UMA FOTO QUE REPRESENTA BEM A VIDA DO GOLEIRO NO FUTEBOL

Rafael Muralha, Fernando Júnior e Eduardo: goleiros do Ferroviário na temporada de 2013

Já que ontem foi o ´Dia do Goleiro` no Brasil, a seção ´Retratos` presta uma homenagem a todos os goleiros que defenderam o Ferroviário em mais de oito décadas de existência. A imagem simboliza bem a vida dos goleiros, sempre pulando e caindo no chão nos treinamentos e nas partidas. Há quem diga que em determinados jogos, o goleiro nem suja o uniforme dada a inoperância do adversário. Não é o caso dos três goleiros da foto acima, tirada no segundo semestre de 2013, durante mais um dia de treino puxado na Barra do Ceará com o preparador William Mardoch. Vejam e recordem Rafael Muralha (11 jogos pelo Ferrão), Fernando Júnior (60 jogos) e Eduardo (2 jogos). O paranaense Fernando Júnior atua hoje no futebol angolano. Rafael Muralha continua no futebol cearense e Eduardo, irmão do goleiro Cássio do Corinthians, desistiu da profissão.

O CARNAVAL DAVA A DICA DE O QUE SERIA CAPAZ DE PARAR JOMBREGA

Bloco ´Cordão das Coca Colas` no carnaval de Fortaleza fazia alusão à jogador do Ferroviário

O carnaval desse ano passou, mas deixou resgatado essa foto histórica de meados dos anos 40. O aviso foi do pesquisador Ciro Câmara, jornalista cearense apaixonado por futebol e, em particular, pela pesquisa esportiva. Era o ´Cordão das Coca-Colas`, antigo bloco carnavalesco de Fortaleza onde os homens se vestiam de mulher. Um dos rapazes ou das moças, como queiram, segura um placa com a frase: “Detefon para Jombrega“. Estaria ele se referindo ao grande artilheiro cearense Jombrega? Ciro Câmara aposta que sim e é muito provável que esteja certo. Jombrega chamava-se Francisco José Róseo de Oliveira e jogou no Fortaleza, Maguary, Ferroviário e até no Corinthians/SP, segundo dados do Almanaque do Timão, de autoria de Celso Unzelte. No Ferrão, Jombrega acumulou passagens entre 1940 e 1946, disputando 38 jogos e marcando 26 gols. Conquistou 2 títulos pelo Ferroviário: o Torneio Início e a Taça General Mascarenhas, ambos na temporada de 1940. Segundo interpretações, a placa indica o que poderia parar Jombrega, um verdadeiro fenômeno dentro dos campos de Fortaleza. Talvez só mesmo o Detefon, um dos principais e mais famosos inseticidas da época, muito comum na boca do povo até a década de 80. Lembrou do Detefon? Dá uma olhada na publicidade abaixo.

GOLEIRO CORAL EM 1980 É O ANIVERSARIANTE DA SEMANA

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Ado orienta a barreira do Ferrão num clássico contra o Ceará no campeonato estadual de 1980

A dica veio do internauta Charles Garrido, figura frequente no blog e nos comentários da nossa página no Facebook. Hoje é dia de homenagear o aniversariante da semana! O Brasil inteiro falou sobre os 70 anos do ex-goleiro Ado, campeão do mundo com a seleção brasileira na Copa de 1970, ex-arqueiro do Corinthians/SP e do Ferroviário no campeonato cearense de 1980. Ado já mereceu inclusive postagem especial por aqui em abril do ano passado. É ele o destaque da seção ´Retratos` dessa semana.

HÁ DOIS ANOS, IARLEY ERA APRESENTADO PELO FERROVIÁRIO

Há exatos dois anos, o consagrado atacante Iarley era apresentado pelo Ferroviário como reforço para a temporada de 2014. O Almanaque do Ferrão resgata acima um vídeo que faz uma retrospectiva daquele momento de grande empolgação na vida coral. Cria do próprio clube, onde assinou seu primeiro contrato profissional na carreira, o jogador decidiu retornar às origens para corrigir a lacuna histórica de nunca ter atuado pelo time principal do Tubarão da Barra. Em sua nova passagem pelo Elzir Cabral, Iarley vivenciou dias difíceis de instabilidade política, ruptura da gestão do futebol e uma tabela massacrante de jogos que obrigou o atleta, com seus 40 anos de idade, a se desdobrar em campo com dignidade na tentativa em vão de salvar o Ferroviário do rebaixamento.

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Iarley: o último agachado no time Sub-20 de 1994

Todos lembram de Iarley por suas passagens vitoriosas pelo Internacional/RS, Corinthians/SP, Boca Juniores da Argentina, dentre outras equipes. Porém, muitos desconhecem a origem humilde que o fez atender o pedido de um tio e deixar a pequena Quixeramobim, no sertão central cearense, para jogar nas categorias de base do Ferrão, onde conquistou o título cearense Sub-20, no ano de 1994, em jogos que eram disputados nas preliminares dos time principal. Quem via Iarley em campo, naquelas tardes de domingo, apostava nele como o próprio futuro do Ferroviário, futuro este que não chegou em razão da crise política estabelecida em dezembro de 1997, que acabou afastando Clóvis Dias da presidência coral e mudou os destinos do promissor jogador na Barra do Ceará, tendo ele que deixar a equipe num acordão liberatório que envolveu nove jogadores.

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Iarley em campo no campeonato cearense de 2014

Naquele dezembro quente de 2013, Iarley bem que merecia uma apresentação tão portentosa quanto a preparada para o centroavante Jardel, quase cinco anos antes. Ele foi apresentado numa manhã normal de sábado, na Barra do Ceará, diante de um público modesto se comparado ao que presenciou a chegada do ´Super Mário`. Em quase 3 meses no Ferroviário, Iarley foi um verdadeiro exemplo para os mais jovens. Por vezes, era poupado do treino para recuperar de contusões a fim de não desfalcar o Ferrão nas partidas de um campeonato irresponsavelmente tocado na base de 3 a 4 jogos por semana. Acreditou no que lhe foi vendido pela presidência do clube, se decepcionou e acabou amargando dias complicados que culminaram com o rebaixamento coral, porém manteve-se fiel a tudo que foi acordado, jogando até o último e fatídico jogo em Quixadá, que mandou o Ferroviário para a segunda divisão. Em termos de salários, Iarley sequer recebeu 10% do que havia sido acordado. Mesmo assim, respeitou o clube que o projetou e nunca cogitou acionar a justiça em busca de seus direitos. Foi sério, correto e profissional em todos os momentos e merece ser lembrado para sempre como um dos grandes nomes da história. Ao pendurar as chuteiras em fevereiro de 2014, Iarley finalmente cumpriu 16 jogos e 6 gols marcados com a camisa do time principal do Ferrão.

IRMÃO DO GOLEIRO CAMPEÃO BRASILEIRO JOGOU NO FERRÃO

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Goleiro Eduardo foi titular no jogo do Ferroviário contra o ABC/RN em julho de 2013

Eduardo é irmão de Cássio, goleiro do Corinthians/SP e da Seleção Brasileira. Também é goleiro e defendeu o Ferroviário Atlético Clube em 2013, aos 19 anos de idade. Sete anos mais novo que o irmão famoso, o ex-atleta coral segue sua trajetória no futebol desde que deixou a Barra do Ceará. Defendeu posteriormente o São José/RS e o Itumbiara/GO. Mas, você recorda a passagem dele pelo Ferrão?

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Cássio e Eduardo no Ferroviário

Eduardo chegou em janeiro de 2013 para o Ferroviário e de início atraiu a atenção da imprensa em razão do irmão. Treinava com afinco e logo conquistou a titularidade da equipe Sub-20, sendo relacionado algumas vezes para compor o banco nos jogos dos profissionais na reserva de Fernando Júnior. A chance como titular veio na estreia do Ferrão na Copa Ecohouse, uma espécie de Taça Nordeste organizada pela Federação do Rio Grande do Norte. Em seu primeiro jogo no time principal, no mês de julho, Eduardo fechou o gol e o Tubarão da Barra venceu o ABC de Natal por 1×0, naquele que foi o jogo 3.451 da história coral. No mês seguinte, substituiu o goleiro Rafael Muralha num amistoso contra o time do Sindicato dos Atletas, completando assim sua segunda e última partida pelo Ferroviário. No final da temporada, Eduardo recebeu a visita do irmão nas instalações na Barra do Ceará.

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Rumo à festa corintiana no Itaquerão

A fatídica temporada de 2014 selou o destino de Eduardo no Ferroviário. Sem o mesmo ambiente de trabalho do ano anterior e não vislumbrando perspectivas de resgate do projeto que o convenceu a seguir carreira no clube, Eduardo pediu rescisão ainda no mês de fevereiro, mesmo com tempo de contrato ainda a cumprir. Preferiu ir embora pra casa a conviver num ambiente político deteriorado e tendências de dificuldades futuras como atraso de salários, entre outras questões que acabaram se confirmando posteriormente. Ontem, ele postou a foto acima em suas redes sociais, com o irmão Cássio e o amigo Kleyton, seu companheiro nos tempos de Ferroviário. Foram prestigiar o goleiro corintiano na festa de campeão brasileiro do time paulista no Itaquerão. E a vida segue para todos.

POR ONDE ANDA O ZAGUEIRO CLÁUDIO DA COPA DO BRASIL?

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Quarto zagueiro Cláudio em ação com a camisa do Ferrão sob os olhares dos torcedores corais

Ele esteve presente na última vez que o Ferroviário participou de um jogo pela Copa do Brasil, uma das principais competições do calendário nacional. E já se vão quase 12 anos desde aquela partida contra o Corinthians/SP, no Castelão, em que o quarto zagueiro carioca Cláudio, improvisado na cabeça de área pelo técnico Roberto Palmiéri, quase marca um gol de cabeça quando o placar ainda apontava 0x0, o que poderia ter mudado o destino da partida vencida pelo alvinegro paulista por 2×0, ao apito final do árbitro baiano Lourival Dias Lima Filho, já falecido. Aquela foi uma das últimas partidas de Cláudio com a camisa coral, no total de 74 jogos e 2 gols marcados, entre algumas saídas e retornos a Barra do Ceará compreendidos entre 1999 e 2001, além de 2003 e 2004.

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Escolhido o melhor em campo em jogo de 1999

O nome completo do ex-zagueiro coral é Cláudio Alberto Oliveira da Silva. Quando chegou pela primeira vez para o Ferroviário, trazia ótimas referências do Moto Clube/MA. Fez sua estreia em janeiro de 99 quando o time coral era dirigido por Marcelo Vilar e tinha Carlos Mesquita, atual presidente do clube, também ocupando a presidência. Naquela temporada, chegou a ser escolhido como o principal destaque em alguns jogos devido a segurança que garantia à defensiva do Ferrão. A qualidade do ex-zagueiro poderia ser sido melhor aproveitada se tivesse tido a sorte de atuar em equipes mais competitivas no período que vestiu a camisa coral. Recentemente, sob o nome de Cláudio Carioca, ele iniciou a carreira de treinador de futebol comandando o Sabugy, da cidade de Santa Luzia, no interior da Paraíba, nas disputas da segunda divisão do campeonato paraibano. Que tenha uma carreira de sucesso na nova função.

EX-ARTILHEIROS CORAIS ESTÃO DE VOLTA AO DIA A DIA DO FERROVIÁRIO

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Mazinho Loyola, de branco, e Robério, de vermelho, voltam ao Ferrão no comando da base

A boa nova chegou na semana passada. O Ferroviário tem nova diretoria e trouxe antigos ídolos e artilheiros para o início de um novo ciclo. Com o vereador Carlos Mesquita na presidência, cargo exercido por ele próprio no biênio 98-99, a nova direção aposta na identificação que nomes como Rômulo, Robério e Mazinho Loyola têm com o clube. Os três foram exímios goleadores vestindo a camisa coral. Em comum, tiveram a primeira chance no futebol profissional jogando com o uniforme do Ferrão. Ganharam o mundo e retornaram para o ninho quando penduraram as chuteiras. Agora, os três personificam a esperança de dias melhores para o Tubarão da Barra.

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Mazinho Loyola no Ferrão em 1988

Mazinho Loyola é cria do próprio Ferroviário. Conquistou títulos nas categorias de base nos anos 80 e surgiu como um meteoro brilhante na campanha inesquecível do título estadual de 1988. Foi negociado no final da temporada para o São Paulo e, depois, vestiu as camisas de times consagrados como Corinthians/SP e Internacional/RS. Parou de jogar futebol no próprio Ferroviário, em 2004, na Série C do campeonato brasileiro. Por sua vez, Robério foi bicampeão coral em 1995, ano em que também foi o artilheiro do campeonato. Foi negociado no ano seguinte com o Goiás/GO. Posteriormente, atuou na Malásia, onde é ídolo. A dupla Robério e Mazinho são os principais nomes da Win Sports, empresa que assumiu as categorias de base do Ferrão. Espera-se que na mão de dois excelentes ex-jogadores, o clube possa voltar a revelar grandes artilheiros.

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Rômulo no Ferrão em 2011

Já o ex-atacante Rômulo, artilheiro do campeonato cearense de 1998 pelo Ferroviário, está de volta ao clube, dessa vez na função de técnico do time profissional que disputará a Taça Fares Lopes, competição estadual de segundo semestre que dá ao time campeão uma vaga na Copa do Brasil do ano seguinte. Foi o Tubarão da Barra que ofereceu a primeira grande oportunidade a Rômulo como atleta. Sem vez no elenco do Ceará em 98, clube que o formou, o atleta foi convidado pelo próprio presidente Carlos Mesquita a defender as cores corais. Deu certo, Rômulo foi artilheiro e depois jogou no exterior e em times importantes do futebol brasileiro. Em 2011, voltou a defender a camisa coral no campeonato cearense antes de largar a vida de jogador. Agora, 17 anos depois, o mesmo presidente coloca nas mãos de Rômulo uma nova oportunidade, a de treinador do Ferroviário. Que os velhos nomes corais, agora de volta a Barra do Ceará, resgatem a alegria e o sucesso de suas épocas. A torcida coral certamente agradecerá.