RECORDISTA NO FUTEBOL CEARENSE VIVE AFASTADO DO MUNDO DA BOLA

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Ex-goleiro coral Marcelino escreveu seu nome na história do futebol cearense em 1973

Esse senhor estava semana passada numa oficina mecânica na Av. Rogaciano Leite, em Fortaleza. Papo animado, sempre simpático, porém completamente afastado do futebol. Sequer sabia que havia sido escolhido, há três anos, o goleiro da seleção coral de todos os tempos. Esse é Marcelino, que completou 69 anos de idade em janeiro passado. Continua sendo até hoje o goleiro do futebol cearense com maior número de minutos sem sofrer gols. No campeonato estadual de 1973, foram 1.295 minutos sem a bola entrar na meta do Ferroviário, a quarta melhor marca do Brasil em todos os tempos e entre as dez melhores do mundo. Ele já mereceu algumas citações aqui no blog, inclusive com a postagem de uma entrevista sua gravada pela direção de marketing coral em 2013. Marcelino não é muito afeito à Internet, mas ao ser avisado que existia conteúdo sobre ele no Almanaque do Ferrão, ele não titubeou: “Minha filha olha pra mim“, disse. Esse escreveu seu nome na história coral, não apenas pelo recorde que parece ser eterno, mas também pelas 170 partidas que entrou em campo com a camisa do Ferroviário, atrás apenas de Zé Dias e Jorge Luiz, os dois recordistas na posição em número de jogos.

VITÓRIA DO FERRÃO EM CIMA DO RIVER/PI DENTRO DE TERESINA

O Almanaque do Ferrão resgata mais um jogo do time coral contra o River do Piauí. O vídeo acima mostra os melhores momentos da excelente vitória do Tubarão da Barra, fora de casa, em setembro de 1996, jogando no Estádio Lindolfo Monteiro em Teresina. O único gol do jogo foi marcado pelo baiano Esquerdinha, que fazia naquele ano sua última temporada na Barra do Ceará. A partida foi válida pela Série C do Campeonato Brasileiro e teve a arbitragem de Marcelo Bispo Nunes. O Ferroviário permaneceu na terceira divisão nacional até 2008, ano em que foi rebaixado para a Série D.

Treinado por Danilo Augusto, tradicional jogador do Ferrão na década de 70, o time coral venceu com Jorge Luiz, Biriba, Batista, Alencar e Garcia (Chiquinho); Paulo Adriano, Cleuber, Wálter e Basílio; Cantareli (Paulinho Paiakan) e Esquerdinha. O River perdeu com Guará, Laércio, Silva, Gladstone e Osmarildo (Preto); Pinto, Rondineli, Zezé e Bertinho; Pereira e Mairan. O técnico adversário era o conhecido Gringo. Os goleiros Jorge Luiz e Guará são irmãos e se enfrentaram diversas vezes em suas carreiras. Guará inclusive foi goleiro do próprio Ferroviário em 1991, antes da chegada de Jorge Luiz, o segundo camisa de Nº 1 que mais vezes defendeu a metal coral na história.

TERREMOTO ATINGIU FORTALEZA DEPOIS DE TRIUNFAL VITÓRIA

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Capa do Jornal O Povo destacando o terremoto em Fortaleza e a vitória triunfal do Ferroviário

O fato tenebroso completou 34 anos. Ferroviário e Ceará jogavam no Castelão. Era uma noite de quarta-feira qualquer. O campeonato estadual caminhava para o seu final no primeiro jogo da melhor de três. De especial, o goleiro Ado – reserva de Félix na Copa de 70 – entrava de saída pela primeira vez no arco coral. No mais, tudo levava a crer que seria um jogo normal.

O ótimo público parecia ser pequeno diante de um Castelão lindo e reformado. Guerreiros dentro de campo deram o sangue pelo Ferrão. O uruguaio Ramirez não corria tanto desde a carreira que deu no Rivelino no Maracanã, quando ainda era lembrado pela Celeste Olímpica. Paulo César era a esperança de gols e o menino Jacinto era o xodó da torcida. E o Bibi? Bem, o filho do Didi foi um capítulo à parte. Bibi só não fez chover naquela noite. Antes tivesse chovido.

O time de preto e branco pressionava. Ado pegava tudo. O lateral direito Jorge Luís, improvisado de zagueiro, deve ter feito a melhor exibição de sua carreira.  O Ferrão mostrou personalidade e assustava o adversário. Após uma troca de passes, Bibi encheu o pé e fez um gol de placa. Vitória coral: 1×0. Bibi não fez chover, mas fez tremer. A maioria dos torcedores já estava em casa quando a terra resolveu comemorar a vitória do Tubarão. O que parecia ser impossível aconteceu: terremoto em Fortaleza! Há quem diga que são coisas que só acontecem com o Ferroviário. Mera intriga da oposição. São coisas que só o Ferroviário consegue fazer! E afinal de contas, a culpa foi do Bibi, que até um dia desses militava como treinador no mundo árabe.

O terremoto em Fortaleza era o fim do mundo para muitos. Famílias corriam para o meio da rua. Vizinhos que não se falavam até rezaram juntos. Quem viveu nunca vai esquecer aquela noite de terror. Quem é Ferrão nunca vai esquecer aquela noite de vitória. Ainda hoje, tantos anos depois, há sempre os que recordam o golaço de Bibi naquela noite triunfal de terror. Coisas que só o futebol propicia. Coisas que só o Ferroviário sabe fazer e estamos conversados.