SPORT 3X3 FERRÃO: UM JOGO ÉPICO PARA SER ETERNAMENTE LEMBRADO

O Ferrão viveu na noite de ontem um momento épico que será lembrado daqui a cem anos. Pela primeira vez na história, o time coral passou para a terceira fase da Copa do Brasil e o feito aconteceu de uma forma simplesmente emocionante. Jogando na Ilha do Retiro, em Recife, estádio de propriedade do adversário Sport/PE, enfrentando um time justamente da Série A nacional e com um orçamento infinitamente superior ao do Tubarão da Barra, a classificação teve requintes de extrema emoção e repercutiu em todos os noticiários do país. Sem dúvida, um feito histórico, épico e inesquecível sob todos os aspectos porque o Ferrão perdia por 3×0 até os 30 minutos do 2º tempo e. empatou o jogo em 11 minutos, levando a partida para os pênaltis. Venceu por 4×3 nas penalidades e passou de forma inédita para a terceira fase da competição. O vídeo abaixo vale a pena ser assistido. Foi a edição local do Globo Esporte de hoje na TV Verdes Mares de Fortaleza, inclusive com direito à vídeo enviado pelo consagrado ex-jogador Jardel parabenizando o feito do time que o revelou para o futebol mundial.

Estamos falando do jogo 3.596 da trajetória de 85 anos do Ferroviário Atlético Clube. O recém contratado Mazinho marcou duas vezes e Valdeci empatou a partida, que teve transmissão para todo o pais pela Fox Sports, emissora que detém os direitos de transmissão da Copa do Brasil. Hoje, os jornais cearenses amanheceram estampando o grande feito coral em manchetes de capa. Além disso, todos os programas esportivos pelo território brasileiro comentaram a vitória de Davi em cima de Golias, metáfora usada pelo ex-atacante Sérgio Alves em seu comentário diário na TV Jangadeiro de Fortaleza, onde partida do programa ´Futebolês` com uma equipe de primeira linha. Em síntese, o dia 15/02/2018 será para sempre lembrado como um dos jogos mais épicos da história coral. Vale a pena inclusive rever o gol de empate do Ferrão com a narração de Kaio Cézar da Rádio Verdes Mares de Fortaleza diante do que parecia improvável. Podemos dizer que ontem presenciamos o ´Milagre da Ilha`?

PELA TERCEIRA VEZ NA HISTÓRIA, UMA ÁRBITRA NA VIDA DO FERRÃO

Léa Campos: primazia no futebol

Na noite de ontem, o Ferroviário fez sua segunda partida pela Copa do Nordeste de 2018 e um fato não passou desapercebido aqui no Almanaque do Ferrão. Pela terceira vez na história, uma mulher apitou um jogo do Ferroviário Atlético Clube. A pernambucana Déborah Cecília comandou a partida contra o Vitória/BA, em Salvador, de forma segura e mostrou as credenciais que justificam sua presença no quadro da Fifa. Porém, mais de quatro décadas antes, uma árbitra apitou um jogo do Ferrão pela primeira vez na vida do clube. Foi em 03/11/1971, quando Ferroviário e Fortaleza decidiram fazer um amistoso e convidaram uma mulher para o apito como a grande novidade do jogo. Numa época de extremo preconceito contra o sexo feminino, que vergonhosamente perdura até os dias de hoje em algumas áreas do futebol e da vida, a mineira Léa Campos era conhecida como a primeira árbitra na história do futebol brasileiro. No Clássico das Cores em questão, ela foi acusada como a principal responsável pela pancadaria em campo durante o amistoso, que terminou 0x0 no PV. Era o jogo 1.270 da história coral. Somente em 2009, no jogo de número 3.272, no dia 11 de março, uma outra mulher voltou a apitar um jogo do Ferrão. Foi a cearense Eveliny Almeida, irmã do também árbitro Almeida Filho, que arbitrou a vitória do Ferrão por 2×0 em cima do Quixadá no Elzir Cabral, no confronto que ficou marcado por ser a reestreia em campo do atacante Jardel em sua volta a Barra do Ceará, que inclusive marcou um golaço. Em resumo, são mais de oito décadas de vida e apenas três mulheres apitaram jogos do Tubarão da Barra até a data de hoje. Vale ressaltar também como curiosidade, que um amistoso do Ferrão, em janeiro de 2011, contra a Seleção de Beberibe, teve no apito o transexual Valério Gama.

POR ONDE ANDA O ZAGUEIRO ADRIANO FORMADO NA BASE CORAL?

Ex-zagueiro Adriano, que defendeu o Ferrão entre 1991 e 1993, é técnico do Santa Cruz de Recife

Foram 28 jogos com a camisa do time profissional do Ferroviário entre 1991 e 1993. Formado nas categorias de base do próprio clube, ele era titular absoluto no jovem time coral que conquistou a maior façanha entre todas as equipes cearenses na disputa de uma competição nacional de base nos anos 1990. Chegou a ser chamado pra Seleção Brasileira principal no início de sua carreira e atuou também no futebol espanhol por várias temporadas. Estamos falando do zagueiro Adriano. Você sabe por onde ele anda? Pois saiba que ele está mais em evidência do que você imagina. Recentemente, sob o nome profissional de Adriano Teixeira, ele acabou sendo efetivado como treinador do Santa Cruz de Recife nas disputas da Série B do campeonato brasileiro de futebol.

Zagueiro Adriano, ao lado do goleiro Banana, firmou-se no Ferroviário na temporada de 1991

Adriano foi lançado no time principal do Ferrão, pela primeira vez, através do treinador Djalma Linhares. Profundo conhecedor da posição e campeão pelo Ferrão na temporada de 1988, Djalma confiou no jovem Adriano e o lançou como titular no dia 14/04/1991. O Tubarão da Barra fazia sua última partida pelo campeonato nacional daquele ano e atuava nesse dia contra o Parnaíba/PI, vencendo por 4×1, mesmo jogando nos domínios do adversário. Uma semana antes, Adriano acabara de completar 18 anos de idade. Dois meses depois, ele substituiu o zagueiro Aldo num clássico contra o Fortaleza e estreava no campeonato cearense em grande estilo com uma vitória por 3×0. Dali em diante, foram vários jogos como titular até a temporada de 1993, quando foi negociado com o Sport/PE.

Adriano no Santa Cruz de Recife

Além do Sport/PE, Adriano vestiu as camisas do Fluminense/RJ, Vasco/RJ e do próprio Santa Cruz/PE já no final de sua carreira. Na Espanha, defendeu o Celta de Vigo, o Compostela e o Leonesa. Em termos de conquista de títulos, foi  campeão pernambucano em 1994 e 1996, além da Copa do Nordeste, também em 1994, todos pelo Sport de Recife. No ano de 1995, defendendo a Seleção Brasileira Sub-20, Adriano conquistou o Torneio Internacional de Toulon. Após pendurar as chuteiras,o ex-zagueiro do Tubarão da Barra retornou ao Santa Cruz/PE, que o acolheu como auxiliar técnico e o promoveu recentemente, aos 44 anos de idade, ao posto de treinador de sua equipe profissional. Da geração de ótimos atletas formados pelo treinador Edmundo Silveira, entre eles o goleador Mário Jardel, Adriano foi mais uma cria coral que ganhou o mundo em sua carreira profissional e tem o respeito do torcedor do Ferroviário Atlético Clube.

VOCÊ SABE POR ONDE ANDA O CENTROAVANTE JÚNIOR JARDEL?

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Júnior Jardel: novo reforço do Inter/Santa Maria

Lembra do centroavante Júnior Jardel? Ele defendeu o Ferroviário entre 2002 e 2003, vestindo a camisa do time profissional em apenas 13 partidas e assinalando 8 gols. Ele é irmão do ex-atacante Jardel e por isso levou o nome do irmão famoso em sua alcunha futebolística. Porém, seu nome correto é César Ribeiro Júnior. Fique sabendo que ele é um dos cinco novos reforços do Internacional de Santa Maria para as disputas da segunda divisão do campeonato gaúcho. Segundo o site do jornalista cearense Victor Hannover, o ex-centroavante do Ferrão disputou quase oito temporadas no futebol português e agora está de volta ao Brasil. Aos 32 anos de idade, Júnior Jardel quer voltar a marcar gols em solo nacional e ajudar a tradicional equipe de Santa Maria a retornar à elite do futebol do Rio Grande do Sul, terra onde o irmão é deputado estadual. Nos tempos de Ferrão, ele estreou no dia 29/5/2002, no PV, numa goleada em cima do Tiradentes por 4×1, porém seu primeiro gol com o manto coral numa partida oficial aconteceu somente em 02/2/2003, no Estádio Serjão, em Boa Viagem, num empate em 2×2 com o time da casa. A partida mais emblemática de Júnior Jardel pelo Ferroviário aconteceu um mês depois, em 16/3/2003, no Elzir Cabral, quando marcou os 2 gols do Tubarão da Barra na vitória por 2×0 em cima do Limoeiro, resultado que colocou o Ferrão na semifinal do segundo turno do campeonato estadual. Uma semana depois, foi vice-campeão cearense após um revés no Castelão, por 2×1, para o Fortaleza, exatamente o último jogo que Júnior Jardel fez pelo time coral.

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Novos reforços do Internacional de Santa Maria: Giuliano, Vinícius, Júnior Jardel, Tinga e Athos

DA BARRA DO CEARÁ PARA O MUNDIAL INTERCLUBES NO JAPÃO

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Celso Gavião: zagueiro do Porto em 1987

Hoje cedo, o poderoso Barcelona conquistou mais uma vez o título do mundial interclubes no Japão. Você sabia que ex-corais já tiveram o privilégio de saborear essa mesma conquista desde 1960? Como não lembrar de início do lendário Celso Gavião, o maior zagueiro-artilheiro da história do Ferroviário? Depois de deixar o time coral no final de 1980, ele ganhou o mundo e estava na zaga do Porto, campeão mundial em 1987, na final contra o Penarol do Uruguai. Para conseguir o feito, o time português havia conquistado o título de campeão europeu com direito a gol decisivo de falta de Celso Gavião, contra o Dínamo de Kiev, na antiga União Soviética, no episódio que colocou aqueles jogadores na história como os ´heróis de Kiev`. Na grande final, vitória portuguesa em cima do poderoso Bayern de Munique por 2×1 em jogo disputado em Viena. Do Ferrão para o mundo!

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Clemer, Ediglê, Mossoró e Iarley

O atacante Jardel, em 1995, e o lateral/volante Nasa, em 1998, chegaram perto de repetir o feito de Celso Gavião, com Grêmio/RS e Vasco/RJ respectivamente. Infelizmente tiveram Ajax e Real Madrid pelo caminho e a conquista não foi possível. Por outro lado, Iarley, seis anos depois de deixar a Barra do Ceará, teve a felicidade de conquistar o mundo com a camisa do Boca Juniores da Argentina, em 2003, na final contra o Milan da Itália. Em 2006, ele repetiu a dose, dessa vez defendendo o Internacional/RS na finalíssima contra o Barcelona. E Iarley não estava só. Ele tinha no time campeão o goleiro Clemer, que jogou no Ferrão em 1993, e o zagueiro Ediglê, que havia atuado no time coral em 1997. De quebra, a presença no grupo do potiguar Márcio Mossoró, que não foi inscrito para o mundial interclubes no Japão, mas havia conquistado a Libertadores meses antes ao lado dos ex-corais, ele que passou pelo Sub-20 do Ferrão em 2001 sem nunca ter atuado pelo time profissional. Sete nomes e histórias de mundiais pra contar. Só mesmo no Ferrão.

HÁ DOIS ANOS, IARLEY ERA APRESENTADO PELO FERROVIÁRIO

Há exatos dois anos, o consagrado atacante Iarley era apresentado pelo Ferroviário como reforço para a temporada de 2014. O Almanaque do Ferrão resgata acima um vídeo que faz uma retrospectiva daquele momento de grande empolgação na vida coral. Cria do próprio clube, onde assinou seu primeiro contrato profissional na carreira, o jogador decidiu retornar às origens para corrigir a lacuna histórica de nunca ter atuado pelo time principal do Tubarão da Barra. Em sua nova passagem pelo Elzir Cabral, Iarley vivenciou dias difíceis de instabilidade política, ruptura da gestão do futebol e uma tabela massacrante de jogos que obrigou o atleta, com seus 40 anos de idade, a se desdobrar em campo com dignidade na tentativa em vão de salvar o Ferroviário do rebaixamento.

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Iarley: o último agachado no time Sub-20 de 1994

Todos lembram de Iarley por suas passagens vitoriosas pelo Internacional/RS, Corinthians/SP, Boca Juniores da Argentina, dentre outras equipes. Porém, muitos desconhecem a origem humilde que o fez atender o pedido de um tio e deixar a pequena Quixeramobim, no sertão central cearense, para jogar nas categorias de base do Ferrão, onde conquistou o título cearense Sub-20, no ano de 1994, em jogos que eram disputados nas preliminares dos time principal. Quem via Iarley em campo, naquelas tardes de domingo, apostava nele como o próprio futuro do Ferroviário, futuro este que não chegou em razão da crise política estabelecida em dezembro de 1997, que acabou afastando Clóvis Dias da presidência coral e mudou os destinos do promissor jogador na Barra do Ceará, tendo ele que deixar a equipe num acordão liberatório que envolveu nove jogadores.

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Iarley em campo no campeonato cearense de 2014

Naquele dezembro quente de 2013, Iarley bem que merecia uma apresentação tão portentosa quanto a preparada para o centroavante Jardel, quase cinco anos antes. Ele foi apresentado numa manhã normal de sábado, na Barra do Ceará, diante de um público modesto se comparado ao que presenciou a chegada do ´Super Mário`. Em quase 3 meses no Ferroviário, Iarley foi um verdadeiro exemplo para os mais jovens. Por vezes, era poupado do treino para recuperar de contusões a fim de não desfalcar o Ferrão nas partidas de um campeonato irresponsavelmente tocado na base de 3 a 4 jogos por semana. Acreditou no que lhe foi vendido pela presidência do clube, se decepcionou e acabou amargando dias complicados que culminaram com o rebaixamento coral, porém manteve-se fiel a tudo que foi acordado, jogando até o último e fatídico jogo em Quixadá, que mandou o Ferroviário para a segunda divisão. Em termos de salários, Iarley sequer recebeu 10% do que havia sido acordado. Mesmo assim, respeitou o clube que o projetou e nunca cogitou acionar a justiça em busca de seus direitos. Foi sério, correto e profissional em todos os momentos e merece ser lembrado para sempre como um dos grandes nomes da história. Ao pendurar as chuteiras em fevereiro de 2014, Iarley finalmente cumpriu 16 jogos e 6 gols marcados com a camisa do time principal do Ferrão.

SUPER MÁRIO MANDA RECADO PARA O FERROVIÁRIO EM REDE SOCIAL

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Instagram de Mário Jardel

A notícia das homenagens na fachada do Estádio Elzir Cabral chegou até Porto Alegre. É lá que reside o deputado estadual Mário Jardel, cria das categorias de base do Ferroviário. Na última sexta-feira, dia 11, ele agradeceu em rede social a lembrança e publicou um recado para seus milhares de seguidores no Instagram, um testemunho de quem não esquece suas origens. Super Mário, como é conhecido em Portugal, é um dos ex-atletas que tiveram seus rostos grafitados na entrada do estádio coral, uma bela iniciativa da direção do Ferrão que privilegiou inicialmente nomes que deram ao clube projeção nacional e até internacional, como é o caso do mito Jardel, que além de terras lusitanas, atuou na Turquia, Inglaterra, Austrália, Bulgária e Itália.