DOIS JOGOS ELETRIZANTES COM 8 GOLS ENTRE FERRÃO E TREZE/PB

Base coral que jogou contra o Treze/PB em 1956

Ferroviário e Treze/PB sempre fizeram jogos duros entre si. Na imensa maioria das vezes, um vencia o outro pela diferença de um ou dois gols e placares como 1×0, 2×0 e 2×1 se tornaram comum entre ambos. Entretanto, duas únicas vezes o Tubarão da Barra e o Galo da Borborema fizeram jogos com oito gols na partida, o número máximo já atingido em campo pelos dois adversários. A primeira vez ocorreu em 25/03/1956 em Fortaleza. O jogo foi válido pela Taça Paulo Sarasate, um quadrangular que reunia ainda Fortaleza e Ceará, que ficou com o título. A partida entre Ferroviário e Treze foi disputada debaixo de forte chuva, o que afastou bastante o público daquele que foi apenas o jogo de número 513 da história coral. Com 3 gols de Fernando e um de Zé de Melo para o Ferroviário, e Marinho, Josias e dois gols de Mário II marcando para o time paraibano, o placar de 4×4 evidenciou dois times com muita vontade de ganhar. Treinado por Babá, o Ferrão alinhou com Zé Dias (Adir), Lolô e Antônio Limeiro; Manoelzinho (Rui Leite), Macaúba e Eudócio; Kitt, Zé de Melo, Pacoti (Macaco) e Fernando. Já o Treze jogou com Harry Carrey (Cícero), Geliz e Urai; Marinho, Filgueiras e Milton (Lamparina); Mário II, Mário I, Josias, Ruivo e Renê (Pitota). Depois desse jogo de oito gols, somente 36 anos depois tivemos um Ferroviário x Treze repetindo o número de tentos nos 90 minutos.

Júnior Piripiri: 1 gol

Em 01/04/1992, Ferrão e Treze estavam na Série C do campeonato brasileiro na mesma chave de CRB/AL, Auto Esporte/PB e Vitória de Santo Antão/PE. Naquela noite contra o time paraibano, novamente no PV, o time coral aplicou 5×3 no Galo da Borborema com 4 tentos de Jorge Veras e um de Júnior Piripiri. John, Dário e Tobi marcaram para o Treze. A partida foi a de número 2.423 da nossa história e contou com um público diminuto de apenas 483 pagantes. O jogo foi duro e o placar chegou a ficar 2×1, 3×2 e 4×3 para o time coral, que só marcou seu quinto gol no apagar das luzes. Treinado por Djalma Linhares, ex-zagueiro coral no título cearense de 1988, o Ferrão venceu com Joel, Caetano, Aldo, Evilásio e Paulo Adriano; Fernando, Gilson (Jó) e Júnior Piripiri; Cantareli, Aloísio e Jorge Veras. O Treze, do técnico Zé Lima, perdeu com Ednaldo, Porto, Lima (Aírton), Railson e Lelo; Dário, Warison e John; Betinho, Tobi e Beto (Humberto). Vasculhamos os arquivos do Almanaque do Ferrão e achamos o vídeo com os cinco gols do time coral naquele 5×3 de 1992. Vale a pena você se deliciar com os gols e principalmente com a agilidade do ídolo eterno Jorge Veras na hora de mandar a bola para o fundo do gol adversário. É só conferir abaixo.

ESTREIA CORAL NO ESTADUAL DE 1966 NO FERIADO DO DIA DO TRABALHO

Ferroviário no Campeonato Cearense de 1966 – Em pé: Roberto Barra-Limpa, Zé do Mário, Carlinhos, Nilton, Albano e Vadinho; Agachados: Jarbas, Mozart, Marcos, Peu e Sabará

O Ferroviário já jogou 33 vezes na data festiva do dia 1º de maio, porém isso aconteceu pela última vez na distante temporada de 2003. Já são 15 anos sem jogos no feriado do Dia do Trabalho. Porém, vamos acionar o túnel do tempo do blog e ir até a temporada de 1966, quando o Ferrão amargava 14 anos de jejum sem o título de campeão cearense. Naquele 1º de maio, o time coral fazia sua estreia no Estadual justamente enfrentando o Fortaleza, que era treinado por um César Moraes ainda em início de carreira. O Ferroviário, do treinador carioca Jair Santana, apresentava uma série de novidades, entre elas o goleiro Carlinhos, ex-Vasco/RJ, o craque cearense Mozart e um pacote de reforços oriundo do Sampaio Corrêa: os zagueiros Vadinho e Valfredo, o volante Peu e os atacantes Jarbas e Sabará. Desses, Valfredo foi o único que não participou do primeiro jogo do campeonato de 1966. Além desses nomes, o time coral ainda tinha o meia Nilton, que chegou precedido de grande cartaz vindo do Botafogo/RJ. A foto acima foi tirada exatamente no jogo do dia 1º de maio e mostra bem a base da equipe na disputa em que o Ferroviário amargou apenas um quinto lugar, a frente apenas do Nacional. Sim, a competição tinha apenas seis participantes.

Jair Santana: técnico em 1966

O jogo de estreia do Ferroviário no campeonato cearense de 1966 teve Adélson Julião como árbitro e foi realizado no Estádio Presidente Vargas diante de um público de 12.000 expectadores. Foi o jogo de número 968 da história coral que já acumula mais de 3.600 partidas em 85 anos de trajetória. O jogo contra o Fortaleza terminou 0x0 graças às defesas dos dois goleiros, que brilharam naquele feriado. Ressalte-se que o Ferrão ficou com um jogador a menos no segundo tempo porque o lateral Roberto Barra-Limpa foi expulso por jogo violento. O Tubarão da Barra alinhou com Carlinhos, Zé do Mário, Vadinho, Albano e Roberto Barra-Limpa; Peu e Nilton; Jarbas, Marcos, Mozart e Sabará. Já o Fortaleza empatou com o futebol de Pedrinho, Português, Zé Paulo, Renato e Carneiro; Luis Martins e Joãozinho; Birungueta, Facó, Croinha e Zé Augusto. O técnico Jair Santana, um ex-jogador consagrado do Fluminense/RJ, permaneceu 23 jogos à frente do comando coral naquela temporada. O campeão de 1966 também não foi o Fortaleza. Foi o América, aliás o último título estadual daquela gloriosa equipe que há décadas anda sumida do cenário esportivo cearense.

NELSINHO BAPTISTA NUNCA CONSEGUIU DERROTAR O FERRÃO

O experiente treinador Nelsinho Baptista talvez tenha que carregar por muito tempo uma curiosidade nada agradável em seu currículo no futebol. Ele nunca conseguiu vencer o Ferroviário nas vezes em que enfrentou o Tubarão da Barra, seja como jogador ou como técnico. As trajetórias de Nelsinho e do Ferroviário se cruzaram por duas vezes apenas, mas certamente o jogo da última quinta-feira será eternamente o mais lembrado. Nelsinho Baptista, que foi campeão da própria Copa do Brasil com o Sport/PE em 2008, viu seu time sucumbir à persistência coral na Ilha do Retiro justamente no ano em que voltou a comandar o rubro-negro pernambucano. Mas você  lembra quando o atual treinador do Sport cruzou o caminho do Ferrão pela primeira vez? É preciso voltar quase 40 anos no tempo para recordar um jogo da época em que ele era lateral do Santos/SP e fazia parte do time consagrado como os famosos ´Meninos da Vila`, uma geração de grandes jogadores formados na Vila Belmiro.

Nelsinho é o primeiro à esquerda, em pé, no Santos dos Meninos da Vila que jogou no PV

É preciso lembrar também que depois dos famosos embates contra o Santos de Pelé em 1967 e 1968, o Ferroviário só voltou a enfrentar o alvinegro praiano no campeonato brasileiro de 1980. Foi no dia 28 de Fevereiro daquele ano, no PV, e o poderoso Santos dos Meninos da Vila, finalista do campeonato paulista daquela temporada, esbarrou em 1×1 com o Tubarão da Barra. Foi o jogo 1.739 da nossa história e Nelsinho Baptista era o lateral direito do Santos naquela oportunidade. Confira a escalação do time paulista, treinado pelo lendário Pepe, que havia justamente participado dos confrontos com o Ferrão na década de 60 como ponta esquerda: Marola, Nelsinho, Joãozinho, Neto e Paulinho (Washington); Gilberto Costa, Rubens Feijão e Pita; Nilton Batata, Aloísio Guerreiro (Claudinho) e João Paulo. O Ferrão do técnico Aristóbulo Mesquita empatou com Salvino, Jorge Luís, Lúcio Sabiá (Doca), Celso Gavião e Ricardo Fogueira; Artur, Bibi e Jacinto; Ari (Carlos Brasília), Almir e Nilsinho. Naquele dia, 11.869 pagantes foram ao PV prestigiar um grande jogo em que Rubens Feijão marcou para o Santos e Almir empatou 3 minutos depois para o Ferrão.

Foto do Ferrão em 1980: a maioria desses jogadores enfrentaram o Santos com Nelsinho Baptista

PELA TERCEIRA VEZ NA HISTÓRIA, UMA ÁRBITRA NA VIDA DO FERRÃO

Léa Campos: primazia no futebol

Na noite de ontem, o Ferroviário fez sua segunda partida pela Copa do Nordeste de 2018 e um fato não passou desapercebido aqui no Almanaque do Ferrão. Pela terceira vez na história, uma mulher apitou um jogo do Ferroviário Atlético Clube. A pernambucana Déborah Cecília comandou a partida contra o Vitória/BA, em Salvador, de forma segura e mostrou as credenciais que justificam sua presença no quadro da Fifa. Porém, mais de quatro décadas antes, uma árbitra apitou um jogo do Ferrão pela primeira vez na vida do clube. Foi em 03/11/1971, quando Ferroviário e Fortaleza decidiram fazer um amistoso e convidaram uma mulher para o apito como a grande novidade do jogo. Numa época de extremo preconceito contra o sexo feminino, que vergonhosamente perdura até os dias de hoje em algumas áreas do futebol e da vida, a mineira Léa Campos era conhecida como a primeira árbitra na história do futebol brasileiro. No Clássico das Cores em questão, ela foi acusada como a principal responsável pela pancadaria em campo durante o amistoso, que terminou 0x0 no PV. Era o jogo 1.270 da história coral. Somente em 2009, no jogo de número 3.272, no dia 11 de março, uma outra mulher voltou a apitar um jogo do Ferrão. Foi a cearense Eveliny Almeida, irmã do também árbitro Almeida Filho, que arbitrou a vitória do Ferrão por 2×0 em cima do Quixadá no Elzir Cabral, no confronto que ficou marcado por ser a reestreia em campo do atacante Jardel em sua volta a Barra do Ceará, que inclusive marcou um golaço. Em resumo, são mais de oito décadas de vida e apenas três mulheres apitaram jogos do Tubarão da Barra até a data de hoje. Vale ressaltar também como curiosidade, que um amistoso do Ferrão, em janeiro de 2011, contra a Seleção de Beberibe, teve no apito o transexual Valério Gama.

MAZINHO LOYOLA SURGIA NO FERRÃO EM NOVEMBRO DE 1987

Há exatos 30 anos, a imprensa cearense dedicou pela primeira vez uma reportagem especial ao atacante Mazinho Loyola. Cria das categorias de base do Ferroviário, ele começava a surgir na equipe profissional durante as disputas do campeonato brasileiro de 1987. Em jogo realizado no Estádio Presidente Vargas, o Tubarão da Barra bateu o América/RN por 1×0, exatamente com um gol do jovem atleta coral, que teve oportunidade no time titular através do técnico Erandy Pereira Montenegro. Confira no vídeo acima a matéria da TV Verdes Mares dando o devido destaque a Mazinho Loyola, a primeira matéria de uma série de muitas que o atleta acumulou na carreira. Naquele domingo de novembro, o Ferrão venceu com Wálter, Laércio, Arimatéia, Kléber e Edson; Zé Alberto, Mardoni (Osmar) e Wiltinho; Mardônio, Mazinho Loyola e Marcos Duque. O time potiguar, sob o comando do treinador Caiçara, perdeu com Hélio Show, Alípio (Joel), Edson, Medeiros e Baeca; Baltazar, Valério e Baíca; Henrique, Silva e Cacauzinho (Sérgio Cabral).

ESTREIA DO FERRÃO CONTRA O MARANHÃO NO BRASILEIRO DE 1987

O Almanaque do Ferrão volta trinta anos no tempo e recorda em vídeo a estreia do Ferroviário no polêmico campeonato brasileiro de 1987, que foi estruturado pela CBF em quatro módulos com as cores da bandeira brasileira. O time coral esteve no Módulo Branco, numa chave formada com Maranhão/MA, Sampaio Correa/MA e Serrano/BA. O primeiro jogo do Ferrão na competição ocorreu exatamente num 18 de outubro como hoje, no PV, numa bela tarde de domingo. O adversário foi o Maranhão e o Tubarão da Barra venceu pelo placar de 2×0, gols de Narcélio e Zé Alberto. Valdir Elias Coelho foi o árbitro do jogo, que contou com um público pequeno de 659 pagantes.

Zé Alberto: gol

Treinado por Erandy Montenegro, o Ferrão formou com Wálter, Laércio, Arimatéia, Renato e Kléber; Zé Alberto, Wiltinho (Ronaldinho) e Mardoni (Adalberto); Mardônio, Narcélio e Edson. O time maranhense, comandado por Garrinchinha, perdeu com Juca Baleia, Serginho, Uberaba, Eduardo e Neto; Batista, Tica e Daniel; Válter (Davi), Bacabau e Chiquinho (Vander). O Ferroviário se classificou bem em sua chave, mas caiu na segunda fase da competição ao ser desclassificado pelo América/RN após 3 confrontos decisivos. Narcélio, autor do primeiro gol do Ferrão no Brasileiro de 1987, já faleceu há alguns anos. No banco daquela equipe, um jovem atacante aguardava oportunidade para figurar entre os titulares. Seu nome: Mazinho Loyola, que acabou sendo aproveitado com destaque nas rodadas seguintes.

NEM PELÉ FUROU A DEFENSIVA CORAL CAMPEÃ INVICTA DE 1968

Pelé tenta furar a defensiva coral no amistoso de entrega de faixas em 1968 no Presidente Vargas

Quando o Ferroviário foi campeão cearense invicto em 1968, a direção coral convidou o Santos de Pelé para o jogo comemorativo de entrega de faixas. A partida aconteceu no dia 4 de agosto daquele ano e terminou no 0x0. Pepe perdeu um pênalti no primeiro tempo do jogo. Pelé bem que tentou, mas não conseguiu furar a defensiva coral formada pela dupla Luiz Paes e Gomes. A famosa revista O Cruzeiro, de circulação nacional, publicou em suas páginas a foto acima, que merece o destaque de hoje na seção ´Retratos` do Almanaque do Ferrão. No ano que vem, o título invicto do Ferrão completa 50 anos e certamente a lembrança não deve passar em branco pela direção do clube. Muitos campeões de 1968 ainda estão vivos para serem homenageados, inclusive pela Federação Cearense de Futebol já que desde então, nenhuma outra equipe local conquistou o título estadual sem perder nenhuma partida na competição.