MARCELO VEIGA E A MISSÃO DE FAZER O FUTURO REENCONTRAR O PASSADO

Além de excelente futebol, o lateral Marcelo Veiga conquistou a torcida pela sua raça e carisma

Quando o técnico Pepe deu o aval para a contratação de Marcelo Veiga para o Santos/SP no início de 1990, o Ferroviário se ressentiu de um jogador vibrante, carismático, capitão da equipe e inteiramente identificado com a torcida coral. Dono de um futebol moderno para os padrões da época no futebol cearense, foram 79 jogos e 13 gols pelo Ferrão entre janeiro de 1988 e dezembro de 1989. O gol do título estadual em sua primeira temporada veio de seu pé direito. Apesar de destro, Marcelo Veiga jogava na lateral esquerda. A vida seguiu para o Ferroviário e a década de 1990 proporcionou momentos gloriosos para o Tubarão da Barra. A mesma trajetória de sucesso ocorreu com o ex-lateral esquerdo coral, que figurou como titular do Santos/SP por quase três temporadas, vestindo depois ainda as camisas do Internacional/RS, Portuguesa/SP, Goiás/GO, Bahia/BA, Atlético/GO e até – algo que pouca gente lembra – do Fortaleza, já no ocaso de sua carreira. Mesmo longe da Barra do Ceará, Marcelo Veiga nunca esqueceu seu momento glorioso no Ferroviário e manteve contatos sempre que possível com amigos que ficaram, entre eles o saudoso supervisor Chicão. Há cerca de vinte anos quando pendurou as chuteiras, Marcelo Veiga assumiu a condição de técnico e passou a dirigir clubes no interior de São Paulo. A Matonense/SP era um dos seus trabalhos mais sólidos no início da nova carreira, quando foi lembrado, em 2004, para voltar ao Ferroviário na função de treinador.

Em 2004, como técnico, em entrevista para o atual diretor de marketing Chateaubriand Filho

No final de maio daquele ano, depois do quase rebaixamento no campeonato cearense, Marcelo Veiga chegou e começou a preparar um novo time para as disputas da Série C do campeonato brasileiro. Virou técnico de Mazinho Loyola, seu companheiro de equipe em 1988, que estava se despedindo do futebol no time que o projetou. A falta de estrutura e o pouco nível de investimento fizeram o Ferroviário patinar na competição nacional, à exemplo das temporadas seguintes, sempre flertando contra o rebaixamento estadual. Entre amistosos e jogos oficiais, Marcelo Veiga dirigiu a equipe em 15 jogos, sendo 8 vitórias, 3 empates e 4 derrotas. Saiu do Ferroviário em setembro daquele ano já com um novo projeto em mente. O Bragantino/SP, equipe também da Série C nacional, queria Marcelo Veiga como técnico para tentar resgatar a fase áurea do clube deixada para trás nos anos 1990. Em Bragança Paulista, Marcelo Veiga fez história. Comandou o Bragantino em mais de 500 jogos. Com um trabalho de três anos, Marcelo Veiga conseguiu seu primeiro triunfo expressivo como treinador: campeão brasileiro da Série C de 2007. Título e acesso!

Treinador Marcelo Veiga comandou o Bragantino em mais de 500 jogos nos últimos quinze anos

Os anos seguintes apresentaram um treinador maduro com bons resultados no campeonato paulista e, principalmente, na manutenção do Bragantino na Série B nacional por muitos anos. Em 2011, aproveitando um jogo do time paulista em Juazeiro do Norte, esteve rapidamente em Fortaleza para colocar seus pés na ´Calçada da Fama` do estádio Presidente Vargas. Entre idas e vindas, treinou também o Guarani/SP, Portuguesa/SP, São Caetano/SP, América/RN, Remo/PA, Mogi Mirim/SP e Botafogo/SP, onde foi novamente campeão brasileiro, dessa vez da Série D, conquistando mais um acesso no Brasileirão. Em 2018, levou o Bragantino/SP a mais um acesso nacional, saindo da Série C e resgatando a condição de time da Série B, tal qual havia feito em 2007. Agora, quinze anos depois de sua primeira passagem como técnico ainda em início de carreira e, trinta anos depois de ter deixado o clube na condição de ídolo eterno como jogador, Marcelo Veiga reencontra o Ferroviário numa boa condição de lutar por mais um acesso nacional, apesar da brutal queda de rendimento na equipe que disputa a Série C desse ano, fruto de escolhas arriscadas que já se apresentavam aparentemente perigosas logo quando tomadas.

Notícia no site oficial do Ferroviário comunicando oficialmente a contratação do novo treinador

Marcelo Veiga fechou com a diretoria coral, por telefone, exatamente às 22h51min do dia 25 de julho, pouco mais de uma hora depois do vexame coral contra o Sampaio Corrêa/MA, em casa, que selou a saída do técnico Leandro Campos após pífia passagem pela Barra do Ceará. Marcelo chegou hoje em Fortaleza e tem nove dias de trabalho até sua estreia contra o ABC/RN, no mesmo estádio Castelão que marcou o gol do título cearense em 1988. Antes de embarcar, conversou com Marcelo Vilar, mentor do excelente trabalho no Ferrão nos últimos tempos, quando colheu informações sobre o elenco coral. Que o Ferroviário possa representar a chance de mais um acesso nacional no seu currículo como treinador. E que Marcelo Veiga seja novamente uma espécie de benção para o Ferroviário, exatamente como foi no final dos anos 1980. Quando a bola rolar contra o ABC, apesar dos últimos resultados, muita gente estará no estádio só para testemunhar a volta de um ídolo eterno. Dúvidas e insatisfações com a queda de rendimento na Série C serão deixadas de lado e nascerá um novo espírito simbolizado pelo que Marcelo Veiga representa para história coral, a do passado e, agora, também a do futuro. Abaixo, o áudio de sua primeira entrevista concedida ontem à jornalista Denise Santiago. Algo para registrar e guardar.

MIRANDINHA ENFRENTA PROBLEMAS E RECEBE APOIO EM PROGRAMA DE TV

Cria do Ferroviário Atlético Clube, onde despontou nas bases do clube na temporada de 1977, o ex-atacante Mirandinha vive um momento delicado em sua vida pessoal, o que o levou a participar recentemente de um programa na Rede Bandeirantes de Televisão. No vídeo acima, extraído da programação de audiência nacional, ele expôs suas dificuldades e recebeu apoio profissional e financeiro de patrocinadores da emissora. Mirandinha defendeu a equipe principal do Ferrão na segunda metade da década de 1970 e também, em seu retorno, na temporada de 1996, quando assinalou seu último gol no futebol. Ao pendurar as chuteiras, assumiu a condição de treinador do Ferroviário naquele mesmo ano. Ao todo, foram 18 partidas e 13 gols com a camisa coral em jogos da equipe profissional. Como técnico, Mirandinha comandou o Ferrão à beira do campo em 26 partidas, sendo 8 vitórias, 9 empates e 9 derrotas. Infelizmente, trata-se de mais um grande nome do futebol brasileiro do passado que enfrenta dificuldades no presente. Que Mirandinha vença mais essa série de dificuldades.

RETROSPECTIVA DE TODOS OS JOGOS CONTRA O CONFIANÇA NA HISTÓRIA

Jorge Veras: gol na vitória

O adversário coral desse final de semana na Série C do Campeonato Brasileiro é o Confiança de Aracaju. Fazendo um balanço das vezes que se enfrentaram, o time coral leva um certa vantagem em cima do número de vitórias desde aquele primeiro confronto entre ambos, válido pela Série A nacional na temporada de 1984. Naquela oportunidade, o Ferrão venceu por 1×0 com um gol de Jorge Veras, assinalado no minuto final da partida. Depois, confrontos importantes e marcantes, além de inesquecíveis para a torcida coral, como o de 1997, que terminou na disputa de pênaltis, no Elzir Cabral, em pleno domingo pela manhã. Ano passado, vitória coral por 2×1 em jogo eliminatório pela Copa do Brasil, quando o time sergipano jogava pelo empate, a única vez que ambos se enfrentaram fora do campeonato brasileiro de futebol. Em retrospectiva, abaixo você confere a sequência de jogos dois dois times na história:

Jogo 01: 05/02/1984 – Ferroviário 1×0 Confiança – Castelão – Brasileiro Série A
Jogo 02: 15/02/1984 – Confiança 4×1 Ferroviário – Lourival Batista – Brasileiro Série A
Jogo 03: 12/10/1997 – Confiança 3×2 Ferroviário – Lourival Batista – Brasileiro Série C
Jogo 04: 19/10/1997 – Ferroviário 2×1 Confiança – Elzir Cabral – Brasileiro Série C
Jogo 05: 13/08/2006 – Confiança 2×2 Ferroviário – Lourival Batista – Brasileiro Série C
Jogo 06: 03/09/2006 – Ferroviário 2×1 Confiança – PV – Brasileiro Série C
Jogo 07: 07/02/2018 – Ferroviário 2×1 Confiança – PV – Copa do Brasil

GOLEIRO DO AMÉRICA/PE JOGOU MUITO NA LATERAL DO FERROVIÁRIO

América de Pernambuco na temporada de 1989 – Em pé: Roberto Potiguar, Pereira, Luciano, Gilney, Nasa e Nado; Agachados: Alfredo Santos, Helinho, Da Silva, Marcelo e Almir

A foto acima é de 1989. Ela é no mínimo curiosa. Trata-se do tradicional América de Recife, equipe que atualmente disputa a Série D do campeonato brasileiro. No último ano da década de 1980, a equipe pernambucana era patrocinada pela marca Tintas Coral, o mesmo patrocínio que o Ferrão chegou a estampar em seu uniforme no mesmo período. Porém, há uma outra coincidência um tanto quanto estranha. Repare no goleiro da foto. Trata-se de Nasa, que atuou com brilhantismo no Tubarão da Barra como volante e lateral direito. Foram 76 jogos entre 1993 e 1995 com a camisa coral, depois que chegou para o Ferrão oriundo do Guarani de Juazeiro. Dá pra ver que, como goleiro, Nasa tinha baixa estatura. Escolheu certo não arriscar mais na posição. Na memória, Nasa está no Time dos Sonhos, eternamente lembrado pela torcida coral.

RETROSPECTIVA HISTÓRICA DE TODOS OS JOGOS COM O SAMPAIO CORRÊA

Giordano campeão no Sampaio Corrêa em 1984

Quando se enfrentarem nesse domingo, dia 26, no estádio Castelão, em São Luis, Ferroviário e Sampaio Corrêa estarão realizando a 12ª partida na história. Os confrontos entre ambos começaram a partir de 1947 e foram disputados em caráter amistoso ou por competições não oficiais por trinta anos. Somente dez anos depois, em 1987, as duas equipes se enfrentaram em dois jogos pela Série B do campeonato brasileiro. Mais dez anos à frente, outros dois jogos, dessa vez em caráter eliminatório para definir os semifinalistas da Série C do campeonato nacional de 1997, um deles disputado inclusive no PV, num domingo ensolarado pela manhã. Ao todo são seis vitórias do Ferrão, um empate e quatro vitórias do time maranhense em retrospectiva. Vale lembrar que o Sampaio Corrêa já mandou vários jogadores para o Ferroviário, entre eles um pacote de cinco reforços na temporada de 1966. O oposto também é verdadeiro. Marcelino, lendário goleiro coral na década de 1970, atuou no Sampaio Corrêa, assim como o ex-goleiro Giordano exatamente na década seguinte. Abaixo, todos os jogos entre os dois preliantes da próxima rodada.

Jogo 01: 05/06/1947 – Ferroviário 2×1 Sampaio – PV – Amistoso
Jogo 02: 09/02/1962 – Ferroviário 0x0 Sampaio – PV – Torneio Moisés Pimentel
Jogo 03: 21/01/1966 – Ferroviário 2×1 Sampaio – PV – Triangular do Ferroviário
Jogo 04: 01/12/1970 – Sampaio 0x1 Ferroviário – Nhozinho Santos – Taça J. Ribamar
Jogo 05: 02/08/1974 – Sampaio 0x2 Ferroviário – Nhozinho Santos – Amistoso
Jogo 06: 22/09/1977 – Sampaio 1×2 Ferroviário – Nhozinho Santos – Amistoso
Jogo 07: 14/10/1977 – Sampaio 1×0 Ferroviário – Nhozinho Santos – Amistoso
Jogo 08: 21/10/1987 – Ferroviário 3×1 Sampaio – PV – Brasileiro Série B
Jogo 09: 28/10/1987 – Sampaio 1×0 Ferroviário – Nhozinho Santos – Brasileiro Série B
Jogo 10: 26/10/1997 – Ferroviário 0x1 Sampaio – PV – Brasileiro Série C
Jogo 11: 01/11/1997 – Sampaio 4×0 Ferroviário – Castelão – Brasileiro Série C

FOTOGRAFIA DE 1971 REGISTROU TRÊS JOGADORES COM BREVE PASSAGEM

Ferroviário Atlético Clube em 1971 – Em pé: Esteves, Marcelino, Ivan Limeira, Hamilton Ayres, Eldo e Zé Maria Paiva; Agachados: Zezinho Fumaça, Odacir, Simplício, Amilton Melo e Alísio

A fotografia acima foi tirada no campeonato cearense de 1971 antes de um clássico contra o Ceará no PV. Nela, é possível identificar alguns atletas que tiveram curta passagem na Barra do Ceará e que só atuaram naquela temporada. Estamos falando do zagueiro Ivan Limeira, irmão do eterno e folclórico torcedor coral Zé Limeira, do atacante Zezinho Fumaça, ex-Ceará, além do atacante Odacir, que chegou com fama de goleador oriundo do Flamengo do Piauí e marcou 14 gols em 22 jogos em sua trajetória no Tubarão da Barra. A presença desses três ex-jogadores na mesma imagem, ao lado de nomes históricos como Eldo, Marcelino, Simplício e Amilton Melo, entre outros, fazem desse retrato algo simplesmente raro e digno de menção.

DOIS ÍDOLOS NA INAUGURAÇÃO DA PRIMEIRA LOJA DO FERROVIÁRIO

Um ídolo do passado e um ídolo do presente na inauguração da primeira loja do Ferroviário

Na semana passada, o Ferroviário Atlético Clube inaugurou a sua primeira loja oficial. Prestes a completar 86 anos de existência, a primeira loja do Ferrão localiza-se no Shopping Riomar Kennedy, na zona oeste da cidade de Fortaleza, uma área tradicionalmente preenchida por bairros reconhecidos como de alta densidade populacional de torcedores corais. Na ocasião, vários jogadores, torcedores, curiosos e ex-atletas identificados com o Tubarão da Barra estiveram presentes. Entre eles, os artilheiros Pacoti e Edson Cariús, um grande ídolo do passado e  outro ídolo extremamente identificado com o recente e vitorioso momento coral na Série D nacional e da Taça Fares Lopes do ano passado. Ambos colocaram seus pés no cimento que futuramente comporá uma espécie de ´calçada da fama` coral.