias é até hoje o goleiro que mais vezes defendeu o Ferroviário. Foram 197 partidas e 9 títulos conquistados entre 1944 e 1957. Por sua vez, Macaúba participou de 275 jogos entre 1950 e 1961, marcando 3 gols e conquistando 10 títulos pelo Ferrão. Vale a pena conferir o vídeo e recordar as lembranças futebolísticas desses antigos atletas, que além de defenderem as cores corais nos gramados cearenses, ainda dividiam o tempo com suas atividades profissionais rotineiras na Rede de Viação Cearense, a saudosa RVC. 

GRANDE AMISTOSO CONTRA O SANTOS NO DIA DE NATAL EM 1946

Matéria do Jornal O Povo de Fortaleza tratando o empate com o Santos como um grande triunfo

Jogo de futebol no dia 25 de dezembro é uma grande raridade na vida de qualquer time brasileiro. Na data máxima da cristandade, o Ferroviário só fez até hoje 3 jogos em toda a história. Porém, o primeiro deles foi em grande estilo, enfrentando a forte equipe do Santos/SP no Estádio Presidente Vargas, em Fortaleza. Corria ainda o ano de 1946 e o time coral era comandando no banco de reservas por Félix Nogueira. O Ferroviário Atlético Clube vivia o auge da alcunha de “Clube das Temporadas” e chegou a fazer 2×0 na equipe paulista, gols do artilheiro Jombrega. O Santos empatou com dois tentos do goleador Aldofrizes. O Ferroviário formou naquele feriado com Zé Dias, Manoelzinho e Expedito; Benedito (Arrupiado), Decolher e Babá; Toinho II (Néo), Dudu (Chinês), Jombrega, Fernando e Pipi (Abraão). A equipe santista empatou com Osni, Expedito e Artigas; Nenê, Daountó e Ayala; Maraçai (Zeferino), Canhoto (Leonardo), Caxambu, Adolfrizes e Rui. Apesar do empate, os desportistas cearenses aplaudiram a grande atuação da equipe erreveceana, legítima representante da Rede de Viação Cearense, a nossa famosa Estrada de Ferro. O Jornal O Povo taxou a atuação coral como surpreendente. As duas equipes só voltaram a se enfrentar amistosamente em 1967. O primeiro jogo oficial entre ambos ocorreu em 1980.

PRESENTE ESPECIAL DE ANIVERSÁRIO: VIDA E OBRA DE VALDEMAR CARACAS

Hoje é aniversário do Ferroviário Atlético Clube. São 84 anos desde sua fundação por parte dos operários da antiga Rede de Viação Cearense, a famosa RVC. O Almanaque do Ferrão presenteia a torcida coral com um documentário inédito sobre o fundador do clube, o inesquecível Valdemar Caracas, falecido em 2013. O material de 29 minutos foi produzido um ano após a sua morte pela jornalista Dayanne Feitosa e agora chega à Internet através do nosso blog. Caracas e Ferroviário, duas lindas histórias que se confundem com a história do próprio estado do Ceará. O documentário intitulado “Nos trilhos da história: vida e obra de Valdemar Cabral Caracas” conta com o depoimento de nomes como o amigo Antônio Carlos, o ex-cronista esportivo Cid Carvalho, o ex-presidente José Rego Filho e também deste blogueiro. Assista abaixo e feliz aniversário!

AO MESTRE MANOELZINHO, O RECORDISTA EM NÚMERO DE JOGOS

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Manoelzinho: 403 jogos pelo Ferrão

Mestre é aquele que é versado na ciência ou na arte. Não são todos que alcançam tal condição na peculiar arte de jogar bola. Manoelzinho chegou para o Ferroviário ainda menino. Pequenino na estatura, agigantava-se em campo diante dos atacantes adversários. Defendeu as cores corais no auge do futebol cearense, durante dezesseis anos, sempre encantando os torcedores. O pequeno Manoel David Machado era respeitado até pelos rivais. Dono de um futebol eficiente, tinha sempre seu nome lembrado nas convocações da Seleção Cearense. O lendário Elba de Pádua Lima, o Tim, sabia bem disso. No último mês de agosto, Manoelzinho comemorou ao lado da família seus 88 anos de idade. São muitas histórias para contar. Certa vez, ao encontrar com o ex-presidente coral Chateaubriand Arrais, o pequeno-grande piauiense lamentou a falta de memória que assola os mais velhos e a falta de conhecimento que ataca os mais novos. A torcida do Ferroviário jamais poderá esquecer os grandes préstimos do querido Manoelzinho. Pouquíssimos jogadores no futebol mundial tiveram a sorte e a honra de vestir a mesma camisa por tanto tempo. Dezesseis anos não passam definitivamente em dezesseis dias.

Foto de 1949 no Ferroviário

Ao conquistar os títulos de 1950 e 1952, Manoelzinho escreveu para sempre seu nome na galeria dos inesquecíveis do Tubarão da Barra. Mais que isso, seu nome será sempre lembrado como exemplo de cidadão e profissional. Homem íntegro, Manoelzinho conciliou as atividades de soldador na antiga RVC com os treinos e embates históricos do futebol daquela época. Venceu nos dois campos, pois de simples soldador transformou-se em mestre da metalurgia e de jogador transformou-se em mestre da bola. Sim senhor, mestre da bola. Homenagens por suas vitórias não faltaram na longa vida de Manoelzinho e estas se confundem com as vitórias do próprio Ferroviário Atlético Clube. Os mais velhos guardam na memória seus grandes momentos nos gramados. Os mais jovens, só por ouvir dizer, sentem saudade daquilo que não viram, mas sabem. Manoelzinho é eterno na história do Ferrão, pois além de vitorioso e longevo, é simplesmente o jogador que mais vezes vestiu a camisa coral em todos os tempos. Foram 403 jogos e 10 gols marcados no total. Manoelzinho é mestre. Mestres são ídolos e ídolos são eternos. Sempre.

NÃO SE ESQUEÇA DAQUELE JOGO CONTRA O BAHIA DE 60 ANOS ATRÁS

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Nozinho: melhor em campo

Durante toda década de 1950, o Ferroviário foi cognominado de ´Clube das Temporadas` porque sempre se dava bem em cima dos principais times brasileiros que excursionavam pelo estado, prática bem comum no contexto do futebol daquele período. Enquanto Ceará e Fortaleza geralmente perdiam seus jogos, o Ferrão vingava o futebol cearense com vitórias históricas. Há exatos 60 anos, mais precisamente no dia 2 de outubro de 1955, o Bahia/BA foi a vítima coral. Estamos falando do jogo 493 da nossa história, disputado no PV, palco naquele dia de uma das maiores apresentações do zagueiro Antônio Alves Marinho, o popular Nozinho, no auge de seus 388 jogos disputados com a camisa do Ferrão, entre 1947 e 1961. Dias antes, os baianos haviam batido os paraguaios do Cerro Portenõ e chegaram em Fortaleza cheios de favoritismo. Com um gol do ponta esquerda Fernando – outro lendário jogador que ultrapassou a marca de 300 jogos pelo clube – o Ferroviário fez 1×0 no placar e quebrou a castanha do tricolor baiano, uma vitória épica para sempre ser lembrada e contada para os mais jovens.

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Fernando: gol da vitória

Preste atenção na escalação coral naquela partida comandada pelo treinador João Damasceno: Maciel, Nozinho e Antônio Limoeiro; Rui Leite, Lolô e Manoelzinho; Nirtô (Geraldinho), Aldo, Zé de Melo, Macaco e Fernando, todos nomes consagrados na história do time erreveceano, como era chamado o representante da antiga Rede de Viação Cearense, a saudosa RVC. Já o Bahia do técnico Armando Simões perdeu com Joselias, Bacamarte e Juvenal; Rui (Marivaldo), Wilson e Florisvaldo (Chagas); Marito, Tonho, Ariosto (Sandoval), Ruivo e Benê (Nélson). O Bahia foi apenas mais um time a ser desbancado pelo Ferroviário naquele período. Times como Santa Cruz/PE, Fluminense/RJ, Paysandu/PA, Santos/SP, Sampaio Corrêa/MA, Olaria/RJ, Treze/PB, São Cristovão/RJ e até o uruguaio Wanderers, entre outros, conheceram bem a força do inesquecível ´Clube das Temporadas`, sem dúvida um período épico da história coral.

AS IMPACTANTES CONTRATAÇÕES PARA O CAMPEONATO DE 1939

miro e durval 1939

Elegância não é pra todo mundo: Miro e Durval chegam para o Ferroviário em 1939

O ano de 1939 foi muito importante para o Ferroviário e para a história do futebol cearense. Depois de disputar o campeonato anterior com um time formado em sua maioria pelos operários da Rede de Viação Cearense (RVC), o entusiasmado Valdemar Caracas queria ir longe e deflagrou o início da profissionalização do futebol alencarino trazendo o zagueiro Popó do Great Western de Pernambuco. Era só o começo das primeiras contratações de fora na vida do clube.

Também do futebol pernambucano chegaram o craque Zuza e o extrema esquerda Chinês. Do interior do Piauí, veio o endiabrado Pepê. Mas foi de São Paulo a chegada mais festejada, o centro-médio Miro, titular do Corinthians/SP em 1938. Ele chegou com o centroavante Durval, que sequer chegou a atuar pois foi logo mandado embora tamanha a ruindade. A foto acima é histórica. Como se vê, o que Durval tinha de elegância no vestir, faltava-lhe na bola. Miro chegou a fazer 8 partidas e voltou pra sua terra. Reza a lenda que deixou boas lembranças, mas só entre as residentes de Maracanaú, local do sítio da concentração coral antes dos jogos. E o que não faltou foi saudade para as distintas moçoilas da região.