POR ONDE ANDA O XERIFÃO ARIMATÉIA CAMPEÃO EM 1988 ?

Ex-zagueiro Arimatéia esteve ontem em Fortaleza com a delegação do Guarani de Juazeiro

Foram 214 partidas com a camisa do Ferroviário. O zagueiro Arimatéia marcou época no time coral entre 1985 e 1989. Oriundo do Icasa/CE, favor não confundir com o seu homônimo, cria da base coral e já falecido, que atuou na década de 70. Estamos falando de José de Arimatéia da Silva, zagueiro titular que participou de 35 jogos no memorável título estadual de 1988. Você sabe por onde ele anda? Arimatéia mora em Juazeiro do Norte e vem atuando na função de preparador físico desde que pendurou as chuteiras. Trabalhou por um bom tempo no Icasa e depois de um 2016 parado para tratamento de saúde, ingressou no Guarani de Juazeiro, que faz boa campanha no Estadual desse ano. Há alguns anos, quando do falecimento de seu homônimo dos anos 70, Arimatéia disse que muita gente ficou assustada: “pensaram que tivesse sido eu e todo mundo me ligou preocupado, mas graças da Deus não era a minha vez“, disse em tom de brincadeira.

Uma das formações do Ferroviário no ano de 1988 – Em pé: Silmar, Serginho, Marcelo Veiga, Djalma, Alves e Arimatéia; Agachados: Arnaldo, Mazinho Loyola, Guina, Denô e Carlos Antônio

O Ferroviário está nas mais bonitas lembranças do ´xerifão` Arimatéia e de sua família. Foi certamente o time que ele mais se identificou durante sua trajetória no futebol, que envolveu ainda passagens pelo Fortaleza  e ABC de Natal. Em contato com o Almanaque do Ferrão, o ex-zagueiro coral recordou as boas campanhas principalmente das temporadas de 1985 e 1988, quando atuou ao lado de nomes como Arnaldo, Luizinho das Arábias, Vander, Denô, Vassil, Carlos Antônio, Marcelo Veiga e Cardosinho. Em mais de 200 partidas pelo Ferrão, engana-se quem pensa que Djalma e Juarez, companheiros inseparáveis no título de 88, estão na formação de zaga ideal para Arimatéia. “Foram dois excepcionais jogadores, mas o meu parceiro na zaga que me identifiquei bastante e joguei por mais tempo junto foi o paraense Léo, que veio do Remo/PA. A gente se entendia muito bem e formamos a dupla titular entre 85 e 87“, lembrou ele.

Além de ex-companheiros, Arimatéia puxou pela lembrança nomes de diretores e colaboradores do Ferroviário em seu período. Ficou surpreso quando soube do falecimento do ex-presidente Carlos Alberto Mota e falou com especial atenção sobre Caetano Bayma e Vicente Monteiro. O ex-defensor coral traz vivo na memória a lembrança de um gol muito importante que marcou em março de 89, no jogo decisivo do Torneio Ciro Gomes, contra o Ceará, exatamente no último minuto do jogo, forçando uma decisão por pênaltis que garantiu o título daquela competição para o Tubarão da Barra. De presente pra ele, o nosso blog reprisa acima aquele belo gol em mais um momento festivo para o Ferroviário vivido pelo zagueirão que marcou época no time coral.

VOCÊ SABE POR ONDE ANDA O CRAQUE PARANAENSE DENÔ?

Ex-craque Denô, com seus cabelos brancos, ensina uma nova geração de jogadores numa escolinha

Ele entrou em campo 63 vezes com a camisa do Ferroviário e era um craque na verdadeira acepção da palavra. Marcou 23 gols no total e está na lista dos campeões estaduais de 1988, assinalando inclusive 4 gols no campeonato cearense, durante os seis meses que permaneceu na Barra do Ceará naquela temporada. Estamos falando de Lindenor Barbosa de Araújo, o Denô, ex-jogador paranaense, nascido em Curitiba, que despontou no futebol pernambucano e vestiu camisas importantes do futebol brasileiro. Ele mora em Recife desde que pendurou as chuteiras. Aos 56 anos de idade, Denô tem uma escolinha de futebol na capital pernambucana, enveredou pela carreira de empresário de atletas e ainda bate uma bolinha entre seus veteranos amigos do futebol.

Craque Denô com a meninada coral

Denô surgiu no Sport/PE no final da década de 70. Em 1982, a categoria do jogador chamou a atenção do Internacional/RS e ele foi negociado numa transação que foi comentada em todos os noticiários esportivos do país. Sem reeditar o mesmo brilho em Porto Alegre, acabou retornando para Pernambuco em 1984, onde defendeu o Náutico/PE. Em outubro de 1985, Denô foi contratado em definitivo pelo Ferroviário, numa negociação que abalou as estruturas do futebol cearense em razão da enorme qualidade técnica do jogador. A dupla Caetano Bayma e Vicente Monteiro adquiriu o passe do atleta pela quantia de 200 mil cruzeiros e Denô fez sua estreia pelo Ferrão na noite de 31 de outubro, contra o Fortaleza, no PV. Três dias depois, num domingo à tarde, já deixava sua marca, assinalando seu primeiro gol com a camisa coral contra o Calouros do Ar. Denô encaixou como uma luva no grande time comandado pelo experiente treinador Caiçara. Ele permaneceu para a temporada de 1986, foi emprestado para o Fortaleza no segundo semestre daquele ano para as disputas do campeonato brasileiro, esteve no ASA/AL no ano seguinte e retornou para o Ferrão no início de 1988, de onde saiu no final de junho para defender o Bragança de Portugal. Foram vários anos atuando no futebol português por sete equipes diferentes, com uma passagem ainda pelo futebol chinês em meados dos anos 90, antes de encerrar definitivamente a carreira na temporada europeia de 1999/2000.

Denô em foto recente no Recife

Recentemente, o ex-jogador do Ferroviário Atlético Clube esteve na Arena Pernambuco para uma partida com amigos de Recife e ex-atletas. Apesar de ter parado profissionalmente, o futebol continua no sangue de Denô. O ex-craque coral tem um filho que joga futebol na Europa e segue os passos do pai. Para matar a saudade da passagem de Denô pelo futebol cearense, o Almanaque do Ferrão vasculhou os arquivos e encontrou um áudio raro da temporada de 1985 em que o ex-jogador é entrevistado pelo repórter Bosco Farias, da Rádio Verdes Mares de Fortaleza, em dezembro daquele ano, antes de uma partida do campeonato cearense. Na ocasião, a torcida coral gritava o nome do jogador, fato este destacado na própria entrevista que você pode ouvir abaixo. A titulo de curiosidade, o áudio abaixo chegou a ser veiculado, há alguns anos, no programa Rádio Ferrão, onde o locutor Saulo Tavares desafiava os torcedores corais a responderem, por telefone, o quadro ´De quem é essa voz?`. Aproveite o áudio raro e volte mais de 30 anos no tempo para recordar a voz e conferir um depoimento de Denô antes de entrar em campo com a gloriosa camisa coral.

A NOITE QUE O FERROVIÁRIO LIMPOU O NOME DO FUTEBOL CEARENSE

vergonha

O seu time de coração já entregou uma partida?

Sempre que um time é estranhamente derrotado e o seu revés acarreta em prejuízo para um tradicional rival, as más línguas tratam logo de eternizar na história uma pretensa ´abertura`, ´marmelada` ou ´jogo de compadres`. Os exemplos são inúmeros e ninguém jamais esquece. A atitude abominável quase sempre passa como normal em nome da rivalidade. O torcedor do rival lembrará para sempre pois os maus exemplos são eternos. Por outro lado, o oposto é facilmente descartado. O Almanaque do Ferrão recorda hoje um momento único na história do futebol cearense, uma verdadeira lição para os times que mancham suas marcas com combinação de resultados e acordos espúrios. A noite que o Ferroviáiro limpou o nome do nosso futebol!

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O velho PV aos poucos foi ficando lotado

Vamos a 1988. Ferroviário e Guarany de Sobral deveriam se enfrentar no início de abril, numa quarta-feira à noite, no PV. Uma chuva torrencial impediu a realização da partida, prontamente remarcada para a data livre mais imediata dos preliantes, dia 20 do mesmo mês. Por capricho do destino, terminou como o último jogo que faltava na légua tirana do 1º turno, onde todos os clubes se enfrentaram na base dos pontos corridos. O Guarany precisava da vitória para conquistar o turno e carimbar o passaporte para a final do campeonato, que teria ainda mais dois turnos. O Ferrão, sem chances, se vencesse daria o título daquele turno, de mão beijada, ao Fortaleza. A cidade inteira espalhou a notícia que o time coral facilitaria a vida do time sobralense em nome da rivalidade histórica com o tricolor. O público de 12.100 pagantes naquela noite comprovou a repercussão do fato. A torcida do Fortaleza compareceu em peso para apoiar o Ferroviário. Torcedores do Ceará foram ao jogo para torcer pelo Guarany. Na torcida coral, tinha gente que queria a derrota, entre tantos outros que não aceitavam a propalada abertura, cantada em prosa e verso na mídia cearense.

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Denô em foto momentos antes do jogo

Treinados por Ramon Ramos, os jogadores corais se encheram de brio e partiram pra cima do Guarany. Venceram por 3×1 e calaram a boca dos inescrupulosos. Da Silva, Denô e Mazinho Loyola marcaram para o Tubarão da Barra, enquanto Cacau descontou para o time sobralense. Foi o jogo 2.221 na história coral, infelizmente esquecido na poeira do tempo e na memória coletiva que só lembra dos maus exemplos. O bom exemplo em questão é uma verdadeira raridade, é verdade. E faz parte da história coral, invariavelmente escrita com muito sofrimento, esforço, mas acima de tudo, honradez. O Ferrão formou com Serginho, Silmar, Arimatéia, Djalma e Marcelo Veiga; Alves, Denô (Carlos Antônio) e Arnaldo; Roberto Carlos (Mazinho Loyola), Da Silva e Beto Andrade. O Guarany, do técnico Teco-Teco, jogou com Silva, Jaime, Valdecy, Ulisses e Marcelino; Alfinete, Quarenta (Jorge) e Cacau; Ivanzinho, Ivan Buiú (Macedo) e Magno.

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Mazinho Loyola em 1988

Cinco meses depois, o Ferrão sagrava-se campeão cearense, depois de nove anos, decidindo o título no último jogo justamente contra o mesmo Fortaleza. Ao vencer por 1×0, gol de Marcelo Veiga, o time coral conquistou o campeonato de forma brilhante. Perguntado se tinha valido a pena correr riscos colocando o tradicional adversário na final, o diretor de futebol Vicente Monteiro não titubeou: “não teria a menor graça se fosse o Guarany de Sobral. Em cima do Fortaleza é muito mais gostoso“. Depois de muito trabalho, conseguimos recuperar o áudio de dois gols daquela noite. Escute abaixo os tentos de Denô, o segundo, e de Mazinho Loyola, o terceiro, na narração de Gomes Farias, pela Rádio Verdes Mares de Fortaleza. São momentos únicos do Ferrão escrevendo de forma limpa as páginas do futebol cearense.

VOLTE NO TEMPO E CONFIRA A REAPRESENTAÇÃO CORAL EM 1989

Janeiro sempre foi tradicionalmente um mês de início de preparativos para uma nova temporada. Hora de reapresentação do elenco, da chegada de novos reforços e de renovação das expectativas em busca de vitórias em campo e conquistas importantes. Nesse retorno de ano novo, o Almanaque do Ferrão convida você a viajar no tempo até janeiro de 1989 e recordar a volta às atividades profissionais do então campeão cearense de futebol, que trazia Erandy Pereira Montenegro como treinador e o atacante Cacau, ex-Guarany de Sobral e Ceará, se apresentando pela primeira vez no Elzir Cabral, ele que mais tarde escreveria seu nome na história como artilheiro máximo do Estadual daquele ano. Uma boa oportunidade também para ver, de forma pioneira nesse espaço, um descontraído Vicente Monteiro, que ocupava a direção de futebol. Além da divulgação da contratação de Cacau, o lateral esquerdo Marcelino, ex-Fortaleza e Guarany de Sobral, também é anunciado, porém dias depois a negociação foi cancelada. Curta por enquanto essa raridade e aguarde muitas novidades na temporada 2016 do nosso blog.

RARIDADES EM ÁUDIO DO TÍTULO DO FERROVIÁRIO EM 1988 – PARTE 2

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Presidente campeão: Domar Pessoa

Logo após a brilhante conquista do campeonato cearense, os jogadores corais, diretores e torcedores saíram do Castelão em direção ao Polo de Lazer da Barra do Ceará, local onde hoje situa-se um dos CUCA´s da Prefeitura de Fortaleza. Duas emissoras fizeram a cobertura ao vivo da festa coral até 22 horas, a Rádio Assunção e a Rádio Iracema. Em mais uma iniciativa alusiva ao aniversário do título de 1988, o Almanaque do Ferrão recupera 31 minutos dos áudios daquela histórica transmissão. Escute agora e curta toda a emoção de entrevistas com o presidente Domar Pessoa, com o vice de futebol Vicente Monteiro, o treinador Lucídio Pontes, o ex-jogador Pacoti, os conselheiros Múcio Roberto, Dirceu Pupe e Valdemar Gomez, além dos jogadores Jacinto, Marcelo Veiga e Arnaldo, bem como de profissionais da imprensa cearense como Chico Rocha, Jurani Parente, Roberto Silva, Aluísio Lima e Carlos Alberto Salvador. Sem dúvida, são relatos singulares e valiosos de uma noite inesquecível na vida do Ferroviário Atlético Clube, que  hoje ficam disponíveis para o torcedor coral depois de longos 27 anos. Aproveite!

RARIDADES EM ÁUDIO DO TÍTULO DO FERROVIÁRIO EM 1988 – PARTE 1

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Marcelo Veiga, de pênalti, manda um petardo e marca o gol do título do Ferroviário em 1988

07 de Setembro de 1988, uma quarta-feira, feriado, foi uma data histórica para o torcedor do Ferroviário que foi ao Castelão e presenciou uma das maiores conquistas do clube em seus 82 anos anos de existência. Aconteceu há exatos 27 anos. Para comemorar, o Almanaque do Ferrão preparou uma série de 3 postagens com áudios raros da radiofonia cearense veiculados naquele período inesquecível. Prepare-se para fortes emoções e relembre nessa primeira parte os momentos finais da partida narrados por Franco Vasconcelos, a gravação do gol do título nas vozes de Carlos Fred e Júlio Sales, bem como a opinião abalizada do comentarista Sérgio Pinheiro, entre outros.

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Vicente Monteiro: baluarte da conquista

Ainda no áudio de hoje, o diretor de futebol Vicente Monteiro, um dos maiores dirigentes da história coral, se emociona em entrevista concedida à beira do gramado para o radialista Sebastião Belmino, antes do apito final do árbitro Joaquim Gregório. O Fortaleza deu muito trabalho ao Ferroviário principalmente no 1º tempo, colocou bola na trave, mas o time coral resistiu heroicamente. Na etapa final, aos 13 minutos, o lateral esquerdo Marcelo Veiga cobrou um pênalti e decretou o título de forma categórica. Ele próprio recebeu a taça de campeão na qualidade de capitão do time perante um público de 33.706 pagantes, eternizando um trabalho que contou com o esforço de 30 atletas e 5 treinadores em todo campeonato, disputado em três turnos entre 28/2/88 e 07/9/88. Aperte o ´play` no áudio abaixo e reviva todas as emoções daquele dia histórico. Volte 27 anos no tempo e resgate mais esse belo momento através do Almanaque do Ferrão. Você vai se emocionar, acredite.

TRÊS GOLEIROS BRIGAVAM PELA CAMISA 1 DO FERROVIÁRIO EM 1990

O Almanaque do Ferrão volta no tempo e resgata uma matéria da TV Verdes Mares de janeiro de 1990. O time coral se preparava para as disputas do campeonato cearense sob a presidência de Vicente Monteiro. Três goleiros disputavam o posto de titular do Ferroviário: os experientes Carlinhos e Pedrinho, bem como o cearense Osvaldo, reserva no título coral estadual dois anos antes. A briga pela titularidade prometia e gerava uma expectativa positiva, bem diferente da campanha coral dentro de campo durante a competição, uma das mais pífias da história, quando conquistou apenas 6 vitórias no campeonato inteiro, sendo 3 delas em cima do fraco Calouros do Ar.

O goleiro Carlinhos foi contratado para o certame, mas não ficou muito tempo na Barra do Ceará após algumas falhas nos treinos e apenas 1 jogo oficial, exatamente o da estreia coral com derrota para o Tiradentes, no Elzir Cabral. Por sua vez, Pedrinho era remanescente da temporada anterior e trazia na bagagem titularidades no Botafogo/PB e Náutico/PE. Jogou 17 partidas pelo Ferrão. Já Osvaldo, que tinha passado pelo Ceará e pelo Calouros, foi o que mais atuou. Foram 41 jogos entre 1988 e 1991. Um detalhe curioso na época é a média de altura de 1,79 m dos três goleiros, uma estatura totalmente inaceitável para o mercado futebolístico nos dias de hoje. Confira a matéria e recorde esses três atletas que passaram pelo Tubarão da Barra.