ENTREVISTA HISTÓRICA COM O CAPITÃO CORAL NO TÍTULO DE 1988

Final de 1988 com Silmar, Robinson, Barrote, Alves, Arimatéia, Marcelo Veiga e Juarez na foto

A torcida coral comemora hoje os 30 anos do inesquecível título estadual de 1988. As disputas daquela edição do campeonato cearense foram uma das mais acirradas em todos os tempos já que Ceará, Fortaleza, Tiradentes e Guarany de Sobral montaram grandes times. A competição durou pouco mais de seis meses e, ao final, premiou a equipe mais regular e vibrante desde o início com um título mais que merecido, conquistado exatamente no feriado de 7 de setembro quando o Ferrão jogava pelo empate, mas mesmo assim bateu o Fortaleza por 1×0 com um gol histórico do lateral esquerdo Marcelo Veiga em cobrança de pênalti. Na ocasião, Marcelo Veiga era um jovem de muita personalidade, de apenas 23 anos de idade, que assumiu a braçadeira de capitão quando o técnico Lucídio Pontes assumiu a equipe já no 3º turno da competição num time que tinha nomes experientes como Juarez, Silmar e Djalma.

Marcelo Veiga fuzila o gol defendido pelo arqueiro Cláudio e marca o gol do título de 1988

Quando voltou a Vila Olímpica Elzir Cabral para treinar o Ferroviário na temporada de 2004, Marcelo Veiga gravou uma entrevista em áudio relatando detalhes daquela memorável conquista. Esse material ficou guardando por quase quinze anos e agora, em publicação extraordinária e histórica no aniversário de 30 anos do título de 1988, o Almanaque do Ferrão divulga na íntegra a conversa com o eterno ídolo coral. Nela, Marcelo Veiga recorda momentos importantes nos bastidores daquela temporada, faz um balanço de sua vitoriosa passagem pelo Tubarão da Barra, afirma ter marcado o gol mais bonito de sua carreira justamente com a camisa coral, comenta sobre a alegria de ser considerado um dos maiores nomes da nossa história, exalta a participação decisiva para aquela conquista de nomes como Chicão, Martins Monteiro e Vicente Monteiro, compara Lucídio Pontes ao famoso treinador Pepe, além de revelar um drama familiar que viveu poucas horas depois de ter marcado o gol do título. A gravação tem uma hora de duração e vale a pena ouvir com atenção. Trata-se de um testemunho sobre um dos momentos mais gloriosos da história do Ferroviário Atlético Clube, agora eternizado aqui no blog, na própria voz de um ex-jogador que é simplesmente a cara daquela conquista para sempre marcada no coração da torcida.

FERRÃO X ATLÉTICO/MG VOLTAM A SE ENFRENTAR DEPOIS DE 37 ANOS

Com um gol contra do lateral Jorge Luís, o Atlético Mineiro chegou ao empate no jogo de 1981

Saiu o novo adversário do Ferroviário na quarta fase da Copa do Brasil e ele é uma das equipes mais tradicionais do futebol brasileiro! Através de sorteio na manhã de hoje na sede da CBF, ficou definido o Atlético/MG como próximo embate coral. Depois de Confiança/SE, Sport/PE e Vila Nova/GO, chegou a hora do Ferrão enfrentar um dos considerados gigantes do futebol brasileiro! O novo confronto não é inédito, porém é raro já que Atlético Mineiro e Ferroviário só se enfrentaram uma única vez até hoje em toda a história. Foi no dia 25 de Janeiro de 1981 em jogo válido pela primeira fase do campeonato brasileiro daquela temporada. Naquela oportunidade, por muito pouco o Ferrão não saiu vencedor diante da forte equipe mineira, que contava com um grande elenco. O jogo ficou no 1×1, mas o time coral ainda perdeu um pênalti por intermédio do ponta direita Jangada, desferido no travessão. A perda da penalidade máxima cometida por Orlando em cima do experiente Marco Antônio deu muito o que falar depois da partida porque o cobrador oficial era o volante Baltazar e Jangada pegou a bola pra bater, o que gerou muita insatisfação por parte do técnico Lucídio Pontes.

Jangada carimba o travessão do goleiro do Atlético Mineiro e o jogo fica no 1×1 no Castelão

Foi o jogo 1.805 da trajetória do Ferrão, que formou naquele domingo com o futebol de Salvino, Ramirez (Zé Carlos), Lúcio Sabiá, Jorge Luís e Jorge Henrique; Baltazar, Jacinto (Doca) e Jeová; Jangada, Roberto Cearense e Marco Antônio. Treinado por Procópio Cardoso, o Atlético/MG jogou com Celso, Orlando, Osmar Guarnelli, Silvestre e Jorge Valença; Heleno, Renato e Palhinha; Pedrinho, Fernando Roberto e Chico Spina. O time mineiro jogou desfalcado de quatro importantes jogadores na ocasião: o goleiro João Leite, o zagueiro Luizinho, o meio campista Toninho Cerezo e o atacante Reinaldo, todos eles serviam a seleção brasileira que disputava o Mundialito no Uruguai. O árbitro desse jogo foi o famoso José Roberto Wright, que chegou a apitar  quatro jogos na Copa do Mundo da Itália nove anos depois. Os gols foram de Jacinto no primeiro tempo e Jorge Luís (contra) na etapa final para o Atlético. Um público de 3.479 pagantes foi ao Castelão naquela tarde de 1981. Agora, trinta e sete anos depois, as duas equipes voltam a se enfrentar em mais duas partidas, uma em Fortaleza e outra em Belo Horizonte. Será que o Ferrão segue adiante?

RAMON É O ÚNICO TREINADOR CAMPEÃO NO FERRÃO AINDA VIVO

Ramon Ramos atuou em grandes clubes e marcou 18 gols em 27 partidas como atacante do Ferrão

O Ferroviário foi campeão estadual em nove oportunidades: 1945, 1950, 1952, 1968, 1970, 1979, 1988, 1994 e 1995. Disso, todos sabem. O que pouca gente percebeu é que seis dos sete treinadores até hoje campeões estaduais pelo Ferrão já partiram dessa vida. Com o falecimento, em maio passado, do ex-técnico Alexandre Nepomuceno, comandante no título de 1970, o pernambucano Ramon Ramos é o único sobrevivente coral entre os treinadores que venceram o campeonato cearense pelo clube. Além de Alexandre Nepomuceno, já foram pro andar de cima os seguintes nomes: Valdemar Caracas (1945), Babá (1950 e 1952), Ivonísio Mosca de Carvalho (1968), César Moraes (1979 e 1994) e Lucídio Pontes (1988). Ramon Ramos mora em Recife e já mereceu postagem especial aqui no blog. Ex-jogador em grandes clubes do futebol brasileiro e do próprio Ferroviário em 1984, Ramon começou a carreira de técnico no próprio Tubarão da Barra, comandando a equipe coral em 87 partidas no total dentro das temporadas de 1988, 1995 e 1996. Ano que vem, o Ferroviário estará na vitrine da Copa do Nordeste, uma das competições mais respeitadas do futebol brasileiro hoje em dia e ocasião melhor não há para homenagear o único treinador campeão cearense pelo Ferrão ainda vivo. Nada mais adequado e justo para um nordestino que foi artilheiro e simplesmente um vitorioso treinador no tão decantado bicampeonato do Ferrão para sempre lembrado. Fica a dica!

GOL DE RICARDO FOGUEIRA NO JÁ DISTANTE ESTADUAL DE 1978

Já faz quase 40 anos do vídeo acima, porém o Almanaque do Ferrão conseguiu recuperar mais um material raríssimo do campeonato cearense de 1978. Foi exatamente num domingo, também dia 20 de novembro como hoje. Empate entre Ferroviário e Fortaleza pelo 3º turno do Estadual daquela temporada. O Tubarão da Barra perdia por 1×0, mas conseguiu o empate no minuto final, num chute de fora da área do lateral esquerdo Ricardo Fogueira. Foi a partida 1.644 da história coral, que teve Monteiro da Silva na arbitragem. Confira a escalação do Ferrão: Gilberto, Paulo  Maurício, Júlio, Arimatéia e Ricardo Fogueira; Jodecir, Jorge Bonga e Jacinto (Jorge Henrique); Marcos (Luizinho), Paulo César e Babá. O Fortaleza jogou com Lulinha, Pepeta, Chevrolet, Celso Gavião e Dudé; Joel  Maneca, Bibi (Batista) e Lucinho; Haroldo (Netinho), Geraldino Saravá e Da Costa. Foi o duelo dos treinadores Lucídio Pontes contra Moacyr Menezes. Um mês depois, o Ceará conquistaria o tetracampeonato num dos certames mais equilibrados em toda história do futebol alencarino. Destaque, mais uma vez, para a camisa com listras diagonais utilizadas pelo Ferroviário naquele período, que sempre desperta a curiosidade e os elogios de muitos torcedores que acessam o nosso blog.

IMAGENS RARÍSSIMAS DE UM GRANDE CLÁSSICO DAS CORES EM 1978

Não deixe de ver o vídeo acima. É mais uma pérola resgatada pelo Almanaque do Ferrão. Trata-se de uma vitória coral em cima do Fortaleza pelo campeonato cearense na já longínqua temporada de 1978. Era exatamente um 3 de setembro como hoje, portanto há 38 anos. As imagens dos Gols do Fantástico daquele domingo são as mais antigas que se tem notícia na história do clube. Este é o quarto vídeo referente ao campeonato de 1978 que conseguimos recuperar, depois de buscarmos no fundo do baú os gols de dois jogos contra o Ceará e de uma partida contra o América. Treinado pelo saudoso Lucídio Pontes, o Tubarão da Barra fazia a estreia do experiente goleiro Gilberto, vindo do futebol pernambucano. Os gols foram do craque Jacinto e do eficiente volante Doca, enquanto Ié descontou para o Fortaleza. Foi uma vitória bastante celebrada. Seis dias depois, o Ferrão conquistaria o 1º turno e carimbava o passaporte para as finais do campeonato.

Meio campista Jacinto e treinador Lucídio Pontes em 1978: dois nomes eternos do Ferroviário

Repare na escalação do Ferrão: Gilberto, Paulo Maurício, Lúcio Sabiá, Arimatéia e Cândido; Jodecir (Ricardo Fogueira), Doca e Jacinto (Jorge Bonga); Marcos, Paulo César e Babá. O  zagueiro Cândido, formado nas categorias de base do próprio clube, atuou improvisado na lateral esquerda. O experiente Ricardo Fogueira também fez sua estreia nessa partida, entrando no segundo tempo, e logo depois assumiu a titularidade da camisa 6 do Ferroviário. O meia Jorge Bonga, ex-Sport/PE, foi outro estreante naquele domingo. O Fortaleza, do técnico interino Wilson Couto, perdeu com Lulinha, Roner, Celso Gavião, Otávio Souto e Jair; Joel Maneca, Bibi e Lucinho (Batista); Haroldo (Iê), Geraldino Saravá e Dudé. Peceba a presença de Celso Gavião na zaga tricolor, ele que foi a principal contratação do Ferrão no início da temporada seguinte, numa verdadeira rasteira coral dada no Fortaleza. Foi o jogo 1.625 da nossa história, que teve o falecido Gilberto Ferreira no apito e um público pagante de 14.574 pessoas. Depois de cinco anos bastante difíceis, a temporada de 1978 definitivamente reacendia a chama do Ferrão.

O REGISTRO DO CHUTE QUE FEZ A BOLA EXPLODIR NO TRAVESSÃO

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O goleiro atleticano Celso torceu e deu certo: o chute de Jangada explodiu no travessão

Inauguramos hoje uma nova seção no blog intitulada ´Retratos`, um espaço mais preocupado em simplesmente expor o lado visual da história coral do que propriamente explicá-la com palavras. Será uma imagem nova, sempre que possível, antiga ou não. Por hoje, essa de 1981, do jogo Ferroviário 1×1 Atlético/MG, no Castelão. A vitória coral viria não fosse o pênalti chutado por Jangada no travessão do goleiro mineiro. O técnico Lucídio Pontes ficou uma arara, pois o volante Baltazar era o cobrador oficial. Eis a foto!

RECORDANDO O ARTILHEIRO CORAL NO CAMPEONATO ESTADUAL DE 1977

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Valente Oliveira Piaui, em meio a vários jogadores do Fortaleza, num Clássico das Cores em 1977

Mês passado, dois veteranos da crônica esportiva cearense falavam sobre jogadores do passado. Eram  Júlio Sales e Messias Alencar, conversando ao vivo na Rádio Assunção 620 AM, por volta de meio-dia. A lembrança de ambos remeteu aos anos 70 e o nome de um ex-jogador extrovertido e bom de bola ganhou notoriedade por alguns instantes. Eles falavam de Oliveira Piauí, um atacante paulista que o Ferroviário contratou junto ao Tiradentes/PI, que naquela década realizara campanha histórica no campeonato nacional. Foi exatamente no mês de março, em 1977, que Oliveira Piauí fez seu primeiro jogo com a camisa coral, entrando no segundo tempo no posto do atacante Ivanildo, numa vitória por 2×1 em cima do América/CE, válida pelo 1º turno do campeonato cearense. No jogo seguinte, contra o Guarani de Juazeiro, no Romeirão, já era titular e marcou seu primeiro gol oficial com o manto do Ferrão no empate em 2×2. No total, foram 40 jogos e 27 tentos assinalados por João Oliveira de Carvalho, o Oliveira Piauí, que logo caiu nas graças da torcida coral, cuja média de público chegou a 2.219 pagantes naquele ano. Virou ídolo, dava entrevistas interessantes e costumava dizer que sua ´sacola´ vivia cheia de gols.

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Oliveira Piauí: simpatia

Sob a presidência de Chateaubriand Arrais e o comando técnico de Pedrinho Rodrigues, que substituiu Lucídio Pontes ainda no 1º turno, o Ferroviário fez bonito. Em várias rodadas, Oliveira Piauí chegou a liberar a tábua de artilheiros do campeonato, disputando palmo a palmo com ex-craque coral Amilton Melo, goleador maior do certame com 24 gols. Apesar de uma ótima base formada pelo goleiro Giordano, os laterais Bassi e Grilo, o meia Joel Maneca, entre outras feras, o Ferrão terminou o campeonato na 3ª colocação. Oliveira Piauí deixou o clube após a temporada e foi defender o Ceará na campanha do tetra alvinegro no ano seguinte. Em 1979, seu brilhantismo mereceu a coroação de ´Rei`em Natal, atuando pelo América/RN. Depois, voltou ao futebol paulista e, em abril de 1981, quando defendia a Catanduvense/SP, uma triste notícia abalou o futebol cearense. Dela, Júlio Sales e Messias Alencar nunca esqueceram. Oliveira Piauí morreu, jovem, aos 27 anos de idade, vitimado por problemas cardíacos. Cria do simpático Juventus/SP, o ex-atacante teve uma carreira meteórica no futebol. O tempo, implacável como sempre, leva muitas vezes ao esquecimento, afinal já se vão 35 anos de seu falecimento, porém o Almanaque do Ferrão tem como propósito eternizar nomes que não merecem ser esquecidos, razão pela qual Oliveira Piauí ganha o destaque de hoje.