NUM 2 DE MARÇO COMO HOJE, FERRÃO APRESENTAVA CAVALHEIRO

Cavalheiro com Joseoly Moreira

Foi no dia 2 de março de 1968. Há 52 anos, o Ferroviário Atlético Clube apresentava no Elzir Cabral, ainda em estágio de construção, o seu novo goleiro para a temporada estadual. Tratava-se de Cavalheiro, ex-arqueiro do Internacional/RS e do Vasco da Gama/RJ, que vinha de uma passagem internacional pelo tradicional Deportivo Lara da Venezuela. Indicado pelo diretor Joseoly Moreira, que o trouxe do Rio de Janeiro, e chancelado pelo ídolo Pacoti, que o conhecia das categorias de base da equipe carioca, o novo guarda-valas do clube estreou num amistoso contra a equipe do Sonda, campeã da segunda divisão cearense. Treinado por Ivonísio Mosca de Carvalho, o Ferrão atuou naquela tarde com o futebol de Edilson José (Cavalheiro), Capturas, Jurandir, Gomes e Barbosa; Coca Cola (João Carlos) e Edmar; Paraíba (Lucinho), Mano, Ademir e Raimundinho. O Sonda jogou com Martini, Cabeleira, Dedé, Azul e Pedro; Luizinho (Zé Maria) e Zé Nilton; Edilson, Eliézer, Adão e Louro. O jogo foi 1×1. O pernambucano Ademir marcou o gol coral. Louro empatou para o Sonda. Aquele grupo coral sagrou-se, ao final da competição, o grande campeão cearense invicto. Cavalheiro reside atualmente no Rio Grande do Sul. Há seis anos, esteve em Fortaleza depois de muitas décadas e reencontrou alguns de seus ex-companheiros numa noite de muita emoção.

ARTILHEIRO DO FUTEBOL EUROPEU FOI TAMBÉM MASCOTE DO FERRÃO

O retrato de hoje é especial. Voltamos à década de 1980, mais precisamente na temporada de 1984. Na imagem ao lado, vê-se o goleiro Dário ladeado por mascotes corais antes de uma partida no Castelão. Você consegue reconhecer algum desses garotos? Ao lado esquerdo do arqueiro coral, de camisa listrada, vemos um jovem mascote que se consagrou na década seguinte como um dos maiores artilheiros do futebol europeu. Trata-se de Jardel, que algumas vezes já mereceu postagens aqui no Almanaque do Ferrão. Filho de uma família que torcia pelo Ferroviário Atlético Clube, o então garoto Jardel, com apenas 11 anos de idade, entrou no gramado com o time profissional do Ferrão. Sete anos depois, o esguio atacante Jardel chamou a atenção do Vasco da Gama numa competição de base em que o Tubarão da Barra foi um dos destaques. O resto da trajetória de Mário Jardel todo mundo sabe, inclusive o desfecho de sua vitoriosa carreira, quando voltou ao Ferroviário descendo de helicóptero no gramado onde deu os primeiros passos no futebol brasileiro. A imagem acima é o início de tudo, uma verdadeira raridade.

JOSEOLY MOREIRA E O GOLEIRO CAVALHEIRO EM RETRATO DE 1968

Joseoly e Cavalheiro em 1968

Registro histórico da chegada do novo goleiro do Ferroviário Atlético Clube para a temporada de 1968. No retrato antigo, o dirigente coral Joseoly Moreira e o arqueiro Cavalheiro. O goleiro conquistou o título estadual invicto daquele ano aos 23 anos de idade, depois de atuar por Internacional/RS e Vasco/RJ, no futebol brasileiro, e pelo Deportivo Lara da Venezuela. Sua passagem no futebol carioca rendeu a indicação para o Tubarão da Barra por intermédio do diretor Joseoly Moreira, que militava profissionalmente no Rio de Janeiro e apoiava a direção coral notadamente no setor de comunicação do clube, além do crivo do eterno ídolo Pacoti, que o conhecia das categorias de base da equipe carioca. Ao todo, foram 35 jogos do gaúcho Cavalheiro como goleiro do Ferrão. Ele largou o futebol ainda jovem e preferiu terminar a faculdade de Direito para seguir a carreira de advogado, inicialmente em Minas Gerais e depois no Rio Grande do Sul, onde reside e completará 74 anos de idade no próximo mês de outubro.

GOLEIRO DO AMÉRICA/PE JOGOU MUITO NA LATERAL DO FERROVIÁRIO

América de Pernambuco na temporada de 1989 – Em pé: Roberto Potiguar, Pereira, Luciano, Gilney, Nasa e Nado; Agachados: Alfredo Santos, Helinho, Da Silva, Marcelo e Almir

A foto acima é de 1989. Ela é no mínimo curiosa. Trata-se do tradicional América de Recife, equipe que atualmente disputa a Série D do campeonato brasileiro. No último ano da década de 1980, a equipe pernambucana era patrocinada pela marca Tintas Coral, o mesmo patrocínio que o Ferrão chegou a estampar em seu uniforme no mesmo período. Porém, há uma outra coincidência um tanto quanto estranha. Repare no goleiro da foto. Trata-se de Nasa, que atuou com brilhantismo no Tubarão da Barra como volante e lateral direito. Foram 76 jogos entre 1993 e 1995 com a camisa coral, depois que chegou para o Ferrão oriundo do Guarani de Juazeiro. Dá pra ver que, como goleiro, Nasa tinha baixa estatura. Escolheu certo não arriscar mais na posição. Na memória, Nasa está no Time dos Sonhos, eternamente lembrado pela torcida coral.

REGISTRO FOTOGRÁFICO DO GOLEIRO BARBIROTO NA TEMPORADA DE 1989

Goleiro Barbiroto do Ferrão e Marquinhos Capivara, atacante do Ceará, em registro de 1989

Registro fotográfico de 30 anos atrás, época em que o Ferroviário disputou a Copa do Brasil pela primeira vez na história. Seu adversário foi o Goiás/GO e o arqueiro coral naquela competição foi o paulista Barbiroto, que enfrentou justamente a equipe a qual havia defendido na temporada de 1978. Na imagem de 1989, o já veterano goleiro do Ferrão aparece com o atacante Marquinhos Capivara do Ceará, um velho conhecido do futebol paulista. Era a terceira passagem de Barbiroto pelo Ferroviário. A primeira foi rápida, no início de 1981, quando somente treinou e rapidamente deixou o grupo. Novamente emprestado pelo São Paulo/SP, a segunda foi em 1982 e marcou a titularidade com grandes atuações no arco coral nas disputas da Taça de Ouro, competição equivalente à atual Série A do campeonato brasileiro, quando enfrentamos os principais times do país, como o Flamengo/RJ em jogo que já mostramos o vídeo na íntegra aqui no blog. Barbiroto faz 60 anos de idade em setembro desse ano.

EX-GOLEIRO SALVINO FALECEU NESSE FIM DE SEMANA EM FORTALEZA

Goleiro Salvino no Castelão em 1980

O ex-goleiro Salvino, um dos nomes mais conhecidos do futebol cearense, faleceu na noite do último sábado em Fortaleza. Há alguns anos, ele lutava contra problemas de saúde e sua situação complicou após uma parada cardíaca no início da semana. Depois de atuar por Sport/PE e Botafogo/PB, o Ferrão foi sua porta de entrada no futebol cearense. Contratado para a Série A do campeonato brasileiro de 1980, o goleiro coral manteve-se como titular praticamente durante toda a temporada, perdendo apenas a titularidade na reta final do Estadual de 1980 para o famoso tricampeão mundial Ado. No ano seguinte, reassumiu a condição de titular em outra edição da Série A nacional e no campeonato cearense. Em dois anos de clube, Salvino Damião Neto foi duas vezes vice-campeão estadual com a camisa do Ferrão, atuando 111 vezes pelo Tubarão da Barra. Sua primeira partida ocorreu no dia 26/01/1980 num amistoso contra a equipe suburbana do Santa Cruz de Fortaleza. Seu último jogo ocorreu exatamente na finalíssima do campeonato cearense de 1981, em 26 de novembro daquele ano, quando o Ceará marcou 1×0 na prorrogação e ficou com a taça de campeão. Depois, Salvino foi negociado com o Fortaleza, onde entrou para a história com títulos, à exemplo de sua vitoriosa passagem pelo Ceará em 1986. Em 1988, foi campeão do 2º turno do Estadual com a camisa do Tiradentes em cima do próprio Ferroviário. Na Barra do Ceará, Salvino será sempre lembrado como o goleiro que defendeu o clube nos confrontos mais memoráveis do Ferrão pela Série A nacional entre 1980 e 1981,  titular da meta coral contra times como Santos/SP, Ponte Preta/SP, Internacional/RS, Flamengo/RJ, Atlético/MG, Fluminense/RJ, São Paulo/SP, Cruzeiro/MG, entre outros. Que Deus acolha Salvino agora no reino dos céus porque na terra definitivamente ele  escreveu seu nome na história.

RECORDE DO GOLEIRO MARCELINO COMPLETA 45 ANOS NO DIA DE HOJE

Um dos arqueiros mais conhecidos da história do Ferroviário comemora 45 anos de seu recorde

10 de Junho de 1973. Foi nessa data, há exatos 45 anos, que um ex-juvenil do Ferroviário desferiu um chute defensável e o goleiro coral naquele domingo acabou traído pela trajetória da bola. O lance foi histórico, apesar de estranhamente a mídia cearense quase sempre fazer questão de não lembrar. O gol de Ibsen, pelo Maguary, derrubou uma marca de 1.295 minutos sem sofrer gols do goleiro Marcelino, um carioca que marcou época na Barra do Ceará entre 1969 e 1976. Até hoje nenhum outro goleiro chegou sequer a ameaçar o posto de recordista do ex-arqueiro coral, que merecia uma estátua pelo feito. Foram 170 partidas com a camisa do Ferrão, o terceiro arqueiro em número de jogos nas estatísticas corais, atrás apenas de Zé Dias e Jorge Luiz, os dois recordistas na posição. Marcelino viveu altos e baixos no clube, mas será sempre lembrado como um dos goleiros mais importantes da história coral, não apenas pelo recorde cearense, que dificilmente um dia será quebrado, mas também pelo longo período de tempo que atuou como titular do arco do Ferrão. Naquele dia, o Maguary venceu o jogo por 2×1, quebrando uma invencibilidade do Ferrão, que não perdia desde outubro do ano anterior, além de quebrar a hegemonia particular de Marcelino. Nascia ali um recorde histórico. Hoje, aos 71 anos de idade, Marcelino continua vivendo em sua residência na cidade de Fortaleza. Há cinco anos, a direção de marketing do Ferroviário promoveu um vídeo com o ex-goleiro coral e nós aproveitamos para resgatá-lo abaixo em homenagem ao aniversário do grande feito.