FOTO RARA DO FERROVIÁRIO NO INÍCIO DA TEMPORADA DE 1970

Ferroviário Atlético Clube no campeonato cearense de 1970 – Em pé: Breno, Luiz Paes, Simplício, Marcelino, Gomes e Louro; Agachados: Mano, Paulo Velozo, Facó, Edmar e Zé Luiz

Eis uma foto rara do Ferroviário Atlético Clube no início da temporada de 1970. Aquele grande esquadrão coral, até hoje lembrado como uma das melhores formações da história do futebol cearense, ainda estava em fase de formação durante o mês de fevereiro, quando a foto foi produzida antes de uma partida contra o Guarany de Sobral no PV. Oito meses depois, com nada menos que seis alterações na onzena principal e um novo treinador, o Tubarão da Barra sagrava-se campeão cearense daquele ano. Alexandre Nepomuceno substituiu Fernando Cônsul no comando técnico no decorrer da competição. Em relação ao time que jogou a finalíssima contra o mesmo Guarany, entraram Esteves, Hamilton Ayres, Aloísio Linhares, Coca Cola, Amilton Melo e Alísio no lugar de Breno, Luiz Paes, Marcelino, Mano, Facó e Zé Luiz respectivamente. Muita vezes lembramos só da formação campeã, mas é sempre bom recordar todos aqueles que participaram daquela gloriosa campanha. A foto acima é um excelente exemplo disso.

MAIOR CRAQUE CEARENSE FAZIA SUA ESTREIA NO FERRÃO HÁ 50 ANOS

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Craque Mozart defendeu o Ferroviário em 26 partidas e assinalou 15 gols entre 1966 e 1967

Aconteceu no dia 26 de março de 1966. Há 50 anos, o maior craque que o futebol cearense já produziu fazia sua estreia pelo Ferroviário Atlético Clube. Estamos falando de Mozart, contratado pelo time coral para as disputas daquela temporada. Ele fez seu primeiro jogo pelo Ferrão contra o Fortaleza, justamente seu ex-time, em confronto pela Taça Cidade de Fortaleza, um competição preparatória para o campeonato cearense. Sob o comando do técnico carioca Jair Santana, o Ferroviário foi derrotado por 3×1, em tarde gloriosa do goleiro adversário. O ídolo Coca Cola marcou o gol de honra coral. No final dos anos 50, Mozart defendia o Fluminense/RJ e chegou a ser lembrado para a seleção brasileira visando a Copa do Mundo de 1958, na Suécia. Ter tido o craque cearense em sua galeria de atletas é algo que deve ser sempre reverenciado pelo Ferroviário.

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Livro de Saraiva Júnior

A importância de Mozart para o futebol alencarino é tão grande que ele virou até livro. Coube ao competente escritor cearense Saraiva Júnior narrar a trajetória do ídolo no futebol brasileiro. Apesar de curta passagem pela Barra do Ceará, Mozart escreveu rapidamente seu nome na história coral pouco tempo depois de sua estreia. Em maio de 66, o Ferrão enfrentou o Fluminense/RJ pela Taça Batalha do Tuiuti, um quadrangular que contou ainda com a presença de Ceará e do Botafogo/RJ, vencendo por 3×2, com dois gols de Mozart e um golaço inesquecível de Pacoti. Foi a maior apresentação de Mozart com a camisa coral. Em março do ano seguinte, ele fez sua última partida pelo Ferroviário, num amistoso contra o Bangu/RJ, então campeão carioca, no PV. Mozart teve ainda o privilégio de ser o treinador do Ferrão em uma única oportunidade, num amistoso contra o Quixadá, na terra dos monólitos, quando Jair Santana teve que ir ao Rio de Janeiro para resolver problemas particulares. Seu irmão, o também lendário Moésio Gomes, seguiu o mesmo caminho, sendo ex-jogador e treinador do Tubarão da Barra em alguns períodos da gloriosa trajetória coral. Moésio faleceu em 20 de janeiro de 1992. Mozart morreu em 7 de setembro de 2009.

QUANDO A BRUXA TEVE QUE ENGOLIR UMA COCA COLA NO PV

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Coca Cola

O baixinho Coca Cola é lembrado até hoje como um dos maiores jogadores da história do Ferroviário. Seu nome era Abelardo Cesário da Silva. O apelido – como ele mesmo declarou ao jornal Folha de São Paulo em fevereiro de 1994 – era uma alusão ao famoso refrigerante: “Como eu era pequeno e magro, me chamavam de ‘miniatura de Coca-Cola’. Reclamei e o apelido pegou. Quase ninguém sabe meu nome. Até minha mulher me chama de Coca“. Falecido em junho de 1999, é impossível não lembrar da sua importância para o Ferrão no auto de seus 324 jogos com a camisa coral entre 1965 e 1973. Foram apresentações sensacionais nos gramados cearenses, o que lhe valeu a chance de jogar no Gil Vicente, de Portugal, onde o apelido não foi permitido. “Lá voltei a ser Abelardo para não fazer propaganda de graça para a Coca-Cola“, disse. Entre tantas partidas inesquecíveis, uma delas precisa ser sempre lembrada. E ela está completando 45 anos exatamente no dia de hoje.

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Marinho Chagas

Corria a disputa do Nordestão em outubro de 1970 e o Ferroviário recebia o ABC/RN no Presidente Vargas, exatamente no dia 29, como hoje. Precisando vencer com diferença de 3 gols, o time coral fez apenas 1×0 no placar e foi eliminado ainda na primeira fase da competição. A tristeza da eliminação só foi esquecida graças à pintura do gol marcado por Coca Cola, uma autêntica ´folha seca`, imortalizada anos antes pelo lendário Didi em seus tempos de Seleção Brasileira. Um dos gols mais belos da história do Ferroviário e, em particular, do inesquecível Coca Cola. Sob o comando de Alexandre Nepomuceno, o time coral venceu com Aloísio Linhares, Louro (Luiz Paes), Hamilton Ayres, Gomes e Eldo; Coca Cola, Edmar e Amilton Melo; Mano, Facó (Ibsen) e Wilson. Já o representante potiguar perdeu com Erivan, Preta, Edson, Josemar e Marinho Chagas (Cid); Correia (Zezé) e Gonzaga; Edvaldo, Albery, Petinho e Burunga. Mençao honrosa para o lateral esquerdo do ABC, um jovem chamado Marinho Chagas atuando bravamente contra o Ferroviário, um dos melhores laterais que o futebol brasileiro produziu em todos os tempos e que, três anos mais tarde, envergava a camisa de titular da Seleção Brasileira na Copa da Alemanha. Foi o jogo 1.207 da história coral, o dia que Marinho Chagas – A Bruxa – teve que engolir a genial folha seca de Coca Cola como se fosse Didi.

NUNCA É TARDE PARA REVERENCIAR SIMPLÍCIO, O CANHÃO DA BARRA

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Foto recente do ex-jogador Simplício em sua residência na cidade de João Pessoa/PB

Ele foi um dos jogadores mais cultuados na história do Ferroviário. Até hoje seu nome é citado nas arquibancadas, não apenas por torcedores corais, mas também por desportistas de outras equipes que o viram em ação entre 1969 e 1974, período em que entrou em campo 181 vezes com a camisa do Ferrão. Foram 60 gols no total, o que o credencia como o 12º maior artilheiro do clube. Estamos falando de Simplício, o inesquecível ´Canhão da Barra´, graças a seus chutes fortes que chegavam a alcançar 170 km/h. Ao lado de Amilton Melo, Edmar, Paulo Velozo e Coca Cola, ele foi um dos bons nomes no título estadual de 1970, ano em que o Ferroviário montou um dos melhores times em todos os tempos do futebol alencarino.

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No Ferrão em 1970

Simplício começou a se destacar no Campinense/PB, onde foi hexacampeão paraibano nos anos 60. Tinha como principal característica o posicionamento, o bom passe e a garra, condições essenciais para um grande volante. Começou a ser comparado com o craque brasileiro Rivelino – pelo bigode e em razão do chute forte – ainda na Paraíba, antes mesmo de se transferir para o Botafogo/PB, onde foi bicampeão estadual. Se transferiu para o Ferroviário aos 22 anos de idade, fazendo seu primeiro jogo pelo time coral no dia 15/11/69 num amistoso contra o América/CE, no Elzir Cabral, e já conquistando mais um título estadual pra coleção na temporada seguinte. Suas cobranças de pênaltis eram temidas pelos goleiros adversários e tinha o respeito de vários treinadores que passaram pelo Ferrão, entre eles Fernando Cônsul, Gradim e Alexandre Nepomuceno.

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Simplício: o terceiro agachado em 1972

No campeonato cearense de 1974, Simplício mudou de time e chegou a enfrentar o Ferroviário, defendendo a camisa do Maguary. Aos 27 anos, aquela foi sua última temporada como jogador de futebol, pois retornou para Campina Grande onde anos depois concluiu o curso de Processamento de Dados na Universidade Federal. Em 2013, vibrou bastante com o título de campeão do nordeste conquistado pelo Campinense. Hoje com 67 anos de idade, reside em João Pessoa e é aposentado pela própria universidade. Mais de 40 anos depois de deixar o Ferroviário Atlético Clube, Simplício continua na memória de quem o viu em ação e estará sempre nas páginas principais da história coral, merecendo hoje o destaque do Almanaque do Ferrão.

SAIBA AS 10 VEZES QUE O FERRÃO JOGOU NO SÁBADO DE CARNAVAL

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Sábado de carnaval já virou um dia propício para o futebol e isso não é de hoje. O Ferroviário realizou alguns amistosos em sua história nessa data e o primeiro deles remonta a 1951 quando o time coral perdeu por 2×1 para a seleção cearense amadora. A zebra passeou solta no PV em pleno festejo momino. Depois, em 1968, o Ferrão entra em campo no Elzir Cabral para um jogo contra o Rio Branco. A equipe suburbana sucumbiu por 3×0 com gols de Coca Cola, Mano e Ademir. Teve dirigente que saiu do estádio direto para as comemorações no Clube Líbano Brasileiro, conta uma fonte fidedigna. Em 1973, o time amador do Uberaba tomou de 10×0 na Barra e o Luizinho ´Peito de Aço` foi o destaque marcando 3 gols. Dizem que a chuva de gols terminou com os jogadores comemorando o carnaval nos bailinhos da Barra do Ceará.

Os-109-do-América-Futebol-Clube1Os anos se passaram e outro jogo amistoso no sábado de carnaval somente aconteceu em 1980. Era uma partida contra o América, no Elzir Cabral, e mesmo com 5 jogadores expulsos, o então Diabo da Dom Manuel segurou o 0x0. Treze anos depois, em 1993, veio o primeiro jogo oficial num sábado gordo e o Ferrão fez 2×1 no placar. Novamente o América era o adversário e sair de capeta do carnaval é sempre uma boa pedida. Em 95, amistoso contra o Potiguar de Mossoró na Barra e o ataque formado pela dupla Chico Pita e Somar não rendeu. 0x0 e vaias dos carnavalescos torcedores. Aí veio 1998 e a empresa Santo Antônio até que foi bem ao tomar só de 2×0 no amistoso, vitória coral sem esforço e tome carnaval pra galera nos dias seguintes. Em 2002, vexame contra o time da Autoviária Freitas. Seria uma derrota não fosse o gol de empate do Guedinho, o solitário goleador do time coral naquela tarde.

pierrot-e-colombinaNo ano seguinte, o único jogo do Ferrão fora de casa num sábado de carnaval em toda a história. Foi uma vitória de 2×0 em Itapipoca em jogo válido pelo campeonato cearense. Júnior Jardel – o irmão do Super Mário – marcou um dos gols. Em 2005, Maurício Pantera, Stênio e Narcizio marcaram e o Ferrão fez 3×2 no Tiradentes pelo estadual. Oito anos depois, em 2013, o PV recebeu um bom público e a vitória veio em cima do Guarani de Juazeiro, o que valeu o direito do torcedor coral brincar o carnaval como líder absoluto do campeonato cearense. Teve Pierrot e Colombina vestindo as cores corais por 5 dias seguidos. São 82 anos de história e estes foram os 10 jogos do Ferroviário no sábado de carnaval. Dados curiosos que podem não servir pra muita coisa, mas que são bons de se ver e espetaculares de brincar. Feliz carnaval!

CAMPANHA NO ANO PASSADO ESCOLHEU O TIME DOS SONHOS

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Ao completar 80 anos de existência em 2013, o Ferroviário não ganhou como presente apenas o lançamento do Almanaque do Ferrão, que eternizou cronologicamente todos os jogos oficiais e amistosos da história coral. Ainda como parte das comemorações, o clube elegeu também seu ´Time dos Sonhos` através de uma votação na Internet a partir de uma criteriosa pré-lista que contemplava 5 indicações por posição. É sempre oportuno recordar os principais nomes da caminhada coral. Confira:

1 – Marcelino: Veio da Portuguesa/RJ. Esteve presente em 10 partidas no título estadual de 1970. Recordista com 1295 minutos sem sofrer gols no Estadual de 1973. Atuou 170 vezes entre 1969 e 1976. Obteve 30% dos votos.

2 – Nasa: Defendeu o clube em 76 partidas na fase vitoriosa entre 1993 e 1995. Atuava também como volante. Oriundo do Guarani de Juazeiro. Obteve projeção nacional jogando pelo Vasco/RJ. Ficou com 51% dos votos.

3 – Luiz Paes: Jogou 153 partidas entre 1966 e 1971. Parou Pelé no Jogo das Faixas do título coral de 1968 quando foi também o capitão do time. Oriundo do Náutico/PE. Ficou com 42% dos votos.

4 – Celso Gavião: Zagueiro goleador com gols importantes. Foram 32 gols em 122 partidas. Veio do Botafogo/SP. Conseguiu projeção mundial no Porto de Portugal. Parou de jogar no próprio Ferrão em 91. Obteve 45% dos votos.

5 – Lima: Chegou em 1993 oriundo do Sul América de Manaus. Fez 50 partidas com a camisa coral. Titular absoluto no título de 1994. Conseguiu projeção mundial jogando pela Roma, sendo titular da equipe italiana em algumas temporadas. Obteve 40% dos votos.

6 – Marcelo Veiga: Xodó da torcida coral no título de 1988, quando foi o capitão da equipe. Veio do Santo André/SP. Fez 13 gols em 79 jogos. Ficou até o ano seguinte e depois conseguiu projeção nacional no Santos/SP. Obteve 65% dos votos.

7 – Mazinho Loyola: Cria das categorias de base que brilhou no título de 1988. Foi negociado com o São Paulo logo em seguida. Jogou 55 vezes e marcou 16 gols pelo profissional. Encerrou a carreira no próprio clube em 2004. Obteve 47% dos votos.

8 – Coca Cola: Jogador lendário na fase áurea dos títulos de 1968 e 1970. Jogou em 324 partidas e fez 71 gols. Oriundo do Campinense/PB. Depois de atuar pelo Ferrão, jogou no futebol português. Obteve 51% dos votos.

9 – Pacoti: Um dos jogadores mais emblemáticos do futebol cearense. Jogou ainda no Sporting de Portugal. Jogou 78 vezes em duas passagens pelo clube. Fez 51 gols pelo Ferrão. Oriundo do Nacional/CE. Obteve 35% dos votos.

10 – Acássio: Principal jogador coral no bicampeonato no 94/95. Defendeu o clube 132 vezes e marcou 74 gols. Veio do Fluminense/BA. Sempre deixava sua marca de goleador em clássicos. Chegou depois a defender a camisa do Vasco/RJ. Obteve 53% dos votos.

11 – Jorge Veras: Goleador coral entre 1982 e 1984. Também sempre deixava sua marca nos clássicos contra Ceará e Fortaleza. Fez 65 gols em 155 jogos com a camisa coral. Conseguiu projeção nacional no Grêmio/RS. Obteve 35% dos votos.

Técnico – César Moraes: Conhecido como Guri, foi um dos nomes mais simpáticos do futebol cearense até hoje. Campeão estadual pelo Ferrão em 1979 e 1994. Passou sete vezes pelo clube e levantou 4 títulos ao todo. Obteve 52% dos votos.