RECORDE UM AMISTOSO HISTÓRICO CONTRA O SANTA CRUZ DE RECIFE

Luizinho marcou um gol no amistoso

Já que Ferroviário e Santa Cruz/PE se enfrentam nesse domingo, vamos brincar com a curiosidade e recordar um amistoso histórico entre as duas equipes, realizado no dia 27 de maio de 1972. Com a fama de tetracampeão pernambucano, o Santa Cruz viajou até Fortaleza para enfrentar o Tubarão da Barra. Perdeu a peleja por 3×2, no PV, com Amilton Melo, Zé Maria Paiva e Luizinho, o Peito de Aço, marcando para o Ferrão. Betinho e Luciano marcaram para a cobra coral de Recife. O potiguar Nacor Arouche apitou o jogo. Repare na sólida escala cearense do treinador Alexandre Nepomuceno: Jurandir, Daniel, Valdez, Gomes e Carlos Alberto; Simplício e Luciano Amorim; Luizinho, Amilton Melo, Jorge Mendes (Oliveira) e Zé Maria Paiva. O Santa Cruz perdeu com uma formação de grandes e famosos jogadores nordestinos: Detinho, Zinho, Sapatão, Rivaldo e Cabral; Erb e Luciano; Betinho, Bita (Zito), Ramon e Zé Maria (Beto). Dessa formação, o meia Luciano era irmão do nosso ex-goleador Paulo Velozo, conhecido à época como a maravilha negra da Barra do Ceará. Luciano chegou a ser campeão paulista pelo Corinthians cinco anos depois. Betinho e Ramon brilharam com a camisa do Ferrão na década seguinte. Os dois também atuaram na função de treinador posteriormente. Luizinho veio do Sport de Belém do Pará. Zé Maria Paiva também foi preparador físico e técnico do Ferrão em várias oportunidades nos anos 1980 e 1990. Nomes históricos do Tubarão da Barra!

FERROVIÁRIO: O PATINHO FEIO DO POBRE E VELHO FUTEBOL CEARENSE

O papo hoje é sobre treta! O Canal do Nicola no YouTube disse, nacionalmente, o que muita gente em terras alencarinas já tinha certeza. Gostem ou não, o Ferroviário é tratado como “Patinho Feio” do pobre e velho futebol cearense, em seus mais de cem anos de disputas. “É mania de perseguição“, dirão os simplistas em seus argumentos, invariavelmente, simplórios. Ocorre que contra fatos não há argumentos e inúmeros acontecimentos, por vezes deixados de lado, enfileiram uma alta dosagem de artimanhas e histórias mal contadas através do tempo. No mais recente episódio, o Ferrão acabou punido e perdeu o direito de mando de campo em sua própria cidade, simplesmente porque o Castelão, estádio público onde o Ferrão manda jogos desde 1974, está reservado apenas para jogos da dupla Ceará e Fortaleza. Tudo isso em plena disputa de um campeonato brasileiro de futebol, quando todas as instituições envolvidas, inclusive o Governo, deveriam trabalhar a favor da garantia dos interesses corais, como legítimo representante do Estado na competição. Assim, o importante choque de líderes contra o Santa Cruz/PE será no Domingão, no município de Horizonte. Entre omissões, mentiras e atos sórdidos verificados longe da grande mídia, mas relatados à boca miúda nas últimas semanas, o vídeo acima do jornalista Jorge Nicola dá o tom da mais nova treta em que o Ferrão acabou metido gratuitamente.

Chicão: testemunha ocular da história

É fácil recordar inúmeros absurdos afins ocorridos no passado, até porque alguns são impossíveis de esquecer, como o fato – até pitoresco – de um time inteiro ser preso na final do campeonato cearense de 1947, depois de estar sendo vergonhosamente roubado pela arbitragem. Talvez, o cúmulo dos cúmulos. Zé Limeira, eterno torcedor-símbolo do Ferrão, morreu contando detalhes de várias finais de campeonato em que o time coral acabou prejudicado contra Ceará e Fortaleza, terminando como vice-campeão. Estelita Aguirre, outro ferrenho torcedor já falecido, foi para o céu bradando nas arquibancadas, e no rádio, que a sigla da Federação Cearense de Futebol, conhecida como FCF, na verdade, deveria significar “Federação do Ceará e do Fortaleza“. Lembram? O saudoso Chicão, supervisor coral por quase três décadas, morreu relatando histórias dos bastidores que tramaram contra o tricampeonato estadual coral em 1996. “Se o Ferroviário for Tri, o futebol cearense se acaba“, dizia ter ouvido tal pérola nos corredores da FCF, saído da boca de um dirigente do alto escalão da mentora. Histórias e depoimentos que ficam para trás, caem no esquecimento ou simplesmente viram lendas urbanas do futebol alencarino.

Luizinho e o gol anulado

É muito comum pessoas nas arquibancadas com suas histórias e tretas testemunhadas. Mais de trinta anos depois, até hoje se fala do gol mal anulado de Luizinho das Arábias contra o Fortaleza, que garantiu o adversário no triangular final do campeonato de 1985. O melhor entre os três, o Ferrão, com um verdadeiro timaço, foi o prejudicado. O presidente Caetano Bayma está vivo até hoje pra contar, com riqueza de detalhes, essa história, num dos campeonatos mais escandalosamente surrupiados em todos os tempos. Já repararam que torcedores de Ceará e Fortaleza dificilmente recordam ou relatam terem perdido uma final de campeonato cearense por causa de um erro de arbitragem? Falam pontualmente de um jogo ou outro, principalmente em partidas de campeonato brasileiro, quando são tratados como “time pequeno”, mas quase nunca falam de uma final de Estadual. É fácil ser torcedor do Ceará e do Fortaleza em âmbito local quando reina a hipocrisia. Todos os esforços convergem em favor dos dois. Alguém duvida? Quando disputam uma final entre si, a primeira providência é anunciar logo um árbitro de outra região, fato quase nunca providenciado quando o adversário da final é o Ferroviário ou outra equipe qualquer. A história está aí para provar. Referidas práticas e acontecimentos fazem parte do futebol cearense e, o pior, nos acostumamos com isso.

Panfleto da torcida coral em 2006

E o que dizer do episódio quase esquecido de 1973, quando o futebol cearense ganhou definitivamente uma segunda vaga para o campeonato brasileiro, dominado pelos interesses da ditadura militar? Quem foi o indicado pela Federação? Apesar da retrospectiva coral em campo ser superior por conta do título estadual em 1970 e das campanhas de 1971 e 1972, e não obstante o Ferroviário ter ficado com a segunda vaga provisória criada na primeira edição da disputa nacional, em 1971, depois de vencer uma seletiva local, o agraciado político com a vaga definitiva, em 1973, foi o Fortaleza, para ira dos dirigentes corais da RFFSA que só faltaram esmurrar o presidente da Federação na ocasião. O lendário Ruy do Ceará está aí para contar e os arquivos dos jornais não o deixam mentir na hora de recordar os fatos. Decisões e favorecimentos que mudam o curso da história e engradecem ou enfraquecem seus atores diretamente envolvidos. O que falar da Copa João Havelange, em 2000, que catapultou gratuitamente o Fortaleza dos vexatórios caminhos da Série C para uma nova e charmosa segunda divisão, reunindo vários times que estavam na Série B? Acesso bom é o acesso fácil. E o episódio da Copa São Paulo de Futebol Júnior em 2006? Mesmo como campeão da categoria Sub-20, o Ferrão foi alijado da vaga prevista em regulamento após uma série de “mal-entendidos” envolvendo a FCF, a Secretaria Estadual da Juventude e, claro, o beneficiado Fortaleza, que viajou pra capital paulista como representante do futebol cearense. Nariz de palhaço foi pouco. Mais recentemente, em 2008, o quase nunca lembrado Caso Piva, que evitaria o “rebaixamento” do Ferrão para a Série D do Brasileiro, devidamente arquivado e sepultado. Em 2016, o episódio nefasto de um campeonato cheio de WO´s, a maioria a favor da mesma equipe. Como esses fatos, existem dezenas de outros. O problema é que as pessoas se acostumaram a esquecer.

Clóvis Dias: bicampeão e deposto

Quando o Ferroviário engrossou o pescoço na metade dos anos 1990, articulando inclusive a criação da Copa do Nordeste, negociando jogadores para times importantes do país, fazendo caixa e disputando, pau a pau, os títulos estaduais com os preferidos da audiência, deixando muitas vezes o próprio Fortaleza comendo poeira em situações pra lá de vexaminosas, partiu de dentro da cúpula maior do futebol cearense, um movimento para derrubar politicamente a presidência coral, que preparava e idealizava o clube para as mudanças que a Lei Pelé, posteriormente, acabou exigindo de todos. Até hoje, o Ferroviário paga muito caro pela forma como o presidente quase tricampeão Clóvis Dias foi deposto. Foram mais de duas décadas perdidas a partir daquela sequência de episódios que vergonhosamente envolveu até registros policiais. Ninguém pode afirmar o que seria do futuro do clube se aquele trabalho tivesse tido continuidade, mas todo mundo sabe bem o que aconteceu depois daquela sequência de fatos tramada entre o alto escalão do futebol cearense e pessoas ligadas aos intestinos corais.

Presidente Vargas em missão de salvar vidas

Na prática, todo mundo diz que gosta do Ferrão. É muito fácil dizer. É o texto preferido dos políticos e dos politiqueiros. Não se trata de pessoas em particular, muito menos de instituições, sejam elas públicas ou privadas, mas quando alguém cala diante do extravio do lícito direito do clube em mandar seus jogos  no Castelão – e a omissão é um pecado que jamais merece ser esquecido -, pactua-se sordidamente com o ´mainstream` que alicerça e faz com que as coisas sejam como sempre foram, mantendo aquele velho modelo viciado, onde todos os interesses convergem para apenas dois clubes, que se retroalimentam, inclusive financeiramente, a partir de uma respeitável rivalidade, mas que estão pouco se lixando para a realidade de que a festa recebe outros convidados e estes têm também o direito de compartilhar o mesmo espaço, principalmente quando este é público e foi construído, também, com dinheiro do contribuinte coral. Com a ausência do PV, outra casa querida e histórica, reservado para a nobre missão de salvar vidas na pandemia de Covid-19, as instituições e as pessoas que fazem o futebol cearense jamais poderiam ter dado as costas para o Ferroviário e agir como, infelizmente, procederam, sobretudo diante do simples fato do clube precisar usar o  Castelão por – apenas e meros – 180 minutos mensais. É muito? Tamanha mesquinhez deveria encher de vergonha os responsáveis, inclusive no âmbito político do Estado, pois a omissão é a pior forma de covardia. Chega a ser engraçado saber que a referida treta ficará nos arquivos e na memória apenas como mais um item perdido na galeria de relatos afins que se avolumaram com o tempo. Mais um pra conta, pode registrar. E como tantos outros, jamais será esquecido.

LIVE NA ÍNTEGRA DIRETAMENTE DO INSTAGRAM COM MAZINHO LOYOLA

Você confere acima mais uma Live do Almanaque do Ferrão realizada no Instagram, dessa vez com o ex-jogador e eterno ídolo coral Mazinho Loyola, revelação da Barra do Ceará e campeão cearense com a camisa do Ferroviário na temporada de 1988. Foi mais um bate-papo recheado de emoção, quando o craque coral compartilhou suas lembranças no futebol e expressou bastante um belo sentimento de gratidão em torno das pessoas que cruzaram com ele em sua trajetória no futebol, seja no próprio Ferroviário, mas também em suas passagens vitoriosas no Santa Cruz/PE, São Paulo/SP e Internacional/RS. Tivemos mais uma bela resenha para a posteridade da memória coral com aquele que foi uma das maiores revelações surgidas no celeiro de craques da Barra do Ceará. Não deixe de conferir a Live com Mazinho Loyola.

FORMAÇÃO RARA COM DOIS LATERAIS ESQUERDOS E FACÓ NO ANO DE 1968

Ferroviário Atlético Clube em fevereiro de 1968 – Em pé: Jurandir, Douglas, Gomes, Roberto Barra Limpa, Coca Cola e Barbosa; Agachados: Lucinho, João Carlos, Facó, Edmar e Paraíba

Mais um retrato histórico pouco comum do Ferrão. Foto tirada no dia 10 de fevereiro de 1968, no Estádio Elzir Cabral, antes de um amistoso preparatório contra o time amador da Tuna Luso de Fortaleza. O árbitro do jogo foi Daniel Barbosa, figura simpática que até hoje circula nos estádios cearenses em dias de futebol como membro de quadros móveis. Onde está a raridade da imagem? Ela mostra o time escalado com dois laterais esquerdos: Roberto Barra Limpa e Barbosa. Nesse jogo, Roberto atuou improvisado na lateral direita. O goleador Facó com a camisa do Ferrão em 1968 também é coisa rara, pois alguns dias depois ele foi marcar seus gols no Santa Cruz/PE, onde brilhou por duas temporadas. Na partida em questão, o time coral fez 7×1 no adversário, já esboçando praticamente a base da equipe que conquistou brilhantemente, cinco meses depois, o título estadual invicto daquela temporada. Até hoje no futebol cearense, nenhuma outra equipe repetiu tal feito. O goleiro Douglas Albuquerque virou depois dono de uma construtora e no bicampeonato estadual 1994/1995 foi uma figura importantíssima na função de diretor de futebol. Facó foi prefeito da cidade de Beberibe algumas vezes e sempre se destacou como grande desportista. Roberto Barra Limpa foi assassinado. Alguns dessa imagem já foram morar no andar de cima. Detalhe também para a bela camisa coral, utilizada com frequência no final da década de 1960 e início dos anos 1970.

FERROVIÁRIO NUNCA PERDEU PARA O SANTA CRUZ DENTRO DO ARRUDA

Foto publicada pelo Diário de Pernambuco exaltando a vitória do Ferroviário dentro do Arruda

A sexta-feira passada foi gloriosa para o Ferroviário. O time coral bateu o Santa Cruz/PE por 2×0 dentro do Estádio do Arruda e começou a reforçar um belo retrospecto a seu favor: o de nunca perder para o tricolor pernambucano em seu próprio estádio. É bem verdade que este foi apenas o segundo jogo entre ambos no Arruda, que valeu pela Série C do campeonato brasileiro. O primeiro aconteceu no já distante ano de 1986, quando ambos se enfrentaram em partida amistosa, realizada para a entrega de faixas ao campeão pernambucano daquela temporada. Na ocasião, treinado por William Pontes, o Ferrão empatou em 1×1 com o futebol de Serginho, Neto, Arimatéia, Léo e Luis Carlos; Nilo, Edson e Carlos Antônio; Cardosinho, Flávio e Edinho. O Santa Cruz, do técnico Moisés Matias, jogou com Birigui, Zito (Orlando), Lula, Jorge e Lotti; Zé do Carmo, Clóvis (Zé Alberto) e Evaristo (Indio); Marlon, Washington (Zé Henrique) e Jacozinho. Os gols foram de Flávio para o Ferrão e Zé do Carmo para o time pernambucano. No tento do Tubarão da Barra, o estreante Flávio, ex- Tiradentes/CE, driblou o goleiro Birigui e fez um belo gol diante de um ótimo público. Sexta passada, perante mais de 25 mil pessoas, foi a vez de Isaac e Mazinho calarem o Arruda em nome da torcida do Ferrão. Sem dúvida, uma vitória que será lembrada por muito tempo e que já entrou para a história. Vale registrar o vídeo abaixo.

MAIOR ARTILHEIRO EM ESTADUAIS ENTRA NA COLEÇÃO LEGENDÁRIOS

Arte promocional do quinto exemplar da série Legendários com o ex-centroavante Paulo César

O ex-atacante Paulo César, campeão cearense pelo Ferroviário em 1979, estampa o quinto exemplar da série ´Legendários` de copos colecionáveis do clube, que são disponibilizados nos estádios por ocasião dos jogos do Tubarão da Barra pela Série C desse ano em Fortaleza. O pernambucano é até hoje o jogador que mais gols marcou  pelo Ferrão numa mesma edição de campeonato estadual. Foram 29 tentos assinalados no certame de 1979, sendo dois deles no jogo decisivo contra o Fortaleza, cujo vídeo raríssimo foi publicado aqui no blog no início desse ano. Paulo César já foi tema de algumas matérias do Almanaque do Ferrão, seja pelo motivo da descoberta de outro vídeo raro com gols que marcou logo no primeiro ano de sua passagem pelo Ferrão, em 1978, ou pelo fato dramático de sua própria família não ter notícias do ex-atleta coral por cerca de trinta anos. Na ocasião, graças ao blog, seus familiares e Paulo César, que fixou residência no Equador desde os anos 1980, mantiveram um contato emocionante pela Internet depois de longos anos. Entre 1978 e 1981, foram 137 partidas e 88 gols com a camisa coral. Quando estava no Ferrão, Paulo César foi negociado com o Santa Cruz/PE por cifras astronômicas para o padrão do futebol cearense na época. Passou pouco tempo em Recife e depois voltou ao Tubarão da Barra. No ano que se despediu definitivamente do Ferrão, foi atuar no Equador pela Liga de Quito (LDU), onde foi vice-campeão nacional, marcou 25 gols e levou sua equipe à Copa Libertadores. Depois, foi contratado pelo famoso Barcelona de Guayaquil, onde se tornou astro nas três temporadas seguintes, uma verdadeira lenda na história da equipe, marcando 6 gols em jogos da Libertadores e 55 gols no campeonato nacional de 1982 a 1984. Paulo César é mais um Legendário coral.

LÉO JAIME VOLTA A MARCAR UM GOL PELO FERRÃO DEPOIS DE 10 ANOS

Em sua reestreia com a camisa do Ferroviário, o atacante Léo Jaime voltou a marcar um gol com a camisa coral depois de dez anos. Foi o segundo gol da grande vitória coral por 3×0 em cima do Santa Cruz/PE no domingo passado. A última vez que ele havia balançado as redes adversárias, defendendo o Tubarão da Barra, foi no dia 28 de março de 2009. Na ocasião, o Ferrão derrotou o Icasa por 2×0 no estádio Elzir Cabral em jogo válido pelo 2º turno do campeonato cearense. Léo Jaime anotou o segundo gol da partida depois que o atacante Wescley abriu o placar em jogada do próprio Léo Jaime pela esquerda. Depois, Léo Jaime comemorou o gol nos braços da mascote Tutuba, que também reestreou contra o Santa Cruz no Castelão. Acima, o vídeo do gol da reestreia. Abaixo, o que era até domingo o último gol do baixinho coral no Ferrão, que na última década ganhou o mundo e vestiu as camisas do Bragantino/SP, São Caetano/SP e Caxias/RS, além do Daegu FC da Coreia do Sul.

RETROSPECTIVA DE TODOS OS JOGOS DO FERRÃO CONTRA O SANTA CRUZ

Matéria do Correio do Ceará logo após a vitória coral em cima do Santa Cruz de Recife em 1968

Até a Série C de 2019, Ferrão e Santa Cruz/PE se enfrentaram dez vezes, a maioria dos jogos concentrados entre as décadas de 1940 e 1960. O time pernambucano costumava passar em Fortaleza durante suas excursões. No ano de 1968, o Santa Cruz se deu bem contra Ceará e Fortaleza, mas caiu no terceiro jogo para uma  onzena coral que comemorara o título estadual invicto um mês antes, o que acabou sendo considerado pela imprensa esportiva como uma vingança do futebol cearense. O último confronto ocorreu na já longínqua temporada de 1986 em amistoso preparatório para o campeonato brasileiro que envolveu as duas equipes no estádio do Arruda em Recife. Por ocasião desse último embate, devido ao fato de ser meramente uma partida amistosa e, ainda por cima, realizada num sábado à noite, apenas a Rádio Verdes Mares de Fortaleza transmitiu a única partida do Ferroviário contra o Santa Cruz em Pernambuco. Vamos à lista de jogos abaixo, mas antes atente para duas importantes curiosidades: o Brasileiro da Série C de 2019 trará os primeiros jogos oficiais entre os dois times na história e, pela primeira vez, eles jogarão no Castelão.

Jogo 01 – 21/08/1941 – Ferroviário 5×1 Santa Cruz/PE – Estádio do Prado – Amistoso
Jogo 02 – 25/01/1942 – Ferroviário 2×2 Santa Cruz/PE – PV – Amistoso
Jogo 03 – 08/02/1942 – Ferroviário 2×1 Santa Cruz/PE – PV – Amistoso
Jogo 04 – 19/03/1947 – Ferroviário 2×4 Santa Cruz/PE – PV – Amistoso
Jogo 05 – 03/01/1959 – Ferroviário 0x2 Santa Cruz/PE – PV – Amistoso
Jogo 06 – 12/12/1959 – Ferroviário 1×2 Santa Cruz/PE – PV – Amistoso
Jogo 07 – 18/08/1968 – Ferroviário 2×1 Santa Cruz/PE – PV – Amistoso
Jogo 08 – 27/05/1972 – Ferroviário 3×2 Santa Cruz/PE – PV – Amistoso
Jogo 09 – 14/07/1974 – Ferroviário 2×1 Santa Cruz/PE – PV – Taça Breno Vitoriano
Jogo 10 – 23/08/1986 – Santa Cruz/PE 1×1 Ferroviário – Arruda – Amistoso

EX-GOLEIRO É HOMENAGEADO EM LANÇAMENTO DE PRODUTO OFICIAL

Ex-goleiro Marcelino é o número 1 na linha de copos colecionáveis lançada pelo marketing coral

Aos poucos, a nova direção de marketing do Ferroviário vai marcando seus gols. Depois do lançamento de um novo programa de sócios e de uma ação em rede social que captou recursos para a contratação do atacante Léo Jaime, chegou a vez do lançamento de copos colecionáveis homenageando grandes expoentes que fizeram parte do passado do clube. E o primeiro homenageado é o ex-goleiro Marcelino, que já  foi merecedor de algumas postagens aqui no blog alusivas a seu recorde particular de 1.295 minutos sem sofrer gols no arco coral na temporada de 1973. O objetivo da série  de copos “Legendários” é rememorar feitos únicos e exclusivos de cada atleta homenageado, que não tenha acontecido com nenhum outro dos mais de 2.000 jogadores que passaram pelo clube em 86 anos de glórias. Os copos serão comercializados em quantidade limitada exclusivamente na entrada dos torcedores  no estádio durante os jogos do Ferrão na Série C do campeonato brasileiro. A venda do primeiro copo ocorre no próximo domingo no jogo Ferroviário x Santa Cruz/PE. Algo  definitivamente inédito na vida do clube, que recentemente abriu sua primeira loja.

Registro do goleiro Marcelino voando para fotografia no campo do Ferroviário na década de 1970

O site oficial do Ferroviário apresentou uma matéria sobre o feito do ex-goleiro Marcelino, justificando a sua condição de Legendário. A série sem sofrer gols do arqueiro coral em 1973 começou em 18 de fevereiro daquele ano, quando o Ferrão venceu o Quixadá por 4×0 no PV e Marcelino passou seus primeiros 90 minutos sem sofrer gols. Com a promessa da direção coral em dar-lhe de presente um carro zero quilômetro em caso de quebra do recorde nacional, Marcelino viu seu sonho frustrado no dia 10 de junho daquele ano quando o atacante Ibsen marcou um gol com a camisa do Maguari e, em seguida, pediu-lhe desculpas por estragar o sonho do goleiro coral. No futebol brasileiro, trata-se da quarta melhor marca até hoje. O fato mereceu destaque inclusive na revista Placar na edição de 15/6/1973. O primeiro lugar pertence a Mazaroppi, do Vasco/RJ, com seus 1.816 minutos em 1977. Jorge Reis e Neneca, ambos já falecidos, estão também à frente da marca histórica de Marcelino. No futebol cearense, o ex-goleiro do Ferrão merecia uma estátua pelo feito. Abaixo, o Almanaque do Ferrão recorda todos os jogos que marcaram a incrível sequência de minutos do ex-goleiro Marcelino sem sofrer gols, algo nunca mais visto no futebol cearense e raramente visto no futebol mundial hoje em dia, o que torna ainda mais o recorde de Marcelinho simplesmente legendário sob todos os aspectos. Merecida homenagem!

Jogo 01 – 18/02/1973 – Ferroviário 4×0 Quixadá – PV – Campeonato Cearense
Jogo 02 – 25/02/1973 – Ferroviário 2×0 Calouros – PV – Campeonato Cearense
Jogo 03 – 11/03/1973 – Guarany 0x2 Ferroviário – Junco – Campeonato Cearense
Jogo 04 – 25/03/1973 – Ferroviário 1×0 Fortaleza – PV – Campeonato Cearense
Jogo 05 – 28/03/1973 – Ferroviário 0x0 Icasa – PV – Campeonato Cearense
Jogo 06 – 04/04/1973 – Ferroviário 4×0 Tiradentes – PV – Campeonato Cearense
Jogo 07 – 08/04/1973 – Ferroviário 0x0 Ceará – PV – Campeonato Cearense
Jogo 08 – 15/04/1973 – Ferroviário 1×0 América – PV – Campeonato Cearense
Jogo 09 – 25/04/1973 – Ferroviário 0x0 Maguari – PV – Campeonato Cearense
Jogo 10 – 06/05/1973 – Ferroviário 2×0 Ceará – PV – Campeonato Cearense
Jogo 11 – 13/05/1973 – Ferroviário 0x0 Fortaleza – PV – Campeonato Cearense
Jogo 12 – 20/05/1973 – Icasa 0x1 Ferroviário – Romeirão – Campeonato Cearense
Jogo 13 – 27/05/1973 – Ferroviário 1×0 Guarani – PV – Campeonato Cearense
Jogo 14 – 02/06/1973 – Ferroviário 2×0 Quixadá – PV – Campeonato Cearense

Aos 35 minutos do segundo tempo, no dia 10 de Junho de 1973, Marcelino sofreu o gol de Ibsen do Maguari naquele que já era o 15º jogo da série sem sofrer gols, totalizando os históricos 1.295 minutos que foram eternizados na história do lendário Marcelino. Por fim, vale sempre a pena recordar um vídeo produzido pela então direção de comunicação do clube há seis anos passados, quando uma equipe de jovens jornalistas entrevistou e produziu uma matéria com o próprio ex-goleiro coral. Assista!

POR ONDE ANDA A MARAVILHA NEGRA DO TÍTULO CEARENSE DE 1970?

Ex-atacante do Ferroviário no título cearense de 1970 em foto recente no portão de sua casa

Ele compôs ao lado do craque Amilton Melo uma das duplas mais famosas da história do futebol cearense. Juntos, ladeados por um time cheio de excelentes jogadores, fizeram lances e jogadas que infernizaram as defesas adversárias, marcando para sempre as páginas da história coral na notadamente na brilhante conquista do campeonato cearense de 1970. Estamos falando do ex-atacante Paulo Velozo, a maravilha negra da Barra do Ceará, como muitos o chamavam. O Almanaque do Ferrão localizou o ex-jogador em Recife, onde voltou a residir há cerca de cinco anos, depois de décadas morando em Portugal e em São Paulo. Paulo Velozo mandou três áudios para o blog. Vamos deixar que inicialmente ele mesmo exponha suas memórias do tempo que passou pela Barra do Ceará, citando nomes de ex-companheiros e falando sobre o início de sua carreira no futebol. Escute o primeiro trecho abaixo.

Paulo Velozo nasceu em 30 de Julho de 1947, na cidade de Pesqueira, no interior de Pernambuco. Cria do Santa Cruz/PE, um dos adversários do Ferroviário na Série C nacional na atual temporada, certamente seu coração ficará dividido já a partir do próximo domingo, quando as duas equipes se enfrentam, em Fortaleza, pela primeira vez na competição. Quando o Ferrão for jogar em Recife, contra o Náutico/PE ou contra o próprio Santa Cruz/PE, o ex-centroavante coral espera estar presente para matar as saudades do time que soube honrar a camisa no futebol cearense. Abaixo, Paulo Velozo recorda uma passagem com o ex-companheiro Amilton Melo, a quem ele particularmente considerava ´fora de série`. Desde que deixou o clube na temporada de 1971 rumo a Portugal, Paulo Velozo nunca mais retornou à cidade de Fortaleza e nem viu pessoalmente o Ferroviário em campo. Confira seu depoimento na segunda parte do áudio que ele gravou especialmente para o Almanaque do Ferrão.

Hoje em dia, Paulo Velozo é aposentado por tempo de contribuição. Ele trabalhou durante 23 anos no Esporte Clube Pinheiros, na capital paulista, depois que parou de jogar futebol em meados dos anos 1980. No Pinheiros, apesar do seu interesse inicial de trabalhar com o futebol, foi alocado no departamento de serviços gerais, onde chegou a posição de chefe do setor com o passar dos anos. Em termos particulares, o ex-atacante coral tem uma prole invejável. São três filhos legítimos e cinco adotivos em sua família. Atualmente divorciado, ele mora com um filho de 11 anos de idade na casa que pertenceu a seus pais. Evangélico, Paulo Velozo frequenta a Igreja Verbo no bairro do Ipsep em Recife. No último trecho do áudio gravado por ele, Paulo recorda nomes importantes da famosa onzena do Ferroviário que fez fama em sua época.

Após gravar suas três mensagens em áudio, a eterna maravilha negra Paulo Velozo ainda enviou uma outra mensagem de texto, pedindo para a matéria não deixar de enaltecer dois nomes inesquecíveis para ele: José Rego Filho e Ruy do Ceará, dois dos principais dirigentes do período em que vestiu o manto coral. Pedido feito, pedido atendido. Abaixo, pra finalizar, uma fotografia tirada na época com um quarteto coral que deixou lembranças eternas na história do Ferroviário Atlético Clube.

Diretamente do álbum de fotografias e memória de Paulo Velozo: Amilton Melo, ele, Mano e Alisio