ESTREIA DO FERRÃO CONTRA O MARANHÃO NO BRASILEIRO DE 1987

O Almanaque do Ferrão volta trinta anos no tempo e recorda em vídeo a estreia do Ferroviário no polêmico campeonato brasileiro de 1987, que foi estruturado pela CBF em quatro módulos com as cores da bandeira brasileira. O time coral esteve no Módulo Branco, numa chave formada com Maranhão/MA, Sampaio Correa/MA e Serrano/BA. O primeiro jogo do Ferrão na competição ocorreu exatamente num 18 de outubro como hoje, no PV, numa bela tarde de domingo. O adversário foi o Maranhão e o Tubarão da Barra venceu pelo placar de 2×0, gols de Narcélio e Zé Alberto. Valdir Elias Coelho foi o árbitro do jogo, que contou com um público pequeno de 659 pagantes.

Zé Alberto: gol

Treinado por Erandy Montenegro, o Ferrão formou com Wálter, Laércio, Arimatéia, Renato e Kléber; Zé Alberto, Wiltinho (Ronaldinho) e Mardoni (Adalberto); Mardônio, Narcélio e Edson. O time maranhense, comandado por Garrinchinha, perdeu com Juca Baleia, Serginho, Uberaba, Eduardo e Neto; Batista, Tica e Daniel; Válter (Davi), Bacabau e Chiquinho (Vander). O Ferroviário se classificou bem em sua chave, mas caiu na segunda fase da competição ao ser desclassificado pelo América/RN após 3 confrontos decisivos. Narcélio, autor do primeiro gol do Ferrão no Brasileiro de 1987, já faleceu há alguns anos. No banco daquela equipe, um jovem atacante aguardava oportunidade para figurar entre os titulares. Seu nome: Mazinho Loyola, que acabou sendo aproveitado com destaque nas rodadas seguintes.

MAZINHO LOYOLA E SEU PRIMEIRO GOL NO COMEÇO DE NOVEMBRO

Mazinho Loyola em 1987

Já faz quase 30 anos que Mazinho Loyola marcou seu primeiro gol pelo time profissional do Ferroviário. Depois de se destacar na formação coral campeã cearense de juniores em 1987, ele começou a ser utilizado em partidas amistosas da equipe profissional comandada pelo treinador Erandy Pereira Montenegro. Exatamente na primeira vez que  foi lançado em uma partida oficial, Mazinho marcou seu primeiro gol pelo Ferrão. Pouca gente viu, pois o gol aconteceu longe da torcida coral, em São Luís, capital do Maranhão. Era o dia 1º de novembro, um domingo que consagrou, já em sua madrugada, o piloto Nelson Piquet como tricampeão mundial de Fórmula Um. Apenas 393 pagantes prestigiaram a vitória do Maranhão Atlético Clube por 3×1 em cima do Tubarão da Barra, jogo válido pela primeira fase do campeonato brasileiro de 1987, um dos mais controversos em todos os tempos com seus quadro módulos nas cores da bandeira brasileira. Era o jogo 2.201 da nossa história e Mazinho Loyola marcou o primeiro de seus 16 gols em 55 partidas.

Observe a escalação do Ferroviário naquele domingo: Wálter, Laércio, Arimatéia, Kléber e Edson; Zé Alberto, Mardoni (Osmar) e Wiltinho; Mardônio, Mazinho Loyola e Marcos Duque. O Maranhão, do técnico Garrinchinha, venceu com Juca Baleia, Serginho (Davi), João Luís, Eduardo e Neto; Batista, Tica e Daniel; Válter, Bacabau e Chiquinho (Vander). O jogo foi disputado no Nhozinho Santos, tradicional estádio da capital maranhense, e teve a arbitragem de Fernando de Castro. Três semanas depois, Mazinho Loyola voltou a marcar, dessa vez no PV, em jogo importante contra o América de Natal pela mesma competição. Um ano depois, após o título de campeão cearense de 1988, já estava jogando no São Paulo/SP. Mazinho Loyola rodou o mundo, defendeu clubes como o Internacional/RS, Corinthians/SP, Paraná/PR, Santa Cruz/PE, Avaí/SC e terminou sua carreira no próprio Ferroviário na temporada de 2004, quando disputou mais um campeonato brasileiro. Em 2013, Mazinho prestigiou o lançamento do Almanaque do Ferrão no Náutico Atlético Cearense. Há dois anos, ele participou de uma matéria produzida para a Internet falando sobre sua trajetória no futebol. Assista esse material abaixo e recorde um dos maiores ídolos da história do Ferroviário Atlético Clube.

POR ONDE ANDA O ÚNICO JOGADOR QUE SE SALVOU NO FATÍDICO 2014?

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Mauri em foto recente na Itália

O atacante Mauri foi seguramente o único jogador que se salvou na fatídica campanha do rebaixamento coral em 2014. Tendo sempre mostrado habilidade e velocidade nos clubes que defendeu, o ex-jogador coral hoje tenta a sorte no futebol italiano. Ele mora em Milão, uma das cidades mais bonitas da Europa. De origem italiana, Mauri aguarda a confirmação de seu passaporte europeu para poder voltar a trabalhar e ingressar em alguma equipe da Itália. Do Ferroviário, apenas algumas lembranças dos sonhos que acalentou ao chegar no clube, em julho de 2013, vindo do Rondonópolis/MT, todos eles jogados na lata do lixo com o vexame coral no ano seguinte.

Mauri tinha contrato até agosto de 2015 com o Ferroviário. Sua multa rescisória era de 450 mil Euros para transações internacionais e cerca de 1 milhão para negociações nacionais. Após o rebaixamento, foi emprestado para o também rebaixado Maranhão/MA e posteriormente para o São Benedito/CE, onde permaneceu por um ano. Com contrato em vigência, voltou ao time coral em outra vexatória campanha, na segunda divisão cearense, onde o Ferroviário terminou no 6º lugar em 2015. Desmotivado e sem perspectivas no clube que resolveu apostar dois anos antes, Mauri pediu rescisão. Hoje, aos 21 anos de idade, quer reconstruir sua carreira na Itália e lograr êxito no futebol, buscando seu sonho de infância. Foram apenas 17 jogos e 3 gols com a camisa coral, um deles o da vitória contra o Crato, fora de casa, em 2014, que recordamos abaixo, exatamente no jogo de número 3.477 da história coral registrado no Almanaque do Ferrão.

PRIMEIRA ENTREVISTA DO GOLEIRO CLEMER APÓS VITÓRIA CORAL

A maioria das pessoas só conheceu o goleiro Clemer quando ele foi vice-campeão brasileiro com a Portuguesa/SP em 1996 ou depois que chegou ao Flamengo/RJ no ano seguinte, onde foi sempre titular, saindo apenas para brilhar com a camisa do Internacional/RS por várias temporadas e conquistar o título mundial interclubes em 2006. O Almanaque do Ferrão recupera hoje o vídeo com a primeira entrevista do ex-arqueiro coral em sua passagem pelo Tubarão da Barra. Corria o ano de 1993 e Clemer permaneceu como titular absoluto em 23 partidas no total. A entrevista foi concedida no vestiário do Castelão no dia de sua estreia, logo após uma vitória em cima do Fortaleza em partida do campeonato cearense. Ainda no vídeo, é possível rever também o volante Ronaldo Salviano, um dos principais nomes do time coral na temporada. Vale lembrar que Clemer veio para o Ferroviário oriundo do Maranhão Atlético Clube e, na época de sua contratação, houve um membro da imprensa cearense que ironizou a chegada do atleta anunciando-o da seguinte forma: “Ferrim contrata goleiro com nome de bolacha“. O nome de Clemer foi escolhido por seu pai numa homenagem a outro goleiro, o lendário Ray Clemence, que fez história no Liverpool e na seleção inglesa. Logo após o campeonato, Clemer foi parar no Remo/PA e depois no Goiás/GO, duas escalas importantes em sua trajetória de sucesso. Para vergonha eterna do cronista que o ironizou.

RESGATAMOS EM VÍDEO OS GOLS DE UMA VITÓRIA NO BRASILEIRO DE 1987

O Almanaque do Ferrão faz uma viagem histórica até o dia 21 de outubro de 1987 e recorda uma vitória coral em cima do Sampaio Corrêa/MA, uma das equipes mais tradicionais do futebol nordestino. O jogo valeu pelo campeonato brasileiro e foi realizado no PV. Sob o comando de Erandy Pereira Montenegro, o Tubarão da Barra conseguia sua segunda vitória na competição com gols do ponta Mardônio, do meia Mardoni e do atacante Marcos Duque. O time maranhense descontou com Dias Pereira, que vestiria a camisa coral dois anos depois. Reveja os gols do Ferrão no vídeo acima em imagens especialmente resgatadas para o blog.

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Mardônio: destaque em 1987

O Ferroviário formou naquela noite com Wálter, Laércio, Arimatéia, Kléber e Edson; Zé Alberto, Narcélio (Osmar), Mardoni e Wiltinho (Adalberto); Mardônio e Marcos Duque. Destaque para a grande fase vivida pelo ponta direita Mardônio, cria das categorias de base, que fazia ótimas apresentações naquela temporada. Dirigido por Milton Buzetto, o Sampaio Corrêa perdeu com Jorge, Luís Carlos, Maurício, Ademilton e Beato (Serginho); Zé Carlos, Meinha (Reginaldo) e Dias Pereira; China, César e Marco Antônio. Além da famosa ´Bolívia Querida´, estavam ainda na chave coral o Maranhão/MA e o Serrano/BA. Depois de conseguir sua classificação no grupo, o time coral caiu na segunda fase da competição no mata-mata com o América/RN.