FERRÃO X ATLÉTICO/MG VOLTAM A SE ENFRENTAR DEPOIS DE 37 ANOS

Com um gol contra do lateral Jorge Luís, o Atlético Mineiro chegou ao empate no jogo de 1981

Saiu o novo adversário do Ferroviário na quarta fase da Copa do Brasil e ele é uma das equipes mais tradicionais do futebol brasileiro! Através de sorteio na manhã de hoje na sede da CBF, ficou definido o Atlético/MG como próximo embate coral. Depois de Confiança/SE, Sport/PE e Vila Nova/GO, chegou a hora do Ferrão enfrentar um dos considerados gigantes do futebol brasileiro! O novo confronto não é inédito, porém é raro já que Atlético Mineiro e Ferroviário só se enfrentaram uma única vez até hoje em toda a história. Foi no dia 25 de Janeiro de 1981 em jogo válido pela primeira fase do campeonato brasileiro daquela temporada. Naquela oportunidade, por muito pouco o Ferrão não saiu vencedor diante da forte equipe mineira, que contava com um grande elenco. O jogo ficou no 1×1, mas o time coral ainda perdeu um pênalti por intermédio do ponta direita Jangada, desferido no travessão. A perda da penalidade máxima cometida por Orlando em cima do experiente Marco Antônio deu muito o que falar depois da partida porque o cobrador oficial era o volante Baltazar e Jangada pegou a bola pra bater, o que gerou muita insatisfação por parte do técnico Lucídio Pontes.

Jangada carimba o travessão do goleiro do Atlético Mineiro e o jogo fica no 1×1 no Castelão

Foi o jogo 1.805 da trajetória do Ferrão, que formou naquele domingo com o futebol de Salvino, Ramirez (Zé Carlos), Lúcio Sabiá, Jorge Luís e Jorge Henrique; Baltazar, Jacinto (Doca) e Jeová; Jangada, Roberto Cearense e Marco Antônio. Treinado por Procópio Cardoso, o Atlético/MG jogou com Celso, Orlando, Osmar Guarnelli, Silvestre e Jorge Valença; Heleno, Renato e Palhinha; Pedrinho, Fernando Roberto e Chico Spina. O time mineiro jogou desfalcado de quatro importantes jogadores na ocasião: o goleiro João Leite, o zagueiro Luizinho, o meio campista Toninho Cerezo e o atacante Reinaldo, todos eles serviam a seleção brasileira que disputava o Mundialito no Uruguai. O árbitro desse jogo foi o famoso José Roberto Wright, que chegou a apitar  quatro jogos na Copa do Mundo da Itália nove anos depois. Os gols foram de Jacinto no primeiro tempo e Jorge Luís (contra) na etapa final para o Atlético. Um público de 3.479 pagantes foi ao Castelão naquela tarde de 1981. Agora, trinta e sete anos depois, as duas equipes voltam a se enfrentar em mais duas partidas, uma em Fortaleza e outra em Belo Horizonte. Será que o Ferrão segue adiante?

POR ONDE ANDA O LATERAL DIREITO CAMPEÃO CEARENSE DE 1979?

jorge luis no castelão

Registro em 1979: Jorge Luís cobra o lateral observado à distância pelo goleiro Edmundo

Foram 106 partidas com a camisa do Ferroviário. Além do título de campeão cearense em 1979, ele estava também na conquista da Taça Imprensa de Rondônia, no final da mesma temporada, em excursão coral à região norte do país. Estamos falando do pernambucano Jorge Luis, lateral direito, oriundo do homônimo Ferroviário de Recife, tradicional agremiação nordestina, já extinta, que um dia denominou-se Great Western e mandou Zuza, Chinês e Popó, na década de 1930, para o time coral. Ele estreou oficialmente na lateral direita numa tarde gloriosa para o Tubarão da Barra, em 10/6/1979. Foi uma vitória por 4×2 em cima do Ceará, em jogo válido pelo quadrangular decisivo do 2º turno do campeonato cearense, turno este conquistado pelo Ferrão, duas semanas depois, após uma goleada espetacular de 5×0 contra o Fortaleza.

Jorge Luís na temporada de 1979

Jorge Luis ficou no Ferroviário até a temporada de 1981. Com a camisa coral, viveu os embates mais emblemáticos daquele período em partidas válidas pelo campeonato brasileiro contra o Flamengo/RJ no Maracanã, o Sport/PE na Ilha do Retiro e o São Paulo/SP no Morumbi. Atuava também como lateral esquerdo e, por vezes, foi improvisado como zagueiro. Foi nessa posição, aliás, que talvez tenha feito a apresentação mais memorável em sua passagem pelo Ferrão, no jogo do terremoto, quando o time coral bateu o Ceará por 1×0, numa noite inesquecível do campeonato cearense de 1980. Ao deixar a Barra do Ceará, Jorge Luis defendeu outros clubes no futebol nordestino como o ABC/RN, Central/PE, Ceará e Treze/PB, onde encerrou sua carreira como atleta. Depois que deixou o Ferroviário em 1981, Jorge Luis só voltou a visitar o clube em janeiro de 2014 e, recentemente, em abril desse ano, esteve lá novamente com sua família para apresentá-los ao local onde viveu dias de luta e de glórias inesquecíveis.

Jorge Luis recentemente com a netinha

Atualmente Jorge Luis mora em Recife. É funcionário da METROREC, a companhia urbana que gerencia as linhas férreas da capital pernambucana. Está com 62 anos de idade, é casado, tem duas filhas e uma linda netinha. O respeito e a saudade do Ferroviário Atlético Clube permanecem no coração e na mente do ex-lateral direito coral. A paixão pela profissão e pelo clube que tão bem o acolheu em 1979 foi passada também para sua família, que através de uma de suas filhas procurou o Almanaque do Ferrão com o intuito de colher mais detalhes e curiosidades sobre a passagem vitoriosa do pai pelo futebol cearense. É certo que o sentimento de gratidão da família pelas recordações vividas no Ferroviário e, em particular, preservadas aqui no blog, serão sempre inferiores em importância ao que o clube eternamente deve aos campeões cearenses de 1979 e, claro, especialmente ao ex-lateral Jorge Luis, que figura ainda como o 89º jogador que mais vezes vestiu a gloriosa camisa do Ferrão. É sempre muito bom destacar que, depois de tantos anos, este ex-atleta nunca perdeu a essência das verdadeiras raízes corais.