O FERRÃO DE DOIS AMISTOSOS HISTÓRICOS CONTRA O SÃO PAULO

Ferroviário em janeiro de 1958 – Em pé: Antônio Limoeiro, Jaime, Nozinho, Manoelzinho, Macaúba e Eudócio; Agachados: Durval Cunha (Treinador), Macaco, Pacoti, Doca, Kitt e Zé de Melo

Em janeiro de 1958, o futebol cearense aguardava ansiosamente a excursão do São Paulo/SP por terras alencarinas. No dia 19 daquele mês, o tricolor paulista entrou em campo, no PV, para enfrentar o Ferroviário. A fotografia acima registra a equipe coral que começou a partida, diante de uma multidão presente nas arquibancadas do velho estádio. O ídolo Pacoti atuava pelo Sport/PE e foi cedido por empréstimo somente para esse grande confronto. A mesma coisa ocorreu com o atacante Doca, cedido pelo Usina Ceará. Treinado por Durval Cunha, o Ferroviário tinha nomes como o goleiro Jaime, ex-Botafogo/BA, os famosos Macaúba e Macaco, além do excelente Kitt. O time coral perdia por 2×1 e alcançou o empate no último minuto do jogo através de Pacoti. O craque Zé de Melo havia marcado o primeiro gol. Amaury e Gino assinalaram para a equipe paulista, treinada pelo húngaro Bela Gutman, e que formou com Paulo, De Sordi (Clélio) e Mauro; Sarará, Vitor e Ribeiro; Rubino, Amaury, Gino, Canhoteiro e Maurinho (Celso). O gol de empate no final do jogo motivou o São Paulo a pedir uma revanche e ela aconteceu quatro dias depois mediante grande expectativa na cidade. A nova partida reservaria momentos de violência, agressões, prisão e muito confusão no PV, mas isso é assunto para uma futura postagem.

REGISTRO DO CARRO DE BOMBEIROS NA CARREATA DO TÍTULO DE 1988

Imagem dos Arquivos Ferroviários Camocim Ribeiro com jogadores corais no carro dos bombeiros

O registro fotográfico acima foi tirado na manhã do dia 18 de setembro de 1988. Naquele domingo pela manhã, o Ferroviário Atlético Clube comemorou o título de campeão cearense daquele ano numa carreata pelas ruas da cidade. Boa parte do elenco coral subiu no carro do Corpo de Bombeiros e desfilou com o troféu pela capital cearense. Na imagem acima, é possível identificar o terceiro goleiro Júnior Lemos, segurando a taça e o polivalente Edson, sentado. Atrás, o goleiro reserva Osvaldo aparece de perfil. Posteriormente, outros jogadores subiram no carro, entre eles os ídolos Arnaldo, Mazinho Loyola e Marcelo Veiga. A comemoração coral durou o domingo inteiro, com direito a festa no Clube de Regatas da Barra do Ceará, ao meio-dia, e terminou com um amistoso de entrega de faixas, contra o Ceará, à tarde, no Estádio Presidente Vargas. O Tubarão da Barra bateu o alvinegro por 2×1, com gols de Wiltinho e Beto Andrade para o time coral, descontando Basílio para o Ceará. Dos atletas titulares no jogo decisivo contra o Fortaleza, os zagueiros Arimateia e Juarez, o goleiro Robinson e os meias Alves e Jacinto não atuaram no jogo festivo.

FOTO RARÍSSIMA: O JUVENIL DO FERRÃO NA TEMPORADA DE 1977

Equipe Sub-15 do Ferroviário A. C. durante as disputas do Campeonato Cearense de 1977 – Em pé: Laércio, Helder, Gilvan, Dedé, Sales e Maurício. Agachados: Gabriel, Assis, Osmar, Nena e Bosco

A fotografia acima é de 1977 e merece demais a postagem. Eis a equipe juvenil do Ferroviário nas disputas do Campeonato Cearense da categoria, o que seria hoje equivalente ao Sub-15. Nela, podemos ver o lateral direito Laércio com apenas 13 anos de idade. Ele foi o jogador mais jovem a vestir a camisa da equipe principal do Tubarão da Barra. O grande fato ocorreu em julho de 1978, quando Laércio, com apenas 14 anos, 5 meses e 3 dias de idade, entrou num amistoso contra o Calouros do Ar, no PV, lançado pelo treinador Lucídio Pontes, em substituição ao lateral Ayala. Menos de um mês depois, Laércio já disputava uma partida oficial pelo time profissional, dessa vez contra o Guarany de Sobral, também no PV, entrando no lugar do lateral direito Jorge Henrique. O protagonismo do atleta, justamente no ano do nascimento da primeira bebê de proveta no mundo, levou o narrador Júlio Sales a apelidá-lo de “provetinha” ou “bebê de proveta” na verve das narrações esportivas. Laércio passou 10 anos figurando nas escalações corais, totalizando 244 jogos e 4 gols marcados pelo Ferrão. Em 1984, ele foi emprestado ao Flamengo/RJ e retornou no ano seguinte para figurar numa das melhores equipes que o Ferroviário já formou em todos os tempos. No início de 1989, após sagrar-se campeão cearense no ano anterior, Laércio foi envolvido numa troca com o lateral direito Caetano e foi jogar no Fortaleza. A negociação envolveu também a ida do lateral esquerdo Edson para o Pici. Da equipe Sub-15 de 1977, o zagueiro Dedé, o lateral esquerdo Maurício, o atacante Bosco e o meia Osmar figuraram também em alguns jogos da equipe principal no decorrer das temporadas. Dedé foi o que acabou tendo mais oportunidades no início dos anos 1980.

RELEMBRE UMA GOLEADA EM CIMA DO CEARÁ POR 4X0 EM 2006

O jogo acima ocorreu há mais de uma década. Ferroviário e Ceará se enfrentavam pelo Campeonato Cearense de 2006, no dia 5 de fevereiro daquele ano. Depois de fazer 4×1 no Itapipoca na rodada anterior, o Tubarão da Barra humilhou o Ceará, no PV, vencendo o clássico por 4×0. Acima, você pode conferir os gols das partida marcados por Reginaldo França, no primeiro tempo, e Danúbio, Cristiano e Raul na etapa final. O jogo foi apitado por Manoel Moita e teve um público de 12.863 pagantes. Treinado por Jorge Veras, o Ferrão goleou com o futebol de Jéfferson, Arildo (Marcos Pimentel), Nemézio, Reidner e Rone; Glaydstone, Ernandes, Raul e Reginaldo França; Cristiano (Wanderson) e Danúbio. O adversário, treinado pelo experiente Ferdinando Teixeira, perdeu com Adilson, Sidney, Valdo (Gian) e Clécio (Edson Santos); Arlindo Maracanã, Pansera (Barata), Tiago Matos, Diogo Oliveira e Cássio; Vinícius e Márcio. Os atacantes Cristiano e Danúbio foram os grandes nomes do clássico no PV. Ainda em início de carreira, o time coral contou também nesse jogo com o atacante Wanderson, que depois atuou em equipes importantes da Suécia, Turquia e da Rússia, como o Krasnodar e o Dínamo Moscou.

FOTO RARA COM ALEXANDRE PAVÃO E EDINHO NA FORMAÇÃO CORAL

Foto do Ferroviário antes de uma partida contra o Limoeiro pelo Campeonato Cearense de 2004

A fotografia acima traz dois jogadores que só atuaram uma única vez com a camisa do Ferroviário. Nesse dia, em 28 de fevereiro de 2004, o time coral fazia a estreia do goleiro Alexandre Pavão e do zagueiro Edinho. Ambos tiveram atuação desastrosa e só realizaram esse jogo pelo Ferrão, que foi goleado pelo Limoeiro por 4×1 no PV. Acima, perfilados em pé, da esquerda para a direita temos os seguintes jogadores: Anderson, Edinho, Alexandre Pavão, Junior Cearense e Damião. Por sua vez, agachados, vemos Marcelo, Édio, Andrezinho, Glaydstone, Stênio e Maurício Pantera. O treinador dessa equipe era o ex-goleiro Jorge Pinheiro, que vestiu a camisa do próprio Ferroviário nos anos 1990. O pernambucano Maurício Pantera acabou sendo o artilheiro do Campeonato Cearense daquele ano com 12 gols, apesar de ter ficado fora dos jogos por um mês, em razão de uma atrapalhada e mal sucedida transferência para o futebol russo. Atualmente, Maurício Pantera reside em Recife, atua como porteiro em condomínios residenciais e é torcedor do Santa Cruz/PE.

ARTILHEIRO PAULO CÉSAR DEFINIU CLÁSSICO CONTRA O CEARÁ EM 1980

Confira as raras imagens acima. Elas mostram um belo gol do artilheiro Paulo César contra o Ceará, após boa jogada do craque Jacinto. O vídeo acima faz parte do acervo do pesquisador Zidney Marinho e merece uma postagem aqui no blog. Nele, no programa “Gols do Fantástico“, o apresentador Fernando Vannucci mostra o principal jogo da rodada no futebol cearense. O jogo aconteceu no PV e foi válido pelo 1º turno do Campeonato Estadual de 1980. Esse lance foi o primeiro gol marcado pelo ídolo Paulo César, após uma breve passagem de oito meses pelo Santa Cruz/PE. Treinado pelo experiente Lanzoninho, o Ferrão venceu a partida com o futebol de Salvino, Jorge Luís (Doca), Celso Gavião, Lúcio Sabiá e Jorge Henrique; Jeová, Bibi e Jacinto; Serginho, Paulo César (Almir) e Marco Antônio. Por sua vez, o alvinegro do treinador gaúcho Carlos Froner perdeu com Luís Antônio, Bezerra, Antônio Carlos, Lula e Valdemir; Pedro Basílio, Jorge Luís Cocota (Ademir Pereira) e Sidnei; Ivanir (Gilson), Nei e Jorge Veras. Como se vê, o jovem Jorge Veras, que se tornaria ídolo coral a partir de 1982, dois anos antes jogava pelo Ceará. O gol da vitória saiu aos 30 minutos do 2º tempo. Ao todo, 16.375 pessoas pagaram ingresso para ver o clássico no PV, que foi comandado pelo árbitro Luís Vieira Vila Nova. O jogo foi disputado no dia 22/06/1980. Após mais alguns jogos, já em julho, o Ferrão sagrou-se campeão do 1º turno e carimbou seu passaporte para as finais da competição no final do ano.

ROBERTO CEARENSE MARCAVA EM CIMA DE MARCELINO HÁ 40 ANOS

Atacante Roberto Cearense cabeceia e marca mais um gol do Ferroviário em jogo do Estadual de 1981

O registro fotográfico acima completou quarenta anos. Foi o primeiro gol do centroavante Roberto Cearense contra o América/CE, no PV, num domingo de manhã. O tento foi assinalado em cima do histórico goleiro Marcelino, que estava em final de carreira. O Ferrão venceu o jogo por 3×1 e Roberto Cearense teve a oportunidade ainda de marcar o gol mais bonito do “Fantástico”, fato este já destacado aqui no blog em 2016. Treinado por Moésio Gomes, o Tubarão da Barra jogou com o futebol de Salvino, Paulo Maurício, Paulo César Piauí, Nilo (Darci Munique) e Roner; Augusto, Meinha e Sima; Jangada (Paulo César Cascavel), Roberto Cearense e Babá. Comandado por Alberto Damasceno, sentado no banco como treinador da equipe, o antigo Diabo Rubro da Dom Manuel perdeu com um time cheio de veteranos: Marcelino, Cafifa, Artur, Júlio e Rebelde; Chiquinho (Maurício), Pinto e Mano; Brito, Jorge Costa e Vento (Artur II). Menção honrosa para o meio campo piauiense do Ferrão: Augusto, Meinha e Sima, este último autor do outro gol coral na partida. Abaixo, aos 35 segundos do vídeo, você confere o gol do Ferrão que resultou no retrato acima.

SHOW DE BOLA E VITÓRIA MAIÚSCULA NA TEMPORADA DE 1957

Foto colorizada do time base do Ferroviário Atlético Clube no Campeonato Cearense de 1957

Foi num dia 15 de setembro como hoje, só que na temporada de 1957. Corria o 2º turno do Campeonato Cearense e o Ferroviário, comandado pelo treinador Durval Cunha, bateu o Fortaleza por 4×2 no PV. O time coral chegou a fazer 4×0 no placar com gols de Pacoti, Zé de Melo, Macaco e Fernando. Os quatro aparecem na foto acima, que ilustra bem a formação básica da equipe na competição. Zé de Melo, Macaco e Pacoti são os três primeiros agachados, enquanto Fernando é o quinto, todos da esquerda para a direita. A formação que derrotou o Fortaleza foi exatamente a da fotografia acima, com exceção do goleiro Gilvan e do jogador Kitt. Quem atuou na goleada de 4×2 foi o experiente Juju e o craque Aldo. A escala da equipe formou com Juju, Ferreira e Nozinho; Manoelzinho, Macaúba e Eudócio; Zé de Melo, Pacoti, Aldo, Macaco e Fernando. Treinado por Mozart Gomes, pai dos futebolistas Mozart e Moésio Gomes, o Fortaleza perdeu com Aluísio, Gera e Zé Mário; Charuto, Sapenha e Aluisio III; Moésio, Nagibe, Ferreira, Zé Raimundo e Lucas. Ferreira e Lucas marcaram para o Tricolor do Pici. O jogo teve Pierre Neto na arbitragem e os jogadores Nozinho e Manoelzinho foram considerados os melhores em campo, juntamente com os autores dos gols. Bastante conhecido no futebol nordestino, o técnico Durval Cunha também aparece na imagem acima, no canto inferior direito. Três anos antes de chegar para o Ferroviário, mais precisamente em 1954, ele entrou para a história como o primeiro treinador a comandar do Fluminense de Feira de Santana numa partida profissional.

O FERROVIÁRIO DE 1972 QUE FOI TREINADO POR CÉSAR MORAES

Ferroviário Atlético Clube no Campeonato Cearense de 1972 – Em pé: Pedrinho, Almir, Gomes, Daniel, Coca Cola e Bauer. Agachados: Birungueta, Luizinho, Simplício, Jorge Mendes e Oliveira

Registro fotográfico do Ferroviário no Campeonato Cearense de 1972, antes de uma partida contra o Maguari no PV. O time coral bateu a equipe cintanegrina pelo placar de 1×0, gol de Simplício. O goleiro Pedrinho, ex-Santa Cruz/PE, foi um dos destaques da partida com boas defesas. A imagem acima é um dos poucos registros com o atacante Jorge Mendes, que fez apenas 11 partidas com a camisa coral e que havia sido contratado junto ao Campo Grande/RJ. Ele chegou a marcar 5 gols pelo Ferrão. O lateral esquerdo Bauer havia jogado no Fluminense/RJ e no Bangu/RJ. Depois, ele foi campeão cearense pelo Fortaleza. O zagueiro Almir também veio do futebol carioca, mais precisamente do Madureira/RJ. O lateral direito Daniel era ex-Ceará e o atacante Birungueta veio do Fortaleza. Esse time foi treinado por César Moraes, que teve naquele ano a sua primeira passagem como treinador do Ferroviário. O inesquecível ´Guri` conquistou os Estaduais de 1979 e 1994 com o Tubarão da Barra. 

ADEUS AO RECORDISTA QUE MAIS VEZES ENTROU NOS GRAMADOS

Manoelzinho: grande recordista

Manoelzinho se foi. O jogador que mais vezes entrou em campo com a camisa do Ferroviário Atlético Clube faleceu ontem, em Fortaleza, aos 92 anos de idade. O piauiense Manoel David Machado teve uma vida longeva e foi homenageado algumas vezes, tanto em sua carreira profissional exercida na ´Estrada de Ferro`, como também como jogador de defesa histórico do Tubarão da Barra, entre os anos de 1946 e 1962. Foram 407 jogos com a camisa coral, 10 gols marcados e, nada mais nada menos, que 12 títulos conquistados pelo Ferrão, a saber: campeão do Torneio Início de 1949, campeão da Taça Heitor Ribeiro em 1949, campeão cearense de 1950, campeão do Quadrangular Interestadual em 1951, campeão do Quadrangular Estadual em 1952, campeão do Torneio Municipal em 1952, campeão da Taça Castelo Branco em 1952, campeão cearense de 1952, campeão do Pentagonal de Fortaleza em 1955, campeão do Pentagonal Estadual de 1955, campeão da Copa Fortaleza-Maranguape em 1958 e campeão do Torneio Moisés Pimentel em 1960. Em 2019, Manoelzinho foi homenageado na coleção de copos ´Legendários` e compareceu a um jogo do Ferroviário contra o Imperatriz/MA, no PV, palco de suas atuações no passado. Recentemente, o livro ´Crônicas Corais` foi lançado, trazendo uma crônica intitulada “Ao mestre, com carinho“, escrita em homenagem ao recordista coral. Abaixo, um registro histórico: uma compilação do documentarista Aderbal Nogueira, gravado na primeira década dos anos 2000, quando o ex-jogador recordou momentos de sua vida. Descanse em paz, Manoelzinho.