SOBRE OS JOGADORES CORAIS NO COMERCIAL DE TELEVISÃO DE 2012

Confira o vídeo abaixo. Trata-se de um material produzido especialmente para divulgar o programa de sócios do clube no segundo semestre de 2012. Exatamente no mês de setembro daquele ano, quando o Ferroviário Atlético Clube vivia um momento de reestruturação gerencial e mantinha em atividade apenas um elenco com atletas de idade Sub-20, esse comercial do produto ´Oficial Coral` era veiculado diariamente nos intervalos da programação esportiva da TV Jangadeiro, afiliada do SBT em Fortaleza.

O vídeo de 25 segundos, produzido pela Nigéria Filmes e narrado pelo jornalista Roger Pires, contou com a participação de dois atletas do elenco coral naquela oportunidade: o goleiro potiguar Fernando Paiva e o zagueiro cearense Anderson Borges. Na ocasião, o Ferroviário disputava com sua equipe de base a Taça Fares Lopes e o campeonato cearense Sub-20. Apenas cinco anos depois, envoltos à falta de perspectivas que o calendário do futebol brasileiro propicia para a imensa maioria dos clubes nacionais, ambos já penduraram as chuteiras. Anderson Borges é estudante de Arquitetura numa faculdade na cidade de Sobral. O ex-zagueiro passou ainda pela Portuguesa Santista e pelo Guarany de Sobral antes de abandonar o futebol profissional. Por sua vez, Fernando Paiva abraçou a área da saúde e é estudante de Medicina em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, à exemplo de Damásio, seu conterrâneo e companheiro no mesmo elenco durante o segundo semestre de 2012.

FERRÃO RETOMA ATIVIDADES JÁ PENSANDO NA TEMPORADA DE 2017

Jovem equipe do Ferroviário se apresentou em Tianguá no feriado do último dia 15 de novembro

Pouca gente tomou conhecimento, mas o Ferroviário voltou a atuar com sua equipe profissional depois de quase 6 meses. A equipe foi convidada para ir até a cidade de Tianguá e entregar as faixas de campeão da Série C cearense à equipe de mesmo nome. Apenas quatro jogadores profissionais participaram da partida, enquanto o restante da delegação foi formada com atletas da categoria Sub-20. Foi o jogo 3.561 da história coral, realizado no estádio municipal Tancredo Nunes, que contou com um bom público no feriado da Proclamação da República.. O Ferrão carimbou as faixas do Tianguá vencendo por 1×0, gol do atacante Maxuell. Confira a escalação do Tubarão da Barra no jogo: Jefferson, Jarder, Brendo, Alysson e Wladimir; Carlos Júnior, Felipinho, Lucas Adryel e Valdeci; Maxuell e Rodrigo. Os jovens André, Matheus Brás, Italo, Tiago, Hércules, Wesclei e Jordanio, além do experiente lateral direito Batata, também participaram do amistoso. Apesar de já colocar-se em atividade durante o final de 2016, o início da pré-temporada coral está marcada para a primeira semana do ano novo, quando novas contratações ocorrerão a fim de reforçarem o Ferrão na próxima temporada.

COMO A VIDA SEGUIU PARA O ELENCO CORAL DA TEMPORADA DE 2013

Fernando Junior, Kleyton, Cleylton, Anderson Borges, Lima, Giancarlo e Caíque; Foguinho, Maico Motta, Tinga, Everton, Sami, Luisinho, Leandro Sobral, Romário, Bruno e Márcio.

O time do Ferroviário em 2013 foi certamente o último a dar alguma alegria à torcida coral na primeira divisão do campeonato cearense. Por muito pouco a equipe coral não conseguiu uma vaga para a Copa do Brasil ao brilhar no 1º turno da competição mesmo com a menor folha de pagamento entre todos os participantes, mas tendo que amargar uma queda brusca de produção no 2º turno em razão de uma série de situações, entre elas a perda de foco de alguns atletas, a saída do treinador Gilson Maciel e o elenco reduzido de opções, formado basicamente por uma equipe Sub-20, em razão de uma política orçamentária seguida à risca com limites e restrições. Daquele elenco, alguns já pararam até de jogar futebol, outros estão bem em plena atividade, inclusive atuando no futebol do exterior. Você lembra da escalação do time base naquele início de temporada? Fernando Junior, Everton, Cleylton, Lima e Tinga; Vágno Pereira, Foguinho, Leandro Sobral e Kleyton; Ted e Giancarlo. Por onde andam os principais atletas daquele elenco?

Goleiro Fernando Júnior hoje defende o Benfica Luanda no campeonato angolano de futebol

Depois de uma passagem pelo Boa Esporte/MG no ano passado, o goleiro Fernando Júnior hoje é titular do Benfica Luanda, uma das principais equipes do campeonato angolano – o famoso Girabola – que está em plena disputa. Morar em Angola é mais uma experiência na carreira do ex-arqueiro coral, que está atualmente com 26 anos. Por outro lado, alguns atletas daquele elenco já penduraram as chuteiras. O lateral esquerdo Tinga, ex-Cruzeiro/RS, se aposentou há dois anos, assim como o meia Maico Motta, que mesmo jovem, preferiu trocar o futebol e apostar na carreira de educador físico.

Kleyton no futebol inglês

Tem até jogador daquele elenco que hoje atua no futebol inglês, é mole? Seguindo os passos do desbravador Mirandinha, cria coral, que abriu as portas do futebol  britânico para o jogador brasileiro em 1987, o meia gaúcho Kleyton está atualmente na pré-temporada do Whitehawk, da segunda divisão da Inglaterra, morando na bela cidade costeira de Brighton. Já o meio campista Leandro Sobral, um dos destaques daquela equipe de 2013, sagrou-se campeão paraibano recentemente pelo Campinense/PB e disputa atualmente a Série D do campeonato brasileiro. Outro que joga a mesma competição é o ex-zagueiro coral Cleylton, adquirido por 120 mil reais pelo Grêmio/RS no final daquela temporada, e que hoje defende as cores do São Paulo/RS.

Everton hoje é titular do América de Natal

Quem está bem em sua nova equipe é o lateral direito Everton, escolhido o melhor da posição no campeonato cearense de 2013. Depois de se destacar recentemente no Guarani de Juazeiro, onde foi eleito novamente o melhor do Estadual, o atleta acertou contrato com o América de Natal, onde é titular desde o mês de maio e disputa atualmente o campeonato brasileiro da Série C. Por outro lado, o goleiro reserva Caíque largou o futebol profissional e trabalha atualmente com Futsal, tento passado inclusive uma período disputando competições na França. Os zagueiros Lima e Anderson Borges, crias da base coral, também penduraram as chuteiras diante da incerteza que é a profissão de jogador de futebol no Brasil, com cada vez menos clubes em atividade por longos períodos durante a temporada, talvez a maior aberração de um futebol falido, envolto à escândalos, que consegue perder por 7×1 em partida de Copa do Mundo.

Zagueiro Cleylton no São Paulo gaúcho

O artilheiro Giancarlo é outro que sofre com a limitação de times em atividade. Ele esteve, esse ano, no Glória de Vacaria, onde disputou o campeonato gaúcho, porém retornou para sua cidade no Mato Grosso do Sul a espera de novos convites. Seu companheiro de ataque, o maranhense Ted, chegou a vestir a camisa do Remo/PA. Por outro lado, o meia Sami, que atuou várias partidas em 2013, esteve ano passado no Flamengo do Piauí, e recentemente disputou o campeonato carioca da segunda divisão pelo Itaboraí/RJ, que certamente conseguiria o acesso para a divisão de elite, porém o campeonato caiu nas barras da justiça em razão de eventuais combinações de resultados envolvendo o Americano/RJ. Alguma semelhança com a Série B cearense? O volante Foguinho defende atualmente o Aparecidense/GO na Série D brasileira, já o baixinho Vágno Pereira retornou para o interior do Maranhão. As crias corais Márcio e Luisinho esperam clube para continuar suas carreiras. Por sua vez, o atacante reserva Romário cansou de esperar e largou o futebol. Lembra do atacante Índio, contratado na reta final do campeonato cearense de 2013 e que marcou um golaço no jogo contra o Tiradentes, em Horizonte? Ele defendeu recentemente o Costa Rica/MS, na primeira divisão do futebol do Mato Grosso do Sul. Basicamente, eis o destino dos principais atletas naquele ano. E a vida continua seguindo para todos daquele bom time.

SEGUNDA DIVISÃO VAI SER RESOLVIDA NAS BARRAS DA JUSTIÇA

Os resultados do Ferroviário foram dentro de campo, mas a justiça deve chegar só nos tribunais

Tinha tudo pra ser uma volta à primeira divisão em grande estilo. Foram 43 pontos conquistados dentro de campo, ataque mais positivo, melhor média de público, artilheiro da competição, melhor saldo de gols e uma série de pontos positivos. Porém, em meio a uma sequência suspeita de WO´s verificados na reta final da segunda divisão, o Alto Santo saiu da quarta colocação e terminou a fase classificatória em segundo lugar, com um ponto a mais que o time coral. O Ferrão, com sua grande campanha, ficou em terceiro. O Horizonte, primeiro colocado, terminou com 3 pontos a mais que o Tubarão da Barra, exatamente a diferença de pontos conquistada também em razão de uma partida que terminou em WO, ainda no início da competição. Em meio a tantos jogos decididos fora de campo, o Ferroviário busca na justiça o seu retorno à elite cearense. Além disso, o Alto Santo colocou um jogador irregular em seu último jogo da competição, mais uma briga que vai parar nas barras judiciais. As chances corais são excelentes, porém é preciso ficar ligado nos bastidores tradicionalmente imundos do futebol cearense.

Valdeci: destaque do campeonato

Foi um campeonato duro para o Ferroviário, que se acostumou a viver em grave crise financeira como a imensa maioria dos times brasileiros. Nomes como o experiente zagueiro Erandir, o jovem defensor Túlio, o bom volante Jonathas, os meias Diego Silva e Da Silva, além dos atacantes Roney e Valdeci, fizeram uma ótima competição. Sem dúvida, o campeonato deu principalmente ao jovem Valdeci a condição de pensar em melhoras na sua carreira. A toda hora surgem notícias do interesse de outros clubes no jogador, que em julho de 2013 fez sua primeira partida pelo time profissional lançado pelo então treinador Julinho Camargo, num amistoso contra o Sindicato dos Atletas, no Elzir Cabral. O futuro do clube é incerto como o de Valdeci. Pela primeira vez, desde 2010, quando foi criada a Taça Fares Lopes como competição para o segundo semestre, o Ferroviário não participará alegando dificuldades financeiras. O fato do clube não ter pelo menos uma equipe Sub-20 para a disputa chega a ser preocupante. O foco estará nas barras da justiça e nas eleições que podem ser antecipadas. E o pensamento a todo momento na primeira divisão em 2017.

A ÚLTIMA VEZ DO FERRÃO NUMA FINAL DAS CATEGORIAS DE BASE

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Vice-campeão cearense Sub-20 de 2012- Em pé: William Mardoch, Samuel Guerra, Del, Murillo, Cleylton, Marcelo, Everton, Lima, Lucas, Fernando Abade, Anderson Borges e Caíque; Agachados: Fábio, Neto, Adilton, Bruno, Damásio, Romário, Cléo, Léo, Márcio, Luisinho e Maico Motta.

O tempo tem sido implacável com o Ferroviário. Há muitos anos o clube não chega nas finais das principais competições estaduais de categorias de base. Uma das únicas exceções ocorreu exatamente há 3 anos, infelizmente a última vez, quando o time coral disputou o título do Sub-20 contra o poderio financeiro e estrutural do Ceará. O placar de 0x0 garantiu o título ao alvinegro, que jogava pelo empate por ter somado 1 ponto a mais na fase classificatória. Foi um duro golpe na meninada coral, que ainda viu um gol lícito do atacante Luisinho ser anulado pelo árbitro César Magalhães, após cobrança de escanteio do lateral direito Everton. Vários garotos foram às lágrimas após o jogo.

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Gilson Maciel: o treinador

Apesar do gosto amargo, o vice-campeonato dava a certeza do caminho certo a partir da profissionalização do setor de futebol, fundamentada na captação financeira oriunda de negociações legalmente garantidas de parte dos direitos econômicos de atletas junto à potenciais investidores e apoiadores, algo até então inédito na história do clube. Seria a aposta no futuro promissor da reestruturação de um Ferroviário que já vinha há 17 anos sem resultados expressivos, e que pouco a pouco sucumbia em importância na revelação de atletas. Dentro de campo, o treinador Gilson Maciel, um ex-goleador de destaque do Grêmio/RS e do Tigres do México, entre outras equipes, ministrava treinamentos de alto nível baseados em periodização tática, a mesma metodologia que consagrou o trabalho do português José Mourinho, um dos principais técnicos da história do futebol. Os críticos de plantão, invariavelmente leigos no assunto, desconheciam por completo a metodologia técnico-tática dos treinamentos do Sub-20 coral, que seria implementada em todas as categorias de base do clube com o passar do tempo.

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Capitão Foguinho e os árbitros

Antes da finalíssima contra o Ceará, a meninada coral pegou o Fortaleza na semifinal. Estranhamente, a Federação Cearense de Futebol colocou o jogo na preliminar de um partida do Leão pela Série C do campeonato brasileiro, algo inédito até então na competição. Diante de um PV lotado para o jogo principal, os jovens valores corais encararam o adversário e sua torcida de igual pra igual. O Ferrão ainda teve um gol anulado – este corretamente – assinalado pelo ala esquerdo Maico Motta, em impedimento. Diante da necessidade de levantar a auto-estima do clube com a chegada numa final depois de tanto tempo, a direção de futebol conquistou algo raro para as categorias de bases do clube dentro do quase sempre combalido e delicado contexto coral, uma premiação de 10 mil reais para os jogadores despacharem o Fortaleza. A captação ocorreu na véspera da partida junto a um dos investidores do projeto e a notícia, dada ainda na concentração, motivou mais ainda a garotada do Ferrão, que conquistou o direito de ir à final com o 0x0 no placar. Depois, todo o grupo foi levado para uma justa e merecida comemoração no restaurante do ex-jogador coral Solimar, um dos principais entusiastas do projeto. Em meio à euforia, uma tristeza, o capitão Foguinho tomara o terceiro cartão amarelo num lance à beira do gramado e ficaria de fora da grande final.

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Final: zagueiro Marcelo e goleiro Murillo ao fundo

Na decisão contra o Ceará, o Ferrão entrou em campo com Maico Motta como capitão e escalado com Murillo, Everton, Cleylton, Marcelo e Maico Motta; Márcio (Bruno), Lima, Fernando Abade (Léo) e Cléo; Luisinho e Romário (Damásio). Treinado pelo ex-coral Sérgio Alves, o Ceará foi campeão com Gian, Reginaldo (Matheus), Dener, Potiguar e Fábio; Dassayev, Ernesto, Diego e Luiz Henrique (Bruno Rafael); Beberibe (Gabriel) e Sanchez. Mais 10 mil reais foram colocados como gratificação pelo título, uma repetição do aporte oriundo do mesmo investidor da semifinal. O gol não saiu e o único que foi feito foi anulado. O título não veio. O elenco vice-campeão Sub-20 de 2012 serviu de base para o time profissional que disputou o campeonato cearense do ano seguinte. Em reestruturação financeira, o Ferroviário tinha a menor folha de pagamento entre os participantes, apenas 35 mil reais, algo inimaginável para os parâmetros competitivos do futebol moderno. Dentro de campo, o time coral terminou a primeira fase em 2º lugar, com uma vitória a menos que o Horizonte, que contava com verba pública de prefeitura e uma folha 5 vezes superior. Por muito pouco, a garotada do Ferrão não conquistou uma vaga para voltar a disputar uma Copa do Brasil nove anos depois.

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Taça de vice na mão de Luisinho, Lima e Romário

Com o passar do tempo, o trabalho de gestão profissional do clube foi sofrendo boicotes e a viciada cultura organizacional e política, que minaram o time coral nas últimas duas décadas, voltou a fazer seus estragos. O projeto sucumbiu, gerando prejuízos financeiros e pessoais para investidores e profissionais que dele participaram. A velha imundice do futebol falou mais alto com a clássica estratégia de boatarias e fofocas, apesar dos mais de 200 mil reais de terceiros investidos no clube em 18 meses de trabalho. O Ferrão seguiu sua vida, de forma trôpega até então, mas a bravura daquela geração vice-campeã em 2012 deixou laços de amizade e respeito entre seus participantes. O gol anulado de Luisinho, artilheiro coral no certame com 7 gols, nunca saiu da cabeça de ninguém. Poderia ter sido um título para aqueles jovens, mas a arbitragem não permitiu. Três anos depois, o Almanaque do Ferrão resgata um raro vídeo daquele lance e apresenta abaixo em caráter exclusivo. E que o exemplo daquela geração possa ser seguido nas atuais categorias de base do clube.

DOS GRAMADOS DE FUTEBOL PARA A FACULDADE DE MEDICINA

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Atacante Damásio largou o futebol e hoje é estudante de medicina em Santa Cruz de la Sierra

Em julho de 2012, o Ferroviário realizava avaliações para formação completa de um novo elenco Sub-20. Três jogadores chegaram da cidade de Mossoró: o goleiro Fernando Paiva, o volante Serginho e o meia Mirandinha. Ex-companheiro dos três atletas no Baraúnas/RN, o atacante Damásio, de 19 anos, ficou sabendo dos testes e ligou para o clube, pedindo para participar. Por conta própria chegou na Barra do Ceará de manhã e à tarde já treinava. Além do Leão do Oeste mossoroense, trazia no currículo passagens na base do ABC/RN, Potiguar/RN e Palmeiras/SP. Treinou três dias e foi aprovado, conseguindo vaga no novo elenco que faria uma série de amistosos preparatórios para o campeonato cearense da categoria. Dono de um chute forte e faro de oportunismo, Damásio entrava sempre no jovem time coral, marcando gols nos amistosos e também na competição Sub-20,  quando foi um dos três principais artilheiros da equipe.

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Nos tempos do ABC/RN

Com a necessidade de trazer jogadores mais experientes para o campeonato profissional e devido a restrição de leitos nos alojamentos do clube, Damásio acertou seu retorno somente para março de 2013 quando iniciaria seu último ano como atleta da categoria Sub-20 e retomaria sua trajetória no Ferroviário. Foi quando o destino mudou seu rumo e o fez pensar no futuro. Preocupado com as incertezas do mundo do futebol brasileiro e seu calendário cruel para a grande maioria dos jogadores, Damásio teve que tomar uma decisão difícil. Abandonou o sonho de ser jogador de futebol e partiu para uma tarefa também bastante árdua: ser médico. Dois anos depois, hoje é estudante de medicina na conhecida Universidad De Aquino Bolivia, em Santa Cruz de la Sierra, o motor econômico da Bolívia com seus 1,8 milhão de habitantes.

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No Sub-15 do Palmeiras/SP

Tenho excelentes recordações como jogador e fiz grandes amizades. O futebol me ensinou a morar longe de casa desde jovem, o que ajuda hoje a suportar a distância de mais de 4 mil quilômetros de Mossoró nesse desafio que escolhi para minha vida. Quando me formar quero ajudar as pessoas com meu conhecimento na profissão“, disse Damásio em contato com o blog. Sobre o Ferroviário, Damásio completou: “fiz parte com muito orgulho de um grupo muito bacana, que realizou um trabalho sério, cheio de bons jogadores jovens. Foi um período muito bom na minha vida e guardarei sempre as melhores recordações do clube e respeito pelas pessoas que convivi lá dentro“, garantiu.

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Fernando e Damásio em 2012

O atacante Damásio foi vice-campeão cearense Sub-20 em sua passagem pelo Ferroviário, numa campanha de 10 jogos, sendo 7 vitórias, 1 derrota e 2 empates. Na final, 0x0 contra o Ceará, que jogava pelo empate para ficar com o título por ter feito um ponto a mais na fase classificatória, onde o Ferrão do técnico Gilson Maciel mandou no jogo e teve um gol lícito do atacante Luisinho anulado pelo árbitro César Magalhães. “Seria o gol do título, um absurdo o que a arbitragem fez naquela noite“, disse Damásio, que hoje curiosamente divide seus estudos na Bolívia com um ex-companheiro coral de 2012, o goleiro Fernando Paiva, que também abandonou o futebol e decidiu seguir a medicina.