GOL HISTÓRICO DO FERROVIÁRIO NO MARACANÃ COMPLETA ANIVERSÁRIO

Aconteceu numa quarta à noite, exatamente num dia 12 de março como hoje. Só que no ano de 1980. O Ferroviário já tinha enfrentado o Flamengo/RJ três vezes anteriormente, mas nunca tinha ido ao Rio de Janeiro. O adversário carioca ainda não era Campeão do Mundo, mas já tinha montado o melhor elenco de sua história. O Ferrão fazia boa campanha no campeonato brasileiro, bem mais integrado e nacionalizado que o formato atual de disputa. Foi um jogo histórico apesar da derrota coral, televisionado para todo o estado do Ceará através da TV Verdes Mares. O barbudo Almir foi o terceiro jogador de um time cearense a marcar um gol no lendário Maracanã. Antes dele, apenas Gildo e Geraldino Saravá haviam alcançado essa façanha. O Flamengo venceu por 2×1, com dois gols do ídolo Zico. No lance mais polêmico, o árbitro Hélio Corso interpretou como pênalti uma boa que bateu na mão do zagueiro Nilo. Jogo duro, resultado apertado.

Almir e Aristóbulo no Rio de Janeiro

Treinado pelo cearense Aristóbulo Mesquita, que fez sua carreira como atleta no próprio Flamengo/RJ nos anos 50, o Ferroviário formou com Salvino, Jorge Luís, Nilo, Celso Gavião e Ricardo Fogueira; Doca, Bibi e Nilsinho (Hélio Sururu); Ari (Haroldo), Almir e Babá. Já o time carioca, do saudoso técnico Cláudio Coutinho, venceu com Raul, Toninho, Rondinelli, Marinho e Júnior; Carpegiani, Adílio e Zico; Reinaldo, Tita (Andrade) e Carlos Henrique. Há alguns anos, essa memorável partida do Ferroviário virou até crônica intitulada ‘Dias de Glória no Maraca´, publicada numa das dez edições da Expresso Coral, revista oficial do Ferrão distribuída nas bancas de revistas entre janeiro de 2008 e abril de 2010. Pouco tempo depois, em razão das maravilhas que só a Internet propicia, o vídeo com os gols do jogo caiu no YouTube e merece o devido destaque acima em nosso blog. De quebra, acompanhe ainda entrevistas com os jogadores do Flamengo/RJ após a partida, comentando sobre a contratação do ídolo vascaíno Roberto Dinamite, que estava no Barcelona da Espanha, o que acabou não ocorrendo.

LENDÁRIO EMBATE CONTRA A PONTE PRETA E CONSAGRAÇÃO DE SALVINO

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Foi num 2 de março como hoje. Em 1980. Treinado pelo cearense Aristóbulo Mesquita, ex-jogador do Flamengo/RJ, o Ferroviário enfrentou a Ponte Preta/SP dentro do seu estádio em Campinas e arrancou um empate com gosto de vitória, numa tarde que consagrou o goleiro Salvino, com pelo menos 6 defesas de pagar o ingresso dos 8.336 expectadores. O 0x0 no placar foi heróico diante de um adversário que naquela época tinha grandes jogadores, costumava figurar entre os finalistas do campeonato paulista e que fazia boa campanha naquela edição na elite do campeonato brasileiro. Foi apenas o jogo 1.740 da história coral e olhe que hoje já se vão quase 3.550 embates, razão pela qual o Almanaque do Ferrão resgata detalhes daquela partida que faz aniversário.

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Nilo: grande partida

Foi a primeira partida oficial do zagueiro Nilo, contratado junto ao Tiradentes/CE. Ele, que ficou vários anos no clube e chegou a 244 jogos com a camisa do Ferrão, atuou de forma primorosa. Teve também o zagueiro paid´égua Artur, ex-Ceará, improvisado de volante, e um centroavante chamado Hélio Sururu, que brilhou no futebol paraibano, mas que na Barra não foi lá essas coisas todas. No time de Campinas, treinado por Zé Duarte, o goleiro era Carlos, titular da seleção brasileira na Copa de 86, além dos craques Osvaldo e Marco Aurélio na meia cancha e do lateral Edson, que também chegou a vestir a camisa da seleção canarinha. Foi um jogo difícil, no qual o lateral Jorge Henrique foi um dos maiores nomes em campo, ao lado do arqueiro coral que definitivamente roubou a cena naquela tarde.

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Salvino com a camisa do Ferrão

A atuação espetacular de Salvino lhe valeu um bicho extra de 2 mil cruzeiros por parte do diretor Moacir Pereira Lima, além dos outros 3 mil cruzeiros pagos para cada jogador que participou daquele jogo inesquecível. O goleiro coral foi parabenizado até pela diretoria da Ponte Preta. Repare na formação do Ferroviário: Salvino, Jorge Henrique, Nilo, Celso Gavião e Ricardo Fogueira (Doca); Artur, Bibi e Jacinto (Hélio Sururu); Ari, Almir e Nilsinho. O adversário atuou com Carlos, Toninho Oliveira, Orlando Fumaça, Eugênio e Odirlei; Humberto, Marco Aurélio e Osvaldo; Parraga (Edson), Ademir e João Paulo. Giose do Couto apitou a partida no estádio Moisés Lucarelli, naquela que deve ter sido a maior apresentação de Salvino Damião Neto defendendo o futebol cearense, ele que vestiu ainda as camisas do Fortaleza, Ceará e Tiradentes. O ex-goleiro ficou no clube até o final de 1981 e conquistou dois vice-campeonatos estaduais pelo Ferrão, totalizando 111 jogos com a camisa  coral. Salvino trabalhou até ano passado como treinador de goleiros do Fortaleza. Atualmente, aos 60 anos de idade, ele passa por sérios problemas de saúde e conta com a torcida de todos os desportistas cearenses.