REGISTRO FOTOGRÁFICO DE UM JOGO PELA TEMPORADA DE 2013

Ferroviário Atlético Clube em 2013 – Em pé: Kleyton, Fernando Júnior, Anderson Borges, Cleylton, Giancarlo e Lima; Agachados: Everton, Leandro Sobral, Foguinho, Tinga e Ted.

Acima, belo registro do Ferroviário, vestindo uniforme preto, no segundo jogo do campeonato cearense de 2013, no PV. Foi no dia 09 de janeiro daquele ano. Depois de vencer o Crato na estreia, com um gol de Giancarlo no final do jogo, o time coral dominou as ações naquela quarta-feira à noite, mas ficou no empate em 0x0 com o Horizonte. Depois de utilizar um uniforme preto, pela primeira vez na história entre as temporadas de 2008 e 2010, a temporada de 2013 marcou o retorno daquele belo material de jogo, produzido pela Siker. Em grave dificuldade financeira, o Ferrão tinha a menor folha de pagamento dentre os dez participantes da primeira divisão cearense e a base do time era o grupo de jogadores que, três meses antes, havia sido vice campeão cearense Sub-20. Cinco jogadores dessa foto já penduraram as chuteiras: Kleyton, Fernando Júnior, Anderson Borges, Lima e Tinga. O lateral direito Everton, o zagueiro Cleylton, o meio campista Foguinho e o artilheiro Giancarlo foram os que obtiveram maior projeção, atuando em times importantes do país e até do exterior.

NO 80 ANOS DE PELÉ, A HISTÓRIA DA CAMISA QUE A FREIRINHA LEVOU

Foto histórica do Rei Pelé, em 1968, tentando furar a defensiva do time campeão cearense invicto

O Rei do futebol mundial completa hoje 80 anos de vida. Em todos os lugares do mundo, Pelé é celebrado e ovacionado por mais um aniversário. A matéria de hoje aqui no blog poderia ser só sobre ele, ou ainda sobre Coca Cola ou Luiz Paes, dois dos melhores jogadores em campo, no dia que o Ferroviário Atlético Clube encarou o Santos de Pelé, de igual pra igual, em 1968. Poderíamos lembrar o belo chapéu que Coca Cola aplicou no melhor jogador do mundo, aplaudido por todo o estádio, ou a forte marcação do zagueiro Luiz Paes, que impediu que Pelé marcasse contra o time coral. Os dois fatos são de domínio público no futebol cearense e, há mais de cinquenta anos, são repetidos nas arquibancadas cearenses pelos torcedores mais antigos. Os dois craques corais receberam os parabéns do próprio Pelé, ainda dentro do gramado do PV, em razão de seus lances fortuitos. Porém, quem ganhou o dia foi uma anônima freirinha cearense, para desespero do ex-zagueiro Luiz Paes. Talvez esta seja a maior curiosidade da passagem do Rei Pelé contra o Tubarão da Barra.

Matéria do Correio do Ceará sobre o dia que a defensiva do Ferroviário parou o Rei Pelé

Estamos falando do jogo de entrega de faixas pelo título estadual de 1968. O campeão cearense recebeu o campeão paulista. É verdade que, um ano antes, o Santos massacrou o Ferrão por 5×0 e Pelé deixou sua marca nas redes do goleiro Miltão. Porém, contra o timaço que foi campeão invicto era diferente: 0x0 no placar. A zaga Gomes e Luiz Paes parou o Rei Pelé por completo e o catedrático beque pernambucano recebeu vários elogios do maior nome do futebol mundial. Em meio aos lances disputados, Luiz Paes lembrava de pedir a camisa do craque nacional como recordação. Pelé prometeu, ainda no calor do amistoso. Ao final do apito do árbitro, o paulista Manuel Joaquim Ramos, Pelé foi ovacionado, mas lembrou de reservar a camisa para o zagueiro coral. Depois das entrevistas e do assédio dos torcedores, Luiz Paes foi ao túnel do Santos para encontrar o Rei do futebol e pegar seu regalo. Recebeu um abraço e, novamente, os parabéns pela atuação. Mas ficou sem a camisa, pois ao chegar no vestiário, Pelé recebeu a visita inesperada de uma simpática freirinha, que pediu a camisa 10 do ídolo para realizar um leilão de caridade. Pelé aquiesceu com prazer. Luiz Paes perdeu a oportunidade de guardar aquela relíquia, mas ganhou uma história pra contar pelo resto da vida. Foi por uma boa causa.

GOLAÇO DE REGINALDO FRANÇA CONTRA O RIVER AOS 49 MINUTOS

Matéria de jornal sobre a grande vitória do Ferroviário no Campeonato Brasileiro de 2002

Lembra do golaço do Reginaldo França contra o River/PI aos 49 minutos do segundo tempo? Apelidado pelo treinador Danilo Augusto como “Gol de Deus“, o lance, acontecido há exatos 18 anos, foi de uma beleza plástica indescritível. O jogo valia pelas oitavas de final da Série C do Campeonato Brasileiro de 2002. Depois de perder o primeiro confronto por 3×2 em Teresina, o Ferroviário precisava vencer por dois gols de diferença para obter a classificação. O time coral vencia por 1×0, gol de Danilo, e a decisão da vaga ia para os pênaltis, quando o árbitro Alberto Batista Carvalho anunciou cinco minutos de acréscimos. Praticamente no último lance da partida, realizada no PV diante de 2.624 pagantes, o Tubarão da Barra teve um escanteio a seu favor, cobrado por Arildo. Na sequência do lance, o ex-coral Jorge Luiz rebateu a bola pra fora da área e ela caiu nos pés de Reginaldo França, que marcou o tento da classificação. Após o golaço, os torcedores corais foram ao delírio e o jogo logo acabou. Naquele domingo, o time coral formou com Ivanoé, Aírton (Arildo), Marcos Aurélio (Cícero César), Puma e Helinho; Édio, Ricardo Baiano, Danilo e Reginaldo França; Serrinha (Gil Bala) e Guedinho. O time piauiense jogou com Jorge Luiz, Niel, Rauli, Venício e Buiú (Matoso); Jó, Garrinchinha, Esquerdinha (Rondineli) e Lira; Wágner e Mairan (Joniel). Na continuidade da competição, o Ferroviário enfrentou o Nacional de Manaus e foi eliminado nas quartas de final. Abaixo, o próprio Reginaldo França recorda aquele golaço sensacional em áudio especialmente gravado para o Almanaque do Ferrão, falando do lance propriamente dito e das curiosas orientações que recebeu do treinador e do diretor Emanuel Brasileiro na borda do campo antes do lance decisivo.

BODAS DE OURO DA CONQUISTA DO CAMPEONATO CEARENSE DE 1970

Uma das formações na reta final de 1970 – Em pé: Louro, Hamilton Ayres, Gomes, Aloísio Linhares, Eldo e Coca Cola; Agachados: Mano, Paulo Velozo, Amilton Melo, Edmar e Alísio

O ano de 1970 começou cheio de expectativas para o Ferrão. Pela primeira vez, logo em janeiro, o time coral recebia um time de outro estado para uma partida no Elzir Cabral, ainda em fase de construção. O amistoso contra o Alecrim/RN terminou em grande confusão, com brigas dentro de campo, assim que uma legião de torcedores corais invadiram o campo para agredir o árbitro Roberto Kaúla. Antes do fim do mês, o Ferroviário conquistou o título da II Copa Estado do Ceará, iniciada ainda em 1969, numa disputa de pênaltis contra o Ceará que envolveu o duelo Simplício x Gojoba nas cobranças. Além desse amistoso histórico e do primeiro troféu no ano, a direção coral não abria mão do título estadual e realizou contrações importantes para reforçar o time, como o lateral Esteves, os atacantes Zé Luís e Paulo Velozo, além da chegada do craque Amilton Melo, seguramente o maior jogador do futebol cearense da história, que se consagrou a partir daquele momento e durante toda a década de 1970. 

Jornal O Povo há exatos 50 anos

O campeonato cearense começou para o time coral no dia 8 de março e terminou num 7 de outubro como hoje. Foram sete meses de disputas. O Guarany de Sobral talvez tenha montado o seu melhor time em todos os tempos e venceu o 1º turno. No returno, o Ferrão bateu o Fortaleza por 1×0, golaço de peixinho de Paulo Velozo, e ficou com o título. O Ceará levou o 3º turno, ganhando por 3×1 do próprio Ferroviário, e os três vencedores foram realizar o chamado “Super Turno” em três jogos no PV. Na primeira partida do triangular simples, o Tubarão da Barra envolveu o Ceará por completo, com grande atuação do volante Edmar, mas o placar ficou no 0x0. Três dias depois, o próprio Ceará empatou com o Guarany, também em 0x0, o que facilitou a vida dos adversários, já que a decisão do título ficou justamente para o jogo do Ferroviário contra o excelente time sobralense. Com uma foto dos principais jogadores de cada time, o Jornal O Povo amanhecia nas bancas com os dizeres: “Pode surgir hoje o Super-Campeão” e “O grande duelo da peleja decisiva”.

Carnaval da torcida coral no PV

Diante de 13.028 pagantes, os dois times fizeram um jogo polêmico e difícil, em que o primeiro tempo terminou 2×1 para o time coral, gols de Amilton Melo, aproveitando uma rebatida do goleiro Ademir, e Alísio, numa virada com a perna esquerda. Edmilson diminuiu o placar com um gol para o Guarany antes do fim da etapa inicial. No intervalo, a primeira confusão: o reserva Jaldemir foi expulso do banco sobralense ao tentar subornar, com 1000 Cruzeiros, o árbitro Lourálber Monteiro, para que ele marcasse um pênalti para o Guarany. Na etapa final, o juiz ainda expulsou o atacante Wilson do Ferroviário, além de Teco Teco e Valdir pelo lado do adversário. O terceiro gol coral, marcado por Alísio novamente, já saiu no apagar das luzes e causou a invasão dos jogadores reservas na comemoração e, posteriormente, a invasão da torcida coral para comemorar junto com os atletas, num autêntico carnaval em pleno mês de outubro, a partir das 22h30 daquela quarta-feira.

Paulo Velozo: artilheiro

Treinado por Alexandre Nepomuceno, o Ferroviário jogou a finalíssima e foi campeão com Aloísio Linhares, Esteves, Hamilton Ayres, Gomes e Louro (Eldo); Edmar, Simplício e Coca Cola; Amilton Melo (Wilson), Paulo Velozo e Alísio. O Guarany de Sobral, treinado pelo experiente Ivonísio Mosca de Carvalho, perdeu com Ademir, Wellington, Ivan Limeira, Valdir e Barbosa; Teco Teco e Marivaldo; Dedeu (Gilvan)(Zezinho), Carrete, Edmilson e Paraíba. Além do técnico, o Guarany reunia três jogadores campeões invictos pelo próprio Ferroviário apenas dois anos antes: Wellington, Barbosa e Paraíba. O Ferrão, chamado na ocasião pela crônica esportiva e desportistas em geral como “Timão”, teve a defesa menos vazada e o ataque mais positivo do campeonato, consolidando o pernambucano Paulo Velozo como o artilheiro da equipe com 12 gols, seguido de Amilton Melo com 10 tentos. O artilheiro maior do certame foi justamente o ex-coral Paraíba, do Guarany, com 15 gols assinalados. Nas bodas de ouro daquela brilhante conquista, a nossa homenagem aos heróis de 1970!

RECORDE UM AMISTOSO HISTÓRICO CONTRA O SANTA CRUZ DE RECIFE

Luizinho marcou um gol no amistoso

Já que Ferroviário e Santa Cruz/PE se enfrentam nesse domingo, vamos brincar com a curiosidade e recordar um amistoso histórico entre as duas equipes, realizado no dia 27 de maio de 1972. Com a fama de tetracampeão pernambucano, o Santa Cruz viajou até Fortaleza para enfrentar o Tubarão da Barra. Perdeu a peleja por 3×2, no PV, com Amilton Melo, Zé Maria Paiva e Luizinho, o Peito de Aço, marcando para o Ferrão. Betinho e Luciano marcaram para a cobra coral de Recife. O potiguar Nacor Arouche apitou o jogo. Repare na sólida escala cearense do treinador Alexandre Nepomuceno: Jurandir, Daniel, Valdez, Gomes e Carlos Alberto; Simplício e Luciano Amorim; Luizinho, Amilton Melo, Jorge Mendes (Oliveira) e Zé Maria Paiva. O Santa Cruz perdeu com uma formação de grandes e famosos jogadores nordestinos: Detinho, Zinho, Sapatão, Rivaldo e Cabral; Erb e Luciano; Betinho, Bita (Zito), Ramon e Zé Maria (Beto). Dessa formação, o meia Luciano era irmão do nosso ex-goleador Paulo Velozo, conhecido à época como a maravilha negra da Barra do Ceará. Luciano chegou a ser campeão paulista pelo Corinthians cinco anos depois. Betinho e Ramon brilharam com a camisa do Ferrão na década seguinte. Os dois também atuaram na função de treinador posteriormente. Luizinho veio do Sport de Belém do Pará. Zé Maria Paiva também foi preparador físico e técnico do Ferrão em várias oportunidades nos anos 1980 e 1990. Nomes históricos do Tubarão da Barra!

FERROVIÁRIO: O PATINHO FEIO DO POBRE E VELHO FUTEBOL CEARENSE

O papo hoje é sobre treta! O Canal do Nicola no YouTube disse, nacionalmente, o que muita gente em terras alencarinas já tinha certeza. Gostem ou não, o Ferroviário é tratado como “Patinho Feio” do pobre e velho futebol cearense, em seus mais de cem anos de disputas. “É mania de perseguição“, dirão os simplistas em seus argumentos, invariavelmente, simplórios. Ocorre que contra fatos não há argumentos e inúmeros acontecimentos, por vezes deixados de lado, enfileiram uma alta dosagem de artimanhas e histórias mal contadas através do tempo. No mais recente episódio, o Ferrão acabou punido e perdeu o direito de mando de campo em sua própria cidade, simplesmente porque o Castelão, estádio público onde o Ferrão manda jogos desde 1974, está reservado apenas para jogos da dupla Ceará e Fortaleza. Tudo isso em plena disputa de um campeonato brasileiro de futebol, quando todas as instituições envolvidas, inclusive o Governo, deveriam trabalhar a favor da garantia dos interesses corais, como legítimo representante do Estado na competição. Assim, o importante choque de líderes contra o Santa Cruz/PE será no Domingão, no município de Horizonte. Entre omissões, mentiras e atos sórdidos verificados longe da grande mídia, mas relatados à boca miúda nas últimas semanas, o vídeo acima do jornalista Jorge Nicola dá o tom da mais nova treta em que o Ferrão acabou metido gratuitamente.

Chicão: testemunha ocular da história

É fácil recordar inúmeros absurdos afins ocorridos no passado, até porque alguns são impossíveis de esquecer, como o fato – até pitoresco – de um time inteiro ser preso na final do campeonato cearense de 1947, depois de estar sendo vergonhosamente roubado pela arbitragem. Talvez, o cúmulo dos cúmulos. Zé Limeira, eterno torcedor-símbolo do Ferrão, morreu contando detalhes de várias finais de campeonato em que o time coral acabou prejudicado contra Ceará e Fortaleza, terminando como vice-campeão. Estelita Aguirre, outro ferrenho torcedor já falecido, foi para o céu bradando nas arquibancadas, e no rádio, que a sigla da Federação Cearense de Futebol, conhecida como FCF, na verdade, deveria significar “Federação do Ceará e do Fortaleza“. Lembram? O saudoso Chicão, supervisor coral por quase três décadas, morreu relatando histórias dos bastidores que tramaram contra o tricampeonato estadual coral em 1996. “Se o Ferroviário for Tri, o futebol cearense se acaba“, dizia ter ouvido tal pérola nos corredores da FCF, saído da boca de um dirigente do alto escalão da mentora. Histórias e depoimentos que ficam para trás, caem no esquecimento ou simplesmente viram lendas urbanas do futebol alencarino.

Luizinho e o gol anulado

É muito comum pessoas nas arquibancadas com suas histórias e tretas testemunhadas. Mais de trinta anos depois, até hoje se fala do gol mal anulado de Luizinho das Arábias contra o Fortaleza, que garantiu o adversário no triangular final do campeonato de 1985. O melhor entre os três, o Ferrão, com um verdadeiro timaço, foi o prejudicado. O presidente Caetano Bayma está vivo até hoje pra contar, com riqueza de detalhes, essa história, num dos campeonatos mais escandalosamente surrupiados em todos os tempos. Já repararam que torcedores de Ceará e Fortaleza dificilmente recordam ou relatam terem perdido uma final de campeonato cearense por causa de um erro de arbitragem? Falam pontualmente de um jogo ou outro, principalmente em partidas de campeonato brasileiro, quando são tratados como “time pequeno”, mas quase nunca falam de uma final de Estadual. É fácil ser torcedor do Ceará e do Fortaleza em âmbito local quando reina a hipocrisia. Todos os esforços convergem em favor dos dois. Alguém duvida? Quando disputam uma final entre si, a primeira providência é anunciar logo um árbitro de outra região, fato quase nunca providenciado quando o adversário da final é o Ferroviário ou outra equipe qualquer. A história está aí para provar. Referidas práticas e acontecimentos fazem parte do futebol cearense e, o pior, nos acostumamos com isso.

Panfleto da torcida coral em 2006

E o que dizer do episódio quase esquecido de 1973, quando o futebol cearense ganhou definitivamente uma segunda vaga para o campeonato brasileiro, dominado pelos interesses da ditadura militar? Quem foi o indicado pela Federação? Apesar da retrospectiva coral em campo ser superior por conta do título estadual em 1970 e das campanhas de 1971 e 1972, e não obstante o Ferroviário ter ficado com a segunda vaga provisória criada na primeira edição da disputa nacional, em 1971, depois de vencer uma seletiva local, o agraciado político com a vaga definitiva, em 1973, foi o Fortaleza, para ira dos dirigentes corais da RFFSA que só faltaram esmurrar o presidente da Federação na ocasião. O lendário Ruy do Ceará está aí para contar e os arquivos dos jornais não o deixam mentir na hora de recordar os fatos. Decisões e favorecimentos que mudam o curso da história e engradecem ou enfraquecem seus atores diretamente envolvidos. O que falar da Copa João Havelange, em 2000, que catapultou gratuitamente o Fortaleza dos vexatórios caminhos da Série C para uma nova e charmosa segunda divisão, reunindo vários times que estavam na Série B? Acesso bom é o acesso fácil. E o episódio da Copa São Paulo de Futebol Júnior em 2006? Mesmo como campeão da categoria Sub-20, o Ferrão foi alijado da vaga prevista em regulamento após uma série de “mal-entendidos” envolvendo a FCF, a Secretaria Estadual da Juventude e, claro, o beneficiado Fortaleza, que viajou pra capital paulista como representante do futebol cearense. Nariz de palhaço foi pouco. Mais recentemente, em 2008, o quase nunca lembrado Caso Piva, que evitaria o “rebaixamento” do Ferrão para a Série D do Brasileiro, devidamente arquivado e sepultado. Em 2016, o episódio nefasto de um campeonato cheio de WO´s, a maioria a favor da mesma equipe. Como esses fatos, existem dezenas de outros. O problema é que as pessoas se acostumaram a esquecer.

Clóvis Dias: bicampeão e deposto

Quando o Ferroviário engrossou o pescoço na metade dos anos 1990, articulando inclusive a criação da Copa do Nordeste, negociando jogadores para times importantes do país, fazendo caixa e disputando, pau a pau, os títulos estaduais com os preferidos da audiência, deixando muitas vezes o próprio Fortaleza comendo poeira em situações pra lá de vexaminosas, partiu de dentro da cúpula maior do futebol cearense, um movimento para derrubar politicamente a presidência coral, que preparava e idealizava o clube para as mudanças que a Lei Pelé, posteriormente, acabou exigindo de todos. Até hoje, o Ferroviário paga muito caro pela forma como o presidente quase tricampeão Clóvis Dias foi deposto. Foram mais de duas décadas perdidas a partir daquela sequência de episódios que vergonhosamente envolveu até registros policiais. Ninguém pode afirmar o que seria do futuro do clube se aquele trabalho tivesse tido continuidade, mas todo mundo sabe bem o que aconteceu depois daquela sequência de fatos tramada entre o alto escalão do futebol cearense e pessoas ligadas aos intestinos corais.

Presidente Vargas em missão de salvar vidas

Na prática, todo mundo diz que gosta do Ferrão. É muito fácil dizer. É o texto preferido dos políticos e dos politiqueiros. Não se trata de pessoas em particular, muito menos de instituições, sejam elas públicas ou privadas, mas quando alguém cala diante do extravio do lícito direito do clube em mandar seus jogos  no Castelão – e a omissão é um pecado que jamais merece ser esquecido -, pactua-se sordidamente com o ´mainstream` que alicerça e faz com que as coisas sejam como sempre foram, mantendo aquele velho modelo viciado, onde todos os interesses convergem para apenas dois clubes, que se retroalimentam, inclusive financeiramente, a partir de uma respeitável rivalidade, mas que estão pouco se lixando para a realidade de que a festa recebe outros convidados e estes têm também o direito de compartilhar o mesmo espaço, principalmente quando este é público e foi construído, também, com dinheiro do contribuinte coral. Com a ausência do PV, outra casa querida e histórica, reservado para a nobre missão de salvar vidas na pandemia de Covid-19, as instituições e as pessoas que fazem o futebol cearense jamais poderiam ter dado as costas para o Ferroviário e agir como, infelizmente, procederam, sobretudo diante do simples fato do clube precisar usar o  Castelão por – apenas e meros – 180 minutos mensais. É muito? Tamanha mesquinhez deveria encher de vergonha os responsáveis, inclusive no âmbito político do Estado, pois a omissão é a pior forma de covardia. Chega a ser engraçado saber que a referida treta ficará nos arquivos e na memória apenas como mais um item perdido na galeria de relatos afins que se avolumaram com o tempo. Mais um pra conta, pode registrar. E como tantos outros, jamais será esquecido.

GOL DE CARDOSINHO EM COBRANÇA DE FALTA CONTRA O AMÉRICA

No dia 23 de setembro de 1984, o Ferroviário bateu o América/CE por 1×0 em jogo válido pelo 2º turno do Campeonato Cearense. O gol foi marcado pelo atacante Cardosinho no segundo tempo da partida. A cobrança de falta do ex-jogador maranhense merece o devido destaque no aniversário de 36 anos daquela vitória, razão pela qual postamos acima o vídeo com o gol de belíssima feitura em cima do famoso goleiro Tarcísio Abelha. Treinado por José Oliveira, o Tubarão da Barra formou naquela partida com o futebol de Carlinhos Baiano, Tuca, Russo, Nilo e Edson; Doca, Wilson e Paulinho Lamparina; Júnior Xavier (Cardosinho), Orlando e Ramon (Escurinho). O treinador Arrupiado escalou o América com uma formação de jogadores rodados e experientes no futebol cearense: Tarcísio, Benone, Artur, Darci e Jair; Pinto, Ednardo e Magela; Luciano, Ivan e Evaldo. O jogo foi apitado por Gustavo Adolfo Maia, que depois virou analista de arbitragem, trabalhando em diversas rádios de Fortaleza. Um público de 1.472 pagantes foi ao PV. Em 2016, Cardosinho morava na França e o fato foi destacado em postagem aqui no blog. Atualmente, ele mora no Maranhão.

FOTO RARA DO CAMPEÃO DA TAÇA EVANDRO AYRES DE MOURA EM 1976

Ferrão campeão do Torneio Evandro Ayres de Moura – Em pé: Giordano, Arimatéia, Jocecir, Marcus, Júlio e Hélio; Agachados: Vanderley, Cláudio Silva, Alzir, Carlos Alberto e Babá

Evandro Ayres de Moura foi prefeito de Fortaleza em meados dos anos 1970. Em sua homenagem, foi organizada uma competição de segundo semestre, na temporada de 1976, que contava com a participação das equipes cearenses, com exceção de Ceará e Fortaleza, que estavam no campeonato brasileiro. O retrato acima é o time coral exatamente na final dessa competição, mais precisamente no dia 10 de novembro, antes de bater o Tiradentes por 4×2 e conquistar o título sob o comando de Lucídio Pontes, seu primeiro título pelo Tubarão da Barra. Foram 11 jogos no total. O Ferrão caiu na chave A com Calouros do Ar e Guarany de Sobral em jogos de ida e volta. O Tiradentes, campeão da Chave B, venceu o 1º turno nos pênaltis contra o Ferroviário, vencedor da Chave A. Os dois times também fizeram a final do 2º turno, vencida pelo time coral por 3×2. Na grande decisão, dia do registro da foto em questão, o Ferroviário aplicou 4×2 em cima do Tigre e levou a taça para sua galeria de troféus na Barra do Ceará. Na onzena que entrou em campo no dia da final, no PV, o lateral direito Marcus era irmão do conhecido narrador de futebol Carlos Fred, falecido em 2016.

VITÓRIA CONTRA O CALOUROS DO AR COM DOIS GOLS DE BETO ANDRADE

O vídeo acima é mais um regaste de imagens históricas promovido pelo Almanaque do Ferrão. Encontramos uma vitória coral por 2×0 em cima do saudoso Calouros do Ar. As imagens são da TV Verdes Mares e a narração é de Aderbal Bezerra. O jogo é do campeonato cearense de 1988, ano de glórias para o Tubarão da Barra, e foi válido pelo 2º turno da competição. O ponta esquerda Beto Andrade marcou os dois tentos da partida, que teve um público de 3.036 pagantes numa quarta à noite, mais precisamente no dia 11 de maio. Treinado por Ramon Ramos, o Ferrão bateu o Calouros com o futebol de Serginho, Laércio, Arimatéia, Djalma e Marcelo Veiga; Toninho Barrote, Arnaldo e Denô (Alves); Mazinho Loyola, Guina e Beto Andrade (Carlos Antônio). O Tremendão da Aerolândia jogou com Malafaia, Braga Júnior, Marcelo, André e Alencar; Dendê (Marquinhos), Gildo e Maninho; Joãozinho, Frank (Márcio) e Luís Alberto. O técnico foi o ex-lateral coral Paulo Maurício. Do time adversário, o goleiro Malafaia atuou depois no Ferrão, na temporada de 1993. Na sequência do campeonato, o Ferrão teve um clássico memorável contra o Ceará, já apresentado aqui no blog. Beto Andrade foi um dos bons nomes corais naquele ano.

NARRAÇÃO DOS GOLS DE UM JOGO CONTRA O GUARANY EM 1982 NO PV

Em agosto de 1982, o Ferroviário recebia o Guarany de Sobral, no PV, para mais um jogo válido pelo 2º turno do campeonato cearense daquele ano. Era uma quarta-feira à noite e somente 982 pagantes resolveram ir ao velho estádio do Benfica, bucólico bairro da capital cearense. Quase quarenta anos depois, o Almanaque do Ferrão revive em áudio a emoção daquela partida, que terminou com a vitória coral por 2×1, gols de Paulo César Cascavel, na foto ao lado, e Almir. O lendário Teco Teco descontou para o time sobralense. Treinado por Wilson Couto, o Ferrão jogou com Giordano, Nonato Ayres, Darci Munique, Nilo (Zé Carlos) e Jorge Henrique; Augusto, Meinha e Almir; Getúlio, Paulo César Cascavel e Evaldo (Doca). Como se nota, a dupla diabólica Betinho e Jorge Veras, que marcou época a partir daquele campeonato, ainda não estava em campo, fato este só iniciado no final do mês de agosto. O Guarany, treinado por Nagibe Marques, perdeu com Dalmir, Ney, Nanam, Perivaldo e Marcelino; Reinaldo (Rosquinha), Tangerina e Teco Teco; Valdir, Toninho e Badu (Chiquinho Viana). A partida teve Joaquim Gregório no apito e todos os gols saíram ainda no primeiro tempo. Abaixo, destacamos a narração da Rádio Verdes Mares 810 AM de Fortaleza, com Tom Barros e Cleiton Monte. Mate a saudade daquela cobertura.