RECEPÇÃO NO AEROPORTO EM 2018 REPETE CHEGADA DE URIEL EM 1969

Segundo a administração do Aeroporto Internacional Pinto Martins, cerca de 500 torcedores do Ferroviário estiveram presentes na noite do último dia 16 de fevereiro para recepcionar os jogadores corais que participaram do episódio histórico do ´Milagre da Ilha` em Recife no dia anterior. A matéria acima foi veiculada no Globo Esporte de Fortaleza e eterniza o momento, evidenciando ainda mais o perfil de uma torcida diferenciada, apaixonada e composta em sua essência por pessoas de todas as idades que constituem uma imensa família. O fato acontecido em 2018 remete à chegada do atacante Uriel, ídolo do Santa Cruz/PE, que foi anunciado como contratação bombástica para o Ferrão em maio de 1969. Na ocasião, uma multidão de pessoas foi ao antigo aeroporto de Fortaleza para recepcionar o novo reforço do Tubarão da Barra. Quase cinquenta anos depois, o fato se repete e a torcida coral mostra a sua força.

Uriel: multidão no aeroporto

Assim como ocorrido na última sexta feira, a chegada de Uriel em 1969 também aconteceu no período da noite, o que proporcionou maior comodidade de horário para os torcedores que trabalhavam durante o dia. O lateral pernambucano Roberto Barra Limpa, ex-rival de Uriel em Recife, também esteve presente no Pinto Martins para recepcionar o novo companheiro em nome do elenco do Ferroviário. Uriel fez 36 jogos pelo Ferrão e marcou 11 gols, permanecendo na Barra do Ceará até março de 1970. Logo em seu primeiro jogo oficial pelo time coral, num clássico contra o Ceará no PV, Uriel fez um gol e foi considerado o melhor em campo. Depois, caiu de produção e sua condição de titular chegou a ser questionada. Como o Ferrão não conseguiu o bicampeonato em 1969, ficou a sensação de frustração na passagem de Uriel pelo futebol cearense. Porém, poucos lembram que antes de rescindir seu contrato, ele participou da estreia coral no vitorioso campeonato estadual de 1970 e que, por esse motivo, está com justiça incluído no rol eterno dos jogadores que conquistaram títulos pelo Ferrão. Mas, voltemos a 2018 para conferir abaixo uma filmagem amadora da invasão da torcida coral ao aeroporto na semana passada, quando nomes como o goleiro Bruno Colaço, o atacante Mota e o meia Valdeci, entre outros, são reverenciados. Nunca é demais registrar esse momento, até porque ele levou simplesmente cinco décadas para voltar a acontecer e seria muito bom se pudesse se tornar frequente no cotidiano do clube.

QUINTA PARTICIPAÇÃO DO FERRÃO EM COMPETIÇÃO NORDESTINA

Velho adversário nordestino

Hoje o Ferrão pega o ABC de Natal em sua estreia na Copa do Nordeste, uma das competições mais valorizadas atualmente no calendário nacional. Embora sejam certames distintos e alternados ao longo do tempo, a primeira edição de uma competição regional em nível Nordeste aconteceu na temporada de 1968 e levava simplesmente o nome de Nordestão. O Ferroviário esteve presente e enfrentou Sport/PE, Botafogo/PB, Alecrim/RN, Calouros do Ar, Campinense/PB e o próprio ABC/RN. Em jogos de ida e volta, o time coral foi eliminado ainda na primeira fase. Em 1970, na terceira edição da competição, o Ferrão voltou a participar e enfrentou o Campinense/PB, Treze/PB, América/PE e novamente o ABC/RN em jogos só de ida. Mais uma vez, o Tubarão da Barra foi eliminado na fase inicial. Foi o ano do famoso duelo entre Coca Cola e Marinho Chagas, no PV, já reportado aqui no blog. No ano seguinte, o torneio foi engavetado já que foi posto em prática uma nova metodologia de integração nacional com a implementação do primeiro campeonato brasileiro.

Nova edição da Copa do Nordeste é sucesso

Depois de 27 anos de espera e com participação efetiva do Ferroviário nas articulações políticas para o retorno da competição, o principal certame da região Nordeste voltou a ser disputado em 1997. A fórmula previa confrontos de mata-mata e o Ferrão teve novamente o ABC de Natal como seu adversário. Uma derrota no Machadão e um empate no PV eliminaram o time coral mais uma vez na primeira fase. Dois anos depois, em 1999, aconteceu a quarta e última participação coral na Copa do Nordeste. O Tubarão da Barra caiu no grupo composto por Ceará, América/RN e – de novo – o ABC de Natal. Em jogos de ida e volta, o Ferrão acabou mais uma vez eliminado na primeira fase. Agora em 2018, novamente o ABC/RN está no grupo do Ferroviário, ao lado do Vitória/BA e do Globo/RN. No geral, será a quinta participação coral na principal competição nordestina e, coincidentemente, o ABC/RN foi adversário do Ferrão em todas elas. Esperamos que o Ferroviário agora possa quebrar o tabu de não passar da primeira fase e conseguir sua inédita classificação para a segunda fase. Vai ser histórico!

TREINADOR CORAL NO ESTADUAL DE 1970 FALECEU ONTEM EM FORTALEZA

Alexandre Nepomuceno faleceu em Fortaleza

Morreu ontem o ex-treinador coral Alexandre Nepomuceno. Natural da cidade de Aracati, ele tinha 82 anos de idade e foi enterrado em Fortaleza no dia de hoje. Profundamente identificado com o Ceará, clube em que atuou como jogador durante toda a carreira, Alexandre recebeu várias homenagens do futebol cearense como um todo. Como não poderia deixar de ser, o Almanaque do Ferrão presta uma justa lembrança aquele que foi o comandante técnico no inesquecível título estadual de 1970. Ex-técnico do Calouros do Ar, Alexandre Nepomuceno chegou para comandar o time coral em maio de 1970, durante o 2º turno do campeonato cearense. Levou o Ferrão ao título estadual em outubro daquela temporada. Permaneceu até maio do ano seguinte e retornou para a Barra do Ceará no campeonato cearense de 1972 numa passagem que durou aproximadamente dois meses. Ao todo foram 65 partidas como treinador do Ferroviário, sendo 35 vitórias, 20 empates e apenas 10 derrotas. Descanse em paz.

FOTO RARA DO FERROVIÁRIO NO INÍCIO DA TEMPORADA DE 1970

Ferroviário Atlético Clube no campeonato cearense de 1970 – Em pé: Breno, Luiz Paes, Simplício, Marcelino, Gomes e Louro; Agachados: Mano, Paulo Velozo, Facó, Edmar e Zé Luiz

Eis uma foto rara do Ferroviário Atlético Clube no início da temporada de 1970. Aquele grande esquadrão coral, até hoje lembrado como uma das melhores formações da história do futebol cearense, ainda estava em fase de formação durante o mês de fevereiro, quando a foto foi produzida antes de uma partida contra o Guarany de Sobral no PV. Oito meses depois, com nada menos que seis alterações na onzena principal e um novo treinador, o Tubarão da Barra sagrava-se campeão cearense daquele ano. Alexandre Nepomuceno substituiu Fernando Cônsul no comando técnico no decorrer da competição. Em relação ao time que jogou a finalíssima contra o mesmo Guarany, entraram Esteves, Hamilton Ayres, Aloísio Linhares, Coca Cola, Amilton Melo e Alísio no lugar de Breno, Luiz Paes, Marcelino, Mano, Facó e Zé Luiz respectivamente. Muita vezes lembramos só da formação campeã, mas é sempre bom recordar todos aqueles que participaram daquela gloriosa campanha. A foto acima é um excelente exemplo disso.

TÍTULO INESQUECÍVEL DE 1970 COMPLETA MAIS UM ANIVERSÁRIO

Notícia na capa do Jornal O Povo anunciava o título do Ferroviário de campeão cearense em 1970

Parece que foi ontem. Amilton Melo deixou o atacante Paulo Velozo na cara do gol. Edmar e Coca Cola deitaram e rolaram. Simplício mandou um jogador do Ceará para a enfermaria com uma bolada no estômago. Quem mandou ficar na barreira? A potência de seu chute, todos já conheciam. Saudades do Esteves, do Eldo, do Mano e do Alísio. Já faz 46 anos da memorável conquista do Estadual de 1970, quando, obviamente, Ceará e Fortaleza jamais poderiam pensar em ganhar um campeonato no ano do centenário de instalação do eterno e querido transporte ferroviário no estado. Quanta ousadia seria. Até o Guarany de Sobral se meteu a besta e deu no que deu. Perdeu o jogo final por 3×1 naquele 7 de outubro como hoje, gols de Alísio, duas vezes, e Amilton Melo, diante de 13.028 pagantes no PV. Era apenas o jogo 1.203 da história do Tubarão da Barra.

Lance do Ferroviário no Estadual de 1970

Hamilton Ayres e Gomes sustentavam a defesa. Luiz Paes era o reserva imediato, só para se ter uma ideia do potencial do elenco coral. Virou professor e dos bons. Até o atacante Facó, que depois virou prefeito de Beberibe, andou esperando uma chance que nunca veio na onzena principal. Azar teve o goleiro Marcelino que deixou de sair na foto do time campeão por conta da intransigência dos dirigentes da Portuguesa/RJ. Chamaram-no antes do fim para ver o Corcovado. Aloísio Linhares veio e bateu o retrato. Coitado do Fortaleza, o freguês principal. Tinha até crediário. Apanhava a prestação e sequer chegou a marcar um único gol no Ferrão no campeonato inteiro. Cliente bom é assim. América e Tiradentes conheceram a fúria do ataque coral. O Calouros do Ar quis dificultar as coisas, mas não deu nem pro começo. Adeus Quixadá. Esse foi com Deus. Nas finais da competição, o urubu alvinegro bateu asas e voou. O Cacique do Vale sonhou alto demais e levou uma paulada. Não deu pra ninguém. Quem fez a festa foi a torcida coral, que invadiu o gramado do PV numa demonstração antológica de sua força. Alguém achou a cueca do Louro? Levaram tudo. Mas um título não se vence somente com onze jogadores. Ele é conquistado com a força de seus dirigentes. Agradeçam, portanto, a José Rego Filho e Ruy do Ceará, os grandes comandantes daquela jornada. Também ao inesquecível Elzir Cabral, que mesmo morando em Recife, era a alma daquela direção. Agradeçam a todos que compunham aquela diretoria invejável, como já cantava Zezé do Vale.

PRIMEIRO JOGO OFICIAL CONTRA TIME DE OUTRO ESTADO NA BARRA

Pouca gente recorda o nome do primeiro adversário coral de outro estado que enfrentou oficialmente o Ferroviário na Vila Olímpica Elzir Cabral. Os mais antigos dirão que foi o Alecrim/RN. De fato, a tradicional equipe potiguar foi a primeira de outro estado a pisar o solo da Barra do Ceará, em 1970, mas tratava-se de uma partida amistosa para inauguração do estádio coral, o que evidentemente foi um fato histórico. Porém, em caráter oficial, essa equipe foi o Flamengo/PI, em 24 de setembro de 1989, em jogo válido pela 1ª fase do campeonato brasileiro daquele ano. O Almanaque do Ferrão apresenta acima as imagens dos gols daquele jogo vencido pelo Tubarão da Barra por 2×0, tentos do ponta esquerda Paulinho e do centroavante Marquinhos, ambos cearenses.

Paulinho: belo gol na Barra

Aquele domingo à tarde contou com um público de 2.837 pagantes. Pelas imagens, percebe-se o excelente número de torcedores que foi ao estádio, porém em quantidade inferior que a abertura do Elzir Cabral para jogos oficiais, seis meses antes, contra o Guarani de Juazeiro. Nesse jogo do campeonato nacional, o de número 2.304 da história coral, o Ferrão venceu com o futebol de Osvaldo, Silmar, Arimatéia, Evilásio e Marcelo Veiga; Alves, Dias Pereira (Cacau) e Jacinto; Mardônio (Marquinhos), Luizinho e Paulinho. O Flamengo do Piauí perdeu com Ronaldo, Toinho (Duílio), Carlinhos, Bilé e Neto; Zuega, Peu e Malta; Batistinha, Etevaldo e Toby (Cláudio). Repare a presença do atacante Batistinha no ataque do Flamengo, ele que se tornaria um dos ídolos da história coral na metade da década seguinte. O jogador Marquinhos, que marcou o segundo gol, era oriundo do Tiradentes/CE e havia sido um dos artilheiros do campeonato cearense de 1988. Ele disputava a posição com o centroavante Luizinho, recém trazido do Avaí/SC, que fez apenas 6 jogos com a camisa coral. Marquinhos atuou apenas em 4 partidas. Paulinho, que marcou um belíssimo gol, ficou no clube até 1991 e fez 44 jogos pelo Ferroviário.

TRÊS TÍTULOS INESQUECÍVEIS DENTRO DA MESMA PISCINA

Ruy do Ceará e José Rego Filho: três títulos estaduais históricos dentro da piscina

Apesar das fortes chuvas que caem há 4 dias em Fortaleza, o Almanaque do Ferrão publica uma foto bastante sugestiva para um domingo como hoje. Recentemente, dois dos maiores nomes da história coral curtiram um dia de sol no Náutico Atlético Cearense. Dentro da piscina, nada menos que 3 títulos estaduais conquistados diretamente para o Ferroviário. Um na função de presidente, o outro como diretor de futebol, uma dobradinha inesquecível para os torcedores e imprensa cearense: José Rego Filho e Ruy do Ceará, respectivamente. Os dois se conheceram ainda no colegial, fizeram juntos a faculdade de engenharia em Recife, foram vizinhos na vila dos engenheiros da RFFSA, gloriosa instituição federal da qual cada um foi superintendente em épocas distintas. No Ferroviário, conquistaram o título cearense invicto em 1968, depois de um tenebroso jejum de 16 anos, além do supercampeonato de 1970 e o improvável estadual de 1979. Em 1988, faziam parte do conselho deliberativo na época de mais um título cearense. Nomes eternos em qualquer página que tenha a missão de narrar a história coral.

QUANDO A BRUXA TEVE QUE ENGOLIR UMA COCA COLA NO PV

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Coca Cola

O baixinho Coca Cola é lembrado até hoje como um dos maiores jogadores da história do Ferroviário. Seu nome era Abelardo Cesário da Silva. O apelido – como ele mesmo declarou ao jornal Folha de São Paulo em fevereiro de 1994 – era uma alusão ao famoso refrigerante: “Como eu era pequeno e magro, me chamavam de ‘miniatura de Coca-Cola’. Reclamei e o apelido pegou. Quase ninguém sabe meu nome. Até minha mulher me chama de Coca“. Falecido em junho de 1999, é impossível não lembrar da sua importância para o Ferrão no auto de seus 324 jogos com a camisa coral entre 1965 e 1973. Foram apresentações sensacionais nos gramados cearenses, o que lhe valeu a chance de jogar no Gil Vicente, de Portugal, onde o apelido não foi permitido. “Lá voltei a ser Abelardo para não fazer propaganda de graça para a Coca-Cola“, disse. Entre tantas partidas inesquecíveis, uma delas precisa ser sempre lembrada. E ela está completando 45 anos exatamente no dia de hoje.

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Marinho Chagas

Corria a disputa do Nordestão em outubro de 1970 e o Ferroviário recebia o ABC/RN no Presidente Vargas, exatamente no dia 29, como hoje. Precisando vencer com diferença de 3 gols, o time coral fez apenas 1×0 no placar e foi eliminado ainda na primeira fase da competição. A tristeza da eliminação só foi esquecida graças à pintura do gol marcado por Coca Cola, uma autêntica ´folha seca`, imortalizada anos antes pelo lendário Didi em seus tempos de Seleção Brasileira. Um dos gols mais belos da história do Ferroviário e, em particular, do inesquecível Coca Cola. Sob o comando de Alexandre Nepomuceno, o time coral venceu com Aloísio Linhares, Louro (Luiz Paes), Hamilton Ayres, Gomes e Eldo; Coca Cola, Edmar e Amilton Melo; Mano, Facó (Ibsen) e Wilson. Já o representante potiguar perdeu com Erivan, Preta, Edson, Josemar e Marinho Chagas (Cid); Correia (Zezé) e Gonzaga; Edvaldo, Albery, Petinho e Burunga. Mençao honrosa para o lateral esquerdo do ABC, um jovem chamado Marinho Chagas atuando bravamente contra o Ferroviário, um dos melhores laterais que o futebol brasileiro produziu em todos os tempos e que, três anos mais tarde, envergava a camisa de titular da Seleção Brasileira na Copa da Alemanha. Foi o jogo 1.207 da história coral, o dia que Marinho Chagas – A Bruxa – teve que engolir a genial folha seca de Coca Cola como se fosse Didi.

LUIZ PAES VESTIA A CAMISA CORAL PELA PRIMEIRA VEZ HÁ 49 ANOS

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Luiz Paes em 2008

O ano era 1966 e a diretoria do Ferroviário contratou o zagueiro Luiz Paes junto ao Náutico/PE. Foi num 28 de setembro como hoje que ele fez sua estreia pelo time coral, o primeiro de 153 jogos no total, mais que suficientes para colocá-lo como um dos maiores defensores da nossa história, fato este comprovado na campanha ´Time dos Sonhos`, em 2013, que o nominou para a escalação coral de todos os tempos. Aquela primeira partida teve o Calouros do Ar como adversário, no PV, válida pelo 2º turno do campeonato cearense daquele ano e o placar terminou no 1×1, com Gilson Puskas marcando para o Tremendão da Aerolândia e Peu empatando para o Tubarão da Barra. Sob o comando de Vicente Trajano, o Ferrão atuou com a seguinte formação na estreia do novo zagueiro há 49 anos atrás: Adir, Albano, Vadinho, Luiz Paes e Roberto Barra-Limpa; Peu e Edmar; Miro, Zé de Melo, Esquerdinha e Sabará. Mesmo quando atleta, Luiz Paes dedicava-se bastante aos estudos nas horas livres e geralmente enfadonhas do período de concentração antes dos jogos, o que o levou por consequência à vida acadêmica assim que sua carreira no futebol chegou ao fim.

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Luiz Paes em foto de 1969

Durante mais de duas décadas, ele foi professor de Física do saudoso Colégio Cearense. Milhares de pessoas foram alunos do Professor Luiz Paes naquela renomada instituição. Em 2012, o jornalista Rafael Luís, jornalista e ex-aluno do colégio, comentou o fato em seu site Verminosos por Futebol: “Certo dia, outro professor nos contou que Luiz Paes havia sido um grande jogador de futebol na década de 1960. Com boa passagem pelo Ferroviário, ele teria parado Pelé em um amistoso contra o Santos, no PV, em 1968, com direito a matéria em jornal e tudo. Fui até meu pai e perguntei sobre o professor. ´Se lembro de Luiz Paes?! É claro que sim, ele foi um dos maiores zagueiros que vi jogar!`, respondeu“. Trata-se de um espontâneo relato que oferece uma dimensão da importância do ex-zagueiro na trajetória coral, que conquistou 5 títulos ao todo com a camisa do clube, entre eles os inesquecíveis Estaduais de 68 e 70. Em janeiro de 2008, Luiz Paes ilustrou a seção ´Craque do Passado` na já histórica 1ª edição da então revista oficial do Ferroviário, intitulada de Expresso Coral. Atualmente, ele é professor da Universidade de Fortaleza e reside próximo ao Shopping Center Iguatemi, uma das áreas mais valorizadas da cidade.

DOIS VELHOS AMIGOS DE BREVE PASSAGEM PELA BARRA DO CEARÁ

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Janos Tratay nos anos 70

Janos Tratay nasceu na cidade de Vszprèm, na Hungria, em 1922. As sequelas físicas da II Guerra Mundial o acompanharam por toda vida. Resolveu militar no futebol quando veio para o Brasil. Em 1960, foi técnico do Ceará e passou a ser conhecido na terra de José de Alencar, mas mantinha uma enorme afeição pela Paraíba, estado onde fixara residência. Foi lá que conheceu o atacante Zé Luiz, que brilhava no Campinense/PB. Iniciaram uma amizade fraternal que perdurou até o fim da vida do húngaro. Ambos tiveram seus momentos no Ferroviário e por essa razão destacamos o vídeo acima, gravado em 2007, com o intuito de recordar o nome daqueles que são raramente lembrados, ignorados pelo tempo e pela memória curta dos torcedores. O diálogo acima entre Janos Tratay e Zé Luiz merece ser assistido. Em meio a recordações pessoais de ambos que agradam a qualquer fã de futebol, o nome do Ferroviário sequer é citado, mas há de se registrar que ambos tiveram parcela de colaboração na história coral e merecem destaque no Almanaque do Ferrão.

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Zé Luiz no Ferroviário

Zé Luiz era um atacante de 29 anos quando foi contratado pelo time coral no início de 1970. Fez sua estreia exatamente no primeiro jogo interestadual realizado no Estádio Elzir Cabral, no dia 17 de janeiro, contra o Alecrim/RN. Iniciou o campeonato cearense como titular, mas depois perdeu espaço. Seu nome está com justiça entre os grandes campeões estaduais daquele ano com a camisa coral. Chegou a jogar também na Portuguesa de Desportos/SP. Depois, longe da bola, tornou-se jornalista e político. Como jornalista, teve programas na TV Borborema de Campina Grande e na TV Correio de João Pessoa. Foi vereador de Campina Grande, Deputado Estadual e Deputado Federal pela Paraíba e, de 2005 a 2012, o vice-prefeito da cidade de Campina Grande. Pouca gente sabe que o Ferroviário teve um ex-jogador de carreira política tão ilustre. Por sua vez, Janos Tratay foi contratado na gestão do presidente José Rego Filho, em 1972, como diretor de futebol. Teve uma passagem atribulada com atritos dentro do próprio elenco coral, tendo que apaziguar ânimos de jogadores como Amilton Melo, Luizinho Peito de Aço, Simplício e Marcelino, que andaram se estranhando entre si. Não bastasse o clima hostil entre os jogadores, Tratay andou ainda em rota de colisão com o técnico paranaense Borba Filho, que deixou o clube durante o campeonato cearense. A passagem de Janos Tratay pelo Ferroviário durou somente aquela temporada e ele voltou para a Paraíba, onde continuou trabalhando com destaque até em campeonatos nacionais enquanto teve saúde. Faleceu em 2011, aos 89 anos, na cidade de João Pessoa, vítima de um aneurisma. O vídeo acima foi uma de suas últimas aparições na televisão paraibana e mostra a amizade de dois velhos amigos de breve passagem pela Barra do Ceará.