EX-MEIA CORAL MARCA GOL NA ARENA KHIMKI EM MOSCOU

O campeonato russo é transmitido pela ESPN Brasil. Quem levantou cedo no último domingo assistiu o empate de 1×1 entre Krasnodar e CSKA, na Arena Khimki, em Moscou. O gol de empate do Krasnodar veio dos pés de um brasileiro que faz sucesso na Rússia. Trata-se de Francisco Wanderson Carmo Carneiro, o meia Wanderson, que disputou 22 partidas pelo Ferroviário entre 2005 e 2006. Quem lembra? Veja o vídeo acima com imagens recentes do jogador e consulte sua memória.

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Wanderson no time titular em 31/7/2005

A primeira partida oficial de Wanderson pelo Ferrão foi no dia 31/7/2005, contra o Serrano/PE, pela Série C do campeonato brasileiro. Ele chegou a marcar um dos gols da goleada coral por 5×2. Tido como uma das gratas promessas para despontar no campeonato cearense de 2006, o jogador foi surpreendentemente emprestado para o Sub-20 do Fortaleza a fim de disputar a Taça São Paulo de Futebol Júnior, retornando para o time profissional do Ferroviário apenas no meio do Estadual, fazendo apenas 12 partidas na competição. Foram ao todo 4 gols em sua passagem com a camisa do Tubarão da Barra. Ao final da participação coral, o jogador foi negociado em definitivo com o Fortaleza numa transação pouco divulgada na ocasião.

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Polozzi queria a volta de Wanderson para o Ferrão

Em 2007, Wanderson estava emprestado pelo Fortaleza ao River/PI e brilhou sob o comando do técnico Fernando Polozzi, ex-zagueiro da Seleção Brasileira na Copa de 1978. Quando Polozzi treinou o Ferroviário na temporada de 2008, sugeriu a volta do jogador para o Ferroviário já que o Fortaleza estava disposto a emprestá-lo. Ouviu de um diretor coral a seguinte justificativa para a recusa: “não, o Wanderson tem problemas na vista. Quando o jogo é a noite, ele não enxerga direito“. Polozzi retrucou desanimado: “Pois lá no Piaui, comigo, ele enxergava muito bem“. E ficou nisso mesmo. Wanderson continuou no Fortaleza, trilhou depois sua trajetória de sucesso e já há algumas temporadas brilha na Rússia. Quer vê-lo em ação nos gramados europeus? É só ligar a televisão.

A INCRÍVEL MALDIÇÃO DOS ÍNDIOS KARATIS NA VIRADA DO MILÊNIO

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Um esquisito calção vermelho foi usado pelo Ferroviário no 3×3 contra o Crateús em 2012

No dia 30/12/2000, o Ferroviário fazia seu último jogo antes da virada do milênio. Foi um amistoso contra a Seleção de Crateús, fora de casa, no Estádio Juvenal Melo. O empate em 3×3 já preconizava o que seria a ridícula campanha coral no ano seguinte no campeonato cearense. Era o quarto confronto contra o selecionado local na história. Antes disso, duas vitórias em 1951 e um empate em 1981 garantiam o retrospecto de invencibilidade a favor do time coral contra o representante do Vale dos Inhamuns, uma das regiões mais secas do estado. Veio então a chegada no novo milênio e com ele a fundação do Crateús Esporte Clube, em 2001, sob a proteção do índio Karati, o desbravador e primeiro habitante daquela área geográfica, estampado orgulhosamente no escudo crateuense a partir de 2008.

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Entra em campo o índio da tribo Karati em 2015

Como uma maldição espiritual indígena potencializada pela incompetência de gestões corais, nunca mais o Ferroviário derrotou o novo time da cidade de Crateús. Sob a presidência do deputado estadual Vanderley Pedrosa, justamente em seu curral eleitoral nos Inhamuns, o primeiro confronto aconteceu em 14/1/2012, amistoso vencido pelo Crateús por 2×0. Onze dias depois, o primeiro jogo oficial entre ambos, válido pela 1ª divisão do futebol cearense, nova vitória crateuense por 2×1 novamente no Juvenal Melo. Em 28/3/2012, dessa vez no PV, empate em 3×3, a melhor performance coral até hoje. A partir dali, o confronto entre as duas equipes se deu no tapetão. O Crateús lançou jogadores irregulares na competição e o Ferroviário se beneficiou da incrível falha administrativa do adversário, vencendo uma batalha jurídica que terminou no STJD no Rio de Janeiro. O resultado foi o Crateús rebaixado para a Série B cearense na corte desportiva e o Ferroviário, rebaixado dentro de campo, salvo pelo gongo com o direito de permanecer na divisão de elite local por mais um tempo. Parece que aquele episódio transcendeu a lógica humana e provocou a ira e a maldição dos índios Karati.

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Ferrão, de dourado, no último dia 11

O Ferroviário foi novamente rebaixado em 2014, dessa vez sob a batuta de Edmilson Alves Júnior, que sucedeu o deputado na presidência. Nos últimos 5 dias, o Ferrão reencontrou o Crateús em mais duas partidas oficiais, agora na melancólica 2ª divisão cearense, e conseguiu o feito de perder novamente, tanto em Fortaleza como em Crateús, pelo mesmo placar de 2×1. Maldição aliada à má gestão, eis a grande questão. O fato é que o Tubarão da Barra se apequenou diante do Guerreiro do Poty, uma das simpáticas alcunhas do representante dos Inhamuns. Depois daquele primeiro 3×3 na véspera da chegada do novo milênio, nada mais parece ter sido como antes. Já se vão quase 15 anos e um doloroso tabu amarga a paciência do torcedor ao se deparar com momentos como os registrados no último sábado eternizados na tela abaixo. Até quando?

NARRAÇÃO DOS GOLS DO JOGO FERROVIÁRIO 2×0 FORTALEZA EM 1985

Cardosinho marcou um gol olímpico e Luizinho das Arábias chegava ao seu 13º gol no campeonato cearense de 1985. Foi na tarde do dia 22 de setembro, no Castelão, e o Ferroviário embalava na competição ao vencer o Fortaleza por 2×0. Os gols saíram no segundo tempo e foi uma vitória bastante comemorada. Quase 30 anos depois, o Almanaque do Ferrão resgata a narração dos dois gols em áudio na voz de Gomes Farias pela Rádio Verdes Mares AM de Fortaleza. Treinado por Caiçara, o Ferrão venceu com Serginho, Laércio, Arimatéia (Zé Luís), Léo e Vassil; Alex, Arnaldo e Vander (Doca); Cardosinho, Luizinho das Arábias e Carlos Antônio. O Fortaleza do treinador Pepe, ex-companheiro de Pelé no Santos, jogou com Salvino, João Carlos, Marcelo, Perivaldo e Caetano; Ribamar (Tangerina), Jacinto (Esquerdinha) e Buíque; Gilson, Batista e Adilson Heleno. Aperte o play e entre no túnel do tempo parar recordar aquela vitória em 1985.

CAMPEÃO NA SELEÇÃO, NUNCA NO TIMÃO E QUASE NO FERRÃO

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Foto histórica do goleiro Ado defendendo o arco do Ferroviário em 1980 contra o Ceará

Eduardo Roberto Stinghen era o reserva imediado de Félix na Seleção Brasileira tricampeã do mundo em 1970 no México. Numa época onde apelidos no futebol faziam a diferença na identificação dos jogadores, adotou a alcunha de Ado e ficou famoso no futebol nacional defendendo as cores do Corinthians/SP exatamente na época que o time paulista amargava um jejum histórico de títulos. Depois de jogar no América/RJ, Atlético/MG, Portuguesa/SP e Santos/SP, chegou para o Ferroviário em 1980 aos 34 anos de idade. Por descaso com a história e em razão de sua curta passagem, muitos esquecem que o experiente goleiro foi muito bem no arco coral nos jogos que participou.

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Goleiro Ado

A trajetória de Ado no Ferroviário começou a ser escrita com a sua entrada, no segundo tempo, em três partidas substituindo o goleiro Salvino contra o Tiradentes, Quixadá e Guarani-J. Em 19/11/80 veio a chance de entrar como titular contra o Ceará e ele não decepcionou. Pelo contrário, fez pelo menos 3 defesas sensacionais que garantiram a vitória coral por 1×0, uma delas numa cabeçada fulminante do jogador Nei que ele mandou para escanteio e outra na cobrança magistral de falta de Zé Eduardo que Ado voou e espalmou. Voltou a brilhar e pegar tudo na grande final uma semana depois, novamente contra o Ceará. Só não pegou um chute forte do lateral João Carlos, aos 11 minutos do 2º tempo, que fez escapar das mãos de Ado e do Tubarão o então inédito título de bicampeão diante de 41.434 pagantes. Foram apenas 5 jogos com a camisa coral, mas o suficiente para marcar a passagem de um nome nacional pelo Ferrão.

A única imagem em vídeo do goleiro Ado defendendo as cores corais é exatamente o gol do título do Ceará. Foi o único chute que ele não conseguiu defender enquanto goleiro do Ferroviário. O Almanaque do Ferrão resgata abaixo esse momento da história do clube.

GLAYDSTONE RUMO À MARCA DE 200 JOGOS COM A CAMISA DO FERRÃO?

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Glaydstone no Ferroviário em 2006

Ele foi um dos principais jogadores do Ferroviário entre 2003 e 2007. Na brilhante campanha coral na Série C nacional de 2006, o baixinho Glaydstone era o cérebro de um time que tinha ótimos jogadores e por muito pouco não conseguiu o acesso. Naquela mesma temporada, foi contemplado com uma placa alusiva à marca de 100 jogos em defesa do Ferrão. Voltou entre 2010 e 2011 sem muito destaque. No sábado passado, aos 37 anos, reestreou pelo clube contra o Crato em jogo válido pela segunda divisão cearense e completou sua partida de número 180. Será que Glaydstone alcançará a marca de 200 jogos? Apenas 28 jogadores na história conseguiram esse feito. O tempo dirá.

REVEJA OS GOLS DE UMA GOLEADA NUM 7 DE ABRIL COMO HOJE

Que tal recordar um jogo do Ferroviário disputado exatamente na data de hoje? Voltamos no túnel do tempo e vamos até 7 de abril de 1994, um ano mágico para o clube e por consequência para seus fiéis torcedores. Recuperamos as imagens de uma partida realizada naquela noite quando a máquina coral de fazer gols funcionou a pleno vapor. Foi um maravilhoso 6×0 contra o tradicional Calouros do Ar, com 2 gols do ídolo Acássio. Os outros tentos foram assinalados por Cícero Ramalho, Edinho, Nasa e Batistinha, que você pode conferir no vídeo acima.

Ainda treinado pelo carioca José Dultra, ex-zagueiro do Vasco/RJ e do Remo/PA, o Ferrão foi escalado com Dênis, Caetano (Edinho), Batista, Santos e Branco; Lima (Eron), Nasa, Acássio e Basílio; Batistinha e Cícero Ramalho. O Calouros tinha alguns jogadores que passaram pelo Ferroviário, inclusive contava com o comando técnico de Celso Gavião, um dos maiores zagueiros da história coral. Ele escalou o ´Tremendão da Aerolândia` com o futebol de Júnior Lemos, Zé Carlos, Márcio Gomes, Luciano e Paulo César; Feliciano, Idésio (Edmar) e Gilson; Nonato, Célio (Cafuringa) e Ronaldinho.

Após a extravagante vitória em cima do Calouros e de outros bons resultados, o Ferrão viveu dias complicados no campeonato pouco tempo depois. Numa partida contra o América, o Tubarão da Barra quebrava a bola e passou a ser vaiado pela exigente torcida coral. O gol do alívio veio dos pés do atacante Batistinha, que ao comemorar desferiu uma banana para os torcedores que vaiavam a equipe atrás da trave. O mundo quase veio abaixo por conta dessa atitude e gerou um dos raros momentos de desconforto entre time e torcida naquela brilhante temporada até hoje reverenciada.

GOL LENDÁRIO DE MARCELO VEIGA NO DIA DO SEU ANIVERSÁRIO

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No duelo contra o Ceará de Gerson Sodré, o lateral Marcelo Veiga marcou um gol de falta lendário

Existem gols que são eternos pela importância da partida ou pela beleza plástica do lance. O vídeo abaixo retrata um deles no jogo 2.306 da história do Ferroviário. Numa batida de falta praticamente do meio de campo, Marcelo Veiga desmoralizou o goleiro Sérgio Monte do Ceará. Foi em 7/10/1989 em partida válida pela campeonato brasileiro, no PV, exatamente no dia que o lateral esquerdo coral comemorava seu aniversário de 25 anos. O gol foi um presente para a torcida do Ferrão e um colírio para sempre recordar.

Naquele sábado à tarde, o técnico Lucídio Pontes escalou um Ferrão bem ofensivo com Osvaldo, Silmar, Arimatéia, Evilásio e Marcelo Veiga; Alves, Marquinhos (Toninho Barrote) e Jacinto; Mardônio (Aloísio), Luizinho e Paulinho. O Ceará tinha César Moraes no comando técnico e jogou com Sérgio Monte, Mário, Belterra, Cláudio e Paulo César; Beto Cruz, Gerson Sodré e Santos; Márcio, Luís Carlos e Magno (Oliveira Canindé). O jogo foi 1×1 e Santos fez o gol do alvinegro. Recorde abaixo o gol lendário de Marcelo Veiga.