IMAGENS RARAS NO GRAMADO DO CASTELÃO APÓS VITÓRIA HISTÓRICA

O título estadual de 1988 está prestes a comemorar seu 27º aniversário e o Almanaque do Ferrão tem várias raridades prontas em áudio e vídeo saídas do fundo do baú para soltar por aqui. Vale lembrar que para chegar à fase final do campeonato, o Tubarão da Barra teve que vencer o Ceará na decisão do 3º turno, numa partida memorável que muitas vezes é mais lembrada até que a própria finalíssima contra o Fortaleza, acontecida no feriado de 7 de setembro. As imagens do vídeo acima são praticamente inéditas e foram gravadas ainda dentro do gramado do Castelão, logo após uma virada histórica que entrou para a história do futebol cearense, quando o Ferroviário foi humilhado pelo Ceará por 5×1 no tempo normal, mas encontrou forças para reverter a situação e fazer 2×0 na prorrogação. Nas imagens, Guina, autor de um dos gols no tempo extra, o técnico Lucídio Pontes, o atacante Mazinho Loyola, que fez o gol coral nos noventa minutos, e o capitão Marcelo Veiga comentam emocionados sobre a grande reviravolta no clássico, talvez o maior jogo da história coral na opinião da torcida.

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Lucídio Pontes: estratégia que matou o Ceará

O jogo em questão aconteceu no dia 21 de agosto de 1988. Depois de vencer a primeira partida decisiva por 3×0, o Ferrão só precisava do empate naquela tarde de domingo. A partida começou eletrizante com o Ceará fazendo 1×0 e o Ferrão empatando logo em seguida. Depois, o alvinegro deitou e rolou. Foi pra cima do time coral e ao fazer 3×1 no placar, acabou caindo na armadilha do estrategista Lucídio Pontes, que determinou que seus jogadores guardassem o fôlego para os 30 minutos de prorrogação. O Ceará se vingou da derrota anterior fazendo 5×1 com requintes de humilhação durante todo o 2º tempo. Na volta para a prorrogação, os jogadores do Ferroviário entraram de mãos dadas e foram pedir apoio à torcida coral que estava cabisbaixa. O baixinho Arnaldo aproveitou o rebote do goleiro Washington, após uma pancada numa falta cobrada por Marcelo Veiga da intermediária, e fez 1×0. Depois, o paulista Guina fez 2×0 num contra-ataque mortal puxado por Mazinho Loyola e despachou o Ceará do campeonato, carimbando o passaporte coral para as finais contra Tiradentes e Fortaleza. Virada histórica e muita comemoração dos torcedores nas arquibancadas. O título estadual começou ali.

O DIA QUE A TORCIDA CORAL OFERECEU FLORES PARA O GUARANY

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O campeonato cearense de 1988 seguia muito disputado em seu 2º turno. Naquele sábado à noite, 11 de junho, o Ferrão recebia o Guarany de Sobral no Castelão diante de um público de 2.668 pagantes. Era o primeiro confronto entre ambos depois do trágico acontecimento em Sobral, 20 dias antes, quando o time coral derrotou o Cacique do Vale por 1×0 com um golaço de falta de Marcelo Veiga no último minuto do jogo. A derrota inesperada gerou uma revolta na torcida do Guarany e um grande tumulto tomou conta do estádio do Junco com dirigentes sobralenses disparando tiros para o alto, jogadores correndo e a torcida adversária quebrando o que via pela frente. O ônibus coral foi apedrejado na saída e a delegação do Ferrão passou por momentos difíceis. Aquele fato nunca foi esquecido, porém mereceu um perdão em grande estilo.

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Juarez viu flores na estreia

Há exatos 27 anos, a torcida coral prestava uma homenagem ao Guarany no primeiro jogo entre os times, no Castelão, após a confusão. Aos invés de pedras, só flores. Os jogadores do Guarany de Sobral receberam flores na entrada do time em campo. A iniciativa partiu da saudosa torcida organizada Força Jovem Coral, representando os jogadores e toda torcida do Ferrão. Lindo de se ver. Teve gente no estádio que até chorou. Mais bonito ainda foi a goleada que o Ferroviário aplicou no Guarany dentro de campo. Com 2 gols de Guina, 1 gol de Jacinto e 1 gol contra do zagueiro Ulisses, o time coral deitou e rolou naquela noite. Treinado por César Moraes, o time jogou com Serginho, Laércio, Arimatéia, Djalma (Juarez) e Marcelo Veiga; Toninho Barrote, Denô e Jacinto; Roberto Carlos (Amilton Rocha), Guina e Beto Andrade. Era a estreia do quarto zagueiro Juarez, campeão paulista pela Inter de Limeira dois anos antes, um dos nomes mais importantes da campanha coral em 88. Sob o comando de José Oliveira, o adversário jogou com Evandro, Jaime, Valdecy, Ulisses e Etevaldo; Alfinete, Quarenta (Bite) e Cacau; Ivanzinho, Ivan Buiú e Magno (Macedo). Foi o jogo 2.232 da história coral, aquele que ficou conhecido como o dia que a torcida coral ofereceu flores para o Guarany de Sobral. Para nunca mais esquecerem.

BELOS GOLS E MEMORÁVEL VITÓRIA NUM 1° DE MAIO DE 27 ANOS ATRÁS

1° de maio sempre foi um dia muito convidativo para o futebol devido o feriado do dia do trabalhador. Já foram 33 partidas do Ferroviário nessa data, sejam amistosos, torneio início ou válidas pelo campeonato cearense. Se fizer um esforço de memória, o torcedor mais antigo fatalmente vai lembrar de uma vitória consagradora em cima do Fortaleza justamente nessa data, um domingo como outro qualquer no inesquecível ano de 1988. Está completando 27 anos hoje daquele jogo, estreia do atacante Guina, ex-Palmeiras/SP, que marcou logo um gol como cartão de visitas e o Ferrão enfiou 4×2 no placar, numa tarde que Arnaldo, Denô, Beto Andrade e Mazinho Loyola esbanjaram de jogar futebol com gols e belas jogadas em campo. Deu trabalho, mas o Almanaque do Ferrão resgatou o vídeo daquela memorável vitória. A qualidade da imagem acima não é a ideal, mas agora estes lances são eternos também na Internet. Curta-os e vejam como o Tubarão da Barra tinha um timaço naquela temporada.

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Guina: estreia com gol

O Ferroviário formou naquele 1° de maio com Serginho, Laércio, Arimatéia, Djalma e Marcelo Veiga; Toninho Barrote, Denô e Arnaldo; Mazinho Loyola, Guina e Beto Andrade. Não houve substituições no time coral, mas nas imagens do banco de reservas, pode-se visualizar o técnico Ramon Ramos, o ponta Amilton Rocha, o lateral Kléber e o goleiro Walter. Treinado por César Moraes, o Fortaleza foi humilhado no placar e com um ´olé` no final da partida com Zé Luís, Caetano, Ronaldo (Nilo), Freitas e Luís Fernando; Erivando, Alberto e Wescley; Gilson, Fernando Roberto e João Luís. Repare no passe de três dedos de Denô, no gol de peixinho de Mazinho Loyola, nos dribles de Beto Andrade e Arnaldo, além da cambalhota coletiva dos jogadores após os gols, uma marca característica do time naquela temporada, puxada sempre pelo vibrante lateral Marcelo Veiga. Foi o jogo 2.223 da história coral, o árbitro foi Francisco Pereira e 9.373 pessoas pagaram ingresso naquele dia.