FOTO DO PRIMEIRO TIME TREINADO NA BASE POR EDMUNDO SILVEIRA

Sub-20 do Ferroviário em 1989 – Em pé: Edmundo Silveira, Castilho, Ernandes, Biriba, Zé Carlos, Ednardo, Claudemésio e Piauí. Agachados: Indio, Alonso, Cícero Júnior, Borges e Lêca.

O registro fotográfico acima mostra a primeira equipe Sub-20 do Ferroviário treinada pelo professor Edmundo Silveira, que revelou muitos atletas para o futebol cearense. Corria a temporada de 1989 e nomes como o lateral direito Biriba e o meio campista Borges figuravam na base coral. Após passagens por outros times, os dois foram bicampeões estaduais pela equipe profissional do Ferrão, seis anos depois. O goleiro Castilho chegou a sentar no banco de reservas em alguns jogos do Tubarão da Barra no início dos anos 1990, bem como o lateral Zé Carlos e o volante Ednardo, que chegaram a ser utilizados no decorrer das partidas. Claudemésio foi vice-campeão da Copa do Brasil pelo Ceará, seu maior feito. Por sua vez, o atacante Cícero Júnior era um dos nomes mais promissores da base coral, figurando entre os profissionais desde a temporada anterior. Ele era filho do ex-zagueiro Cícero, que defendeu o Usina Ceará e o próprio Ferroviário no início da década de 1960. O último agachado é Lêca, que teve poucas oportunidades na equipe de cima do Ferrão.

JOGO DA QUEBRA DO TABU CONTRA O FORTALEZA NO ESTADUAL DE 2007

Depois da última postagem sobre o lateral direito Lionn, chegaram alguns pedidos para destacar a quebra do tabu contra o Fortaleza, ocorrida no Campeonato Cearense de 2007. O Tubarão da Barra não vencia o Tricolor do Pici desde o dia 27 de Junho de 1999 e ainda não havia derrotado o velho rival no Século XXI. Com um time cheio de garotos da base, formados na geração de atletas preparada pelo treinador Jorge Veras, o Ferrão quebrou o tabu no dia 1º de abril de 2007, jogando no Castelão. Naquele domingo, o Ferroviário venceu a partida com o futebol de Cássio, Lionn, Jaílson, Nemézio e Leonardo; Dedé, Guto, Róbson e Everton (Jarbson); Danúbio (Carlinhos) e Valmir (Léo Jaime). O técnico era Daniel Frasson. Treinado por Paulo Bonamigo, o Fortaleza perdeu o jogo com Tiago Cardoso, Bileu (Léo Gago), César, Santiago e Guto; Válter, Cocito (Cleverson), Jean (Igor) e Rogerinho; Rinaldo e Adriano Chuva. Confira os gols acima, principalmente o golaço do jovem Leonardo, que era originariamente meia esquerda, mas atuou improvisado na lateral. Danúbio e Valmir marcaram os outros gols, enquanto Cleverson descontou para o Fortaleza. A gurizada coral só entrou em campo contra o Fortaleza porque, na véspera, a diretoria dispensou 13 jogadores do elenco profissional. Foram quase 8 anos sem derrotar o Fortaleza, mais precisamente 2.830 dias, mas a vitória veio nos pés de um time que era praticamente todo Sub-20 e em cima da equipe que, pouco tempo depois, sagrou-se campeã cearense de 2007. Daquela formação que quebrou o tabu, os jogadores que tiveram maior destaque no futebol foram Lionn, Léo Jaime e Everton, que posteriormente foi campeão brasileiro vestindo as camisas do Fluminense/RJ e do Cruzeiro/MG.

FERRÃO RESGATA JOVEM PROMESSA DA BASE PARA O PROFISSIONAL

Sub-20 do Ferroviário Atlético Clube em 26/04/2014 – Em pé: Rodrigo, Tiago Caucaia, Everton, Alasson, Lucas Mota, Douglas, Diego Viana, Felipe, Henrique, Túlio e Max Férrer; Agachados: Adilton, Márcio, Romário, Renê, Nael, Jardel, Bruno, Carlos Eduardo, Michel e Valdeci

Renê está de volta. O Ferroviário anunciou ontem a chegada do ex-meio campista do Floresta. Apesar de bastante identificado com o time da Vila Manoel Sátiro, o jogador teve boa parte de sua formação como atleta na Barra do Ceará e muita gente desconhece o fato. Durante dois anos, entre 2012 e 2014, Renê era destaque nas equipes Sub-17 e Sub-20 do Ferrão. Tudo começou em setembro de 2012, quando Ferroviário e Floresta se encontraram pelo Campeonato Cearense Sub-20, no CT que hoje pertence ao Ceará, em Itaitinga. O Floresta foi o único time que conseguiu derrotar o Ferrão naquela competição, numa tarde em que Renê, atuando pelo adversário, esbanjou talento e foi decisivo na inesperada derrota coral. A grande atuação do garoto de apenas 16 anos incompletos, chamou a atenção do treinador Gilson Maciel, que solicitou sua contratação. Dois dias depois, Renê se apresentou ao Ferroviário para ser integrado à categoria Sub-17 e continuar seu processo de formação no futebol, numa categoria de base bem gerida e recheada de bons valores como os laterais Everton e Lucas Mota, o meia Diego Viana, o zagueiro Cleylton, o meia Adilton, o volante Márcio, o atacante Damásio, o meia Valdeci, o zagueiro Túlio e o goleiro Eduardo, irmão do famoso goleiro Cássio, do Corinthians/SP.

Meio campista Renê, de chuteira laranja, após mais uma sessão de treinos na Barra do Ceará

Na Barra do Ceará, Renê viveu bons momentos, notadamente na temporada de 2013, quando mesmo com idade Sub-17, chegou a figurar em vários jogos do Estadual Sub-20. Com a permissão da legislação da época, investidores chegaram a aportar dinheiro no clube, tendo como contrapartida a garantia de um percentual dos direitos econômicos do atleta. Porém, o barco coral ficou à deriva a partir de 2014, quando aconteceu o rebaixamento da equipe profissional no Campeonato Cearense e uma grave crise política e financeira se estabeleceu no clube, acarretando em mais de quatro meses de salários atrasados, uma debandada geral dos principais atletas e prejuízo para os investidores. O Ferroviário acabou perdendo Renê exatamente para seu antigo clube. Desiludido com o ambiente na Barra, o atleta preferiu retornar para um novo Floresta, que passava por reestruturação e se preparava para integrar o futebol profissional. Atuando no time principal do Floresta entre 2017 e o começo desse ano, Renê fez quase 100 jogos e marcou 20 gols. Que 2022 possa ser um grande reencontro entre Renê e Ferroviário Atlético Clube.

REGISTRO FOTOGRÁFICO DE UM JOGO PELA TEMPORADA DE 2013

Ferroviário Atlético Clube em 2013 – Em pé: Kleyton, Fernando Júnior, Anderson Borges, Cleylton, Giancarlo e Lima; Agachados: Everton, Leandro Sobral, Foguinho, Tinga e Ted.

Acima, belo registro do Ferroviário, vestindo uniforme preto, no segundo jogo do campeonato cearense de 2013, no PV. Foi no dia 09 de janeiro daquele ano. Depois de vencer o Crato na estreia, com um gol de Giancarlo no final do jogo, o time coral dominou as ações naquela quarta-feira à noite, mas ficou no empate em 0x0 com o Horizonte. Depois de utilizar um uniforme preto, pela primeira vez na história entre as temporadas de 2008 e 2010, a temporada de 2013 marcou o retorno daquele belo material de jogo, produzido pela Siker. Em grave dificuldade financeira, o Ferrão tinha a menor folha de pagamento dentre os dez participantes da primeira divisão cearense e a base do time era o grupo de jogadores que, três meses antes, havia sido vice campeão cearense Sub-20. Cinco jogadores dessa foto já penduraram as chuteiras: Kleyton, Fernando Júnior, Anderson Borges, Lima e Tinga. O lateral direito Everton, o zagueiro Cleylton, o meio campista Foguinho e o artilheiro Giancarlo foram os que obtiveram maior projeção, atuando em times importantes do país e até do exterior.

FERROVIÁRIO: O PATINHO FEIO DO POBRE E VELHO FUTEBOL CEARENSE

O papo hoje é sobre treta! O Canal do Nicola no YouTube disse, nacionalmente, o que muita gente em terras alencarinas já tinha certeza. Gostem ou não, o Ferroviário é tratado como “Patinho Feio” do pobre e velho futebol cearense, em seus mais de cem anos de disputas. “É mania de perseguição“, dirão os simplistas em seus argumentos, invariavelmente, simplórios. Ocorre que contra fatos não há argumentos e inúmeros acontecimentos, por vezes deixados de lado, enfileiram uma alta dosagem de artimanhas e histórias mal contadas através do tempo. No mais recente episódio, o Ferrão acabou punido e perdeu o direito de mando de campo em sua própria cidade, simplesmente porque o Castelão, estádio público onde o Ferrão manda jogos desde 1974, está reservado apenas para jogos da dupla Ceará e Fortaleza. Tudo isso em plena disputa de um campeonato brasileiro de futebol, quando todas as instituições envolvidas, inclusive o Governo, deveriam trabalhar a favor da garantia dos interesses corais, como legítimo representante do Estado na competição. Assim, o importante choque de líderes contra o Santa Cruz/PE será no Domingão, no município de Horizonte. Entre omissões, mentiras e atos sórdidos verificados longe da grande mídia, mas relatados à boca miúda nas últimas semanas, o vídeo acima do jornalista Jorge Nicola dá o tom da mais nova treta em que o Ferrão acabou metido gratuitamente.

Chicão: testemunha ocular da história

É fácil recordar inúmeros absurdos afins ocorridos no passado, até porque alguns são impossíveis de esquecer, como o fato – até pitoresco – de um time inteiro ser preso na final do campeonato cearense de 1947, depois de estar sendo vergonhosamente roubado pela arbitragem. Talvez, o cúmulo dos cúmulos. Zé Limeira, eterno torcedor-símbolo do Ferrão, morreu contando detalhes de várias finais de campeonato em que o time coral acabou prejudicado contra Ceará e Fortaleza, terminando como vice-campeão. Estelita Aguirre, outro ferrenho torcedor já falecido, foi para o céu bradando nas arquibancadas, e no rádio, que a sigla da Federação Cearense de Futebol, conhecida como FCF, na verdade, deveria significar “Federação do Ceará e do Fortaleza“. Lembram? O saudoso Chicão, supervisor coral por quase três décadas, morreu relatando histórias dos bastidores que tramaram contra o tricampeonato estadual coral em 1996. “Se o Ferroviário for Tri, o futebol cearense se acaba“, dizia ter ouvido tal pérola nos corredores da FCF, saído da boca de um dirigente do alto escalão da mentora. Histórias e depoimentos que ficam para trás, caem no esquecimento ou simplesmente viram lendas urbanas do futebol alencarino.

Luizinho e o gol anulado

É muito comum pessoas nas arquibancadas com suas histórias e tretas testemunhadas. Mais de trinta anos depois, até hoje se fala do gol mal anulado de Luizinho das Arábias contra o Fortaleza, que garantiu o adversário no triangular final do campeonato de 1985. O melhor entre os três, o Ferrão, com um verdadeiro timaço, foi o prejudicado. O presidente Caetano Bayma está vivo até hoje pra contar, com riqueza de detalhes, essa história, num dos campeonatos mais escandalosamente surrupiados em todos os tempos. Já repararam que torcedores de Ceará e Fortaleza dificilmente recordam ou relatam terem perdido uma final de campeonato cearense por causa de um erro de arbitragem? Falam pontualmente de um jogo ou outro, principalmente em partidas de campeonato brasileiro, quando são tratados como “time pequeno”, mas quase nunca falam de uma final de Estadual. É fácil ser torcedor do Ceará e do Fortaleza em âmbito local quando reina a hipocrisia. Todos os esforços convergem em favor dos dois. Alguém duvida? Quando disputam uma final entre si, a primeira providência é anunciar logo um árbitro de outra região, fato quase nunca providenciado quando o adversário da final é o Ferroviário ou outra equipe qualquer. A história está aí para provar. Referidas práticas e acontecimentos fazem parte do futebol cearense e, o pior, nos acostumamos com isso.

Panfleto da torcida coral em 2006

E o que dizer do episódio quase esquecido de 1973, quando o futebol cearense ganhou definitivamente uma segunda vaga para o campeonato brasileiro, dominado pelos interesses da ditadura militar? Quem foi o indicado pela Federação? Apesar da retrospectiva coral em campo ser superior por conta do título estadual em 1970 e das campanhas de 1971 e 1972, e não obstante o Ferroviário ter ficado com a segunda vaga provisória criada na primeira edição da disputa nacional, em 1971, depois de vencer uma seletiva local, o agraciado político com a vaga definitiva, em 1973, foi o Fortaleza, para ira dos dirigentes corais da RFFSA que só faltaram esmurrar o presidente da Federação na ocasião. O lendário Ruy do Ceará está aí para contar e os arquivos dos jornais não o deixam mentir na hora de recordar os fatos. Decisões e favorecimentos que mudam o curso da história e engradecem ou enfraquecem seus atores diretamente envolvidos. O que falar da Copa João Havelange, em 2000, que catapultou gratuitamente o Fortaleza dos vexatórios caminhos da Série C para uma nova e charmosa segunda divisão, reunindo vários times que estavam na Série B? Acesso bom é o acesso fácil. E o episódio da Copa São Paulo de Futebol Júnior em 2006? Mesmo como campeão da categoria Sub-20, o Ferrão foi alijado da vaga prevista em regulamento após uma série de “mal-entendidos” envolvendo a FCF, a Secretaria Estadual da Juventude e, claro, o beneficiado Fortaleza, que viajou pra capital paulista como representante do futebol cearense. Nariz de palhaço foi pouco. Mais recentemente, em 2008, o quase nunca lembrado Caso Piva, que evitaria o “rebaixamento” do Ferrão para a Série D do Brasileiro, devidamente arquivado e sepultado. Em 2016, o episódio nefasto de um campeonato cheio de WO´s, a maioria a favor da mesma equipe. Como esses fatos, existem dezenas de outros. O problema é que as pessoas se acostumaram a esquecer.

Clóvis Dias: bicampeão e deposto

Quando o Ferroviário engrossou o pescoço na metade dos anos 1990, articulando inclusive a criação da Copa do Nordeste, negociando jogadores para times importantes do país, fazendo caixa e disputando, pau a pau, os títulos estaduais com os preferidos da audiência, deixando muitas vezes o próprio Fortaleza comendo poeira em situações pra lá de vexaminosas, partiu de dentro da cúpula maior do futebol cearense, um movimento para derrubar politicamente a presidência coral, que preparava e idealizava o clube para as mudanças que a Lei Pelé, posteriormente, acabou exigindo de todos. Até hoje, o Ferroviário paga muito caro pela forma como o presidente quase tricampeão Clóvis Dias foi deposto. Foram mais de duas décadas perdidas a partir daquela sequência de episódios que vergonhosamente envolveu até registros policiais. Ninguém pode afirmar o que seria do futuro do clube se aquele trabalho tivesse tido continuidade, mas todo mundo sabe bem o que aconteceu depois daquela sequência de fatos tramada entre o alto escalão do futebol cearense e pessoas ligadas aos intestinos corais.

Presidente Vargas em missão de salvar vidas

Na prática, todo mundo diz que gosta do Ferrão. É muito fácil dizer. É o texto preferido dos políticos e dos politiqueiros. Não se trata de pessoas em particular, muito menos de instituições, sejam elas públicas ou privadas, mas quando alguém cala diante do extravio do lícito direito do clube em mandar seus jogos  no Castelão – e a omissão é um pecado que jamais merece ser esquecido -, pactua-se sordidamente com o ´mainstream` que alicerça e faz com que as coisas sejam como sempre foram, mantendo aquele velho modelo viciado, onde todos os interesses convergem para apenas dois clubes, que se retroalimentam, inclusive financeiramente, a partir de uma respeitável rivalidade, mas que estão pouco se lixando para a realidade de que a festa recebe outros convidados e estes têm também o direito de compartilhar o mesmo espaço, principalmente quando este é público e foi construído, também, com dinheiro do contribuinte coral. Com a ausência do PV, outra casa querida e histórica, reservado para a nobre missão de salvar vidas na pandemia de Covid-19, as instituições e as pessoas que fazem o futebol cearense jamais poderiam ter dado as costas para o Ferroviário e agir como, infelizmente, procederam, sobretudo diante do simples fato do clube precisar usar o  Castelão por – apenas e meros – 180 minutos mensais. É muito? Tamanha mesquinhez deveria encher de vergonha os responsáveis, inclusive no âmbito político do Estado, pois a omissão é a pior forma de covardia. Chega a ser engraçado saber que a referida treta ficará nos arquivos e na memória apenas como mais um item perdido na galeria de relatos afins que se avolumaram com o tempo. Mais um pra conta, pode registrar. E como tantos outros, jamais será esquecido.

TIME JÚNIOR DO FERROVIÁRIO NO CAMPEONATO CEARENSE DE 1982

Equipe de base do Ferroviário Atlético Clube na temporada de 1982 – Em pé: Benone, China, Luís Carlos, Cid, Cloude e Marquinhos; Agachados: Pedro, Juarez, Osmar, Narcélio e Wellington

O registro fotográfico acima merece o destaque nessa seção. Essa fotografia foi tirada no estádio Presidente Vargas, em 1982, num domingo pela manhã, antes do início do Torneio Início de mais um campeonato de base promovido pela Federação Cearense de Futebol, que equivalia à categoria Sub-20 de hoje em dia. Era o chamado time júnior coral, que foi campeão estadual ao final da temporada. Dessa equipe, alguns nomes figuraram entre os profissionais durante a década de 1980, alguns com mais destaque, como o atacante Narcélio, já falecido, que realizou 30 partidas na equipe principal do Ferrão. O goleiro China figurou várias vezes nos jogos como reserva imediato dos goleiros titulares, participando efetivamente de 16 jogos em campo no total. O lateral direito Benone atuou em 9 partidas, o mesmo acontecendo com o lateral esquerdo Luís Carlos, que participou de 38 jogos entre 1984 e início de 1988. O meio campista Marquinhos também atuou em 6 jogos entre os profissionais naquela década. Pedro e Osmar atuaram apenas em duas partidas, cada. Wellington participou de 8 jogos e assinalou um gol, por sua vez, Juarez entrou em um único amistoso, em 1983, entre os profissionais do Tubarão da Barra. Não há registro dos demais em jogos da equipe principal do Ferroviário Atlético Clube durante os anos 1980.

SOBRE OS JOGADORES CORAIS NO COMERCIAL DE TELEVISÃO DE 2012

Confira o vídeo abaixo. Trata-se de um material produzido especialmente para divulgar o programa de sócios do clube no segundo semestre de 2012. Exatamente no mês de setembro daquele ano, quando o Ferroviário Atlético Clube vivia um momento de reestruturação gerencial e mantinha em atividade apenas um elenco com atletas de idade Sub-20, esse comercial do produto ´Oficial Coral` era veiculado diariamente nos intervalos da programação esportiva da TV Jangadeiro, afiliada do SBT em Fortaleza.

O vídeo de 25 segundos, produzido pela Nigéria Filmes e narrado pelo jornalista Roger Pires, contou com a participação de dois atletas do elenco coral naquela oportunidade: o goleiro potiguar Fernando Paiva e o zagueiro cearense Anderson Borges. Na ocasião, o Ferroviário disputava com sua equipe de base a Taça Fares Lopes e o campeonato cearense Sub-20. Apenas cinco anos depois, envoltos à falta de perspectivas que o calendário do futebol brasileiro propicia para a imensa maioria dos clubes nacionais, ambos já penduraram as chuteiras. Anderson Borges é estudante de Arquitetura numa faculdade na cidade de Sobral. O ex-zagueiro passou ainda pela Portuguesa Santista e pelo Guarany de Sobral antes de abandonar o futebol profissional. Por sua vez, Fernando Paiva abraçou a área da saúde e é estudante de Medicina em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, à exemplo de Damásio, seu conterrâneo e companheiro no mesmo elenco durante o segundo semestre de 2012.

FERRÃO RETOMA ATIVIDADES JÁ PENSANDO NA TEMPORADA DE 2017

Jovem equipe do Ferroviário se apresentou em Tianguá no feriado do último dia 15 de novembro

Pouca gente tomou conhecimento, mas o Ferroviário voltou a atuar com sua equipe profissional depois de quase 6 meses. A equipe foi convidada para ir até a cidade de Tianguá e entregar as faixas de campeão da Série C cearense à equipe de mesmo nome. Apenas quatro jogadores profissionais participaram da partida, enquanto o restante da delegação foi formada com atletas da categoria Sub-20. Foi o jogo 3.561 da história coral, realizado no estádio municipal Tancredo Nunes, que contou com um bom público no feriado da Proclamação da República.. O Ferrão carimbou as faixas do Tianguá vencendo por 1×0, gol do atacante Maxuell. Confira a escalação do Tubarão da Barra no jogo: Jefferson, Jarder, Brendo, Alysson e Wladimir; Carlos Júnior, Felipinho, Lucas Adryel e Valdeci; Maxuell e Rodrigo. Os jovens André, Matheus Brás, Italo, Tiago, Hércules, Wesclei e Jordanio, além do experiente lateral direito Batata, também participaram do amistoso. Apesar de já colocar-se em atividade durante o final de 2016, o início da pré-temporada coral está marcada para a primeira semana do ano novo, quando novas contratações ocorrerão a fim de reforçarem o Ferrão na próxima temporada.

COMO A VIDA SEGUIU PARA O ELENCO CORAL DA TEMPORADA DE 2013

Fernando Junior, Kleyton, Cleylton, Anderson Borges, Lima, Giancarlo e Caíque; Foguinho, Maico Motta, Tinga, Everton, Sami, Luisinho, Leandro Sobral, Romário, Bruno e Márcio.

O time do Ferroviário em 2013 foi certamente o último a dar alguma alegria à torcida coral na primeira divisão do campeonato cearense. Por muito pouco a equipe coral não conseguiu uma vaga para a Copa do Brasil ao brilhar no 1º turno da competição mesmo com a menor folha de pagamento entre todos os participantes, mas tendo que amargar uma queda brusca de produção no 2º turno em razão de uma série de situações, entre elas a perda de foco de alguns atletas, a saída do treinador Gilson Maciel e o elenco reduzido de opções, formado basicamente por uma equipe Sub-20, em razão de uma política orçamentária seguida à risca com limites e restrições. Daquele elenco, alguns já pararam até de jogar futebol, outros estão bem em plena atividade, inclusive atuando no futebol do exterior. Você lembra da escalação do time base naquele início de temporada? Fernando Junior, Everton, Cleylton, Lima e Tinga; Vágno Pereira, Foguinho, Leandro Sobral e Kleyton; Ted e Giancarlo. Por onde andam os principais atletas daquele elenco?

Goleiro Fernando Júnior hoje defende o Benfica Luanda no campeonato angolano de futebol

Depois de uma passagem pelo Boa Esporte/MG no ano passado, o goleiro Fernando Júnior hoje é titular do Benfica Luanda, uma das principais equipes do campeonato angolano – o famoso Girabola – que está em plena disputa. Morar em Angola é mais uma experiência na carreira do ex-arqueiro coral, que está atualmente com 26 anos. Por outro lado, alguns atletas daquele elenco já penduraram as chuteiras. O lateral esquerdo Tinga, ex-Cruzeiro/RS, se aposentou há dois anos, assim como o meia Maico Motta, que mesmo jovem, preferiu trocar o futebol e apostar na carreira de educador físico.

Kleyton no futebol inglês

Tem até jogador daquele elenco que hoje atua no futebol inglês, é mole? Seguindo os passos do desbravador Mirandinha, cria coral, que abriu as portas do futebol  britânico para o jogador brasileiro em 1987, o meia gaúcho Kleyton está atualmente na pré-temporada do Whitehawk, da segunda divisão da Inglaterra, morando na bela cidade costeira de Brighton. Já o meio campista Leandro Sobral, um dos destaques daquela equipe de 2013, sagrou-se campeão paraibano recentemente pelo Campinense/PB e disputa atualmente a Série D do campeonato brasileiro. Outro que joga a mesma competição é o ex-zagueiro coral Cleylton, adquirido por 120 mil reais pelo Grêmio/RS no final daquela temporada, e que hoje defende as cores do São Paulo/RS.

Everton hoje é titular do América de Natal

Quem está bem em sua nova equipe é o lateral direito Everton, escolhido o melhor da posição no campeonato cearense de 2013. Depois de se destacar recentemente no Guarani de Juazeiro, onde foi eleito novamente o melhor do Estadual, o atleta acertou contrato com o América de Natal, onde é titular desde o mês de maio e disputa atualmente o campeonato brasileiro da Série C. Por outro lado, o goleiro reserva Caíque largou o futebol profissional e trabalha atualmente com Futsal, tento passado inclusive uma período disputando competições na França. Os zagueiros Lima e Anderson Borges, crias da base coral, também penduraram as chuteiras diante da incerteza que é a profissão de jogador de futebol no Brasil, com cada vez menos clubes em atividade por longos períodos durante a temporada, talvez a maior aberração de um futebol falido, envolto à escândalos, que consegue perder por 7×1 em partida de Copa do Mundo.

Zagueiro Cleylton no São Paulo gaúcho

O artilheiro Giancarlo é outro que sofre com a limitação de times em atividade. Ele esteve, esse ano, no Glória de Vacaria, onde disputou o campeonato gaúcho, porém retornou para sua cidade no Mato Grosso do Sul a espera de novos convites. Seu companheiro de ataque, o maranhense Ted, chegou a vestir a camisa do Remo/PA. Por outro lado, o meia Sami, que atuou várias partidas em 2013, esteve ano passado no Flamengo do Piauí, e recentemente disputou o campeonato carioca da segunda divisão pelo Itaboraí/RJ, que certamente conseguiria o acesso para a divisão de elite, porém o campeonato caiu nas barras da justiça em razão de eventuais combinações de resultados envolvendo o Americano/RJ. Alguma semelhança com a Série B cearense? O volante Foguinho defende atualmente o Aparecidense/GO na Série D brasileira, já o baixinho Vágno Pereira retornou para o interior do Maranhão. As crias corais Márcio e Luisinho esperam clube para continuar suas carreiras. Por sua vez, o atacante reserva Romário cansou de esperar e largou o futebol. Lembra do atacante Índio, contratado na reta final do campeonato cearense de 2013 e que marcou um golaço no jogo contra o Tiradentes, em Horizonte? Ele defendeu recentemente o Costa Rica/MS, na primeira divisão do futebol do Mato Grosso do Sul. Basicamente, eis o destino dos principais atletas naquele ano. E a vida continua seguindo para todos daquele bom time.

SEGUNDA DIVISÃO VAI SER RESOLVIDA NAS BARRAS DA JUSTIÇA

Os resultados do Ferroviário foram dentro de campo, mas a justiça deve chegar só nos tribunais

Tinha tudo pra ser uma volta à primeira divisão em grande estilo. Foram 43 pontos conquistados dentro de campo, ataque mais positivo, melhor média de público, artilheiro da competição, melhor saldo de gols e uma série de pontos positivos. Porém, em meio a uma sequência suspeita de WO´s verificados na reta final da segunda divisão, o Alto Santo saiu da quarta colocação e terminou a fase classificatória em segundo lugar, com um ponto a mais que o time coral. O Ferrão, com sua grande campanha, ficou em terceiro. O Horizonte, primeiro colocado, terminou com 3 pontos a mais que o Tubarão da Barra, exatamente a diferença de pontos conquistada também em razão de uma partida que terminou em WO, ainda no início da competição. Em meio a tantos jogos decididos fora de campo, o Ferroviário busca na justiça o seu retorno à elite cearense. Além disso, o Alto Santo colocou um jogador irregular em seu último jogo da competição, mais uma briga que vai parar nas barras judiciais. As chances corais são excelentes, porém é preciso ficar ligado nos bastidores tradicionalmente imundos do futebol cearense.

Valdeci: destaque do campeonato

Foi um campeonato duro para o Ferroviário, que se acostumou a viver em grave crise financeira como a imensa maioria dos times brasileiros. Nomes como o experiente zagueiro Erandir, o jovem defensor Túlio, o bom volante Jonathas, os meias Diego Silva e Da Silva, além dos atacantes Roney e Valdeci, fizeram uma ótima competição. Sem dúvida, o campeonato deu principalmente ao jovem Valdeci a condição de pensar em melhoras na sua carreira. A toda hora surgem notícias do interesse de outros clubes no jogador, que em julho de 2013 fez sua primeira partida pelo time profissional lançado pelo então treinador Julinho Camargo, num amistoso contra o Sindicato dos Atletas, no Elzir Cabral. O futuro do clube é incerto como o de Valdeci. Pela primeira vez, desde 2010, quando foi criada a Taça Fares Lopes como competição para o segundo semestre, o Ferroviário não participará alegando dificuldades financeiras. O fato do clube não ter pelo menos uma equipe Sub-20 para a disputa chega a ser preocupante. O foco estará nas barras da justiça e nas eleições que podem ser antecipadas. E o pensamento a todo momento na primeira divisão em 2017.