TREINADOR CORAL NO ESTADUAL DE 1970 FALECEU ONTEM EM FORTALEZA

Alexandre Nepomuceno faleceu em Fortaleza

Morreu ontem o ex-treinador coral Alexandre Nepomuceno. Natural da cidade de Aracati, ele tinha 82 anos de idade e foi enterrado em Fortaleza no dia de hoje. Profundamente identificado com o Ceará, clube em que atuou como jogador durante toda a carreira, Alexandre recebeu várias homenagens do futebol cearense como um todo. Como não poderia deixar de ser, o Almanaque do Ferrão presta uma justa lembrança aquele que foi o comandante técnico no inesquecível título estadual de 1970. Ex-técnico do Calouros do Ar, Alexandre Nepomuceno chegou para comandar o time coral em maio de 1970, durante o 2º turno do campeonato cearense. Levou o Ferrão ao título estadual em outubro daquela temporada. Permaneceu até maio do ano seguinte e retornou para a Barra do Ceará no campeonato cearense de 1972 numa passagem que durou aproximadamente dois meses. Ao todo foram 65 partidas como treinador do Ferroviário, sendo 35 vitórias, 20 empates e apenas 10 derrotas. Descanse em paz.

FOTO RARA DO FERROVIÁRIO NO INÍCIO DA TEMPORADA DE 1970

Ferroviário Atlético Clube no campeonato cearense de 1970 – Em pé: Breno, Luiz Paes, Simplício, Marcelino, Gomes e Louro; Agachados: Mano, Paulo Velozo, Facó, Edmar e Zé Luiz

Eis uma foto rara do Ferroviário Atlético Clube no início da temporada de 1970. Aquele grande esquadrão coral, até hoje lembrado como uma das melhores formações da história do futebol cearense, ainda estava em fase de formação durante o mês de fevereiro, quando a foto foi produzida antes de uma partida contra o Guarany de Sobral no PV. Oito meses depois, com nada menos que seis alterações na onzena principal e um novo treinador, o Tubarão da Barra sagrava-se campeão cearense daquele ano. Alexandre Nepomuceno substituiu Fernando Cônsul no comando técnico no decorrer da competição. Em relação ao time que jogou a finalíssima contra o mesmo Guarany, entraram Esteves, Hamilton Ayres, Aloísio Linhares, Coca Cola, Amilton Melo e Alísio no lugar de Breno, Luiz Paes, Marcelino, Mano, Facó e Zé Luiz respectivamente. Muita vezes lembramos só da formação campeã, mas é sempre bom recordar todos aqueles que participaram daquela gloriosa campanha. A foto acima é um excelente exemplo disso.

TÍTULO INESQUECÍVEL DE 1970 COMPLETA MAIS UM ANIVERSÁRIO

Notícia na capa do Jornal O Povo anunciava o título do Ferroviário de campeão cearense em 1970

Parece que foi ontem. Amilton Melo deixou o atacante Paulo Velozo na cara do gol. Edmar e Coca Cola deitaram e rolaram. Simplício mandou um jogador do Ceará para a enfermaria com uma bolada no estômago. Quem mandou ficar na barreira? A potência de seu chute, todos já conheciam. Saudades do Esteves, do Eldo, do Mano e do Alísio. Já faz 46 anos da memorável conquista do Estadual de 1970, quando, obviamente, Ceará e Fortaleza jamais poderiam pensar em ganhar um campeonato no ano do centenário de instalação do eterno e querido transporte ferroviário no estado. Quanta ousadia seria. Até o Guarany de Sobral se meteu a besta e deu no que deu. Perdeu o jogo final por 3×1 naquele 7 de outubro como hoje, gols de Alísio, duas vezes, e Amilton Melo, diante de 13.028 pagantes no PV. Era apenas o jogo 1.203 da história do Tubarão da Barra.

Lance do Ferroviário no Estadual de 1970

Hamilton Ayres e Gomes sustentavam a defesa. Luiz Paes era o reserva imediato, só para se ter uma ideia do potencial do elenco coral. Virou professor e dos bons. Até o atacante Facó, que depois virou prefeito de Beberibe, andou esperando uma chance que nunca veio na onzena principal. Azar teve o goleiro Marcelino que deixou de sair na foto do time campeão por conta da intransigência dos dirigentes da Portuguesa/RJ. Chamaram-no antes do fim para ver o Corcovado. Aloísio Linhares veio e bateu o retrato. Coitado do Fortaleza, o freguês principal. Tinha até crediário. Apanhava a prestação e sequer chegou a marcar um único gol no Ferrão no campeonato inteiro. Cliente bom é assim. América e Tiradentes conheceram a fúria do ataque coral. O Calouros do Ar quis dificultar as coisas, mas não deu nem pro começo. Adeus Quixadá. Esse foi com Deus. Nas finais da competição, o urubu alvinegro bateu asas e voou. O Cacique do Vale sonhou alto demais e levou uma paulada. Não deu pra ninguém. Quem fez a festa foi a torcida coral, que invadiu o gramado do PV numa demonstração antológica de sua força. Alguém achou a cueca do Louro? Levaram tudo. Mas um título não se vence somente com onze jogadores. Ele é conquistado com a força de seus dirigentes. Agradeçam, portanto, a José Rego Filho e Ruy do Ceará, os grandes comandantes daquela jornada. Também ao inesquecível Elzir Cabral, que mesmo morando em Recife, era a alma daquela direção. Agradeçam a todos que compunham aquela diretoria invejável, como já cantava Zezé do Vale.

PRIMEIRO JOGO OFICIAL CONTRA TIME DE OUTRO ESTADO NA BARRA

Pouca gente recorda o nome do primeiro adversário coral de outro estado que enfrentou oficialmente o Ferroviário na Vila Olímpica Elzir Cabral. Os mais antigos dirão que foi o Alecrim/RN. De fato, a tradicional equipe potiguar foi a primeira de outro estado a pisar o solo da Barra do Ceará, em 1970, mas tratava-se de uma partida amistosa para inauguração do estádio coral, o que evidentemente foi um fato histórico. Porém, em caráter oficial, essa equipe foi o Flamengo/PI, em 24 de setembro de 1989, em jogo válido pela 1ª fase do campeonato brasileiro daquele ano. O Almanaque do Ferrão apresenta acima as imagens dos gols daquele jogo vencido pelo Tubarão da Barra por 2×0, tentos do ponta esquerda Paulinho e do centroavante Marquinhos, ambos cearenses.

Paulinho: belo gol na Barra

Aquele domingo à tarde contou com um público de 2.837 pagantes. Pelas imagens, percebe-se o excelente número de torcedores que foi ao estádio, porém em quantidade inferior que a abertura do Elzir Cabral para jogos oficiais, seis meses antes, contra o Guarani de Juazeiro. Nesse jogo do campeonato nacional, o de número 2.304 da história coral, o Ferrão venceu com o futebol de Osvaldo, Silmar, Arimatéia, Evilásio e Marcelo Veiga; Alves, Dias Pereira (Cacau) e Jacinto; Mardônio (Marquinhos), Luizinho e Paulinho. O Flamengo do Piauí perdeu com Ronaldo, Toinho (Duílio), Carlinhos, Bilé e Neto; Zuega, Peu e Malta; Batistinha, Etevaldo e Toby (Cláudio). Repare a presença do atacante Batistinha no ataque do Flamengo, ele que se tornaria um dos ídolos da história coral na metade da década seguinte. O jogador Marquinhos, que marcou o segundo gol, era oriundo do Tiradentes/CE e havia sido um dos artilheiros do campeonato cearense de 1988. Ele disputava a posição com o centroavante Luizinho, recém trazido do Avaí/SC, que fez apenas 6 jogos com a camisa coral. Marquinhos atuou apenas em 4 partidas. Paulinho, que marcou um belíssimo gol, ficou no clube até 1991 e fez 44 jogos pelo Ferroviário.

TRÊS TÍTULOS INESQUECÍVEIS DENTRO DA MESMA PISCINA

Ruy do Ceará e José Rego Filho: três títulos estaduais históricos dentro da piscina

Apesar das fortes chuvas que caem há 4 dias em Fortaleza, o Almanaque do Ferrão publica uma foto bastante sugestiva para um domingo como hoje. Recentemente, dois dos maiores nomes da história coral curtiram um dia de sol no Náutico Atlético Cearense. Dentro da piscina, nada menos que 3 títulos estaduais conquistados diretamente para o Ferroviário. Um na função de presidente, o outro como diretor de futebol, uma dobradinha inesquecível para os torcedores e imprensa cearense: José Rego Filho e Ruy do Ceará, respectivamente. Os dois se conheceram ainda no colegial, fizeram juntos a faculdade de engenharia em Recife, foram vizinhos na vila dos engenheiros da RFFSA, gloriosa instituição federal da qual cada um foi superintendente em épocas distintas. No Ferroviário, conquistaram o título cearense invicto em 1968, depois de um tenebroso jejum de 16 anos, além do supercampeonato de 1970 e o improvável estadual de 1979. Em 1988, faziam parte do conselho deliberativo na época de mais um título cearense. Nomes eternos em qualquer página que tenha a missão de narrar a história coral.

QUANDO A BRUXA TEVE QUE ENGOLIR UMA COCA COLA NO PV

coca cola

Coca Cola

O baixinho Coca Cola é lembrado até hoje como um dos maiores jogadores da história do Ferroviário. Seu nome era Abelardo Cesário da Silva. O apelido – como ele mesmo declarou ao jornal Folha de São Paulo em fevereiro de 1994 – era uma alusão ao famoso refrigerante: “Como eu era pequeno e magro, me chamavam de ‘miniatura de Coca-Cola’. Reclamei e o apelido pegou. Quase ninguém sabe meu nome. Até minha mulher me chama de Coca“. Falecido em junho de 1999, é impossível não lembrar da sua importância para o Ferrão no auto de seus 324 jogos com a camisa coral entre 1965 e 1973. Foram apresentações sensacionais nos gramados cearenses, o que lhe valeu a chance de jogar no Gil Vicente, de Portugal, onde o apelido não foi permitido. “Lá voltei a ser Abelardo para não fazer propaganda de graça para a Coca-Cola“, disse. Entre tantas partidas inesquecíveis, uma delas precisa ser sempre lembrada. E ela está completando 45 anos exatamente no dia de hoje.

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Marinho Chagas

Corria a disputa do Nordestão em outubro de 1970 e o Ferroviário recebia o ABC/RN no Presidente Vargas, exatamente no dia 29, como hoje. Precisando vencer com diferença de 3 gols, o time coral fez apenas 1×0 no placar e foi eliminado ainda na primeira fase da competição. A tristeza da eliminação só foi esquecida graças à pintura do gol marcado por Coca Cola, uma autêntica ´folha seca`, imortalizada anos antes pelo lendário Didi em seus tempos de Seleção Brasileira. Um dos gols mais belos da história do Ferroviário e, em particular, do inesquecível Coca Cola. Sob o comando de Alexandre Nepomuceno, o time coral venceu com Aloísio Linhares, Louro (Luiz Paes), Hamilton Ayres, Gomes e Eldo; Coca Cola, Edmar e Amilton Melo; Mano, Facó (Ibsen) e Wilson. Já o representante potiguar perdeu com Erivan, Preta, Edson, Josemar e Marinho Chagas (Cid); Correia (Zezé) e Gonzaga; Edvaldo, Albery, Petinho e Burunga. Mençao honrosa para o lateral esquerdo do ABC, um jovem chamado Marinho Chagas atuando bravamente contra o Ferroviário, um dos melhores laterais que o futebol brasileiro produziu em todos os tempos e que, três anos mais tarde, envergava a camisa de titular da Seleção Brasileira na Copa da Alemanha. Foi o jogo 1.207 da história coral, o dia que Marinho Chagas – A Bruxa – teve que engolir a genial folha seca de Coca Cola como se fosse Didi.

LUIZ PAES VESTIA A CAMISA CORAL PELA PRIMEIRA VEZ HÁ 49 ANOS

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Luiz Paes em 2008

O ano era 1966 e a diretoria do Ferroviário contratou o zagueiro Luiz Paes junto ao Náutico/PE. Foi num 28 de setembro como hoje que ele fez sua estreia pelo time coral, o primeiro de 153 jogos no total, mais que suficientes para colocá-lo como um dos maiores defensores da nossa história, fato este comprovado na campanha ´Time dos Sonhos`, em 2013, que o nominou para a escalação coral de todos os tempos. Aquela primeira partida teve o Calouros do Ar como adversário, no PV, válida pelo 2º turno do campeonato cearense daquele ano e o placar terminou no 1×1, com Gilson Puskas marcando para o Tremendão da Aerolândia e Peu empatando para o Tubarão da Barra. Sob o comando de Vicente Trajano, o Ferrão atuou com a seguinte formação na estreia do novo zagueiro há 49 anos atrás: Adir, Albano, Vadinho, Luiz Paes e Roberto Barra-Limpa; Peu e Edmar; Miro, Zé de Melo, Esquerdinha e Sabará. Mesmo quando atleta, Luiz Paes dedicava-se bastante aos estudos nas horas livres e geralmente enfadonhas do período de concentração antes dos jogos, o que o levou por consequência à vida acadêmica assim que sua carreira no futebol chegou ao fim.

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Luiz Paes em foto de 1969

Durante mais de duas décadas, ele foi professor de Física do saudoso Colégio Cearense. Milhares de pessoas foram alunos do Professor Luiz Paes naquela renomada instituição. Em 2012, o jornalista Rafael Luís, jornalista e ex-aluno do colégio, comentou o fato em seu site Verminosos por Futebol: “Certo dia, outro professor nos contou que Luiz Paes havia sido um grande jogador de futebol na década de 1960. Com boa passagem pelo Ferroviário, ele teria parado Pelé em um amistoso contra o Santos, no PV, em 1968, com direito a matéria em jornal e tudo. Fui até meu pai e perguntei sobre o professor. ´Se lembro de Luiz Paes?! É claro que sim, ele foi um dos maiores zagueiros que vi jogar!`, respondeu“. Trata-se de um espontâneo relato que oferece uma dimensão da importância do ex-zagueiro na trajetória coral, que conquistou 5 títulos ao todo com a camisa do clube, entre eles os inesquecíveis Estaduais de 68 e 70. Em janeiro de 2008, Luiz Paes ilustrou a seção ´Craque do Passado` na já histórica 1ª edição da então revista oficial do Ferroviário, intitulada de Expresso Coral. Atualmente, ele é professor da Universidade de Fortaleza e reside próximo ao Shopping Center Iguatemi, uma das áreas mais valorizadas da cidade.