FERROVIÁRIO ATLÉTICO CLUBE SE DESPEDE DE MAIS UM EX-PRESIDENTE

Edilson Sampaio na comemoração do título de 1988 ao lado da família na Barra do Ceará

Faleceu no último sábado, dia 14 de outubro, o ex-presidente do Ferroviário Atlético Clube, Edilson Sampaio, conhecido no meio futebolístico e familiar como Chumbinho. Ele presidiu o Tubarão da Barra entre janeiro de 1992 e fevereiro de 1993. Muito antes de ser presidente do clube, Chumbinho colaborou com várias diretorias na condição de conselheiro coral na década de 1980. Ao se tornar presidente do Ferrão, Edilson Sampaio repetiu o feito de seu pai, Porfírio Sampaio, que durante muitos anos presidiu o Ferroviário, sendo inclusive campeão cearense nas temporadas de 1945, 1950 e 1952. Edilson Sampaio travava uma luta contra o câncer e com a notícia de seu falecimento, o Ferroviário anunciou luto oficial. No dia de seu falecimento, o presidente da Federação Cearense de Futebol, Mauro Carmélio, decretou um minuto de silêncio em homenagem a Chumbinho antes do jogo Fortaleza x CSA pelo campeonato brasileiro de futebol. No baú do blog, Chumbinho aparece na foto acima em entrevista ao repórter Edvaldo Pereira, da TV Verdes Mares, durante a comemoração do título estadual do Ferroviário de 1988 ocorrida no Clube de Regatas da Barra do Ceará.

POR ONDE ANDA UM DOS MAIORES ARTILHEIROS DA HISTÓRIA CORAL?

Paulo César – o papagaio – no Barcelona

Ele já foi tema de postagem aqui no blog com direito a resgate de um vídeo raro mostrando 2 gols marcados pelo Ferrão em 1978 e de um áudio com narração de um gol em 1980. A partir de 1981, quando deixou a Barra do Ceará, o futebol cearense em geral nunca mais ouviu falar de um dos maiores artilheiros da história coral, simplesmente o quarto maior goleador do Tubarão da Barra em todos os tempos. O pernambucano Paulo César, também conhecido como ´papagaio`, atuou em 137 partidas e marcou 88 gols com a camisa coral. No ano que se despediu do Ferrão, foi atuar no Equador pela Liga de Quito, foi vice-campeão nacional, marcou 25 gols e levou sua equipe à Copa Libertadores. Foi logo contratado por uma equipe maior, o famoso Barcelona de Guayaquil, onde se tornou astro nas 3 temporadas seguintes, uma verdadeira lenda na história da equipe, marcando 6 gols em jogos da Libertadores e 55 gols no campeonato nacional de 1982 a 1984. Seus gols e o espírito guerreiro o fizeram ídolo do Barcelona, porém nunca foi campeão equatoriano. De fisionomia peculiar, ganhou logo o apelido de ´La Bruja´. Era a bruxa que assustava as defesas adversárias. Atuou profissionalmente até os 40 anos de idade e defendeu ainda o Filanbanco e o Deportivo Quevedo. Foi um ídolo coral que conquistou o Equador!

Matéria do Jornal O Povo, de agosto de 1978, destacando 5 gols de Paulo César na mesma partida

Apesar de brasileiro, Paulo César considera-se equatoriano. Foi o futebol equatoriano que o abraçou como ídolo, embora nesses anos todos nunca tenha sido esquecido pela torcida do Ferroviário, onde foi um gigante na conquista do título estadual de 1979. Curiosamente, seu nome não é Paulo César, mas até seus filhos o chamam assim. No documento de identidade, seu nome verdadeiro é João Evangelista Santiago Dino. Hoje, aos 64 anos de idade, continua sua vida no Equador, curte os netos, acompanha os jogos de futebol na televisão e, vez por outra, vai ao estádio conferir os jogos do Barcelona de Guayaquil. Como um dos maiores ídolos do clube, é sempre reverenciado pelos torcedores e homenageado pela direção da equipe. No final do ano passado, foi ovacionado pelo estádio em mais uma homenagem. O Almanaque do Ferrão achou o vídeo desse momento histórico para o Barcelona de Guayaquil e para o ex-goleador do Ferroviário Atlético Clube. Confira as imagens abaixo até o final e você verá o grande artilheiro Paulo César em sua fase ´vovô garoto`, super querido e eternamente lembrando pelos equatorianos, segurando a sua eterna camisa 9.

MORREU PERIVALDO, EX-LATERAL DO FERRÃO E DA SELEÇÃO BRASILEIRA

Ex-lateral direito Perivaldo, em foto de 2013, após regressar ao Brasil vindo das ruas de Lisboa

Em fevereiro passado, o Almanaque do Ferrão destacou a passagem do famoso ex-lateral direito Perivaldo pelo Tubarão da Barra nos anos 70. Oriundo da Bahia, o jogador foi um dos destaques do time coral no campeonato cearense de 1974. Pouco mais de seis anos depois, atuando pelo Botafogo/RJ, passou a ser permanentemente convocado para a Seleção Brasileira treinada pelo lendário Telê Santana, disputando sempre a posição de titular com os laterais Leandro (Flamengo), Getúlio (São Paulo) e Edevaldo (Fluminense). Foi seguramente um dos quatro melhores laterais direitos do futebol brasileiro até o início dos anos 80 e por muito pouco não esteve entre os relacionados para a Copa do Mundo na Espanha, em 1982, quando o Brasil encantou o mundo. Ontem, depois de tempos difíceis vividos no Brasil e na Europa, Perivaldo faleceu no Hospital Gafree e Guinle, na Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro.

Perivaldo na Seleção com o goleiro Valdir Peres, que coincidentemente faleceu na mesma semana

Além do Ferroviário, quando atuou aos 21 anos de idade emprestado pelo Bahia/BA, Perivaldo jogou ainda no Palmeiras/SP, São Paulo/SP, Bangu/RJ e no Yukong Elephants, da Coréia do Sul. Apenas dois anos depois de deixar a Barra do Ceará, Perivaldo conquistou a Bola de Prata como melhor lateral direito do campeonato brasileiro defendendo o Bahia, fato repetido em 1981 com a gloriosa camisa do Botafogo/RJ, quando o ex-lateral coral viveu sua melhor fase no futebol nacional. Há cerca de quatro anos, Perivaldo estava morando nas ruas de Lisboa, em Portugal. Após matéria do programa Fantástico da Rede Globo de Televisão, o Sindicato dos Atletas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro se mobilizou e ajudou a trazer o ex-jogador de volta para o Brasil. Posteriormente, reconhecendo a relação do ex-lateral com o Ferroviário, o Sindicato dos Atletas Profissionais do Estado do Ceará levou o jogador de volta a Fortaleza para uma visita ao time que defendeu em 1974. Na ocasião, Perivaldo foi recepcionado oficialmente pelo Ferrão através de Chateaubriand Arrais Filho, que na ocasião respondia pelo Conselho Deliberativo coral.

POR ONDE ANDA O ZAGUEIRO ADRIANO FORMADO NA BASE CORAL?

Ex-zagueiro Adriano, que defendeu o Ferrão entre 1991 e 1993, é técnico do Santa Cruz de Recife

Foram 28 jogos com a camisa do time profissional do Ferroviário entre 1991 e 1993. Formado nas categorias de base do próprio clube, ele era titular absoluto no jovem time coral que conquistou a maior façanha entre todas as equipes cearenses na disputa de uma competição nacional de base nos anos 1990. Chegou a ser chamado pra Seleção Brasileira principal no início de sua carreira e atuou também no futebol espanhol por várias temporadas. Estamos falando do zagueiro Adriano. Você sabe por onde ele anda? Pois saiba que ele está mais em evidência do que você imagina. Recentemente, sob o nome profissional de Adriano Teixeira, ele acabou sendo efetivado como treinador do Santa Cruz de Recife nas disputas da Série B do campeonato brasileiro de futebol.

Zagueiro Adriano, ao lado do goleiro Banana, firmou-se no Ferroviário na temporada de 1991

Adriano foi lançado no time principal do Ferrão, pela primeira vez, através do treinador Djalma Linhares. Profundo conhecedor da posição e campeão pelo Ferrão na temporada de 1988, Djalma confiou no jovem Adriano e o lançou como titular no dia 14/04/1991. O Tubarão da Barra fazia sua última partida pelo campeonato nacional daquele ano e atuava nesse dia contra o Parnaíba/PI, vencendo por 4×1, mesmo jogando nos domínios do adversário. Uma semana antes, Adriano acabara de completar 18 anos de idade. Dois meses depois, ele substituiu o zagueiro Aldo num clássico contra o Fortaleza e estreava no campeonato cearense em grande estilo com uma vitória por 3×0. Dali em diante, foram vários jogos como titular até a temporada de 1993, quando foi negociado com o Sport/PE.

Adriano no Santa Cruz de Recife

Além do Sport/PE, Adriano vestiu as camisas do Fluminense/RJ, Vasco/RJ e do próprio Santa Cruz/PE já no final de sua carreira. Na Espanha, defendeu o Celta de Vigo, o Compostela e o Leonesa. Em termos de conquista de títulos, foi  campeão pernambucano em 1994 e 1996, além da Copa do Nordeste, também em 1994, todos pelo Sport de Recife. No ano de 1995, defendendo a Seleção Brasileira Sub-20, Adriano conquistou o Torneio Internacional de Toulon. Após pendurar as chuteiras,o ex-zagueiro do Tubarão da Barra retornou ao Santa Cruz/PE, que o acolheu como auxiliar técnico e o promoveu recentemente, aos 44 anos de idade, ao posto de treinador de sua equipe profissional. Da geração de ótimos atletas formados pelo treinador Edmundo Silveira, entre eles o goleador Mário Jardel, Adriano foi mais uma cria coral que ganhou o mundo em sua carreira profissional e tem o respeito do torcedor do Ferroviário Atlético Clube.

TREINADOR CORAL NO ESTADUAL DE 1970 FALECEU ONTEM EM FORTALEZA

Alexandre Nepomuceno faleceu em Fortaleza

Morreu ontem o ex-treinador coral Alexandre Nepomuceno. Natural da cidade de Aracati, ele tinha 82 anos de idade e foi enterrado em Fortaleza no dia de hoje. Profundamente identificado com o Ceará, clube em que atuou como jogador durante toda a carreira, Alexandre recebeu várias homenagens do futebol cearense como um todo. Como não poderia deixar de ser, o Almanaque do Ferrão presta uma justa lembrança aquele que foi o comandante técnico no inesquecível título estadual de 1970. Ex-técnico do Calouros do Ar, Alexandre Nepomuceno chegou para comandar o time coral em maio de 1970, durante o 2º turno do campeonato cearense. Levou o Ferrão ao título estadual em outubro daquela temporada. Permaneceu até maio do ano seguinte e retornou para a Barra do Ceará no campeonato cearense de 1972 numa passagem que durou aproximadamente dois meses. Ao todo foram 65 partidas como treinador do Ferroviário, sendo 35 vitórias, 20 empates e apenas 10 derrotas. Descanse em paz.

PRESENTE ESPECIAL DE ANIVERSÁRIO: VIDA E OBRA DE VALDEMAR CARACAS

Hoje é aniversário do Ferroviário Atlético Clube. São 84 anos desde sua fundação por parte dos operários da antiga Rede de Viação Cearense, a famosa RVC. O Almanaque do Ferrão presenteia a torcida coral com um documentário inédito sobre o fundador do clube, o inesquecível Valdemar Caracas, falecido em 2013. O material de 29 minutos foi produzido um ano após a sua morte pela jornalista Dayanne Feitosa e agora chega à Internet através do nosso blog. Caracas e Ferroviário, duas lindas histórias que se confundem com a história do próprio estado do Ceará. O documentário intitulado “Nos trilhos da história: vida e obra de Valdemar Cabral Caracas” conta com o depoimento de nomes como o amigo Antônio Carlos, o ex-cronista esportivo Cid Carvalho, o ex-presidente José Rego Filho e também deste blogueiro. Assista abaixo e feliz aniversário!

TEM ÍDOLO ETERNO NA ÁREA SÓ PARA PRESTIGIAR A GRANDE FINAL

Ex-lateral esquerdo Marcelo Veiga segura a camisa coral em meio aos jogadores do Ferroviário

Marcelo Veiga já foi tema de várias postagens aqui no blog. O maior lateral esquerdo que vestiu a camisa do Ferroviário segundo a campanha ´Time dos Sonhos`, autor do gol do título na conquista do campeonato cearense de 1988, está novamente em Fortaleza e por um motivo muito especial: veio prestigiar o Tubarão da Barra na finalíssima do campeonato estadual contra o Ceará. Na noite de ontem, ele esteve na concentração do Ferroviário dando uma palavra de apoio para os jogadores corais. Depois, participou de um jantar aberto à conselheiros e torcedores. Tirou muitas fotos, conversou sobre fatos de sua época no clube e mostrou-se simpático e atencioso com todos aqueles que o tem como ídolo eterno do Ferrão. Em conversa com o blog durante a semifinal contra o Fortaleza, Marcelo Veiga pregou aviso: ´Se o Ferrão for pra final, eu pego um avião e vou pro estádio torcer´. Cumpriu o prometido. Independente do resultado, a presença especial de um ídolo do passado nesse momento reforça o elo coral com a grandeza histórica do clube no contexto do próprio futebol cearense. E, convenhamos, ter ídolos vitoriosos que continuam ligados à instituição tantos anos depois, não é pra qualquer torcida. Marcelo Veiga defendeu o Ferrão entre 1988 e 1989, atuando em 79 jogos e marcando 13 gols. Além do Estadual de 88, foi campeão do Torneio Ciro Gomes no ano seguinte. Em homenagem à chegada do eterno ídolo coral, o Almanaque do Ferrão revirou o baú e buscou uma raridade em vídeo: um gol, de falta, do ex-lateral, marcado na decisão do 2º turno contra o Tiradentes, no Castelão, em 1988. E lá se vão quase 30 anos no tempo.