COMPLETOU UMA DÉCADA SEM VALDEMAR CABRAL CARACAS

O vídeo acima recorda a noite que o Ferroviário jogou pela primeira vez em sua história sem a atenção de seu fundador. Há 10 anos, o Tubarão da Barra entrava em campo no PV para mais um compromisso do Campeonato Cearense de 2013 e homenageava a memória de Valdemar Caracas, falecido apenas dois dias antes. Apesar de uma década de distância, o tempo transformou a saudade em sorriso e quando a família coral lembra de Valdemar Caracas, parece que nada mudou. É como se ele estivesse ainda na sua cadeira de balanço a desferir críticas implacáveis e palavras ferinas contra os adversários, mas nunca sem perder a doçura de uma figura essencialmente simpática e amável. O jogo destacado no vídeo da TV O Povo foi contra o Tiradentes, numa vitória por 3×2, com 2 gols do artilheiro Giancarlo e 1 gol do meio campista Foguinho, que atualmente se destaca no futebol japonês. Treinado pelo gaúcho Gilson Maciel, o time coral venceu a partida com Fernando Júnior, Everton, Lima, Cleylton e Tinga; Vagno Pereira, Leandro Sobral (Márcio), Foguinho e Kleyton (Maico Motta); Ted Love (Luisinho) e Giancarlo. O Tiradentes perdeu com Fábio Lima, Marcos Vinícius, Henrique, Rafael e Rômulo; Pedro Bambu (Manoelzinho), Elton, João Neto e Ailton (Vaninho); Gabriel e Dico (Ribinha). O treinador do Tigre era o saudoso Argeu dos Santos. O árbitro foi Cleuton Lima e o público foi de 1.675 pessoas. Na ocasião, a diretoria coral cunhou uma frase que marcou a despedida ao velho Caracol: “Quem cria uma paixão vive para sempre no coração“.

JOGO CONTRA O ASA É APENAS O SEGUNDO CONFRONTO NA HISTÓRIA

Primeiro jogo entre Ferroviário e ASA de Arapiraca aconteceu em outubro de 1979 pelo Brasileirão

O ano é 1979 e o Ferroviário disputava o tão sonhado Campeonato Brasileiro depois de longos anos de espera. O ASA de Arapiraca era um dos adversários da chave do Ferrão. Até hoje, o único confronto entre as duas equipes aconteceu no dia 14 de outubro daquele ano, justamente na cidade que ostentava o título de capital brasileira do fumo, no Estádio Coaracy da Mata Fonseca, popularmente conhecido como Fumeirão. Arapiraca recebeu vários torcedores do Ferrão, que chegava com as credenciais de campeão cearense da temporada. No carro rumo à Alagoas, Vicente Monteiro, Zé Limeira e Valdemar Caracas seguiram juntos e contaram várias vezes as resenhas da inédita viagem. Trouxeram a vitória por 2×0, gols de Jacinto e Dedé, ambos marcados no 2º tempo. Treinado por César Moraes, o Tubarão da Barra venceu com Cícero, Nonato Ayres, Lúcio Sabiá (Jorge Luís) e Ricardo Fogueira; Jeová, Terto e Jacinto; Raulino (Doca), Dedé e Babá. O time alagoano, do treinador Alberto Menezes, jogou com Marco Antônio, Jorge Luiz, Zé Alberto, Geraldo e Hélio; Leônidas, Bio (Calu) e Marcos Itabaiana; Joãozinho, Freitas e Carioca (Esquerdinha). O árbitro gaúcho Carlos Sérgio Rosa Martins apitou o jogo. Ao final da tabela, o Ferrão não passou da 1ª fase, já o adversário conseguiu se classificar para a 2ª fase da competição após cinco vitórias consecutivas, o que colocou Arapiraca no centro das atenções do futebol brasileiro. Em 2023, agora pela fase preliminar da Copa do Nordeste, as duas equipes voltam a se enfrentar depois de 43 anos. Dessa vez, o jogo acontece em território coral, na cidade de Fortaleza, mais precisamente no Estádio Presidente Vargas.

VALDEMAR CARACAS E SUA ETERNA RELAÇÃO COM O FERROVIÁRIO

Recorte de jornal cearense na temporada de 1977 anunciando a visita de Valdemar Caracas ao Ferrão

Essa semana completou nove anos do falecimento de Valdemar Cabral Caracas, o grande articulador da fundação do Ferroviário Atlético Clube. Ele já foi motivo de várias postagens aqui no blog, inclusive quando o assunto foi um documentário produzido especialmente em sua homenagem por uma torcedora do Ferroviário. Hoje, recordamos acima um recorte de jornal do ano de 1977, quando a visita de Caracas ao clube rendeu até matéria especial. Historicamente, o registro é relevante pois marcou o regresso do velho Caracol às hostes corais depois de um período de afastamento. Ele havia se mantido à distância do cotidiano do clube depois que os famosos “Engenheiros da RFFSA” deixaram temporariamente a gestão de futebol da agremiação, sendo ela entregue à personagens da política cearense e a nomes pouco identificados com o Ferroviário, fato este que quase provocou a falência do clube em meados dos anos 1970. A matéria cita o tradicional processo de autodestruição provocado pela existência de alas políticas nos clubes de futebol. E o Ferroviário conhece bem o efeito danoso desse tipo de acontecimento. Felizmente na ocasião, o clube reencontrou o seu caminho a partir daquele período e passou a fazer boas campanhas a partir do revezamento de uma turma boa de dirigentes, que contou inclusive com o retorno do pessoal da RFFSA. O presidente Chateaubriand Arrais, citado na matéria, integrou várias diretorias até a vitoriosa gestão do bicampeonato estadual 1994/1995, se afastando definitivamente do futebol depois do golpe político que culminou com a saída do então presidente Clóvis Dias. Por sua vez, Valdemar Caracas também acabou se afastando com o tempo, mas acompanhou as notícias do clube que fundou até o último dia de sua vida.

IMAGENS DA FESTA NA BARRA NO BICAMPEONATO EM 1995

Hoje é o aniversário de 88 anos do Ferroviário Atlético Clube. E para comemorar, o Almanaque do Ferrão publica acima as raras imagens, da extinta TV Manchete, filmadas na comemoração do Bicampeonato Cearense ocorrida no Estádio Elzir Cabral, exatamente uma semana depois da grande conquista no PV contra o Icasa. O material inédito esteve guardado durante um quarto de século no acervo pessoal do torcedor Davi Mapurunga, que gentilmente cedeu-as ao blog após digitalizar as imagens antigas gravadas originalmente em fita VHS. Além de trazer os gols do jogo de entrega de faixas contra o Guarany de Sobral, na Barra, o vídeo traz imagens e depoimentos de nomes importantes da nossa história como Zezé do Vale, Zé Limeira, Valdemar Caracas, o atacante Reginaldo e o presidente Clóvis Dias. Vale a pena recordar esse belo registro relativo à maior conquista coral em nível Estadual, que agora fica disponível para todos os torcedores e desportistas em geral. E como não poderia deixar de ser no dia de hoje: Feliz Aniversário, Ferrão!

ENTREVISTA DE VICENTE MONTEIRO NA TVE EM NOVEMBRO DE 1989

Mais uma raridade para você abrindo o nosso baú de fim de ano! O vídeo acima é uma entrevista raríssima do dirigente Vicente Monteiro, concedida no dia 9 de novembro de 1989, nos estúdios da TV Educativa de Fortaleza. Prestes a assumir a presidência coral, ele conversou com o apresentador Sebastião Belmino sobre seus planos para o Ferroviário. O material tem quase 9 minutos de duração. Nele, o mandatário coral comenta sobre a formação da nova diretoria, a chegada do novo reforço Júnior Piripiri, a negociação do artilheiro Cacau para a Ferroviária de Araraquara, entre outros assuntos. Ao final da entrevista, Vicente Monteiro convoca o eterno baluarte Valdemar Caracas para acompanhar um amistoso do Ferrão, no dia seguinte, na cidade de Santa Quitéria, contra o selecionado local. Naquela sexta-feira, no calor do sertão, o Ferrão ganhou o jogo por 4×0. Na sequência do mês, a direção coral inaugurou os refletores do estádio Elzir Cabral com a presença de Ricardo Teixeira, presidente da CBF. Trinta dias depois, Vicente Augusto Monteiro, que ficou consagrado como um dos maiores dirigentes da nossa história, foi empossado como presidente, cargo que ocupou somente durante seis meses, se licenciando e sendo substituído por Múcio Roberto.

VALDEMAR CARACAS E ZÉ LIMEIRA EM PROGRAMA DA TV DIÁRIO

O Almanaque do Ferrão resolveu abrir o baú nesse final de semana e recuperou esse vídeo maravilhoso reunindo Valdemar Caracas e Zé Limeira, respectivamente fundador e torcedor símbolo do time coral. A gravação ocorreu em programa da TV Diário, em novembro de 1998, quando Caracas estava prestes a completar 91 anos de idade. Na telinha, Zé Limeira apresenta sua coleção de chifres em matéria gravada em sua residência. Na sequência, os dois conversam brevemente no estúdio da emissora com o apresentador Tom Barros e com o repórter Edmilson Maciel. Foi, sem dúvida, um encontro histórico proporcionado pela televisão cearense. Zé Limeira faleceu em 2004. Caracas foi morar no céu em 2013. Recentemente, os dois foram homenageados em “O Velho Caracol” e “A Falta que um Zé me Faz“, duas crônicas históricas publicadas no recém-lançado livro “Crônicas Corais“, à venda na Ferrão Store. 

JOGO DE NÚMERO 1 MUDARÁ NA PRÓXIMA EDIÇÃO DO ALMANAQUE

Primeira edição da versão impressa do Almanaque do Ferrão lançado em junho de 2013

Quando a segunda edição do Almanaque do Ferrão for publicada, provavelmente no aniversário de 90 anos do clube, em 2023, o jogo de número 1 da história coral passará a ser um confronto amistoso contra a equipe do Duque de Caxias, realizado exatamente poucos meses depois da fundação do clube. Hoje, esse jogo está completando aniversário! Em 13 de agosto de 1933, um domingo, os bravos operários corais, treinados por Valdemar Caracas, foram ao campo de futebol localizado no Passeio Público e venceram de goleada a equipe adversária por 4×1. Naquela época, com apenas três meses de fundação, o Ferroviário disputava jogos nos finais de semana nas mais diversas praças esportivas da capital cearense. Agora descoberto, esse jogo que completa, hoje, exatos 87 anos, passa a ser o primeiro que se tem registro nos anais da história coral. Além da complementação natural com os jogos entre 2013 e 2023, a grande novidade da segunda edição contemplará ainda 31 novos jogos que foram descobertos entre 1933 e 1942 pela Liga Suburbana, torneios diversos, disputas de taças e partidas amistosas. Em três anos tudo estará pronto!

O ESCUDO DE 1940 QUE DESPERTA CURIOSIDADES, DÚVIDAS E PAIXÕES

Uniforme e escudo diferentes do Ferroviário Atlético Clube no campeonato cearense de 1940

Essa foto circulou as redes sociais nos últimos dias por conta da notícia de que o Ferroviário registrou oficialmente sua marca, além do atual escudo e também esse antigo brasão. Apesar de algumas publicações trazerem no passado essa mesma imagem se referindo ao elenco de 1941, o registro se trata verdadeiramente dos jogadores que defenderam o Ferroviário no campeonato cearense de 1940. Portanto, foi no Estadual daquele ano que o clube utilizou o escudo com uma roda de ferro e barras de trilho, simbolizando uma asa. Referido escudo foi utilizado de forma semelhante por outros times de origem ferroviária naquela década, não representando nenhum tipo de criação exclusiva do Ferroviário para aquela temporada. Ele é, inclusive, muito parecido com o símbolo interno presente no escudo do Moto Clube/MA, fundado três anos antes. A imagem da camisa com esse símbolo é nítida e, entre os jogadores, é fácil perceber o craque Zuza, ex-Great Western/PE, que ficou no Ferroviário até o encerramento do campeonato cearense de 1940, que se deu somente no início de 1941. Especificamente em 1941, ele disputou o certame local pelo Ceará. O artilheiro Jombrega é outro que não ficou no time coral para o Estadual daquele ano. Aliás, 1941 é exatamente o ano em que Valdemar Caracas mandou buscar os uniformes do São Paulo/SP diretamente da capital paulista e inaugurou a identidade visual que o Ferroviário mantém até hoje nas cores, no escudo e também muitas vezes no uniforme ao longo dos anos. Essa referência completará 80 anos em 2021 e desperta até hoje curiosidades, dúvidas e paixões. Há quem defenda radicalizar e criar um estilo próprio. Tem que ter muita coragem pra romper com a tradição de oito décadas de uma homenagem proposital promovida pelo principal fundador do clube.

RECORDISTA EM NÚMERO DE PARTIDAS ESTAMPA NOVO COPO

Zagueiro Manoelzinho estampa o copo da série Legendários do jogo contra o Imperatriz/MA

O zagueiro Manoelzinho é apontado como um dos maiores nomes da história do Ferroviário Atlético Clube. Desde que chegou ao Ferrão na temporada de 1946, acompanhado de seu irmão Raimundinho, ambos oriundos do Flamengo da cidade de Parnaíba, interior do Piauí, Manoel David Machado teve uma carreira longeva e vitoriosa no Ferroviário. Na ocasião, a indicação dos irmãos Manoelzinho e Raimundinho partiu do próprio presidente do Flamengo de Parnaíba, Antônio João de Araújo, que residia em Fortaleza e comentou sobre o potencial dos dois jovens para Valdemar Caracas. As portas da pensão de Dona Filó, no centro de Fortaleza, foram abertas para os dois jovens e eles puderam iniciar no Ferrão. Manoelzinho passou 16 anos. Foram 403 jogos com a camisa coral, o que o coloca na história como o recordista em número de partidas, fato este agora eternizado na coleção ´Legendários` do setor de marketing do Tubarão da Barra a partir da produção de uma série de copos colecionáveis, comercializados durante as partidas do time coral em Fortaleza, por ocasião das disputas da Série C do campeonato brasileiro de 2019. O copo de Manoelzinho estará abrilhantando o jogo do Ferrão contra o Imperatriz/MA que, por sua vez, se enfrentam pela primeira vez na história, no Estádio Presidente Vargas.

DOCUMENTÁRIO DA TV ASSEMBLEIA EM TRECHOS SOBRE O FERROVIÁRIO

Que tal iniciar a temporada de 2019 com um pouco mais de história sobre o Ferroviário Atlético Clube? Há alguns anos atrás, a TV Assembléia do Estado do Ceará produziu um excelente documentário sobre a história do futebol cearense. Acima, você pode conferir uma compilação das partes do material que tratam exclusivamente sobre o Ferrão, trazendo inclusive uma das últimas gravações em vídeo com Valdemar Caracas, registrada pouco tempo antes de seu falecimento em janeiro de 2013. Além do fundador coral, o material conta a participação de historiadores e nomes importantes que contribuíram para o progresso do futebol cearense e principalmente para a evolução do Ferroviário ao longo do tempo, como o supervisor Chicão, falecido em fevereiro de 2014, os ex-atacantes Pacoti e Mazinho Loyola, o ex-zagueiro Celso Gavião e o ex-dirigente Hamilton Pereira. Conteúdo de grande qualidade! Deleite-se!