GOLEIRO DO AMÉRICA/PE JOGOU MUITO NA LATERAL DO FERROVIÁRIO

América de Pernambuco na temporada de 1989 – Em pé: Roberto Potiguar, Pereira, Luciano, Gilney, Nasa e Nado; Agachados: Alfredo Santos, Helinho, Da Silva, Marcelo e Almir

A foto acima é de 1989. Ela é no mínimo curiosa. Trata-se do tradicional América de Recife, equipe que atualmente disputa a Série D do campeonato brasileiro. No último ano da década de 1980, a equipe pernambucana era patrocinada pela marca Tintas Coral, o mesmo patrocínio que o Ferrão chegou a estampar em seu uniforme no mesmo período. Porém, há uma outra coincidência um tanto quanto estranha. Repare no goleiro da foto. Trata-se de Nasa, que atuou com brilhantismo no Tubarão da Barra como volante e lateral direito. Foram 76 jogos entre 1993 e 1995 com a camisa coral, depois que chegou para o Ferrão oriundo do Guarani de Juazeiro. Dá pra ver que, como goleiro, Nasa tinha baixa estatura. Escolheu certo não arriscar mais na posição. Na memória, Nasa está no Time dos Sonhos, eternamente lembrado pela torcida coral.

125 GOLS ASSINALADOS NUMA MESMA FOTOGRAFIA ANTIGA

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Nasa, Batistinha e Acássio antes de mais uma partida do Ferroviário no Estádio Elzir Cabral

O retrato de hoje equivale a 125 gols do Ferroviário marcados nos anos 90. Em foto histórica no Elzir Cabral, reveja três jogadores corais que marcaram época: o lateral direito/volante Nasa (76 jogos e 7 gols), o atacante Batistinha (80 jogos e 44 gols) e o meio campista Acássio (132 jogos e 74 gols). Um pernambucano, um piauiense e um bom baiano respectivamente. Depois de passarem pelo Ferrão, Acássio e Nasa atuaram pelo Vasco/RJ. Batistinha, cria do Flamengo/PI, jogou ainda em times tradicionais do futebol brasileiro como Vitória/BA, ABC/RN, Remo/PA e Santa Cruz/PE. Nomes eternos!

DA BARRA DO CEARÁ PARA O MUNDIAL INTERCLUBES NO JAPÃO

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Celso Gavião: zagueiro do Porto em 1987

Hoje cedo, o poderoso Barcelona conquistou mais uma vez o título do mundial interclubes no Japão. Você sabia que ex-corais já tiveram o privilégio de saborear essa mesma conquista desde 1960? Como não lembrar de início do lendário Celso Gavião, o maior zagueiro-artilheiro da história do Ferroviário? Depois de deixar o time coral no final de 1980, ele ganhou o mundo e estava na zaga do Porto, campeão mundial em 1987, na final contra o Penarol do Uruguai. Para conseguir o feito, o time português havia conquistado o título de campeão europeu com direito a gol decisivo de falta de Celso Gavião, contra o Dínamo de Kiev, na antiga União Soviética, no episódio que colocou aqueles jogadores na história como os ´heróis de Kiev`. Na grande final, vitória portuguesa em cima do poderoso Bayern de Munique por 2×1 em jogo disputado em Viena. Do Ferrão para o mundo!

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Clemer, Ediglê, Mossoró e Iarley

O atacante Jardel, em 1995, e o lateral/volante Nasa, em 1998, chegaram perto de repetir o feito de Celso Gavião, com Grêmio/RS e Vasco/RJ respectivamente. Infelizmente tiveram Ajax e Real Madrid pelo caminho e a conquista não foi possível. Por outro lado, Iarley, seis anos depois de deixar a Barra do Ceará, teve a felicidade de conquistar o mundo com a camisa do Boca Juniores da Argentina, em 2003, na final contra o Milan da Itália. Em 2006, ele repetiu a dose, dessa vez defendendo o Internacional/RS na finalíssima contra o Barcelona. E Iarley não estava só. Ele tinha no time campeão o goleiro Clemer, que jogou no Ferrão em 1993, e o zagueiro Ediglê, que havia atuado no time coral em 1997. De quebra, a presença no grupo do potiguar Márcio Mossoró, que não foi inscrito para o mundial interclubes no Japão, mas havia conquistado a Libertadores meses antes ao lado dos ex-corais, ele que passou pelo Sub-20 do Ferrão em 2001 sem nunca ter atuado pelo time profissional. Sete nomes e histórias de mundiais pra contar. Só mesmo no Ferrão.

REVEJA OS GOLS DE UMA GOLEADA NUM 7 DE ABRIL COMO HOJE

Que tal recordar um jogo do Ferroviário disputado exatamente na data de hoje? Voltamos no túnel do tempo e vamos até 7 de abril de 1994, um ano mágico para o clube e por consequência para seus fiéis torcedores. Recuperamos as imagens de uma partida realizada naquela noite quando a máquina coral de fazer gols funcionou a pleno vapor. Foi um maravilhoso 6×0 contra o tradicional Calouros do Ar, com 2 gols do ídolo Acássio. Os outros tentos foram assinalados por Cícero Ramalho, Edinho, Nasa e Batistinha, que você pode conferir no vídeo acima.

Ainda treinado pelo carioca José Dultra, ex-zagueiro do Vasco/RJ e do Remo/PA, o Ferrão foi escalado com Dênis, Caetano (Edinho), Batista, Santos e Branco; Lima (Eron), Nasa, Acássio e Basílio; Batistinha e Cícero Ramalho. O Calouros tinha alguns jogadores que passaram pelo Ferroviário, inclusive contava com o comando técnico de Celso Gavião, um dos maiores zagueiros da história coral. Ele escalou o ´Tremendão da Aerolândia` com o futebol de Júnior Lemos, Zé Carlos, Márcio Gomes, Luciano e Paulo César; Feliciano, Idésio (Edmar) e Gilson; Nonato, Célio (Cafuringa) e Ronaldinho.

Após a extravagante vitória em cima do Calouros e de outros bons resultados, o Ferrão viveu dias complicados no campeonato pouco tempo depois. Numa partida contra o América, o Tubarão da Barra quebrava a bola e passou a ser vaiado pela exigente torcida coral. O gol do alívio veio dos pés do atacante Batistinha, que ao comemorar desferiu uma banana para os torcedores que vaiavam a equipe atrás da trave. O mundo quase veio abaixo por conta dessa atitude e gerou um dos raros momentos de desconforto entre time e torcida naquela brilhante temporada até hoje reverenciada.

CAMPANHA NO ANO PASSADO ESCOLHEU O TIME DOS SONHOS

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Ao completar 80 anos de existência em 2013, o Ferroviário não ganhou como presente apenas o lançamento do Almanaque do Ferrão, que eternizou cronologicamente todos os jogos oficiais e amistosos da história coral. Ainda como parte das comemorações, o clube elegeu também seu ´Time dos Sonhos` através de uma votação na Internet a partir de uma criteriosa pré-lista que contemplava 5 indicações por posição. É sempre oportuno recordar os principais nomes da caminhada coral. Confira:

1 – Marcelino: Veio da Portuguesa/RJ. Esteve presente em 10 partidas no título estadual de 1970. Recordista com 1295 minutos sem sofrer gols no Estadual de 1973. Atuou 170 vezes entre 1969 e 1976. Obteve 30% dos votos.

2 – Nasa: Defendeu o clube em 76 partidas na fase vitoriosa entre 1993 e 1995. Atuava também como volante. Oriundo do Guarani de Juazeiro. Obteve projeção nacional jogando pelo Vasco/RJ. Ficou com 51% dos votos.

3 – Luiz Paes: Jogou 153 partidas entre 1966 e 1971. Parou Pelé no Jogo das Faixas do título coral de 1968 quando foi também o capitão do time. Oriundo do Náutico/PE. Ficou com 42% dos votos.

4 – Celso Gavião: Zagueiro goleador com gols importantes. Foram 32 gols em 122 partidas. Veio do Botafogo/SP. Conseguiu projeção mundial no Porto de Portugal. Parou de jogar no próprio Ferrão em 91. Obteve 45% dos votos.

5 – Lima: Chegou em 1993 oriundo do Sul América de Manaus. Fez 50 partidas com a camisa coral. Titular absoluto no título de 1994. Conseguiu projeção mundial jogando pela Roma, sendo titular da equipe italiana em algumas temporadas. Obteve 40% dos votos.

6 – Marcelo Veiga: Xodó da torcida coral no título de 1988, quando foi o capitão da equipe. Veio do Santo André/SP. Fez 13 gols em 79 jogos. Ficou até o ano seguinte e depois conseguiu projeção nacional no Santos/SP. Obteve 65% dos votos.

7 – Mazinho Loyola: Cria das categorias de base que brilhou no título de 1988. Foi negociado com o São Paulo logo em seguida. Jogou 55 vezes e marcou 16 gols pelo profissional. Encerrou a carreira no próprio clube em 2004. Obteve 47% dos votos.

8 – Coca Cola: Jogador lendário na fase áurea dos títulos de 1968 e 1970. Jogou em 324 partidas e fez 71 gols. Oriundo do Campinense/PB. Depois de atuar pelo Ferrão, jogou no futebol português. Obteve 51% dos votos.

9 – Pacoti: Um dos jogadores mais emblemáticos do futebol cearense. Jogou ainda no Sporting de Portugal. Jogou 78 vezes em duas passagens pelo clube. Fez 51 gols pelo Ferrão. Oriundo do Nacional/CE. Obteve 35% dos votos.

10 – Acássio: Principal jogador coral no bicampeonato no 94/95. Defendeu o clube 132 vezes e marcou 74 gols. Veio do Fluminense/BA. Sempre deixava sua marca de goleador em clássicos. Chegou depois a defender a camisa do Vasco/RJ. Obteve 53% dos votos.

11 – Jorge Veras: Goleador coral entre 1982 e 1984. Também sempre deixava sua marca nos clássicos contra Ceará e Fortaleza. Fez 65 gols em 155 jogos com a camisa coral. Conseguiu projeção nacional no Grêmio/RS. Obteve 35% dos votos.

Técnico – César Moraes: Conhecido como Guri, foi um dos nomes mais simpáticos do futebol cearense até hoje. Campeão estadual pelo Ferrão em 1979 e 1994. Passou sete vezes pelo clube e levantou 4 títulos ao todo. Obteve 52% dos votos.

ARRANCADA PARA O BICAMPEONATO COMEÇAVA HÁ EXATOS 20 ANOS

Essa semana completa exatamente 20 anos que o Ferroviário venceu uma partida importantíssima pelo Campeonato Cearense de 1994, iniciando ali a trajetória vitoriosa que culminou com o título máximo daquela temporada e conquista do inédito bicampeonato no ano seguinte. Engana-se quem pensa que o ano vinha sendo fácil para o Tubarão da Barra. O time alternava boas e más apresentações, tendo num curto período de tempo José Maria Paiva, Humberto Maia e Edmundo Silveira no comando técnico à beira do campo, após a complicada saída do carioca José Dultra. Foi quando o Guri chegou em meados de setembro. Sim, ele, César Moraes, o melhor treinador da história do Ferrão, escolhido pelos torcedores na campanha ´Time dos Sonhos` realizada no ano passado.

Depois de bater o Guarany e empatar com o Fortaleza, a partida em questão contra o Ceará representou a primeira de duas vitórias do Guri em cima do alvinegro, no total de quatro partidas realizadas entre eles até a final do campeonato. O Ferrão não perdeu nenhuma. A vitória naquele jogo noturno foi crucial para dar moral ao grupo, numa partida que o Tubarão não contou com Nasa, Acássio, Basílio e Batistinha, todos em grande fase. Pra compensar, César Moraes lançou a juventude do lateral direito Alex, de 17 anos, e do endiabrado ponta Reginaldo, que só não fez chover e garantia ali a condição de titular no time do Guri até o fim do Estadual. O gol da vitória foi do folclórico Cícero Ramalho, um dos três artilheiros corais na temporada, em belo chute do meio da rua, desbancando o Ceará que era simplesmente o vice-campeão da Copa do Brasil de 94.

O Almanaque do Ferrão recupera abaixo as imagens do jogo da arrancada do título. Sem dúvida, uma grande oportunidade para rever bons momentos em campo do time que é apontado como um dos melhores da história coral e que naquele 26 de outubro formou com Roberval, Alex, Batista, Careca e Branco; Lima, Ricardo Lima e Eron (Esquerdinha); Cantareli, Cícero Ramalho (Edinho) e Reginaldo. A escalação do alvinegro e demais detalhes do embate, você pode conferir no jogo 2546 da história do Ferroviário disponibilizado na versão impressa do almanaque.