NO RETORNO DA CAMISA PRETA, FERRÃO REEDITA VITÓRIA DE 1982

Paulo Velozo e Marcelo Vilar em Recife

Sem vestir em campo o uniforme preto desde a temporada de 2013, o Ferroviário adotou novamente a referida cor em sua terceira camisa ontem contra o Náutico de Recife. Nos últimos seis anos, o clube chegou a adotar o dourado e um estranhíssimo laranja em seu terceiro uniforme, que acabou indiretamente homenageando o gênio do futebol Johan Cruijff no dia do seu falecimento. Entretanto, nenhuma das experiências anteriores conseguiram ser mais elegantes e vistosas que a bela criação preta da fornecedora BM9 para a atual temporada. E a nova camisa deu sorte! Jogando no estádio dos Aflitos novamente, algo que não acontecida na vida coral desde 1983, o time coral reeditou o feito da equipe de 1982 e bateu o Naútico/PE dentro de seus domínios em uma competição nacional. Se naquela oportunidade foi a vez de nomes como Barbiroto, Jorge Henrique, Meinha, Paulo César Cascavel e Roberto Cearense, agora foi a vez de Nicolas, Michael, Janeudo, Caxito e Léo Jaime. Em 2019, o Tubarão da Barra derrotou o Náutico/PE exatamente como o time de 1982. Foi 3×2 no passado e 1×0 no presente! O dia foi genuinamente coral em Recife. Teve até visita do ex-atacante Paulo Velozo, super campeão estadual em 1970 com a camisa coral, que visitou o clube no hotel, almoçou com os dirigentes corais, posou para fotos, inclusive uma específica com o competente treinador Marcelo Vilar, e foi ao estádio ver o time que defendeu ao vivo depois de longos anos. Esse é pé quente! E assim segue a vida coral, reverenciando o seu passado e construindo sempre um presente sólido de olho num futuro melhor. Abaixo, uma belíssima foto do Ferroviário de 2019 no estádio dos Aflitos na volta triunfal da camisa preta.

Ferroviário contra o Náutico em 2019 com camisa preta – Atletas em pé: Nicolas, Osvaldir, Afonso, Da Silva e Gleidson; Agachados: Caxito, Michael, Janeudo, Leanderson, Mazinho e Léo Jaime

RETROSPECTIVA DE TODOS OS JOGOS DO FERRÃO CONTRA O SANTA CRUZ

Matéria do Correio do Ceará logo após a vitória coral em cima do Santa Cruz de Recife em 1968

Até a Série C de 2019, Ferrão e Santa Cruz/PE se enfrentaram dez vezes, a maioria dos jogos concentrados entre as décadas de 1940 e 1960. O time pernambucano costumava passar em Fortaleza durante suas excursões. No ano de 1968, o Santa Cruz se deu bem contra Ceará e Fortaleza, mas caiu no terceiro jogo para uma  onzena coral que comemorara o título estadual invicto um mês antes, o que acabou sendo considerado pela imprensa esportiva como uma vingança do futebol cearense. O último confronto ocorreu na já longínqua temporada de 1986 em amistoso preparatório para o campeonato brasileiro que envolveu as duas equipes no estádio do Arruda em Recife. Por ocasião desse último embate, devido ao fato de ser meramente uma partida amistosa e, ainda por cima, realizada num sábado à noite, apenas a Rádio Verdes Mares de Fortaleza transmitiu a única partida do Ferroviário contra o Santa Cruz em Pernambuco. Vamos à lista de jogos abaixo, mas antes atente para duas importantes curiosidades: o Brasileiro da Série C de 2019 trará os primeiros jogos oficiais entre os dois times na história e, pela primeira vez, eles jogarão no Castelão.

Jogo 01 – 21/08/1941 – Ferroviário 5×1 Santa Cruz/PE – Estádio do Prado – Amistoso
Jogo 02 – 25/01/1942 – Ferroviário 2×2 Santa Cruz/PE – PV – Amistoso
Jogo 03 – 08/02/1942 – Ferroviário 2×1 Santa Cruz/PE – PV – Amistoso
Jogo 04 – 19/03/1947 – Ferroviário 2×4 Santa Cruz/PE – PV – Amistoso
Jogo 05 – 03/01/1959 – Ferroviário 0x2 Santa Cruz/PE – PV – Amistoso
Jogo 06 – 12/12/1959 – Ferroviário 1×2 Santa Cruz/PE – PV – Amistoso
Jogo 07 – 18/08/1968 – Ferroviário 2×1 Santa Cruz/PE – PV – Amistoso
Jogo 08 – 27/05/1972 – Ferroviário 3×2 Santa Cruz/PE – PV – Amistoso
Jogo 09 – 14/07/1974 – Ferroviário 2×1 Santa Cruz/PE – PV – Taça Breno Vitoriano
Jogo 10 – 23/08/1986 – Santa Cruz/PE 1×1 Ferroviário – Arruda – Amistoso

FERRÃO IGUALA HISTÓRIA E DOBRA VANTAGEM EM CIMA DO CONFIANÇA

Depois de 14 anos, o Ferrão voltou a disputar a Copa do Brasil, uma das competições mais democráticas do futebol nacional. Ao bater o Confiança/SE por 2×1 em jogo único, realizado ontem à noite no Estádio Presidente Vargas, o time coral igualou sua marca histórica de chegar à segunda fase da competição, fato ocorrido em 2004 quando o Tubarão da Barra primeiro teve que passar pelo América/RN para pegar o Corinthians/SP na sequência do campeonato. Dessa vez, o adversário da segunda fase será o Sport/PE e será uma grande oportunidade para o Ferrão fazer história e chegar à terceira fase da Copa do Brasil de forma inédita. O jogo será na Ilha do Retiro, em Recife, onde o Ferroviário não se apresenta desde 1981. O resultado de ontem em cima do Confiança ainda dobrou a vantagem coral em termos de números de vitórias contra o time sergipano. Agora, em sete confrontos na história, o Ferrão ostenta 4 vitórias (1984, 1997, 2006 e 2018) contra apenas 2 vitórias do Confiança (1984 e 1997). Ocorreu ainda um empate entre ambos na Série C de 2006. Dá pra dizer que o Confiança é freguês do Tubarão da Barra? Talvez. Por que não? Confira abaixo a excelente vitória coral de ontem com um mix das imagens da Tv Artilheiro e a narração de Antero Neto da Rádio Verdes Mares de Fortaleza. Vale a pena!

FAMÍLIA FINALMENTE CONSEGUE FALAR COM EX-ATLETA NO EQUADOR

Ex-artilheiro Paulo César e seu genro em foto tirada recentemente em Guayaquil no Equador

Trinta dias depois da nossa matéria sobre as três décadas que separaram um dos maiores artilheiros corais de sua família, uma excelente notícia chegou no apagar das luzes de 2017. No último dia 30 de dezembro, por intermédio do aplicativo Whatsapp, os familiares do ex-atacante Paulo César, diretamente de Recife, finalmente conseguiram contato com ele em Guayaquil, no Equador. Paulo César conversou através de vídeo com suas irmãs que, até antes da matéria produzida aqui no blog, achavam que ele já havia falecido. A família do ex-jogador do Ferroviário relatou que foi impossível conter as lágrimas e o encontro virtual foi regado de muita emoção e grandes recordações. Desde o dia em que teve sua carteira extraviada com todos os seus documentos, contendo inclusive o número do telefone da vizinha de sua mãe em Recife, Paulo César nunca mais havia conseguido conversar com seus irmãos. Na semana passada, ele agradeceu a Deus o excelente presente de fim de ano.

Paulo César com um de seus netos

Através do bate-papo virtual, os familiares de Paulo César tomaram conhecimento que ele casou novamente no Equador nos anos 1980, quando deixou o Brasil para jogar no futebol equatoriano. Hoje, Paulo César tem três filhos, sendo uma brasileira fruto de seu primeiro casamento e um casal de equatorianos, além de doze netos. Ele mora com uma das filhas e seu passatempo favorito é brincar com seus netos. Nas horas vagas, ainda gosta de jogar futebol. O jornalista equatoriano Diego Arcos foi fundamental para esse reencontro de Paulo César com sua família no Brasil. Foi ele quem localizou uma das filhas do ex-jogador e passou o contato dos parentes brasileiros que buscavam notícias do ente querido. Na conversa, Paulo César mostrou-se bastante lúcido e lembrava de detalhes da sua infância em Recife, de todos os irmãos e até do nome da rua em quem moravam. Seus filhos equatorianos também se emocionaram bastante com a satisfação do pai.

Com a camisa do Barcelona de Guayaquil

Perguntado sobre o Ferroviário Atlético Clube, Paulo César comentou com bastante carinho sobre seu ex-clube para a família. O Tubarão da Barra foi o time em que o ex-atleta obteve mais destaque atuando no futebol brasileiro, onde vestiu também as camisas do Moto Clube/MA e do Santa Cruz/PE. Na Barra do Ceará, foram 137 partidas e 88 gols marcados com o uniforme do Ferroviário, o que o coloca como o quarto maior goleador da história do clube, atrás apenas de Macaco, Fernando e Zé de Melo. Quando se despediu do Ferrão em 1981, passou a defender a Liga de Quito no Equador, foi vice-campeão nacional, marcou 25 gols e conduziu sua equipe à Copa Libertadores. Diante do sucesso de sua primeira temporada em terras equatorianas, foi contratado pelo famoso Barcelona de Guayaquil, onde se tornou astro nas três temporadas seguintes e se transformou numa verdadeira lenda na história da equipe, marcando 6 gols em jogos da Libertadores e 55 gols no campeonato nacional entre 1982 a 1984. O Almanaque do Ferrão encerra sua primeira matéria em 2018 com um vídeo mostrando um golaço de Paulo César vestindo a camisa do Barcelona de Guayaquil em jogo da Libertadores de 1982. E que agora Paulo César e sua família celebrem o dom do grande reencontro!

RAMON É O ÚNICO TREINADOR CAMPEÃO NO FERRÃO AINDA VIVO

Ramon Ramos atuou em grandes clubes e marcou 18 gols em 27 partidas como atacante do Ferrão

O Ferroviário foi campeão estadual em nove oportunidades: 1945, 1950, 1952, 1968, 1970, 1979, 1988, 1994 e 1995. Disso, todos sabem. O que pouca gente percebeu é que seis dos sete treinadores até hoje campeões estaduais pelo Ferrão já partiram dessa vida. Com o falecimento, em maio passado, do ex-técnico Alexandre Nepomuceno, comandante no título de 1970, o pernambucano Ramon Ramos é o único sobrevivente coral entre os treinadores que venceram o campeonato cearense pelo clube. Além de Alexandre Nepomuceno, já foram pro andar de cima os seguintes nomes: Valdemar Caracas (1945), Babá (1950 e 1952), Ivonísio Mosca de Carvalho (1968), César Moraes (1979 e 1994) e Lucídio Pontes (1988). Ramon Ramos mora em Recife e já mereceu postagem especial aqui no blog. Ex-jogador em grandes clubes do futebol brasileiro e do próprio Ferroviário em 1984, Ramon começou a carreira de técnico no próprio Tubarão da Barra, comandando a equipe coral em 87 partidas no total dentro das temporadas de 1988, 1995 e 1996. Ano que vem, o Ferroviário estará na vitrine da Copa do Nordeste, uma das competições mais respeitadas do futebol brasileiro hoje em dia e ocasião melhor não há para homenagear o único treinador campeão cearense pelo Ferrão ainda vivo. Nada mais adequado e justo para um nordestino que foi artilheiro e simplesmente um vitorioso treinador no tão decantado bicampeonato do Ferrão para sempre lembrado. Fica a dica!

VOCÊ SABE POR ONDE ANDA O CRAQUE PARANAENSE DENÔ?

Ex-craque Denô, com seus cabelos brancos, ensina uma nova geração de jogadores numa escolinha

Ele entrou em campo 63 vezes com a camisa do Ferroviário e era um craque na verdadeira acepção da palavra. Marcou 23 gols no total e está na lista dos campeões estaduais de 1988, assinalando inclusive 4 gols no campeonato cearense, durante os seis meses que permaneceu na Barra do Ceará naquela temporada. Estamos falando de Lindenor Barbosa de Araújo, o Denô, ex-jogador paranaense, nascido em Curitiba, que despontou no futebol pernambucano e vestiu camisas importantes do futebol brasileiro. Ele mora em Recife desde que pendurou as chuteiras. Aos 56 anos de idade, Denô tem uma escolinha de futebol na capital pernambucana, enveredou pela carreira de empresário de atletas e ainda bate uma bolinha entre seus veteranos amigos do futebol.

Craque Denô com a meninada coral

Denô surgiu no Sport/PE no final da década de 70. Em 1982, a categoria do jogador chamou a atenção do Internacional/RS e ele foi negociado numa transação que foi comentada em todos os noticiários esportivos do país. Sem reeditar o mesmo brilho em Porto Alegre, acabou retornando para Pernambuco em 1984, onde defendeu o Náutico/PE. Em outubro de 1985, Denô foi contratado em definitivo pelo Ferroviário, numa negociação que abalou as estruturas do futebol cearense em razão da enorme qualidade técnica do jogador. A dupla Caetano Bayma e Vicente Monteiro adquiriu o passe do atleta pela quantia de 200 mil cruzeiros e Denô fez sua estreia pelo Ferrão na noite de 31 de outubro, contra o Fortaleza, no PV. Três dias depois, num domingo à tarde, já deixava sua marca, assinalando seu primeiro gol com a camisa coral contra o Calouros do Ar. Denô encaixou como uma luva no grande time comandado pelo experiente treinador Caiçara. Ele permaneceu para a temporada de 1986, foi emprestado para o Fortaleza no segundo semestre daquele ano para as disputas do campeonato brasileiro, esteve no ASA/AL no ano seguinte e retornou para o Ferrão no início de 1988, de onde saiu no final de junho para defender o Bragança de Portugal. Foram vários anos atuando no futebol português por sete equipes diferentes, com uma passagem ainda pelo futebol chinês em meados dos anos 90, antes de encerrar definitivamente a carreira na temporada europeia de 1999/2000.

Denô em foto recente no Recife

Recentemente, o ex-jogador do Ferroviário Atlético Clube esteve na Arena Pernambuco para uma partida com amigos de Recife e ex-atletas. Apesar de ter parado profissionalmente, o futebol continua no sangue de Denô. O ex-craque coral tem um filho que joga futebol na Europa e segue os passos do pai. Para matar a saudade da passagem de Denô pelo futebol cearense, o Almanaque do Ferrão vasculhou os arquivos e encontrou um áudio raro da temporada de 1985 em que o ex-jogador é entrevistado pelo repórter Bosco Farias, da Rádio Verdes Mares de Fortaleza, em dezembro daquele ano, antes de uma partida do campeonato cearense. Na ocasião, a torcida coral gritava o nome do jogador, fato este destacado na própria entrevista que você pode ouvir abaixo. A titulo de curiosidade, o áudio abaixo chegou a ser veiculado, há alguns anos, no programa Rádio Ferrão, onde o locutor Saulo Tavares desafiava os torcedores corais a responderem, por telefone, o quadro ´De quem é essa voz?`. Aproveite o áudio raro e volte mais de 30 anos no tempo para recordar a voz e conferir um depoimento de Denô antes de entrar em campo com a gloriosa camisa coral.

TÍTULO INESQUECÍVEL DE 1970 COMPLETA MAIS UM ANIVERSÁRIO

Notícia na capa do Jornal O Povo anunciava o título do Ferroviário de campeão cearense em 1970

Parece que foi ontem. Amilton Melo deixou o atacante Paulo Velozo na cara do gol. Edmar e Coca Cola deitaram e rolaram. Simplício mandou um jogador do Ceará para a enfermaria com uma bolada no estômago. Quem mandou ficar na barreira? A potência de seu chute, todos já conheciam. Saudades do Esteves, do Eldo, do Mano e do Alísio. Já faz 46 anos da memorável conquista do Estadual de 1970, quando, obviamente, Ceará e Fortaleza jamais poderiam pensar em ganhar um campeonato no ano do centenário de instalação do eterno e querido transporte ferroviário no estado. Quanta ousadia seria. Até o Guarany de Sobral se meteu a besta e deu no que deu. Perdeu o jogo final por 3×1 naquele 7 de outubro como hoje, gols de Alísio, duas vezes, e Amilton Melo, diante de 13.028 pagantes no PV. Era apenas o jogo 1.203 da história do Tubarão da Barra.

Lance do Ferroviário no Estadual de 1970

Hamilton Ayres e Gomes sustentavam a defesa. Luiz Paes era o reserva imediato, só para se ter uma ideia do potencial do elenco coral. Virou professor e dos bons. Até o atacante Facó, que depois virou prefeito de Beberibe, andou esperando uma chance que nunca veio na onzena principal. Azar teve o goleiro Marcelino que deixou de sair na foto do time campeão por conta da intransigência dos dirigentes da Portuguesa/RJ. Chamaram-no antes do fim para ver o Corcovado. Aloísio Linhares veio e bateu o retrato. Coitado do Fortaleza, o freguês principal. Tinha até crediário. Apanhava a prestação e sequer chegou a marcar um único gol no Ferrão no campeonato inteiro. Cliente bom é assim. América e Tiradentes conheceram a fúria do ataque coral. O Calouros do Ar quis dificultar as coisas, mas não deu nem pro começo. Adeus Quixadá. Esse foi com Deus. Nas finais da competição, o urubu alvinegro bateu asas e voou. O Cacique do Vale sonhou alto demais e levou uma paulada. Não deu pra ninguém. Quem fez a festa foi a torcida coral, que invadiu o gramado do PV numa demonstração antológica de sua força. Alguém achou a cueca do Louro? Levaram tudo. Mas um título não se vence somente com onze jogadores. Ele é conquistado com a força de seus dirigentes. Agradeçam, portanto, a José Rego Filho e Ruy do Ceará, os grandes comandantes daquela jornada. Também ao inesquecível Elzir Cabral, que mesmo morando em Recife, era a alma daquela direção. Agradeçam a todos que compunham aquela diretoria invejável, como já cantava Zezé do Vale.