DIA DE REGISTRAR UM ERRO HISTÓRICO DA REVISTA PLACAR

A foto do Ferroviário foi publicada pela Revista Placar com o nome dos jogadores do Fortaleza

Quem acompanhou o futebol brasileiro nos anos 70 e 80 certamente dependia muito das informações veiculadas pela Revista Placar. Numa época em que a Internet comercial não existia, a chegada da famosa revista nas bancas de revista em Fortaleza, toda quarta-feira, era um bálsamo para os apaixonados pelo esporte. A revista mantinha correspondentes em todas as capitais brasileiras e os campeonatos estaduais tinham o merecido destaque nas páginas semanais da publicação. Numa das edições do ano de 1975, a Placar publicou por engano uma fotografia do Ferroviário, só que com o nome e a escalação dos jogadores do Fortaleza Esporte Clube. Uma gafe histórica, sem dúvida nenhuma. A referida foto já apareceu aqui no blog numa postagem de 2015, na mesma época em que esteve exposta numa exposição do futebol cearense no Shopping RioMar. Muita gente viu, porém poucos notaram os ajustes em Photoshop, feitos por sabe Deus quem, para eliminar os dados do Fortaleza na histórica imagem. Eis que a publicação original da revista é enviada para o blog pelo internauta João Ricardo Oliveira e obviamente essa raridade merece uma nova postagem. Eis o dia em que vários brasileiros desavisados acompanharam a escalação do Fortaleza com uma imagem dos jogadores do Ferroviário Atlético Clube.

TREINADOR CORAL NO ESTADUAL DE 1970 FALECEU ONTEM EM FORTALEZA

Alexandre Nepomuceno faleceu em Fortaleza

Morreu ontem o ex-treinador coral Alexandre Nepomuceno. Natural da cidade de Aracati, ele tinha 82 anos de idade e foi enterrado em Fortaleza no dia de hoje. Profundamente identificado com o Ceará, clube em que atuou como jogador durante toda a carreira, Alexandre recebeu várias homenagens do futebol cearense como um todo. Como não poderia deixar de ser, o Almanaque do Ferrão presta uma justa lembrança aquele que foi o comandante técnico no inesquecível título estadual de 1970. Ex-técnico do Calouros do Ar, Alexandre Nepomuceno chegou para comandar o time coral em maio de 1970, durante o 2º turno do campeonato cearense. Levou o Ferrão ao título estadual em outubro daquela temporada. Permaneceu até maio do ano seguinte e retornou para a Barra do Ceará no campeonato cearense de 1972 numa passagem que durou aproximadamente dois meses. Ao todo foram 65 partidas como treinador do Ferroviário, sendo 35 vitórias, 20 empates e apenas 10 derrotas. Descanse em paz.

PRESENTE ESPECIAL DE ANIVERSÁRIO: VIDA E OBRA DE VALDEMAR CARACAS

Hoje é aniversário do Ferroviário Atlético Clube. São 84 anos desde sua fundação por parte dos operários da antiga Rede de Viação Cearense, a famosa RVC. O Almanaque do Ferrão presenteia a torcida coral com um documentário inédito sobre o fundador do clube, o inesquecível Valdemar Caracas, falecido em 2013. O material de 29 minutos foi produzido um ano após a sua morte pela jornalista Dayanne Feitosa e agora chega à Internet através do nosso blog. Caracas e Ferroviário, duas lindas histórias que se confundem com a história do próprio estado do Ceará. O documentário intitulado “Nos trilhos da história: vida e obra de Valdemar Cabral Caracas” conta com o depoimento de nomes como o amigo Antônio Carlos, o ex-cronista esportivo Cid Carvalho, o ex-presidente José Rego Filho e também deste blogueiro. Assista abaixo e feliz aniversário!

QUE VENHAM A COPA DO NORDESTE, A COPA DO BRASIL E O BRASILEIRO

Garantia de competições importantes em 2018

Aparentemente a temporada de 2017 acabou em pleno mês de maio para o Ferroviário. Exatamente como no ano passado. E como em vários outros anos também. A participação coral na Taça Fares Lopes desse ano é incerta e até desnecessária sob a ótica da busca por resultados esportivos que valham realmente a pena. A diferença é que antes o torcedor olhava pro futuro e não via perspectivas de um calendário diferente no ano seguinte. Agora, sabemos que além do campeonato cearense da 1ª divisão, em 2018, teremos Copa do Brasil, Série D do campeonato brasileiro e até a Copa do Nordeste, que o Ferrão não disputa desde 1999. É bom não esquecer que o Ferrão foi um dos articulares para o surgimento desta competição nos anos 90. Depois, em meio à perda de prestígio político e enfraquecimento esportivo ano após ano, nunca mais dela participou, nem quando eram distribuídos convites para as principais equipes da região.

Jogadores atuaram de forma heroica em 2017

O que mudou? É importante saber exatamente como tudo isso foi conquistado, principalmente quando não se pode afirmar que tudo isso foi fruto de um planejamento construído em bases sólidas. Não foi. Sabe-se que o Ferroviário sequer sabia que disputaria a 1ª divisão cearense em 2017. Cerca de 3 semanas antes do início dos jogos, entre os feriados do fim de ano, surgiu a boa nova e começou a correria para colocar um time em campo. A exiguidade de tempo nos deu um time que mais empatava do que ganhava, que marcava poucos gols, que a articulação ofensiva do meio campo era quase inexistente em vários jogos, etc. Tudo compreensível. Certamente foi a garra e a disposição dos jogadores dentro de campo, unidos de forma familiar até fora dele, além de uma arregimentação heroica de dirigentes e conselheiros que também fizeram a diferença. Nada como a união nos bastidores corais. Sabemos muito bem o que pode acontecer de catastrófico quando ela não existe. O fato é que o Ferroviário agora pode ter um futuro promissor se souber realmente conceber o tão sonhado planejamento construído em bases sólidas, desde a formatação do elenco, da manutenção dos principais jogadores da atual temporada, do uso correto e honesto dos recursos financeiros garantidos para o ano que vem, entre várias outras coisas. O futuro a Deus pertence. Mas como dizia o antigo slogan do primeiro projeto Sócio Torcedor do Ferrão há quase dez anos, o futuro não é mais como costumava ser. Agora parece que sim.

CEARÁ X FERROVIÁRIO É NA PRÁTICA O GRANDE CLÁSSICO DOS CLÁSSICOS

1939: Ceará x Ferroviário no Campo do Prado

A novidade surgiu num simples debate de rede social. Intitulado há menos de duas décadas de ´Clássico da Paz`, o confronto histórico entre Ceará x Ferroviário pode e deve mudar de nomenclatura. Por que não chamá-lo de ´Clássico dos Clássicos´? Na prática, o raciocínio é simples: o confronto entre ambos, justamente os dois finalistas do campeonato cearense de 2017, completará 80 anos daqui a dois anos. Na época, no final da década de 30, eram Ceará e Ferroviário os times que levavam o maior público aos estádios cearenses, razão pela qual até o início da década de 70 o confronto entre ambos era adequadamente intitulado de ´Clássico das Multidões`. Até o final da década de 60, o famoso ´Clássico Rei`, confronto lendário entre Ceará e Fortaleza, ficava atrás em prestígio quando comparado ao ´Clássico das Multidões`, fato este somente suplantado em termos de importância a partir dos anos 70 com o crescimento vertiginoso do Fortaleza em termos de torcida e uma perigosa lentidão do Ferroviário na renovação de seu público, fruto de períodos sem títulos, aliás um dos principais traços dos times de origem ferroviária. Muitos já fecharam as portas, mas o Ferrão provou ser imortal.

1975: Ceará x Ferrão no Castelão em construção

No início da atual temporada, havia quem falasse que Ceará x Ferroviário não era mais clássico, um grande absurdo e ignorância histórica até pelo significado técnico da palavra ´clássico´, utilizado para designar aquilo que resiste ao tempo e perdura ao longo dos anos. Os dois voltam a se enfrentar numa grande final e todo processo histórico de quase 80 anos de confrontos volta inevitavelmente à baila. Grandes jogos são rememorados, eternos jogadores são lembrados, ricas épocas voltam às pautas dos jornais e programas esportivos. Isso é ou não uma prova cabal do que é um clássico? Só que o dito ´Clássico das Multidões` minguou a partir dos anos 70. Ceará e Fortaleza passaram a levar suas multidões, estes sim com suas torcidas de massa. A torcida coral sempre foi numerosa sem nunca ser de massa, sempre foi formada a partir de um público seleto, com suas características próprias e uma vocação de paixão que se passa de pai pra filho. É só olhar nas arquibancadas. Nos anos 80, enquanto Ferroviário x Fortaleza era o ´Clássico das Cores´ ou o ultrapassado `Ferro-Fort´, o clássico Ceará x Ferroviário não recebia mais nenhuma denominação elogiosa. Era apenas mais um clássico. Até que a violência chegou aos estádios e, no final da década de 90, os dois times resolveram entrar em campo com seus representantes segurando um a bandeira do outro para homenagear e simbolizar uma pretensa paz em comparação a outros jogos pelo Brasil, prato feito para que rapidamente surgisse a nomenclatura ´Clássico da Paz` para ambos.

1981: Ferroviário x Ceará no Castelão lotado

A lógica para o título `Clássico dos Clássicos´ é muito óbvia: se temos quase 80 anos de confrontos, se um dia foram Ceará e Ferroviário os preliantes que arrebatavam multidões por quase quatro décadas muito antes do ´Clássico Rei´ ter sua importância, se o confronto até já mudou de nome se adaptando a uma nova realidade e dando origem ao ensosso título de `Clássico da Paz`, algo questionável em se tratando de uma rivalidade histórica que, até os anos 90, figurava com o torcedor do Ferroviário “odiando” mais o Ceará do que o próprio Fortaleza, razão pela qual as duas torcidas protagonizaram, num passado não muito distante, confrontos e brigas até hoje lembradas, e considerando ainda que Ceará e Ferrão voltam a fazer uma final estadual depois de 19 anos, por que não aproveitar o momento de ressurreição e retomada do grande clássico para lançar uma nova denominação para ele? O título ´Clássico dos Clássicos` é mais que pertinente. Está dada a dica. Uma boa campanha publicitária com marca, slogan e ativações envolvendo os dois times é plenamente capaz de segurar a onda e emplacar a novidade, que seria de interesse estratégico até para o próprio futebol cearense como um todo. Do contrário, será apenas motivo de chacota ou acusação de devaneio. Em síntese, Ceará x Ferroviário foi, na prática, o clássico mais badalado do futebol cearense muito antes dele conhecer outros clássicos, sobreviveu ao tempo depois que o Maguari sucumbiu, continuou com grande importância depois que o Fortaleza com todos os méritos ascendeu, perdeu sua nomenclatura original que deixou de fazer sentido, ganhou outra alcunha apenas simpática de uma maneira não muito original e está ainda ai posto à prova do tempo. E já que estamos em num novo tempo, que seja chamado de ´Clássico dos Clássicos´ por motivos mais que óbvios.

UNIFORME TOTALMENTE BRANCO FOI UTILIZADO NO ESTADUAL DE 1965

Ferroviário no campeonato cearense de 1965 – Em pé: Albano, Adir, Gavillan, Toinho, Marcelo e Vicente Jabuti; Agachados: Raimundo Pipiu, Durand, Moacir, Nilton e Expedito Chibata

Repare na camisa do Ferroviário utilizada no campeonato cearense de 1965. Definitivamente é um padrão inusitado para a tradição coral, que utiliza as famosas listras horizontais nas cores vermelho e preto desde 1941. Naquele estadual de 65, a camisa era toda branca, apenas com o detalhe da gola coral e do escudo no peito esquerdo. Era época de um dos mais famosos defensores da história coral, o zagueiro Gavillan e suas 134 partidas com a camisa coral, além dos ex-jogadores do Botafogo/RJ, o volante Nilton e o meia Moacir. Tempos também do lateral Marcelo Rocha, ex-Gentilândia, que atuou poucas vezes no time principal do Ferrão e aparece na foto acima, o que a faz ainda mais rara. Depois que pendurou as chuteiras, ele atuou muito tempo como gestor do Tiradentes/CE. Em meio à grave crise técnica e financeira, o Ferroviário terminou o campeonato cearense de 1965 apenas na 5ª colocação, completando 13 anos de jejum estadual, que só viria a ser quebrado três anos depois, de forma invicta, o que colocaria o clube em outro patamar de representatividade no cenário futebolístico nacional.

EM SUA SEGUNDA PASSAGEM NO FERRÃO, MIMI MARCA NA HISTÓRIA

Veja o vídeo acima. Ele foi extraído da cobertura do Esporte Interativo para mais um Clássico das Cores emocionante em 2017. O Ferrão perdia ontem por 1×0 e arrancou o empate com um gol de Mimi aos 48 minutos do 2º tempo. O herói do jogo se emociona na entrevista após a partida. Essa é a segunda passagem de Mimi pelo Ferrão. A primeira foi na Taça Fares Lopes de 2011. De volta ao clube, seis anos depois, o atleta vem fazendo um grande campeonato, tendo crescido de rendimento exatamente nos momentos decisivos. No clássico passado, já havia sido um dos melhores em campo. Ontem, de novo. A emoção de Mimi é o símbolo de um time que não se entrega e vai em busca de uma final de campeonato para o Ferrão quase 20 anos depois. Confira abaixo os melhores momentos do jogo de ontem. Veja o gol de Mimi aos 48 minutos finais quando ninguém mais acreditava. Veja também o pênalti escandaloso em cima de Mota que não foi marcado pela arbitragem. Será que dá pra confiar na arbitragem local nessa reta final?