PRESENTE ESPECIAL DE ANIVERSÁRIO: VIDA E OBRA DE VALDEMAR CARACAS

Hoje é aniversário do Ferroviário Atlético Clube. São 84 anos desde sua fundação por parte dos operários da antiga Rede de Viação Cearense, a famosa RVC. O Almanaque do Ferrão presenteia a torcida coral com um documentário inédito sobre o fundador do clube, o inesquecível Valdemar Caracas, falecido em 2013. O material de 29 minutos foi produzido um ano após a sua morte pela jornalista Dayanne Feitosa e agora chega à Internet através do nosso blog. Caracas e Ferroviário, duas lindas histórias que se confundem com a história do próprio estado do Ceará. O documentário intitulado “Nos trilhos da história: vida e obra de Valdemar Cabral Caracas” conta com o depoimento de nomes como o amigo Antônio Carlos, o ex-cronista esportivo Cid Carvalho, o ex-presidente José Rego Filho e também deste blogueiro. Assista abaixo e feliz aniversário!

RUY DO CEARÁ COMPLETOU 80 ANOS DE IDADE NA SEMANA PASSADA

Dr. Ruy: um dos maiores do futebol cearense

Ele é certamente um dos três maiores dirigentes da história do futebol cearense. Na semana passada, Ruy do Ceará, ex-diretor de futebol do Ferroviário Atlético Clube, completou 80 anos de vida. Infelizmente, poucos veículos de comunicação renderam-lhe homenagens. Lúcido e de uma memória invejável, Dr. Ruy participou ao vivo no último domingo de um programa esportivo da Rádio Assunção de Fortaleza, apresentado pelo radialista Paulo Santiago e que antecede à transmissão do jogo de futebol principal da rodada. Como não poderia deixar de ser, Ruy do Ceará recordou os bons momentos de sua trajetória no Ferroviário como os títulos estaduais de 1968, 1970 e 1979, bem como do seu trabalho de construção do patrimônio coral até hoje existente, além de evidenciar nomes de sua geração como Elzir Cabral, José Rego Filho e Chateaubriand Arrais. Foram cerca de 40 minutos de boas narrativas sobre o cotidiano coral de sua época. Disse ainda que costuma ir aos jogos mais importantes com os filhos e citou o clássico Ferroviário x Fortaleza como o tipo de jogo que ele gosta de estar presente. Poucas horas depois, o Ferrão fez 2×0 em cima do Fortaleza para alegria do aniversariante. Dr. Ruy é um dos nomes eternos do Ferrão.

TÍTULO INESQUECÍVEL DE 1970 COMPLETA MAIS UM ANIVERSÁRIO

Notícia na capa do Jornal O Povo anunciava o título do Ferroviário de campeão cearense em 1970

Parece que foi ontem. Amilton Melo deixou o atacante Paulo Velozo na cara do gol. Edmar e Coca Cola deitaram e rolaram. Simplício mandou um jogador do Ceará para a enfermaria com uma bolada no estômago. Quem mandou ficar na barreira? A potência de seu chute, todos já conheciam. Saudades do Esteves, do Eldo, do Mano e do Alísio. Já faz 46 anos da memorável conquista do Estadual de 1970, quando, obviamente, Ceará e Fortaleza jamais poderiam pensar em ganhar um campeonato no ano do centenário de instalação do eterno e querido transporte ferroviário no estado. Quanta ousadia seria. Até o Guarany de Sobral se meteu a besta e deu no que deu. Perdeu o jogo final por 3×1 naquele 7 de outubro como hoje, gols de Alísio, duas vezes, e Amilton Melo, diante de 13.028 pagantes no PV. Era apenas o jogo 1.203 da história do Tubarão da Barra.

Lance do Ferroviário no Estadual de 1970

Hamilton Ayres e Gomes sustentavam a defesa. Luiz Paes era o reserva imediato, só para se ter uma ideia do potencial do elenco coral. Virou professor e dos bons. Até o atacante Facó, que depois virou prefeito de Beberibe, andou esperando uma chance que nunca veio na onzena principal. Azar teve o goleiro Marcelino que deixou de sair na foto do time campeão por conta da intransigência dos dirigentes da Portuguesa/RJ. Chamaram-no antes do fim para ver o Corcovado. Aloísio Linhares veio e bateu o retrato. Coitado do Fortaleza, o freguês principal. Tinha até crediário. Apanhava a prestação e sequer chegou a marcar um único gol no Ferrão no campeonato inteiro. Cliente bom é assim. América e Tiradentes conheceram a fúria do ataque coral. O Calouros do Ar quis dificultar as coisas, mas não deu nem pro começo. Adeus Quixadá. Esse foi com Deus. Nas finais da competição, o urubu alvinegro bateu asas e voou. O Cacique do Vale sonhou alto demais e levou uma paulada. Não deu pra ninguém. Quem fez a festa foi a torcida coral, que invadiu o gramado do PV numa demonstração antológica de sua força. Alguém achou a cueca do Louro? Levaram tudo. Mas um título não se vence somente com onze jogadores. Ele é conquistado com a força de seus dirigentes. Agradeçam, portanto, a José Rego Filho e Ruy do Ceará, os grandes comandantes daquela jornada. Também ao inesquecível Elzir Cabral, que mesmo morando em Recife, era a alma daquela direção. Agradeçam a todos que compunham aquela diretoria invejável, como já cantava Zezé do Vale.

TRÊS TÍTULOS INESQUECÍVEIS DENTRO DA MESMA PISCINA

Ruy do Ceará e José Rego Filho: três títulos estaduais históricos dentro da piscina

Apesar das fortes chuvas que caem há 4 dias em Fortaleza, o Almanaque do Ferrão publica uma foto bastante sugestiva para um domingo como hoje. Recentemente, dois dos maiores nomes da história coral curtiram um dia de sol no Náutico Atlético Cearense. Dentro da piscina, nada menos que 3 títulos estaduais conquistados diretamente para o Ferroviário. Um na função de presidente, o outro como diretor de futebol, uma dobradinha inesquecível para os torcedores e imprensa cearense: José Rego Filho e Ruy do Ceará, respectivamente. Os dois se conheceram ainda no colegial, fizeram juntos a faculdade de engenharia em Recife, foram vizinhos na vila dos engenheiros da RFFSA, gloriosa instituição federal da qual cada um foi superintendente em épocas distintas. No Ferroviário, conquistaram o título cearense invicto em 1968, depois de um tenebroso jejum de 16 anos, além do supercampeonato de 1970 e o improvável estadual de 1979. Em 1988, faziam parte do conselho deliberativo na época de mais um título cearense. Nomes eternos em qualquer página que tenha a missão de narrar a história coral.

DIRETORIA CORAL CONCLAMAVA A PRESENÇA DA TORCIDA EM 1968

Ninguém duvida que o Ferroviário tem a terceira maior torcida no futebol cearense, mas a lembrança de que um dia esta mesma torcida já foi maior que a do Fortaleza é sempre recorrente. O Almanaque do Ferrão faz um recorte no tempo e vai até 1968, ano em que os dirigentes corais ainda tentavam neutralizar o crescimento vertiginoso da torcida do adversário, que realmente havia ultrapassado a do Tubarão da Barra em anos anteriores. Curioso ver que, naquela época, a direção coral já não andava muito satisfeita com o comparecimento de seus torcedores, razão pela qual não ser muito inteligente repetir a velha ladainha nos dias atuais. É chover no molhado, como dizem os mais antigos. Vale a pena a leitura da matéria abaixo retirada do extinto Correio do Ceará. Vale mais ainda recordar José Rego Filho, um dos maiores dirigentes da nossa linda história. O próprio exemplo de 1968 pode ser seguido atualmente. Não adianta reclamar da própria torcida, ela comparecerá quando achar que deve prestigiar, quando o clube fizer por merecer com atuações competitivas e chances de conquista. Naquele ano, apesar das reclamações durante o campeonato, a torcida decidiu dar o ar da graça na reta final e viu um título estadual inesquecível depois de 16 anos. É que a gente só lembra das coisas boas.

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PROGRAMA OFICIAL DE RÁDIO DO FERRÃO COMPLETA 150 EDIÇÕES

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Equipe atual da Rádio Ferrão em meio aos gestores da parceira Buy Soccer e novos jogadores

O programa radiofônico de maior longevidade na história do Ferroviário chegou a 150 edições nessa semana. Denominado de Rádio Ferrão, o semanário coral atualmente vai ao ar às segundas-feiras, de 21h às 22h30, pela Ceará Rádio Clube 1200 AM de Fortaleza, e tem contado com a sempre competente apresentação do radialista Saulo Tavares, desde a primeira edição do programa em outubro de 2007. Sua fase de maior longevidade durou até fevereiro de 2010, retornando ao ar no final de 2013 e indo até meados do ano seguinte. Voltou à programação da emissora em outubro de 2015 para deleite dos torcedores corais. Na semana passada, os gestores da empresa paulista Buy Soccer participaram ao vivo e anunciaram novidades para o setor de futebol do Ferrão, uma delas o retorno do goleiro Camilo para as disputas da segunda divisão cearense.

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Ex-presidente José Rego Filho ao vivo no programa apresentado em 19 de outubro de 2008

Ao longo do tempo, várias personalidades importantes passaram pela Rádio Ferrão como dirigentes, ex-presidentes, ex-diretores, ex-atletas e novos jogadores recém contratados para o Ferroviário Atlético Clube. Nomes como José Rego Filho, Ruy do Ceará, Ribamar Soares, Carlos Mesquita, Facó, Marcelino, Gilmar Silva, Fernando Polozzi, Joel Cornelli, Marcelo Silva, Oliveira Canindé, Armando Desessards, Edmar, Robério, Mirandinha, CavalheiroWilson, Clébson, Jéfferson, Tiago Gasparetto, Aldemir, Renato Rocha, Evaldo Lima, Valdemar Caracas, entre outros, abrilhantaram o programa coral com informações e novidades importantes acerca do cotidiano do clube.

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Rádio Ferrão com o ex-jogador Mirandinha no antigo estúdio da emissora em julho de 2008

Tradicionalmente, a Rádio Ferrão tem mantido as principais seções que consolidaram a estrutura original do programa, tais como a realização de perguntas que valem prêmios para os ouvintes, sorteios, recordação de jogos antigos através da vinheta ´Túnel do Tempo´, entre outras atrações. Chegando agora ao expressivo número de 150 edições levadas ao ar, o que mais o torcedor do Ferroviário deseja é que outras 150 se sucedam no futuro sempre com a mesma qualidade e interação. Vida longa à Rádio Ferrão!

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Treinador Joel Cornelli numa das últimas edições da primeira fase em fevereiro de 2010

CONQUISTA INVICTA DE 1968 DO FERROVIÁRIO COMPLETA 47 ANOS

Foto histórica do time campeão invicto estampada na revista de circulação nacional O Cruzeiro

O último campeão invicto! Assim é conhecido até hoje o time de 1968 do Ferroviário, que conquistou o campeonato cearense daquele ano com ampla supremacia e entrou para história do futebol alencarino depois de 16 anos sem títulos. Nesse dia 28 de julho, celebra-se o 47° aniversário daquela brilhante conquista. Na ocasião, a diretoria coral passara por uma renovação e a chegada de jovens engenheiros da Rffsa para comandar os destinos do clube enchera de esperança a torcida coral. Capitaneados pelo presidente Elzir Cabral, dirigentes como José Rego Filho, Ruy do Ceará, Cândido Pamplona, Célio Pamplona, Afrodísio Pamplona, Roderico Braga, além de um valoroso grupo de abnegados corais quebravam o jejum e começavam a escrever uma nova história para o clube. Nunca mais um clube local foi campeão cearense invicto.

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Anunciada a conquista

O jogo decisivo foi contra o Fortaleza disputado num PV dividido meio a meio entre as duas torcidas que brigavam pelo título. João Carlos marcou para o Ferrão e Croinha anotou o do tricolor. O empate de 1×1 garantiu a conquista coral. O treinador Ivonísio Mosca de Carvalho contou em campo naquela tarde com a seguinte formação: Cavalheiro, Wellington, Flodoaldo (Luiz Paes), Gomes e Barbosa; Edmar e Coca Cola; Mano, João Carlos, Paraíba e Raimundinho (Lucinho). O Fortaleza perdeu com Gilberto, William, Zé Paulo, Renato e Carneiro; Luciano Oliveira, Joãozinho e Ivan Frota (Fontoura); Croinha, Humaitá e Alísio. A conquista invicta veio no jogo de número 1.083 da história coral. O volante Edmar, titular absoluto em toda a campanha, comentou há cerca de dois anos sobre mais um aniversário daquela conquista: “Foi uma festa memorável após a partida. Nunca vi nada igual. Era um grande time. Não perdemos pra ninguém. Nós jogávamos por música e tínhamos o suporte de uma diretoria cheia de gente jovem e de palavra. Tenho orgulho de fazer parte daquela geração“, disse.

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Cavalheiro sobe com Humaitá na final

Do interior do Rio Grande do Sul, seu estado natal, o goleiro Cavalheiro também já comentou sobre a conquista em anos recentes: “1968 foi um ano emblemático em todo país pela conjuntura social e política que vivíamos no país. Conquistar um título naquele ano pelo Ferroviário, time de origem humilde e proletária, e ainda de forma invicta, foi um dos maiores feitos da carreira daqueles jogadores. O Ferrão está eternizado no meu coração“, comentou. Muitos dos campeões invictos passaram mais de quatro décadas sem voltarem a se encontrar. Há cerca de um ano, uma boa parcela do time titular esteve reunida em Fortaleza e o fato mereceu destaque numa atualização do Almanaque do Ferrão em outubro do ano passado. No início desse ano, um dos titulares presentes ao encontro do ano anterior, o atacante Raimundinho, faleceu e também foi homenageado no blog com uma postagem específica. Além dos jogadores destacados na partida final, nomes como os goleiros Douglas e Edílson José, além dos jogadores Facó, Ademir, Sanêga, Roberto Barra-Limpa e Jurandir escreveram seus nomes na galeria de eternos do Ferroviário com o título invicto.