NOTICIÁRIO DA RÁDIO UIRAPURU ANUNCIAVA MOÉSIO GOMES EM 1986

Moésio Gomes: lenda do futebol

O Almanaque do Ferrão viaja trinta anos no túnel do tempo e vai até junho de 1986. O Ferroviário anunciava a chegada do vitorioso treinador Moésio Gomes para comandar uma equipe repleta de valores experientes, como o ponta esquerda Lupercínio, o meia Denô, o ponta direita Edinho e o centroavante Luizinho das Arábias. Resgatamos um áudio raríssimo da extinta Rádio Uirapuru AM de Fortaleza e ouvimos o noticiário coral na voz do repórter Ivan Bezerra, setorista do clube em meados dos anos 80. Repare no som a didática da cobertura, as palavras bem colocadas, os detalhes dos acontecimentos e a presença in loco na sede do clube, fatores importantes que lamentavelmente se tornaram raros nos últimos 15 anos na radiofonia cearense. Você imaginaria hoje um repórter passar em seu noticiário até a escalação do time reserva do coletivo, repleto de jogadores da categoria júnior? Tempos que não voltam mais e o nosso blog cuida de eternizar esses momentos. Curta a gravação e conheça um pouco daquela época.

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Meia esquerda clássico: Jaiminho

Moésio Gomes, uma verdadeira lenda viva do futebol cearense, chegava para a disputa do quadrangular decisivo do 2º turno. Ele voltava ao Ferroviário depois de disputar 3 jogos como atleta coral nos anos 50 e duas passagens como técnico, em 1969 e 1981. Em meio a um time cheio de estrelas vaidosas, o trabalho não fluiu como desejava o presidente Caetano Bayma e Moésio terminou dispensado pouco mais de um mês depois de contratado, sendo substituído por Wendell, experiente goleiro do elenco coral que assumiu a função de técnico nos jogos restantes do campeonato. Repare no noticiário de Ivan Bezerra que o Ferrão buscava a contratação de um meia que acionasse os bons jogadores do ataque coral. O reforço veio logo depois e tratava-se de Jaiminho, ex-jogador do São Paulo, que chegou a marcar 3 gols nas 6 partidas que fez pelo Ferroviário, um deles na vitória consagradora contra o Ceará, por 4×3, quando Wendell já havia assumido o comando técnico. Moésio Gomes faleceu em janeiro de 1992 em Fortaleza. Ele era irmão de Mozart, ex-jogador do próprio Tubarão da Barra, apontado como o maior craque que o futebol cearense produziu em toda a história. Escute o áudio abaixo.

MAIOR CRAQUE CEARENSE FAZIA SUA ESTREIA NO FERRÃO HÁ 50 ANOS

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Craque Mozart defendeu o Ferroviário em 26 partidas e assinalou 15 gols entre 1966 e 1967

Aconteceu no dia 26 de março de 1966. Há 50 anos, o maior craque que o futebol cearense já produziu fazia sua estreia pelo Ferroviário Atlético Clube. Estamos falando de Mozart, contratado pelo time coral para as disputas daquela temporada. Ele fez seu primeiro jogo pelo Ferrão contra o Fortaleza, justamente seu ex-time, em confronto pela Taça Cidade de Fortaleza, um competição preparatória para o campeonato cearense. Sob o comando do técnico carioca Jair Santana, o Ferroviário foi derrotado por 3×1, em tarde gloriosa do goleiro adversário. O ídolo Coca Cola marcou o gol de honra coral. No final dos anos 50, Mozart defendia o Fluminense/RJ e chegou a ser lembrado para a seleção brasileira visando a Copa do Mundo de 1958, na Suécia. Ter tido o craque cearense em sua galeria de atletas é algo que deve ser sempre reverenciado pelo Ferroviário.

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Livro de Saraiva Júnior

A importância de Mozart para o futebol alencarino é tão grande que ele virou até livro. Coube ao competente escritor cearense Saraiva Júnior narrar a trajetória do ídolo no futebol brasileiro. Apesar de curta passagem pela Barra do Ceará, Mozart escreveu rapidamente seu nome na história coral pouco tempo depois de sua estreia. Em maio de 66, o Ferrão enfrentou o Fluminense/RJ pela Taça Batalha do Tuiuti, um quadrangular que contou ainda com a presença de Ceará e do Botafogo/RJ, vencendo por 3×2, com dois gols de Mozart e um golaço inesquecível de Pacoti. Foi a maior apresentação de Mozart com a camisa coral. Em março do ano seguinte, ele fez sua última partida pelo Ferroviário, num amistoso contra o Bangu/RJ, então campeão carioca, no PV. Mozart teve ainda o privilégio de ser o treinador do Ferrão em uma única oportunidade, num amistoso contra o Quixadá, na terra dos monólitos, quando Jair Santana teve que ir ao Rio de Janeiro para resolver problemas particulares. Seu irmão, o também lendário Moésio Gomes, seguiu o mesmo caminho, sendo ex-jogador e treinador do Tubarão da Barra em alguns períodos da gloriosa trajetória coral. Moésio faleceu em 20 de janeiro de 1992. Mozart morreu em 7 de setembro de 2009.

GOLEIRO WENDELL FOI MAIS UM FAMOSO A DEFENDER O FERRÃO

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Goleiro Wendell no Ferroviário

Quando lembram de um ex-goleiro do Ferroviário que jogou na Seleção Brasileira quase todos trazem à mente o nome de Ado em 1980. Poucos recordam que 6 anos depois, no campeonato cearense de 1986, o time coral contou com outro grande goleiro anteriormente convocado para o escrete nacional. Trata-se de Wendell Lucena Ramalho, pernambucano de nascimento, que antes de desembarcar na Barra do Ceará havia vestido as camisas do Santa Cruz/PE, Botafogo/RJ, Fluminense e Guarani/SP. Wendell ficou de abril a agosto naquela temporada, mas jogou apenas em 3 jogos como titular, sendo 1 amistoso contra o Agapito dos Santos no Elzir Cabral e 2 jogos oficiais contra Quixadá e Guarani de Juazeiro, ambos fora de casa. Experiente e em final de carreira, o goleiro acabou sendo utilizado como técnico do Ferrão após a demissão do treinador Moésio Gomes, comandando a equipe em 2 partidas, uma delas conquistando uma vitória memorável em julho daquele ano em cima do Ceará, por 4×3, exatamente o time que viria a ser campeão no mês seguinte com Everaldo, Djalma, Amilton Rocha, Rubens Feijão, Gerson Sodré, Petróleo e companhia.

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Wendell no Maracanã pelo Fluminense/RJ

As convocações de Wendell para a Seleção Brasileira aconteceram em meados da década de 70, quando vestia as camisas do Botafogo e do Fluminense. Chegou a disputar 7 partidas pela canarinha e por muito pouco não foi o titular na Copa do Mundo na Alemanha, em 1974, quando uma lesão o impossibilitou de jogar a competição. Antes de ser contratado pelo Ferroviário, o ex-goleiro estava no Vila Nova/GO. O Ferrão foi o último clube de Wendell como goleiro profissional. Depois, virou treinador de goleiros e corrigiu o curso da história chegando novamente à Seleção Brasileira e participando da Copa do Mundo, novamente na Alemanha, em 2006, na comissão técnica de Carlos Alberto Parreira. Hoje, Wendell mora em São Lourenço do Oeste, no interior de Santa Catarina. O goleiro Wendell foi um dos nomes mais famosos do futebol brasileiro a defender a camisa coral.