UM CLÁSSICO DAS CORES ANTOLÓGICO PRA NUNCA ESQUECER

Clássico das Cores antológico do campeonato cearense de 1978 terminou em disputa de pênaltis

Houve um tempo em que o campeonato cearense arrebatava multidões. Disputado em apenas quatro meses – algo muito semelhante com o tempo de duração dos estaduais hoje em dia – o certame alencarino de 1978 foi um sucesso de bilheteria. Não à toa, aquela temporada registra até hoje a maior média de público da história coral. O futebol local vivia uma época de ouro e clássico era sempre disputado no melhor estádio disponível. Ferrão e Fortaleza protagonizaram, no Castelão, a final do 2º turno do Estadual de 1978 e 30.407 pagantes compareceram ao jogo naquela tarde/noite de 29 de outubro. A partida foi arbitrada pelo carioca Luís Carlos Félix. Depois de um 0x0 nos noventa minutos, as duas equipes disputaram mais trinta minutos de prorrogação e o placar eletrônico do Castelão teimou em não se movimentar. Pelo regulamento da competição, a decisão foi para o pênaltis e o Clássico das Cores, ou o “Ferrofort“, como era também chamado na ocasião, escrevia nas páginas da história um de seus momentos mais antológicos. O Fortaleza levou a melhor vencendo por 5×4 e comemorou com muita emoção. O Tubarão da Barra, que já tinha vencido o 1º turno, lamentou o desfecho da grande final do returno e seguiu em frente na competição. O Ceará ganhou o último turno e as três equipes foram para o ´Super Turno`, ficando o alvinegro com o histórico tetracampeonato estadual, aquele do gol do Tiquinho.

Veterano goleiro Gilberto, ex-Santa Cruz/PE, foi o goleiro coral naquela disputa de pênaltis

Toda vez que um Clássico das Cores se realiza, como o de hoje pelo campeonato estadual de 2020, os comandantes do futebol cearense deveriam lembrar dos grandes jogos na história e organizar a competição com mais atrativos e menos aberrações. Mas isso aí é outro assunto. Vale mais o registro histórico de um clássico inesquecível para quem estava no Castelão naquele domingo de 1978, como o Prof. Valdinar Custódio, falecido já há muito tempo, mas que sempre comentava sobre essa derrota dolorosa em suas memórias orais durante saudosos bate papos na roda de jovens amigos de seus filhos, entre eles, este blogueiro, sempre presente e atento a tudo que ele contava. Talvez, lá no céu, ele já tenha perdoado o lateral Ricardo Fogueira por perder a segunda cobrança. Treinado por Lucídio Pontes, o Ferrão jogou com Gilberto, Paulo Maurício, Lúcio Sabiá, Arimatéia e Ricardo Fogueira; Jodecir, Doca e Jacinto (Jorge Bonga); Marcos (Luizinho), Paulo César e Babá. O tricolor, do técnico Moacyr Menezes, ganhou com Lulinha, Pepeta, Chevrolet, Celso Gavião e Dudé; Otávio Souto, Lucinho (Batista) e Bibi; Haroldo (Delmo), Geraldino e Da Costa. O Ferrão iniciou os penais com Jorge Bonga. Ricardo Fogueira perdeu a segunda cobrança e, em seguida, Doca, Babá e Paulo Maurício converteram suas finalizações. O Fortaleza acertou todos os chutes na seguinte ordem: Bibi, Da Costa, Delmo, Dudé e Celso Gavião. Por ironia do destino, o zagueiro Celso, três meses depois, foi contratado pelo Ferrão e tornou-se um dos grandes ídolos da história coral. Reviva  aquele momento mágico na memória dos Clássicos das Cores escutando o áudio abaixo. Resgatamos a histórica transmissão dos gols na disputa de pênaltis na voz de Gomes Farias, Bezerra de Menezes e Edvaldo Pereira, durante a transmissão da Rádio Verdes Mares de Fortaleza. Um registro antológico de um clássico antológico.

FERROVIÁRIO ATLÉTICO CLUBE SE DESPEDE DE MAIS UM EX-PRESIDENTE

Edilson Sampaio na comemoração do título de 1988 ao lado da família na Barra do Ceará

Faleceu no último sábado, dia 14 de outubro, o ex-presidente do Ferroviário Atlético Clube, Edilson Sampaio, conhecido no meio futebolístico e familiar como Chumbinho. Ele presidiu o Tubarão da Barra entre janeiro de 1992 e fevereiro de 1993. Muito antes de ser presidente do clube, Chumbinho colaborou com várias diretorias na condição de conselheiro coral na década de 1980. Ao se tornar presidente do Ferrão, Edilson Sampaio repetiu o feito de seu pai, Porfírio Sampaio, que durante muitos anos presidiu o Ferroviário, sendo inclusive campeão cearense nas temporadas de 1945, 1950 e 1952. Edilson Sampaio travava uma luta contra o câncer e com a notícia de seu falecimento, o Ferroviário anunciou luto oficial. No dia de seu falecimento, o presidente da Federação Cearense de Futebol, Mauro Carmélio, decretou um minuto de silêncio em homenagem a Chumbinho antes do jogo Fortaleza x CSA pelo campeonato brasileiro de futebol. No baú do blog, Chumbinho aparece na foto acima em entrevista ao repórter Edvaldo Pereira, da TV Verdes Mares, durante a comemoração do título estadual do Ferroviário de 1988 ocorrida no Clube de Regatas da Barra do Ceará.