IMAGENS RARÍSSIMAS DE UM GRANDE CLÁSSICO DAS CORES EM 1978

Não deixe de ver o vídeo acima. É mais uma pérola resgatada pelo Almanaque do Ferrão. Trata-se de uma vitória coral em cima do Fortaleza pelo campeonato cearense na já longínqua temporada de 1978. Era exatamente um 3 de setembro como hoje, portanto há 38 anos. As imagens dos Gols do Fantástico daquele domingo são as mais antigas que se tem notícia na história do clube. Este é o quarto vídeo referente ao campeonato de 1978 que conseguimos recuperar, depois de buscarmos no fundo do baú os gols de dois jogos contra o Ceará e de uma partida contra o América. Treinado pelo saudoso Lucídio Pontes, o Tubarão da Barra fazia a estreia do experiente goleiro Gilberto, vindo do futebol pernambucano. Os gols foram do craque Jacinto e do eficiente volante Doca, enquanto Ié descontou para o Fortaleza. Foi uma vitória bastante celebrada. Seis dias depois, o Ferrão conquistaria o 1º turno e carimbava o passaporte para as finais do campeonato.

Meio campista Jacinto e treinador Lucídio Pontes em 1978: dois nomes eternos do Ferroviário

Repare na escalação do Ferrão: Gilberto, Paulo Maurício, Lúcio Sabiá, Arimatéia e Cândido; Jodecir (Ricardo Fogueira), Doca e Jacinto (Jorge Bonga); Marcos, Paulo César e Babá. O  zagueiro Cândido, formado nas categorias de base do próprio clube, atuou improvisado na lateral esquerda. O experiente Ricardo Fogueira também fez sua estreia nessa partida, entrando no segundo tempo, e logo depois assumiu a titularidade da camisa 6 do Ferroviário. O meia Jorge Bonga, ex-Sport/PE, foi outro estreante naquele domingo. O Fortaleza, do técnico interino Wilson Couto, perdeu com Lulinha, Roner, Celso Gavião, Otávio Souto e Jair; Joel Maneca, Bibi e Lucinho (Batista); Haroldo (Iê), Geraldino Saravá e Dudé. Peceba a presença de Celso Gavião na zaga tricolor, ele que foi a principal contratação do Ferrão no início da temporada seguinte, numa verdadeira rasteira coral dada no Fortaleza. Foi o jogo 1.625 da nossa história, que teve o falecido Gilberto Ferreira no apito e um público pagante de 14.574 pessoas. Depois de cinco anos bastante difíceis, a temporada de 1978 definitivamente reacendia a chama do Ferrão.

O DOMINGO QUE ROBERTO CEARENSE BRILHOU COM O GOL DO FANTÁSTICO

Há pelo menos 35 anos, o futebol cearense conhece Roberto Cearense, mais uma cria do Ferroviário que rodou o mundo. Quando atendia apenas por ´Roberto`, marcou o famoso ´Gol do Fantástico` e foi destaque no programa nacional mais conhecido da Rede Globo de Televisão. O apelido ´Cearense` foi acrescentado ao nome quando foi negociado com o Sport/PE, justamente para não ser confundido com outro atacante de nome Roberto, que acabara de ser vendido pelo clube pernambucano para o Internacional/RS. Anos atrás, a TV Verdes Mares revirou seu baú e homenageou Roberto Cearense mostrando aquele lindo gol contra o América/CE, marcado na manhã de um domingo, no já distante 27/9/1981, no PV, diante de 2.882 pagantes, e em cima justamente do lendário Marcelino, ex-arqueiro do próprio Ferroviário. É sempre bom rever aquele colírio, agora eternizado no Almanaque do Ferrão, e recordar um jovem Roberto Cearense em ação, no auge de seus 90 jogos e 40 gols com a camisa coral. Aproveite!

HÁ 30 ANOS VITÓRIA EM CIMA DO LEÃO COM GOL DE CARDOSINHO

O Almanaque do Ferrão liga sua máquina do tempo e retorna exatamente 30 anos na história coral. No dia 13 de outubro de 1985, um domingo, o Tubarão da Barra decolava no campeonato cearense ao vencer, pela segunda vez em três semanas, o time do Fortaleza. O ponta direita Cardosinho, em cobrança de falta, marcou o tento da vitória coral por 1×0 naquela tarde no Castelão. Comandado por Caiçara, o Ferroviário jogou com Serginho, Laércio, Arimatéia, Léo (Zé Luís) e Vassil; Doca, Alex (Nélson) e Arnaldo; Cardosinho, Nildo e Foguinho. Quatro detalhes marcaram aquela partida: o ótimo volante Alex contundiu-se seriamente com uma ruptura dos meniscos, o artilheiro Luizinho das Arábias desfalcou o Ferrão, seu substituto foi o paraense Nildo, que depois brilhou com a camisa do Grêmio/RS e o meia Denô, ex-Sport/PE, assistiu ao jogo nas cadeiras como nova contratação de peso para a competição. Confira o gol de Cardosinho no vídeo acima em meio à imagens raríssimas recuperadas daquele período.

CRAQUES SÃO ETERNOS: RECORDE A PASSAGEM DE BETINHO PELO FERRÃO

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Ferroviário em 1984: Betinho carrega a tarja vermelha de capitão na manga do uniforme

Roberto Fontana Madeira era um verdadeiro craque. Essa é a mais perfeita referência para esse ex-jogador do Ferroviário, que chegou na Barra do Ceará já no crepúsculo de sua carreira, mas que conquistou uma verdadeira idolatria junto à torcida coral. Foram 83 jogos e 27 gols pelo clube entre 1982 e 1984, sendo 14 deles em grandes clássicos contra Ceará e Fortaleza, quando chegava a decidir as partidas. Estamos falando de Betinho, o experiente camisa 10 do Ferrão, o cérebro da equipe, um dos maiores jogadores em toda a história do futebol cearense. Talvez ele não saiba, mas seu nome é especialmente citado na versão impressa do Almanaque do Ferrão exatamente na parte dos agradecimentos. Pelo que? Por tudo que ele fez em campo e pelo que representou na época para jovens torcedores – como o autor da publicação, é bom que se diga.

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Betinho no Ferrão

Betinho nasceu no Espírito Santo. Despontou para o futebol como atacante no Botafogo/RJ, mas foi em Pernambuco que trilhou grande parte de sua carreira de sucesso conquistando títulos sucessivos pelo Santa Cruz, Náutico e Sport. Ele tinha acabado de completar 35 anos de idade quando trocou o Leão da Ilha pelo Tubarão da Barra, mesmo ostentado o posto vigente de artilheiro do campeonato pernambucano com 12 gols, comprado que foi pelo Ferroviário por CR$ 3 milhões de cruzeiros, uma excelente contratação de impacto por parte do presidente José Lima de Queiroz. Era agosto de 82 e Betinho encaixou como uma luva no meio campo coral. Fez uma dupla implacável com o atacante Jorge Veras e ajudou a equipe a chegar à final em duas temporadas consecutivas. Em 84, em meio a grave crise política e financeira, Betinho pendurou as chuteiras no meio do campeonato cearense e teve uma brevíssima passagem como treinador de uma equipe desfigurada e recheada de problemas. Foram apenas 7 partidas no comando técnico coral, dirigindo seus ex-companheiros, o que na prática representou apenas um mês de trabalho. Deixou o clube, mas nunca saiu da memória de seus torcedores.

Betinho completou 68 anos de idade no último dia 9 de julho. Ele mora hoje em Recife e dá seus pitacos no futebol moderno, tão carente de jogadores com sua qualidade, como comentarista esportivo. Descobrimos um vídeo do Diário de Pernambuco, de 2012, onde ele fala especificamente de sua trajetória no futebol pernambucano, que por si só merece ser visto já que dele nunca mais se ouviu falar no futebol cearense. Que as imagens da janela abaixo apresentem para os torcedores mais jovens um verdadeiro craque, um ídolo na verdadeira acepção da palavra, nosso ex-jogador, alguém para nunca se esquecer.

VÍDEO RARO DE VITÓRIA CORAL NO CAMPEONATO CEARENSE DE 1978

O vídeo mais antigo do Ferroviário no YouTube mereceu destaque do blog em postagem no mês de outubro do ano passado. Tratava-se do confronto contra o Ceará no dia 26 de novembro de 1978, vitória alvinegra pelo placar de 1×0. Para a surpresa de todos, no mês passado, caiu na rede outro vídeo exatamente do mesmo ano, novamente contra o Ceará, só que de uma partida realizada em 8 de outubro. Dessa vez, vitória coral por 2×1 e um show de imagens que mostram jogadores emblemáticos como Ricardo Fogueira, Jorge Bonga, Paulo César e Babá em ação com a camisa coral. A dica partiu do internauta Charles Garrido, um dos maiores entusiastas das atualizações do Almanaque do Ferrão, que entrou em contato por mensagem para avisar a boa nova.

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Presidente do Ferrão: Célio Pamplona

As imagens do vídeo não mostram a expulsão do zagueiro Lúcio Sabiá, que deixou o time coral com um homem a menos durante a maior parte do jogo. Também não mostram o pênalti claro do goleiro Procópio cometido em cima de Paulo César. Porém, mostram a reclamação contra a arbitragem e o destempero do dirigente alvinegro Antônio Góes, que na intempestividade de sua juventude, deu um soco no árbitro Leandro Serpa ao reclamar de uma expulsão claramente acertada após falta violenta em cima do ponta esquerda Babá. A agressão valeu a punição de um ano ao dirigente. Era o jogo 1.633 da história coral, assistido por 19.687 pagantes. O Ferrão, que já havia vencido o 1º turno, marchava célere para a conquista do returno, porém caiu na disputa de pênaltis na final contra o Fortaleza realizada três semanas depois, uma grande injustiça para o ótimo time montado pelo presidente Célio Pamplona, que tinha em sua diretoria nomes inesquecíveis como Ruy do Ceará, Elzir Cabral, José Rego Filho, Chateaubriand Arrais, Telmo Bessa e Mário Picanço.

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Experiente Gilberto: goleiro coral em 1978

Repare na excelente formação do Ferroviário, treinado pelo competente Lucídio Pontes: Gilberto, Paulo Maurício, Lúcio Sabiá, Arimatéia e Ricardo Fogueira; Jodecir, Doca e Jacinto (Jorge Bonga); Marcos (Luizinho), Paulo César e Babá. O Ceará, do técnico Sebastião Leônidas, lendário ex-zagueiro do Botafogo/RJ, jogou com Procópio, Tércio, Pedro Basílio, Artur e Dodô; Edmar, Danilo (Júlio) e Erasmo; Jangada, Ivanir (Mickey) e Tiquinho. Na formação alvinegra, dois grandes atletas formados no próprio Ferroviário: Edmar e Danilo Baratinha. E ainda três nomes que vestiriam depois a camisa coral: Procópio, Artur e Jangada. Os gols do Ferrão foram do meia Jorge Bonga, ex-Sport/PE, e do ponta direita Marcos, ex-São Paulo/SP. Na meta coral, a tranquilidade do experiente Gilberto, que marcou época em Pernambuco como goleiro pentacampeão pelo Santa Cruz/PE e posteriormente como descobridor de Rogério Ceni enquanto treinador de goleiros do São Paulo/SP. Nomes de um grande time, que fez um grande campeonato, o que apenas confirma o dado de maior média de público da história do Ferroviário pertencer justamente ao grupo de dirigentes e jogadores que disputaram o campeonato cearense de 1978. Para sempre lembrados.

ARTILHEIRO IMPLACÁVEL DO FERRÃO VAI VIRAR TEMA DE LIVRO EM BREVE

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Pacoti em 1958

Pacoti, o artilheiro implacável do Ferroviário na década de 1950, vai virar tema de livro em breve. A iniciativa é do escritor cearense Saraiva Júnior, que há alguns anos vem trabalhando arduamente nas pesquisas e entrevistas para a obra. Francisco Nunes Rodrigues é o nome de batismo de Pacoti, que nasceu na cidade de Quixadá e se consagrou no futebol cearense vestindo a camisa do Ferrão, depois ganhou o mundo e brilhou no Sport/PE, Vasco/RJ e até no exterior, no Sporting de Lisboa, quando teve a honra de ser o primeiro cearense a disputar a famosa Liga dos Campeões da Europa, a Champions League, na temporada 1961/62, quando seu clube foi eliminado em 2 jogos contra o Partizan, da Iugoslávia, na fase pré-eliminatória da competição. Atualmente, Pacoti tem 82 anos de idade e reside no bucólico bairro da Praia de Iracema, em Fortaleza.

FORTALEZA, CE, 16-12-2014: Lançamento da Calçada da Fama, no espaço cultural da Arena Castelão. (Foto: Edimar Soares/O POVO)

Pacoti na Calçada da Fama da Arena Castelão

Pacoti teve duas passagens no Ferroviário, a primeira de 1955 a 1958 e a outra no final de sua carreira, entre 1966-1967, totalizando 78 jogos e 51 gols marcados com a camisa coral. Em 2013, seu nome foi escolhido na campanha ´Time dos Sonhos` e entrou definitivamente para a galeria dos maiores jogadores da história coral. No final do ano passado, Pacoti foi homenageado na Arena Castelão com seus pés eternizados na ´Calçada da Fama` daquela praça esportiva. A obra sobre o velho ´Pacote`, como é carinhosamente chamado pelos amigos mais próximos, será a segunda incursão literária do escritor Saraiva Júnior no futebol cearense, a primeira foi o livro sobre a carreira do craque Mozart, que foi companheiro de do próprio Pacoti no Ferroviário no ano de 1966.

ÁUDIO DE CAETANO BAYMA SOBRE A COMPRA DO PASSE DE SERGINHO

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Serginho: goleiro do Ferroviário

João Sérgio Rêgo Filho, pernambucano de Surubim, chegou para o Ferroviário em agosto de 1985, emprestado pelo Central de Caruaru. Cria do Sport/PE, o goleiro passou a ser chamado de Serginho ainda na época da categoria de base e tinha no vitorioso irmão Lulinha, de grandes passagens por Fortaleza e Ceará, uma excelente referência debaixo das traves. Em grande forma, Serginho foi a sensação coral no último trimestre do campeonato cearense, realizando grandes defesas. Permaneceu em 1986, foi emprestado no ano seguinte para Alagoas e retornou em 1988 quando foi titular do Ferroviário nos dois primeiros turnos, antes de ser negociado em definitivo com o o Asa de Arapiraca.

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Serginho, de camisa azul e branca, no time de 1985

Em sua primeira temporada no Tubarão da Barra, Serginho salvou o Ferroviário em várias partidas. Era frequentemente escolhido pelas equipes esportivas como o destaque dos jogos e faturava prêmios com suas belas defesas. Em 23/10/85, uma defesa monumental numa cabeçada certeira do zagueiro Argeu valeu ao goleiro coral o Pinguim de Ouro da promoção ´Grande Lance Antarctica` e garantiu o 0x0 no placar diante do Ceará. Contra o mesmo adversário em 17/11/85, mais uma grande defesa de Serginho e a vitória coral por 2×0. O Almanaque do Ferrão recuperou a transmissão radiofônica desses dois lances e apresenta abaixo com exclusividade. Além das narrações na voz de Vilar Marques e Júlio Sales, o torcedor coral pode ouvir o presidente Caetano Bayma, que comenta em entrevista a sua intenção de angariar recursos para comprar o passe do goleiro junto ao Central/PE, fato este que se concretizou meses depois para a alegria dos admiradores de Serginho. Já se vão 30 anos dessas gravações, mas o blog recupera o material para a nação coral.