FOTO RARA DO FERROVIÁRIO EM 1982 DURANTE AMISTOSO EM ITAPIPOCA

Ferroviário em 10/01/1982 – Em pé: Paulo Maurício, Giordano, Darci Munique, Nilo, Jorge Henrique e Augusto; Agachados: Doca, Ednardo, Paulo César Cascavel, Roberto Cearense e Babá

Confira o retrato acima. Ela pertence ao acervo particular do ex-volante Doca e terminou desgastada com o tempo. Se algum nobre torcedor gostar de Photoshop, está aí um prato cheio para restauração! A imagem foi produzida por ocasião de um amistoso de pré-temporada do Ferroviário no estádio municipal de Itapipoca, muito antes do time da casa disputar alguma divisão profissional do futebol cearense. Trata-se de uma fotografia de 1982, mais precisamente do dia 10 de janeiro, quando o Tubarão da Barra bateu a Seleção de Itapipoca por 3×1, gols de Paulo César Cascavel, Ednardo e um gol contra de Dedé. Treinado por Assis Furtado, que anos depois militou na crônica esportiva de Fortaleza, o Ferrão formou Giordano (Edmundo), Paulo Maurício, Darci Munique, Nilo e Jorge Henrique (Laércio); Augusto, Doca (Carlos Brasília) e Ednardo; Paulo César Cascavel, Roberto Cearense e Babá. A escalação do adversário você pode conferir na ficha do jogo 1.869 disponível na versão impressa do Almanaque do Ferrão. Na época, o time coral faturou 200 mil cruzeiros de cota. A vitória foi de virada já que o selecionado de Itapipoca venceu o 1º tempo por 1×0. Meses depois, o atacante Roberto Cearense seria negociado com o Sport/PE.

POR ONDE ANDA O ZAGUEIRO ADRIANO FORMADO NA BASE CORAL?

Ex-zagueiro Adriano, que defendeu o Ferrão entre 1991 e 1993, é técnico do Santa Cruz de Recife

Foram 28 jogos com a camisa do time profissional do Ferroviário entre 1991 e 1993. Formado nas categorias de base do próprio clube, ele era titular absoluto no jovem time coral que conquistou a maior façanha entre todas as equipes cearenses na disputa de uma competição nacional de base nos anos 1990. Chegou a ser chamado pra Seleção Brasileira principal no início de sua carreira e atuou também no futebol espanhol por várias temporadas. Estamos falando do zagueiro Adriano. Você sabe por onde ele anda? Pois saiba que ele está mais em evidência do que você imagina. Recentemente, sob o nome profissional de Adriano Teixeira, ele acabou sendo efetivado como treinador do Santa Cruz de Recife nas disputas da Série B do campeonato brasileiro de futebol.

Zagueiro Adriano, ao lado do goleiro Banana, firmou-se no Ferroviário na temporada de 1991

Adriano foi lançado no time principal do Ferrão, pela primeira vez, através do treinador Djalma Linhares. Profundo conhecedor da posição e campeão pelo Ferrão na temporada de 1988, Djalma confiou no jovem Adriano e o lançou como titular no dia 14/04/1991. O Tubarão da Barra fazia sua última partida pelo campeonato nacional daquele ano e atuava nesse dia contra o Parnaíba/PI, vencendo por 4×1, mesmo jogando nos domínios do adversário. Uma semana antes, Adriano acabara de completar 18 anos de idade. Dois meses depois, ele substituiu o zagueiro Aldo num clássico contra o Fortaleza e estreava no campeonato cearense em grande estilo com uma vitória por 3×0. Dali em diante, foram vários jogos como titular até a temporada de 1993, quando foi negociado com o Sport/PE.

Adriano no Santa Cruz de Recife

Além do Sport/PE, Adriano vestiu as camisas do Fluminense/RJ, Vasco/RJ e do próprio Santa Cruz/PE já no final de sua carreira. Na Espanha, defendeu o Celta de Vigo, o Compostela e o Leonesa. Em termos de conquista de títulos, foi  campeão pernambucano em 1994 e 1996, além da Copa do Nordeste, também em 1994, todos pelo Sport de Recife. No ano de 1995, defendendo a Seleção Brasileira Sub-20, Adriano conquistou o Torneio Internacional de Toulon. Após pendurar as chuteiras,o ex-zagueiro do Tubarão da Barra retornou ao Santa Cruz/PE, que o acolheu como auxiliar técnico e o promoveu recentemente, aos 44 anos de idade, ao posto de treinador de sua equipe profissional. Da geração de ótimos atletas formados pelo treinador Edmundo Silveira, entre eles o goleador Mário Jardel, Adriano foi mais uma cria coral que ganhou o mundo em sua carreira profissional e tem o respeito do torcedor do Ferroviário Atlético Clube.

VOCÊ SABE POR ONDE ANDA O CRAQUE PARANAENSE DENÔ?

Ex-craque Denô, com seus cabelos brancos, ensina uma nova geração de jogadores numa escolinha

Ele entrou em campo 63 vezes com a camisa do Ferroviário e era um craque na verdadeira acepção da palavra. Marcou 23 gols no total e está na lista dos campeões estaduais de 1988, assinalando inclusive 4 gols no campeonato cearense, durante os seis meses que permaneceu na Barra do Ceará naquela temporada. Estamos falando de Lindenor Barbosa de Araújo, o Denô, ex-jogador paranaense, nascido em Curitiba, que despontou no futebol pernambucano e vestiu camisas importantes do futebol brasileiro. Ele mora em Recife desde que pendurou as chuteiras. Aos 56 anos de idade, Denô tem uma escolinha de futebol na capital pernambucana, enveredou pela carreira de empresário de atletas e ainda bate uma bolinha entre seus veteranos amigos do futebol.

Craque Denô com a meninada coral

Denô surgiu no Sport/PE no final da década de 70. Em 1982, a categoria do jogador chamou a atenção do Internacional/RS e ele foi negociado numa transação que foi comentada em todos os noticiários esportivos do país. Sem reeditar o mesmo brilho em Porto Alegre, acabou retornando para Pernambuco em 1984, onde defendeu o Náutico/PE. Em outubro de 1985, Denô foi contratado em definitivo pelo Ferroviário, numa negociação que abalou as estruturas do futebol cearense em razão da enorme qualidade técnica do jogador. A dupla Caetano Bayma e Vicente Monteiro adquiriu o passe do atleta pela quantia de 200 mil cruzeiros e Denô fez sua estreia pelo Ferrão na noite de 31 de outubro, contra o Fortaleza, no PV. Três dias depois, num domingo à tarde, já deixava sua marca, assinalando seu primeiro gol com a camisa coral contra o Calouros do Ar. Denô encaixou como uma luva no grande time comandado pelo experiente treinador Caiçara. Ele permaneceu para a temporada de 1986, foi emprestado para o Fortaleza no segundo semestre daquele ano para as disputas do campeonato brasileiro, esteve no ASA/AL no ano seguinte e retornou para o Ferrão no início de 1988, de onde saiu no final de junho para defender o Bragança de Portugal. Foram vários anos atuando no futebol português por sete equipes diferentes, com uma passagem ainda pelo futebol chinês em meados dos anos 90, antes de encerrar definitivamente a carreira na temporada europeia de 1999/2000.

Denô em foto recente no Recife

Recentemente, o ex-jogador do Ferroviário Atlético Clube esteve na Arena Pernambuco para uma partida com amigos de Recife e ex-atletas. Apesar de ter parado profissionalmente, o futebol continua no sangue de Denô. O ex-craque coral tem um filho que joga futebol na Europa e segue os passos do pai. Para matar a saudade da passagem de Denô pelo futebol cearense, o Almanaque do Ferrão vasculhou os arquivos e encontrou um áudio raro da temporada de 1985 em que o ex-jogador é entrevistado pelo repórter Bosco Farias, da Rádio Verdes Mares de Fortaleza, em dezembro daquele ano, antes de uma partida do campeonato cearense. Na ocasião, a torcida coral gritava o nome do jogador, fato este destacado na própria entrevista que você pode ouvir abaixo. A titulo de curiosidade, o áudio abaixo chegou a ser veiculado, há alguns anos, no programa Rádio Ferrão, onde o locutor Saulo Tavares desafiava os torcedores corais a responderem, por telefone, o quadro ´De quem é essa voz?`. Aproveite o áudio raro e volte mais de 30 anos no tempo para recordar a voz e conferir um depoimento de Denô antes de entrar em campo com a gloriosa camisa coral.

IMAGENS RARÍSSIMAS DE UM GRANDE CLÁSSICO DAS CORES EM 1978

Não deixe de ver o vídeo acima. É mais uma pérola resgatada pelo Almanaque do Ferrão. Trata-se de uma vitória coral em cima do Fortaleza pelo campeonato cearense na já longínqua temporada de 1978. Era exatamente um 3 de setembro como hoje, portanto há 38 anos. As imagens dos Gols do Fantástico daquele domingo são as mais antigas que se tem notícia na história do clube. Este é o quarto vídeo referente ao campeonato de 1978 que conseguimos recuperar, depois de buscarmos no fundo do baú os gols de dois jogos contra o Ceará e de uma partida contra o América. Treinado pelo saudoso Lucídio Pontes, o Tubarão da Barra fazia a estreia do experiente goleiro Gilberto, vindo do futebol pernambucano. Os gols foram do craque Jacinto e do eficiente volante Doca, enquanto Ié descontou para o Fortaleza. Foi uma vitória bastante celebrada. Seis dias depois, o Ferrão conquistaria o 1º turno e carimbava o passaporte para as finais do campeonato.

Meio campista Jacinto e treinador Lucídio Pontes em 1978: dois nomes eternos do Ferroviário

Repare na escalação do Ferrão: Gilberto, Paulo Maurício, Lúcio Sabiá, Arimatéia e Cândido; Jodecir (Ricardo Fogueira), Doca e Jacinto (Jorge Bonga); Marcos, Paulo César e Babá. O  zagueiro Cândido, formado nas categorias de base do próprio clube, atuou improvisado na lateral esquerda. O experiente Ricardo Fogueira também fez sua estreia nessa partida, entrando no segundo tempo, e logo depois assumiu a titularidade da camisa 6 do Ferroviário. O meia Jorge Bonga, ex-Sport/PE, foi outro estreante naquele domingo. O Fortaleza, do técnico interino Wilson Couto, perdeu com Lulinha, Roner, Celso Gavião, Otávio Souto e Jair; Joel Maneca, Bibi e Lucinho (Batista); Haroldo (Iê), Geraldino Saravá e Dudé. Peceba a presença de Celso Gavião na zaga tricolor, ele que foi a principal contratação do Ferrão no início da temporada seguinte, numa verdadeira rasteira coral dada no Fortaleza. Foi o jogo 1.625 da nossa história, que teve o falecido Gilberto Ferreira no apito e um público pagante de 14.574 pessoas. Depois de cinco anos bastante difíceis, a temporada de 1978 definitivamente reacendia a chama do Ferrão.

O DOMINGO QUE ROBERTO CEARENSE BRILHOU COM O GOL DO FANTÁSTICO

Há pelo menos 35 anos, o futebol cearense conhece Roberto Cearense, mais uma cria do Ferroviário que rodou o mundo. Quando atendia apenas por ´Roberto`, marcou o famoso ´Gol do Fantástico` e foi destaque no programa nacional mais conhecido da Rede Globo de Televisão. O apelido ´Cearense` foi acrescentado ao nome quando foi negociado com o Sport/PE, justamente para não ser confundido com outro atacante de nome Roberto, que acabara de ser vendido pelo clube pernambucano para o Internacional/RS. Anos atrás, a TV Verdes Mares revirou seu baú e homenageou Roberto Cearense mostrando aquele lindo gol contra o América/CE, marcado na manhã de um domingo, no já distante 27/9/1981, no PV, diante de 2.882 pagantes, e em cima justamente do lendário Marcelino, ex-arqueiro do próprio Ferroviário. É sempre bom rever aquele colírio, agora eternizado no Almanaque do Ferrão, e recordar um jovem Roberto Cearense em ação, no auge de seus 90 jogos e 40 gols com a camisa coral. Aproveite!

HÁ 30 ANOS VITÓRIA EM CIMA DO LEÃO COM GOL DE CARDOSINHO

O Almanaque do Ferrão liga sua máquina do tempo e retorna exatamente 30 anos na história coral. No dia 13 de outubro de 1985, um domingo, o Tubarão da Barra decolava no campeonato cearense ao vencer, pela segunda vez em três semanas, o time do Fortaleza. O ponta direita Cardosinho, em cobrança de falta, marcou o tento da vitória coral por 1×0 naquela tarde no Castelão. Comandado por Caiçara, o Ferroviário jogou com Serginho, Laércio, Arimatéia, Léo (Zé Luís) e Vassil; Doca, Alex (Nélson) e Arnaldo; Cardosinho, Nildo e Foguinho. Quatro detalhes marcaram aquela partida: o ótimo volante Alex contundiu-se seriamente com uma ruptura dos meniscos, o artilheiro Luizinho das Arábias desfalcou o Ferrão, seu substituto foi o paraense Nildo, que depois brilhou com a camisa do Grêmio/RS e o meia Denô, ex-Sport/PE, assistiu ao jogo nas cadeiras como nova contratação de peso para a competição. Confira o gol de Cardosinho no vídeo acima em meio à imagens raríssimas recuperadas daquele período.

CRAQUES SÃO ETERNOS: RECORDE A PASSAGEM DE BETINHO PELO FERRÃO

Ferrão 1984

Ferroviário em 1984: Betinho carrega a tarja vermelha de capitão na manga do uniforme

Roberto Fontana Madeira era um verdadeiro craque. Essa é a mais perfeita referência para esse ex-jogador do Ferroviário, que chegou na Barra do Ceará já no crepúsculo de sua carreira, mas que conquistou uma verdadeira idolatria junto à torcida coral. Foram 83 jogos e 27 gols pelo clube entre 1982 e 1984, sendo 14 deles em grandes clássicos contra Ceará e Fortaleza, quando chegava a decidir as partidas. Estamos falando de Betinho, o experiente camisa 10 do Ferrão, o cérebro da equipe, um dos maiores jogadores em toda a história do futebol cearense. Talvez ele não saiba, mas seu nome é especialmente citado na versão impressa do Almanaque do Ferrão exatamente na parte dos agradecimentos. Pelo que? Por tudo que ele fez em campo e pelo que representou na época para jovens torcedores – como o autor da publicação, é bom que se diga.

betinho1982

Betinho no Ferrão

Betinho nasceu no Espírito Santo. Despontou para o futebol como atacante no Botafogo/RJ, mas foi em Pernambuco que trilhou grande parte de sua carreira de sucesso conquistando títulos sucessivos pelo Santa Cruz, Náutico e Sport. Ele tinha acabado de completar 35 anos de idade quando trocou o Leão da Ilha pelo Tubarão da Barra, mesmo ostentado o posto vigente de artilheiro do campeonato pernambucano com 12 gols, comprado que foi pelo Ferroviário por CR$ 3 milhões de cruzeiros, uma excelente contratação de impacto por parte do presidente José Lima de Queiroz. Era agosto de 82 e Betinho encaixou como uma luva no meio campo coral. Fez uma dupla implacável com o atacante Jorge Veras e ajudou a equipe a chegar à final em duas temporadas consecutivas. Em 84, em meio a grave crise política e financeira, Betinho pendurou as chuteiras no meio do campeonato cearense e teve uma brevíssima passagem como treinador de uma equipe desfigurada e recheada de problemas. Foram apenas 7 partidas no comando técnico coral, dirigindo seus ex-companheiros, o que na prática representou apenas um mês de trabalho. Deixou o clube, mas nunca saiu da memória de seus torcedores.

Betinho completou 68 anos de idade no último dia 9 de julho. Ele mora hoje em Recife e dá seus pitacos no futebol moderno, tão carente de jogadores com sua qualidade, como comentarista esportivo. Descobrimos um vídeo do Diário de Pernambuco, de 2012, onde ele fala especificamente de sua trajetória no futebol pernambucano, que por si só merece ser visto já que dele nunca mais se ouviu falar no futebol cearense. Que as imagens da janela abaixo apresentem para os torcedores mais jovens um verdadeiro craque, um ídolo na verdadeira acepção da palavra, nosso ex-jogador, alguém para nunca se esquecer.